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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.55 no.3 Belo Horizonte June 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352003000300008 

Libido de touros Nelore: efeito da proporção touro:vaca sobre a taxa de gestação

 

Libido of Nellore bulls: effect of bull:cow ratio on pregnancy rate

 

 

M.D. SantosI, *; C.A.A. TorresII; J.D. GuimarãesII; J.R.M. RuasIII; G.R. CarvalhoII

IFaculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Cuiabá – UNIC – Cuiabá, MT
IIUniversidade Federal de Viçosa - Viçosa, MG
IIIPesquisador da EPAMIG - Viçosa, MG

 

 


RESUMO

Estudou-se a influência da libido de touros sobre as taxas de gestação de vacas aos 30, 60 e 90 dias de estação de monta, e avaliaram-se as correlações entre concentração de testosterona, qualidade seminal e libido. Foram selecionados 12 touros (exame andrológico e teste da libido), distribuídos nos tratamentos: T1 e T2, três com libido baixa e três com libido alta, respectivamente, na proporção touro:vaca de 1:75, e T3 e T4, três com libido baixa e três com libido alta, respectivamente, na proporção de 1:100. Não houve diferença entre touros quanto à concentração de testosterona no soro. Touros com alta libido na proporção 1:75 proporcionaram maior taxa de gestação aos 60 e 90 dias (90,6 e 94,6%, respectivamente) da estação de monta em relação aos de libido baixa na mesma proporção (80,0 e 86,2%, respectivamente). A libido dos touros na proporção 1:100 não influenciou a taxa de gestação. Não se observou efeito da proporção touro:vaca sobre a taxa de gestação e não se observou correlação entre libido, qualidade seminal, circunferência escrotal e concentração sérica de testosterona.

Palavras-chave: bovino, comportamento sexual, fertilidade, testosterona, zebu


ABSTRACT

The effect of the libido of the bulls on pregnancy rates at 30, 60 and 90 days of the breeding season was studied, and the correlations between the serum testosterone levels, seminal quality and libido were estimated. Twelve bulls selected by andrologic evaluation and by the libido test, were randomly allotted to: treatments T1 and T2, three low libido bulls and three high libido bulls, respectively, in the bull:cow proportion of 1:75; and treatments T3 and T4, three low libido bulls and three high libido bulls, respectively, in the proportion of 1:100. No differences among bulls based on the serum testosterone levels were observed. Bulls with high libido (proportion 1:75) provided larger pregnancy rate at 60 and 90 days (90.6 and 94.6%, respectively) of the breeding season, than low libido bulls in the same proportion (80.0 and 86.2%, respectively). The libido of the bulls in the proportion 1:100 had no effect on the pregnancy rates. The effect of bull:cow proportion on the pregnancy rate was not significant and no correlations between libido, seminal quality, scrotal circumference and serum testosterone levels were observed.

Keywords: cattle, fertility, sexual behavior, testosterone, zebu


 

 

INTRODUÇÃO

A avaliação do comportamento sexual de touros realizada por pesquisadores brasileiros é feita com o objetivo de melhorar a fertilidade do rebanho, aumentar a proporção touro:vaca no sistema de monta natural, reduzir custos e aumentar a lucratividade da exploração.

Segundo Andersson (1948), citado por Chenoweth (1983 e 1993), o comportamento sexual envolve dois componentes: a libido, definida como espontaneidade ou avidez do macho em montar e efetuar a cópula, habilidade que se desenvolve da puberdade até a maturidade sexual, e a capacidade de serviço (CS), que é o número de montas (serviços completos) realizadas pelo touro em determinado tempo.

Barbosa et al. (1991) e Fonseca et al. (1996) encontraram correlações de 0,84 e 0,62 (P<0,01), respectivamente, entre libido e capacidade de serviço de touros da raça Nelore, e sugeriram que o teste da libido seria a alternativa mais viável para avaliar o comportamento sexual dos animais.

Touros Bos taurus indicus apresentam libido inferior à dos Bos taurus taurus. A pontuação obtida para touros zebu utilizando a metodologia preconizada por Chenoweth (1984), está na categoria de questionáveis à boa (Barbosa, 1987; Fonseca, 1989; Crudeli et al., 1989).

Segundo Fraser (1980), a libido depende basicamente da produção de testosterona. Contudo, Barbosa (1987) observou baixa correlação entre níveis de testosterona e libido de touros das raças Nelore e Canchim, enquanto que Chenoweth (1983) relatou que a libido e a capacidade de serviço em touros são fortemente influenciadas por fatores genéticos. Segundo esses autores, alterações que comprometem o bem-estar do animal acarretam redução na libido e na capacidade de serviço.

Para Chenoweth (1983), a libido aparentemente não está relacionada com as características seminais ou com a circunferência escrotal, sendo possível obter sêmen de boa qualidade de animais com baixa libido ou vice-versa. Santos (2000) não observou correlação entre libido, perímetro escrotal, concentração espermática, vigor, motilidade espermática progressiva e defeitos espermáticos totais em touros da raça Nelore.

Pineda e Lemos (1994), aos utilizarem a proporção touro:vaca de 1:40 em acasalamento coletivo, observaram diferença de 11,5% nas taxas finais de gestação entre os lotes de alto e baixo comportamento sexual (libido e capacidade de serviço). Esses autores relataram que o teste da libido é a alternativa mais viável para avaliar o desempenho sexual de touros da raça Nelore, considerando-se as interferências que podem ocorrer no teste da capacidade de serviço, como dominância ou hierarquia social.

Fonseca et al. (1996), ao usarem touros classificados como questionáveis e de alta habilidade de monta na proporção touro:vaca de 1:80, obtiveram 68,8 e 88,8% de taxa de gestação aos 63 dias de estação de monta, respectivamente. Os altos índices de gestação obtidos mostram que touros bons no exame andrológico e com habilidade de monta muito alta permitem reduzir sensivelmente o tempo de estação de monta, sem interferir na fertilidade do rebanho.

Santos (2000) não observou diferença (P>0,05) na taxa de gestação de vacas da raça Nelore submetidas as proporções touro:vaca de 1:25, 1:50, 1:75 e 1:100., Fonseca et al.(2000) também não observaram diferença na taxa de gestação de fêmeas da raça Nelore submetidas às proporções touro:vaca de 1:40 e 1:80, obtendo economia de 22,8% no custo da cria desmamada quando a segunda proporção foi usada em relação à proporção de 1:25, tradicionalmente utilizada no Brasil.

As características de comportamento sexual da raça Nelore ainda não estão bem definidas, sendo evidente que o temperamento agitado e os aspectos de dominância interferem nos resultados.

Este trabalho teve como objetivo verificar a influência da libido de touros da raça Nelore, acasalados com elevado número de vacas, sobre as taxas de gestação aos 30, 60 e 90 dias de estação de monta, e verificar a correlação entre a concentração sérica de testosterona, qualidade seminal e libido dos touros.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi desenvolvido no período de outubro de 1998 a maio de 1999, na Agropecuária Guarita, localizada no município de Rondonópolis-MT.

Os touros da raça Nelore devidamente identificados, clinicamente normais, foram selecionados por meio de avaliação andrológica, realizada no início da estação de monta. Foram realizadas medidas testiculares e coleta de sêmen por eletroejaculação para avaliar os aspectos físicos (volume, turbilhonamento, motilidade espermática progressiva, vigor e concentração espermática) e a patologia espermática (defeitos maiores, menores e totais) conforme Henry e Neves (1998). No final da estação de monta os touros foram submetidos a nova avaliação andrológica para verificar se houve alteração na qualidade espermática. Eles foram pesados no início e no final da estação de monta.

Uma semana após a avaliação andrológica, os touros foram selecionados com relação ao comportamento sexual, utilizando-se o teste da libido conforme critérios preconizados por Chenoweth (1984), com escore variando de 0 a 10. Cada touro foi colocado em um piquete (±500 m2) com duas vacas em estro induzido, e avaliados por 15 minutos. Para cada atitude dos touros frente às vacas foi atribuída pontuação, classificada como libido questionável (0-3), libido boa (4-6), libido muito boa (7-8) e libido excelente (9-10). Foram selecionados seis touros com libido questionável (0-3, denominada como de baixa libido) e seis touros com libido muito boa à excelente (7-10, denominada como de alta libido). As vacas em estro foram substituídas a cada dois touros testados, ou quando necessário para evitar recusa das fêmeas a novos serviços.

Os 12 touros selecionados, de três a quatro anos de idade e média de peso de 655kg, foram distribuídos aleatoriamente em: tratamento 1 (T1), três touros com libido baixa na proporção touro:vaca de 1:75 (225 vacas); tratamento 2 (T2), três touros com libido alta na proporção touro:vaca de 1:75 (225 vacas); tratamento 3 (T3), três touros com libido baixa na proporção touro:vaca de 1:100 (300 vacas) e tratamento 4 (T4), três touros com libido alta na proporção touro:vaca de 1:100 (300 vacas). Utilizaram-se vacas da raça Nelore com idade média de sete anos, com bezerro ao pé e ciclando, selecionadas por meio de exame transretal. Os animais, mantidos em pastagens cultivadas de capim-braquiária (Brachiaria decumbens), capim-humidícula (Brachiaria humidícola) e capim-braquiarão (Brachiaria brizantha), com rodízio dos lotes nas pastagens no manejo normal da fazenda, receberam mistura mineral em cochos coletivos. Nos primeiros 30 dias da estação de monta todos os animais receberam suplementação protéica contendo 34% de proteína bruta/kg do concentrado protéico.

Amostras de sangue foram colhidas quatro dias antes do início da estação de monta (novembro/98), para determinação do efeito circadiano e da concentração sérica de testosterona. Após as colheitas, realizadas com intervalo de quatro horas, às 6, 10, 14, 18, 22 e 2 horas, as amostras foram centrifugadas a 3.000rpm por 15 minutos. O soro sangüíneo obtido foi colocado em tubetes plástico e armazenado à temperatura de -18ºC para posterior análise (Valle e Dode, 1991). O perfil de testosterona no soro foi determinado por radioimunoensaio (RIA) de fase sólida, com uso de kit comercial (DPC COAT A COUNT. Total Testosterone. Los Angeles, USA).

A duração da estação de monta foi de 90 dias (20/11/98 a 20/02/99), tendo sido realizados rodeios diários no rebanho nos primeiros 30 dias e a cada dois dias após esse período.

O diagnóstico de gestação foi feito por palpação transretal 60 dias após o início da estação de monta e posteriormente a cada 30 dias após a primeira avaliação. As fêmeas gestantes foram mantidas nos respectivos grupos de tratamento até o final da estação de monta para não alterar as proporções touro:vaca.

Foi utilizado o teste qui-quadrado para avaliar o efeito da libido e da proporção touro:vaca sobre o percentual de vacas gestantes.

Para avaliação da concentração sérica de testosterona utilizou-se o programa SAEG – Sistema de análises estatísticas e genéticas (UFV, 1997), aplicando-se análise de variância para modelos lineares em esquema de parcelas subdivididas, tendo nas parcelas os tratamentos (L1 = alta libido e L2 = baixa libido) e nas subparcelas as horas de avaliação (6, 10, 14, 18, 22 e 2 h), com seis repetições. Para o estudo do efeito da hora de avaliação foram testados modelos de regressão, nos quais o coeficiente de determinação e a significância do coeficiente de regressão pelo teste t a 5% de probabilidade foram os critérios adotados para a escolha da melhor equação ajustada.

A qualidade seminal nos tratamentos foi submetida à análise de variância para modelos lineares e ao teste t (dados pareados) para comparação de medias no início e no final da estação de monta. Foram também estimados coeficientes de correlação de Pearson entre concentração de testosterona, qualidade seminal, libido e circunferência escrotal.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A qualidade seminal (aspectos físicos e morfológicos) e a circunferência escrotal dos touros não diferiram (P>0,05) entre os tratamentos. Constam da Tab. 1 as médias e os respectivos desvios-padrão apresentados no início da estação de monta. Estes dados reforçam o critério utilizado para a seleção dos touros, visando obter homogeneidade das características avaliadas.

 

 

Na Tab.2 observa-se redução no turbilhonamento e na motilidade espermática progressiva (P<0,01) no decorrer da estação de monta. Vigor, concentração espermática, percentual de defeitos espermáticos totais e circunferência escrotal não apresentaram alterações (P>0,05) nesse período. Conforme os critérios espermáticos estabelecidos por Henry e Neves (1998), os resultados sugerem que os touros não perderam sua capacidade fecundante com relação à qualidade seminal durante a estação de monta.

 

 

Não foi observado efeito (P>0,05) da libido (Tab. 3) sobre a taxa de gestação, exceto na proporção 1:75 aos 60 e 90 dias de estação de monta (P<0,01). Desse modo, há evidências de que a libido na proporção 1:75 interferiu no desempenho sexual dos animais em monta natural. Pineda et al. (1997b), utilizando touros da raça Nelore classificados com libido baixa, média e alta, na proporção touro:vaca de 1:40, não observaram diferença nas taxas de gestação aos 63 dias de estação de monta.

 

 

Fonseca et al. (1997) relataram que o aumento na proporção touro:vaca pode potencializar a capacidade reprodutiva dos touros desafiados em função do maior número de fêmeas em estro. Se esse for o caso, possivelmente houve estímulo do apetite sexual dos touros com baixa libido na proporção 1:100. Outra hipótese para explicar o resultado tem como base o trabalho desenvolvido por Piccinali et al. (1992) que, ao utilizar touros da raça Gir, observaram baixa correlação (r = 0,29) entre o escore obtido pelos touros nos testes de curral e o número de serviços realizados pelos mesmos touros a campo. Desse modo, os touros de libido baixa, que mostraram menor interesse pelas fêmeas no teste realizado no piquete, tornaram-se mais ativos quando expostos ao maior número de fêmeas. Além disso, em animais zebu o teste da libido não deve ser aplicado com a mesma metodologia utilizada para animais europeus, pois o tempo de duração do teste pode interferir nos resultados (Santos, 2000). Sabe-se que os animais zebu, principalmente os da raça Nelore, por apresentarem temperamento irrequieto e hierarquia social diferente dos animais taurinos, podem alterar os resultados. Assim, justifica-se a validade de pesquisas para ajustar o melhor teste de libido para o zebu.

Nas proporções de 1:75 e 1:100 ocorreu acentuado aumento nas taxas de gestação a partir dos 60 dias de estação de monta. Possivelmente fatores como redução do estresse dos touros e das vacas ocorrido no processo de seleção dos animais (fase pré-estação de monta), adaptação ao manejo adotado e efeito favorável da suplementação protéica nos primeiros 30 dias de estação de monta podem ter contribuído para o aumento nas taxas de gestação.

A proporção touro:vaca não interferiu (P>0,05) nas taxas de gestação aos 30, 60 e 90 dias da estação de monta, independentemente da libido (Tab. 4). Blockey (1976) relatou que um dos fatores que influenciam a eficiência dos touros em detectar o estro é a proporção touro:vaca. O autor observou que na proporção de 20 a 30 vacas por touro, eles montaram 95 a 100% das vacas em estro, na proporção de 60 vacas foram montadas apenas 66% e na de 100 vacas apenas 51%. Se esse fato tivesse ocorrido neste estudo, possivelmente seria observada diferença significativa nas taxas de gestação em pelo menos um dos períodos avaliados nas diferentes proporções utilizadas.

 

 

Outro fator que pode ter contribuído para a obtenção das altas taxas de gestação neste experimento foi a realização de rodeios diários nos primeiros 30 dias da estação de monta, e a cada dois dias no período restante. O ato de reunir os animais em determinado local do pasto promove a aproximação dos touros e das vacas e a identificação do estro, evitando o possível isolamento dos touros ou a formação de pequenos grupos sexualmente ativos e, conseqüentemente, a má distribuição dos reprodutores nos lotes. Possibilita também a avaliação das condições do estado vegetativo e da capacidade de suporte das pastagens para se realizar a troca de pasto sempre que necessária.

A variação média de peso dos touros da raça Nelore em função da libido e da proporção touro:vaca encontra-se na Tab. 5. Ocorreu redução (P<0,01) no peso corporal dos 12 touros (média de 9,9%) no decorrer da estação de monta, independente da libido e da proporção touro:vaca, com perda média no período de 69 kg (767 gramas/dia). A perda de peso foi semelhante à observada por Santos (2000) (média de 9,1%) em estação de monta de 90 dias, e maior que a observada por Pineda et al. (1997a), que revelaram perda de apenas 5,0% em relação ao peso inicial dos animais, em estação de 63 dias, utilizando proporção média touro:vaca de 1:92.

 

 

Entre proporções touro:vaca não houve diferença (P>0,05) na redução de peso (Tab.5). Quando se avaliou a libido dentro de proporção touro:vaca, observou-se que, em média, os touros com libido baixa na proporção 1:75 e com alta libido na proporção 1:100 perderam mais peso (P<0,05). Estes dados controversos se explicam em função de que dois touros em cada grupo citado registraram perda de peso bem acima dos demais. Possivelmente a variação individual de perda de peso ou o excessivo trabalho com maior esforço físico interferiu nos resultados.

Não foram observadas diferenças (P>0,05) nas concentrações séricas de testosterona dos touros quanto à libido (Tab. 6). Os animais apresentaram concentração média de testosterona de 2,38ng/ml, com amplitude de variação de secreção de 0,1 a 8,8ng/ml, amplitude semelhante à observada por Santos (1996). Segundo Fraser (1980), a libido depende basicamente da produção de testosterona, contudo, neste estudo não se observou correlação (P>0,05) entre concentração de testosterona e libido dos touros.

 

 

Observou-se efeito (P<0,01) da hora de coleta de sangue na determinação da testosterona sérica, que aumentou linearmente com o tempo de amostragem. Houve interação entre a hora de coleta e a libido (P<0,05). Touros com libido alta apresentaram níveis crescentes de testosterona com o aumento da hora de coleta, o que não ocorreu com touros de baixa libido (Fig.1). Sanwal et al. (1974) observaram picos de testosterona em bovinos às 6, 12 e 22h e Santos (1996) observou tendência de ocorrerem picos de testosterona em touros da raça Nelore às 16h e 30min, 0h e 30min e 8h e 30min, possivelmente associados ao padrão de liberação de hormônio luteinizante.

 

 

Os coeficientes de correlação simples entre libido, circunferência escrotal, concentração espermática e concentração sérica de testosterona dos touros foram baixos (P>0,05). Fonseca et al. (1996), Pineda et al. (1997a) e Pineda et al. (2000) também observaram baixa correlação da libido com as características físicas e morfológicas do sêmen e com a circunferência escrotal. Considerando a baixa correlação da libido com a qualidade seminal e com a circunferência escrotal de touros, e como só na proporção de 1:75 os touros com libido alta proporcionaram maior taxa de gestação das fêmeas em relação aos de libido baixa, não se deve recomendar o teste da libido como parâmetro definitivo de eficiência reprodutiva de touros. Contudo, ele pode ser utilizado como complemento ao exame andrológico, auxiliando no diagnóstico de problemas inerentes à cópula ou mesmo à incapacidade de realizá-la, os quais nem sempre são identificados pelo exame andrológico.

 

CONCLUSÕES

Touros da raça Nelore com alta libido suportam elevado número de vacas durante estação de monta de 90 dias sem que haja redução do potencial reprodutivo, aferido pelas taxas de gestação das fêmeas. O teste da libido não pode ser utilizado em definitivo para avaliar a eficiência reprodutiva de touros com base nas taxas de gestação obtidas. Aparentemente libido, qualidade do sêmen, circunferência escrotal e concentração sérica de testosterona, por serem características independentes e não correlacionadas, devem ser consideradas em conjunto na avaliação dos touros.

 

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Recebido para publicação em 5 de março de 2002
Recebido para publicação, após modificações, em 16 de janeiro de 2003

 

 

* Autor para correspondência: Rua das Pérolas,184, cond. Bosque da Saúde, Apto 703B 78050-090 - Cuiabá, MT. E.mail: dinizms@o2.net.br