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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versão impressa ISSN 0102-0935versão On-line ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.55 n.4 Belo Horizonte ago. 2003

https://doi.org/10.1590/S0102-09352003000400018 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

A fase estrogênica altera a resposta do osso e do metabolismo mineral de ratas com hipertireoidismo?

 

Does the estrogenic phase modify the bone and mineral metabolism response in rats under hyperthyroidism?

 

 

N.M. Ocarino; R. Serakides; V.A. Nunes

Escola de Veterinária UFMG Caixa Postal 567 30123-970 - Belo Horizonte, MG

 

 


Palavras-chave: rato, hipertireoidismo, osso, ciclo estral


ABSTRACT

The effect of the estrogenic phase in the bone and in the mineral metabolism was studied in Wistar adult female rats kept under euthyroidism or hyperthyroidism for 60 days. The rats were divided, according to the stage of the estrous cycle, into four groups: 1) euthyroid (proestrus-estrus), 2) euthyroid (metaestrus-diestrus), 3) hyperthyroid (proestrus-estrus), and 4) hyperthyroid (metaestrus-diestrus). After 60 days the blood plasma was collected and the concentrations of free T4, estradiol, progesterone, calcium, phosphorus, and of alkaline phosphatase were determined. The bones (femur and tibia) were analysed microscopically. Despite of the functional state of the thyroid, the levels of estrogen were significantly higher in the proestrus-estrus. The estrogenic phase increased the plasmatic concentration of calcium significantly in the euthyroid rats but it did not alter the levels of phosphorus and alkaline phosphatase. In the hyperthyroid state no significant differences in the plasmatic concentrations of calcium, phosphorus and alkaline phosphatase throughout the cycle were found. The phases of the cycle did not also influence the bone morphology in the euthyroid and hyperthyroid states. It was concluded that the estrogenic phase increases the plasmatic concentration of calcium, even without altering the bone morphology of the euthyroid rats. In addition the estrogenic phase does not increase the plasmatic calcium and it does not modify the response of the bone as well as of the mineral metabolism under effect of the hyperthyroidism.

Keywords: rat, hyperthyroidism, bone, estrous cycle


 

 

Variações na concentração plasmática de estrógeno, como as que ocorrem no ciclo estral, alteram o metabolismo ósseo (Hotchkiss, Brommage, 2000). Na mulher, os marcadores da reabsorção óssea apresentam pico de elevação próximo à ovulação e durante a fase lútea (Gorai et al., 1998), ao contrário dos primatas (Cynomolgus monkeys), cuja taxa de reabsorção óssea varia inversamente com os valores séricos de estradiol (Hotchkiss, Brommage, 2000). Com relação ao metabolismo mineral, a absorção intestinal do cálcio é máxima no período periovulatório da mulher (Gray et al., 1982) e da rata (Brommage et al., 1993).

A tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) atuam em vários tecidos desempenhando papel importante no metabolismo celular (Bijslma et al, 1983) em especial, no metabolismo ósseo e na homeostasia mineral. Sabe-se que a resposta do tecido ósseo ao hipertireoidismo apresenta variações individuais e depende do perfil sérico dos hormônios sexuais (Serakides, 2001). Alguns estudos relatam que a administração de estrógeno minimiza os efeitos deletérios dos hormônios tireoidianos sobre o osso (Bilezikian et al., 1996). Assim, verificar a influência da fase estrogênica sobre as alterações do osso e do metabolismo mineral, induzidas pelo hipertireoidismo, é pertinente e se constituiu no objetivo deste trabalho, conduzido em ratas hiper e eutireóideas em metaestro-diestro e proestro-estro.

Foram utilizadas 20 ratas Wistar, com cinco meses de idade, alojadas em caixas plásticas na densidade de cinco ratas/caixa. Elas receberam ração comercial e água destilada ad libitum e foram mantidas em regime de 12 horas de luz e 12 horas sem luz. Após um período de adaptação, foram separadas em dois grupos de 10, sendo um mantido em estado hipertireóideo e o outro, eutireóideo (controle). O hipertireoidismo foi induzido pela administração diária de L-tiroxina (Armesham International, Buckinghamshire, England) por sonda gástrica, na dose de 50m g/animal, diluída em 5ml de água destilada. O grupo eutireóideo recebeu 5ml de água destilada como placebo, da mesma forma e nos mesmos horários daquele tratado com tiroxina. Após 60 dias do início do tratamento os animais foram sacrificados. Colheu-se o plasma para dosagem de T4 livre, de progesterona pela técnica da quimioluminescência (Access Immunoassay System, Sanofi Diagnostics Pasteur Inc., Chaska, MN, USA) e de estradiol pela fluorimetria (Delphia, Wallac Oy, Turku, Finland). As concentrações de cálcio, fósforo e fosfatase alcalina foram determinadas pela espectofotometria de reflectância (Slide Kodak Ektachem DTSC, Rochester, NY-USA). O fêmur e a tíbia foram dissecados, descalcificados em solução de ácido fórmico, submetidos ao processamento histológico pela técnica rotineira de inclusão em parafina e corados pela técnica da hematoxilina-eosina. A classificação da fase do ciclo estral foi realizada mediante avaliação histológica do útero e da vagina seguindo-se o critério preconizado por Bronson et al. (1975) formando ao final, quatro grupos experimentais: (1) eutireóideo (proestro-estro), (2) eutireóideo (metaestro-diestro), (3) hipertireóideo (proestro-estro) e (4) hipertireóideo (metaestro-diestro). O delineamento experimental foi o inteiramente ao acaso e para cada variável foi obtida a média e o desvio padrão. As médias foram comparadas pelo teste t de Student (Sampaio, 1998).

As concentrações plasmáticas de T4 livre nas ratas tratadas com tiroxina foram significativamente maiores quando comparadas às do grupo controle, confirmando o estado hipertireóideo das ratas (Tab.1). Os valores plasmáticos de estrógeno, independente do estado funcional da tireóide, estavam significativamente mais elevados na fase de proestro-estro. As concentrações plasmáticas da progesterona não variaram entre as fases do ciclo nas ratas eutireóideas, ao contrário do grupo hipertireóideo, que apresentou concentração plasmática de progesterona significativamente maior no metaestro-diestro. Diferenças no perfil plasmático da progesterona entre as fases do ciclo nem sempre são observadas, já que a rata possui fase lútea curta, pois a progesterona é convertida rapidamente a um metabólito inativo, a 20a hidroxiprogesterona, pela ação de uma desidrogenase (Freeman, 1994).

 

 

As ratas eutireóideas apresentavam tíbia e fêmur com placa epifisária bem diferenciada, com invasão vascular e formação da esponjosa primária. As trabéculas epifisárias e metafisárias estavam presentes em grande quantidade, espessas, às vezes confluentes e com retenção de matriz cartilaginosa. Apresentavam-se recobertas por osteoblastos ativos e continham osteócitos ora ativos, ora inativos. Essa morfologia óssea não se modificou entre as fases do ciclo estral. A fase estrogênica elevou significativamente a concentração plasmática de cálcio e manteve inalterados os valores plasmáticos do fósforo e da fosfatase alcalina (Tab.2), semelhante aos resultados de Cressent et al. (1983) e Brommage et al. (1993). Sabe-se que o estrógeno potencializa a resposta do 1,25 di-hidroxicolecalciferol na absorção intestinal do cálcio (Schwartz et al., 2000), justificando a elevação dos valores plasmáticos desse mineral na fase estrogênica, mesmo sem alteração da morfologia óssea.

 

 

O hipertireoidismo induziu osteopenia caracterizada pela presença de trabéculas delgadas e fragmentadas contendo osteócitos ativos e revestidas por osteoblastos ora ativos, ora inativos (dados não demonstrados). A fase estrogênica não modificou as alterações ósseas induzidas pela administração de tiroxina. Com relação ao metabolismo mineral, utilizando-se maior número de ratas ficou demonstrado que o hipertireoidismo induz hiperfosfatemia e hipocalcemia, levando à ruptura do controle homeostático do cálcio e fósforo (Serakides et al., 2000). As concentrações plasmáticas de cálcio, fósforo e fosfatase alcalina não diferiram entre as fases do ciclo estral, no hipertireoidismo. Ao contrário do estado eutireóideo, a fase estrogênica não elevou os valores plasmáticos de cálcio sob efeito das elevadas concentrações de tiroxina (Tab. 2).

Conclui-se que a fase estrogênica aumenta os valores plasmáticos do cálcio, mesmo sem alterar a morfologia óssea das ratas eutireóideas e que sob efeito do hipertireoidismo, a fase estrogênica não eleva o cálcio plasmático e não modifica a resposta do osso e do metabolismo mineral de ratas ao hipertireoidismo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 11 de abril de 2003

 

 

E-mail: nataliamelo@terra.com.br
1 Armesham International, Buckinghamshire, England
1 Access Immunoassay System, Sanofi Diagnostics Pasteur Inc., Chaska, MN, USA
1 Delphia, Wallac Oy, Turku, Finland
1 Slide Kodak Ektachem DTSC, Rochester, NY-USA

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