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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.55 no.6 Belo Horizonte Dec. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352003000600001 

MEDICINA VETERINÁRIA

 

Antibioticoterapia para controle da mastite subclínica de vacas em lactação

 

Antibiotic therapy for subclinical mastitis control of lactating cows

 

 

S.R. ReisI; N. SilvaII; M.V. BresciaII

ICentro de Pesquisa Ciências da Saúde Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia Caixa Postal 478 69011-970 – Manaus, AM
IIEscola de Veterinária da UFMG

 

 


RESUMO

Avaliou-se a eficiência da antibioticoterapia como estratégia para o controle de mastite subclínica em animais em lactação. Foram tratados 83 tetos infectados de 31 animais de três propriedades leiteiras, divididos em dois estádios da lactação:15 a 100 dias (grupo I) e 101 a 200 dias (grupo II), com aplicação intramamária de 250mg de cefacetril sódico (cefalotina). A droga permaneceu 24 horas dentro dos quartos do úbere dos animais tratados. Vinte e oito tetos de 14 animais infectados foram mantidos como controle, sem tratamento. Os grupos tratados e controle foram avaliados nos dias zero, 14, 25 e 40 após o tratamento por meio de provas de California Mastitis Test (CMT), contagem de células somáticas (CCS), isolamento e identificação de patógenos e produção leite. Staphylococcus aureus e Staphylococcus coagulase-negativo foram os microrganismos mais isolados (43,1%), seguidos por Bacillus spp, Corynebacterium bovis, Streptococcus uberis e Escherichia coli. Quatorze dias após o tratamento houve redução de 61,4% das infecções intramamárias e acentuada diminuição da CCS e de reações positivas ao CMT nos animais tratados, nos dois estádios da lactação. Entre os dias 25 e 40 após tratamento as diferenças não foram significativas (P> 0,05). Ocorreram recidivas ou reinfecções nos tetos tratados. O aumento de produção de leite não foi significativo entre os animais tratados (P> 0,05). A antibioticoterapia durante a lactação não foi efetiva para o controle das mastites subclínicas, mesmo em animais que apresentaram alta contagem de células somáticas.

Palavras-chave: bovino, mastite subclínica, tratamento, CCS, CMT, etiologia


ABSTRACT

The efficiency of antibiotic therapy to control subclinical mastitis in lactating cows was evaluated. Eighty three udder quarters with subclinical mastitis from three dairy herds were treated with 250mg of cephalothin by intramammary doses. Group 1 included 16 cows in lactation, 15 to 100 days in milk and group 2 included 23 cows in lactation, 101 to 200 days in milk. Therapeutic success was controlled with bacteriological examinations, somatic cells counts (SCC), California Mastitis Test (CMT) and milk production on days zero, 14, 25 and 40 after treatment. Fourteen cows with 28 infected udder quarters were maintained as a control. Staphylococcus aureus and coagulase-negative Staphylococci were the most prevalent microorganism among bacterial isolates. Other pathogens as Bacillus spp, Corynebacterium bovis, Streptococcus uberis and Escherichia coli were present. Concerning bacteriological healing the intramammary therapy reached a 61.4% elimination rate of pathogenic bacteria at the 14th day post treatment. SCC and CMT reactions were decreased too. However, 40 days post-treatment the differences were not significant (P> 0.05). No differences among treated groups before and after intramammary treatment (P> 0.05) on milk production were observed. Antibiotic treatment of lactating cows with subclinical mastitis was not efficient for controlling the udder infections.

Keywords: bovine, subclinical mastitis, treatment, SCC, CMT, etiology


 

 

INTRODUÇÃO

As perdas na produção de leite atribuídas às mastites subclínicas alcançam de 10 a 26% do total da produção, de acordo com grau de intensidade do processo inflamatório, da prevalência da doença, da patogenicidade do agente infeccioso e do estádio de lactação (Ratnakumar et al., 1996). Além da diminuição na produção, observa-se perda da qualidade do leite e da função do parênquima glandular, tornando o úbere uma reserva de patógenos. O animal não apresenta alterações visíveis na glândula, porém o leite apresenta alta contagem de células somáticas (CCS). Essas infecções, além de contribuírem com significativas perdas econômicas, podem ser consideradas como um problema sério para a saúde pública (Tyler et al., 1992; Cardoso et al., 1999).

Os programas de controle de mastite visam diminuir a prevalência da doença a níveis aceitáveis, uma vez que sua erradicação não é viável. Entre as medidas recomendadas para o controle das mastites produzidas pela maioria dos organismos incluem-se as medidas higiênicas. Esses procedimentos, entretanto, não são eficazes contra as infecções intramamárias (IIM) produzidas por microrganismos de origem ambiental ou oportunistas como Streptococcus uberis, S. dysgalactiae ou coliformes (Silva et al., 1998). Assim, encurtar a duração da IIM é um importante componente dos programas de controle de mastites, o que pode ser feito por meio de tratamentos das mastites subclínicas durante a lactação.

Tratamentos das mastites subclínicas, causadas principalmente por estafilococos e estreptococos, durante a lactação apresentam resultados variáveis quanto ao sucesso das terapias. Os índices de recuperação da glândula variam entre 3,6% e 92% (Wilson, 1986; Tyler et al., 1992; Owens et al., 1993; Ratnakumar et al., 1996; Sol et al., 1997; Friton et al., 1998). Em alguns experimentos os resultados não foram considerados significativos (McDermontt et al., 1983; Seymour et al., 1989).

O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência da terapia com antimicrobianos durante a lactação para o controle da mastite subclínica.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 53 vacas em lactação de três rebanhos da raça Holandesa ou cruzadas, localizados nos municípios de Matozinhos – MG (rebanho A), Betim–MG (rebanho B) e Confins-MG (rebanho C). Os animais foram ordenhados mecanicamente, duas vezes (rebanhos B e C) ou três vezes ao dia (rebanho A). Os rebanhos A e B foram mantidos em regime de estabulação completa. O C foi mantido em regime de semi-estabulação. Em todos os rebanhos, com assistência técnica regular, foram feitos registros zootécnicos da produção. O funcionamento dos equipamentos de ordenha foram monitorados durante a realização do experimento.

O controle de mastite foi feito regularmente mediante higienização dos tetos (pré e pós-imersão) e pelo teste da caneca telada, e periodicamente por meio do California Mastitis Test (CMT) em todas as vacas em lactação. O tratamento de vacas secas foi adotado como rotina. Quando ocorreram casos clínicos de mastite eles foram tratados conforme indicações do veterinário responsável.

Os animais com mastite subclínica foram identificados por meio do teste do CMT. As amostras de leite CMT positivas foram colhidas assepticamente em tubos de ensaio e remetidas ao laboratório de doenças bacterianas sob refrigeração. No laboratório foram submetidas à contagem células somáticas (CCS) utilizando-se a técnica da microscopia de preparações coradas (Silva, 1977) e análises microbiológicas, por meio da semeadura em placas de ágar sangue de ovino desfibrinado a 7,5% e incubadas à 37°C por 24-48 horas. A identificação dos microrganismos foi realizada segundo recomendações de Quinn et al. (1994).

Susceptibilidade in vitro dos microrganismos isolados frente a antimicrobianos foi realizada pelo método de difusão em disco, conforme técnica descrita por Bauer et al. (1966), utilizando-se as seguintes bases (Lab. CECON- São Paulo): gentamicina (10mg) , lincomicina (2mg), neomicina (30mg), novobiocina (30mg), cefoperazona (30mg), cefalotina (30mg) e oxacilina (5mg). A interpretação dos antibiogramas baseou-se nas indicações do National... (2000).

Após a identificação dos 53 animais com mastites subclínicas, eles foram separados em grupos de acordo com o estádio de lactação: grupo I, formado por 16 animais (29 tetos tratados), entre 15 e 100 dias de lactação; grupo II, formado por 23 animais (54 tetos tratados), entre 101 e 200 dias de lactação; grupo III, formado por 7 animais ( 12 tetos não tratados – controle), entre 15 e 100 dias de lactação e grupo IV, formado por 7 animais (16 tetos não tratados – controle), entre 1001 e 200 dias de lactação.

Isto foi possível devido ao fato de não se alterar o manejo dos animais ou as práticas de controle de mastites. Foram tratados apenas animais entre 15 e 200 dias de lactação, escolha baseada em modelos simulados que sugerem ser este o período indicado para tratamentos de mastite subclínica durante a lactação (Tyler et al., 1992), com bacteriologia positiva e reações ao CMT entre 2+ e 3+, portanto com altas CCS, segundo indicações de Seymour et al. (1989).

Foram tratados 83 tetos infectados de 39 animais por infusão intramamária de 250mg de cefacetril sódico (cefalotina) (Vetmast – Novartis Biociências S.A. – São Paulo). Essa droga foi selecionada entre aquelas que apresentaram maior sensibilidade às provas realizadas in vitro e pela sua disponibilidade no momento de realização do experimento. As aplicações foram feitas logo após a ordenha, de forma que o produto permanecesse dentro da glândula por 24 horas. No rebanho A, que realiza três ordenhas diárias, os animais receberam três aplicações com intervalos de oito horas. Nos demais, os animais receberam duas aplicações com intervalos de 12 horas. Vinte e oito tetos de 14 animais infectados não foram tratados. Recomendou-se o descarte de leite dos tetos tratados por conterem resíduos, conforme recomendações do fabricante do produto. Os animais tratados e controle foram testados nos dias zero, 14, 25 e 40 após o tratamento, por meio das provas de CMT, CCS, isolamento e identificação do patógeno. Para avaliar o efeito do tratamento sobre a produção de leite foi realizada a pesagem individual da produção durante os cinco dias que antecederam ao tratamento e nos 10 dias posteriores. Compararam-se os resultados da produção de leite de cada animal antes e 10 e 20 após os tratamentos das mastites subclínicas.

As análises estatísticas foram feitas para a CCS e produção de leite dos grupos tratados e controle por métodos não paramétricos de Kruskal-Wallis e pelo teste t de Student (Sampaio, 1998).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Tab. 1 estão os resultados dos exames bacteriológicos das amostras de leite que apresentaram reações ao CMT. Staphylococcus aureus e Staphylococcus coagulase-negativo (SCN) foram os microrganismos mais isolados (43,1%), seguidos por Bacillus spp., Corynebacterium bovis, Streptococcus uberis e Escherichia coli. Outros microrganismos como Streptococcus dysgalactiae e Pseudomonas aeruginosa, apesar de serem considerados como patogênicos, participaram em menor número das IIM. Estes resultados estão condizentes com os descritos na literatura, onde 90% a 95% das mastites são produzidas por esses patógenos (Costa et al., 1995; Langoni et al., 1998; Silva, 1999).

 

 

Cefoperazona e cefalotina apresentaram-se como os mais eficientes antimicrobianos contra todas as amostras de microrganismos testadas. Os níveis de susceptibilidade para essas duas drogas variaram entre 80% e 100%, inclusive para patógenos Gram negativos como P. aeruginosa. Antibióticos do grupo dos aminoglicosídeos, como a gentamicina, também apresentaram alta susceptibilidade, em muitos casos acima de 80%, entretanto foram pouco eficientes contra os estreptococos (<60%). Segundo critérios aceitos pelo National Mastitis Council dos EUA (National..., 2000), somente os antimicrobianos que são eficientes in vitro em pelo menos 80% das amostras testadas deverão ser indicados para tratamento de mastites.

A antibioticoterapia, como forma de controle das mastites subclínicas durante a lactação, foi avaliada por meio da redução do número de microrganismos isolados nos tetos tratados. Na Tab. 2 encontram-se os resultados do efeito dos tratamentos intramamários sobre os patógenos associados aos casos de mastites subclínica. Observou-se redução de 61,4% do número total de isolamentos desses patógenos 14 dias após o início do tratamento. Entre os dias 25 e 40 aumentou o número de microrganismos isolados entre os tetos tratados. Não se verificou a ocorrência de curas espontâneas entre os animais do grupo-controle.

 

 

O tratamento foi mais eficiente contra C. bovis e E. coli após 14 dias, com redução de 84,6% e 71,4% das infecções intramamárias, respectivamente. Entretanto, 25 e 40 dias após início do tratamento o número de IIM aumentou. Em relação aos estafilococos, a terapia antibiótica também se mostrou eficiente nos primeiros 14 dias após a aplicação de cefalotina por via intramamária, com redução de 57,0% e 64,0% das infecções produzidas por S. aureus e SCN, respectivamente. Neste caso os resultados podem ser considerados como bons, tendo em vista que o nível de cura das mastites subclínicas de origem estafilocócica durante a lactação, especialmente as causadas por S. aureus, é estimado entre 3,6% e 92% (Owens et al., 1993; Sol et al., 1997). A pobre resposta das mastites por S. aureus à antibioticoterapia tem sido foco de uma variedade de estudos no esforço de determinar quais são os fatores responsáveis por falhas na terapia, de modo que no futuro os tratamentos sejam mais efetivos (Cardoso et al., 2000).

Critérios bacteriológicos para avaliar o nível de cura das infecções da glândula mamária após tratamento com antimicrobianos foram propostos por Wilson et al. (1986) e Sol et al. (1997). Segundo Wilson et al. (1986), uma cultura bacteriológica negativa após 14 dias é suficiente para avaliar a recuperação da glândula, entretanto, Sol et al. (1997) sugerem duas culturas negativas entre os dias 14 e 30. Esses autores observaram recidivas após 30 dias do tratamento em infecções produzidas por S. aureus. Considerando-se os aspectos de imunidade e o tempo de permanência dos antibióticos dentro da glândula, é difícil manter o teto livre de infecções por períodos muito longos. Neste experimento observou-se que em alguns tipos de infecções do úbere, dependendo do organismo e das condições de manejo de ordenha, podem ocorrer recidivas, principalmente para infecções produzidas por bactérias que podem ter localização extramamária, como o caso de S. uberis e S. aureus. Um dos efeitos do tratamento das mastites subclínicas é reduzir o número de tetos infectados e conseqüentemente o número de novas infecções dentro do rebanho. Neste aspecto vale salientar que em duas propriedades (A e C) não ocorreram novos casos de mastites subclínicas dentro do prazo de 30 dias, período de avaliação da eficiência do tratamento. Considerando-se o critério de uma cultura bacteriológica negativa feita aos 14 dias após tratamento, os resultados obtidos neste experimento são similares aos publicados por alguns autores (Wilson et al., 1986; Seymour et al., 1989; Owens et al., 1994; Ratnakumar et al., 1996) ou até mesmo melhores (Tyler et al., 1992; Friton et al., 1998).

Esquemas terapêuticos utilizados para tratamento de mastites clínicas ou subclínicas recomendam entre uma e três aplicações medicamentosas, via intramamária, apresentando melhores resultados quando o número de aplicações é maior (Buragohain, Dutta, 1989; Tyler et al., 1992; Friton et al., 1998) ou quando se faz uma terapia associada por via parenteral (Owens et al., 1993, 1994). Outros autores recomendam a terapia total como forma de controlar as IIM produzidas por estafilococos e estreptococos (Tyler et al., 1992; Erskine et al., 1992; Sol et al., 1997). No tratamento das mastites subclínicas devem ser levados em consideração o custo, o tempo de eliminação dos antibióticos e a perda de leite. Assim, é recomendado o menor número de aplicações visando a cura dos animais e o retorno rápido da produção normal do leite (Wilson et al., 1986; Cullor, 1993). Com base nesses aspectos, os animais deste experimento foram tratados por um período de 24 horas, como recomendado por McDermontt et al. (1983), e os resultados foram compatíveis com outros obtidos por pesquisadores que utilizaram maior número de aplicações para o tratamento de mastites subclínicas (Buragohain, Dutta, 1989; Tyler et al., 1992; Sol et al., 1997; Friton et al., 1998).

Animais portadores de mastites subclínicas não apresentam alterações visíveis na glândula, porém o leite apresenta alta contagem de células somáticas, sendo este um dos critérios utilizados para o seu diagnóstico, como também para avaliar a qualidade do leite e as perdas de produção decorrentes das infecções da glândula mamária (Philpot, 1994; Silva, 1999).

Nas Fig. 1 e 2 encontram-se os resultados das contagens de células somáticas no leite de animais submetidos ao tratamento de mastite subclínica. Quatorze dias após a aplicação do cefacetril sódico houve diminuição da CCS no grupo tratado em comparação com a situação anterior ao tratamento e em relação ao grupo-controle. A mesma situação pode ser observada nos resultados da reação ao CMT nos mesmos períodos, sendo que nas duas primeiras semanas após o tratamento houve aumento do percentual de tetos com reação negativa (Tab. 3). Estendendo-se o período de observação para 25 e 40 dias verifica-se aumento do conteúdo de CCS e maior percentual de reações positivas ao CMT, sendo as diferenças entre os grupos tratados e entre grupos tratado e controle não significativas (P>0,05). Neste período ocorreram recidivas das infecções tratadas em alguns animais, principalmente após 25 dias do tratamento, o que justificaria o aumento do CCS e conseqüentemente da reação ao CMT (Tab. 3).

 

 

 

 

 

 

Não foram significativas as diferenças entre os grupos (P>0,05) 14, 25 e 40 dias após o tratamento, evidenciando que o estádio da lactação não teve influência nos resultados. Sabe-se que o conteúdo de células somáticas é influenciado pelo estádio da lactação, entretanto, este não foi o objeto deste trabalho, que visou analisar somente o efeito do tratamento sobre a qualidade do leite de vacas "curadas" de mastite subclínica. Nos primeiros 14 dias, a diminuição do número de células dos grupos tratados foi diretamente relacionada à redução da taxa de infecções, mostrada pela redução do percentual de microrganismos isolados. Estas observações contradizem determinados modelos simulados para tratamentos de mastite subclínicas que sugerem ser o período inicial de lactação o mais propício para o tratamento, não só pelos aspectos econômicos como pela maior capacidade de recuperação da glândula (Tyler et al., 1992). Pode-se deduzir que a eficiência do tratamento, além da susceptibilidade dos agentes patogênicos frente aos antimicrobianos, está relacionada à manutenção da droga dentro do úbere pelo menos por 24 horas.

Segundo McDermontt et al. (1983) e Seymour et al. (1989), alta CCS ou reações CMT positivas podem ocorrer por causa de infecções fora da glândula mamária. Dessa maneira, aconselham que os tratamentos baseados apenas em CCS só devam ser realizados em animais que apresentem contagens acima 106 células/ml. Neste trabalho apenas tetos com alta CCS e bacteriologia positiva receberam tratamento intramamário.

O efeito do tratamento de animais com mastite subclínica sobre a produção de leite é mostrado na Tab. 4. A média de produção de leite dos animais dos grupos tratados e controle foi comparada antes e após o tratamento. Não houve diferenças significativas entre os grupos tratados e entre estes e o controle (P>0,05). Estes resultados são similares aos descritos por McDermontt et al. (1983) e Seymour et al. (1989), que também não observaram diferenças significativas quanto ao aumento de produção após tratamento de vacas com mastite subclínica durante a lactação. Outros autores, entretanto, observaram que após o tratamento a média de produção de leite aumentou em 0,89 l/vaca/dia (Buragohain, Dutta, 1989)

 

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem o apoio financeiro da FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) realizado através do projeto CAG 1115/98.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 24 de dezembro de 2002
Recebido para publicação, após modificações, em 2 de julho de 2003

 

 

E-mail: reis@inpa.gov.br

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