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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versão impressa ISSN 0102-0935versão On-line ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.56 n.2 Belo Horizonte abr. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352004000200021 

COMMUNICATION

 

Soroepidemiologia da brucelose canina causada por Brucella canis e Brucella abortus na cidade de Alfenas, MG

 

Seroepidemiology of canine brucellosis caused by Brucella canis and Brucella abortus in Alfenas, MG, Brazil

 

 

A.C. AlmeidaI; A. SantorelliII; R.M.Z. BruzadelliIII; M.M.N.F. OliveiraI

IFaculdades Federais Integradas de Diamantina Rua da Glória, 187, Centro 39100-000 - Diamantina, MG
IIBolsista de iniciação científica/PIBIC/CNPq - UNIFENAS
III
Faculdade de Medicina Veterinária - UNIFENAS

 

 


Palavras-chave: cão, Brucella canis, Brucella abortus, brucelose canina, diagnóstico


ABSTRACT

The prevalence of canine brucellosis was evaluated in the city of Alfenas, MG through the technique of agarose gel imunodifusion for Brucella canis and slow serum agglutination test with 2-mercaptoetanol for Brucella abortus. The prevalence was of 14.2% and 2.8%, respectively, for B. canis and B. abortus. The positives, characterized by animals above one year of age (77.8%), and mongrel dogs (56.2%), showed a prevalence of 50 and 48% for males and females, respectively. The canine brucellosis was prevalent in the city principally in dogs of outskirts.

Keywords: dog, Brucella canis, Brucella abortus, canine brucellosis, diagnosis


 

 

A brucelose canina tem como etiologia Brucella canis. Na maioria dos casos, porém, a doença tem também como causa a infecção por Brucella abortus. A infecção é de caráter crônico em cães, canídeos silvestres e no homem, tendo distribuição mundial.

Com o objetivo de avaliar a prevalência da brucelose canina causada por B. canis e B. abortus na cidade de Alfenas, MG, foram analisadas amostras de soro sangüíneo de 635 cães, coletadas durante a campanha de vacinação anti-rábica, em setembro de 2001. Em 27 postos de vacinação, foi coletado o sangue de um em cada 10 cães e os dados referentes à faixa etária, sexo, sinais clínicos e procedência dos cães foram anotados.

O diagnóstico de B. canis foi realizado pelo teste de imunodifusão em gel de agarose, com kit produzido pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR), contendo antígenos solúveis de B. ovis, seguindo as recomendações do fabricante.

Para o diagnóstico de B. abortus, utilizaram-se antígenos convencionais (amostra 119-3, TECPAR) existentes no Brasil, usando o teste do antígeno acidificado tamponado para triagem. Os soros reagentes foram submetidos à soroaglutinação lenta com 2- mercaptoetanol (2-ME SAL), como teste confirmativo. As duas técnicas foram conduzidas como recomendado por Alton et al. (1988) e foram considerados positivos os soros com título maior ou igual a 1:200 (Charmichael, Shin, 1996).

A prevalência de B. canis foi de 14,2% (90/635) e a de B. abortus de 18,1% (115/635); no teste de triagem apenas 2,8% (18/635) foram confirmados.

Os dados obtidos para B. canis são compatíveis com os da literatura brasileira e internacional, que mostram índices de prevalência entre 0,84 (Moraes et al., 2002) e 57,1% (Medgi et al., 1999), sendo variáveis com a população estudada e com a técnica de diagnóstico empregada.

Para B. abortus a literatura também apresenta índices de prevalência baixos. Molnar et al. (2001), utilizando soroaglutinação lenta, observaram prevalência de 2,5%. A prevalência de 2,8% pode estar ligada aos riscos de contaminação de cães dada a expressiva atividade de pecuária leiteira existente na região, com índice de prevalência para a brucelose bovina de 4,6% (Augusto et al., 2002).

Em relação às características dos positivos, 56,6% eram sem raça definida e não foi observada diferença significativa entre sexo, sendo 50% de machos e 48,6% de fêmeas; os proprietários não declararam o sexo de 1,4% .

Maior freqüência de positivos ocorreu em animais acima de um ano de idade, com 28,7% entre um e dois anos e 49,1% acima de dois anos. De acordo com a literatura, a maior freqüência de cães reagentes é com a idade acima de um ano ou em idade reprodutiva (Maia et al., 1999; Medgi et al., 1999; Almeida et al., 2001; Marassi et al., 2003).

Os sinais clínicos declarados foram: aborto (5,5%), orquite (1,8%), natimorto (3,7%) e dermatite (2,7%). Em 86,1% dos casos os proprietários não observaram sinais clínicos. Medgi et al. (1999) e Almeida et al. (2001) mencionaram animais sorologicamente positivos com os mesmos sinais clínicos, mas a maioria costuma ser de cães assintomáticos (Moraes et al., 2002).

A maior freqüência de cães positivos ocorreu em dois postos de vacinação localizados na periferia da cidade (14,1 e 8,2%), cujos proprietários eram de baixa renda. Nessas áreas periféricas verificou-se elevado número de animais criados soltos nas ruas e alta freqüência de machos positivos (66,7 e 71,4% nos dois postos), significativamente maior do que a de fêmeas. Nos outros postos não se observou diferença entre sexos quanto à porcentagem de animais positivos.

Pode-se concluir que a prevalência da brucelose canina na cidade de Alfenas é alta e constitui um problema para o serviço de saúde pública, principalmente quanto aos cães criados nas ruas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Colaboradores: A.G. Teixeira, A.V. Siqueira, F.B. Faria, A.C. Lobo, E.F.A. Ribeiro T.M.P. Soares, V.M.O. Bernis, P.A.S. Ferreira
Recebido para publicação em 24 de outubro de 2002
Recebido para publicação, após modificações, em 28 de julho de 2003

 

 

E-mail: anna.@fafeod.br

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