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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.56 no.4 Belo Horizonte Aug. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352004000400017 

ZOOTECNIA E TECNOLOGIA E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

 

Efeito de condicionadores químicos na cama de frango sobre o desempenho de frangos de corte

 

Effect of chemical conditioners in the poultry litter on the broiler performance

 

 

H.A. FerreiraI; M.C. OliveiraII; A.B. TraldiIII

IEstudante de Graduação – FESURV - Rio Verde, GO
IIUniversidade de Rio Verde Fazenda Fontes do Saber - s/n 75901-970 - Rio Verde, GO
IIIMestranda em Zootecnia – FCAV – UNESP – Jaboticabal, SP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Estudou-se o efeito de condicionadores químicos na cama de frango sobre o desempenho de frangos de corte criados em três lotes consecutivos. Foram utilizadas 1320 aves, 440 em cada lote, em delineamento experimental em blocos ao acaso, com cinco tratamentos (Trat. 1 - cama sem tratamento; Trat. 2 - cama tratada com sulfato de alumínio; Trat. 3 - cama tratada com gesso agrícola; Trat. 4 - cama tratada com superfosfato simples e Trat. 5 - cama tratada com cal hidratada) e quatro repetições. As aves e as rações foram pesadas no início e no final do período experimental para obtenção do peso final, do consumo de ração, da conversão alimentar e da viabilidade. O uso dos condicionadores não influenciou (P>0,05) o peso final, o consumo de ração e a conversão alimentar. A adição do sulfato de alumínio e do superfosfato simples reduziu (P<0,05) a viabilidade das aves. Não é necessário o uso dos condicionadores na cama de frango reutilizada até o terceiro lote.

Palavras-chave: cama de frango reutilizada, condicionador químico, desempenho, frango de corte


ABSTRACT

The effect of chemical conditioners in the poultry litter on the performance of broilers reared in three consecutive flocks was studied. One-thousand-three-hundred and twenty birds, 440 birds per each flock, were allotted to five treatments (Treat. 1 – untreated litter; Treat. 2 – litter treated with aluminum sulfate; Treat. 3 – litter treated with gypsum; Treat. 4 – litter treated with single superphosphate; and Treat. 5 – litter treated with hydrated lime) in a completely randomized block design and four replicates. Body weight, feed consumption, feed:gain ratio and viability were obtained. The conditioners did not affect (P>.05) body weight, feed consumption and feed:gain ratio. The aluminum sulfate and single superphosphate addition significantly reduced (P<.05) bird viabilities. Conditioners are not necessary for reused poultry litter until the third flock.

Keywords: broiler, chemical conditioner, performance, reused poultry litter


 

 

INTRODUÇÃO

Algumas substâncias como cal apagada (Singh et al., 1990), gesso agrícola (Prochonow et al., 2001), sulfato de alumínio (Moore et al., 1996), bissulfato de sódio (Pope e Cherry, 2000) e superfosfato simples (Gloria et al., 1991), entre outras, têm sido descritas como capazes de reduzir os efeitos negativos da cama de frango, representados pela umidade e pH elevados e volatilização da amônia, sobre o desempenho de frangos. O modo de ação dessas substâncias pode estar associado à redução da atividade bacteriana e conseqüente redução da produção de amônia ou, então, à ligação com a amônia produzida, impedindo sua volatilização (Mc Ward e Taylor, 2000).

Frangos de corte criados em cama tratada com sulfato de alumínio apresentaram melhor ganho de peso (Mc Ward e Taylor, 2000), melhor conversão alimentar (Oliveira et al., 2002) e menor mortalidade (Moore et al., 1999). Outros benefícios incluiriam menor gasto com ventilação e melhoria na qualidade da cama para ser usada como fertilizante (Moore et al., 1999), melhoria na qualidade da carcaça, com menor incidência de lesões de peito, no coxim plantar e nos sacos aéreos (Mc Ward e Taylor, 2000). Também observou-se diminuição do número de cascudinhos (Alphitobius diaperinus), com redução da competição por alimento e transmissão de doenças (Worley et al., 2000). Maurice et al. (1998) não verificaram diferenças quanto ao desempenho e ocorrência de lesões nas carcaças de frangos criados sobre cama não tratada e tratada com sulfato de alumínio.

Ao avaliarem a adição de gesso agrícola à cama de frango na proporção de 10, 20, 30 e 40% (Bruno et al., 1999) ou 43% (Neme et al., 2000) do peso da cama ou como uma camada sobre cama de maravalha (Wyatt e Goodman, 1992), os autores relataram não haver diferenças nos resultados de ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade em relação ao tratamento-controle, independente do nível de adição.

O uso do superfosfato simples na cama (0,7kg/m2) não causou efeito negativo sobre o ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar de frangos de corte. Entretanto, o uso de sulfato de alumínio (0,25kg/m2), acrescido de superfosfato simples (0,4kg/m2), prejudicou o ganho de peso e a conversão alimentar (Ali et al., 2000).

A cal hidratada é um dos produtos mais utilizados para eliminar ou prevenir a produção e/ou liberação dos gases tóxicos produzidos na cama. Seu uso não resultou em diferenças quanto ao peso final e ganho de peso (Singh et al., 1990), ao consumo de ração e conversão alimentar (Lon Wo e Rodriguez, 1986) e à mortalidade (Singh et al., 1990). Contudo, propiciou benefícios ao reduzir o número de bactérias na cama e melhorar o ganho de peso quando adicionada em níveis de 0,2% e 1% do peso da cama (Stanush et al., 2000).

Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o efeito do tratamento da cama de frango com sulfato de alumínio, gesso agrícola, superfosfato simples e cal hidratada sobre o desempenho dos frangos de corte.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Local do experimento, número de aves usadas e sua distribuição em lotes, cama utilizada, manejo das aves e da cama, delineamento experimental e tratamentos usados foram descritos por Oliveira et al. (2004).

As rações (Tab. 1) à base de milho e farelo de soja, formuladas de acordo com Rostagno et al. (2000), foram, juntamente com as aves, pesadas no início e no final de cada ciclo de criação, para determinação do ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e viabilidade. As aves receberam ração inicial de 1 a 21 dias de idade, ração de crescimento dos 22 aos 35 dias e ração final dos 36 aos 42 dias de idade.

A análise estatística das variáveis de desempenho (ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e viabilidade) foi feita usando o Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas (Sistema..., 1997) e a comparação entre as médias foi feita utilizando-se o teste Duncan.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados de ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e viabilidade encontram-se nas Tab. 2 e 3.

 

 

Não houve diferença estatística (P>0,05) entre os resultados de desempenho em função do uso dos condicionadores. Esperava-se que as aves criadas em cama tratada com sulfato de alumínio e superfosfato simples apresentassem melhor desempenho em virtude da natureza ácida desses condicionadores, capaz de reduzir o pH das camas, com potencial de inibir a proliferação bacteriana e a formação e volatilização da amônia, quando comparado com o uso de gesso agrícola e cal hidratada.

Resultados semelhantes foram obtidos por autores que estudaram a adição de sulfato de alumínio (Maurice et al., 1998), gesso agrícola (Neme et al., 2000), superfosfato simples (Ali et al., 2000) e cal hidratada (Oliveira et al., 2002) e também não verificaram diferenças quanto ao desempenho das aves criadas sobre as camas tratadas ou não com esses produtos.

Ali et al. (2000) constataram que o uso de sulfato de alumínio (500g/m²) resultou em menor ganho de peso e pior conversão alimentar. Isso foi atribuído à ingestão do produto. Moore et al. (2000) mencionaram que aves criadas em cama tratada com sulfato de alumínio eram mais pesadas (1,73kg) e apresentaram melhor conversão alimentar (1,98) do que as criadas em cama sem tratamento (1,66kg e 2,04 para peso final e conversão alimentar, respectivamente). McWard e Taylor (2000) também observaram maior ganho de peso e melhor conversão alimentar para aves criadas em cama tratada com sulfato de alumínio quando comparadas às do grupo-controle. Segundo Stanush et al. (2000), ocorreu maior peso final (219g/ave a mais) em perus criados em cama tratada com cal hidratada.

Houve redução significativa (P<0,05) da viabilidade no segundo e terceiro lotes em virtude do uso do sulfato de alumínio e do superfosfato simples, provavelmente, devido ao consumo da cama de frango acidificada.

Com relação ao uso do gesso agrícola e da cal hidratada, os resultados foram semelhantes aos obtidos por Bruno et al. (1999) e Singh et al. (1990), respectivamente, enquanto que Moore et al. (1999) observaram menor mortalidade (3,9%) no lote de frangos criados em cama tratada com sulfato de alumínio em relação ao lote do tratamento-controle (4,2%).

 

CONCLUSÕES

Os tratamentos estudados não ofereceram benefícios sobre o desempenho de frangos de corte quanto ao ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Endereço para correspondência
Rua Dias da Silva, 46, Recreio dos Bandeirantes
14883-410 - Jaboticabal, SP

Recebido para publicação em 1 de setembro de 2003
Recebido para publicação, após modificações, em 4 de fevereiro de 2004

 

 

E-mail: cristina@fesurv.br

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