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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.56 no.4 Belo Horizonte Aug. 2004

https://doi.org/10.1590/S0102-09352004000400022 

COMUNICAÇÃO

 

Freqüência de helmintos em gatos de Uberlândia, Minas Gerais

 

Frequency of helminthes parasites in cats of Uberlândia, Minas Gerais

 

 

T.C.D. Mundim; S.D. Oliveira Júnior; D.C. Rodrigues; M.C. Cury*

Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal de Uberlândia Av. Pará, 1720, Bloco 4C 38400-902 - Uberlândia, MG

 

 


Palavras-chave: gato, helmintos, freqüência, Uberlândia


ABSTRACT

Necropsies in 50 cats, males and females of different ages were performed from August 2000 to December 2001. Forty five (90%) of them had parasites. Eleven cats (22%) had single infection, 34 (75.6%) multiple infection, and only 5 (10%) were free of infection. The parasitic frequencies were as follow: Platynosomum fastosum (40%), Ancylostoma braziliensis (38%), Physaloptera praeputialis (34%), Aelurostrongylus abstrusus (18%), Dipylidium caninum (14%), Ancylostoma caninum (14%), Toxocara mistax (14%), Toxocara canis (10%), Trichuris campanula (6%), Toxascaris leonina (4%), Spirometra mansonoides (4%), Taenia taeniaeformis (4%) e Trichuris vulpis (2%).

Keywords: cat, helminth, frequency, Uberlândia


 

 

Os gatos são hospedeiros de uma série de parasitos, principalmente de helmintos gastrintestinais. Além da patogenicidade direta ao hospedeiro, eles apresentam risco à saúde humana, pelo fato de parasitarem ambas as espécies. O gato, por seus hábito e comportamento peculiares, pode contribuir para a disseminação de determinados parasitos, como, por exemplo, Ancylostoma sp, Toxocara sp. As larvas desses parasitos podem infectar o homem, causando as síndromes conhecidas por larva migrans cutânea e larva migrans visceral, respectivamente. No Brasil, a prevalência dessas parasitoses foi avaliada mediante exame de fezes e contagem direta de parasitos após a necropsia dos hospedeiros. Os resultados indicam que os parasitos de vários gêneros e espécies são amplamente distribuídos pelo país. O objetivo deste estudo foi determinar a freqüência de helmintos parasitos de gatos domésticos no município de Uberlândia, Minas Gerais.

Cinqüenta gatos, de ambos os sexos, sem raça definida e de diferentes faixas etárias, sacrificados e doados pelo Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura Municipal de Uberlândia, entre agosto de 2000 e dezembro de 2001, foram necropsiados na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.

As cavidades torácica e abdominal foram abertas e os órgãos separados e colocados em sacos plásticos. Os pulmões, seccionados em pequenos fragmentos, acondicionados em placas de Petri com solução salina 0,85% e incubados à 37°C durante 12 horas, foram examinados sob microscópio estereoscópio em aumento de 25X. O fígado, a vesícula biliar e seus ductos foram abertos e lavados com solução salina 0,85%. O trato gastrintestinal foi separado em estômago e intestinos delgado e grosso. Após serem abertos, suas mucosas foram raspadas e lavadas em salina com os respectivos conteúdos, utilizando tamís de abertura de 100mm/mm. A contagem e identificação dos helmintos foram feitas segundo Yamaguti (1961) e Travassos (1969).

Quarenta e cinco gatos (90%) estavam parasitados por um ou mais helmintos e 5 (10%) apresentaram-se negativos. As freqüências das espécies de helmintos encontradas estão na Tab. 1. Platynosomum fastosum e os nematódeos Ancylostoma brazilienses e Physaloptera praeputialis foram os parasitos mais comuns.

 

 

A freqüência de infecção por Aelurostrongylus abstrusus é semelhante à observada por Ogassawara et al. (1986) em São Paulo (18,5 %). Em Belo Horizonte, Costa et al. (1966) verificaram 58,8% de animais parasitados por esse helminto. Ancylostoma braziliensis e A. caninum apresentaram freqüências semelhantes às observadas por Ogassawara et al. (1986) e Langnegger e Lanzieri (1963/1965) no Rio de Janeiro, porém menores que as apontadas por Costa et al. (1966). Quanto ao Toxocara cati, a freqüência foi superior à encontrada por Langnegger e Lanzieri (1963/1965). A presença do Toxocara canis em gatos na cidade de Uberlândia reveste-se de importância pela possibilidade de infecção por larva migrans visceral, especialmente em crianças. Os valores para Dipylidium caninum e Taenia taeniformis foram inferiores aos encontrados por Costa et al. (1966) e Ogassawara et al. (1986) e a freqüência para Physaloptera praeputialis é superior à observada por Ogassawara et al. (1986). Os valores para Platynossomum fastosum seguem a descrição feita por Langnegger e Lanzieri (1963/1965), isto é, 55% de freqüência. Na literatura não há registro de Spirometra mansonoides, Trichuris campanula e T. vulpis como parasitas de gatos no Estado de Minas Gerais. Das 15 espécies citadas, Dipylidium caninum, Spirometra mansonoides, Toxocara canis, T. cati, Ancylostoma braziliensis e A. caninum podem ser encontradas como parasitas do homem. Portanto, são zoonoses e podem tornar grave o problema de saúde pública.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COSTA, H.M.A.; COSTA, J.O.; FREITAS, M.G. Parasitos de Felis domestica em Belo Horizonte, Minas Gerais. Arq. Esc. Vet. UFMG, v.18, p.65-69, 1966.        [ Links ]

LANGNEGGER, J.; LANZIERI, P.D. Incidência e intensidade de infestação por helmintos em (Felis catus domesticus) do Rio de Janeiro. Veterinária, v.16-18, p.77-89, 1963/1965.        [ Links ]

OGASSAWARA, S.; BENASSI, S.; LARSSON, C.E. et al. Prevalência de infecções helmínticas em gatos na cidade de São Paulo. Rev. Fac. Med. Vet. Zootec. USP, v.23, p.145-149, 1986.        [ Links ]

TRAVASSOS, L.; FREITAS, J.F.T.; KONH, A. Trematódeos do Brasil. Mem. Inst. Oswaldo Cruz, v.67, p.11-865, 1969.        [ Links ]

YAMAGUTI, S. Systema Helminthum. New York: Interscience Publisher, 1961.        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 31 de julho de 2003
Recebido para publicação, após modificações, 22 de dezembro de 2003

 

 

* Autor para correspondência.
E-mail: cury@umuarama.ufu.br

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