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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versão impressa ISSN 0102-0935versão On-line ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.58 n.1 Belo Horizonte fev. 2006

https://doi.org/10.1590/S0102-09352006000100004 

MEDICINA VETERINÁRIA

 

Afecções mais freqüentes do aparelho locomotor dos eqüídeos de tração no município de Belo Horizonte

 

Most frequent pathologies of the locomotor system in equids used for wagon traction in Belo Horizonte

 

 

R.P.A. MaranhãoI; M.S. PalharesII, *; U.P. MeloIII; H.H.C. RezendeI; C.E. BragaII; J.M. Silva FilhoII; M.N.F, VasconcelosIV

IAluna de pós-graduação - EVUFMG
IIEscola de Veterinária - UFMG, Caixa postal 567, 30123-970 - Belo Horizonte, MG
IIIMédico veterinário - autônomo
IVAluna de graduação – EVUFMG

 

 


RESUMO

Determinaram-se as enfermidades mais comuns do sistema músculo-esquelético dos animais de tração na cidade de Belo Horizonte. Foram utilizados 58 animais (42 eqüinos e 16 muares), sendo 31 machos e 27 fêmeas. O diagnóstico baseou-se no histórico e nos exames físico e radiológico. A freqüência observada para tenossinovite nos membros torácicos e pélvicos foi 55,2%, para tendinite nos membros torácicos, 81,0%, para tendinite nos membros pélvicos, 58,6%, e para desmite do ligamento suspensório nos membros torácicos, 77,6%. Para as lesões osteoarticulares, os resultados foram 13,8%, 12,1%, 27,6% e 12,1% de lesões osteoartríticas para a articulação interfalangeana distal dos membros torácicos e pélvicos e articulação interfalangeana proximal dos membros torácicos e pélvicos, respectivamente. Na articulação metacarpo-falangeana, a incidência foi 41,4% e, nos membros pélvicos, 39,7%. A incidência na articulação cárpica foi 62,1% e, na articulação társica, 96,6%. Os achados dos tecidos moles indicaram sobrecarga nos aparatos flexor e suspensório nesse tipo de atividade. Em ambos os casos, a atividade desenvolvida pelos animais parece ser a principal causa envolvida.

Palavras-chave: eqüino, tração, tendinite, desmite, osteoartrite, sistema locomotor.


ABSTRACT

The most common conditions of the musculoskeletal system of draft equidae in the city of Belo Horizonte were determined. Fifty-eight animals (42 horses and 16 mules) were randomly examined, being 31 males and 27 females. Diagnosis was based on history, clinical and radiological examinations. The frequency observed for tenosynovitis in the fore and hindlimbs was 55.2%, 81.0%, for tendinitis in the forelimbs, 58.6% for tendinitis in the himblimbs, and 77.6% for suspensory ligament desmitis in the forelimbs. The results showed 13.8%, 12.1%, 27.6% and 12.1% of osteoarthritic lesions for distal interphalangeal joint of fore and hindlimbs and proximal interphalangeal joint of fore and hindlimbs, respectively. In the fetlock joints of the forelimbs, the incidence was 41.4%, and 39.7% in the hindlimbs. The incidence increased in the carpal joints, reaching 62.1% and it was even higher in the tarsal joints, reaching 96.6%. Findings in soft tissues indicated an overloading of both suspensory and flexor apparatus. Osteoarthritis was a common finding in draft equine, especially in tarsal joint. In both cases, the activity developed by those animals seems to be the main related cause.

Keywords: equine draft, tendinitis, desmitis, osteoarthritis, locomotor system


 

 

INTRODUÇÃO

Desde a domesticação, o eqüino tem sido cada vez mais utilizado nos diversos tipos de trabalho e desempenho atlético. Como conseqüência, os animais são exigidos acima de seus limites naturais (Goodship e Birch, 2001). Nos grandes centros urbanos, uma das atividades que mais cresce é a utilização de eqüinos de tração para o recolhimento e destino do lixo e entulhos produzidos. Dessa forma, o animal de tração surge como uma ferramenta de trabalho indispensável, cuja saúde e longevidade devem ser observadas (Rezende, 2004).

As características apresentadas por um animal de trabalho são o produto de vários fatores aos quais ele está submetido, como clima, manejo, treinamento, tipo de arreamento, superfície de trabalho e genética (Jones, 1987). A idade, a conformação inadequada, o casqueamento incorreto (Ruohoniemi et al., 1997), a nutrição, o condutor do animal e a finalidade (salto ou tração) também foram citados como fatores relevantes para a saúde e a produtividade eqüina (Miranda, 1988). O desempenho dos animais no trabalho de campo e nas competições, lazer e tração constitui um reflexo do bom estado do aparelho locomotor.

Na atualidade, discute-se a utilização de eqüinos de tração apenas no âmbito rural, como uma alternativa mais econômica. Na literatura consultada, não foram encontrados trabalhos relativos à sua utilização no ambiente urbano (carroceiro) e à interação saúde e carga de trabalho que lhe é imposta.

O objetivo deste trabalho foi estudar a incidência das principais enfermidades do sistema locomotor na população de animais de tração no município de Belo Horizonte.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 58 animais de tração, em atividade no município de Belo Horizonte, na regional Pampulha, com peso médio de 286,84+46,16 kg (231,00 a 460,00 kg) e idade média de 9,09+3,76 anos (2,5 a 17 anos). Dentre eles, 27,6% (16/58) eram muares (sete fêmeas e nove machos) e 72,4% (42/58) eqüinos (18 fêmeas e 24 machos). O exame específico do aparelho locomotor constituiu-se de anamnese, inspeção em repouso e movimento, palpação completa do aparelho locomotor, teste com a pinça de casco e testes de flexão. O diagnóstico foi feito com base no histórico e nos exames físico e radiológico.

Para as lesões de tecidos moles, foram considerados positivos os animais que apresentaram aumento de volume e/ou sensibilidade à palpação das estruturas em pelo menos um dos membros torácicos e pélvicos.

Para a observação de lesões osteoarticulares, os animais foram radiografados, em todos os membros, nas seguintes regiões: falange distal até a articulação metacarpo/metatarso-falangeana e articulações cárpicas e társicas. Por se tratar de um levantamento epidemiológico, optou-se por utilizar apenas a posição látero-medial a priori, totalizando no mínimo oito radiografias por animal, conforme a literatura (Alexander, 2000; Jones et al., 2004). Outras posições foram utilizadas para melhor visualização de determinadas estruturas ou alterações, como a posição oblíqua e/ou antero-posterior. Considerou-se positivo o animal que apresentasse, no mínimo, um dos seguintes problemas (McIlwraith, 1994) nas articulações observadas em, pelo menos, um dos membros contralaterais: estreitamento ou perda total do espaço articular, formação de osteófitos marginais, proliferação óssea periosteal e esclerose ou lise do osso subcondral.

O delineamento foi inteiramente ao acaso, estudando-se a distribuição de freqüência e aplicando-se o teste qui-quadrado nas análises estatísticas.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As patologias mistas constituíram os principais achados na palpação metacárpica/metatársica (31,9% - 74/232; Tab. 1). Elas compreendem a associação das afecções relatadas. Isso pode indicar que existe um grande número de fatores influenciando os eqüídeos em atividade de tração urbana na região pesquisada, gerando distribuição de forças em diferentes estruturas.

 

 

A incidência de enfermidades mistas foi maior nos membros torácicos (P<0,05), ressaltando a suspeita de que fatores intrínsecos à dinâmica da locomoção desses animais estejam atuando de forma predominante. Se os membros torácicos têm a função de suportar o peso, absorver o impacto e erguer o animal do solo (Rooney, 1974), e a etiologia das lesões tendíneas e de ligamentos é o esforço excessivo, é provável que esses membros tenham sido submetidos a uma "carga" acima da permitida por sua estrutura corpórea.

Segundo Meyer (1995), é necessário estimar a força de tração, estabelecendo uma carga média padrão, e a relação entre ela e o potencial muscular. A análise cinemática também seria necessária para conhecer o padrão de locomoção específico da tração urbana e, portanto, as estruturas mais exigidas.

Isoladamente, a tenossinovite nas bainhas dos tendões flexores ocorreu em maior freqüência. Na maioria dos casos, tratava-se de aumento de volume firme, sem calor ou sensibilidade, o que caracteriza um quadro crônico, conforme Dik et al.(1995). É possível, portanto, que as lesões agudas não tenham sido identificadas pelos proprietários ou tenham sido tratadas de forma inadequada. Ressalta-se que a maioria dos animais não apresentou claudicação ao exame. Isso sugere que o animal adaptou-se às condições adversas e continuou sua atividade, sem demonstrar sensibilidade, como descrito por Meirelles (1997). A ocorrência de tenossinovite isoladamente difere do que se encontra na literatura, isto é, sempre há associação com lesões persistentes nos tendões e ligamentos correspondentes (McIlwraith, 1994). Nesse caso, uma investigação ultra-sonográfica poderia revelar dados significativos. A incidência dessa enfermidade foi mais alta nos membros pélvicos (P<0,05), o que pode estar relacionado à sua contribuição na dinâmica. A tração pesada exige engajamento potente dos membros pélvicos, pois eles proporcionam a propulsão do animal, expondo as estruturas mais distais, inclusive as bainhas tendíneas, aos microtraumatismos por sobrecarga recorrente (Dik et al., 1995).

Provavelmente, pelo mesmo motivo, a freqüência de tendinite superficial isolada foi maior nos membros pélvicos (P<0,05), semelhane ao relatado por Goodship e Birch (2001). Apesar da maior distensão do TFDS ocorrer na fase de apoio total do membro, atuando contra a hiperextensão da articulação metatarso-falangeana (Denoix, 1994), é provável que sua atividade no estágio de propulsão do conjunto seja mais intensa nos membros pélvicos, em animais de tração. Por isso, é possível que o principal fator predisponente seja o excesso de peso na carroça, ou mesmo a tração de carroças de peso menor com o animal desenvolvendo maior velocidade, quando o grau de extensão da articulação aumenta devido à velocidade, conforme citado por Patterson-Kane et al. (1998).

As tendinites mistas constituíram o menor índice de alterações na região metacárpica ou metatársica. Além disso, a tendinite profunda, isoladamente, não foi encontrada em nenhum dos membros avaliados. Em 53,5% (31/58) dos animais, observaram-se tendinites nos membros torácicos e pélvicos. Apesar de contribuir de formas distintas em cada estágio da fase de apoio, o desempenho mais importante do TFDP ocorre ao final da fase de apoio, no estágio de propulsão (Denoix, 1994), quando há a elevação dos talões e a rotação do casco em torno da pinça (O'Grady e Poupard, 2003). No entanto, durante o estágio de apoio total, o tendão encontra-se apenas parcialmente tensionado, devido à flexão da articulação interfalangeana distal (Denoix, 1994).

A incidência de desmite foi baixa (4,3%). Nos membros acometidos, é possível que o excesso de peso tenha sido a principal etiologia. Isso porque a função primordial do ligamento suspensório também é a de resistir à hiperextensão do boleto, mais ainda do que o TFDS. A sua prevalência nos membros torácicos reforça essa hipótese, como discutido anteriormente. A desmite isolada e as enfermidades mistas foram as afecções que predominaram nos membros torácicos, e as tendinites (superficiais ou mistas) e tenossinovites nos pélvicos. Por essa razão, a desmite apresentou maior índice dentre as enfermidades mistas. Isso fica mais evidente quando se observa que 69,0% (40/58) dos animais apresentaram desmite associada a tendinites nos membros torácicos.

Os deseqüilíbrios dorsopalmar/plantar e mediolateral podem favorecer o desenvolvimento de tendinite do TFDP, a doença do navicular (Darabainer e Carter, 2003; Dyson e Marks, 2003) e a desmite nos ramos extensores do ligamento suspensório (O'Grady e Poupard, 2003). Dessa forma, práticas adequadas de casqueamento e ferrageamento deveriam ser imperativas na prevenção dessas enfermidades.

O condicionamento dessas estruturas pode estar ocorrendo inadequadamente. É possível que, nesses animais, o trabalho de tração inicie-se de forma repentina. Sabe-se que os tendões têm função de armazenar energia, e não apenas orientação do membro durante o movimento, sendo mais exigidos durante o exercício. Essa função é a razão da alta incidência de lesões nos tendões flexores em eqüinos (Smith et al., 2002).

A utilização da ultra-sonografia como método de detecção e monitoramento de lesões tendíneas e dos ligamentos permitiria o conhecimento dos problemas subclínicos. Isso levaria a uma melhor estimativa dos danos causados pela tração animal.

A ocorrência de tendinite superficial e de desmite do ligamento suspensório foi analisada separadamente, nos membros torácicos e pélvicos (Tab. 2). Considerou-se como positivo o animal que apresentasse a lesão em, pelo menos, um dos membros contralaterais.

 

 

A freqüência encontrada para a tendossinovite foi semelhante à relatada na literatura consultada (Thomassian, 1990ab; McIlwraith, 1994), podendo-se aferir que a maioria desses animais encontrava-se em atividade de esforço excessivo. Esse tipo de lesão teve igual distribuição entre membros torácicos e pélvicos (P>0,05). É possível que a etiologia envolvida nesses casos esteja atuando uniformemente sobre a dinâmica do animal, levando à irritação contínua da bainha, quer através das injúrias de tendões e ligamentos ou de pequenos traumatismos por sobrecarga, conforme descrito por Dik et al. (1995).

A alta porcentagem encontrada para as tendinites no membro torácico (81,0%) parece confirmar a etiologia do esforço excessivo e repetido, conforme documentado na literatura (Buchanan e Marsh, 2002). Entretanto, sob o aspecto do tipo de trabalho, os resultados obtidos assemelham-se àqueles observados em animais de corrida (Goodship, 1993) e não aos de tração (Goodship et. al., 1994), raramente citados por outros autores. A incidência de desmite do ligamento suspensório do boleto coincide com a observada nos eqüinos trotadores (Goodship e Birch, 2001). Isso ocorre pela exarcebação de sua função de sustentação, já que existe um aumento da fase cranial do passo (Patterson-Kane et al., 1998). Nos animais de tração, é provável que o excesso de peso carregado exija sustentação ainda maior pelo ligamento suspensório, principalmente durante a hiperextensão dessa articulação na fase de apoio total (Denoix, 1994).

Nas articulações interfalangeanas, a baixa incidência de indícios radiográficos de oesteoartrite (Tab.3) não corresponde ao esperado, especialmente por se tratarem de articulações pouco móveis e de sustentação de alta carga (McIlwraith, 1994). É provável que tal atividade aumente ainda mais a tensão sobre essas estruturas, potencializando os danos à cartilagem, além da associação com práticas de casqueamento e ferrageamento inadequadas. O método de diagnóstico, utilizado neste estudo com finalidade epidemiológica, não apresenta sensibilidade suficiente para detectar alterações de menor porte (Kawcak et al., 2000), podendo subestimar a quantidade e a intensidade das lesões. A escolha de um método que permitisse melhor demarcação dos limites da cápsula articular, como o citado por Alexander (2000), poderia fornecer dados mais esclarecedores, eliminando a subjetividade inerente à metodologia escolhida neste estudo.

 

 

A incidência de lesões radiográficas na articulação metacarpo/tarso falangeana tende a ser maior em animais de corrida, devido à alta mobilidade da articulação (McIlwraith, 2000). Provavelmente, a baixa velocidade geralmente atingida durante a tração possa explicar a menor incidência de lesões nessa região. No entanto, a ausência de alterações osteoartríticas não deve excluir a possibilidade de lesões não detectáveis radiograficamente (Kawcak et al., 2000), especialmente quando se leva em consideração os achados à palpação e flexão articulares.

Em geral, as lesões indicativas de osteoartrite no carpo e tarso foram as mais freqüentes. Apesar de os animais de tração não alcançarem grande velocidade, é possível que a carga excessiva, que não existe no animal de corrida, combinada com o excesso de trabalho no asfalto, explique os resultados observados. Além disso, é também provável que os desvios de aprumo observados e a instabilidade à flexão sejam fatores aditivos aos considerados anteriormente. Quando se compara a baixa incidência de sensibilidade e limitação de flexão à palpação com a maior incidência de lesões radiológicas, confirma-se a não associação entre sinais clínicos e danos articulares, salientada por McIlwraith (2000).

A alta incidência de lesões osteoartríticas na articulação társica é um achado esperado nos animais de tração (Adair, 1992). Isso ocorre porque a articulação, nessa atividade, é muito exigida ao suportar cargas compressivas, em baixa velocidade (McIlwraith, 1994).

À inspeção dos aprumos, as anormalidades observadas na articulação társica não foram proporcionais à alta incidência de alterações radiográficas. Aparentemente, nessa população, esse não é um fator dominante. O aumento da camada calcificada da cartilagem articular em animais mais velhos (Martinelli et al., 2002) e o excesso de trabalho e carga estão ligados à degeneração cartilaginosa e alterações osteoartríticas (Birch e Goodship, 1999). Além disso, acredita-se que a capacidade muscular diminuída exerça efeitos deletérios nas articulações, através do controle deficiente do movimento e pressão sobre as mesmas (Loeser e Shakoor, 2003). O condicionamento físico inadequado foi igualmente implicado no surgimento de lesões (Birch e Goodship, 1999) e deve ser considerado. Provavelmente, os três últimos fatores são os mais atuantes na população estudada.

Para o levantamento radiográfico simples, a projeção látero-medial parece ser suficiente e é indicada por alguns autores (Verschooten e Schramme, 1994; Alexander, 2000; Jones et al., 2004). No presente estudo, isso se confirmou, pois a articulação társica, dentre todas, foi a que menos necessitou de posições adicionais. Todavia, a presença de alterações radiográficas nem sempre é de relevância clínica no exame do sistema locomotor (Simmons et al., 1999).

 

CONCLUSÕES

A gravidade dos achados radiográficos não se relacionou aos sinais clínicos de claudicação ou limitação da flexão e função das articulações estudadas, evidenciando o seu caráter insidioso. A etiologia dessa alta incidência nos animais de tração não é descrita na literatura, porém o alto esforço articular, decorrente do trabalho, e as alterações biomecânicas provocadas por desequilíbrios podais e flacidez de ligamentos podem estar envolvidos no desencadeamento dessas lesões nos animais de tração. A avaliação das osteoartrites deve se basear nos achados radiológicos e na presença de sinais clínicos. A radiologia, na projeção látero-medial, constitui um método auxiliar satisfatório para fins de diagnóstico epidemiológico.

 

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Recebido em 17 de setembro de 2004
Aceito em 17 de novembro de 2005
Apoio: FAPEMIG, BNDES

 

 

* Autor para correspondência (corresponding author)
E-mail: palhares@vet.ufmg.br

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