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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.58 no.5 Belo Horizonte Oct. 2006

https://doi.org/10.1590/S0102-09352006000500035 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Anticorpos contra lentivírus de pequenos ruminantes em caprinos e ovinos em abatedouros do estado de Pernambuco

 

Small ruminant lentivirus infection in goats and sheep from two abattoirs in Pernambuco State, Brazil

 

 

M.M.M. OliveiraI, IV; R.S. CastroI, *; K.L. CarneiroII; S.A. NascimentoI; A.K.C. CalladoIII; C.S.A. AlencarIII; L.S.P. CostaI

IDepartamento de Medicina Veterinária – UFRPE Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n., Dois Irmãos 52171-900 – Recife, PE
IIMédico Veterinário
IIILaboratório de Apoio Animal – Recife, PE
IVBolsista da CAPES

 

 


Palavras-chave: caprino, bovino, CAEV, Maedi-Visna, epidemiologia


ABSTRACT

The prevalence of small ruminant lentivirus (SRL) infection was evaluated in goats and sheep in two counties of Pernambuco State, Brasil. Seriological examinations were performed from a total of 672 goats and 325 sheep, one year of age and older, at two abattoirs. Sera were analyzed by agar gel immunodiffusion using Maedi-Visna K-1514 antigens. There were 42 reactive samples (95% confidence interval 3.6% to 4.9%) in both slaughter houses. In São Lourenço da Mata county, 3.2% and 4.0% of goat and sheep sera were responsive, whereas in Paulista county, 5.1% of goat samples and 8.2% of sheep were reactive. Thus, the prevalence of small ruminant lentivirus was low in goats and sheep sampled from the region.

Keywords: goat, sheep, CAEV, Maedi-visna, epidemiology


 

 

Os lentivirus de pequenos ruminantes (LVPR - CAEV e Maedi-Visna), que acometem caprinos e ovinos, pertencem à família Retroviridae e subfamília Lentivirinae (International.... 2004) e caracterizam-se por apresentarem período de incubação longo, variando de meses a anos, evolução geralmente crônica, com agravamento progressivo das lesões, perda de peso e debilidade até a morte (Narayan e Cork, 1985; Callado, et al., 2001).

No Brasil, vários relatos indicam que os LVPR estão presentes em vários estados. Em Pernambuco, estudos epidemiológicos têm demonstrado prevalência de aproximadamente 17,0% em animais de raças especializadas para produção de leite (Castro et al., 1994), porém não existem relatos sobre a prevalência dessa virose em rebanhos caprinos sem raça definida (SRD), criados tradicionalmente para produção de carne e pele (Castro, 1999). Inquéritos sorológicos sobre esses vírus em ovinos não foram ainda realizados, estando a atual situação do problema indefinida. O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados da prevalência de LVPR em caprinos e ovinos SRD, enviados para o abate.

Colheram-se amostras de dois abatedouros, localizados nos municípios de São Lourenço da Mata e Paulista, do estado de Pernambuco, no período de novembro de 1999 a março de 2001.

Amostras de sangue foram coletadas dos animais disponíveis para o abate, independente de espécie, sexo e idade. A idade dos animais foi estimada com base no número de mudas de dentes. O número necessário de amostras colhidas para estimativa da prevalência foi determinado utilizando-se o programa Epi-Info (Dean et al.,1994), que emprega a fórmula apresentada por Kish (1965), para estudo populacional, por amostragem aleatória.

Para detecção dos anticorpos anti-LVPR, foi utilizado o teste de imunodifusão em gel de ágar (IDGA), com antígeno produzido a partir de sobrenadantes de células de membrana sinovial ovina (MSO), infectadas com MVV amostra K-1514 (Abreu et al., 1998). O soro padrão positivo foi obtido de um animal forte positivo, purificado utilizando-se sulfato de amônia (Hudson e Hay, 1980). Para preparação do gel, foi utilizada agarose 1% (p/v) em solução tampão borato de sódio (108 mM; pH 8,6). Os dados obtidos com o teste dessas amostras foram submetidos ao teste de qui-quadrado (c2) e à prova exata de Fisher, com o auxílio do Epi-Info (Dean et al.,1994).

Das 997 amostras de soro colhidas, 672 foram de caprinos e 325 de ovinos. Pelo IDGA determinou-se a prevalência de 3,8% (3,0<P<4,5) e 5,2% (4,0<P<6,5) de caprinos e ovinos, respectivamente, portadores de anticorpos precipitantes contra LVPR. No abatedouro de São Lourenço da Mata, foram colhidas 476 amostras de soro caprino, com 3,2% (2,7<P<4,0) de resultados positivos; das 227 amostras de soro ovino, 4,0% (2,7<P<5,3) foram positivas. No abatedouro de Paulista, 5,1% (10/196) (3,5<P<6,7) dos caprinos amostrados apresentaram resultado positivo, e 8,2% (8/98) (5,4<P<11,0) dos ovinos foram soropositivos (Tab. 1 e 2). Observou-se, ainda, que não houve diferença significativa entre os abatedouros, quanto à positividade para LVPR (c2; P>0,05).

 

 

 

 

Do total de caprinos amostrados, 4,2%±0,97 correspondiam a animais machos soropositivos e 2,9±0,11 a fêmeas soropositivas. No caso dos ovinos, 6,4%±1,55 e 1,3%±1,31 dos resultados positivos foram de machos e fêmeas soropositivos, respectivamente. Não houve diferenças entre os sexos quanto à positividade para LVPR (c2; P>0,05). A distribuição dos elementos amostrais nesse estrato não condiz com a realidade dos rebanhos, pois, predominantemente, esses são formados por fêmeas.

A idade prevalente foi acima de 48 meses. Não foram encontradas diferenças, quanto à positividade, de acordo com a faixa etária, em ambas as espécies estudadas (c2; P>0,05).

Embora os resultados confirmem a ocorrência de LVPR, devem ser interpretados com cautela, quando se pretende inferir sobre a prevalência real da infecção por LVPR na população caprina e ovina SRD do estado. Inicialmente, sabe-se que é possível haver superestimativa dos resultados positivos quando a prevalência real é baixa, dependendo da sensibilidade do teste utilizado. Neste trabalho, visando minimizar essa possibilidade, utilizou-se um teste que apresenta alto valor preditivo positivo, diminuindo o "peso" dos resultados falso-positivos no cálculo da prevalência estimada (Thiry e Pastoret, 1992).

Pode-se concluir que os LVPR ocorrem nos rebanhos caprino e ovino SRD do estado de Pernambuco em baixa prevalência.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABREU, S.R.O.; CASTRO, R.S.; NASCIMENTO, S.A. et al. Produção de antígeno nucleoproteíco do vírus da Artrite-Encefalite Caprina e comparação com o do vírus Maedi - Visna para utilização em teste de imunodifusão em agar gel. Pesqui. Vet. Bras., v.18, p.57-60, 1998.        [ Links ]

CALLADO, A.K.C.; CASTRO, R.S.; TEIXEIRA, M.F.S. Lentivírus de Pequenos Ruminantes (CAEV e Maedi-Visna): Revisão e perspectivas. Pesqui. Vet. Bras., v.21, p.87-97, 2001.        [ Links ]

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DEAN, A.G.; DEAN, J.A.; COULOMBIER, D. et al. Epi info. Version 6: a word processing database, and statistics program for epidemiology on microcomputers. Atlanta, Georgia, USA: Center of Disease Control and Prevention, 1994. 589p.        [ Links ]

HUDSON, L.; HAY, F.C. Pratical immunology. London: Blackwell Sci., 1980. 340p.,        [ Links ]

INTERNATIONAL Committee on Taxonomy of Viruses, 2004. Disponível em: <www.virustaxonomyonline.com>. Acessado em: 03/09/2004

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NARAYAN, O.; CORK, L.C. Lentiviral diseases of sheep and goats: Chronic pneumonia, leukoencephalomyelitis and arthritis. Rev. Infect. Dis., v.7, p.89-97, 1985.        [ Links ]

THIRY, E.; PASTORET, P.P. L'évalution des méthodes diagnostiques. Ann. Med. Vet. v.136, p.269-272, 1992.        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 27 de maio de 2004
Aceito em 4 de novembro de 2005
Apoio CNPq

 

 

* Autor para correspondência (corresponding author)
E-mail: rscastro@ufrpe.br

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