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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.58 no.6 Belo Horizonte Dec. 2006

https://doi.org/10.1590/S0102-09352006000600036 

COMUNICAÇÃO

 

Detecção de ácidos nucléicos de Brucella spp., Leptospira spp., herpesvirus bovino e vírus da diarréia viral bovina, em fetos bovinos abortados e em animais mortos no perinatal

 

Detection of Brucella spp., Leptospira spp., bovine herpesvirus and bovine viral diarrhea virus nucleic acids in aborted fetuses and bovines dead perinatal

 

 

A. CortezI; A.M.G. CastroI; M.B. HeinemannII; R.M. SoaresI; R.C. LeiteII; E. ScarcelliIII; M.E. GenovezIII; A.A. AlfieriIV; L.J. RichtzenhainI, *

IFaculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia - USP Av. Prof. Dr. Orlando Marques de Paiva, 87. 05508-000. São Paulo/SP
IIEscola de Veterinária - UFMG - Belo Horizonte, MG
IIIInstituto Biológico - São Paulo, SP
IVCentro de Ciências Agrárias - UEL - Londrina, PR

 

 


Palavras-chave: bovino, aborto, feto, PCR, RT-PCR


ABSTRACT

Samples of 114 bovine fetuses and 10 calves, which dead in perinatal period, were examined for detection of DNA. The most common detected agent was Brucella spp. in 17 samples (13.7%) followed by Leptospira spp. in 4 cases (3.2%),bovine herpesvirus (BHV) and bovine viral diarrhea (BVDV) in 3 animals (2.4%) each, and 1 for the association of BVDV and BHV. In 77.4 % (96/124) of the samples it was not possible to detect any agent.

Keywords: bovine, abortion, fetuses, PCR, RT-PCR


 

 

No Brasil, levantamentos sorológicos indicam que infecções pelo vírus da diarréia viral bovina (VDVB), pelo herpesvírus bovino (HVB), pela Brucella spp e Leptospira spp. estão disseminadas (Vasconcellos et al., 1997; Richtzenhain et al., 1999a, 1999b; Paulin e Ferreira Neto, 2003). Todavia, são poucos os trabalhos que mostram a participação desses agentes em alterações reprodutivas mediante diagnóstico direto (Genovez et al., 1993; Pituco et al., 1999; Langoni et al., 1999; Cortez et al., 2001; Scarceli et al., 2004; Takiuchi et al., 2005).

O objetivo deste trabalho, apesar das limitações decorrentes da amostragem de conveniência empregada, constituída por amostras enviadas ao laboratório após o abortamento bovino ou após mortalidade perinatal, foi verificar pela reação em cadeia de polimerase (PCR) a presença de ácidos nucléicos de VDVB, HVB, Brucella spp. e Leptospira spp.

Foram examinados 114 fetos bovinos abortados e 10 bezerros com mortalidade perinatal, provenientes de diferentes estados brasileiros (AL, GO, MG, MS, MT, RS, SP) durante o período de 1997 a 2004, excetuando-se o ano de 2000.

A detecção de DNA de Brucella spp. e Leptospira spp. foi realizada conforme descrito por Richtzenhain et al. (2002). Na detecção do HVB, foram utilizados macerados de pulmões e cérebro para extração de DNA (Chomkzynski et al. 1993). Os primers e as condições de amplificação foram descritos por Ros e Belák (1999).

Para o diagnóstico do VDVB, foi empregada uma heminested PCR (hPCR) direcionada à região 5' não tradutora do vírus. Os primers externos (P1 e P2) foram descritos por Ridpath e Bolin (1998). Para a hPCR, foi desenhado o primer PN2 (5' RCA CCC TWW CAG GCT GT 3') que trabalha conjuntamente com P1.

A extração do RNA viral, a partir do homogeneizado de órgãos (fígado, baço, rins e/ou pulmões e/ou cérebro), foi realizada com Trizol1, e a síntese do cDNA foi feita utilizando a enzima transcriptase reversa do vírus da leucemia murina - MMLV-RT1 e primers randômicos1, conforme instruções do fabricante.

A PCR foi realizada com 2,5µl de cDNA, 200 µM de cada dNTP's, 1x tampão da PCR, 25pmoles dos primers P1 e P2, 1,5mM de MgCl2 e 2,5U da enzima Taq DNA polimerase platinum1 e água ultrapura qsp 50µl. As condições de amplificação foram: desnaturação inicial de 94ºC por 2min e 35 ciclos de 94ºC por 30s, 50ºC por 30s, 72ºC por 30s e uma extensão final de 72ºC por 5min.

A hPCR foi executada num volume final de 50µl com as mesmas concentrações dos reagentes acima mencionados, exceto as dos primers P1 e PN2 (20pmoles). Foram adicionados, ainda, 10% de glicerol e utilizados 2µl do produto da PCR, nas mesmas condições de amplificação da PCR. Os produtos de amplificação foram analisados de acordo com Sambrook et al. (1989).

Das 124 amostras analisadas, 13,7% (17/124) foram positivas para Brucella spp., 3,2% (4/124) para Leptospira spp., 2,4% (3/124) para HVB e para VDVB e 0,81% (1/124) para a associação de VDVB e HVB. Em 77,4% (96/124) das amostras, não foi possível detectar nenhum dos agentes estudados.

A predominância de Brucella spp. encontrada nos fetos bovinos e nos animais mortos no período perinatal é confirmada por Genovez et al. (1993), que utilizaram o diagnóstico bacteriológico e por Scarcelli et al. (2004), que empregaram cultura microbiológica e uma multiplex PCR (mPCR).

A baixa detecção de Leptospira spp. difere dos dados de Genovez et al. (1993). Nestes, o número de material positivo ao isolamento e à reação de imunofluorescência indireta (16/257) foi o mesmo que o de Brucella abortus. Freqüências maiores foram relatadas por Langoni et al. (1999), que isolaram Leptospira spp. em 12,5% (15/120) das amostras analisadas. Scarcelli et al. (2004), ao aplicarem o cultivo bacteriológico e uma mPCR, não encontraram Leptospira spp. em 67 amostras oriundas de abortamentos bovino.

O pequeno número de animais positivos para Leptospira spp. pode ser atribuído ao aumento da utilização da vacinação em nosso meio (Scarcelli et al., 2004) ou ao fato de a infecção estar ocorrendo nas primeiras fases gestacionais, o que ocasionaria perdas embrionárias e retorno do cio (Ellis, 1994). Cabe ressaltar que dos 67 animais dos quais foi possível dispor de informações quanto à idade ou estimá-la, apenas seis eram do terço inicial de gestação.

O resultado de 2,4% (3/124) de HVB foi menor que o de 9,3% (15/161) encontrado por Pituco et al. (1999), que utilizaram a imunofluorescência direta. Por meio das técnicas de isolamento viral e semi-nested PCR, Takiuchi et al. (2005) obtiveram porcentagens de detecção do HVB maiores, 25,4% (14/55).

Os resultados encontrados na investigação do VDVB (2,42% - 3/124) diferem dos 4,8% (4/83) observados por Pituco et al. (1999), pela reação de imunofluorescência direta e dos 3,2% (47/1462) encontrados em fetos abortados, natimortos e membranas fetais por isolamento e PCR (Flores et al. 2005).

Embora Murray (1990) descreva associações do VDVB com outros patógenos, apenas um feto apresentou infecção mista entre VDVB e HVB.

Considerando que, à semelhança do presente trabalho, a maioria dos estudos congêneres realizados no país baseou-se em amostragens de conveniência, constituídas por amostras aleatoriamente enviadas ao laboratório, após ocorrência de problema reprodutivo, a comparação dos resultados de freqüência de detecção dos diferentes agentes pesquisados carece de consistência estatística.

A eficiência do diagnóstico laboratorial das doenças reprodutivas depende da sensibilidade e especificidade dos métodos empregados (métodos diretos, indiretos e histopatológicos), da facilidade e da disponibilidade do diagnóstico oferecido, da pressão exercida pelos órgãos competentes em realizar o diagnóstico, da atitude profissional do clínico e da equipe laboratorial em resolver o problema (Murray, 1990).

Assim, um maior esforço precisa ser realizado para que se possam identificar as causas mais freqüentes de abortamentos, infecciosos ou não, em cada região do país, a fim de que medidas de controle possam ser implementadas.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Sílvio Arruda Vasconcellos, por ceder as amostras-padrão de Leptospira spp. Ao médico veterinário Henrique Leomil, pelo auxílio nas necropsias.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em 3 de fevereiro de 2006
Aceito em 21 de agosto de 2006
Apoio: FAPESP (01/10155-4)

 

 

* Autor para correspondência (corresponding author)
E-mail: leonardo@usp.br
1 Invitrogen® CARLSBAD – EUA

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