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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versão impressa ISSN 0102-0935versão On-line ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.60 n.3 Belo Horizonte jun. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352008000300036 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Comparação da eficiência dos caldos de enriquecimento seletivo no isolamento de Salmonella Dublin

 

Comparison of the efficiency of selective enrichment broths for Salmonella Dublin isolation

 

 

D.G. SilvaI; J.J. FagliariII, *; T.B. GarciaI

IAluno de pós-graduação - FCAV-UNESP - Jaboticabal, SP
IIFaculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - UNESP -Jaboticabal, SP - Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/n - 14884-900 - Jaboticabal, SP

 

 


Palavras-chave: bezerro, Salmonella Dublin, meio seletivo, fezes


ABSTRACT

The aim of this study was to compare three different selective enrichment broths: Rappaport-Vassiliadis (RV), selenite cystine (SC) and Muller-Kauffmann tetrathionate (MKT) for Salmonella Dublin isolation from faecal samples of calf experimentally infected. The bacteriological procedure involved pre-enrichment stages in Hajna-GN broth (only for the samples inoculated in RV broth), selective enrichment, culture in modified brilliant green agar (BGA), presumptive biochemistry tests (using triple-sugar-iron agar and lysine-agar) and slide agglutination test with poli-O and poli-H Salmonella antiserum. The effects of enrichment temperatures using RV broth were also evaluated (37ºC and 42ºC). SC broth was significantly more efficient in the isolation of Salmonella Dublin (P<0,05), whereas RV broth incubated at 42ºC had a lower efficiency in the microbiological isolation.

Keywords: Salmonella Dublin, selective enrichment, calves, feces


 

 

A salmonelose constitui uma das principais causas de morbidade e mortalidade em bezerros, sendo a Salmonella Dublin e a Salmonella Typhimurium os sorotipos mais freqüentemente isolados na espécie bovina (Santos et al., 2002; Veling et al., 2002).

Os procedimentos microbiológicos para o isolamento de Salmonella de amostras de fezes geralmente incluem etapas de pré-enriquecimento, enriquecimento em caldo seletivo, plaqueamento em meio semi-sólido, análise bioquímica e sorotipificação (Litchfield, 1973). As etapas de enriquecimento em caldo seletivo e plaqueamento em meios semi-sólidos são utilizadas para auxiliar na recuperação e no desenvolvimento da bactéria de interesse e para inibir o crescimento de microrganismos competidores (Fernandes et al., 2004).

Segundo Waltman (1998), há três tipos de meios de enriquecimento: caldo Rappaport-Vassiliadis, caldo selenito e caldo tetrationato. A escolha do melhor caldo para detecção ou recuperação de Salmonella de amostras de fezes muitas vezes é difícil devido, principalmente, à falta de resultados conclusivos a esse respeito (Freschi et al., 2005; Paiva et al., 2006).

O objetivo do presente estudo foi avaliar a eficiência dos caldos de enriquecimento seletivos Rappaport-Vassiliadis, selenito cistina e tetrationato Muller-Kauffmann no isolamento ou na recuperação de Salmonella Dublin de amostras de fezes de bezerro experimentalmente infectado, de modo a facilitar a escolha do meio mais apropriado.

Foram analisadas 14 amostras de fezes obtidas por meio de suabes retais de bezerro macho da raça Holandesa, com 15 dias de idade, infectado experimentalmente com 108 unidades formadoras de colônia de Salmonella Dublin (Fecteau et al., 2003). As amostras foram colhidas em triplicata, imediatamente antes da inoculação (A0) e a intervalos de 12 horas, ao longo de sete dias após a infecção experimental (A1 a A13).

Para o isolamento de Salmonella Dublin, foram testados três caldos de enriquecimento seletivo: Rappaport-Vassiliadis (RV), selenito cistina (SC) e tetrationato Muller-Kauffmann (TMK). Também foi avaliada a temperatura de incubação do caldo RV, 37ºC (RV37) e 42ºC (RV42).

Das três amostras de suabes retais colhidas em um mesmo momento, duas amostras foram diretamente inoculadas em 10ml de caldo SC (Oxoid CM 699) e TMK (Oxoid CM 343) e incubadas a 37ºC durante 24 horas. A outra amostra foi inicialmente pré-enriquecida em 10ml de caldo GN-Hajna (Difco 0486-17) e incubada a 37ºC por 24 horas. Após o crescimento, transferiu-se 0,1ml para dois tubos que continham 9,9ml de caldo RV (Oxoid CM 866) que foram incubados a 37ºC e a 42ºC durante 24 horas. Após incubação, os caldos foram semeados em placas contendo ágar verde brilhante modificado (Oxoid CM 329) e incubados a 37ºC por 24 horas. De cada placa, três colônias sugestivas de bactérias do gênero Salmonella foram inoculadas em tubos contendo ágar tríplice açúcar e ferro (Oxoid CM 277) e ágar lisina ferro (Oxoid CM 381). Todas as colônias identificadas presuntivamente como Salmonella foram submetidas ao teste de soroaglutinação em lâmina, com soro polivalente antiantígenos somáticos (O) e com soro polivalente antiantígenos flagelares (H) de Salmonella.

Os resultados obtidos foram analisados estatisticamente pelo teste McNemar (Zar, 1999).

Diferenças significativas (P<0,05) foram encontradas entre os caldos de enriquecimento usados na recuperação de Salmonella Dublin de amostras de fezes. Todas as amostras colhidas após a infecção experimental foram positivas para Salmonella Dublin após cultivo em caldo SC, enquanto somente 69% (9/13) das amostras foram positivas quando se utilizou o caldo TMK (Tab. 1). Este resultado confirma os descritos por Forward e Rainnie (1997) e Alvseiek e Skjerve (2000) que relataram bons resultados com o uso do caldo SC na recuperação de Salmonella das fezes. Por outro lado, Freschi et al. (2005) verificaram melhor rendimento com a utilização do caldo TMK. O caldo RV apresentou o pior desempenho dentre os caldos avaliados no isolamento microbiológico, detectando apenas 23% (3/13, RV37) e 8% (1/13, RV42) de amostras positivas. Apesar de o caldo RV ser um meio de alta seletividade (Paiva et al., 2006), Peterz et al. (1989) relataram que a temperatura de incubação de 42ºC pode inibir o crescimento de Salmonella Dublin. As amostras colhidas antes da inoculação foram negativas para Salmonella Dublin em todos os caldos avaliados.

 

 

Desse modo, os resultados obtidos mostraram que o caldo SC foi a melhor opção de enriquecimento seletivo para o isolamento ou recuperação de Salmonella Dublin de amostras de fezes de bezerro.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à FAPESP pela concessão de bolsa e auxílio financeiro e à Fundação Oswaldo Cruz-FIOCRUZ pelo fornecimento da cepa de Salmonella Dublin.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em 16 de maio de 2007
Aceito em 4 de abril de 2008

 

 

* Autor para correspondência (corresponding author)
E-mail: fagliari@fcav.unesp.br

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