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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.60 no.6 Belo Horizonte Dec. 2008

https://doi.org/10.1590/S0102-09352008000600029 

ZOOTECNIA E TECNOLOGIA E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

 

Farelo de canola em dietas para o pacu Piaractus mesopotamicus (Holmberg 1987): efeitos sobre o crescimento e a composição corporal

 

Canola meal in the diets of pacu Piaractus mesopotamicus (Holmberg 1887): effects on growth and body composition

 

 

E.M.M. ViegasI, II; D.J. CarneiroII; E.C. UrbinatiII; E.B. MalheirosIII

IFaculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos - USP, Av. Duque de Caxias Norte, 225, 13635-900 - Pirassununga, SP
IICentro de Aqüicultura - UNESP-CAUNESP - Jaboticabal, SP
IIIFaculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - UNESP - Jaboticabal, SP

 

 


RESUMO

Avaliaram-se os efeitos da inclusão de farelo de canola em dietas de juvenis de pacu (Piaractus mesopotamicus) sobre parâmetros de crescimento e composição corporal. Um total de 192 alevinos (9 a 15g) foram estocados em 24 tanques de cimento, de 100l de capacidade, durante 103 dias. O farelo de canola foi utilizado em quatro proporções: zero; 9,5%; 19% e 38% da dieta, com ou sem farinha de peixe (12%/dieta), totalizando oito tratamentos. A presença de farinha de peixe não afetou os parâmetros de crescimento avaliados. A inclusão de 38% de farelo de canola na dieta diminuiu o ganho de peso dos peixes, valores médios de 28,74g a 50,70g, e piorou a conversão alimentar aparente, de 1,66 para 2,85. A taxa de eficiência protéica também foi menor nos peixes alimentados com 38% de farelo de canola. As várias proporções de farelo de canola das dietas alteraram os teores de umidade, proteína bruta e lipídios dos peixes. A presença da farinha de peixe, nas dietas, somente influiu no teor de lipídios dos peixes alimentados com dietas contendo 9,5% de farelo de canola. Conclui-se que até 19% de farelo de canola pode ser adicionado às dietas de juvenis de pacu, sem que seu desenvolvimento seja prejudicado.

Palavras-chave: pacu, Piaractus mesopotamicus, farelo de canola, farinha de peixe, fonte protéica


ABSTRACT

The effects of adding canola meal in the diet of pacu juveniles (Piaractus mesopotamicus) on growth parameters and body composition were evaluated. A total of 192 fingerlings (9 to 15g) were stocked in twenty-four, 100l cement tanks during 103 days. Canola meal was used at four levels (zero, 9.5%, 19%, and 38% of the diet) with (12% of the diet) or without fish meal, totalizing eight treatments. The fish meal did not affect the growth parameters. The inclusion of 38% canola meal decreased the body weigh gain (mean values of 28.74g to 50.70g) and negatively affected the apparent feed conversion (1.66 to 2.85). The protein efficiency ratio was lower in fish fed the highest level of canola meal. The several levels of canola meal in the diets changed the fish moisture and contents of crude protein and lipids. Fish meal in the diets only influenced the lipid content in fish fed 9.5% canola meal. The results suggest that the inclusion of up to 19% of canola meal in diets of pacu juveniles did not impair the fish growth.

Keywords: pacu, Piaractus mesopotamicus, canola meal, fish meal, protein sources


 

 

INTRODUÇÃO

A expansão mundial da aqüicultura tem sido acompanhada por um rápido crescimento da produção de alimentos, com base, principalmente, na utilização de óleo e farinha de peixe (Gatlin III et al., 2007). A produção de farinha de peixe está concentrada em algumas regiões do mundo, tornando difícil a disponibilidade do produto para muitos países praticantes de aqüicultura (Francis et al., 2001). O desafio que se coloca para a aqüicultura industrial é identificar alternativas para a farinha de peixe, que sejam, ao mesmo tempo, economicamente viáveis e ambientalmente sustentáveis, como recomendado no Segundo Simpósio Internacional de Aqüicultura Sustentável, em1998, em Oslo, Noruega (Naylor et al., 2000).

Ingredientes vegetais como farelo de soja, canola e outros podem ser utilizados com sucesso como fontes de proteína, em substituição total ou parcial da farinha de peixe, na composição de rações para peixes e outros animais aquáticos (Kissil et al.; 2000; Soares et al., 2001; Thissen et al., 2003a,b; Tibbetts et al., 2004; Borgeson et al., 2006). A inclusão de proteína vegetal acima de 25-50% do total da dieta, muitas vezes, resulta em redução do crescimento do peixe, atribuída a um desbalanceamento de aminoácidos essenciais ou à presença de fatores antinutricionais (Davies et al., 1990; Bell et al., 2000; Burel et al., 2000; Francis et al., 2001; Gatlin III et al., 2007).

A semente da canola (Brassica campestris e Brassica napus) contém teores acima de 40% de óleo de excelente qualidade, sendo mais de 60% composto de ácidos graxos monoinsaturados e menos de 7% de saturados, além de um resíduo protéico de alta qualidade. Desenvolvida a partir do melhoramento genético da colza, a canola apresenta baixos teores de ácido erúcico no óleo (<2%) e baixos níveis de glucosinolatos no farelo (<3mg/g) (Bell, 1993). A partir de 1970, produtores australianos melhoraram o rendimento, a adaptação, a resistência a doenças e a qualidade da semente, em termos de baixo conteúdo dos principais fatores antinutricionais (Cowling, 2007).

O farelo de canola é um subproduto da extração do óleo de canola e difere do farelo de soja pelos níveis mais baixos de proteína bruta (37% aproximadamente) e de alguns aminoácidos essenciais, mas é uma fonte muito rica de minerais e vitaminas, que podem ser de grande significado na formulação de dietas para animais (Downey e Bell, 1995). Pode ser utilizado como fonte protéica alternativa, em dietas para animais, além disso melhora sua palatabilidade (Jackson et al., 1982; Higgs et al., 1989; Furuya et al., 2001). Em geral, a resposta do peixe à inclusão de farelo de canola na dieta tem sido positiva, com algumas restrições quanto aos níveis de inclusão (Davies et al., 1990; Glencross et al., 2004). Teores elevados de farelo de canola nas dietas para peixes afetam o crescimento, a conversão alimentar e outros parâmetros de desempenho (Hardy e Sullivan, 1983; Davies et al., 1990; Takii et al., 1999).

Ingrediente mais palatável a peixes de águas tropicais do que a salmonídeos, o farelo de canola pode substituir até 66% da farinha de peixe em dietas para trutas (Wilson, 1995). Mais recentemente, Tibbetts et al. (2004) observaram bons resultados com a substituição parcial ou completa da farinha de peixe pelo farelo de canola, em diferentes espécies de salmonídeos comercialmente importantes. Em híbridos de tilápia, a substituição completa da proteína do farelo de soja pela proteína do farelo de canola não diminuiu significativamente o ganho de peso, a taxa de crescimento específico ou a eficiência alimentar (Higgs et al., 1989).

Estudos realizados no Brasil já demonstraram o potencial de utilização do farelo de canola em dietas para espécies de água doce. Pezzato et al. (2002) e Furuya et al. (2001) observaram coeficiente de digestibilidade aparente da proteína do farelo de canola de 87% em Oreochromis niloticus. Entretanto, apesar dos altos coeficientes de digestibilidade aparente da proteína do farelo de canola para esta espécie, a utilização de níveis acima de 36%, nas dietas, acarretou redução do crescimento em outro estudo (Soares et al., 2001). Diferentes desempenhos foram observados em espécies nativas de água doce, como o piavuçu (Leporinus macrocephalus) e o curimbatá (Prochilodus lineatus). O aumento do farelo de canola nas rações de alevinos de curimbatá provocou redução de desempenho (Galdioli et al., 2002), ao passo que a inclusão de 43% deste farelo, na dieta de alevinos de piavuçu, melhorou o crescimento e a conversão alimentar (Soares et al., 2001).

O pacu Piaractus mesopotamicus é uma espécie nativa, distribuída pelos rios da Bacia do Prata, muito utilizada para pesca esportiva no Brasil. Estudos sobre sua nutrição e manejo têm sido freqüentes, e, embora vários aspectos já estejam estabelecidos, a utilização do farelo de canola, como fonte protéica em sua dieta, não foi até o momento avaliada. Este trabalho teve o objetivo de avaliar os efeitos da inclusão de farelo de canola em dietas com ou sem farinha de peixe, para juvenis de pacu, sobre seu crescimento e composição corporal.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado com 192 juvenis de pacu, com peso médio de 9 a 15 gramas durante 103 dias, em 24 tanques de cimento amianto, com capacidade de 100 litros de água. A alimentação foi fornecida durante os sete dias da semana, duas vezes por dia, até aparente saciação, tomando-se o cuidado para que não houvesse sobras no fundo do tanque. Dessa forma, o alimento fornecido foi considerado como consumido no cálculo de consumo e conversão alimentar. A temperatura da água foi aferida duas vezes ao dia, antes da alimentação (29,6±0,600 C), e quinzenalmente foram realizadas análises de oxigênio dissolvido (4,51±0,8 mg/l) e de alcalinidade (73,33±5,9mg de carbonatos/l) (Golterman et al., 1978). A determinação de pH (7,70±0,5) foi feita com peagâmetro portátil.

Após análise de composição dos ingredientes, foram formuladas oito dietas, isoprotéicas (26% de proteína bruta) e isoenergéticas (4100Kcal energia bruta/kg de ração). O ingrediente teste, farelo de canola, foi utilizado em quatro níveis: (C1=zero, C2=9,5%, C3=19% e C4=38% da dieta, com (P1=12%) ou sem (P2=zero) farinha de peixe, de forma a totalizar oito tratamentos (T1 a T8; Tab. 1). Todos os ingredientes foram finamente moídos e homogeneizados, antes da peletização, em peletizadora comercial.

Os peixes foram pesados individualmente, no início do experimento e em intervalos aproximados de 25 dias; o consumo das rações foi controlado semanalmente.

A eficiência das dietas foi avaliada utilizando-se os parâmetros: ganho de peso médio, conversão alimentar aparente, taxa de eficiência protéica, taxa de crescimento específico. No final do período experimental, três peixes de cada parcela (nove por tratamento) foram abatidos com choque térmico e congelados até análise dos teores de matéria seca, extrato etéreo (lipídios), proteína bruta e cinzas (Official ..., 1990).

O estudo estatístico do efeito dos teores de farelo de canola e de farinha de peixe sobre o desempenho e a composição corporal foi realizado a partir da análise de variância, considerando-se um delineamento em blocos ao acaso, em esquema fatorial 2 x 4 (dois níveis de inclusão de farinha de peixe e quatro níveis de farelo de canola), com três repetições e oito peixes por parcela. Os blocos corresponderam a três classes de peso inicial dos peixes: 9,0; 12,0 e 15,0 gramas. Em caso de significância da análise de variância, as médias foram comparadas pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A farinha de peixe não afetou significativamente o ganho de peso, a conversão alimentar aparente, a taxa de crescimento específico e a taxa de eficiência protéica (Tab. 2). No entanto, a maior proporção de inclusão de farelo de canola na dieta (38%) diminuiu significativamente o ganho de peso dos peixes (Tab. 2 e Fig. 1) e piorou a conversão alimentar aparente, alterando-a de 1,7 (9,5% de inclusão) para 2,8 (38% de inclusão). Assim como neste estudo, Furuya et al. (1997) observaram que a conversão alimentar da tilápia-do-nilo, na fase de reversão sexual, foi prejudicada com dietas contendo proporções crescentes de inclusão de farelo de canola. Entretanto, Soares et al. (2001) obtiveram, na mesma espécie, melhores ganho de peso e rendimento de carcaça, com dietas contendo aproximadamente 35% de inclusão de farelo de canola. Em alevinos de curimbatá, houve redução do ganho de peso e da taxa de eficiência protéica, além de aumento linear da conversão alimentar, com o aumento de inclusão de farelo de canola na dieta (Galdioli et al., 2002).

Pela Fig. 1, que apresenta os valores médios dos pesos dos peixes em cada biometria, por blocos, observa-se que, independentemente do tamanho dos peixes, o tratamento T1 (C1P1), sem farelo de canola e com 12% de farinha de peixe, promoveu maior crescimento dos juvenis em relação aos tratamentos com níveis intermediários de farelo de canola (9,5% e 19% de inclusão). No entanto, com a inclusão de 38% de farelo de canola, observou-se menor peso final em todos os grupos de peixes de diferentes pesos iniciais, especialmente a partir da terceira biometria (54 dias de experimento), o que se manteve até o final. O T5 (C1P2), sem canola e sem farinha de peixe, proporcionou melhor desempenho, quanto ao ganho de peso, do que os tratamentos com maiores níveis de canola, independentemente de ter (T4=C4P1), ou não (T8=C4P2), farinha de peixe, principalmente nos peixes de menor peso inicial (bloco 1). A proteína desse tratamento foi fornecida quase exclusivamente pela soja, na forma de farelo e soja integral. Higgs et al. (1989) sugeriram que o farelo de canola, considerando-se o índice de aminoácidos essenciais para peixes, é semelhante à farinha de arenque e superior ao farelo de soja e de algodão, não sendo este o fator que limita sua utilização em dietas para peixes e sim sua composição em fatores antinutricionais como glucosinolato, ácido eurúcico e ácido fítico.

O provável efeito deletério do farelo de canola parece afetar mais os peixes menores (Fig. 1), pois, após 103 dias, os peixes que iniciaram o experimento com apenas alguns gramas de vantagem (blocos 2 e 3, 12 e 15g de peso inicial, respectivamente), em relação ao bloco 1 (9g de peso inicial), ganharam aproximadamente 50% de peso a mais que os peixes menores do tratamento com 38% de canola e sem farinha de peixe (T8=C4P2). Esse menor ganho em peso pode estar relacionado com a redução da palatabilidade das dietas, como foi constatado em juvenis de bagre do canal (Ictalurus punctatus) (Webster et al., 1997); diminuição do consumo do alimento, pelos altos níveis de ácido fítico, em seabream (Spaurus aurata) (Kissil et al., 2000) e piora na conversão alimentar, em curimbatá (Galdioli et al., 2002) e em tilápia-do-nilo (Furuya et al., 1997).

A conversão alimentar aparente dos juvenis de pacu foi afetada (P<0,01) pela proporção mais elevada de canola na ração, embora não tenha sido influenciada pela presença ou ausência de farinha de peixe. Os peixes alimentados com a dieta com 38% de farelo de canola apresentaram conversão alimentar de 2,85, valor próximo aos encontrados por Soares et al. (2001) para juvenis de tilápia-do-nilo (entre 2,31 e 2,48), porém com níveis de inclusão mais altos (24 a 73%) do que os utilizados neste estudo. Os outros parâmetros avaliados, taxa de eficiência protéica e taxa de crescimento específico, somente foram afetados negativamente pelo nível de 38% de inclusão de canola na ração. De acordo com Davies et al. (1990), a taxa de eficiência protéica e a utilização líquida da proteína em tilápias alimentadas com dieta contendo 30% de farelo de canola não foram diferentes daquela do grupo controle, embora o crescimento fosse reduzido. Em bagres de canal, não se encontrou alteração na TEP até o nível de 36% de inclusão do farelo de canola, que foi significativamente reduzida com inclusão de 48% na dieta (Webster et al., 1997). Efeitos negativos do farelo de canola sobre a TEP não foram observados em alevinos de piavuçu, mesmo com a inclusão de 43% desse ingrediente nas dietas (Soares et al., 2001).

A análise de composição corporal dos peixes, no final do período experimental, revelou que as várias proporções de canola na dieta afetaram os teores de umidade, de proteína bruta e de lipídios nos peixes (Tab. 3). Não houve efeito significativo no estudo da interação uso de farinha de peixe versus proporção de farelo de canola, exceto para a composição de lipídios dos peixes, ao final do período. Observa-se uma relação inversa entre os teores de umidade e lipídios com a dieta contendo o teor mais elevado de farelo de canola, fato também relatado em relação a juvenis de perca (Booth e Allan, 2003). Juvenis de salmão chinook, alimentados com dietas, nas quais 23% da proteína dietária era constituída por farelo de canola, tiveram teor de umidade corporal significativamente menor do que aqueles dos grupos de peixes alimentados sem canola (Higgs et al., 1983). Nos pacus, alimentados com 38% de farelo canola na dieta, o teor de proteína bruta da carcaça foi ligeiramente menor, porém significativo (Tab. 3). Resultados semelhantes foram encontrados na carpa Labeo rohita, na qual a composição centesimal variou ligeiramente, após alimentação com dietas contendo farelo de canola e farinha de peixe (Khan et al., 2003). O desdobramento da interação farelo x canola (Tab. 4) demonstrou que a presença da farinha de peixe, nas dietas, teve efeito significativo somente em relação aos teores de lipídios corporais dos peixes alimentados com a dieta que continha 9,5% de farelo de canola, aumentando-o de 6,4% para 8,4%, respectivamente, para as dietas sem e com farinha de peixe. Alterações na composição corporal do bagre de canal, alimentado com diversos níveis de farelo da canola, também foram demonstradas (Webster et al., 1997). Contrariamente ao observado neste estudo, os autores relataram diminuição dos teores de umidade corporal, quando os peixes receberam dietas com 48% de farelo de canola, porém, como no presente trabalho, a presença da farinha de peixe na dieta aumentou o teor de lipídios corporais.

Na Tab. 4, mostra-se que, de alguma forma, somente quando o farelo de canola foi adicionado em 9,5%, é que a presença de farinha de peixe aumentou o teor de lipídios na carcaça (8,4%) dos juvenis de pacu. Dietas sem farinha de peixe proporcionaram níveis semelhantes de lipídios na carcaça, independentemente dos níveis de farelo de canola presente. O aumento de gordura corporal, proporcionado por dietas com o uso concomitante de farelo de canola (até 19%) e 12% de farinha de peixe, pode ser uma estratégia importante para os juvenis de pacu atravessarem o período de inverno, quando a ingestão de alimentos diminui consideravelmente.

 

CONCLUSÕES

A presença de farinha de peixe, associada ao farelo de canola não afetou o crescimento dos juvenis de pacu, porém a dieta com 38% de farelo de canola diminuiu significativamente o ganho de peso e a taxa de eficiência protéica, além de piorar a conversão alimentar aparente. A adição de até 19% de farelo de canola em dietas pode ser utilizada sem prejuízos para o crescimento do pacu nessa fase da criação.

 

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Recebido em 29 de fevereiro de 2008
Aceito em 10 de novembro de 2008

 

 

E-mail: emviegas@usp.br

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