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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.61 no.1 Belo Horizonte Feb. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352009000100008 

MEDICINA VETERINÁRIA

 

Fertilidade de éguas inseminadas no corpo ou no ápice do corno uterino com diferentes concentrações espermáticas

 

Fertility of mares inseminated in the uterine corpus or tip with different sperm concentrations

 

 

I.L.G.S. XavierI; J.M. Silva FilhoII,*; M.S. PalharesII; G.R. CarvalhoIII; A.M. BorgesII; R. RossiIV

IMédico veterinário autônomo
IIEscola de Veterinária - UFMG, Caixa Postal 567, 30123-970 - Belo Horizonte, MG
IIIDepartamento de Zootecnia - UFV - Viçosa, MG
IVAluna de pós-graduação - EV-UFMG - Belo Horizonte, MG

 

 


RESUMO

Foram utilizados 72 ciclos estrais de 37 éguas mestiças, com idade variando de quatro a 20 anos, distribuídas ao acaso em dois grupos experimentais (GI e GII) para estudar o efeito do local de deposição do sêmen no sistema genital sobre a fertilidade. As inseminações no ápice do corno uterino (GII) foram realizadas por via intravaginal profunda, utilizando-se a pipeta de inseminação IVI pippette (75cm), contendo 1/5 (3mL) da dose inseminante utilizada para o corpo do útero (15mL-GI). As éguas foram rufiadas diariamente e inseminadas às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir de um folículo de 3,0 a 3,5cm de diâmetro, com sêmen fresco diluído em diluidor de leite desnatado-glicose. Apenas um garanhão de 20 anos e de fertilidade conhecida foi utilizado. As taxas de concepção/ciclo para as inseminações realizadas no corpo (42,9%-15/35) e ápice do corno uterino (45,9%-17/37) com concentrações médias de 489 e 102 milhões de espermatozoides móveis, respectivamente, não foram diferentes (P>0,05).

Palavras-chave: égua, fertilidade, sêmen fresco, inseminação artificial


ABSTRACT

Seventy-two estral cycles of 37 mares, aging from four to 20-year-old, were randomly distributed in two experimental groups (GI and GII). The aim of the study was to evaluate the effect of the semen deposition placed in the female genital system on the fertility. The inseminations in uterine horn tip (GII) were carried out by deep intravaginal way, using the pipette of insemination IVI pippette (75cm), containing 1/5 (3mL) of the inseminant dose of that utilized in uterine body or horn (15mL-GI). The mares were daily teased and inseminated on Mondays, Wednesdays, and Fridays, starting from a follicle from 3.0 to 3.5cm diameter, with fresh semen diluted in skim milk glucose extender. Only one 20 year-old stallion with wellknown fertility was utilized. The conception rates/cycles for inseminations carried out in the uterine body (42,9%-15/35) and in the uterine horn tip (45,9%-17/37) utilizing average concentrations of 489 and 102 million of mobile spermatozoa, respectively, did not present difference (P>0.05).

Keywords: mare, fertility, fresh semen, artificial insemination


 

 

INTRODUÇÃO

Várias linhas de pesquisa em equinos têm gerado tecnologias capazes de reduzir o volume e a concentração da dose inseminante, por meio de mudanças do local de deposição do sêmen, permitindo a deposição dos espermatozóides próximos ao local da fecundação. Dessa forma, muitas técnicas e protocolos já foram descritos, incluindo a inseminação uterina profunda com pipeta flexível guiada por via transretal ou ultrassom (Buchanan et al., 2000), a inseminação intratubárica (Carnevale et al., 2001) e a inseminação histeroscópica com deposição do sêmen na papila uterina (Lindsey et al., 2002).

O emprego dessas técnicas de alto custo - o que dificulta a sua aplicabilidade - tem resultado em taxas de prenhez bastante variáveis. A deposição do sêmen no ápice do corno com a não exposição natural às secreções do lúmen uterino em tempo adequado, possivelmente, rompa algumas barreiras fisiológicas que poderiam contribuir para as taxas de prenhez ainda comercialmente inviáveis. Espera-se que a evolução dessas tecnologias seja benéfica para a eficiência do sêmen congelado e resulte em aumento potencial na fertilidade de garanhões idosos ou com subfertilidade adquirida e para a exploração do sêmen sexado (Morris e Allen, 2002). Mesmo assim, as grandes variações existentes entre animais e ejaculados dentro de um mesmo indivíduo constituem sério obstáculo para o avanço das técnicas de inseminação na espécie equina.

Alguns garanhões, após o auge do desempenho esportivo, chegam à senilidade com menor produção espermática diária, embora ainda haja grande demanda por doses de seu sêmen destinadas a programas reprodutivos. A criopreservação do sêmen fora da estação de monta poderia proporcionar doses inseminantes adicionais para uso durante o auge da estação de monta, quando maior quantidade de doses são solicitadas. Lamentavelmente, nem todos os garanhões produzem sêmen com boa congelabilidade, tornando a criopreservação inviável. Assim, a inseminação com baixa concentração espermática no ápice do corno uterino poderia solucionar, parcialmente, tal problema, por maximizar o número de doses produzidas por ejaculado (Weems e Byers, 2004).

O objetivo deste experimento foi avaliar o efeito do local de deposição do sêmen sobre a fertilidade de éguas, utilizando diferentes concentrações e volumes inseminantes, de forma a potencializar o número de doses produzidas por ejaculado de um garanhão de 20 anos de idade, com sêmen de baixa qualidade.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 72 ciclos estrais de 37 éguas mestiças, com idades de quatro a 20 anos, pertencentes a diferentes ordens de parto e duas categorias reprodutivas (éguas solteiras e potras). As éguas de faixa etária semelhante foram agrupadas e, em seguida, distribuídas ao acaso, por meio de sorteio, em dois grupos experimentais (I e II). As faixas etárias dos grupos I e II foram de 11,09±5,07 e de 11,62±4,76 anos, respectivamente, utilizando-se 35 e 37 ciclos, na mesma ordem de citação anterior. O tratamento I constituiu-se da inseminação convencional no corpo do útero com volume de 15mL de sêmen; no tratamento II, o sêmen foi depositado no ápice do corno uterino, com volume de 3mL, ipsilateral ao folículo dominante, por meio de pipeta flexível guiada via retal, correspondendo, dessa forma, a 1/5 da dose inseminante do tratamento I. Todas as éguas foram inseminadas em dias fixos, às segundas, quartas e sextas-feiras, de acordo com o manejo reprodutivo proposto por Silva Filho et al. (1993), utilizando sêmen fresco diluído em diluidor de leite desnatado-glicose, de apenas um garanhão.

De acordo com o proposto por Valle (1997), algumas características foram classificadas em: parâmetros de controle e parâmetros envolvendo resultados. Os parâmetros de controle referem-se aos que prestam informações sobre a homogeneidade dos tratamentos, sendo eles: número de ciclos, idade, número de ciclos/égua, número de IA/ciclo, volume de sêmen, volume de diluidor e tempo da colheita/IA. Os parâmetros de resultados, como o próprio nome os define, são os que prestam informações sobre os resultados reprodutivos obtidos a partir dos tratamentos efetuados, sendo eles: número de IA/ciclo positivo, número de IA/ciclo negativo, concentração espermática, número de ciclos/concepção, número de ciclos/égua gestante, taxa de concepção/ciclo, taxa de concepção total e eficiência de prenhez.

Visando obter maior eficiência na detecção de diferenças entre os grupos experimentais, análises de variância foram utilizadas para avaliar os resultados de fertilidade. Por se tratar de uma variável qualitativa, realizou-se a conversão dos dados em quantitativos, segundo proposta de Voss et al. (1975). Por esse método, atribuíram-se pontos a cada ciclo inseminado, da seguinte forma: dez pontos para a concepção no primeiro ciclo; oito para concepção no segundo ciclo; seis para o terceiro ciclo; quatro para o quarto ciclo e zero para os ciclos em que não houve concepção. Dessa forma, obteve-se um valor numérico médio para cada grupo experimental, denominado de eficiência de prenhez.

As seguintes características foram avaliadas quanto ao efeito do local de deposição do sêmen sobre a fertilidade de éguas: taxa de concepção ao primeiro ciclo, taxa de concepção/ciclo após cinco ciclos, taxa de concepção total, eficiência de prenhez, número de ciclos/concepção, número de ciclos/égua gestante, número de IA/ciclo, número de IA/ ciclo positivo e número de IA/ciclo negativo.

Como doador de sêmen, utilizou-se um garanhão da raça Brasileiro de Hipismo com 20 anos de idade e de alto valor genético. Antes do início da estação de monta, o animal foi submetido a exame andrológico, sendo feitas inspeção e palpação da genitália externa, bem como avaliação do comportamento sexual e das características físicas do sêmen.

Após o esgotamento das reservas espermáticas extragonádicas como recomendado por Pickett et al. (1987), foram realizadas várias colheitas de sêmen, devidamente submetidas a avaliações físicas e morfológicas. Apesar das colheitas sequenciadas, observou-se a manutenção de grande número de células mortas no ejaculado, além de rápida queda no vigor e na motilidade espermática (aproximadamente 15 minutos) tanto do sêmen fresco como do diluído (1:1), ao serem conservados à temperatura de 37 ºC, em banhomaria. Observou-se também grande sensibilidade das células espermáticas ao resfriamento a 5ºC, por seis a 12 horas, após diluição no diluidor de mínima contaminação, em container proposto por Palhares (1997). Há de se enfatizar uma grande diferença entre os ejaculados, notadamente quando os intervalos de colheitas ultrapassavam 48 horas. A redução dos intervalos (<48 horas) respondeu por melhor resistência espermática no sêmen diluído e mantido a 37ºC, em banho-maria.

Verificou-se produção de células móveis suficientes para inseminar, no máximo, oito éguas por ejaculado, dentro do preconizado pela literatura como dose inseminante ideal (400x106 espermatozoides móveis por dose inseminante), para inseminações no corpo do útero (Pickett et al., 1987), e observou-se queda sensível da qualidade espermática quando se aumentou o intervalo entre ejaculados. Com esta avaliação, foram propostas colheitas em dias alternados durante a semana (segundas, quartas e sextasfeiras), de acordo com as sugestões de Palhares (1997), Valle (1997), Brandão (2001) e Brandão (2003), além de uma colheita no sábado pela manhã, para manter a qualidade espermática durante a estação de monta. Estabeleceu-se, nesse momento, a dose a ser utilizada no ápice do corno uterino e admitiu-se que essa dose fosse suficiente para promover a concepção em função do quadro espermático apresentado pelo garanhão. Segundo Pace e Sullivan (1975), Demick et al. (1976), Voss et al. (1979) e Pickett et al. (1987), para inseminações no corpo do útero, o desafio seria em torno de 100 x 106 espermatozoides móveis por dose inseminante. Assim, decidiu-se que a concentração para o ápice do corno seria de 1/5 da utilizada no corpo do útero, e, então, estabeleceu-se que, após cada ejaculação, o sêmen seria diluído para um total de 120mL (diluidor mais sêmen) de forma a compor oito doses de 15mL. A dose inseminante no ápice do corno uterino, por representar 1/5 da dose utilizada no corpo do útero, foi fixada em um volume de 3mL.

Pretendeu-se, também, com a redução da dose inseminante para 1/5 da convencional, maximizar o número de doses produzidas por ejaculado, adequando-se as condições do experimento às características seminais de um garanhão senil de alto valor genético, na expectativa de uma boa eficiência reprodutiva.

Durante a estação de monta, o controle folicular diário obedeceu ao sistema métrico proposto por Greenhof e Kenney (1975), e o manejo reprodutivo baseou-se no descrito por Palhares (1987), com adaptações para atender aos objetivos do trabalho. Dessa forma, as éguas foram rufiadas individualmente e palpadas a cada três dias, até o início do cio e/ou da presença de um folículo de 2,0-2,5cm de diâmetro, em um dos ovários; a partir daí, as palpações retais e rufiações tornaram-se diárias até a ovulação.

Quando detectada a presença de folículo dominante com diâmetro de 3,0-3,5cm, as inseminações artificiais ocorreram às segundas, quartas e sextas-feiras, até a ovulação.

As inseminações no corpo do útero (T1) e no ápice do corno uterino (T2) foram realizadas por via intravaginal profunda utilizando-se a pipeta de inseminação (modelo Provar1) e a IVI pippette2 (75cm), respectivamente, esta última conduzida com o auxílio da palpação transretal.

Os dados proporcionais, número de ciclos/concepção, taxa de concepção/ciclo e taxa de concepção total, foram submetidos ao teste de quiquadrado para detecção de diferenças entre os tratamentos (Snedecor e Cochran, 1980).

Para comparação das médias da idade da égua, número de IA/ciclo, número de IA/ciclo positivo, número de IA/ciclo negativo, eficiência de prenhez, volume de sêmen, volume de diluidor, concentração espermática e tempo de colheita/IA, usou-se o teste Student-Newman-Keuls (SNK) ou o teste t quando se compararam apenas duas médias. Para o processamento das análises, utilizou-se o programa SÃS/1990.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As concentrações espermáticas médias trabalhadas foram de 489,68x106 e 102,88x106 espermatozoides móveis no corpo e ápice do corno uterino, respectivamente. As taxas de concepção/ciclo e concepção total não sofreram influência (P>0,05) do local de deposição do sêmen (Tab. 1 e 2).

O local de deposição do sêmen não exerceu efeito (P>0,05) sobre a fertilidade das éguas, resultando em taxa de concepção/ciclo de 45,9% (17/37) e 42,9% (15/35) para inseminações realizadas no ápice do corno uterino e corpo do útero, respectivamente. As taxas de concepção totais obtidas foram de 85,0% (17/20) e 83,3% (15/18), na mesma ordem anterior (P>0,05).

Resultados semelhantes, quanto às taxas de concepção/ciclo, foram observados por Weems e Byers (2004) - 44%, 48/117 -, ao utilizarem inseminações histeroscópicas com sêmen fresco e concentrações que variaram de 87 a 271x106 espermatozoides móveis. Quando concentrações menores que 150x106, entre 150 e 250x106, e maiores que 250x106 espermatozoides móveis foram utilizadas, as taxas de concepção/ciclo foram de 50% (27/54), 41% (48/117) e 50% (2/4), respectivamente, e não diferiram (P>0,05) da taxa de concepção encontrada para inseminações no corpo do útero (33% -59/158) com dose inseminante de 500x106 espermatozoides móveis. Assim, esses autores concluíram que o local de deposição do sêmen não influenciou a fertilidade das éguas.

Buchanan et al. (2000) observaram diferenças nas taxas de fertilidade de éguas inseminadas com sêmen fresco no ápice do corno uterino com pipeta flexível (P<0,05), em relação às inseminadas no corpo do útero. A taxa de fertilidade para as primeiras foi de 57% (12/21), com dose de 25x106 espermatozoides, enquanto as inseminações com 500x106 espermatozoides móveis no corpo do útero resultaram em 90% de fertilidade (18/20). Também Lindsey et al. (2002) e Sieme et al. (2004) afirmaram que, se a dose inseminante tiver entre 50 e 100x106 espermatozoides móveis, é improvável que as técnicas de inseminação que utilizam baixas doses inseminantes resultem em taxas de concepção maiores que as obtidas com inseminações no corpo do útero. No presente estudo, as doses inseminantes no ápice do corno uterino foram de 102,88x106 espermatozoides móveis, com variação de 57,48x106 a 146,52x106 espermatozoides móveis, o que, de certa forma, justifica a significância dos resultados (P>0,05) entre as duas técnicas de inseminação estudadas (Tab. 2).

Morris et al. (2000) e Rigby et al. (2000), ao utilizarem sêmen a fresco com doses de 5x106 espermatozoides móveis e inseminação por histeroscopia, obtiveram taxas de concepção/ciclo de 75% (7/10) e 62% (13/21), respectivamente. Apesar da extrema redução das concentrações usadas por esses pesquisadores, as taxas de concepção foram maiores que as obtidas neste estudo (45,9% - 17/37). Lyle e Ferrer (2005) consideraram que, se doses inseminantes menores que 5x106 espermatozoides forem utilizadas, melhores resultados serão obtidos com inseminação por histeroscopia, se comparados aos resultados de inseminação que utilizam pipeta com deposição do sêmen no ápice do corno uterino. Tal afirmativa não foi confirmada por Brinsko et al. (2003), ao compararem inseminações histeroscópicas com as que utilizaram pipetas e doses inseminantes de 5x106 espermatozoides móveis. Observaram fertilidade de 67% (12/18) e 56% (10/18), respectivamente, que não diferiram entre si (P>0,05).

Os parâmetros de controle experimental indicaram homogeneidade entre os tratamentos (P>0,05), para idade das éguas, número de IA/ciclo, intervalo IA/ovulação e intervalo coleta/IA. As diferenças (P<0,05) encontradas entre concentração espermática, volume de sêmen e diluidor já eram esperadas, em virtude de as diluições terem sido padronizadas com a metodologia adotada. Assim, resultaram, em volume de dose inseminante no ápice do corno uterino, cinco vezes menor (3mL) que a do corpo do útero (15mL) (Tab. 3).

Segundo Weems e Byers (2004), as baixas doses inseminantes utilizadas por meio da histeroscopia não aumentaram as taxas de fertilidade, embora maximizassem o número de doses produzidas/ejaculado por um garanhão de 24 anos. O mesmo foi observado no presente estudo, quando se trabalhou com garanhão de 20 anos. Dessa forma, pode-se indicar a inseminação no ápice do corno uterino com pipeta flexível na tentativa de reduzir custos e aumentar a aplicabilidade do uso de baixas doses inseminantes. Ainda, garanhões com baixa produção espermática diária, cujas células espermáticas não resistem aos processos de criopreservação, podem se beneficiar com a maximização das doses inseminantes, sem que haja desgaste adicional. Finalmente, observa-se que baixas concentrações espermáticas, quando utilizadas adequadamente (ápice do corno), proporcionam taxas de fertilidade semelhantes às obtidas pelos métodos convencionais de inseminação.

Torna-se importante salientar que, para cada garanhão, dever-se-ia determinar a dose inseminante mínima, comercialmente viável, em virtude da individualidade inerente a cada garanhão e à viabilidade espermática no sistema genital feminino (Katila, 2005).

 

CONCLUSÕES

O local de deposição do sêmen não exerceu efeito sobre a fertilidade, e a concentração média de 100x106 espermatozoides móveis por dose inseminante pode ser utilizada nas inseminações com sêmen fresco diluído no ápice do corno uterino sem que haja redução da taxa de fertilidade, maximizando, assim, o número de éguas inseminadas por ejaculado.

 

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Recebido em 14 de junho de 2008
Aceito em 15 de dezembro de 2008

 

 

* Autor para correspondência (corresponding author)
E-mail: monteiro@vet.ufmg.br
Apoio: FAPEMIG
1 Pipeta para inseminação artificial de éguas- Provar®
2 IVI Pippette- Minitub®

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