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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

versão impressa ISSN 0102-0935versão On-line ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.61 no.3 Belo Horizonte jun. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352009000300034 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Aspectos radiográficos de condrodistrofia felina

 

Radiographic aspects of feline chondrodystrophy

 

 

M.A.R. FelicianoI; C.A.L. LeiteII; W.R.R. VicenteIII; T. SilveiraIV

IAluno de pós-graduação - FCAV-UNESP - Jaboticabal, SP
IIDepartamento de Veterinária - UFLA - Lavras, MG
IIIFaculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - UNESP - Jaboticabal, SP
IVMédica veterinária autônoma - Lavras, MG

 

 


Palavras-chave: gato, condrodistrofia, radiologia


ABSTRACT

Congenital, hereditary, and developmental diseases are common in small animals radiology. Chondrodystrophy is characterized to osteoarticular angular deformities. The aim of this study is to relate a case of feline chondrodystrophy, alteration uncommon in this species. The animal presented bone alterations in limbs, without healthy commitment at clinical examination. At radiographic evaluation, bone angulation was altered in long bones with articulation enlargement. It was concluded that, even uncommon in felines, chondrodystrophy may be an incidental radiographic finding, but with importance to epidemiologic aspect of this disease.

Keywords: cat, chondrodystrophy, radiology


 

 

Segundo Burk e Ackerman (1996), as afecções osteoarticulares congênitas, hereditárias e do desenvolvimento são comuns na rotina clínica e radiológica em cães, porém são consideradas incomuns em felinos. Para Jesyk (1985), a maioria das anomalias conformacionais é oriunda de interações genéticas autossômicas dominantes com expressividade bastante variável.

Como citado por Johnson e Watson (2004), o crescimento ósseo ocorre principalmente por ossificação endocondral, porém, de forma secundária, há também crescimento aposicional. Dessa forma, a condrodistrofia é uma condição na qual a cartilagem epifisária dos ossos longos ossifica prematuramente e, consequentemente, os membros param o crescimento antes da maturidade (Chia-Hung et al., 2007). Este abrandamento do crescimento afeta a ulna antes do rádio e esta falta de sincronização resulta no encurvamento da articulação do cotovelo. Além dos membros encurtados, as raças condrodistróficas, frequentemente, apresentam o canal vertebral mais estreito. Pedersen et al. (2004) descreveram também que a estrutura das superfícies articulares varia bastante em animais condrodistróficos. Esta afecção óssea predispõe à doença articular degenerativa. Estudos, em 1964, postularam que a curvatura dos membros é proporcional ao grau de condrodistrofia e está relacionada à ocorrência de calcificação de discos intervertebrais (Lappalainen et al., 2001).

Em cães, é comum em raças como Basset Hound, Pequinês, Pug e Teckel, e altamente indesejável no Malamute do Alasca e no Pastor Alemão (Pedersen et al., 2004), não havendo diferenças significativas entre os machos e as fêmeas na ocorrência de condrodistrofia (Lamoreux, 1942). Como é incomum nos gatos, não há relatos de raças mais acometidas.

O diagnóstico dessas afecções é importante para o controle dos cruzamentos, seja por parte de veterinários ou de criadores. Essas alterações, geralmente, consistem em achados radiográficos ocasionais ou deformidades e anomalias sem demais consequências clínicas para o animal (Burk e Ackerman, 1996). De acordo com Schwarz (2003), o único sinal clínico evidente é a claudicação persistente ou intermitente. O exame físico e a observação do tamanho, conformação e locomoção são complementados pelos exames de imagem e também por análises séricas e histopatológicas. Os métodos de diagnóstico por imagem, além de não invasivos, permitem a avaliação do esqueleto sem afetar o crescimento e o desenvolvimento (Brawner, 1998).

A condrodistrofia, ao exame radiográfico, caracteriza-se por deformidades angulares osteoarticulares, podendo ocorrer também encurtamento do membro devido à hipoplasia dos ossos (Johnson e Watson, 2004). O objetivo deste trabalho foi relatar os aspectos radiográficos de um caso de condrodistrofia felina, alteração osteoarticular incomum nesta espécie.

Uma gata, sem raça definida, foi levada ao hospital veterinário, para realização de ovario-histerectomia eletiva. Ao exame físico, verificou-se que o animal apresentava deformidade em todos os membros, mas não foi notada qualquer sintomatologia clínica que comprometesse a vida do animal.

Por meio do exame radiográfico dos membros anteriores e posteriores, nas projeções mediolateral e craniocaudal, visualizou-se alteração na angulação óssea de úmero, rádio, ulna, carpo, metacarpo, fêmur, tíbia, fíbula, tarso e metatarso. Pôde-se visualizar também um alargamento das articulações relacionadas às estruturas ósseas dos membros (Fig. 1 e 2).

 

 

 

 

Johnson e Watson (2004) e Pedersen et al. (2004) descrevem que os sinais radiográficos que caracterizam a condrodistrofia são as deformidades angulares das articulações, em suas diversas apresentações. Também é possível observar ossos menores e malformados em relação ao membro contralateral. Dessa forma, em analogia à espécie canina, foi possível observar alterações compatíveis com condrodistrofia, o que sugere a ocorrência desta em felinos.

Concluiu-se que, mesmo sendo incomum em felinos, a condrodistrofia pode ser um achado radiográfico incidental, mas de grande importância para o aspecto epidemiológico da doença.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em 10 de março de 2008
Aceito em 4 de fevereiro de 2009

 

 

E-mail: marcusfeliciano@yahoo.com.br

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