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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.61 no.5 Belo Horizonte Oct. 2009

https://doi.org/10.1590/S0102-09352009000500012 

ZOOTECNIA E TECNOLOGIA E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

 

Exigência de fósforo disponível para suínos machos castrados selecionados para deposição de carne magra, dos 30 aos 60kg

 

Available phosphorus requirement of barrows from 30 to 60kg selected for high lean deposition

 

 

C.L.C. AroucaI; D.O. FontesII,*; F.C.O. SilvaIII; W.M. FerreiraI; M.A. SilvaII; T.Z.B. Vidal1; G.S.S. CorrêaIV; E. PaulaV

IAluno de pós-graduação – EV-UFMG – Belo Horizonte, MG
IIEscola de Veterinária – UFMG Caixa Postal 567 Belo Horizonte, MG
IIIEPAMIG – Viçosa, MG
IVDepartamento de Zootecnia – UFMT – Cuiaba, MT
VAluno de pós-graduação – UFV – Viçosa, MG

 

 


RESUMO

Realizou-se um experimento para determinar a exigência de fósforo disponível para suínos machos castrados (Agroceres-Pic) utilizando-se 60 animais, distribuídos em delineamento experimental de blocos ao acaso, com cinco tratamentos -0,1; 0,2; 0,3; 0,4 e 0,5% de fósforo disponível, seis repetições e dois animais por unidade experimental. Os animais foram sangrados por punção do plexo venoso orbitário aos 21 dias e ao final do experimento, em jejum, para obtenção dos valores da atividade da fosfatase alcalina no soro (AFAS) e fósforo no soro. Observou-se efeito quadrático dos níveis de fósforo disponível sobre o ganho de peso diário, consumo diário de ração, fósforo no soro aos 21 dias, fósforo no soro ao final do experimento e conversão alimentar, que melhorou até o nível de 0,39% de fósforo disponível. Houve efeito linear sobre o consumo diário de fósforo, AFAS aos 21 dias e AFAS ao final do experimento. Concluiu-se que a exigência de fósforo disponível para suínos machos castrados selecionados para deposição de carne magra na carcaça, de 30 a 60kg, é de 0,39%, correspondendo ao consumo de 9,11g/dia.

Palavras-chave: suíno, exigência nutricional, fósforo, recria, desempenho


ABSTRACT

An experiment was carried to determine available phosphorus requirement of crossbred barrows (Agroceres-Pic), using 60 animals in a completely randomized block design with five dietary treatments - 0.1; 0.2; 0.3; 0.4; and 0.5% of available phosphorus, six replicates, and two animals per experimental unit. On the 21st day of the experiment and at its end, blood samples were collected from orbital plexus of fasting animals to analyze and register alkaline phosphatase and serum phosphorus values. Quadratic effect of available phosphorus level on average daily gain, daily feed intake, serum phosphorus on the 21st day of the experiment, serum phosphorus at the end of the experiment, and feed conversion ratio were observed. Minimum feed conversion ratio was estimated for animals fed diets containing 0.39% available phosphorus. There was a linear effect of available phosphorus level on daily phosphorus intake, alkaline phosphatase on the 21st day and alkaline phosphatase at the end of the experiment. Dietary available phosphorus requirement for 30 to 60kg high lean barrows was 0.39%, which corresponds to an available phosphorus intake of 9.11g/day.

Keywords: swine, requirement, phosphorus, growth, performance


 

 

INTRODUÇÃO

O estudo do fósforo na nutrição animal exige atenção especial por parte dos nutricionistas, pois, dos minerais que normalmente são suplementados nas rações de suínos, o fósforo é o que possui o maior número de funções no organismo animal. Uma vez que o fósforo exerce funções vitais no metabolismo animal, é essencial que esteja em nível adequado nas dietas, atendendo às exigências do animal, de modo a promover crescimento rápido e eficiente, além de adequado desenvolvimento dos ossos e dentes (Teixeira et al., 2005).

As exigências nutricionais e a composição óssea devem manter a relação Ca: P próxima de 2:1, considerada ótima fisiologicamente, sob o ponto de vista nutricional e metabólico, bem como da mineralização óssea (Veloso et al., 2000).

Para satisfazer a demanda do mercado consumidor, as empresas de melhoramento genético têm se preocupado em produzir linhagens sintéticas visando ao incremento da produção de carne em detrimento da produção de gordura (Arouca et al., 2004). Em razão disso, as exigências de fósforo de suínos machos castrados geneticamente superiores para deposição de carne magra na carcaça podem ser mais altas do que aquelas utilizadas atualmente, visto que os resultados de pesquisa disponíveis no país não são recentes e foram obtidos com animais de baixo potencial genético, que não representam mais o rebanho tecnificado nacional. Assim, o objetivo deste trabalho foi determinar as exigências de fósforo disponível de suínos machos castrados de alto potencial genético para deposição de carne magra na carcaça, dos 30 aos 60kg.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado durante os meses de maio e junho de 2007. Foram utilizados 60 animais, machos, castrados, híbridos comerciais (Agroceres-Pic), selecionados geneticamente para elevada porcentagem de carne magra na carcaça, com média de peso inicial de 29,03±1,46kg e média de peso final de 62,90±4,52kg, distribuídos em um delineamento experimental de blocos ao acaso, com cinco tratamentos (níveis de fósforo disponível), seis repetições e dois animais por unidade experimental. Os blocos foram formados no tempo e na distribuição dos animais, dentro de cada bloco, adotando-se como critério o peso inicial. Os animais foram alojados em baias contendo comedouros semiautomáticos e bebedouros pendulares tipo chupeta, dispunham de uma área de 1,87m2/animal.

As rações experimentais foram produzidas a partir de uma ração base (T1), sem adição de fosfato bicálcico, composta de milho e farelo de soja, suplementada com minerais, vitaminas e aminoácidos, contendo 18,25% de proteína bruta, 3230 kcal/kg de energia metabolizável e 0,103% de fósforo disponível (Pd), formulada de modo a atender as recomendações nutricionais mínimas sugeridas por Rostagno et al. (2005), exceto para o Pd. As rações correspondentes aos tratamentos experimentais caracterizavam-se pela suplementação da dieta base com quatro níveis de fosfato bicálcico (0,523; 1,064; 1,604; e 2,145%), em substituição ao caulim e ao calcário calcítico, resultando em rações experimentais com 0,103; 0,200; 0,300; 0,400 e 0,500% de Pd (Tab. 1), todas isoproteicas, isoenergéticas e isocálcicas. A água e as rações foram fornecidas à vontade durante todo o período experimental, em quatro arraçoamentos diários. Foram feitas pesagens periódicas das rações fornecidas e das sobras das rações experimentais, enquanto os animais foram pesados, individualmente, no início, aos 21 dias e ao final do experimento, quando foi determinado o ganho de peso diário (GPD), a conversão alimentar (CA), o consumo de ração diário (CRD) e o consumo de fósforo diário (CFD).

 

 

Aos 21 dias de experimento, todos os animais foram submetidos a um jejum de ração por 12 horas, seguido de uma hora de arraçoamento à vontade. Logo após, foram submetidos a um novo jejum alimentar e hídrico por quatro horas, quando, então, foram sangrados por punção do plexo venoso orbitário, ao atingirem o peso de 46,79±3,34kg aos 21 dias, para obtenção do soro. Após o término do experimento, os animais foram submetidos aos procedimentos de jejum, coleta de sangue e separação do soro de maneira semelhante aos realizados aos 21 dias, quando atingiram o peso final em jejum de 60,24±5,31kg. O soro foi enviado ao laboratório, para análise da atividade da fosfatase alcalina (AFAS) e fósforo no soro. As análises foram realizadas por meio de kits de determinação de AFAS e fósforo no soro do laboratório Synermed. A AFAS foi obtida pelo método enzimático UV (AMP-IFCC), descrito por Bowers e McComb (1966), e o fósforo pelo método IR colorimétrico/catalizado (fosfomolibdato/PVP), ambos determinados em espectrofotômetro (405nm e 600-700nm, respectivamente).

Os dados de desempenho e parâmetros sanguíneos foram submetidos à análise de variância utilizando-se o pacote estatístico computacional SAEG (Sistema..., 2007). Com base nos resultados, estimou-se a exigência de Pd utilizando-se os modelos de regressão linear e ou quadrático, de acordo com o melhor ajuste obtido para cada variável e levando-se em consideração o comportamento biológico de cada animal.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As temperaturas médias mínimas e máximas verificadas no período, no interior do galpão, foram, respectivamente, 12,38±2,54 e 29,05±2,48ºC, a um metro de altura e 13,76±2,20 e 24,02±1,40ºC, na altura dos animais. Os valores médios mínimos e máximos de umidade relativa foram de 47,45±6,92 e 70,19±11,46. Os resultados de ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e consumo de fósforo disponível encontram-se na Tab. 2. Observou-se efeito quadrático (P<0,01) dos níveis de Pd da ração sobre o GPD (Fig. 1), que aumentou até o nível de 0,42% de Pd (0,130%/Mcal de EM), correspondendo ao consumo de fósforo de 9,82g/dia. Este resultado é semelhante ao obtido por Ekpe et al. (2002), que, ao avaliarem níveis de fósforo digestível para suínos híbridos, machos castrados e fêmeas, de 23 a 60kg, observaram efeito quadrático dos tratamentos sobre o GPD dos animais. Stahly et al. (2000) observaram efeito quadrático dos níveis de Pd sobre o GPD de suínos com alto potencial de deposição de carne magra, dos 37 aos 65kg, e Combs et al. (1991), ao avaliarem o efeito de diferentes níveis de cálcio e fósforo para suínos mestiços, entre 35 e 60kg, verificaram efeitos linear e quadrático sobre o GPD dos animais. Saraiva (2007) observou efeito linear dos níveis de Pd  (0,115 a 0,435%) sobre o GPD de leitoas com alto potencial de deposição de carne, na fase de crescimento, relatando, contudo, que o modelo Linear Response Plateau (LRP) ajustou-se melhor aos dados obtidos. Contudo, Hastad et al. (2004), ao trabalharem com leitoas dos 33 aos 55kg, não observaram efeito do nível de Pd sobre o GPD dos animais. O GPD médio obtido neste estudo (1025g/dia) é 19,6% mais alto que o valor de 857g/d, preconizado pela empresa de melhoramento genético1 para o cruzamento AGPIC 337 TG Elite X Camborough 23, na fase de recria. Este valor está próximo aos valores médios de 944 e 950g/dia, obtidos, respectivamente, por Stahly et al. (2000) e Saraiva. (2007), e acima dos observados por Ekpe et al. (2002) e Hastad et al. (2004), respectivamente, 863 e 729g/dia.

 

 

 

 

Houve efeito quadrático dos tratamentos sobre o CRD (Fig. 2), que aumentou até o nível de 0,43% de Pd (0,132%/Mcal de EM), o que corresponde ao consumo diário de 10,02g de fósforo. Resultado semelhante foi observado por Ekpe et al. (2002), que relataram efeito quadrático dos níveis de fósforo digestível sobre o CRD. Stahly et al. (2000) observaram efeito linear sobre o CRD, e Combs et al. (1991) verificaram efeitos linear e quadrático sobre o consumo de ração diário dos animais.

 

 

Hastad et al. (2004) e Saraiva (2007) não observaram efeito dos tratamentos sobre o CRD dos animais, na fase de recria. O CRD médio (2212g/dia) obtido neste estudo é semelhante ao valor de 2187g/dia, obtido por Stahly et al. (2000). Este valor é mais elevado que o de 1950g/dia, previsto pela empresa de melhoramento genético1 para o cruzamento AGPIC 337 TG Elite X Camborough 23, dos 30 aos 60kg, assim como os valores de 2126 e 2134g/dia, obtidos por Hastad et al. (2004) e Saraiva (2007), respectivamente. Ekpe et al. (2002) relataram valor de 2350g/dia, mais alto que o obtido neste estudo, ao trabalharem com animais de baixo potencial genético. Segundo Friesen et al. (1994), machos castrados em fase de crescimento e com alta capacidade de deposição de carne na carcaça consomem menos alimento e são mais eficientes, o que explicaria a alta exigência de fósforo desse grupo genético. Hahn et al. (1995) citaram que a ingestão de lisina total exigida pelo suíno está relacionada ao apetite ou ao potencial de ingestão de alimento, à taxa de deposição de carne magra e à eficiência de deposição. Do mesmo modo, a ingestão de fósforo exigida pelos animais também é influenciada por esses fatores, o que poderia explicar as diferenças observadas entre os diversos trabalhos de pesquisa.

Observou-se efeito quadrático (P<0,05) dos níveis de Pd sobre a CA (Fig. 3). Houve melhora até o nível de 0,39% de Pd (0,121%/Mcal de EM), correspondendo ao consumo estimado de 9,11g/dia de fósforo. Stahly et al. (2000) e Ekpe et al. (2002), relataram resultados semelhantes, isto é, efeito quadrático dos tratamentos sobre a CA. Saraiva (2007) relatou efeito linear dos níveis de Pd sobre a CA e verificou que o modelo LRP foi o que melhor se ajustou aos dados obtidos. Combs et al. (1991) e Hastad et al. (2004) não observaram efeito dos tratamentos sobre a eficiência alimentar. O nível de Pd (0,39%) obtido é 69,6% superior ao preconizado pelo NRC (Nutrient... 1998) para suínos machos castrados de 20 a 50kg (0,23% de Pd) e 17,5% mais elevado que o sugerido por Rostagno et al. (2005), que é de 0,332% para suínos machos castrados de alto potencial genético com desempenho superior, dos 30 aos 50kg. Esse nível de Pd, que propiciou os melhores resultados de conversão alimentar, também é mais elevado que os valores encontrados por Stahly et al. (2000) e Ekpe et al. (2002), que encontraram, respectivamente, 0,29%; 0,26% e 0,32% de Pd para suínos machos castrados e fêmeas. Hastad et al. (2004) e Saraiva (2007) relataram valores de 0,22% e 0,364%, respectivamente.

 

 

O valor obtido neste trabalho confirma que suínos de elevado potencial para deposição de tecido magro necessitam de maior quantidade de fósforo na dieta para expressar sua maior eficiência produtiva, pois respondem bem ao aumento do nível de fósforo da ração. De acordo com Ekpe et al. (2002), as diferenças nas exigências de fósforo entre os diversos estudos podem ser atribuídas às diferenças nos ingredientes das dietas, nos fatores genéticos, no estado fisiológico, na idade ou na taxa de crescimento dos suínos, o que poderia explicar a maior exigência encontrada no presente estudo, uma vez que a taxa de crescimento obtida foi superior aos demais trabalhos de pesquisa e tabelas de exigências. Temperatura ambiente, densidade populacional e incidência de doenças também podem alterar a ingestão de alimento e o potencial de crescimento em carne magra e, consequentemente, a quantidade de fósforo exigida pelos animais, além do sexo, critério de resposta, sistema de alimentação e método estatístico usado para estimar a exigência.

O valor de exigência expresso em gramas de Pd (9,11 g/dia) obtido neste trabalho é mais alto que os resultados obtidos por Stahly et al. (2000), Hastad et al. (2004) e Saraiva (2007), respectivamente, 5,6; 3,3 e 7,77g/d. Este valor é 113,3% mais elevado que o preconizado pelo NRC (Nutrient..., 1998), que é de 4,27g/d e 47,4% maior que o sugerido por Rostagno et al. (2005), 6,18g/d de Pd, indicando que as exigências de nutrientes deveriam ser expressas na base de gramas ingeridas por dia para otimizar o desempenho e a qualidade de carcaça. De acordo com Kessler (2001), a conversão alimentar é altamente correlacionada com variáveis que representam o ganho de tecido magro e, por isso, persiste como medida de desempenho, sendo usada como a principal referência para avaliar a eficiência de sistemas de produção de suínos.

A relação Ca:P total correspondeu a 1,06:1 no nível de fósforo que propiciou o melhor resultado de conversão alimentar. Este valor é mais baixo que o valor de 1,1:1 obtido por Combs et al. (1991) e Hastad et al. (2004). É, também, menor que o de 1,2:1 preconizado pelo NRC (Nutrient..., 1998) e por Rostagno et al. (2005). A relação Ca:P disponível obtida foi de 1,62:1, resultado mais baixo que os 2,3:1 e 2,01:1 obtidos, respectivamente, por Stahly et al. (2000) e Saraiva (2007). Esse valor é inferior ao de 2,61:1 sugerido pelo NRC (Nutrient..., 1998) e ao de 1,9:1 indicado por Rostagno et al. (2005). Segundo Stahly et al. (2000), a quantidade de fósforo acumulada no organismo é dependente do tipo de tecido corporal depositado. Tecidos proteicos (ossos e músculos) contêm significantes quantidades de fósforo, e tecidos adiposos possuem estoques mínimos de fósforo. Assim, a quantidade de fósforo disponível necessária para manter o crescimento corporal seria maior proporcionalmente ao aumento do conteúdo corporal dos tecidos proteicos em relação aos tecidos adiposos, indicando maior exigência de fósforo de animais selecionados geneticamente para alta deposição de carne magra na carcaça em relação a grupos genéticos inferiores.

O CFD elevou-se de modo linear (P<0,01) com o aumento dos níveis de Pd da ração segundo a equação Ŷ = - 0,535008 + 24,6719X (R2 = 1,00). Como foi observado aumento do CRD em função dos níveis de Pd, pode-se concluir que o aumento do consumo de Pd ocorreu em função do aumento do nível de Pd da ração, associado ao aumento do CRD. Este resultado assemelha-se ao de Stahly et al. (2000), que observaram efeito linear dos tratamentos sobre a ingestão diária de fósforo disponível, dos 37 aos 65kg.

Os resultados de atividade da fosfatase alcalina no soro (AFAS) e fósforo no soro aos 21 dias e ao final do experimento encontram-se na Tab. 3.

 

 

O aumento dos níveis de Pd da ração afetou linearmente (P=0,054) os valores da AFAS aos 21 dias de experimento, segundo a equação Ŷ = 365,400 - 184,167X (R2 = 0,81). Resultado semelhante foi relatado por Koch e Mahan (1985), que observaram declínio linear da AFAS aos 21 dias, em relação ao aumento de fósforo na dieta de suínos, dos 18 aos 35kg.

Observou-se efeito linear (P<0,05) dos níveis de Pd sobre os valores da AFAS ao final do experimento, de acordo com a equação Ŷ = 288,358 - 151,917X (R2 = 0,79). A relação observada entre os valores de AFAS e os níveis de Pd adicionados à ração foi inversamente proporcional, em concordância com os padrões fisiológicos normais e com os resultados obtidos por Boyd et al. (1983), que relataram decréscimo linear nos valores de fosfatase alcalina no plasma com o aumento do fósforo da dieta de suínos mestiços, dos 17 aos 31kg. Koch e Mahan (1985) também observaram declínio da AFAS ao final do experimento em função do aumento de fósforo da dieta, mas alertaram para a falta de linearidade na regressão, a qual apresentou comportamento quadrático. Os pontos de AFAS obtidos por Furtado (1991) não foram lineares, impedindo a obtenção de uma curva padrão adequada, ao avaliarem a biodisponibilidade de fósforo para suínos mestiços na fase de crescimento. Nimmo et al. (1981) não observaram efeito dos níveis de cálcio (Ca) e fósforo (P) sobre a AFAS de leitoas mestiças, dos 7 aos 93kg.

O valor de R2 decresceu com o avançar do período (R2 = 0,81 aos 21d e R2 = 0,79 ao final), indicando uma relação mais pobre ao final do período experimental, consistente com o relatado por Boyd et al. (1983). Do mesmo modo, os valores de AFAS no presente estudo decresceram com o avançar do experimento (310U/L aos 21 dias e 242U/L ao final do experimento), semelhante ao obtido por Santos (1983), ao relatar que os valores dessa enzima foram altos nos animais jovens e diminuíram de modo inversamente proporcional à idade.

Boyd et al. (1983) relataram que a AFAS, que tanto pode ser medida no soro quanto no plasma, é inversamente proporcional ao nível de P da dieta, constituindo um parâmetro potencialmente útil na determinação da biodisponibilidade de P para suínos.

Houve efeito quadrático dos tratamentos (P<0,01) sobre os valores de fósforo no soro aos 21 dias de experimento, o qual aumentou até o nível de 0,40% de Pd, segundo a equação Ŷ = 4,99667 + 27,9988X - 35,1786X2 (R2 = 0,84). Koch e Mahan (1985) observaram aumento linear do fósforo no soro aos 21 dias de experimento, em função do aumento de fósforo da dieta.

Os níveis de Pd da ração afetaram quadraticamente (P<0,01) os valores de fósforo no soro ao final do experimento, os quais aumentaram até o nível de 0,40% de Pd (Fig. 4). Resultado semelhante foi encontrado por Ekpe et al. (2002), que relataram aumento quadrático do fósforo no plasma, utilizando machos castrados, de 23 a 60kg. Reinhart e Mahan (1986) observaram aumento linear do fósforo inorgânico no soro, ao final do experimento (42 dias), em função do aumento do nível de fósforo, e diminuição linear em função do aumento da relação Ca:P da dieta, para suínos machos castrados e fêmeas, dos 20 aos 47kg. Nimmo et al. (1981), ao avaliarem o efeito dos níveis de Ca e P para fêmeas mestiças, dos 7 aos 92kg, e Koch e Mahan (1985), ao estudarem o efeito de níveis de P e a relação Ca e P para suínos dos 18 aos 35kg sobre o P no soro ao final do experimento, relataram aumento linear dos valores de P no soro. Ao contrário dos demais resultados, Kornegay et al. (1981) observaram diminuição linear da concentração de P no soro com o aumento dos níveis de Ca e P da dieta de varrões mestiços, dos 21 aos 50kg. Os valores de P no soro obtidos neste trabalho decresceram com o avançar do período experimental (9,52µg/dL aos 21 dias e 8,44µg/dL ao final do experimento), semelhante ao relatado por Nimmo et al. (1981).

 

 

Os resultados indicam que os valores de P no soro constituem um parâmetro confiável para se estimar a exigência de fósforo na fase de crescimento, visto que os valores aos 21 dias e ao final do experimento são semelhantes (0,40%), além do alto valor de R2 (0,95) ao final do experimento, sugerindo alta relação entre os níveis dietéticos de Pd e os valores de P no soro.

 

CONCLUSÕES

suínos machos castrados híbridos comerciais, selecionados geneticamente para deposição de carne magra na carcaça, dos 30 aos 60kg, exigem 0,39% de Pd (0,121%/Mcal de EM), correspondendo a um consumo estimado de 9,11 g/dia de fósforo, para melhores resultados de conversão alimentar. A determinação dos valores de fósforo no soro é um parâmetro adequado para se estimar a exigência de Pd de suínos na fase de recria.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em 26 de março de 2008
Aceito em 1 de setembro de 2009

 

 

* Autor para correspondência (corresponding author)
E-mail: dalton@vet.ufmg.br

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