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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.65 no.1 Belo Horizonte Feb. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352013000100032 

ZOOTECNIA E TECNOLOGIA E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

 

Levedura de cana-de-açúcar spray dry na alimentação de suínos na fase de crescimento e terminação

 

Sugar cane spray dry yeast on growing and finishing pigs feeding

 

 

A.R. Poveda-ParraI; I. MoreiraII; A.C. FurlanII; G.C. OliveiraII; P.L.O. CarvalhoII; J.B. ToledoII

IUniversidad Nacional de Colombia - Medellín - Antioquia - Colombia
IIUniversidade Estadual de Maringá - Maringá, PR

 

 


RESUMO

Foi estudado o valor nutricional (digestibilidade total e ileal) de duas leveduras spray dry (cana-de-açúcar – LEV35 e cerveja+cana-de-açúcar – LEV40) e o efeito da sua inclusão em rações para suínos na fase de crescimento e terminação. Os valores de ED (kcal/kg) da LEV35 e da LEV40 foram 3.496 e 3.901 e EM (kcal/kg) foram 3.475 e 3.862, respectivamente. Os valores de lisina, metionina+cistina e treonina digestível para a levedura de cana-de-açúcar e da levedura de cerveja+cana-de-açúcar são 2,66 e 2,64, 1,11 e 1,03, 1,95 e 1,92, respectivamente. No desempenho foram utilizados 40 suínos com peso inicial de 34,39± 7,57kg (crescimento) e de 62,45± 5,68kg (terminação), distribuídos em delineamento inteiramente casualizado com cinco níveis de inclusão (0, 5, 10, 15 e20%) da LEV35. Na fase de crescimento, houve piora do GDP e da CA com o aumento da inclusão. Na fase de terminação, porém, houve efeito quadrático para o CDR, sendo o melhor nível 3.32%. Da mesma forma, ocorreu piora linear para o GDP, CA, peso de carcaça quente, rendimento de carcaça fria e peso de pernil. Os resultados sugerem que a adição de níveis crescentes da LEV35 pode prejudicar o desempenho dos suínos.

Palavras-chave: Aminoácidos digestíveis, cânula ileal, levedura de cerveja, subproduto, valor nutricional


ABSTRACT

The nutritional value of two spray dry yeast (sugar cane – SCYSD and brewer+sugar cane – BYSD) and their inclusion effects on growing and finishing pigs feeding was studied. The DE (kcal/kg) values for SCYSD and BYSD were 3.496 and 3.901 and for ME (kcal/kg) they were 3.475 and 3.862. The values of digestible lysine, methionine+cistine and threonine for SCYSD and BYSD were: 2.66 and 2.64%; 1.11 and 1.03%: 1.95 and 1.92%. 40 pigs with initial weight of 34.39±7.57kg (growing) and 62.45±5.68kg (finishing), allotted in a completely randomized design with five levels of SCYSD inclusion were used in the performance assay. In the growing phase, there was an impairing on DWG and F:G, however, in the finishing phase, DFI presented a quadratic effect, being 3.32% the best level and linear reduction of DWG, F:G, slaughter weight, hot carcass weight, cold carcass yield and ham weight. The results suggest that increasing levels of SCYSD may impair the performance of growing and finishing pigs.

Keywords: Brewer yeast, by-product, digestible amino acids, ileal canula, nutritional value


 

 

INTRODUÇÃO

As frequentes oscilações nos preços dos cereais e suplementos proteicos vegetais utilizados na alimentação dos animais domésticos têm aumentado o interesse pelo uso de diferentes ingredientes provenientes da agroindústria vegetal e animal (Ferreira et al., 1997; Faria et al., 2000).

No processo de produção de álcool se obtém a levedura que depois de seca resulta na levedura seca de cana com 36,7% de proteína bruta (PB). Por outro lado, a indústria cervejeira disponibiliza a levedura de cerveja com 42,6% de PB (Rostagno et al., 2005). Atualmente, o mercado paranaense disponibiliza uma nova levedura, produzida a partir da mistura desses dois subprodutos, a qual possui 40% de PB. As leveduras são consideradas importantes suplementos proteicos em virtude do alto conteúdo de lisina. Portanto, quando utilizadas com alimentos ricos em aminoácidos sulfurados, permitem adequadas formulações de dietas (Barbosa et al., 2007).

A levedura seca tem sido objeto de muitos estudos zootécnicos na busca de obter a melhor forma de utilização na ração e seus efeitos na dieta do animal (Halász e Lásztity, 1991). Um dos fatores mais importantes para avaliar a qualidade da dieta e a resposta produtiva dos animais é realizar a digestibilidade dos aminoácidos determinada através de amostras do conteúdo ileal (Cervantes-Ramírez et al., 2000), o que otimizaria o uso de matérias-primas de alto custo e ainda facilitaria a substituição do milho e do farelo de soja por ingredientes alternativos (Sakomura e Rostagno, 2007).

Assim, objetivou-se com este trabalho estudar o valor nutricional de duas leveduras spray dry (cana-de-açúcar - LEV35 e cerveja+cana-de-açúcar - LEV40) e sua utilização em rações de suínos na fase de crescimento e terminação.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os experimentos foram realizados no Setor de Suinocultura da Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI), pertencente ao Centro de Ciências Agrárias da Universidade Estadual de Maringá (CCA/UEM), localizada no estado do Paraná (23º21'S, 52º04'W, a uma altitude de 564 metros). Os alimentos estudados foram duas leveduras spray dry (cana-de-açúcar - LEV35 e cerveja+cana-de-açúcar - LEV40) disponíveis na agroindústria paranaense.

No ensaio de digestibilidade total foram utilizados 15 suínos machos castrados, híbridos comerciais, com 55,83± 6,36kg de peso vivo inicial, distribuídos individualmente em gaiolas de metabolismo, em sala com temperatura controlada (21ºC), em um delineamento inteiramente casualizado, com três tratamentos, cinco repetições, e um suíno por unidade experimental. O período experimental teve duração de 12 dias, sendo sete dias de adaptação e cinco dias de coleta total de fezes e urina.

A ração referência, composta por milho (72,9%) e farelo de soja (24,4%), foi formulada para atender às exigências do NRC (National..., 1998). As leveduras spray dry substituíram, com base na matéria seca, 25% da ração referência. O fornecimento das dietas e a coleta de fezes e urina foram realizados de acordo com Sakomura e Rostagno (2007).

As análises dos alimentos e das fezes foram realizadas segundo os procedimentos descritos por Silva e Queiroz (2002). Os valores de energia bruta dos alimentos e das fezes foram determinados por meio de calorímetro adiabático (Parr Instrument Co.). Os coeficientes de digestibilidade dos nutrientes foram calculados conforme Moreira et al. (1994). Aplicou-se a fórmula de Matterson et al. (1965) para a obtenção dos nutrientes digestíveis das leveduras spray dry. Para avaliar diferenças entre os coeficientes de digestibilidade das leveduras, os dados foram submetidos à análise de variância, utilizando o pacote estatístico SAEG (Sistema..., 1997).

O ensaio de digestibilidade ileal foi conduzido utilizando-se três suínos com 46,3±2,12kg de PV, os quais foram submetidos a cirurgia para implantação da cânula T-simples, conforme procedimentos descritos por Bellaver (1989). Após a cirurgia, os animais foram transferidos individualmente para baias de alvenaria, onde, durante 20 dias, foram realizados os cuidados pós-operatórios.

Os tratamentos consistiram em duas dietas, tendo como única fonte de proteína um dos alimentos (LEV35 e LEV40). Adicionalmente foi elaborada uma dieta isenta de proteína (DIP) para determinação da excreção endógena de proteína e aminoácidos. Foi adicionado às rações 0,50% de óxido crômico (Cr2O3) como indicador da indigestibilidade.

O ensaio teve duração de seis dias, sendo cinco dias de adaptação (determinação do consumo de ração e regulação do fluxo intestinal) e um dia de coleta da digesta. Os procedimentos de fornecimento da dieta, coleta e processamento das digestas foram de acordo com o descrito por Sakomura e Rostagno (2007). As amostras analisadas foram compostas da digesta dos três animais com o mesmo tratamento.

Os teores de MS e cromo nas digestas, dietas experimentais e DIP foram determinados de acordo com as metodologias descritas por Silva e Queiroz (2002), e os aminoácidos dos alimentos e fezes foram determinados por meio de HPLC conforme o indicado por AOAC (Official..., 1990). A digestibilidade ileal dos aminoácidos foi calculada segundo as fórmulas descritas por Sakomura e Rostagno (2007). Os resultados desse experimento (valores de aminoácidos digestíveis) foram utilizados nas formulações das rações dos experimentos de desempenho de suíno nas fases de crescimento e terminação.

No experimento de desempenho, foi utilizada a LEV35 por estar mais disponível no mercado e por ter apresentado os melhores coeficientes de digestibilidade ileal. Foram utilizados 40 suínos, híbridos comerciais, com peso inicial de 34,39± 4,62kg e final de 57,47± 7,87kg (crescimento) e com 62,45± 5,68kg de peso inicial e final de 88,41± 6,96kg (terminação), distribuídos em delineamento experimental inteiramente casualizado, com cinco tratamentos, quatro repetições e dois suínos por unidade experimental. Os tratamentos foram cinco rações (Tab. 1) com níveis crescentes de inclusão (0, 5, 10, 15 e 20%) da LEV35. As dietas foram formuladas para atender às exigências indicadas pelo NRC (National..., 1998) para suínos na fase de crescimento e terminação. As rações e a água foram fornecidas à vontade durante todo o experimento. Ao final da fase de crescimento, os animais foram redistribuídos nas unidades experimentais e nos tratamentos, para a fase de terminação.

Os animais foram pesados ao início e ao final do período experimental, o que permite calcular o consumo diário de ração, ganho diário de peso e a conversão alimentar. No início e no final da fase de crescimento, foram colhidas amostras de sangue em tubos contendo heparina, via veia cava cranial, seguindo as indicações de Cai et al. (1994) para a determinação do nitrogênio da ureia plasmática (NUP). Os valores de NUP foram determinados pelo método de Marsh et al. (1965). Os valores de NUP obtidos no início do experimento foram utilizados como covariável para análise estatística dessa variável.

Ao final da fase de terminação, todos os suínos foram abatidos no abatedouro da Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI/UEM). As carcaças foram resfriadas (1-2ºC) por 24 horas para posteriormente serem submetidas a avaliação quantitativa segundo o Método Brasileiro de Classificação de Carcaça (ABCS, 1973). Para avaliação qualitativa da carcaça, retiraram-se amostras do M. Longissimus dorsi na região da 8ªe 10ª vértebras para posterior mensuração de gordura intramuscular, ou seja, do marmoreio e perda de água por gotejamento, conforme Bridi e Silva (2006). As áreas de M. Longissimus dorsi e de gordura foram determinadas utilizando-se mesa digitalizadora e software Spring (1996).

Para a comparação dos resultados obtidos para a ração testemunha (sem inclusão de LEV35) com cada um dos níveis de inclusão de LEV35, utilizou-se o teste de Dunnet (Sampaio, 1998). Os resultados obtidos para os níveis de inclusão, excluindo a ração testemunha, foram submetidos à análise de regressão polinomial.

Para verificar a viabilidade econômica da inclusão da LEV35, foram calculados o custo da ração (CR) e o custo da ração por quilograma de peso vivo (CMR), segundo Bellaver et al. (1985). Calculou-se também o Índice de Eficiência Econômica (IEE) e o Índice de Custo (IC), segundo metodologia proposta por Gomes et al. (1991). Foram considerados os preços dos insumos da região de Maringá/PR para calcular os custos das rações experimentais. O milho (grão) custou R$ 0,32/kg, o farelo de soja, R$ 0,76/kg, o óleo de soja, R$ 2,28/kg e a levedura de cana-de-açúcar spray dry, R$ 0,9/kg.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A composição química da levedura de cana-de-açúcar spray dry (LEV35) (Tab. 2) apresentou valores superiores aos encontrados por Zanutto et al. (1999), Moreira et al. (2002) e Rostagno et al. (2005).

Não foram encontrados dados na literatura para a levedura de cerveja+cana-de-açúcar (LEV40), porém, comparando com os valores da levedura de cerveja, a LEV40 apresenta valores diferentes dos encontrados por Rostagno et al. (2005), Spark et al. (2005) e Albuquerque et al. (2008). Diversos fatores podem interferir na composição química das leveduras secas obtidas de destilarias de álcool de cana-de-açúcar e de cervejaria, entre eles as regiões onde são produzidas e o processamento.

Foram observadas diferenças (P<0,05) para os coeficientes de digestibilidade das leveduras spray dry LEV35 e LEV40 (Tab. 3), sendo os coeficientes da LEV40 superiores aos da LEV35, evidenciando que a composição da parede celular da levedura de cana-de-açúcar (mananoproteínas e glucanos) pode comprometer a eficiência de utilização dos nutrientes (Butolo, 1997).

Segundo Yamada et al. (2003), a digestibilidade da proteína das células íntegras de cervejaria é superior à das células da levedura provenientes de destilaria de álcool. Isso porque a parede celular das células da levedura de destilaria de álcool tornam-se mais espessas e mais resistentes às enzimas digestivas, dificultando a proteólise enzimática nas células íntegras, além de outros fatores, como diferentes cepas e o metabolismo do animal, que pode ter alguma influência.

A variação nos coeficientes de digestibilidade pode ser explicada pelas diferenças no processamento da levedura na indústria, uma vez que pode influenciar a disponibilidade dos nutrientes (Zanutto et al.,1999).

As leveduras apresentaram diferenças entre elas no aporte aminoacídico (Tab. 4). Entre as leveduras, a LEV40 apresentou maior coeficiente de digestibilidade aparente para a proteína bruta (71.85%). Entretanto, Apolônio et al. (2003) encontraram valores superiores aos da LEV40, possivelmente por causa do nível de proteína da levedura de cerveja utilizada pelos autores (44,34%). A LEV35 apresentou coeficientes de digestibilidade inferiores aos encontrados por Apolônio et al. (2003) utilizando a levedura de cana-de-açúcar. Amaral (2001), avaliando duas leveduras, encontrou que a levedura de cana-de-açúcar apresentou maior coeficiente de digestibilidade aparente para a proteína bruta.

Os maiores coeficientes de digestibilidade aparente entre os aminoácidos essenciais foram para a LEV40 (Tab. 4). Dentre os aminoácidos, a leucina da LEV40 e LEV35 apresentou coeficientes superiores aos encontrados por Apolônio et al. (2003), Amaral (2001) e National... (1998).

A treonina foi o aminoácido de menor digestibilidade aparente (Tab. 4). É provável que isso se deva à sua elevada concentração na fração endógena, principalmente na forma de mucina (Amaral, 2001). Já a lisina apresentou o maior coeficiente para as duas leveduras. Os aminoácidos que apresentaram maior coeficiente de digestibilidade verdadeiro foram a metionina+cistina para a LEV35 e a leucina para a LEV40. Entretanto, o triptofano e a treonina apresentaram os menores coeficientes de digestibilidade.

A variação dos resultados pode estar relacionada ao animal (peso vivo e ingestão de ração) (Hess e Sève, 1999), aos parâmetros genéticos ou ambientais não identificados, associados ao local de mensuração (Hess et al., 2000), à composição química dos alimentos e às análises químicas, principalmente dos aminoácidos sulfurados, os quais são suscetíveis à degradação durante sua determinação (Boisen et al., 2000; Sauer et al., 2000). Além disso, a diferença mínima presente entre os coeficientes de digestibilidade aparente e verdadeira dos aminoácidos indicam uma menor influência dos aminoácidos endógenos sobre a digestibilidade ileal em alimentos com níveis de proteína mais elevados (Amaral, 2001).

Os valores absolutos das perdas endógenas no fluido ileal (Tab. 4) foram relativamente baixos para metionina+cistina, o que pode ser explicado pelo baixo conteúdo de aminoácidos sulfurados, tanto na camada de mucina quanto em secreções pancreáticas, em comparação aos demais aminoácidos (Pozza et al., 2004). Portanto, o uso da dieta isenta de proteína produz aminoácidos catabólicos que alteram em maior proporção as perdas endógenas de aminoácidos pelos suínos (Costa et al., 2008).

Os valores dos aminoácidos digestíveis verdadeiros (Tab. 5) da LEV35 foram superiores aos da LEV40 para os aminoácidos lisina (2,7%), metionina+cistina (1,1%) e treonina (1,9%). Os valores de aminoácidos essenciais digestíveis da LEV35 foram usados como referência na composição aminoacídica das dietas utilizadas no experimento de desempenho nas fases de crescimento e terminação.

Na fase de crescimento, foi observada redução linear (P<0,01) no GDP com o aumento dos níveis de inclusão de LEV35 (Tab. 6). Observou-se uma piora (P>0,01) da CA sem, contudo, ser influenciada pelo CDR. Esses resultados podem ser causados pela menor palatabilidade das rações, uma vez que as leveduras possuem um sabor amargo e suas características físicas (pulverulência) fazem com que a ração farelada tenha uma consistência pegajosa, interferindo no consumo. O GDP e a CA apresentaram diferença entre o último nível de inclusão (20%) comparado com o nível 0%.

Diferentes resultados para o desempenho foram obtidos (Moreira et al., 1998 e Moreira et al., 2002) com a inclusão da levedura em substituição ao farelo de soja em dietas para suínos. Essas diferenças nos resultados podem ser devidas à variação nos tipos de levedura utilizados, como consequência de diferentes processos de produção.

A espessura de toucinho não foi influenciada (P>0,01) pela inclusão da LEV35. Entretanto, a profundidade de lombo apresentou uma redução linear (P<0,01) com o aumento de sua inclusão, indicando menor profundidade com cada nível de inclusão e que, provavelmente, o menor GDP levou a menor deposição de proteína e menor profundidade de lombo. A inclusão da LEV35 não influenciou o NUP, indicando que a qualidade proteica das rações foi mantida com o aumento dos níveis de inclusão da levedura, assim como uma utilização eficiente do nitrogênio.

Na fase de terminação, o CDR (Tab. 6) foi influenciado pela inclusão da LEV35 de forma quadrática, sendo 3,32% de inclusão de LEV35 o melhor nível obtido. Possivelmente foi influenciado pelas características físicas da levedura, as quais podem ter levado aos resultados negativos encontrados no GDP e CA. Foi observada piora linear do GDP (P<0,01) e CA (P<0,02) com o aumento dos níveis da LEV35, indicando menor qualidade das rações contendo níveis mais elevados de LEV35, apesar da suplementação com aminoácidos. Resultados semelhantes foram obtidos por Moreira et al. (1998).

As características de carcaça (Tab. 7) apresentaram redução linear para peso de abate (P<0,007), peso de carcaça quente (P<0,003), rendimento de carcaça fria (P<0,03) e peso de pernil (P<0,01) com o aumento do nível de inclusão, provavelmente em função da piora no GDP na fase de terminação. As demais características não foram influenciadas pela inclusão da LEV35. Resultados semelhantes foram observados por Moreira et al. (1998), Gutiérrez et al. (1999) e Moreira et al. (2002), que não encontraram diferenças entre as características de carcaça de suínos que foram alimentados com rações com níveis crescentes de levedura seca.

 

CONCLUSÕES

Os coeficientes de digestibilidade da levedura de cerveja+cana-de-açúcar spray dry (LEV40) são melhores que os da levedura de cana-de-açúcar spray dry (LEV35) para suínos em crescimento. Os valores de ED (kcal/kg) da LEV35 e LEV40 são 3.496 e 3.901 e de EM (kcal/kg) 3.475 e 3.862, respectivamente. Os valores de lisina, metionina+cistina e treonina digestível para a levedura de cana-de-açúcar e para a levedura de cerveja+cana-de-açúcar são 2,66 e 2,64, 1,11 e 1,03, 1,95 e 1,92, respectivamente. Os resultados sugerem que a adição de níveis crescentes da levedura de cana-de-açúcar spray-dry pode prejudicar o desempenho de suínos nas fases de crescimento e terminação.

 

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Recebido em 3 de março de 2011
Aceito em 28 de agosto de 2012

 

 

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