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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.65 no.6 Belo Horizonte Dec. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352013000600035 

ANIMAL SCIENCE AND TECHNOLOGY AND INSPECTION OF ANIMAL PRODUCTS ZOOTECNIA E TECNOLOGIA E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

 

Suplementação de colina em dietas para frangos de corte machos em fase de crescimento

 

Choline supplementation in diets for male broilers in the growing phase

 

 

M.A. PompeuI; N.C. BaiãoII; L.J.C. LaraII; R. EccoII; J.S.R. RochaI; M.N.S. FernandesI; V.M. BarbosaI; D.J.A. MirandaI

IPós-graduação - Escola de Veterinária - UFMG - Belo Horizonte, MG
IIEscola de Veterinária - Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte, MG

 

 


RESUMO

Avaliaram-se os efeitos dos níveis de suplementação de colina em dietas para frangos de corte, de 22 a 40 dias de idade, sobre o desempenho, a composição de carcaças e fígados, bem como as características macroscópicas e histopatológicas dos fígados. O período de criação foi de um a 40 dias de idade, sendo que o período experimental foi de 22 a 40 dias de idade. Até o 21º dia de idade, todas as aves receberam a mesma ração à qual foram adicionados 400mg colina/kg. No 22º dia, os frangos foram distribuídos em cinco tratamentos, nos quais os níveis testados de suplementação de colina foram: zero, 400, 800, 1.200 e 1.600mg/kg, com seis repetições de 30 aves cada. As rações experimentais, formuladas à base de milho, farelo de soja e farinha de carne/ossos, foram isonutritivas, com exceção dos níveis de colina. O delineamento experimental foi o inteiramente ao acaso, e a estimativa da suplementação de colina foi avaliada pelos modelos de regressão. Os níveis de suplementação de colina apresentaram efeito linear pelo teste F (P<0,05) para o consumo de ração. Os demais parâmetros avaliados não sofreram influência da suplementação (P>0,05). O nível de 1.600mg colina/kg de ração resulta em maior consumo de ração de frangos de corte aos 40 dias de idade.

Palavras-chave: colina, desempenho, fígado, frangos de corte


ABSTRACT

The effects of choline supplemental levels were evaluated in diets for broilers on performance, carcass and liver composition and liver histopathology characteristics from 22 to 40 days-old. The period of creation was one to 40 days of age, and the experimental period was 22 to 40 days-old. Until 21 days of age all birds received the same diet added to 400mg choline/kg. On day 22, broilers were allotted to five treatments (zero, 400, 800, 1200 and 1600 mg/kg), with six repetitions of 30 birds each. The experimental diets formulated based on corn, soybean meal and meat/bones meal were isonutritive, except for the choline levels. The experimental design was completely randomized and the estimation of choline supplementation was evaluated by regression models. The levels of choline supplementation showed a significant linear effect for the F test (P<0.05) for feed intake. The other evaluated parameters were not influenced by supplementation (P>0.05). The supplementation of 1600mg choline/kg in the diet results in higher feed intake of broilers at 40 days old.

Keywords: broiler, choline, liver, performance


 

 

INTRODUÇÃO

A colina é considerada um nutriente essencial ao organismo animal. É encontrada em praticamente todos os ingredientes utilizados na formulação de rações de aves, sendo as fontes proteicas de origem animal as mais ricas nessa vitamina (Bertechini, 2006).

Não há dúvida quanto à necessidade de suplementação de vitaminas, no entanto existem ainda questionamentos sobre os níveis exigidos para se obter ótimo desempenho sob as condições de campo. Por ser hidrossolúvel, a colina deve ter constante participação nas formulações das dietas avícolas, pois não é armazenada e todo excesso consumido é excretado (Mazzuco, 2006).

As indicações das exigências de suplementação de colina para frangos de corte variam muito entre a literatura científica, os manuais das linhagens e as recomendações das empresas de nutrição (Nunes, 1998). Segundo Jukes (1940; 1941), as aves em crescimento têm uma exigência de colina que não pode ser substituída por altos níveis de metionina ou por outros doadores de grupos metil na dieta. Sua deficiência é prontamente percebida em frangos alimentados com dieta pobre em colina, ou em seus precursores, o que pode provocar retardo no crescimento corporal e degeneração do pâncreas e/ou fígado (Tacconi, 1988). A facilidade de se produzir deficiência em frangos sugere que a biossíntese de colina seja menos eficiente nestes quando comparada com as aves de postura (Nesheim et al., 1971).

Objetivou-se avaliar os efeitos dos níveis de suplementação de colina em dietas para frangos de corte machos, no período de 22 a 40 dias de idade, sobre o desempenho, a composição de carcaças e fígados, bem como as características macroscópica e histopatológica dos fígados.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Utilizaram-se 900 aves da linhagem Cobb, machos, sendo alojados 30 por boxe, atingindo a densidade de 10 aves/m². O período de criação foi de um a 40 dias de idade, sendo o período experimental de 22 a 40 dias de idade. A metodologia utilizada na criação das aves foi a mesma descrita por Pompeu et al. (2011).

Até o 21º dia de idade, todas as aves receberam a mesma ração, à qual foram adicionados 400mg colina/kg. No 22º dia, os frangos foram distribuídos em cinco tratamentos, diferenciados pelos seguintes níveis de suplementação de colina: zero, 400, 800, 1.200 e 1.600mg colina por kg de ração, divididos em seis repetições cada. O delineamento estatístico utilizado foi o inteiramente ao acaso.

Para a formulação e os cálculos dos níveis nutricionais da ração, foram considerados os valores dos ingredientes estabelecidos nas tabelas brasileiras sobre exigências de aves e suínos (Rostagno et al., 2005). Os níveis nutricionais seguiram o estudo de Leite et al. (2009). As dietas foram isonutritivas, com exceção dos níveis de colina. O suplemento de colina utilizado (cloreto de colina) foi analisado pelo método de Reinecke Salt (Glick, 1944), o qual apresentou como média das amostras analisadas 60,81%, assegurando os padrões esperados para esse suplemento. As rações experimentais foram fornecidas na forma farelada.

A composição percentual e os níveis nutricionais calculados das dietas experimentais da fase de crescimento encontram-se na Tab. 1.

Para a composição das rações, parte do milho foi substituída pelo cloreto de colina 60%. A maior substituição representou uma redução de 0,26% de milho nas rações, o que foi considerado como insignificante em termos nutricionais.

Avaliaram-se o peso corporal, o ganho de peso, o consumo de ração, a conversão alimentar, a taxa de viabilidade, a composição de carcaça (matéria seca, matéria mineral, proteína bruta e extrato etéreo) e a composição de extrato etéreo, bem como as características macroscópica e histopatológica dos fígados dos frangos.

Para as análises de carcaças inteiras, sem cabeças e pés, e respectivos fígados, os frangos foram pesados, embalados em sacos plásticos, identificados e armazenados em câmara de congelamento (-18°C). Individualmente, cada carcaça foi moída em moedor de carne convencional. Foi realizada a pré-secagem das amostras de carcaça e fígado em estufa de ventilação forçada por 72 horas a 65°C (Silva e Queiroz, 2002), após o que as amostras foram pesadas e homogeneizadas em processador doméstico.

Os fígados foram avaliados macroscopicamente, considerando-se tamanho, coloração e consistência. De cada fígado, seis por tratamento, foi coletada uma amostra do lobo direito, fixada em formol neutro 10%, processada rotineiramente e corada pela hematoxilina e eosina para análise em microscópio de luz comum.

O delineamento experimental utilizado nas avaliações de desempenho foi inteiramente ao acaso, constituído por cinco tratamentos com seis repetições de 30 aves cada. Para as análises de composição de carcaça, composição de extrato etéreo e para as avaliações macroscópica e microscópica dos fígados, o delineamento foi o mesmo, constituído por cinco tratamentos e seis repetições cada, sendo cada ave ou fígado considerado como uma repetição.

As respostas foram regredidas em relação aos níveis de suplementação de colina em seus componentes lineares e quadráticos, para a escolha do modelo de regressão que melhor descrevesse as observações. A avaliação histopatológica dos fígados violou os princípios da normalidade e homocedasticidade. Desta forma, o teste utilizado foi o de Kruskal-Wallis (Sampaio, 2002).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados obtidos para peso corporal, ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e viabilidade dos frangos de corte, na fase de crescimento, encontram-se na Tab. 2.

Os níveis de suplementação de colina utilizados nas dietas não influenciaram os parâmetros de desempenho das aves (P>0,05), no período de 22 a 40 dias de idade, exceto o consumo de ração, que apresentou efeito linear positivo (P<0,05). Quanto maior o nível de suplementação de colina utilizado, maior o consumo de ração das aves, de acordo com a equação de regressão:

Y = 3.086,04 + 0,054562 X

(R² ajustado = 82,07%),

em que X representa o nível de suplementação de colina e Y o consumo de ração (Fig. 1).

O aumento no consumo de ração, com o aumento do nível de suplementação de colina, não pode ser considerado um resultado vantajoso economicamente, uma vez que os demais parâmetros de desempenho não seguiram esta mesma característica. O valor máximo de suplementação de colina utilizado neste experimento (1.600mg/kg) está acima das recomendações de Rostagno et al. (2011), que indicam 300 e 225mg de colina suplementar por kg de ração para frangos de 22 a 33 dias e de 34 a 42 dias de idade, respectivamente. Níveis de suplementação superiores aos avaliados devem ser testados a fim de possibilitar o ajuste de um modelo de regressão que permita estimar o nível ótimo para esta resposta.

Resultados semelhantes foram relatados por Swain e Johri (2000), os quais observaram que os níveis de suplementação de colina não promoveram melhora nos parâmetros produtivos dos frangos aos 42 dias de idade. Quanto ao consumo de ração, os dados obtidos neste experimento estão de acordo com Fouladi et al. (2008), que relataram aumento no consumo de ração de frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade quando a dieta foi suplementada com cloreto de colina (500 e 1.000mg/kg).

Entretanto, os resultados de desempenho obtidos neste experimento não estão de acordo com Waldroup et al. (2006), os quais demonstraram que a suplementação de colina em dietas de frangos de corte, machos, teve como resposta uma melhora na conversão alimentar das aves de um a 35 e 42 dias de idade. Também não estão de acordo com Waldroup e Fritts (2005), que encontraram efeito positivo da suplementação de colina nas rações para frangos de corte sobre o desempenho.

Os dados de composição de matéria seca, matéria mineral, proteína bruta e extrato etéreo das carcaças de frangos de corte, com base na matéria seca, estão indicados na Tab. 3.

Os níveis de suplementação de colina não influenciaram a composição de carcaça dos frangos de corte.

O teor de extrato etéreo dos fígados dos frangos, em função da suplementação de zero, 400, 800, 1.200 e 1.600mg/kg de colina, foi: 13,57, 10,86, 12,37, 14,09, 14,67%, respectivamente. Não houve efeito dos níveis de suplementação de colina (P>0,05) para a composição de extrato etéreo dos fígados, o que indica que esta variável estudada não sofreu influência dos tratamentos estabelecidos. Rama Rao et al. (2001) relataram haver uma redução significativa no conteúdo de gordura do fígado em aves que receberam dieta composta por quirera de arroz, contendo 1.120mg/kg de colina, e suplementada com 760mg/kg.

Os dados de características macroscópicas e histopatológicas dos fígados dos frangos de corte na fase de crescimento estão apresentados na Tab. 4.

 

 

Nas avaliações de coloração, os fígados enquadraram-se de levemente amarelados a moderadamente amarelados e foram considerados semelhantes entre si pelo teste de Kruskal-Wallis (P>0,05).

Nas avaliações histopatológicas, os fígados apresentaram diferentes escores de degeneração gordurosa (Tab. 4). Apesar das diferenças entre as classificações, os resultados foram considerados estatisticamente semelhantes entre si pelo teste de Kruskal-Wallis (P>0,05), não havendo efeito dos níveis de suplementação de colina. O resultado encontrado foi semelhante ao relatado por Wolford e Murphy (1972), os quais não detectaram nenhuma alteração no conteúdo de gordura no fígado de aves que receberam dietas suplementadas com vitaminas lipotrópicas, incluindo a colina.

Zeisel (1981) relatou que a síndrome do fígado gorduroso ocorreu quando as exigências de colina não foram atendidas, levando a problemas de mobilização hepática pela redução das lipoproteínas transportadoras, ricas em lecitina, que contêm a colina. A diferença encontrada entre a presente pesquisa e os relatos de Zeisel (1981) pode ter ocorrido em razão dos ingredientes utilizados, dos níveis energéticos, dos níveis de aminoácidos (especialmente a metionina), das relações energia/proteína das rações e da linhagem das aves.

 

CONCLUSÕES

A suplementação de colina tem efeito sobre o desempenho de frangos de corte. O nível de suplementação de 1.600mg/kg na dieta resultou em maior consumo de ração para os frangos de corte aos 40 dias de idade. Os demais parâmetros estudados não sofreram influência da suplementação.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), por fornecer recursos para publicação desta pesquisa, e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pela bolsa de estudos concedida ao primeiro autor.

 

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Recebido em 20 de abril de 2012
Aceito em 5 de maio de 2013

 

 

E-mail: marianapompeu@hotmail.com

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