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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.67 no.4 Belo Horizonte July/Aug. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1678-4162-7999 

Medicina Veterinária

Eficácia do dipropionato de imidocarb, da enrofloxacina e do cloridrato de oxitetraciclina no tratamento de bovinos naturalmente infectados por Anaplasma marginale

Efficacy of imidocarb dipropionate, enrofloxacin and oxytetracycline chlorydrate on the treatment of cattle naturally infected by Anaplasma marginale

L.R. Alberton 1  

C.F. Orlandini 1  

T.M. Zampieri 1  

A.Y. Nakamura 1  

D.D. Gonçalves 1  

R. Piau Júnior 1  

M.M. Zaniolo 1  

S.T. Cardim 2  

O. Vidotto 2  

J.L. Garcia 2  

1Programa de pós-graduação - Universidade Paranaense ˗˗ Unipar - Umuarama, PR

2Programa de pós-graduação - Universidade Estadual de Londrina (UEL) - Londrina, PR

RESUMO

O agente de maior importância, em relação à anaplasmose bovina, é o Anaplasma marginale. Os principais sinais clínicos dessa enfermidade são anemia hemolítica, icterícia, dispneia, taquicardia, febre, fadiga, lacrimejamento, sialorreia, micção frequente, anorexia, perda de peso, aborto e morte. A terapia antimicrobiana é o principal protocolo terapêutico. O objetivo do presente trabalho foi avaliar a eficácia do dipropionato de imidocarb, da enrofloxacina e do cloridrato de oxitetraciclina no tratamento de bovinos leiteiros naturalmente infectados por Anaplasma marginale. Para isso, foram avaliados 48 zebuínos mestiços que apresentavam os sinais clínicos sugestivos da doença. Os animais foram submetidos à coleta de sangue para a realização de hemograma e à extração de DNA para a confirmação da presença de A. marginale, por meio da reação em cadeia pela polimerase (PCR). Os animais foram divididos em três grupos experimentais, para realização dos protocolos terapêuticos, utilizando-se dipropionato de imidocarb, oxitetraciclina e enrofloxacina. Trinta e seis animais (75%) apresentaram reação positiva ao PCR. Os animais positivos não apresentaram diferenças significativas quanto ao hemograma e ao leucograma quando comparados com os negativos, no entanto os níveis de proteínas séricas foram inferiores nos animais positivos (P<0,05). Os três protocolos terapêuticos foram capazes de reduzir a infecção ao longo do tratamento (P<0,01), porém, após cinco dias de tratamento, a enrofloxacina apresentou maior efetividade em relação aos demais (P<0,01). Após o final do tratamento, nenhum protocolo foi capaz de eliminar totalmente a infecção pelo A. marginale em bovinos naturalmente infectados e manejados a campo.

Palavras-Chave: Anaplasma spp.; bovídeos; PCR; terapêutica

ABSTRACT

Anaplasma marginale is the most important agent regarding cattle anaplasmosis. The main clinical signs of this disease are hemolitic anemia, jaundice, dyspnea, tachycardia, fever, fatigue, lacrimation, salivation, frequent urination, anorexia, weight loss, abortion and death. Antimicrobial therapy is the main therapeutic protocol. The aim of this paper was to assess the efficacy of this therapy frequently used in field conditions. In order to do so, 48 crossbred zebu cattle presenting suggestive clinical signs of the disease were assessed. The animals were submitted to blood sample collection to perform a CBC and DNA extraction to confirm the presence of A. marginale by the polymerase chain reaction (PCR) test. The animals were divided into three experimental groups to perform the therapeutic protocols, using imidocarb dipropionate, enrofloxacin and oxytetracycline. Thirty-six animals (75%) presented positive reaction to PCR. The positive animals do not present significant differences in the CBC and WBC when compared to the negative ones. However, the serum protein levels were lower in positive animals (P<0.05). All the treatments were able to reduce the infection throughout the treatment (P<0.01). However, in time 1, enrofloxacin presented greater effectiveness in relation to the other ones (P<0.01). After the end of the treatment no protocol was able to totally eliminate the infection by A. marginale in cattle naturaly infected and handled on the field.

Key words: Anaplasma spp; bovine; PCR; therapy

INTRODUÇÃO

A anaplasmose bovina é uma infecção causada por Anaplasma spp., rickéttsia da família Anaplasmataceae, ordem Rickettsiales (Vidotto e Marana, 2001; Kocan et al., 2010). A espécie mais patogênica e de maior importância para a espécie bovina é a Anaplasma marginale. Constitui uma doença de grande importância econômica, devido aos prejuízos sanitários acarretados, afetando, principalmente, a produção bovina de muitos países (Moura et al., 2003; Felsheim et al., 2010).

A doença clínica pode apresentar-se nas formas aguda, subaguda, leve ou crônica, com anemia hemolítica, icterícia, dispneia, taquicardia, febre, fadiga, lacrimejamento, sialorreia, micção frequente, anorexia, perda de peso, aborto e morte (Kocan et al., 2010).

Em relação ao tratamento da anaplasmose bovina, alguns princípios ativos já apresentaram efeitos satisfatórios contra a infecção, como o cloridrato de oxitetraciclina (Pereira-Maia et al., 2010), o dipropionato de imidocarb (Melo e Carvalho Neta, 2009) e a enrofloxacina (Kaartinen et al., 1995). Apesar desses estudos sobre o tratamento e controle da anaplasmose, ainda existem dúvidas quanto ao tempo necessário para controlar a infecção e à duração desses efeitos contra o parasito. Adicionalmente, estudos experimentais não refletem a realidade do campo em áreas tropicais e subtropicais de difícil controle dos insetos e carrapatos que transmitem o parasito.

A enrofloxacina, apesar de muito difundida na prática veterinária, ainda foi pouco estudada contra a anaplasmose. Estudos foram conduzidos in vitro ou por meio de infecções experimentais (Facury-Filho et al., 2012). E boa parte das pesquisas envolvendo o dipropionato de imidocarb e o cloridrato de oxitetraciclina foi conduzida em animais com a infecção aguda. Além disso, ressalta-se a necessidade de se fortalecer esses experimentos com apoio de testes diagnósticos mais precisos (Ramos et al., 2009), como a técnica da reação em cadeia pela polimerase (PCR) (Vidotto e Marana, 2001). Diante disso, o objetivo do presente trabalho foi verificar os efeitos do dipropionato de imidocarb (DI), da enrofloxacina (Ef) e do cloridrato de oxitetraciclina (CO) em animais naturalmente infectados por A. marginale, diagnosticados por meio da técnica da PCR com a forma crônica da doença em regime de campo.

MATERIAL E MÉTODOS

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal (CEPEEA) da Universidade Paranaense (Unipar), sob protocolo 22105/2012, e foi realizado em três propriedades leiteiras do município de Douradina (latitude 23º22'51" sul/longitude 53º17'30" oeste), localizado na região noroeste do estado do Paraná (PR), no período de setembro a dezembro de 2012. Foram selecionados 48 zebuínos mestiços utilizados na produção leiteira, com sinais clínicos sugestivos de anaplasmose crônica (perda de peso, hiporexia, mucosas pálidas e leve icterícia) e presença de carrapatos fixados no corpo no momento da coleta de sangue. Foram coletados, em tubos do tipo Vacutainer (com e sem anticoagulante), 10mL de sangue de cada bovino, por meio de punção da veia jugular externa. As amostras de sangue com anticoagulante foram encaminhadas para a realização do hemograma completo, leucograma e dosagem das proteínas séricas totais. A extração do DNA do sangue foi realizada seguindo-se a metodologia descrita por Boom et al. (1990), e, para a confirmação da infecção por A. marginale, realizou-se a reação em cadeia pela polimerase (PCR) utilizando-se os primers: 5' TGCTTATGGCAGACATTTCCAT 3' e 5' GGGAAAGAGGACAACCACACA 3' para a visualização de um amplicon de 155pb (Birkenheuer et al., 2003). Após o hemograma, o leucograma, a dosagem de proteínas séricas e a confirmação inicial do diagnóstico positivo pela PCR, os animais foram divididos em três grupos experimentais e, posteriormente, submetidos a três protocolos terapêuticos distintos: grupo 1: tratamento à base de dipropionato de imidocarb a 1% (Imidocarb Pearson(r), Eurofarma Laboratórios Ltda., Brasil), em dose única de 2,5mg/kg de peso vivo, por via subcutânea (SC); grupo 2: tratamento à base de enrofloxacina a 10% (Enrofloxacina(r) 10%, Tortuga Cia. Zootécnica, Brasil), na dose de 5mg/kg de peso vivo, por via intramuscular (IM), uma vez ao dia, durante sete dias; grupo 3: tratamento à base de cloridrato de oxitetraciclina (Tormicina(r)/LA 20%, Tortuga Cia. Zootécnica, Brasil), de longa ação, a 20%, em três doses de 20mg/kg, por via intramuscular (IM), a cada 48 horas. As coletas de sangue foram realizadas em três etapas diferentes: imediatamente antes do tratamento, cinco dias após o tratamento e 10 dias após o tratamento, para a realização da PCR, conforme descrito acima.

Optou-se por estudar animais cronicamente infectados, já que esta é a principal forma da doença na região, bem como uma importante causa de prejuízo à pecuária em razão do caráter subclínico e do potencial disseminador desses animais para o restante do rebanho, dificultando o controle dessa enfermidade.

Os dados obtidos foram processados no software BioEstat(r), versão 5.3, utilizando-se a análise de variância (ANOVA), pelo teste Q de Cochran, com nível de significância de 1% para se verificarem as diferenças entre os positivos e os negativos antes e após o tratamento. Empregou-se ainda o teste exato de Fisher, em nível de significância de 5%, para comparação entre os tempos e os tratamentos. Para a análise dos dados do hemograma, utilizou-se o teste de Mann-Whitney (MW) ao nível de significância de 5%.

RESULTADOS

Das 48 amostras de sangue de bovinos submetidas à PCR, 36 (75,00%) amplificaram um produto de 156pb, o que confirmou a presença de DNA de A. marginale e, consequentemente, a infecção por esse microrganismo. A Tab. 1 demonstra os resultados obtidos no hemograma dos 48 bovinos considerados positivos e negativos na PCR, sendo expressiva (P<0,05) a queda de proteínas totais nos animais positivos na PCR. No entanto, não foram observadas diferenças significativas, em comparação com os valores normais de referência, nos números totais de leucócitos, bastonetes, segmentados, eosinófilos, linfócitos, monócitos e basófilos.

Tabela 1. Comparação do exame diferencial relativo (%) do leucograma, hemograma e proteínas plasmáticas totais dos bovinos leiteiros positivos e negativos ao exame da reação em cadeia pela polimerase (PCR) infectados naturalmente por A. marginale no município de Douradina, Paraná, Brasil, 2012 

Células Amostras positivas Amostras negativas Teste
MW
Valores de referência2
Leucócitos totais 11.288,23±3.871,99 12.119,50±5.653,80 ns1 4,0 – 12,0
Bastonetes 7,88±5,29 8,50±5,00 ns 0 – 3
Segmentados 25,53±11,70 25,03±9,20 ns 15 – 45
Eosinófilos 9,88±7,03 10,28±5,95 ns 2 – 20
Linfócitos 52,29±17,58 51,86±10,18 ns 40 – 75
Monócitos 3,70±2,34 3,55±2,15 ns 2 – 7
Basófilos
Hemácias
Hemoglobina
Hematócrito
Proteínas totais
0,70±0,85
4,77±0,80
8.81±1,18
27,33±3,49
7,38±1,04b
0,77±1,24
4.72±0,85
8.74±1,32
26,68±4,22
8,00±0,92a
ns
ns
ns
ns
P<0,05
0 – 2
5,0 a 10,00
8 -15
24-46 %
7,0 a 8,5

1Estatisticamente não significativo. 2Valores de referências para hemograma, leucograma e proteínas totais de bovinos segundo Meyer e Harvey (2004).

Já a Tab. 2 demonstra a prevalência da anaplasmose pela reação da PCR, nos tempos 1 e 2 (cinco e 10 dias após o início do tratamento, respectivamente).

Tabela 2. Prevalência de animais positivos para anaplasmose ao exame da reação em cadeia pela polimerase (PCR), durante e após o tratamento com dipropionato de imidocarb (1%), enrofloxacina (10%) e cloridrato de oxitetraciclina (20%), em bovinos leiteiros naturalmente infectados por A. marginale no município de Douradina, Paraná, Brasil, 2012 

Tempo Tratamento n Positivos % Negativos % Exato de Fisher(p)* teste Q (p)**
0 DI 13 13 100,0 0,0 0,0b - p=0,0130
Ef 11 11 100,0 0,0 0,0b - p=0,0009
CO 12 12 100,0 0,0 0,0b - p=0,0030
1 DI 13 8 61,54 5 38,462a
Ef 11 2 18,18 9 81,821a 1p=0,0472
CO 12 6 50,00 6 50,002a
2 DI 13 6 46,15 7 53,85a ns
Ef 11 5 45,45 6 54,55a ns
CO 12 4 33,33 8 66,67a ns

* Para comparação entre os tempos e os tratamentos; números desiguais indicam diferença estatística significativa (1 e 2). **Para comparação das prevalências de positivos e negativos antes e após o tratamento; letras desiguais indicam diferença estatística significativa (a e b).

Por meio da técnica de PCR 36 (75,00%), bovinos leiteiros foram confirmados com a infecção por A. marginale e submetidos aos protocolos terapêuticos descritos, em que se observou que, no tempo 1 (cinco dias após o tratamento), a enrofloxacina 10% mostrou-se mais eficaz que os outros princípios ativos, reduzindo a quantidade do microrganismo na corrente sanguínea dos bovinos (Tab. 2). Entretanto, no tempo 2 (10 dias após o tratamento), não foi possível verificar o mesmo efeito. Com relação aos três protocolos, todos apresentaram efetividade contra a infecção por A. marginale, ao longo dos tempos dos tratamentos, sendo a enrofloxacina 10% com P=0,0009, o cloridrato de oxitetraciclina 20% com P=0,0030 e o dipropionato de imidocarb 1% com P=0,013. Já na comparação entre os três grupos, por meio do teste exato de Fisher (Tab. 2), verificou-se diferença significativa entre o tratamento da enrofloxacina 10% e do dipropionato de imidocarb 1%, apresentando P=0,0472, quando se avaliou a prevalência de animais positivos para o A. marginale,após cinco dias de tratamento. Isso evidencia que a redução da infecção pelo A. marginale foi mais rápida no tratamento com enrofloxacina 10% (Fig. 1) em comparação com os outros dois tratamentos. No entanto, quando se fez a mesma análise na terceira coleta, não houve diferença significativa entre os tratamentos (Tab. 2), embora seja visível (Fig. 1) a tendência na diminuição da prevalência de positivos ao longo do tratamento com imidocarb e oxitetraciclina.

Figura 1. Evolução da redução da rickettsemia (%), após o tratamento com dipropionato de imidocarb (1%), enrofloxacina (10%) e cloridrato de oxitetraciclina (20%), em bovinos leiteiros positivos na reação em cadeia pela polimerase (PCR) para A. marginale no município de Douradinha, Paraná, Brasil, 2012. 

DISCUSSÃO

Segundo Gotze et al. (2008), o uso de oxitetraciclina, na dose de 20mg/kg, apresentou segura eficácia no tratamento de anaplasmose em vacas leiteiras em produção. Esse resultado se confirma no presente trabalho, porém, neste estudo, pode-se verificar maior eficácia da enrofloxacina. De acordo com Facury-Filho et al. (2012), a eficácia da oxitetraciclina no tratamento de anaplasmose depende diretamente do tempo de administração, bem como da concentração administrada do antibiótico, que precisa estar acima da concentração inibitória mínima, para ter efeito sobre o agente patogênico. Nesse sentido, a OIE (Organização Mundial de Saúde Animal, 2010) recomenda, em animais persistentemente infectados, a administração de 22mg/kg ao dia de oxitetraciclina por via intravenosa, durante cinco dias consecutivos (Coetzee et al., 2005). Em animais experimentalmente infectados, estes mesmos autores verificaram que, após 60 dias, o tratamento com oxitetraciclina, em doses de 30 e 22mg/kg, não foi efetivo para eliminar a infecção persistente. No entanto, Atif et al. (2012) utilizaram esse protocolo objetivando a quimioesterilização de bovinos naturalmente infectados e mantiveram apenas 86,67% (13/15) dos animais tratados, livres da infecção, 56 dias pós-tratamento ao teste de ELISA. Dessa forma, não só a posologia deverá ser considerada mas também a possibilidade de resistência à oxitetraciclina pelo microrganismo.

Quanto ao imidocarb, Akhter et al. (2010) relatam que o medicamento, administrado em dose de 3mg/kg em duas injeções intramusculares, foi capaz de eliminar a infeçcão. Também, Roby e Mazzola (1972) relatam a quimioesterilização com duas doses a intervalos de 14 dias em dose de 5mg/kg. No entanto, sabe-se que, em doses maiores, efeitos colinérgicos podem ser observados, tais como: salivação, dispneia e diarreia (Adams e Corrier, 1980). Neste estudo, essas reações adversas não foram observadas. Já quanto à eficácia, apenas 53,5% dos animais positivos tornaram-se negativos após o tratamento. Al Saad (2007) verificou resultados superiores do imidocarb contra a anaplasmose, em posologia de 3,5mg, repetido com 48h, sobre a oxitetraciclina em dose de 20mg/kg, também repetida com 48h.

A enrofloxacina, um antimicrobiano bactericida de amplo espectro de ação, tem sido utilizada como terapia alternativa contra a anaplasmose. Altas concentrações plasmáticas em curto período de tempo determinam uma ação bactericida mais rápida (Kaartnen et al., 1995). Estes autores encontraram redução significativa na rickettisemia com aplicação em dose única de 7,5mg/kg. Facury-Filho et al. (2012) encontraram resultados semelhantes ao utilizarem a mesma posologia em bovinos experimentalmente infectados. Esses achados corroboram os resultados encontrados no presente trabalho, pois a enrofloxacina teve ação mais rápida em reduzir a prevalência de infecção em relação ao imidocarb e à oxitetraciclina (Fig. 1). Os resultados obtidos com o tratamento com dipropionato de imidocarb, enrofloxacina e oxitetracicilina foram semelhantes àqueles descritos na literatura e capazes de reduzir significativamente a prevalência de infecção dos animais deste estudo até o 10º dia após o início do tratamento. Apesar de a enrofloxacina ter sido consideravelmente mais eficaz no início, o tratamento com oxitetraciclina manteve a menor prevalência de animais positivos ao final do estudo, seguido daquele com dipropionato de imidocarb. Embora essas diferenças não tenham sido significativas, os dados indicam a possibilidade de se iniciar o tratamento com a enrofloxacina associada com a oxitetraciclina ou com o dipropionato de imidocarb, com o intuito de se controlar melhor a doença no início e de se manter a efetividade por um período mais prolongado contra o parasito. De maneira mais abrangente, poderá constituir um protocolo interessante para que, juntamente com estratégias de controle dos insetos e carrapatos, diminua-se a prevalência da doença.

A anemia é o principal sinal de anaplasmose, com redução do hematócrito, que também pode ser alterado pela exposição ao risco sem medicação. A doença pode se apresentar na forma aguda, superaguda, leve ou crônica (Martins e Corrêa, 1995). Os sinais observados consistem de anemia hemolítica, icterícia, dispneia, taquicardia, febre, fadiga, lacrimejamento, sialorreia, diarreia, micção frequente, anorexia, perda de peso, aborto, às vezes agressividade (Barbet, 1995). Nos animais diagnosticados como positivos neste estudo, os sinais mais frequentemente encontrados foram perda de peso e mucosas hipocoradas, o que permite classificar como sendo a forma leve ou crônica da doença, que tem um maior potencial para manutenção e propagação da doença no rebanho, além dos prejuízos econômicos com a diminuição na produção.

Yoshirara et al. (2003) sugerem que a região noroeste do Paraná apresenta-se como área de instabilidade enzoótica, em que as condições climáticas não são totalmente favoráveis ao desenvolvimento do carrapato, porém possibilitam a ocorrência de infestações temporárias em população de risco (Arteche, 1992). Os bezerros que se infectam nos primeiros dias de vida, em regiões onde o carrapato está presente durante o ano todo, apresentam maior resistência devido à absorção de anticorpos colostrais, à imunidade celular e à presença de fatores séricos de resistência (Corrier e Guzman, 1977). Segundo Ristic (1960), os animais mais jovens ainda apresentam soro e hemoglobina fetal, o que prejudica parcialmente a multiplicação do agente no sangue, além de determinar maior atividade eritropoiética da medula óssea.

A imunidade conferida contra A. marginale é de duração variável e de origem tanto humoral quanto celular. Na anaplasmose, há evidência de resposta autoimune durante a fase aguda, parcialmente responsável pela anemia (Carson e Buening, 1979). Os animais utilizados neste estudo, por serem autóctones, provavelmente apresentavam resistência à infecção pelo A. marginale,manifestando a forma leve da doença, o que também pode explicar a insignificante diferença nas análises do hemograma e leucograma entre os animais infectados e não infectados pelo A. marginale (Tab. 1). Entre as proteínas plasmáticas, a albumina é a mais abundante. Devido ao grande tamanho da molécula, normalmente é retida nos capilares, entretanto ela é a primeira proteína a ser perdida durante as injúrias teciduais (Kaneko, 1989). Um quadro de hipoalbuminemia auxilia o clínico a limitar o seu diagnóstico diferencial de uma determinada enfermidade. Em paciente acometido por A. marginale, Teruel et al. (2009) verificaram, assim como neste trabalho, níveis mais baixos de proteínas plasmáticas.

CONCLUSÃO

Por meio do presente trabalho, pode-se concluir que os três antimicrobianos avaliados, dipropionato de imidocarb, enrofloxacina e cloridrato de oxitetraciclina, tiveram resultado positivo na redução da infecção por A. marginale em bovinos leiteiros naturalmente infectados. Porém, a enrofloxacina apresentou uma resposta mais rápida, mostrando-se mais eficaz, quando comparada aos outros dois antimicrobianos, nos primeiros cinco dias de tratamento. Após cessado o tratamento, entretanto, o imidocarb e a oxitetracilina mantiveram a tendência em diminuir a prevalência de animais positivos ao longo do estudo. Nenhum protocolo foi capaz de combater a infecção em todos os animais de cada grupo até o 10º dia após o início do tratamento. Estudos deverão ser direcionados com tratamento quimioterápico combinado com outras estratégias de manejo, com o objetivo de reduzir os índices de infecção crônica, já que esta é a principal causa de manutenção e propagação da doença nos rebanhos.

AGRADECIMENTOS

Ao Instituto de Pesquisa e Ambiência Científica (IPEAC) - Unipar, pelo apoio financeiro; à Universidade Estadual de Londrina (UEL), pelo auxílio na execução das análises da PCR.

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Received: August 18, 2014; Accepted: June 11, 2015

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