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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

On-line version ISSN 1678-4162

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.69 no.5 Belo Horizonte Sept./Oct. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1678-4162-8241 

Zootecnia e Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal

Desempenho e características de carcaça de três genótipos comerciais de frangos de corte alimentados com diferentes dietas

Performance and carcass traits of three commercial broiler genotypes fed different diets

M.T.P. Silva1 

R.C. Veloso2  * 

A.V. Pires1 

R.A. Torres Filho3 

S.R.F. Pinheiro1 

L.K. Winkelstroter4 

F.J.M. Barros3 

J.A.B. Senna1 

1Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri ˗ Teófilo Otoni, MG

2Universidade Federal de Viçosa ˗ Viçosa, MG

3Universidade Federal Fluminense ˗ Niterói, RJ

4Universidade Federal de Minas Gerais ˗ Belo Horizonte, MG

RESUMO

Este estudo teve como objetivo avaliar o desempenho e as características de carcaça de frangos de corte de três genótipos comerciais do nascimento aos 35 dias de idade. Utilizou-se um total de 2.970 pintos de três genótipos de aves comerciais (Cobb 500, Hubbard Flex e Ross 308). Os programas nutricionais foram dieta basal, dieta com 10% mais e 10% menos de aminoácidos do que a dieta basal. As aves foram distribuídas em delineamento inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 3x3x2 (genótipo x dieta x sexo), com cinco repetições e 33 aves por unidade experimental. Conversão alimentar, ganho de peso diário, ingestão da dieta e peso corporal aos 35 dias de idade foram registrados. Duas aves de cada unidade experimental foram amostradas e abatidas aos 35 dias de idade para avaliar as seguintes características de carcaça: peso corporal no momento do abate, peso da carcaça e rendimento, e peso e rendimento dos cortes (peito, pernas e asas). Houve uma interação significativa entre o genótipo e sexo para GPD e PC35. Os machos apresentaram melhores desempenhos e características de carcaças do que as fêmeas.

Palavras-chave: Cobb; conversão alimentar; Hubbard; rendimento de carcaça; Ross

ABSTRACT

This study aimed to evaluate performance and carcass traits of three commercial broiler genotypes from hatch to 35 days of age. A total of 2,970 sexed one day old chicks of three commercial broiler genotypes (Cobb 500, Hubbard Flex and Ross 308) were used. The nutritional programs were basal diet, diet with 10% more and 10% less amino acids than the basal diets. Birds were distributed in a completely randomized experimental design in a 3x3x2 (genotype x diet x sex) factorial scheme, with five replicates and 33 birds per experimental unit. Feed conversion, daily weight gain, diet intake and body weight at 35 days of age were recorded. Two birds from each experimental unit were sampled and slaughtered at 35 days of age to evaluate the following carcass traits: slaughter body weight, carcass weight and yield, and main cuts (breast, legs and wings) weight and yield. There was a significant interaction between genotype and sex for ADG and BW35. Males fed basal diets presented higher performance and carcass traits in comparison to females.

Keywords: cobb; feed conversion; Hubbard; carcass yield; Ross

INTRODUÇÃO

O progresso genético na taxa de crescimento, na conversão alimentar e no rendimento de carne torna-se sempre um desafio do ponto de vista nutricional, além de os genótipos predominantes na produção de frangos de corte apresentarem diferentes velocidade de crescimento e rendimento de carne (Moreira et al., 2004 e Santos et al., 2005). As exigências do mercado são crescentes com relação aos produtos avícolas, o qual busca maior rendimento de carcaças, de cortes e de produtos processados para os diferentes genótipos (Lima et al., 2008).

Dessa forma, o melhoramento genético tem permitido melhorias nos sistemas de produção, principalmente quando se trata de redução à idade ao abate, alteração das exigências nutricionais dos indivíduos, melhor conversão alimentar, maior rendimento de carcaças e maior conteúdo de carne magra nas carcaças (Vieira et al., 2007). Assim, a escolha do genótipo deve ser feita de acordo com o interesse de mercado, pois há diferenças no desempenho e no rendimento de carcaça e dos cortes.

Com o melhoramento genético, vem a necessidade de se fornecer aos animais uma alimentação que maximize o desempenho e a eficiência produtiva, reduzindo a deposição de gordura associada ao balanço dietético e à grande capacidade de consumo dos genótipos comerciais atuais (Lima et al., 2008).

Ainda de acordo com Lima et al. (2008), a relação ideal energia:proteína e a utilização da proteína ideal e de aminoácidos digestíveis têm grande influência no desempenho dos frangos de corte. O impacto do custo da proteína na dieta é alto, e, portanto, aumentos na sua concentração só são justificáveis quando ganhos no desempenho zootécnico ou no rendimento de carne são viabilizados. Tem sido demonstrado que ganhos zootécnicos e de rendimento de carne podem ser obtidos com o aumento da densidade proteica das dietas, independentemente da genética utilizada (Kidd et al., 2005; Vieira et al., 2007). Entretanto, existe a possibilidade de que as respostas de cada genótipo à proteína dietética sejam de magnitudes diferentes, o que indicaria a necessidade de programas nutricionais diferenciados para cada um.

Embora os genótipos existentes atualmente no mercado sejam de alto rendimento, ainda existem diferenças entre eles. Dessa forma, o rendimento de carcaça e os cortes nobres são fundamentais na escolha do genótipo que promoverá maior rentabilidade da empresa (Mendes, 2001). Pesquisas que avaliam essas características devem ser realizadas, a fim de identificar genótipos com características com bom desempenho e melhores rendimentos de carcaças e cortes nobres para permitir sua utilização nos sistemas de produção de frangos de corte.

Nesse sentido, o presente trabalho foi realizado objetivando-se comparar as características de desempenho e de carcaça de três genótipos comerciais de frangos de corte machos e fêmeas, alimentados com três dietas experimentais do nascimento aos 35 dias de idade.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no setor de Avicultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, situado no Campus JK, em Diamantina-MG, aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA-UFVJM), sob protocolo nº 016/11.

Foram utilizados 2.970 pintos de um dia, machos e fêmeas sexados, provenientes de três genótipos comerciais de frangos de corte: Cobb 500, Hubbard Flex e Ross 308. As aves foram alojadas em galpão experimental de alvenaria com 40m de comprimento, 8m de largura e pé-direito de 3m e dividido em 90 boxes de 1,65 x 1,55m, com 33 aves cada. Foi utilizado o delineamento inteiramente ao acaso, em esquema fatorial (3x3x2): três genótipos comerciais x três programas nutricionais x dois sexos, com cinco repetições.

Foram fornecidos três programas nutricionais cujas dietas foram isocalóricas e isoproteicas, entretanto essas dietas continham diferentes concentrações de aminoácidos essenciais (lisina, metionina e metionina+cistina). Os programas nutricionais (Tab. 1, 2 e 3) foram formulados com base no programa nutricional basal, de acordo com as indicações de Rostagno et al. (2011): o programa nutricional com -10% de aminoácidos (lisina, metionina e metionina+cistina) em relação ao programa nutricional basal e o programa nutricional com +10% desses mesmos aminoácidos em relação ao basal, conforme informações de composições e digestibilidade dos ingredientes apresentados em Rostagno et al. (2011). O regime alimentar utilizado foi multifásico, aplicado a todos os programas nutricionais e dividido em três períodos: 1 a 7 dias; 8 a 21 dias e 22 a 35 dias de idade. A dieta e a água foram fornecidas à vontade.

Tabela 1 Composição percentual das dietas do programa nutricional basal para frangos de corte, do nascimento aos 35 dias de idade 

Item Idade (dias)
1 a 7 8 a 21 22 a 35
Milho moído 57,801 60,319 61,874
Farelo de soja (45% PB) 36,329 33,454 31,440
Óleo de soja 1,901 2,186 2,785
Fosfato bicálcico 1,891 1,882 1,756
Calcário calcítico 1,009 0,961 0,937
Suplemento vitamínico e mineral¹ 0,100 0,100 0,400
DL-metionina (99%) 0,315 0,342 0,315
L-lisina HCl (78%) 0,289 0,336 0,204
Sal 0,309 0,320 0,289
Total 100,00 100,00 100,00
Composição nutricional estimada
Energia metabolizável (kcal/kg) 3000 3050 3100
Proteína bruta (%) 22,000 21,000 20,000
Lisina digestível (%) 1,260 1,229 1,079
Metionina digestível (%) 0,615 0,629 0,593
Metionina + cistina digestível (%) 0,903 0,906 0,862
Cálcio (%) 0,990 0,961 0,915
Fósforo disponível (%) 0,465 0,460 0,434
Sódio (%) 0,165 0,168 0,155

1Suplemento vitamínico e mineral por kg do produto: ácido fólico (min) 175mg/kg, ácido pantotênico (min) 2500mg/kg, bacitracina de zinco (min) 13,75g/kg, BHT(min) 1000mg/kg, biotina (min) 3,75mg/kg, cobre (min) 2500mg/kg, colina (min) 37,5g/kg, ferro (min) 12,5g/kg, iodo (min) 250mg/kg, manganês (min) 17,5g/kg, niacina (min)75000mg/kg, salinomicina (min) 16,5g/kg, selênio (min) 75mg/kg, vitamina A (min) 1875000UI/kg, vitamina B1 (min) 250mg/kg, vitamina B12 (min) 2500mg/kg, vitamina B2 (min) 1200mg/kg, vitamina B6 (min) 500mg/kg, vitamina D3 (min) 500.000UI/kg, vitamina E (min) 3000UI/kg, vitamina K3 (min) 450mg/kg, zinco (min) 15g/kg.

Tabela 2 Composição percentual das dietas do programa nutricional com menos 10% de aminoácidos (lisina e metionina + cistina) em relação às dietas basais, para frangos de corte, do nascimento aos 35 dias de idade 

Item Idade (dias)
1 a 7 8 a 20 21 a 34
Milho moído 57,249 59,721 61,451
Farelo de soja (45%PB) 37,038 34,238 31,965
Óleo de soja 2,092 2,390 2,936
Fosfato bicálcico 1,886 1,877 1,752
Calcário calcítico 1,007 0,959 0,936
Suplemento vitamínico e mineral¹ 0,100 0,100 0,400
DL-metionina (99%) 0,216 0,242 0,222
L-lisina HCl (78%) 0,104 0,153 0,048
Sal 0,309 0,319 0,289
Total 100,00 100,00 100,00
Composição nutricional estimada
Energia metabolizável (kcal/kg) 3000 3050 3100
Proteína bruta (%) 22,000 21,000 20,000
Lisina digestível (%) 1,134 1,106 0,971
Metionina digestível (%) 0,523 0,535 0,504
Metionina + cistina digestível (%) 0,813 0,815 0,776
Cálcio (%) 0,990 0,961 0,915
Fósforo disponível (%) 0,465 0,460 0,434
Sódio (%) 0,165 0,168 0,155

1Suplemento vitamínico e mineral por kg do produto: ácido fólico (min) 175mg/kg, ácido pantotênico (min) 2500mg/kg, bacitracina de zinco (min) 13,75g/kg, BHT (min) 1000mg/kg, biotina (min) 3,75mg/kg, cobre (min) 2500mg/kg, colina (min) 37,5g/kg, ferro (min) 12,5g/kg, iodo (min) 250mg/kg, manganês (min) 17,5g/kg, niacina (min)75000mg/kg, salinomicina (min) 16,5g/kg, selênio (min) 75mg/kg, vitamina A (min) 1875000 UI/kg, vitamina B1 (min) 250mg/kg, vitamina B12 (min) 2500mg/kg, vitamina B2 (min) 1200mg/kg, vitamina B6 (min) 500mg/kg, vitamina D3 (min) 500.000UI/kg, vitamina E (min) 3000UI/kg, vitamina K3 (min) 450mg/kg, zinco (min) 15g/kg.

Tabela 3 Composição percentual das dietas do programa nutricional com mais 10% de aminoácidos (lisina e metionina + cistina) em relação às dietas basais, para frangos de corte, do nascimento aos 35 dias de idade 

Item Idade (dias)
1 a 7 8 a 20 21 a 34
Milho moído 58,407 60,915 62,296
Farelo de soja (45% PB) 35,536 32,673 30,915
Óleo de soja 1,695 1,982 2,634
Fosfato bicálcico 1,896 1,888 1,759
Calcário calcítico 1,012 0,964 0,939
Suplemento vitamínico e mineral¹ 0,100 0,100 0,400
DL-metionina (99%) 0,414 0,441 0,407
L-lisina HCl (78%) 0,476 0,519 0,359
Sal 0,310 0,321 0,290
Total 100,00 100,00 100,00
Composição nutricional estimada
Energia metabolizável (kcal/kg) 3000 3050 3100
Proteína bruta (%) 22,000 21,000 20,000
Lisina digestível (%) 1,386 1,352 1,187
Metionina digestível (%) 0,709 0,722 0,681
Metionina + cistina digestível (%) 0,993 0,996 0,948
Cálcio (%) 0,990 0,961 0,915
Fósforo disponível (%) 0,465 0,460 0,434
Sódio (%) 0,165 0,168 0,155

1Suplemento vitamínico e mineral por kg do produto: ácido fólico (min) 175mg/kg, ácido pantotênico (min) 2500mg/kg, bacitracina de zinco (min) 13,75g/kg, BHT (min) 1000mg/kg, biotina (min) 3,75mg/kg, cobre (min) 2500mg/kg, colina (min) 37,5g/kg, ferro (min) 12,5g/kg, iodo (min) 250mg/kg, manganês (min) 17,5g/kg, niacina (min)75000mg/kg, salinomicina (min) 16,5g/kg, selênio (min) 75mg/kg, vitamina A (min) 1875000UI/kg, vitamina B1 (min) 250mg/kg, vitamina B12 (min) 2500mg/kg, vitamina B2 (min) 1200mg/kg, vitamina B6 (min) 500mg/kg, vitamina D3 (min) 500.000UI/kg, vitamina E (min) 3000UI/kg, vitamina K3 (min) 450mg/kg, zinco (min) 15g/kg.

O peso corporal dos frangos foi medido ao nascer e aos 35 dias de idade. Foram registrados o consumo da dieta, o ganho de peso diário e a conversão alimentar corrigida para a mortalidade.

Aos 35 dias de idade, foram amostradas e abatidas duas aves por unidade experimental, após jejum de oito horas para avaliação do peso corporal; peso e rendimento de carcaça (constituída de cabeça e pés); peso e rendimento do peito; peso e rendimento das pernas (coxa mais sobrecoxa); peso e rendimento das asas.

As análises estatísticas foram realizadas utilizando-se o “proc GLM” do SAS (2002), segundo o modelo estatístico:

Yijkl = ( + G1 + Rj + Sk + GRij + GSik + RSjk + GRSijk + eijkl,

em que: Yijkl = valor observado da parcela avaliada no genótipo “i”, dieta “j” e sexo “k”, na repetição “l”; µ = média geral; Gi = efeito do genótipo “i” (i = 1, 2, 3); Rj = efeito do nível de aminoácidos da dieta “j” (j = 1, 2, 3); Sk = efeito do sexo “k” (k= 1, 2); GRij   = efeito da interação genótipo “i” × dieta “j”; GSik = efeito da interação genótipo “i” × sexo “k”; RSjk = efeito da interação dieta “j” × sexo “k”; GRSijk = efeito da interação genótipo “i” × dieta “j” × sexo “k”; e, eijkl = erro aleatório associado a cada observação Yijk l.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Não houve interação tripla significativa (P>0,05) entre genótipo x dieta x sexo para nenhuma característica.

Houve interação significativa (P≤0,05) entre genótipo x sexo para as características de ganho de peso diário (GPD) e peso corporal aos 35 dias de idade (PC35). Aves Hubbard Flex macho apresentaram menor GPD que Cobb 500 e Ross 308 macho, e, consequentemente, quando as fêmeas foram avaliadas, não houve menor PC35 (Tab. 4). Não houve diferenças significativas (P>0,05) para GPD ou para PC35 entre os genótipos. Para todos os genótipos, os machos apresentaram médias maiores do que as fêmeas. O desempenho dos machos foi semelhante aos relatados por Moro et al. (2005) e Lima et al. (2008).

Tabela 4 Interação significativa genótipo x sexo para ganho de peso diário (GPD) e peso corporal aos 35 dias de idade (PC35) dos frangos de corte Cobb 500, Hubbard Flex e Ross 308 do nascimento aos 35 dias de idade 

Característica Sexo Genótipo
Cobb 500 Hubbard Flex Ross 308
GPD (g) Macho 54,99aA 51,90aB 54,43aA
Fêmea 46,82bA 47,10bA 47,95bA
PC35 (g) Macho 1967,49aA 1864,83aB 1952,12aA
Fêmea 1673,18bA 1692,81bA 1733,95bA

* Médias seguidas por distintas letras maiúsculas na mesma linha, ou minúsculas na mesma coluna (dentro da mesma característica), diferem pelo teste de Tukey a 5% de significância.

Para as demais características, tanto de desempenho quanto de carcaça, não houve interação genótipo x sexo, genótipo x dieta ou dieta x sexo.

Verificou-se efeito de genótipo (P≤0,05) para o consumo da dieta (CD). As aves Hubbard Flex apresentaram menor CD que as Cobb 500 ou as Ross 308, e estas não diferiram entre si (Tab. 5). Resultado semelhante foi encontrado para as características GPD e PC35 (Tab. 4), quando se avaliaram somente os machos, mostrando que, para as características de desempenho, os frangos Cobb 500 e Ross 308 se destacaram em relação às aves Hubbard Flex. Entretanto, para a conversão alimentar (CA), não houve diferença entre os genótipos avaliados (Tab. 5).

Tabela 5 Consumo da dieta (CD), ganho de peso diário (GPD), peso corporal (PC35) e conversão alimentar (CA) de genótipos comerciais de frangos de corte, machos e fêmeas, alimentados com diferentes programas nutricionais, do nascimento aos 35 dias de idade 

Fator CD (g) GPD (g) PC35 (g) CA (g/g)
Genótipo Cobb 500 3060,95a 50,90 1820,34 1,63a
Hubbard 2903,78b 49,50 1778,82 1,58a
Ross 308 3047,45a 51,19 1843,04 1,63a
Programa nutricional -10%aa 2965,12b 50,14b 1799,57b 1,61a
Basal 3137,44a 52,45a 1877,50a 1,62a
+10%aa 2909,61b 49,00b 1765,12b 1,61a
Sexo Macho 3107,08a 53,77 1928,15 1,58b
Fêmea 2901,03b 47,29 1699,98 1,65a
CV(%) 6,81 4,10 3,71 5,50

* Médias na mesma coluna, dentro de cada fator, seguidas por distintas letras, diferem pelo teste de Tukey a 5% de significância.

-10%aa - dieta com menos 10% de aminoácidos (lisina e metionina+cistina) que a dieta basal;

+10%aa - dieta com mais 10% de aminoácidos (lisina e metionina+cistina) que a dieta basal.

CV - coeficiente de variação.

As aves alimentadas com dieta basal apresentaram melhores desempenhos para CD, GPD e PC35, e não se observaram diferenças significativas para a conversão alimentar dos frangos, à semelhança dos resultados obtidos por Abdel-Maksoud et al. (2010) e Vasconcellos et al. (2010), que encontraram diferenças significativas nas características de desempenho de frangos de corte alimentados com diferentes níveis de proteína bruta na dieta. De acordo com D’Mello (1993), o consumo da dieta desbalanceada altera a concentração dos aminoácidos no plasma e nos tecidos, resultando em redução no consumo e no crescimento do animal. Ainda segundo D’Mello (1993), o desbalanceamento de aminoácidos na dieta pode resultar em alterações no consumo dos animais. Considerando o relato de D’Mello (1993) e o fato de as aves terem recebido dietas isoenergéticas, pode-se inferir que os programas nutricionais com +10% e -10% de aminoácidos diminuíram o consumo e o peso corporal das aves aos 35 dias de idade. De acordo com Sklan e Plavnik (2002), a redução do crescimento pode ser atribuída a quantidades limitadas de aminoácidos disponíveis na dieta, uma vez que frangos de corte de alto potencial genético para deposição de carne magra na carcaça possuem maior exigência de aminoácidos em todas as fases. Ainda, D’Mello (1993) relata que, para haver síntese proteica, é necessário que todos os aminoácidos, essenciais e não essenciais estejam presentes. Assim, o desbalanceamento entre os aminoácidos pode reduzir a eficiência de utilização deles, alterando a deposição de proteína corporal.

Os machos apresentaram melhor desempenho em relação às fêmeas para CD e CA (Tab. 5), independentemente do genótipo, resultado semelhante ao obtido, também, para GPD e PC35 (Tab. 4), quando desdobrado o efeito da interação genótipo x sexo.

Não houve efeito (P>0,05) do genótipo sobre peso corporal ao abate, peso da carcaça, rendimento da carcaça e peso das pernas (Tab. 6). Entretanto, houve diferenças significativas (P≤0,05) entre os genótipos para peso do peito, rendimento do peito, rendimento das pernas, peso das asas e rendimento das asas. Embora não houvesse diferenças entre genótipos para peso e rendimento de carcaça, houve diferenças para as características de rendimento de cortes. Esses resultados evidenciam diferenças entre genótipos para cortes nobres, o que poderia interferir na escolha do genótipo que melhor atenda às demandas específicas de mercado. Mendes (2001) e Fernandes et al. (2001) também não observaram diferenças para o rendimento de carcaça ao avaliarem diferentes genótipos de frangos de corte.

Tabela 6 Características de carcaça de três genótipos comerciais de frangos de corte, machos e fêmeas, alimentados com diferentes programas nutricionais, aos 35 dias de idade 

Fator Peso Corporal ao abate (g) Peso da Carcaça (g) Rendimento da Carcaça (%) Peso do Peito (g) Rendimento do Peito (%) Peso das Pernas (g) Rendimento das Pernas (%) Peso das Asas (g) Rendimento das Asas (%)
Genótipo
Cobb 500 1842,64a 1517,17a 82,31a 517,87a 34,01a 381,10a 25,14b 134,63b 8,89b
Hubbard Flex 1858,79a 1514,03a 81,68a 476,10b 31,39b 402,07a 26,52a 144,83a 9,55a
Ross 308 1919,53a 1560,63a 81,31a 516,13a 33,00a 388,23a 24,84b 140,17ab 9,01ab
Programa Nutricional
-10% aa. 1857,69b 1513,47b 81,19b 494,43b 32,60a 389,23ab 25,72a 139,63ab 9,24a
Basal 1943,41a 1590,93a 82,39a 529,73a 33,25a 409,8a 25,73a 146,63a 9,24a
+10% aa. 1824,07b 1487,43b 81,57ab 485,93b 32,55a 372,37b 25,04a 133,37b 8,98a
SEXO
Macho 1998,40a 1635,89a 81,86a 543,00a 33,16a 421,49a 25,76a 149,00a 9,12a
Fêmea 1746,98b 1425,33b 81,61a 463,73b 32,45a 359,44b 25,24a 130,75b 9,18a
CV (%) 7,01 7,16 2,04 10,98 6,73 10,52 8,41 11,06 10,47

* Médias na mesma coluna, dentro de cada fator, seguidas por distintas letras, diferem pelo teste de Tukey a 5% de significância.

-10% aa - dieta com menos 10% de aminoácidos (lisina e metionina+cistina) que a dieta basal; +10% aa - dieta com mais 10% de aminoácidos (lisina e metionina+cistina) que a dieta basal. CV - coeficiente de variação.

As aves dos genótipos Cobb 500 e Ross 308 apresentaram maiores peso e rendimento do peito. Por outro lado, as aves do genótipo Hubbard Flex apresentaram maior rendimento de pernas. Com relação ao peso e ao rendimento das asas, as aves Hubbard Flex apresentaram as maiores médias, não diferindo das aves do genótipo Ross 308, que, por sua vez, não diferiu das aves Cobb 500. Essa diferença entre genótipos para características de carcaça é importante na escolha dos genótipos que atendam às exigências do mercado que se pretende atingir.

Observou-se efeito dos programas nutricionais (P≤0,05) sobre peso corporal ao abate, peso e rendimento da carcaça, peso do peito, das pernas e das asas. Aves alimentadas com dieta basal mostraram, de modo geral, melhor desempenho do que as demais. Não se verificou efeito das dietas para rendimentos do peito, das pernas e das asas (Tab. 6). Lima et al. (2008) não encontraram efeito dos níveis de energia das dietas sobre o rendimento de peito em frangos. Esses mesmos autores relataram, ainda, que o maior rendimento de peito foi observado quando os frangos foram alimentados com altos níveis de aminoácidos, corroborando os relatos de Wijtten et al. (2004), que observaram que níveis mais altos de treonina e lisina aumentaram o rendimento de peito dos frangos. Vasconcellos et al. (2010) não encontraram efeito dos níveis de proteína bruta da dieta sobre o rendimento de carcaça, coxa, asas e dorso; em contrapartida, esses mesmos autores verificaram efeito significativo para o rendimento de peito. Outros autores, como Kamram et al. (2008) e Rodrigues et al. (2008), não encontraram diferenças estatísticas para rendimento de carcaça e cortes de frangos alimentados com diferentes níveis de proteína bruta na dieta.

Os machos apresentaram maiores (P<0,05) peso corporal ao abate, peso de carcaça e pesos de peito, pernas e asas em relação às fêmeas. Não se verificou efeito de sexo sobre os rendimentos de carcaça, peito, pernas e asas (Tab. 6), resultados que diferem dos obtidos por Lima et al. (2008), que sugerem efeito de sexo sobre os rendimentos de carcaça e cortes nobres.

Os efeitos significativos do sexo sobre características de carcaças e de desempenho reforçam a importância das práticas de criação em sexos separados, visando à obtenção de melhores desempenhos na criação dos frangos.

CONCLUSÕES

O desempenho dos frangos de corte Cobb 500 e Ross 308 foi maior do que frangos Hubbard Flex aos 35 dias de idade. Frangos alimentados com o programa nutricional basal apresentaram maior desempenho. Machos apresentaram melhores desempenhos que as fêmeas.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem o principal idealizador deste trabalho, o professor Aldrin Vieira Pires (in memorian), pela sua imensa contribuição científica na execução e redação deste trabalho e o apoio recebido da Capes, do CNPq e da Fapemig.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 03 de Março de 2015; Aceito: 15 de Novembro de 2015

*Autor para correspondência (corresponding author) E-mail: velosozootecnista@yahoo.com.br

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