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Revista da Faculdade de Educação

versión impresa ISSN 0102-2555

Rev. Fac. Educ. v.24 n.1 São Paulo ene./jun. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-25551998000100007 

II Encontro Internacional Escola Nova no Brasil e na Argentina

 

INTRODUÇÃO

 

O II Encontro Internacional Escola Nova no Brasil e na Argentina, realizado nesta Faculdade de Educação, de 17 a 19 de março de 1997, contou com a participação de pesquisadores dos dois países, para discutir o tema Escola Nova no Brasil e na Argentina: questões historiográficas e estudos comparativos.

Além das reuniões de trabalho, a agenda do evento foi elaborada de maneira a permitir a exposição de investigações dos participantes do Encontro em duas mesas redondas abertas ao público da graduação e pós-graduação da FEUSP e organizadas com o apoio da Área Temática "História e historiografia da educação".

A primeira, "Brasil e Argentina: questões de historiografia em educação", foi composta pela Profª Drª Clarice Nunes (UFF) e Profª Drª Silvina Gvirtz (Universidade de Buenos Aires – UBA), sendo coordenada pela Profª Drª Marta M. Chagas de Carvalho (USP).

Da segunda mesa, Brasil e Argentina: investigações recentes sobre práticas escolares", participaram a Profª Drª Silvina Gvirtz (UBA), o Prof. Ovide Menin (UBA) e o Prof. Dr. Luciano Mendes de Faria Filho (UFMG), cabendo a mim a coordenação.

As comunicações apresentadas, com algumas modificações, divulgamos neste número da Revista da Faculdade de Educação. Sua leitura permite acompanhar as discussões do grupo e o encaminhamento de nem sempre fáceis estudos comparados.

Abordando exatamente essa temática, Clarice Nunes, no artigo Historiografia comparada da escola nova: algumas questões, coloca-se como desafio refletir sobre possibilidades e limites de trabalhos comparados no campo da História da Educação. Partindo da análise da biografia do educador M. B. Lourenço Filho, propõe como campo passível de estudos comparados a problematização de biografias de educadores.

Os textos de Luciano Mendes de Faria Filho, O espaço como objeto da história da educação: algumas reflexões, e de Marta Carvalho, A escola nova e o impresso: um estudo sobre as estratégias editoriais de difusão do escolanovismo no Brasil 1, endereçam-se a ampliar os horizontes da pesquisa em História da Educação tratando o espaço escolar e a imprensa pedagógica como objetos. No primeiro caso, Luciano, ao discorrer sobre as mudanças implementadas em Belo Horizonte com a reforma proposta por João Pinheiro em 1906, detém-se na análise das transformações espaciais por que passou a escola mineira, quando da substituição de escolas de um professor por grupos escolares, percebendo essas transformações como aspectos da construção de uma nova cultura escolar. No segundo, Marta, distinguindo estratégias editoriais diferenciadas de dois grupos em confronto – pioneiros e católicos – após a Revolução de 1930, dispõe-se a explorar as estratégias postas em circulação pelos pioneiros especificamente nas reformas de instrução pública efetivadas por Lourenço Filho (São Paulo, 1930-31) e Anísio Teixeira (Rio de Janeiro, 1931-35).

Com o objetivo de oferecer elementos para a percepção de diferentes experiências educativas escolanovistas, o artigo de Ovide Menin aborda o trabalho das irmãs Cossetini na Argentina, através do estudo da "escola serena" e das "missões culturais" por elas realizadas nas comunidades.

Finalmente, pretendendo traçar perspectivas para estudos comparativos, os textos de Silvina Gvirtz e Diana Gonçalves Vidal dedicam-se a analisar o ensino da caligrafia e da escrita na Argentina e no Brasil, respectivamente, no período aproximado de 1900 a 1930. Apesar das semelhanças na atuação dos educadores e no encaminhamento de questões práticas e teóricas quanto ao ensino da escrita no início do século, os artigos apontam para a diversidade do tratamento do tema nos dois países a partir dos anos 20 pelos educadores novos, sinalizando para a riqueza das análises comparativas na compreensão da especificidade dos processos históricos.

Os artigos que seguem foram elaborados com o propósito de oferecer subsídios ao prosseguimento de análises comparativas no campo da História da Educação entre o Brasil e Argentina. Representam um segundo momento da trajetória do grupo, iniciada em 1995, em Buenos Aires, quando foi realizado o I Encontro Internacional Escola Nova no Brasil e na Argentina2.

 

Diana Gonçalves Vidal*

 

 

* Profa. Dra. do Departamento de Filosofia e Ciências da Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

1 Este artigo não consta da coletânea porque foi recentemente publicado em: FARIA FILHO, Luciano M. Modos de ler, formas de escrever: estudos de História da Leitura e da escrita no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 1998, p.65-86.

2 Os textos desse I Encontro foram publicado em: GVIRTZ, Silvina (Org.) Escuela Nueva en Argentina y Brasil. Buenos Aires: Miño y Dávila Editores, 1996.