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Revista Brasileira de Geofísica

Print version ISSN 0102-261X

Rev. Bras. Geof. vol.29 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-261X2011000100005 

Variações temporais do material particulado inalável fino e grosso e íons inorgânicos solúveis em São José dos Campos, SP

 

 

Patricia Alexandre de SouzaI; William Zamboni de MelloI; Rauda Lúcia MarianiII; Silvia Maria SellaIII

IPrograma de Pós-Graduação em Geoquímica, Instituto de Química, Universidade Federal Fluminense, Outeiro de São João Batista, s/n, 24020-141 Niterói, RJ, Brasil. Tel.: +55(21) 2629-2199- E-mails: pasouza@vm.uff.br; zamboni@geoq.uff.br
IICentro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Avenida dos Astronautas, 1758, Jardim da Granja, 12227-010 São José dos Campos, SP, Brasil. Endereço permanente: Departamento de Geoquímica, Instituto de Química, Universidade Federal Fluminense, Outeiro de São João Batista, s/n, 24020-141, Niterói, RJ, Brasil. Tel.: +55(12) 3208-6669 - E-mail: rauda.lucia@cptec.inpe.br
IIIDepartamento de Química Analítica, Instituto de Química, Universidade Federal Fluminense, Outeiro de São João Batista, s/n, 24020-141, Niterói, RJ, Brasil - E-mail: egq@vm.uff.br

 

 


RESUMO

Amostras de MP2,5 e MP2,5-10 foram coletadas em São José dos Campos (São Paulo) de fevereiro de 2004 a fevereiro de 2005. Nesse período ocorreram duas longas estiagens, com durações de 25 e 38 dias consecutivos. As concentrações de MP foram maiores na segunda do que na primeira. Os dados foram divididos em dois grupos, um contendo resultados das medições efetuadas durante as duas estiagens (período seco) e outro contendo os dados do restante do ano (período regular). As concentrações médias do MP2,5 e MP2,5-10 foram respectivamente 23 ± 7,5 µg m-3 e 19 ± 7,9 µg m-3 no período seco e 14±7,9 µg m-3 e 13 ± 7,9 µg m-3 no período regular. Houve variação entre os dias da semana, com concentrações médias de MP maiores na quarta-feira (MP2,5) e quinta-feira (MP2,5-10) e menores no domingo. A variação mais acentuada ocorreu para o MP2,5-10, sugerindo uma relação com emissões veiculares. Durante os períodos seco e regular, as concentrações de SO42- e NH4+ foram aproximadamente 5 vezes maiores no MP2,5 do que no MP2,5-10. No MP2,5, as concentrações iônicas foram maiores no período seco (exceto Cl-, Na+ e Mg2+), especialmente K+. Análise de agrupamentos e trajetórias reversas de massas de ar para o MP2,5 sugere influência continental de origem significativa para os íons NO3-, SO42-, NH4+ e K+.

Palavras-chave: material particulado atmosférico, partículas inaláveis, material particulado fino, material particulado grosso, transporte a longa distância.


ABSTRACT

PM2,5 and PM2,5-10 samples were collected at São José dos Campos (São Paulo) from February 2004 to February 2005. During this time there were two periods of drought, one lasting for 25 consecutive days and a second one for 38 days. The later exhibited higher PM concentrations values than the first one. Data were divided into two groups, one comprising all measurements carried out during the 63 days without rain (dry period) and a second one comprising the remaining data (regular period). The PM2,5 and PM2,5-10 average concentrations were respectively 23 ± 7.5 and 19 ± 7.9 µg m-3 during dry period and 14 ± 7.9 and 13 ± 7.9 µg m-3 during regular period. There was a day-of-week variation with highest average concentrations on Wednesday (PM2.5) and Thursday (PM2.5-10) and lowest on Sunday. The PM2,5-10 exhibited the most pronounced variation suggesting an association with vehicular emissions. During both dry and regular periods, average SO4-2 and NH4+ concentrations were about 5 times higher in the fine than in the coarse fraction. PM2,5 ionic concentrations, especially that of K+, were higher in the dry period compared to regular one (except for Cl-, Na+ and Mg2+). Hierarchical cluster analysis and backward air mass trajectories indicate that during the dry period NO3-, SO42-, NH4+ and K+ associated with PM2.5 are significantly influenced by continental sources.

Keywords: atmospheric particulate matter, inhalable particles, fine particulate matter, coarse particulate matter, long-range transport.


 

 

INTRODUÇÃO

A poluição do ar provocada pelo material particulado (MP) atmosférico é um sério problema ambiental que atinge inúmeras regiões do mundo, especialmente as áreas urbanas e industrializadas. Além dos impactos adversos sobre a saúde humana (Englert, 2004; Ito et al, 2004; Yip et al, 2004; Gonçalves et al, 2005), a preocupação voltada ao MP atmosférico cresceu nas últimas duas décadas devido à sua influência negativa no balanço radiativo global (Wang et al, 2003; Artaxo et al, 2005; IPCC, 2007; Koçak et al, 2007). De forma geral, o MP atmosférico é constituído de uma mistura complexa de partículas líquidas e sólidas, de diâmetros na faixa entre 0,002 e 100 µm, compostas de substâncias orgânicas e inorgânicas (Finlayson-Pitts & Pitts, 2000; Seinfeld & Pandis, 2006).

As partículas inaláveis (abrev: PI ou MP10) são aquelas que possuem diâmetro aerodinâmico (Da) menor ou igual a 10 µm, capazes de penetrar no sistema respiratório humano, representando um risco para o desenvolvimento de doenças respiratórias e cardiovasculares. As PI são comumente subdivididas em finas e grossas (inhalable fine and coarse particles) (http://www.epa.gov/oar/particlepollution; acessado em: 25 jan. 2011), sendo as primeiras aquelas de Da menor ou igual a 2,5 µm (abrev: MP2,5) e as últimas as de Da entre 2,5 e 10 µm (abrev: MP2,5-10). Doravante, essas frações serão tratadas por MP fino (ou MP2,5) e MP grosso (ou MP2,5-10). Essas partículas podem ser emitidas diretamente de fontes naturais e antrópicas ou formadas na atmosfera através de processos de conversão gás-partícula (Willeke & Baron, 1993).

O presente trabalho, um complemento ao De Souza et al. (2010), avalia as variações temporais do MP fino e grosso, especialmente no que diz respeito aos períodos de estiagem em relação ao restante do ano, e de seus constituintes iônicos inorgânicos solúveis em água, e conjectura sobre as possíveis origens dessas substâncias na atmosfera urbana da cidade de São José dos Campos.

 

METODOLOGIA

Área de estudo

O município de São José dos Campos (SJC) encontra-se no Vale do Paraíba, no sudeste do Estado de São Paulo (SP), posicionado entre a Serra do Mar e Serra da Mantiqueira. 0 município possui uma área de 1.102 km2 e uma população de aproximadamente 616 mil habitantes. 0 setor urbano de SJC ocupa o equivalente a 30% da área municipal. A cidade de SJC encontra-se a uma altitude de aproximadamente 600 m e o clima é classificado como tropical de altitude (Cwa), tipo climático que predomina nos planaltos e serras do Sudeste do Brasil. A temperatura média anual é de 21°C, com médias mensais variando de 15°C (julho) a 23°C (fevereiro). A precipitação média anual é de 1.305 mm, com médias mensais variando de 32 mm (julho) a 216 mm (janeiro). Os ventos predominantes em SJC são os de norte-nordeste (NNE) e nordeste (NE), havendo também contribuições significativas das direções sul-sudoeste (SSW) e sul-sudeste (SSE) (CETESB, 2006).

O Vale do Paraíba é uma área altamente suscetível à poluição do ar devido à presença de um largo polo industrial e sua localização geográfica, entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira, fator que dificulta a dispersão dos poluentes atmosféricos (Molion, 1980; CETESB, 2006). Em 2004, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) estimou que em SJC 98% (ou 23 Gg) das emissões de dióxido de enxofre (SO2) e 71% (ou 2,0 Gg) das de MP originaram-se de fontes fixas, dos quais 96% do SO2 e 78% do MP resultaram da indústria de petróleo (CETESB, 2004). No caso dos óxidos de nitrogênio (NOx = NO + NO2), 62% (ou 8,7 Gg) das emissões foram atribuídas às fontes móveis (CETESB, 2004).

Amostragem

A amostragem do MP2,5 e MP2,5-10 foi conduzida de fevereiro de 2004 a fevereiro de 2005 em um local (23°12'48,6"S; 45°51'59,1"W) situado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em SJC. Esta foi efetuada por meio de um amostrador dicotômico MP10 Graseby Andersen modelo 241, que separa as duas frações de MP As coletas foram realizadas num período de 24 h com intervalos de 6 dias entre uma coleta e outra. Os filtros empregados foram de fibra de Teflon de 2,0 µm de porosidade e 37 mm de diâmetro (Sierra-Andersen Tef-DiscTM Teflon). As particularidades relativas ao funcionamento do equipamento e aos procedimentos de amostragem encontram-se descritas em De Souza et al. (2010). Os resultados das concentrações do MP10 foram obtidos a partir da soma das frações fina e grossa, i.e, MP10 = MP2,5 + MP2,5-10.

Extração e análises químicas

A massa do MP foi determinada gravimetricamente pela diferença de peso do filtro antes e após a coleta em uma balança analítica Sartorius com precisão de 10 µg. A solubilização do conteúdo dos filtros foi realizada pela adição de 50 mL de água destilada e deionizada em frascos de 100 mL de polietileno previamente lavados e secos, seguido da ultrassonificação (Thorton modelo GA-240) por 3 h e repouso por 12 h (De Souza et al, 2010). Em seguida, os extratos dos constituintes inorgânicos solúveis em água foram transferidos para frascos de 100 mL de polietileno e preservados em freezer. Os íons analisados foram: Cl-, NO3-, SO42-, NH4+, Na+, K+, Mg2+ e Ca2+. A descrição detalhada do procedimento analítico encontra-se em De Souza et al. (2010). Os limites de quantificação (µg m-3) dos íons analisados, baseados em sete filtros limpos (INMETRO, 2010) e num volume teórico de ar equivalente a 24 m3 (T = 25°C e P = 1 atm), foram: NH4+ (0,02), Na+ (0,17), K+ (0,11), Ca2+ (0,09), Mg2+ (0,01), Cl- (0,24), SO42- (0,06) e NO3- (0,02). A exatidão das análises dos íons Cl-, SO42-, Na+, K+, Ca2+ e Mg2+ foi verificada por intermédio de diluições de amostra de água do mar padrão (IAPSO Standard Seawater; salinidade = 34,996; Ocean Scientific International Ltd, UK), cujos resultados apresentaram variações na faixa de ± 10%. A precisão das análises químicas estão na faixa de intervalo de ± 5%.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As concentrações médias de 24 h do MP10 medidas no INPE foram comparadas às médias de 24 h do MP10 medidas em uma estação da qualidade do ar da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) em SJC, situada a aproximadamente 2,8 km a norte-noroeste (NNW) do local de amostragem no INPE. As concentrações médias de 24 h do amostrador contínuo da estação da CETESB foram calculadas a partir das concentrações médias de 1 hora (http://sistemasinter.cetesb.sp.gov.br/Ar/ar_boletim_mensal.asp), correspondentes aos mesmos dias e horários das amostragens realizadas no INPE. A Figura 1 mostra a distribuição das concentrações de MP10 do INPE em relação às da CETESB. De acordo com o teste t de Student pareado, as concentrações médias de 24 h do MP10 do INPE e da estação da CETESB não foram estatisticamente diferentes entre si, visto que para n = 52 e um nível de significância de 0,01 (P<0,01), os valores de tcrítico (tabelado) e tcalculado foram respectivamente 1,87 e 2,01 (Miller & Miller, 1993). Portanto, apesar do uso de técnicas de amostragem distintas (medição acumulada por impactador gravimétrico no INPE e medição contínua por monitor de atenuação de radiação β na estação da CETESB) e da localização e distância entre os pontos de amostragem, esses resultados apresentam boa concordância entre si.

 

 

As concentrações médias (± desvio-padrão, DP) do MP10, para todo o período estudado, no INPE e na CETESB foram respectivamente 31,2 ± 14,0 e 27,0 ± 14,7 µg m-3 (n = 52). A concentração média no INPE foi 16% superior à média da CETESB. Esta diferença pode ser atribuída a vários fatores, entretanto, vale salientar que os ventos predominantes em SJC são os de NNE e NE, e, em consequência disso, a contribuição das emissões veiculares da BR-116 pode, pelo menos em parte, constituir uma explicação para os níveis mais elevados de MP10 verificados no INPE em relação aos da CETESB. A BR-116 encontra-se respectivamente a 3,3 e 7,4 km de distância a NNE e NE do ponto de amostragem no INPE.

Concentrações do material particulado inalável fino e grosso

A Figura 2 apresenta a distribuição das concentrações de MP2,5 e MP2,5-10 juntamente com os dados de precipitação ao longo do período de estudo (24/02/2004 até 24/02/ 2005). Os dados de precipitação são da estação meteorológica do INPE em SJC e foram obtidos do website da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (http://strademaweb.funcate.org.br/STRADEMAWEB/; acessado em: 25 jan. 2011). A precipitação acumulada no período de estudo foi de 1.125 mm, valor 12% inferior à média anual de 1.282 mm referente a uma série histórica de 61 anos de monitoramento (1942-2003) de uma estação pluviométrica do Departamento de Águas e Energia Elétrica localizada no município de SJC (http://www.sigrh.sp.gov.br/cgi-bin/bdhm.exe/plu; acessado em 25 jan. 2011).

 

 

Durante o período de monitoramento foram identificados dois longos períodos de estiagem. O primeiro, de 13 de junho a 07 de julho, com 25 dias de duração. Nesse período, as concentrações (médias de 24 horas) máximas do MP2,5 e MP2,5-10 foram 28,8 e 18,5 µg m-3, respectivamente. 0 segundo, de 21 de julho a 17 de setembro, com 38 dias de duração. Neste último, as concentrações máximas do MP2,5 e MP2,5-10 foram 40,7 e 38,4 µg m-3, respectivamente.

Com o intuito de se avaliar o comportamento e as características químicas do MP atmosférico mediante condições de ausência prolongada de chuvas, decidiu-se por reunir os dados destes dois períodos sem chuvas (designado por período seco) e compará-los ao restante dos dias juntos (designado período regular). A Tabela 1 apresenta os resultados das concentrações do MP referentes ao período seco e ao período regular. As concentrações médias do MP2,5 e MP2,5-10 foram respectivamente 1,6 e 1,4 vezes superiores no período seco comparado ao período regular. A razão média de MP2,5/MP10 em SJC foi 0,52, indicando que metade das partículas inaláveis são compostas por MP fino (De Souza et al, 2010). A Tabela 1 também mostra que, em média, a razão MP2,5/MP10 foi aproximadamente 10% superior no período seco quando comparado ao período regular indicando, assim, uma maior tendência ao acúmulo no ar do MP fino em relação ao grosso durante as estiagens.

 

 

Variação semanal

A Figura 3 apresenta a distribuição das concentrações médias do MP2,5 e do MP2,5-10 por dias da semana. Em ambas as frações os menores valores médios foram observados no domingo. As concentrações médias do MP2,5 variaram de 11,2 a 18,0 µg m-3 e do MP2,5-10 de 9,0 a 19,3 µg m-3, portanto, o MP grosso foi o que mostrou maior amplitude entre os diferentes dias da semana. Quanto ao MP fino, os resultados mostram uma tendência de crescimento contínuo de segunda a quarta-feira e, a partir daí, um ligeiro decréscimo até o sábado e diminuição mais acentuada até o domingo. 0 MP grosso apresentou um crescimento de segunda a quinta-feira e redução até domingo. O crescimento contínuo das concentrações do MP do início até o meio da semana e os menores valores observados no domingo sugere o tráfego de veículos local como principal fator de controle da variação entre os dias da semana das concentrações do MP Considerando-se a localização do ponto de amostragem e as direções predominantes do vento (NNE e NE), acredita-se que a BR-116 contribui significativamente para os níveis de MP observados na área estudada. Padrões semelhantes de comportamento das médias o entre os dias da semana do MP10 também foram verificados pela CETESB em Congonhas (distrito de Campo Belo) no período 1997-2002 (CETESB, 2004), em Cerqueira César (município de São Paulo) no período 1998-2003 (CETESB, 2005) e na Região Metropolitana de São Paulo (CETESB, 2006).

 

 

Concentrações dos íons inorgânicos associados ao MP grosso

A Tabela 2 apresenta as concentrações (µg m-3) médias dos íons Cl-, NO3-, SO42-, NH4+, Na+, K+, Ca2+ e Mg2+ solúveis em água associados ao MP grosso para os períodos seco (13 de junho a 07 de julho e de 21 de julho a 17 de setembro; n = 14) e regular (n = 39). A massa total dos íons inorgânicos correspondeu a 23 e 21% da massa do MP grosso nos períodos seco e regular, respectivamente. Os íons mais abundantes nesta faixa de tamanho do MP (Na+, Cl- e NO3-) representam juntos 53% da massa total das espécies iônicas analisadas no período seco e 54% no período regular.

No MP grosso, as concentrações médias dos íons inorgânicos foram maiores no período seco quando comparadas ao período regular. Os íons que mostraram maiores diferenças foram o NO3-, Na+ e K+, com valores 70-80% maiores no período seco (Tab. 2). Pouca diferença entre os dois períodos foi verificada para o Cl- e Mg2+.

Para os íons Ca2+ e K+ respectivamente 93% e 94% do seu conteúdo possui origem não-marinha, parcela doravante referida como exc-Ca2+ e exc-K+ (De Souza et al, 2010). Uma parte desse montante pode ter como origem a vegetação, especialmente o K+ face à sua abundância como sal associado à copa da floresta (Costa & De Mello, 1997), outros materiais de origem biogênica e a poeira do solo. Como fontes antrópicas destacam-se as atividades industriais associadas à produção de cimento e fertilizantes, a construção civil e a incineração de lixo urbano, e a queima de biomassa vegetal (Lee et al, 1999; Ooki et al., 2002).

As espécies iônicas inorgânicas associadas ao MP grosso que apresentaram diferenças estatisticamente significativas (P < 0,01), entre os períodos seco e regular, foram o Na+, K+, NO3- e Ca2+. Os maiores coeficientes de correlação linear ocorreram entre os íons Na+ e exc-K+ (r = 0,47), NO3- e exc-K+ (r = 0,35), e NO3- e exc-Ca2+ (r = 0,51) (n = 14, P < 0,05), sugerindo possíveis contribuições associadas às atividades urbanas e industriais para a composição química do MP grosso.

O déficit de Cl- (def-Cl-) (De Souza et al, 2010) durante a estiagem foi de 58%, cerca de 4 vezes superior ao período regular. O déficit de Cl- provém de reações químicas que se processam na atmosfera entre partículas de origem marinha e ácidos resultando na volatilização do ácido clorídrico (HCl) (Mamane & Mehler, 1987; Mamane & Gottlieb, 1992; De Souza et al, 2010), como por exemplo: NaCl (s) + HN03 (g) ◊ NaN03 (s) + HCl (g), Esta perda evidencia o fato de que durante os períodos de estiagem ou de menor ocorrência de chuvas as concentrações de NOx tendem a ser mais elevadas, favorecendo a reação de formação de aerossóis de NaNO3 e volatilização do Cl- como HCl (Hueglin et al., 2005; Mariani & De Mello, 2007).

Concentrações dos íons inorgânicos associados ao MP fino

A Tabela 2 apresenta as concentrações (em µg m-3) dos íons solúveis em água associados ao MP fino para o período seco (13 de junho a 07 de julho e de 21 de julho a 17 de setembro; n = 14) e o período regular (n = 39). A massa total dos íons inorgânicos analisados foi maior no período seco do que no período regular. A contribuição da massa total dos íons inorgânicos relativa à massa do MP fino foi 28% para o período seco e 21% para o período regular.

Com base no teste t de Student, aplicado às espécies iônicas associadas ao MP fino, os íons NH4+, K+ e SO42- apresentaram diferenças estatisticamente significativas (P < 0,01) entre os períodos estudados. Estes três íons foram os mais abundantes associados ao MP2,5, representando juntos 78% e 69% da massa total das espécies inorgânicas solúveis para os períodos seco e regular, respectivamente.

Assumindo-se que a maior parte do íon Na+ nas amostras de MP fino de SJC possa ter como origem a água do mar (Keene et al, 1986), estima-se que nos períodos seco e regular, respectivamente 97 e 95% do SO42- associados ao MP2,5 originaram-se da oxidação do SO2. Com isso, estima-se que as concentrações médias de sulfato de amônio [(NH4)2SO4] no MP2,5 nos períodos seco e regular foram de 3,9 e 2,5 µg m-3. Portanto, nos períodos seco e regular respectivamente 17 e 18% da massa do MP2,5 eram constituídas de (NH4)2SO4. Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Mariani & De Mello (2007) estimaram que 97% do SO42- associado ao MP2,5 originaram-se da oxidação do SO2 e determinaram que 20% da massa do MP2,5 era atribuído ao (NH4)2SO4. Nos Estados Unidos da América, as concentrações mais altas de (NH4)2SO4 (~5 µg m-3) associadas ao MP2,5 encontram-se na região centro-leste do país, onde 50-60% da massa do MP2,5 é atribuída ao sulfato de amônio, enquanto que na costa oeste as concentrações encontram-se em geral na faixa de 0,8 a 1,0 µg m-3, dos quais 20-40% são atribuídos ao (NH4)2SO4 (Malm et al, 2004).

A parcela atribuída ao K+ de origem não-marinha (exc-K+) representou 97% do total desta espécie para o período seco e 95% para o período regular. O enriquecimento de K+ no MP fino pode ser atribuído às emissões biogênicas e queima de biomassa (Trebs et al, 2005), além de algumas atividades industriais e práticas ligadas à agricultura. O K+ é frequentemente usado como traçador para a queima de biomassa (Yamasoe et al, 2000; Allen et al, 2004; Lara et al, 2005).

Análise de Agrupamentos e trajetórias reversas para o MP fino

A Análise de Agrupamentos (AA) foi aplicada às amostras de MP fino durante o período seco, com a finalidade de se identificar possíveis episódios de características similares. A AA foi processada a partir do software Statistics 7.0. O dendograma resultante da AA definiu para as amostras de MP fino 2 grupos, ambos contendo 7 casos. O Grupo 1 inclui os dias: 23/07/04,15/09/04, 05/07/04,16/08/04,10/08/04, 29/07/04 e 29/06/04 e o Grupo 2 os dias: 22/08/04, 09/09/04, 23/06/04, 03/09/04, 04/08/04, 28/08/04,17/06/04 (Fig. 4).

 

 

Na Tabela 3 encontram-se compiladas as concentrações médias (em neq m-3) dos ions exc-SO42-, exc-K+ e exc-Ca2+ (i.e., excluídas as parcelas de origem marinha), NH4+, Na+, NO3-e Mg2+, e do déficit de cloreto (def-Cl-; parcela de cloreto volatilizada para a atmosfera do MP atmosférico) para cada um dos dois grupos. O Grupo 2 apresentou as maiores concentrações médias dos íons inorgânicos e o maior déficit de Cl-.

 

 

Visando uma melhor compreensão das características destes dois grupos no que tange às potenciais origens dos íons estudados, foram computadas as trajetórias reversas (backward trajectories) de massas de ar para cada um dos dias de amostragem. As trajetórias reversas foram obtidas através do programa HYSPLIT _4 MODELING SYSTEM (Hybrid Single-Particle Lagrangian Integrated Trajectory), desenvolvido pelo National Oceanic and Atmospheric Association - Air Resources laboratory (Draxler & Rolph, 2003; http://www.arl.noaa.gov/ready/hysplit4.html), que possibilita a investigação das características espaciais do transporte atmosférico de poluentes segundo as origens das massas de ar (Lee et al, 1999; Niemi et al, 2004; Koçak et al, 2007).

Para o cálculo das trajetórias reversas o modelo fornece um vasto banco de dados meteorológicos e neste caso foi utilizado o FNL (Final Meteorological database). Além disso, é necessária a inserção de outros dados como as coordenadas do ponto de coleta e o nível da altura do ponto receptor (local do amostrador). Para esse último utilizou-se 10 m como altura acima do solo e 600 m como altitude do local do amostrador em SJC. Em suma, as variáveis de entrada do modelo foram inseridas na seguinte sequência: modelo FNL, latitude e longitude, trajetória backward, data final da amostragem, horário da coleta (UTM), número total de horas rodadas (ou tempo de percurso) que neste caso foi de 144 h (6 dias) e a altura em relação ao nível do solo. Todas as trajetórias reversas computadas possuem como tempo de duração 6 dias e seguem o mesmo procedimento de entrada dos dados com base nas informações apresentadas acima.

As trajetórias reversas para as datas que constituem o Grupo 1 da AA são mostradas nas Figuras 5A-G e para as do Grupo 2 da AA nas Figuras 6A-G. As trajetórias reversas do Grupo 1 têm como característica comum percursos com extensões maiores sobre o Atlântico do que sobre o continente sul-americano em relação aos do Grupo 2. Em 06/07/04 (Grupo 1; Fig. 5C) e 29/08/04 (Grupo 2; Fig. 6F) as trajetórias reversas tiveram origens sobre o Pacífico.

A origem continental e potencialmente antrópica dos íons NO3-, exc-SO42- e NH4+ é evidente ao se comparar as razões das concentrações médias Grupo 2/Grupo 1 (G2/G1), que para o NO3-foi 1,7 e os outros dois íons igual a 1,8 (Tab. 3), enquanto que para os íons de origem majoritariamente marinha (de Souza et al, 2010), como o Na+ e Mg2+, as razões foram 1,3 e 1,1, respectivamente. O maior tempo de permanência das massas de ar sobre o continente pode provocar transformações na composição química do MP em decorrência de reações que ocorrem durante o percurso especialmente em atmosfera poluída. Uma evidência disso está na razão G2/G1 para o def-Cl- (1,7). O processo de perda do Cl- (possivelmente como HCI) é mais acentuado no MP fino do que no grosso em virtude da maior área superficial e maior tempo de permanência na atmosfera do primeiro (Kerminen et al, 1998; Mariani & De Mello, 2007).

A razão G2/G1 para o exc-K+ foi 1,7. Uma possível contribuição é o transporte de longa distância de MP fino oriundo de ocorrências de queima de biomassa. Niemi et al. (2004) verificaram na Finlândia um enriquecimento de 5,6 vezes nas concentrações de partículas na faixa de 0,09-0,5 µm, bem como aumento das concentrações elementares de K e S em plumas decorrentes de transporte de longa distância decorrentes de queimadas. No sudeste da África, durante episódios de queima de biomassa, foram identificadas em plumas de fumaças recém-formadas partículas de cloreto de potássio (KCl) e predomínio de partículas de sulfato de potássio (K2SO4) e nitrato de potássio (KNO3) em plumas distantes das áreas de queimadas (Li et al, 2003).

 

CONCLUSÕES

Amostras de MP2,5 e MP2,5-10 foram coletadas em São José dos Campos de fevereiro de 2004 a fevereiro de 2005. Nesse período ocorreram duas longas estiagens, com durações de 25 e 38 dias consecutivos. As concentrações de MP foram maiores na segunda do que na primeira. Os dados foram divididos em dois grupos, um contendo as medições efetuadas durante as duas estiagens (período seco) e outro com contendo as medições efetuadas no restante do ano (período regular). As concentrações médias do MP2,5 e MP2,5-10 foram respectivamente 22,6 ± 7,5 µg m-3 e 18,5 ± 7,9 µg m-3 no período seco e 13,8 ± 7,9 µg m-3 e 13,3 ± 7,9 µg m-3 no período regular. Houve variação entre os dias da semana, com concentrações médias de MP maiores na quarta-feira (MP2,5) e quinta-feira (MP2,5-10) e menores no domingo. A variação mais acentuada para o MP2,5-10 sugere uma relação com emissões veiculares. Durante os períodos seco e regular, as concentrações de SO42- e NH4+ foram aproximadamente 5 vezes maiores na fração fina do que na fração grossa. No MP2,5, as concentrações iônicas foram maiores no período seco (exceto Cl-, Na+ e Mg2+), especialmente K+. Análise de agrupamentos e trajetórias reversas de massas de ar para o MP2,5 sugerem origens predominantemente continentais e relacionadas às atividades antrópicas para os íons NO3-, SO42-, NH4+ e K+.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo apoio financeiro concedido ao Projeto (CNPq - Proj. 474113/2003-5) e as bolsas de mestrado CNPq (primeiro ano) e FAPERJ (Aluno Nota 10; segundo ano) concedidas à Patricia Alexandre de Souza.

 

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Recebido em 18 agosto, 2010 / Aceito em 14 janeiro, 2011
Received on August 18, 2010 / Accepted on January 14, 2011

 

 

NOTAS SOBRE OS AUTORES
Patricia Alexandre de Souza.
Aluna de doutorado em Geociências (Geoquímica) pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em Geociências (Geoquímica) pela UFF (2009) e graduada em Licenciatura em Química pela Universidade Salgado de Oliveira (2007).
William Zamboni de Mello. Professor Associado do Departamento de Geoquímica do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF), graduado em Química Industrial pela UFF (1979), mestre em Geociências (Geoquímica) pela UFF (1982) e em Química Marinha e Atmosférica pela University of Miami (1986), e doutor em Ciências da Terra (Geoquímica) pela University of New Hampshire (1992). Áreas de interesse: química atmosférica, hidrogeoquímica, biogeoquímica do C, N e S, e troca de elementos nas interfaces pedosfera, hidrosfera, biosfera e atmosfera.
Rauda Lúcia Mariani. Química do Departamento de Geoquímica da Universidade Federal Fluminense (UFF), Pesquisadora Visitantedo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais desde 2002, graduada em Engenharia Química pela UFF (1979), e mestre e doutora em Geociências (Geoquímica) pela UFF (1984 e 2001). Áreas de interesse: química atmosférica e transporte de poluentes.
Silvia Maria Sella. Professora Associada do Departamento de Química Analítica do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (UFF), graduada em Licenciatura em Química pela Universidade Estadual de Maringá (1985), e mestre e doutora em Química (Química Analítica Inorgânica) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1990 e 1997). Áreas de interesse: análise de traços e química ambiental.