SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.10 issue4Mídia e violência urbana author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.10 no.4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 1994

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1994000400015 

TESES/THESIS

 

 

BARROSO, D. E., 1994. Epidemiologia e Controle da Infecção pela Neisseria meningitidis em Famílias de Pacientes com Doença Meningocócica Internados no Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, IEISS-RJ (Prof. Claude A. Solari & Profª. Susie A. Nogueira, orientadores). Tese de Mestrado, Rio de Janeiro: Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz. 163p.

O autor investigou a infecção assintomática pela Neisseria meningitidi em 524 contatos íntimos, de 63 casos de doença meningocócica selecionados aleatoriamente. Trinta e quatro famílias controles, que formaram um grupo de 210 pessoas, foram incluídas para comparação. Os doentes estudados no Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião (IEISS/SES-RJ), entre março e outubro de 1992, foram submetidos a coleta de "swab" na internação e após a alta hospitalar. Os contatos íntimos foram examinados antes e após a administração de rifampicina profilática.

A prevalência de portadores entre os contatos íntimos foi de 27,6% (145/524), sendo maior entre crianças de cinco a nove anos (35,2%). Um maior número de portadores esteve relacionado com as casas com três ou menos cômodos (P=0,017). Taxas de portadores mais altas também foram associadas com uma maior densidade de moradores por dormitório (P=0,03). Nas famílias controles o índice de portadores foi de 12,4% (26/210), significativamente inferior ao documentado nos contatos íntimos (P=0,00001). Um número maior de infecção subclínica também esteve relacionado com o índice de aglomeração do domicílio dos controles. A idade do caso índice não parece ser uma variável importante para o índice de infecção e a hipótese de que a N. meningitidi, como regra, é introduzida no domicílio por um adulto e então disseminada dentro da família para uma criança, não encontra apoio nos dados deste estudo. Algumas famílias apresentaram um único sorotipo circulante enquanto que em outras havia uma população heterogênea. Esta observação sugere que a epidemiologia da infecção pelo sorogrupo B é sorotipo dependente.

A rifampicina foi eficaz em descolonizar a nasofaringe de 87,4% dos portadores de N. meningitidi (125/143). O uso de ceftriaxona foi necessário em sete portadores persistentes ao uso da rifampicina, repetida por duas vezes sem sucesso. A rifampicina mostrou uma eficácia satisfatória, mas a falha registrada e a existência de portadores persistentes não podem ser desconsideradas.

A N. meningitidi persistiu na nasofaringe de apenas 3,9% (2/51) dos pacientes com a doença meningocócica tratados com penicilina. O tratamento específico não garante a descolonização da nasofaringe, porém sua importância para a ocorrência de casos secundários deve ser pequena.

 
 

ESCOBAR, A. L., 1994. Malária no Sudoeste da Amazônia: uma Metanálise (Prof. Dr. Carlos E. A. Coimbra Jr., orientador). Tese de Mestrado, Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz. 267p., figuras, tabelas, bibliografia.

A produção científica sobre malária, envolvendo clínica, terapêutica, parasitologia, imunologia, entomologia, ciências sociais e epidemiologia, no sudoeste da Amazônia, foi analisada diante de alguns preceitos metanalíticos. Buscou-se, inicialmente, uma classificação dos tipos de pesquisa realizados, além de uma identificação dos grupos, instituições e agências financiadoras dos estudos. Foi alvo de estudo o desenho de cada pesquisa, com seus procedimentos amostrais, controle de vieses e confudimento, critérios de inclusão e exclusão, variáveis utilizadas, análises estatísticas realizadas e resultados encontrados.

Um conjunto de 134 trabalhos (teses, livros, artigos e relatórios inéditos), distribuídos entre Clínica e Terapêutica (30), Parasitologia e Imunologia (38), Entomologia (19) e Ciências Sociais e Epidemiologia (47) foi objeto de análise.

Foi localizada produção numerosa, abordando aspectos relevantes para a ampliação do conhecimento acerca da endemia nesta região e contendo algumas orientações dirigidas para o seu controle. Foram encontradas, no entanto, lacunas de investigação, além de resultados passíveis de contestação. Em vários dos estudos analisados, os resultados, devido à metodologia de investigação utilizada, são aplicáveis apenas para as situações específicas estudadas, sendo impróprios para generalização.

 
 

LEI, D. L. M., 1994. Retardo do Crescimento na Idade Pré-escolar: Fatores Sócio-econômicos, Associação com o Estado Nutricional na Idade Escolar e Prognóstico do Aproveitamento Discente no Município de Osasco (Área Metropolitana de São Paulo) (Prof. Dr. Carlos Augusto Monteiro, orientador). Tese de Doutorado, São Paulo: Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo. 129 p., anexos, tabelas, figuras, bibliografia.

O trabalho teve por objetivo estudar determinantes e significado do retardo do crescimento da idade pré-escolar.

Em uma primeira etapa do trabalho, a partir de um Censo de Estaturas, envolvendo ingressantes de todas as escolas (públicas e particulares) do município de Osasco, realizado no início do ano letivo de 1989, foram selecionados casos e controles para a investigação retrospectiva dos determinantes sociais do retardo do crescimento. Os Casos, totalizando 192 ingressantes, foram caracterizados pelo índice altura/idade inferior a menos dois escore z da população de referência do NCHS/OMS. Os Controles, totalizando 219 ingressantes, foram caracterizados palo índice altura/idade superior a menos um escore z. Em uma segunda etapa, avaliou-se o estado nutricional atual dos Casos e Controles através da relação peso/altura e de medidas derivadas do perímetro branquial e prega cutânea tricipital. Em uma terceira etapa, utilizando-se um delineamento prospectivo, avaliou-se o aproveitamento escolar ao longo do ano letivo dos Casos e Controles.

Classe social, renda familiar per capita, escolaridade do chefe da casa e da mãe, condições de habitação e saneamento foram fatores que se associaram significativamente com o risco de retardo do crescimento.

Os índices antropométricos indicativos do estado nutricional atual mostraram-se inferiorizados nos ingressantes com retardo do crescimento, seja com relação aos ingressantes sem retardo, seja com relação ao padrão esperado para crianças com bom estado nutricional.

O aproveitamento escolar dos alunos que ingressaram com retardo do crescimento foi inferior ao dos alunos sem retardo, verificando-se que o risco maior de "reprovação" desses alunos mantinha-se mesmo com o controle de possíveis variáveis de confusão, ou seja, estado nutricional atual e variáveis sócio-econômicas.

 
 

LERNER, B. R., 1994. A Alimentação e a Anemia Carencial em Adolescentes (Profª. Dr. Sophia Cornbluth Szarfarc, orientadora). Tese de Doutorado, Rio de Janeiro: Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo. 112p.

A anemia ferropriva é o problema nutricional de maior prevalência atualmente no mundo. Sua ocorrência é considerada maior nos países em desenvolvimento, onde 36% da população apresenta essa patologia.

No Brasil uma parcela considerável da população está afetada. Em São Paulo o quadro não é diferente: 35% das crianças de seis a sessenta meses do município de são Paulo apresentavam anemia por carência de ferro na década de oitenta. Em Osasco, município da área metropolitana de São Paulo, 51% dos escolares de sete a oito anos são anêmicos.

Com o objetivo de verificar o papel da alimentação como um dos determinantes da anemia prevalente entre adolescentes do município de Osasco — São Paulo (Brasil), foram estudados 509 escolares das quintas e oitavas séries de escolas da Rede Pública de Ensino de Osasco.

A prevalência de anemia, identificada através da determinação da concentração de hemoglobina do sangue em amostras colhidas por punção digital, pelo método da cianometahemoglobina, foi baixa (5,3%), não havendo diferença entre os sexos.

O perfil nutricional, identificado através de medidas antropométricas, revelou que 17,3% dos adolescentes se localizaram abaixo do percentil 10 para peso/idade e 4,7% abaixo do percentil 3. A proporção de desnutridos foi maior entre os alunos das quintas séries. Os homens apresentaram-se em piores condições nutricionais do que as mulheres.

A prática alimentar, conhecida através do registro dos alimentos consumidos pelos alunos em três dias alternados, mostrou-se semelhante àquela encontrada em São Paulo em 1974/75. Foi observado pequeno consumo de alimentos fonte de vitamina C (elemento importante na absorção de ferro) e a tendência da substituição do jantar tradicional por um lanche.

A maior parte dos adolescentes tem consumo energético adequado e de ferro, inadequado.

A dieta consumida pelos adolescentes pode ser considerada de boa qualidade, justificando a baixa prevalência de anemia encontrada, embora a pequena densidade do ferro e do ferro biodisponível da dieta seja um indicador da provável existência de indivíduos deficientes em ferro em proporção apreciável na população.

 
 

LUIZA, V. L., 1994. Perfil de Prescrição e de Uso de Medicamentos no Hospital Evandro Chagas, Rio de Janeiro (Profª. Drª. Keyla Belizia Feldman Marzochi, orientadora). Tese de Mestrado, Rio de Janeiro: Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. 155p., anexos, quadros, figuras, tabelas, bibliografia.

O presente trabalho consistiu em uma revisão de uso de medicamentos, propondo-a como metodologia de avaliação de qualidade do sistema de distribuição de medicamentos por dose unitária em uma unidade hospitalar de pequeno porte, especializada em pesquisa na área das doenças infecto parasitárias (DIP).

A partir da revisão retrospectiva de 983 prescrições em 83 internações eleitas proporcionalmente dentre grupos de diagnóstico principal de SIDA, tripanossomíase, paracoccidioidomicose, hanseníase e outras DIP, foram identificados os medicamentos mais utilizados e os custos inerentes, assim como desvios dos parâmetros de preenchimento da prescrição quanto a dose e freqüência de administração dos medicamentos e limites máximo e mínimo das doses, em relação aos padrões propostos na bibliografia, bem como do registro de administração dos mesmos pelo pessoal de enfermagem.

Ainda que não se possa afirmar que os desvios encontrados tenham necessariamente resultado em falhas da assistência propriamente dita, representaram, sem dúvida, falhas de registro. Cabe sugerir e ressaltar a importância da construção de critérios para controle prospectivo e continuado, a partir da discussão conjunta dos vários profissionais envolvidos.

 
 

NIOBEY, C. S., 1994. A Análise da Mortalidade Infantil Pós-Neonatal Sob a Perspectiva das Causas Múltiplas (Profº. Dr. Zulmira Maria de Araújo Hartz, orientadora; Maria do Carmo Leal co-orientadora). Tese de Mestrado, Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz. 91p.

Os modelos de unicausalidade não tem sido suficientes para explicar a mortalidade infantil pós-neonatal e, somente considerando a multicausalidade do processo dessas mortes, é possível estabelecer evidências de risco associado para melhorar a efetividade dos programas de saúde.

Esse estudo propôs-se a analisar uma amostra de 40% dos óbitos infantis pós-neonatais do projeto "Determinantes da Mortalidade Infantil na Região Metropolitana do Rio de Janeiro — maio/1986 a abril/1987", sob a perspectiva das causas múltiplas, buscando associação significativa entre pares de causas de interesse e trazer subsídios para a reorientação dos programas de saúde voltados para as crianças.

Esses óbitos foram investigados no hospital, gerando o preenchimento de novo atestado que foi nosso "gold standard" para a validação de causa de morte do atestado médico, comparando-se os atestados originais e modificados. Todas as causas mencionadas em ambos atestados foram codificadas por profissionais treinados pelo Centro Brasileiro de Classificação de Doenças, digitadas e analisadas pelo programa EPI-INFO.

Para a análise por causas múltiplas do atestado original, as causas básicas e associadas foram primeiro distribuídas pelos capítulos da CID — 9ª Revisão e, depois, em seis grupos: desnutrição, diarréia, pneumonia, septicemia, outras infecções e outras causas. Foi testada a associação entre grupos de causas através da estimação do Q de Yule.

O estudo preliminar do preenchimento do atestado original mostrou que o percentual de uma só causa mencionada por D. O. foi de apenas 14,7% e a freqüencia média de diagnósticos foi de 2,64. Os capítulos I (D. Infecciosas e Parasitárias), VIII (D. do Aparelho Respiratório) e III (D. Endócrinas, Nutricionais, Metabólicas e Imunitárias) são responsáveis por 73,4% dos totais de menções.

A estimativa do Q de Yule mostrou associação para a desnutrição como causa básica com diarréia ou pneumonia como associadas e também para a diarréia como básica com a desnutrição ou a septicemia como associadas.

A validação dos diagnósticos com o prontuário hospitalar mostrou que o atestado modificado melhorou a informação para a causa básica pelas três causas principais, revelando baixa sensibilidade para a desnutrição e baixa especificidade para a pneumonia. A observação dos totais de menções revela a relativização das três causas principais no processo de morte (desnutrição, diarréia e pneumonia) em ambos os atestados e ressalta a septicemia como provável condição mediadora entre elas.

Os resultados desse estudo apontam, principalmente, para a necessidade de redefinição dos critérios de risco estabelecidos palos programas de saúde que se baseiam ainda em abordagem unicausal sem considerar outras doenças envolvidas no processo e alertam para a importância de inverter essa abordagem para a multicausalidade, respaldada pelos modelos teóricos e testes estatísticos.

 
 

NJAINE, K., 1994. Comunicação e Transferência da Informação na Prática Interdisciplinar da Pesquisa — o Centro latino-Americano de Estudos Sobre a Violência e Saúde (Claves/Ensp/Fiocruz) (Profª Dr. Regina Maria Marteleto, orientadora). Tese de Mestrado, Rio de Janeiro: Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro. 135p.

Esta dissertação procurou investigar alguns aspectos da relação entre Ciência e Sociedade, a partir da prática interdisciplinar da pesquisa do Centro Latino-Americano de Estudos sobre a Violência e Saúde, da Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz (Claves/Ensp/Fiocruz). Destacam-se os conceitos de Comunicação, interdisciplinaridade e transferência da informação, articulando-os, em seguida, à análise dos documentos, entrevistas com os pesquisadores do Claves e observações no campo estudado. De acordo com os resultados obtidos observou-se que esses conceitos se ampliam e oferecem uma perspectiva de estudo da utilização das informações científicas. A informação produzida pelo Claves adquire, com a experiência comunicacional da pesquisa interdisciplinar, um caráter relevante na questão da violência e o seu impacto na saúde das populações. Ao mesmo tempo, proporciona um espaço de refelxão em relação à vulgarização desse tema pela mídia que, em grande parte, é refletida na opinião pública.

 
 

TOMITA, N. E., 1993. Prevalência de Cárie Dentária em Crianças da Faixa Etária de 0 a 6 Anos em Creches de Bauru e São Paulo. Importância de Fatores Sócio-econômicos. Tese de Mestrado, São Paulo: Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo. 291p., apêndices.

O quadro epidemiológico em saúde bucal no Brasil, refletido nos indicadores de cárie dentária para a faixa etária de seis a 12 anos, tem mostrado elevada prevalência dessa morbidade em idade escolar, colocando o país entre aqueles que apresentam os mais altos índices do globo.

O estudo da ocorrência dessa doença em idades precoces, na faixa pré-escolar, carece de dados epidemiológicos mais precisos, embora seja certa a importância da atenção preventiva nesse período, levando-se ainda em conta o caráter infeccioso e transmissível da cárie dentária.

Este trabalho teve por objetivo a avaliação da prevalência de cárie na dentadura decídua de crianças entre zero e seis anos, matriculadas em creches de Bauru e São Paulo, sendo que o primeiro grupo não recebia cuidados sistematizados de saúde na instituição e o segundo apresentava uma rotina de cuidados como norma institucional.

Foram avaliadas, também, variáveis relativas aos modos de viver desses grupos populacionais e sua associação com a ocorrência de cárie, efetuando um estudo de caso para caracterização de fatores coletivos de risco à cárie.

Através de análise de regressão múltipla, verificou-se a significância estatística da influência da idade e freqüência de consultas odontológicas sobre a prevalência de cárie na amostra estudada. Na faixa etária de 5-6 anos, 23,3% das crianças de Bauru e 9,3% de São Paulo estavam isentas de cárie, contra a expectativa de 50% prevista na meta nº 1 da Organização Mundial de Saúde para o ano 2000.

A avaliação de fatores sociais e biológicos que interferem no desenvolvimento de doenças bucais pode significar uma contribuição a estudos populacionais que objetivam a identificação do público alvo preferencial a receber atenção no âmbito dos serviços públicos, visto a escassa destinação de recursos ao setor de saúde e a ampliação das necessidades acumuladas.