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Cadernos de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0102-311Xversão On-line ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública v.22 n.1 Rio de Janeiro jan. 2006

https://doi.org/10.1590/S0102-311X2006000100014 

ARTIGO ARTICLE

 

Condições de trabalho e saúde mental dos médicos de Salvador, Bahia, Brasil

 

Work conditions and mental health among doctors from Salvador, Bahia, Brazil

 

 

Carlito Lopes Nascimento SobrinhoI; Fernando Martins CarvalhoII; Tárcyo Antonio Silva BonfimII; Carlos Adriano Souza CirinoII; Isis Sacramento FerreiraII

IDepartamento de Saúde, Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, Brasil
IIFaculdade de Medicina, Universidade Federal da Bahia, Feira de Santana, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO 

Um estudo de corte transversal investigou a associação entre as condições de trabalho e distúrbios psíquicos menores (DPM) em uma amostra aleatória de 350 médicos de Salvador, Bahia, Brasil. Um questionário individual auto-aplicável avaliou aspectos psicossociais do trabalho, utilizando o modelo demanda-controle (Job Content Questionnaire), e a saúde mental dos médicos, usando o Self-report Questionnaire (SRQ-20). Constatou-se elevada sobrecarga de trabalho, trabalho em regime de plantão, múltiplas inserções profissionais, baixa remuneração por hora trabalhada e contratação precária sob a forma de remuneração por procedimento. A prevalência de DPM foi de 26,0% e estava mais fortemente associada com aspectos da demanda psicológica do trabalho do que com o controle deste por parte dos médicos. Médicos com trabalho de alta exigência (alta demanda e baixo controle) apresentaram 3,07 (IC95%: 1,38-6,85) vezes mais DPM do que aqueles com trabalho de baixa exigência (baixa demanda e alto controle).

Médicos; Saúde Mental; Condições de Trabalho


ABSTRACT

This cross-sectional study investigated the association between work conditions and minor psychological disorders (MPD) in a random sample of 350 doctors from Salvador City, State of Bahia, Brazil. Data were gathered using an individual, self-report questionnaire that incorporated the demand-control model (Job Content Questionnaire) to evaluate psychosocial aspects of the doctors' work and the Self-report Questionnaire (SRQ-20) to evaluate their mental health. The study found increased work overload, overtime and extended work shifts, multiple jobs, low income per hour worked, and unstable work arrangements with payment per procedure. The prevalence of MPD was 26.0% and was more strongly associated with aspects of the psychological demands of work than with the doctors' control over it. Doctors with high strain (high demand and low control) jobs showed MPD prevalence of 3.07 (95%IC: 1.38-6.85) times higher than those in low strain (low demand and high control) jobs.

Physicians; Mental Health; Working Conditions


 

 

Introdução 

Há carência de informações sobre a relação entre condições de saúde e de trabalho da categoria médica. A medicina já foi vista como função de alto valor social, interpretada como um "dom", um "sacerdócio", valorizada socialmente e assumida como atividade pública de alta relevância 1,2. Nos últimos cinqüenta anos, mudanças significativas ocorreram na organização do trabalho médico em conseqüência do grande desenvolvimento científico, tecnológico e da institucionalização da assistência à saúde. O local predominante da prática médica deslocou-se do consultório individual para as instituições hospitalares modernas. No interior dos hospitais e serviços de saúde, o trabalho médico passou a vivenciar a tensão entre a autonomia do modelo artesanal e a heteronomia da ordem social e institucional 3,4,5,6. A dimensão científico-tecnológica da medicina tornou-se predominante, orientando os processos de trabalho atuais e impondo um novo padrão de formação escolar ancorado na estrutura altamente tecnificada do hospital-escola, valorizando a aquisição de conhecimentos científicos e a integração ao mercado de trabalho por meio da especialização 7,8.

No Brasil, na área da saúde, grandes mudanças atingiram os serviços privados (lucrativos e não lucrativos) e públicos (estatais) que passaram a adotar novas tecnologias e novos modelos de organização do trabalho. O hospital converteu-se no espaço privilegiado para implementação de novos modelos de organização do trabalho. Neste processo, os médicos foram submetidos às mesmas regras impostas aos demais trabalhadores de qualquer empresa capitalista: instabilidade e precarização do contrato de trabalho, ritmo intenso e jornadas de trabalho prolongadas, redução da remuneração e perda do controle de sua atividade. Somem-se a estes aspectos, as especificidades e particularidades do trabalho médico: aliviar a dor e o sofrimento e ter a morte como situação rotineira 9,10.

Em 1995 e em 2003, realizaram-se amplas pesquisas, de âmbito nacional, retratando as principais características do médico e do seu mercado de trabalho. Destacaram-se a crescente participação do sexo feminino na categoria; concentração de médicos nos grandes centros urbanos; ritmo intenso de trabalho; jornadas de trabalho prolongadas; predomínio das atividades de plantão, principalmente entre os médicos mais jovens; sobrecarga de trabalho; insatisfação com a remuneração e com a profissão 4,11.

Em um estudo sobre o mercado de trabalho médico no Estado de São Paulo, Brasil, observou-se que a maior parcela dos médicos aliava trabalho assalariado e prática autônoma em consultórios e em organizações hospitalares, numa jornada que chegava a acumular três ou mais atividades. Predominava a contratação de médicos de forma assalariada no setor público e no setor privado por prestação de serviços, por meio de cooperativas ou empresas médicas. Esta forma de contratação foi considerada como uma tendência no mercado, principalmente nos hospitais privados lucrativos. O valor de remuneração mais freqüente variava de dez a vinte salários mínimos 12.

Dentre os poucos estudos sobre as condições de saúde dos médicos no Brasil, a maior parte enfoca a saúde mental desses trabalhadores 13,14,15,16,17. Mesmo em países desenvolvidos, poucos são os estudos que buscam associar as condições de trabalho às condições de saúde dos médicos e também predominam estudos sobre os transtornos mentais nessa categoria 18,19,20,21,22,23.

Este trabalho investigou a associação entre aspectos psicossociais do trabalho médico e a ocorrência de distúrbio psíquico menor (DPM) em médicos na Cidade de Salvador, Bahia, Brasil.

 

Métodos

Realizou-se um estudo epidemiológico de corte transversal, em uma amostra aleatória dos médicos residentes na Cidade de Salvador, registrados no Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (CREMEB). O tamanho da amostra foi calculado considerando-se um total de 7.897 médicos, com nível de confiança de 95,0%, precisão absoluta de 5,0%, proporção esperada para os eventos estudados de 50,0%, resultando num tamanho amostral de 384 24. Decidiu-se estudar 800 médicos para compensar possíveis perdas e recusas.

Para a coleta de dados utilizou-se um questionário padronizado, respondido pelos próprios médicos, não sendo necessário que os mesmos se identificassem. O questionário apresentou cinco blocos de questões: 1o bloco ­ identificação geral do entrevistado, destinado a caracterizar os indivíduos integrantes da amostra segundo sexo, idade, especialização, tempo de trabalho profissional, carga horária total trabalhada/semana, turnos de trabalho etc.; 2o bloco ­ características dos ambientes de trabalho percebidas pelos médicos como nocivas à sua saúde e o Job Content Questionnaire (JCQ); 3o bloco ­ queixas de doenças, para avaliar a situação global de saúde dos indivíduos, buscando identificar queixas e sintomas de alguns agravos à saúde, tais como distúrbios do sono, distúrbios auditivos e visuais, alergias, infecções recorrentes, distúrbios gastrintestinais, dentre outros problemas de saúde mais comuns; 4o bloco ­ avaliação da saúde mental dos trabalhadores através de um instrumento de detecção de DPM: o Self-Report Questionnaire (SRQ-20) e um instrumento de triagem de alcoolismo (CAGE); e 5o bloco ­ questões sobre doenças e acidentes de trabalho, problemas de saúde recentes e hábitos de vida.

O JCQ identifica dois importantes aspectos das situações de trabalho: demanda psicológica e controle da atividade pelo trabalhador 25, 26,27,28. A demanda psicológica refere-se às exigências psicológicas que o trabalhador enfrenta na realização das suas tarefas, envolvendo pressão de tempo, nível de concentração requerida, interrupção das tarefas e necessidade de esperar pelas atividades realizadas por outros trabalhadores. O controle sobre a tarefa refere-se à habilidade ou destreza do trabalhador para realizar as tarefas a ele confiadas e à oportunidade de participar das decisões no ambiente de trabalho. O JCQ permite a construção de quadrantes baseados em combinações de aspectos da demanda psicológica e do controle das atividades: baixa exigência (combinação de baixa demanda e alto controle), trabalho passivo (baixa demanda e baixo controle), trabalho ativo (alta demanda e alto controle) e alta exigência (alta demanda e baixo controle) 28.

Para a construção dos indicadores de demanda e de controle procedeu-se ao somatório das variáveis referentes a cada um desses indicadores, considerando-se as ponderações previstas na operacionalização do modelo. Para a dicotomização da demanda (baixa/alta) e do controle (baixo/alto) adotou-se a mediana como ponto de corte (o guia do JCQ 28 recomenda o uso da média como ponto de corte). Com base nos pressupostos assumidos no modelo demanda-controle, o trabalho realizado em condições de alta demanda e baixo controle (alta exigência) foi considerado como a situação de maior exposição. No outro extremo encontrava-se o trabalho de menor exposição, ou seja, com baixa demanda e alto controle (baixa exigência). As demais combinações seriam consideradas situações de trabalho de exposição intermediária 28.

A versão do JCQ em português 28 inclui 49 questões: 17 a respeito de controle sobre o trabalho (6 sobre habilidades e 11 sobre autoridade decisória), 14 questões sobre demanda (9 sobre demanda psicológica e 5 sobre demanda física), 11 sobre suporte social (5 sobre suporte social proveniente da chefia e 6 de suporte proporcionado pelos colegas de trabalho), 6 sobre insegurança no trabalho e uma questão sobre o nível de qualificação exigida para o trabalho executado. Trinta e oito questões foram medidas em uma escala de 1 a 4 (1 = discordo fortemente; 2 = discordo; 3 = concordo; e 4 = concordo fortemente). Onze questões referentes à supervisão do médico por outros funcionários dos serviços de saúde, estabilidade e instabilidade no trabalho, número de membros nas equipes de trabalho e participação sindical foram adaptadas 29.

Nesta tradução do JCQ para o português, seguiram-se os procedimentos estabelecidos pelo JCQ Center 30 que incluem uma versão para o inglês ("back translation").

Estudos de validação do JCQ indicam bom desempenho deste instrumento 28,31. No Brasil, um estudo de validação com uma versão resumida do JCQ encontrou resultado satisfatório 32. Estudos conduzidos no Brasil apresentam resultados consistentes com os obtidos em outros países 28.

O SRQ-20 é um questionário projetado para uso em estudos de morbidade psiquiátrica em instituições de cuidados primários de saúde de países em desenvolvimento 33,34. O grau de suspeição para distúrbios psíquicos foi avaliado com base no escore alcançado por cada médico(a) no SRQ-20. Adotou-se o ponto de corte igual ou maior que sete respostas positivas, adotado em outras pesquisas na área de saúde do trabalhador 35,36,37,38,39,40.

O CAGE constitui-se de quatro questões que têm por objetivo identificar suspeitos de alcoolismo. O termo CAGE é originário das palavras-chave incluídas em cada uma das quatro questões em inglês, respectivamente: "cut-down", "annoyed", "guilty", "eye-opener". O CAGE é utilizado como teste de triagem para detecção de abuso no consumo de bebidas alcóolicas, adotando-se o ponto de corte em duas ou mais respostas positivas para as quatro questões do teste. Apresenta alta sensibilidade, especificidade e valores preditivos tanto na sua versão em inglês, como na versão em português 41.

Os questionários foram acompanhados de carta de apresentação e justificativa do trabalho, referendados por entidades representativas da categoria médica no Estado da Bahia (CREMEB, Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia e Associação Baiana de Medicina). Os questionários foram enviados pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), com retorno pago, após ampla campanha de divulgação do estudo em diversos veículos de comunicação (jornais escritos, programas de televisão, rádios AM e FM) e divulgação direta em clínicas e hospitais, por meio de cartazes e folhetos. Os médicos selecionados na amostra foram contatados por telefone, buscando o estabelecimento de um contato inicial. A coleta de dados ocorreu de agosto de 2002 a março de 2003. Os médicos que não devolveram os questionários, via EBCT, foram contatados por telefone, sendo-lhes solicitado o retorno do questionário.

A análise estatística dos dados foi feita com uso do programa SPSS para Windows (SPSS Inc., Chicago, Estados Unidos). Realizou-se análise da associação entre as variáveis independentes, demanda (JCQ), controle (JCQ) e seus quadrantes com o resultado do SRQ-20, adotado como variável dependente. As variáveis faixa etária, sexo, situação conjugal, realização de atividade física, atividade em regime de plantão, carga horária semanal de trabalho médico, renda mensal como médico, inserção no mercado de trabalho (assalariado setor público e privado, prestação de serviço, consultório particular típico e atípico) e categoria de especialidade foram consideradas como potenciais variáveis de confundimento. A razão de prevalência (RP) e seu respectivo intervalo de confiança de 95% (IC95%) foram usados para medir as associações entre as variáveis estudadas. A técnica de análise de regressão logística múltipla (ARLM) foi usada para avaliar a associação entre DPM e os quadrantes do modelo demanda-controle, controlando pelo efeito de outras variáveis independentes relevantes. Considerando que a ARLM foi desenvolvida para uso em análises de estudos caso-controle, produzindo medidas de odds ratio (OR) e não de RP, foi necessário converter OR para RP, com os respectivos intervalos de confiança, através do método Delta 42.

Um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi enviado junto com o questionário, e garantido o sigilo das informações. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, Universidade Federal da Bahia, seguindo as recomendações formais 43.

 

Resultados 

Estudou-se 350 médicos, correspondendo a 43,7% dos 800 indivíduos inicialmente elegíveis. Houve 120 (15,0%) perdas, caracterizadas por endereço desatualizado ou errado e inexistência de telefones para contato. Os 330 (42,3%) restantes foram considerados como recusas, pois foram contatados através dos correios e por telefone, mas não devolveram os questionários enviados.

Entre os médicos estudados, 54,4% eram do sexo masculino e 45,6% do feminino. Em relação à situação conjugal, 57,2% dos médicos eram casados, 21,8% solteiros. Dos médicos estudados, 52,0% eram naturais de Salvador, 33,2% do interior do Estado da Bahia e 13,5% de outro estado ou país. A média de idade foi de 44,3 ± 13,1 anos.

Em relação à situação profissional como médico, 97,1% apresentavam-se ativos, 2,3% encontravam-se aposentados e 0,6% tinha abandonado a profissão. Na amostra estudada, 25,9% desenvolviam atividades de trabalho médico em outros municípios.

A medicina apresentava-se como única fonte de renda para 86,2% dos profissionais estudados e 13,8% apresentavam outras fontes de renda, sendo o aluguel de imóveis a alternativa mais freqüente. A renda mensal aproximada obtida com o trabalho médico era igual ou inferior a R$5.000,00 para 61,9%, variando de R$5.001,00 a R$10.000,00 para 28,4% da amostra.

Da amostra estudada, 58,4% apresentavam carga horária semanal de trabalho médico igual ou superior a 41 horas. Destes, 38,5% apresentavam 41 a 60 horas de trabalho. A atividade de plantão foi referida por 40,7% dos médicos estudados. Destes, 50,0% apresentavam carga horária semanal de plantão igual ou superior a 25 horas.

As diversas formas de inserção no mercado de trabalho foram: consultório particular típico (11,7%), consultório particular atípico (43,4%), prestação de serviço com remuneração por procedimento realizado (41,9%), assalariamento no setor público (47,6%) e assalariamento no setor privado (24,4%).

Dentre as queixas relacionadas à saúde mental destacaram-se: cansaço mental (54,1%), sonolência (37,5%), esquecimento (30,8%), nervosismo (28,4%), insônia (25,1%) e sofrimento psíquico (11,7%).

A prevalência de fumantes no momento da pesquisa foi de 13,1%, 23,5% eram ex-fumantes. O consumo de bebida alcoólica foi referido por 49,1% dos médicos. O teste CAGE classificou 5,8% dos médicos como bebedores-problema. Entre os homens, a prevalência de bebedores-problema foi de 6,9% e entre as mulheres de 4,5%, mas essa diferença não apresentou significância estatística (p > 0,05).

Dos 350 médicos, 96,6% responderam a todas as perguntas do SRQ-20. A prevalência de DPM estimada pelo teste foi de 26,0%.

A prevalência de DPM estava associada significantemente com o sexo feminino (RP = 2,04), ser solteiro (RP = 1,79), apresentar idade < 45 anos (RP = 1,79), não praticar atividade física (RP = 1,69) e realização de consulta psiquiátrica (RP = 2,11) (Tabela 1).

 

 

A prevalência de DPM estava significantemente associada a não trabalhar em consultório típico (pagamento dos serviços médicos diretamente pelo paciente) (RP = 2,51); trabalhar por prestação de serviço, com remuneração por serviço realizado, sem vínculo formal de trabalho (RP = 1,51); trabalhar em regime de plantão (RP = 1,63) e renda mensal obtida com trabalho médico ¾ R$5.000,00 (RP = 2,36) (Tabela 2).

 

 

Dentre as questões relacionadas ao controle das atividades destacaram-se: ausência de oportunidade para desenvolver habilidades especiais (RP = 2,21), não ter liberdade para tomar decisões (RP = 1,63), não ter influência sobre as decisões (RP = 1,85) e ausência de decisões democráticas no trabalho (RP = 1,60) (Tabela 3).

 

 

Dentre as questões relacionadas à demanda psicológica destacaram-se: a existência de volume excessivo de trabalho (RP = 3,10), ritmo acelerado de trabalho (RP = 2,21), tempo insuficiente para realização das tarefas (RP = 2,42), interromper tarefas antes de tê-las concluído (RP = 1,50), exigência de rapidez no trabalho (RP = 1,81), exposição a demandas conflitantes feitas por outras pessoas (RP = 2,12) e exigência de esforço físico (RP = 1,88) (Tabela 4).

A elevação na prevalência de DPM esteve estatisticamente associada com baixo controle do trabalho por parte do médico (RP = 1,63, na Tabela 3) e com alta demanda psicológica da atividade (RP = 1,72, na Tabela 4).

A prevalência de DPM variou segundo os quadrantes do modelo demanda-controle. A situação de alta exigência apresentou a mais elevada prevalência de DPM (42,9%). No extremo oposto, a situação de baixa exigência apresentou a prevalência mais baixa (14,0%). Os trabalhos ativo e passivo apresentaram prevalências intermediárias de 26,7% e de 28,6%, respectivamente. A RP para DPM entre a situação de alta exigência e a de baixa exigência, apontou forte associação estatística (RP = 3,07; IC95%: 1,38-6,35). Esta RP permaneceu fortemente associada (RP = 2,99; IC95%: 1,24-7,20), mesmo após o ajuste por sexo, situação conjugal, faixa etária, realização de atividade física, inserção no mercado de trabalho (consultório típico, prestação de serviço), realizar atividade de plantão, renda mensal como médico e categoria de especialidade, num modelo de regressão logística múltipla (Tabela 5).

 

Discussão

Constatou-se excesso de inserções de trabalho, em média duas inserções por médico e sobrecarga de trabalho, especialmente em regime de plantão. Esses resultados são semelhantes aos obtidos em outros estudos 2,4,11,12. Essa situação apresenta-se inadequada, pois a atividade médica caracteriza-se pela necessidade de tempo para interação entre médico e paciente, acompanhamento e estudo dos mesmos, bem como para atualização científico-tecnológica.

A remuneração obtida com o trabalho médico observada isoladamente pode ser considerada satisfatória. Entretanto, observa-se que para obtenção desse resultado financeiro, faz-se necessário uma sobrecarga de trabalho, com baixa remuneração por hora trabalhada. Outros estudos constataram ainda insatisfação com a remuneração obtida 4,11,12.

O consultório permanece como uma forma importante de inserção no mercado de trabalho. Entretanto, o consultório típico exclusivo apresenta-se de forma residual para apenas 1,5% dos médicos estudados. Como em outros estudos 2,4,11,12, nossos resultados revelam elevada freqüência de trabalho informal, por procedimento, principalmente no setor privado com redução do trabalho assalariado. Estas condições relacionam-se à subcontratação, terceirização e precarização do trabalho médico, principalmente no setor privado, mas também no setor público 2,4,11,12.

Dentre os problemas referentes à saúde mental potencialmente associados às características do trabalho médico destacou-se a sobrecarga de trabalho, especialmente em regime de plantão. A sobrecarga de trabalho expõe o profissional na sua lida com a dor, o sofrimento e a morte dos seus pacientes 2,17.

A prevalência de DPM foi elevada, corroborando com os resultados obtidos em relação a queixas e diagnósticos de saúde. Os médicos apresentaram prevalência de DPM mais elevada que a de outras categorias profissionais: professores da rede particular de ensino de Salvador (18,7%) 29, professores da Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia, (20,3%) 29, metroviários do Rio de Janeiro (25,8%) 40, metalúrgicos em São Paulo (19,4%) 36, trabalhadores de indústria de celulose e papel (10,0%) 38 e trabalhadores de hospital (20,9%) 17.

Os médicos de Salvador apresentaram prevalência de bebedores-problema ao teste CAGE 44 igual ou mais elevada que a de outras categorias profissionais: professores universitários (3,9%) 29, agricultores da Serra Gaúcha (6,0%) 36 e professores da rede privada de ensino de Salvador (2,1%) 45.

Os médicos estudados caracterizaram o seu trabalho como sendo de alta demanda psicológica e consideraram ter baixo controle sobre a sua atividade. Esses resultados assemelham-se aos encontrados em outros estudos 29,35,46.

A elevada prevalência de DPM observada na situação de alta exigência do modelo demanda-controle confirma a principal predição do modelo: de que o trabalho em alta exigência concentra os maiores riscos à saúde dos trabalhadores. A elevada prevalência de DPM na situação de trabalho ativo sugere que o trabalho realizado em alta demanda, ainda que em situação de alto controle, pode ser prejudicial à saúde mental dos médicos. Esses achados sugerem que a demanda psicológica tem um papel mais relevante que o controle na produção de sofrimento psíquico. Esse resultado coincide com o de outros estudos 28.

A existência na atividade médica de condições de trabalho desencadeadoras de sofrimento, estresse e ansiedade é uma realidade não mais contestada. No entanto, as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores reconhecidamente expostos a fatores estressantes e ansiogênicos são ainda pouco conhecidas. A organização do trabalho é o principal orientador da vida mental do trabalhador. A partir dos elementos presentes na organização do trabalho, deve-se investigar o que, especificamente, pode ser tomado como fonte de sofrimento e de danos à saúde dos médicos 47,48.

Quando é possível definir os próprios ritmos e formas de executar as tarefas, personalizando o processo de trabalho, o que predominantemente entra em jogo é a criatividade e a inventividade. Esse tipo de comportamento é denominado de "comportamento livre". O "comportamento livre" transforma e reordena o trabalho na direção do prazer, possibilitando um ajuste entre as exigências do processo de trabalho e a estrutura psíquica de cada um, e abrindo brechas para a transformação da realidade segundo os próprios desejos 47,48. Esse padrão operacional é tipicamente associado à medicina artesanal. Quando ocorre a impossibilidade de atendimento a essas condições básicas, por meio de processos de trabalho que atuam no sentido de bloquear o comportamento livre, ocorre uma mudança no significado do trabalho dos indivíduos. Ou seja, na medida em que o processo de trabalho é conduzido em direção oposta ao "comportamento livre", impondo modos operatórios rígidos e padronizados, menos o trabalho representará para o indivíduo a possibilidade de equilíbrio mental e mais próximo estará de constituir-se em fonte de sofrimento 48.

Faz-se necessário tecer algumas considerações metodológicas. Este estudo apresentou um excesso de perdas e recusas (57,3%), que poderia ter comprometido a generalização dos resultados. Segundo o banco de dados do CREMEB 10, 52,6% dos médicos pertencem ao sexo masculino e 47,4% ao feminino. Estas proporções são muito semelhantes às da amostra que estudamos. As freqüências das especialidades ginecologia e obstetrícia (10,0%), pediatria (9,2%), cirurgia geral (7,6%), medicina interna (7,2%), anestesiologia (6,4%), cardiologia (4,9%), oftalmologia (4,9%), ortopedia e traumatologia (4,0%), psiquiatria (2,6%) foram semelhantes às obtidas em nosso estudo, fato que pode ter minimizado o viés de seleção 49.

Em estudos com amostras aleatórias de médicos, que adotaram a estratégia de envio do questionário ao domicílio, os resultados, em termos de devolução, apresentaram-se semelhantes aos obtidos neste estudo. No estudo Perfil dos Médicos no Brasil, a freqüência de perdas e recusas atingiu 48,2% para o Brasil, 45,1% para a Bahia e 46,0% para Salvador 4. Um inquérito sobre a atenção dos médicos em relação à sua própria saúde, realizado em Barcelona, Espanha, obteve 66,0% de perdas e recusas 49. Esses resultados apontam a dificuldade na obtenção de respostas em pesquisas com médicos.

Devem-se apontar os limites de estudos de corte transversal. Nesses estudos, coletam-se os dados pertinentes dos membros participantes. Somente na análise dos dados formam-se os grupos, pois, é nesta fase que são conhecidos os indivíduos expostos e não-expostos, que estão sadios ou doentes. O estudo de corte transversal examina a relação exposição-doença em uma dada população ou amostra, em um momento particular, fornecendo um retrato de como as variáveis estão relacionadas naquele momento. Por isso, esse tipo de estudo apenas identifica associação entre as variáveis estudadas. Neste estudo a alta prevalência de DPM poderia ser a variável preditora da situação de alta exigência no modelo JCQ. Entretanto, a coerência e a consistência dos achados, apontam para uma associação entre a situação de alta exigência e a prevalência de DPM.

Os resultados apresentados estimulam novas investigações para caracterizar mais precisamente a exposição à alta demanda psicológica dentro dos serviços de saúde, na busca de um melhor entendimento dos processos de trabalho aos quais estão submetidos os trabalhadores médicos nas suas várias especialidades.

 

Colaboradores 

C. L. Nascimento Sobrinho e F. M. Carvalho colaboraram na elaboração do marco referencial teórico, metodologia, análise dos dados e redação do artigo. T. A. S. Bonfim, C. A. S. Cirino e I. S. Ferreira participaram da digitação e análise dos dados.

 

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Correspondência
C. L. Nascimento Sobrinho
Departamento de Saúde
Universidade Estadual de Feira de Santana
BR 116, km 03, Campus Universitário, Feira de Santana
BA 44031-460, Brasil
mon.ica@zaz.com.br

Recebido em 30/Jul/2004
Versão final reapresentada em 03/Mai/2005
Aprovado em 10/Jun/2005

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