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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311XOn-line version ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.22 no.9 Rio de Janeiro Sept. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2006000900034 

RESENHAS BOOK REVIEWS

 

 

Sandhi Maria Barreto

Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil. sbarreto@medicina.ufmg.br

 

 

ENVELHECIMENTO: PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE. Litvoc J, Brito FC, organizadores. São Paulo: Atheneu; 2004. 226 pp.
ISBN: 85-73796-693

"...Idade madura em olhos, receitas e pés, ela me invade / com sua maré de ciências afinal superadas. / Posso desprezar ou querer os institutos, as lendas, / descobri na pele certos sinais que aos vintes anos não via... / Eles dizem o caminho, / embora também se acovardem / em face a tanta claridade roubada ao tempo. / Mas eu sigo, cada vez menos solitário, / em ruas extremamente dispersas, / transito no canto do homem ou da máquina que roda, / aborreço-me de tanta riqueza, jogo-a toda por um número de casa / e ganho". (Carlos Drummond de Andrade, Idade Madura).

A atualidade do livro Envelhecimento: Prevenção e Promoção da Saúde, organizado pelos doutores Júlio Litvoc e Francisco Carlos de Brito, é inquestionável. O envelhecimento da população mundial, em especial o crescimento acelerado da população idosa nos países em desenvolvimento, é certamente o maior desafio do século XXI. Envelhecer é uma dádiva, uma conquista da humanidade e motivo especial para celebrar. Envelhecer significa prolongar a vida, vencer a morte precoce, superar os enormes desafios da pobreza extrema, das doenças infecciosas e da falta de acesso a cuidados adequados de saúde. Envelhecer significa também menor fertilidade, um novo equilíbrio demográfico na sociedade, uma sociedade predominantemente adulta.

A vida moderna também se transforma rapidamente. O ser humano se vê cada vez mais ilhado em grandes cidades, com o desafio de dominar aparatos tecnológicos cada vez mais sofisticados, preparar-se para uma vida cada vez mais longa e defender-se da violência que ameaça o caminho de casa, do trabalho e do lazer.

Mas envelhecer não é adoecer. Envelhecer, como bem colocado no livro, é seguir sendo, seguir existindo, realizando, criando vida. É superar os limites dos que nos antecederam e de nossa própria geração. Não há duvida. Mas a população brasileira, os profissionais de saúde, o sistema de saúde e toda a engrenagem social e econômica ainda estão despreparados para tamanha façanha, tamanha audácia. Só no Brasil, o número de pessoas com sessenta anos ou mais cresce em velocidade muito superior a de todas as demais faixas etárias. Mesmo não sendo sinônimo de adoecer, envelhecer aumenta o peso dos cuidados com a saúde e a necessidade de aprimorar as relações, a solidariedade social e intergeracional. E é por isso que novo saber de saúde, específico e avançado, faz-se necessário, com parâmetros técnicos, culturais, sociais e biomédicos, que tenham como foco a prevenção e a promoção da saúde.

O livro constitui-se como material técnico-científico para estudantes e professores da área de saúde que necessitam conhecer conceitos e especificidades da abordagem da saúde do idoso. Envelhecer com saúde é o paradigma da atualidade e a preocupação dos autores que assinam os capítulos deste livro. Não é, como bem discute Belkis Trench no capítulo sobre a saúde da mulher, a busca da eterna juventude, no sentido mais estético e exterior, mas, sim, a busca, a possibilidade de manter uma vida com qualidade, produtiva, rica, feliz e longeva.

É organizado em 14 capítulos, distribuídos em 226 páginas de autoria de professores e pesquisadores de renomadas instituições paulistas, todos especialistas nos seus temas, centrais para compreender a saúde do idoso. A linguagem é acessível, atualizada e tecnicamente rigorosa, o que torna o material uma boa indicação para graduandos e pós-graduandos de Medicina e áreas afins à saúde pública.

O livro inicia apresentando conceitos básicos sobre o envelhecimento no contexto das transições demográfica e epidemiológica e suas implicações sobre o sistema de saúde. Ele conclui discutindo as relações entre redes sociais e familiares e manutenção da saúde e da capacidade funcional no envelhecimento, questões que mobilizam um arcabouço conceitual inter e multidisciplinar para além das ciências biomédicas. A abordagem adotada pelos diversos autores é diversificada. Alguns capítulos apresentam uma revisão com enfoque mais clínico, como, por exemplo, o de doenças osteoarticulares, estresse oxidativo e doenças endocrinometabólicas. Outros privilegiam uma abordagem de saúde pública, como o capítulo sobre atividade física, capacidade funcional, rede de apoio social e saúde da mulher. Os demais combinam uma revisão sucinta de aspectos clínico-epidemiológicos, ressaltando aspectos relacionados à prevenção e promoção da saúde, como os capítulos de câncer e saúde mental. É impossível qualificar e comentar cada um dos 14 capítulos, dada à grande variedade dos temas cobertos.

Enfim, o livro oferece aos leitores a oportunidade de sistematizar conceitos e discute, à luz dos avanços do conhecimento científico recente, os problemas de saúde mais relevantes do idoso, privilegiando o enfoque da prevenção de incapacidades e da promoção do envelhecimento saudável.

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