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Cadernos de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.26 no.6 Rio de Janeiro jun. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2010000600001 

EDITORIAL

 

Visibilidade internacional da produção brasileira em saúde coletiva

 

 

Rogerio Meneghini

Coordenador Científico, SciELO. Departamento de Informática em Saúde, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil. rogerio.meneghini@scielo.org

 

 

As ciências da saúde representam atualmente uma área científica de ponta no mundo, devido à sua crescente presença em distintos campos de conhecimento, desde as chamadas ciências duras até a medicina, epidemiologia, sociologia e ciências políticas. Não surpreendentemente, as bases de dados científicos enfrentam dificuldades em classificar as ciências da saúde em categorias de conhecimento mais amplas, como ciência ou sociologia.

Atualmente, o Brasil ocupa o 13º lugar em produção cientifica global, de acordo com a base de dados ISI-Thomson Reuters-Web of Science (WS). Algumas áreas científicas brasileiras estão acima e outras abaixo dessa classificação média. Surpreendentemente, a produção brasileira nas ciências da saúde ocupou o 3º lugar mundial em 2008, de acordo com a base WS, superada apenas pelos EUA e Inglaterra. De fato, em um levantamento recente sobre o desempenho brasileiro em distintas áreas científicas, confirmamos que as ciências da saúde lideram a classificação brasileira na WS. Outras áreas de destaque, como a parasitologia e a engenharia florestal e de solos, são classificadas abaixo dessa posição. Nos últimos cinco anos, 1.745 artigos brasileiros nas ciências da saúde foram identificados na WS. Entre esses, 461 (26,4%) foram publicados em sete revistas brasileiras, na seguinte ordem decrescente: Cad Saúde Pública (232), Rev Saúde Pública (157), Mem Inst Oswaldo Cruz (31), Braz J Med Biol Res (17), Arq Neuropsiquiatr (14) e Rev Inst Med Trop São Paulo (10).

A notícia ruim é que em 2009 o número médio de citações de artigos de saúde pública publicados em 2008 por autores brasileiros, um indicador de qualidade e visibilidade, foi 0,95, último lugar entre os 20 primeiros países em ciências, de acordo com a WS. Houve uma queda importante nesse indicador entre 2008 e 2009, de 1,88 para 0,95, enquanto o número de revistas brasileiras na WS cresceu de 64 para 103, o maior aumento na base de dados tanto em termos absolutos quanto relativos. Essa queda ocorreu em outras áreas científicas também. Se considerarmos que as novas revistas brasileiras tiveram baixa visibilidade internacional, entenderemos melhor esse declínio em citações por artigo. Outra explicação oferecida por alguns pesquisadores é que várias agências brasileiras de fomento estão pressionando cada vez mais por taxas de publicação mais altas, o que leva a uma piora na qualidade média dos artigos. É possível que ambos os fatores estejam contribuindo para a queda do número de citações por artigo.

A barreira lingüística é citada como desvantagem para autores que não têm o inglês como primeiro idioma (Meneghini R, Packer AL. EMBO Rep 2007; 8:112-6). A maioria das revistas exige inglês correto, e recorre-se cada vez mais a tradutores e revisores profissionais com experiência em redação científica.

O uso de outro idioma sem ser o inglês em artigos científicos tende a atrair menos atenção da comunidade internacional. Por outro lado, o interesse suscitado por um artigo nas ciências da saúde entre o público geral e outros profissionais fora da área científica serve como incentivo para que os editores de revistas científicas publiquem artigos no idioma nacional. Para evitar esse duplo problema, os artigos poderiam ser apresentados em inglês e no idioma nacional. A desvantagem do grande espaço editorial exigido por esse sistema poderia ser mitigada, utilizando-se a modalidade bilíngüe apenas na versão eletrônica das revistas (atualmente disponível na Internet para quase 100% delas, seja por acesso aberto ou por meio de pay-per-view). SciELO-Brasil, uma meta-editora que lida atualmente com 207 revistas brasileiras, lançou 15.640 artigos de acesso aberto na Internet em 2008, 42% dos quais em inglês. Não surpreendentemente, os artigos em inglês foram publicados nas revistas brasileiras mais representadas na Journal Citation Reports-Thomson Reuters e na WS, e naquelas com maiores índices de citação.

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