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Cadernos de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.27 no.6 Rio de Janeiro jun. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2011000600004 

ARTIGO ARTICLE

 

Prevalência de pré-hipertensão e de hipertensão arterial e avaliação de fatores associados em crianças e adolescentes de escolas públicas de Salvador, Bahia, Brasil

 

Prevalence of pre-hypertension and arterial hypertension and evaluation of associated factors in children and adolescents in public schools in Salvador, Bahia State, Brazil

 

 

Sônia Lopes PintoI; Rita de Cássia Ribeiro SilvaI; Silvia Eloíza PrioreII; Ana Marlúcia Oliveira AssisI; Elizabete de Jesus PintoI

IEscola de Nutrição, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil
IIDepartamento de Nutrição e Saúde, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

Trata-se de estudo para avaliar os fatores associados à hipertensão e pré-hipertensão. Participaram desta pesquisa 1.125 indivíduos com idade entre 7 e 14 anos da rede pública de ensino em Salvador, Bahia, Brasil. As variáveis de exposição foram: índice de massa corporal, circunferência da cintura, sexo, idade, atividade física, condições ambientais e de moradia, renda familiar, consumo alimentar, escolaridade e idade maternas. Os dados foram analisados utilizando-se a Regressão Logística Politômica e a variável desfecho categorizada em normotensos, pré-hipertensos e hipertensos. A prevalência de pressão arterial elevada foi de 14,1%, sendo 4,8% de hipertensão e 9,3% pré-hipertensão. Houve associação entre pré-hipertensão e excesso de peso (OR: 3,13; IC95%: 1,75-5,57). Hipertensão foi associada a excesso de peso (OR: 3,02; IC95%: 1,45-6,28), sexo feminino (OR: 2,49; IC95%: 1,24-4,98) e padrão alimentar de risco (OR: 1,93; IC95%: 1,04-3,56). A prevalência de pré-hipertensão e hipertensão em crianças e adolescentes é maior entre aqueles com excesso de peso, do sexo feminino e com consumo alimentar inadequado.

Pré-hipertensão; Hipertensão; Fatores de Risco; Criança; Adolescente


ABSTRACT

This study aimed to assess pre-hypertension and hypertension-related factors in 1,125 seven- to-14-year-old subjects enrolled in the public school system in Salvador, Bahia State, Brazil. Exposure variables, namely body mass index, waist circumference, gender, age, physical activity, environmental and housing status, family income, diet, schooling, and maternal age were analyzed by polytomous logistic regression, and the outcome variable was categorized as normal, pre-hypertensive, and hypertensive. Prevalence of high blood pressure was 14.1%, including the prevalence of both hypertension (4.8%) and pre-hypertension (9.3%). An association was shown between pre-hypertension and overweight (OR: 3.13; 95%CI: 1.75-5.57). Hypertension was associated with overweight (OR: 3.02; 95%CI: 1.45-6.28), female gender (OR: 2.49; 95%CI: 1.24-4.98), and high-risk eating patterns (OR: 1.93; 95%CI: 1.04-3.56). In short, prevalence of pre-hypertension and hypertension in children and adolescents was higher among girls and individuals with overweight and inadequate diet.

Prehypertension; Hypertension; Risk Factors; Child; Adolescent


 

 

Introdução

Segundo as V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 1, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) é definida como uma síndrome multifatorial caracterizada pela presença de níveis tensionais elevados, associados a alterações metabólicas, hormonais e fenômenos tróficos, os quais consistem na hipertrofia cardíaca e vascular. A HAS atinge cerca de 30% da população adulta no mundo, nos países desenvolvidos e nos em desenvolvimento 2. No continente americano, a síndrome afeta cerca de 140 milhões de pessoas, metade das quais desconhece ser portadora da doença por não apresentar sintomas e não sentir a necessidade de procurar o serviço de saúde. Daquelas que se descobrem hipertensas, 30% não realizam o tratamento adequado por falta de motivação ou de acesso aos serviços de saúde 3.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão, a prevalência nacional de hipertensão arterial sistêmica na população adulta varia de 22,3% a 43,9%. Embora a maior parte dos diagnósticos de hipertensão arterial sistêmica seja firmada em pacientes com idade avançada, existem evidências de que a doença tem seu início na infância ou na adolescência 4,5. A pressão arterial elevada na infância é fator preditor de hipertensão arterial na vida adulta; portanto, o aumento da doença na infância pode significar o aumento de HAS nos adultos 6.

No Brasil, não existem dados de inquéritos epidemiológicos referentes à prevalência desse agravo na infância e adolescência que cubram todo o território nacional. Contudo, estudos pontuais em diversas regiões do país têm mostrado altas prevalências de hipertensão, oscilando entre 2,5% a 44,7% 7,8,9,10,11,12,13. Essa ampla variação pode decorrer, sobretudo, das diferentes metodologias empregadas, em especial no que diz respeito aos pontos de corte adotados e ao número de aferições da pressão realizada durante o atendimento.

Dentre os fatores ambientais que concorrem para o aumento dos níveis da pressão arterial, destacam-se as mudanças associadas ao estilo de vida, em que se incluem hábitos alimentares inadequados associados à inatividade física, uso abusivo do álcool e tabagismo 14. Estudos indicam que esses hábitos comportamentais estão correlacionados com a obesidade, um dos principais preditores da hipertensão arterial. Na infância, o excesso de peso tem sido identificado como uma epidemia global e, nas três últimas décadas, a prevalência da obesidade no Brasil em crianças e adolescentes passou de 11,4%, em 1974-1975 15, para 33,4%, em 2002-2003 16. Outros fatores de risco têm sido estudados na gênese da hipertensão arterial, a saber: a ausência do aleitamento materno 17 e o baixo peso ao nascer 18. Contudo, não é possível descartar o papel da escolaridade materna na adoção de comportamentos saudáveis, o que pode influenciar a magnitude da ocorrência desse agravo 19.

As doenças cardiovasculares são responsáveis por um terço das mortes no mundo, e a hipertensão arterial sistêmica é o fator de risco mais expressivo 20. No Brasil, bem como na maior parte dos países desenvolvidos, as doenças cardiovasculares representam a principal causa de morbimortalidade e ocorrem atualmente em idades precoces, levando, consequentemente, à redução significativa da vida produtiva 21,22. Assim, a detecção precoce dessas alterações pode contribuir para o desenvolvimento de programas de saúde de caráter preventivo, com enfoque na mudança do estilo de vida, voltada para a promoção da saúde, evitando-se que milhares de jovens desenvolvam prematuramente doença arterial coronariana e acidente vascular encefálico.

Portanto, o presente estudo teve como objetivo estimar a prevalência da pré-hipertensão e da hipertensão arterial, assim como avaliar os fatores associados à doença, em crianças e adolescentes matriculados em escolas públicas de Salvador, Bahia, Brasil.

 

Métodos e técnicas

Trata-se de um estudo transversal em que participaram estudantes com idade entre 7 e 14 anos, de ambos os sexos. Esses estudantes foram identificados em uma investigação mais ampla que teve por objetivo estudar fatores associados à anemia ferropriva em crianças e adolescentes matriculadas na rede pública de ensino da cidade de Salvador 23.

O processo de amostragem no estudo original envolveu desenho complexo, valendo-se da estratificação das escolas em dois níveis (estadual e municipal), seguido pelo procedimento de amostragem por conglomerado em três estágios, conforme descrito a seguir: o primeiro estágio representado pelos distritos sanitários; o segundo, pelas escolas; o terceiro, pelos alunos. Em virtude de questões logísticas de campo, as informações dos estudantes selecionados foram extraídas de seis dos 12 distritos existentes em Salvador, cidade em que se observaram 117 escolas estaduais e 173 municipais. As escolas estaduais comportavam 58.059 alunos; as municipais, 56.555. Para atender ao número amostral previamente definido, verificou-se a necessidade de selecionar dez alunos de cada uma das 58 escolas municipais e 23 alunos de cada uma das 27 escolas estaduais, contabilizando-se 1.200 estudantes. Considerando que essa amostra não foi estimada, em face do objetivo investigado neste estudo, decidiu-se por calcular o erro amostral a posteriori. Nessas circunstâncias e com base na prevalência de níveis elevados de pressão arterial de 14%, identificada neste estudo, o número amostral previamente adotado permitiu determinar os fatores associados ao desfecho estudado com erro de 2%.

Critério de exclusão

Foram excluídas do estudo as adolescentes gestantes e nutrizes, além dos portadores de traumas físicos, que estavam imobilizados no momento das medições antropométricas.

Coleta de dados

• Variável resposta: pressão arterial

A pressão arterial das crianças e adolescentes foi aferida em dois momentos, com intervalo de dez minutos aproximadamente. A média entre as medidas representou a medida final utilizada para classificação da pressão arterial. Utilizou-se o esfigmomanômetro aneróide, calibrado no início da coleta dos dados por técnico especializado. A técnica para a aferição das medidas de pressão arterial seguiu as recomendações metodológicas das V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 1.

Para a realização das medidas, os aferidores foram submetidos a treinamento por supervisores experientes. Durante todo o trabalho de campo, os supervisores avaliavam periodicamente o desempenho dos aferidores e efetuava nova certificação do grupo a fim de minimizar possíveis erros associados à técnica auscultatória de verificação da pressão arterial.

Para a classificação da pressão arterial, foi inicialmente determinado o percentil da estatura/idade de cada estudante, com base na referência do Centers for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos 24. De acordo com o percentil de estatura/idade, classificou-se a pressão arterial conforme o sexo, utilizando-se a recomendação do The Fourth Report on the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure in Children and Adolescents 25. Os critérios utilizados para classificação foram: pressão arterial normal (pressão arterial < percentil 90); pré-hipertensão (pressão arterial entre percentis 90 a 95); hipertensão estágio 1 (percentil 95 a 99mmHg); hipertensão estágio 2 (pressão arterial > percentil 99 mais 5mmHg). Para análise dos dados, as categorias de hipertensão arterial estágio 1 e estágio 2 foram agregadas. Assim, a pressão arterial foi categorizada em normotensão (categoria de referência), pré-hipertensão e hipertensão (estágios 1 e 2).

• Variáveis independentes: índice de massa corporal e circunferência da cintura

As medidas antropométricas (peso e estatura) foram coletadas na escola, de maneira padronizada, seguindo os procedimentos preconizados pelo Anthropometric Standartization Reference Manual 26,27.

Com base nas medidas de peso e altura, foi calculado o índice de massa corporal (IMC) de todas as crianças e adolescentes. Para avaliar o estado antropométrico, foram utilizadas as tabelas de percentis da Organização Mundial da Saúde (OMS) como padrão de referência 28. Para classificação, utilizou-se a proposta da OMS (2006): magreza ou baixo peso (< percentil 3), eutrofia (<u>&gt;</u> percentil 3 e < percentil 85 - categoria de referência), sobrepeso (<u>&gt;</u> percentil 85 e < percentil 97) e obesidade (<u>&gt;</u> percentil 97). Para análise, foram agregadas as categorias sobrepeso e obesidade. Portanto, os indivíduos com excesso de peso apresentavam IMC situado no percentil igual ou acima de 85.

A medida da circunferência da cintura foi realizada com fita métrica inelástica, graduada em centímetros e milímetros, seguindo procedimentos preconizados por Gillum et al. 29. A classificação foi feita de acordo com os pontos de corte por idade e sexo apresentados no estudo de Taylor et al. 30, que considera elevado valor acima do percentil 80.

Padrão de consumo alimentar

O Questionário Quantitativo de Frequência Alimentar (QQFA) elaborado por Slater et al. 31 foi adaptado e adotado para avaliação da frequência de consumo alimentar dos estudantes pesquisados. Trata-se de um instrumento validado por Voci et al. 32. Constam do QQFA 132 itens alimentares, tendo sido adicionados alimentos regionais. A frequência de consumo desses itens foi dividida em quatro categorias, assim codificadadas: nunca consome = 0; 1 a 3 vezes ao mês = 1; 1 a 4 vezes na semana = 2; 5 a 7 vezes na semana = 3. Aqueles alimentos ou grupos de alimentos que apresentaram consumo acima de 50% pelos estudantes foram considerados para a realização da Análise Fatorial, sendo agrupados em 17 categorias, de acordo com semelhança de conteúdo nutricional (Tabela 1). Em seguida, foram somadas as frequências codificadas correspondentes aos alimentos efetivamente consumidos pelo indivíduo em cada grupo alimentar, o que constituiu o numerador da medida-resumo. O denominador correspondeu ao número máximo de alimentos que o indivíduo poderia consumir em cada grupo de alimentos multiplicado por 4 33.

 

 

Antes de proceder à análise fatorial exploratória, o coeficiente Kaiser-Mayer-Olkin (KMO) foi estimado e o teste de esfericidade de Bartlett foi aplicado para indicar a adequação dos dados à análise 33. Realizou-se a análise de componentes principais, seguida de uma rotação ortogonal (varimax), para examinar a estrutura (padrão) fatorial exploratória. O número de fatores a extrair foi definido conforme o gráfico da variância e pelo número de componentes (screen plot); os pontos no maior declive indicam o número apropriado de componentes a reter. A consistência interna das dimensões do QQFA foi avaliada, sendo considerado aceitável índice alpha de Cronbach > 0,65. Foi realizada análise de Regressão Logística Politômica a fim de avaliar a associação dos padrões alimentares. Para tal, os escores gerados foram estratificados em duas categorias, tendo como ponto de corte a mediana.

Nível de atividade física

Para avaliação da atividade física, utilizou-se o Questionário de Atividades Físicas Realizadas Ontem (QUAFIRO). Trata-se de um instrumento desenvolvido por Russell R. Pate 34, da University of South Carolina (Estados Unidos), traduzido e modificado por M. V. Nahas, do Núcleo de Pesquisa em Atividade Física e Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina 35. O questionário informa a intensidade e o tempo gasto na atividade física. Com base nesses valores, obtém-se, então, o escore final do QUAFIRO multiplicando-se o coeficiente da intensidade (3, 2 ou 1 para intensa, moderada ou leve, respectivamente) pelo coeficiente da duração do exercício (1, 2 e 3 para < 15', 15'-30' e > 30', respectivamente). Neste estudo, o escore gerado foi estratificado em duas categorias, utilizando-se como ponto de corte a mediana: inativo (0-6 pontos) e ativo (igual ou acima de 7 pontos - categoria de referência).

Características das condições ambientais e de moradia e socioeconômicas

As características das condições ambientais e de moradia, socioeconômicas e maternas foram coletadas mediante questionários aplicados aos responsáveis pelos estudantes por entrevistadores treinados e qualificados. Os responsáveis foram convidados a comparecer na escola para as entrevistas. Foram obtidos dados acerca das características do domicílio (condições de posse do domicílio, tipo de construção, material predominante de piso, material predominante na cobertura e parte do domicílio, número de habitantes por dormitórios etc.) e de saneamento básico (abastecimento de água, coleta de lixo, esgotamento sanitário) para a construção de um índice adaptado do modelo proposto por Issler & Giugliani 36. A cada situação, foi atribuída pontuação; a mais favorável recebeu o valor 0; a mais desfavorável, a pontuação 1. O somatório desses valores caracterizou o indicador das condições ambientais e de moradia. O índice foi classificado em dois estratos, tendo como ponto de corte a mediana: adequado (escore <u>&lt;</u> 4 - categoria de referência) e inadequado (escore > 4).

Foram coletados dados de renda familiar mensal. A renda foi traduzida em salário mínimo vigente (R$380,00) no período do estudo, sendo categorizada em 3 estratos: < 1 salário mínimo; 1-3 salários mínimos e <u>&gt;</u> 3 salários mínimos (categoria de referência).

Características maternas

Foram coletados dados de escolaridade materna. Para esta variável, foram considerados três níveis conforme as séries escolares cursadas: I - até o 5º ano; II - do 6º ao 9º anos e III - Ensino médio e superior (categoria de referência). Além disso, a idade materna foi classificada segundo a faixa etária: 10-19, 20-34 e 35 anos ou mais (categoria de referência).

Análise dos dados

Para o processamento e construção do banco de dados, foi utilizado o Epi Info versão 6.04 (Centers for Disease Control and Prevention, Atlanta, Estados Unidos), adotando-se a digitação dupla dos dados, após a revisão dos questionários e a correção dos erros decorrentes da codificação realizada inicialmente em campo.

A variável pressão arterial foi adotada como o desfecho. Para identificar os fatores que estão associados com a pré-hipertensão e hipertensão arterial, utilizou-se a análise de Regressão Logística Politômica. A magnitude da associação entre os fatores de risco e a ocorrência dos agravos (pré-hipertensão e hipertensão arterial), foi expressa em odds ratio (OR) e respectivos intervalos de confiança (IC95%). O processo de modelagem foi baseado em estratégia ordenada da seguinte forma: primeiro, selecionadas as variáveis que apresentaram valor de p <u>&lt;</u> 0,20 na análise univariada politômica, conforme critério sugerido por Hosmer & Lemeshow 37; posteriormente, realizada a análise multivariada empregando-se a técnica de Regressão Logística Politômica. Permaneceram no modelo ajustado apenas aquelas com valor de p < 0,05.

As análises estatísticas foram corrigidas pelo delineamento complexo da amostra, por meio da utilização do conjunto de comandos svy do Stata, versão 9.0 (Stata Corp., College Station, Estados Unidos).

Questões éticas

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, que apreciou e emitiu parecer favorável sobre a pertinência ética da investigação. Os pais ou responsáveis assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, autorizando a participação do filho na pesquisa.

 

Resultados

Do total de 1.200 estudantes inicialmente selecionados, registrou-se a perda de 69 deles (5,75%), o que resultou em uma amostra de 1.131 participantes. Essas perdas se deveram à recusa em participar, à mudança da criança para outra cidade, ou transferência para outra escola. Desse total, seis estudantes foram excluídos em virtude da falta de registro de níveis pressóricos. Assim, a amostra efetivamente estudada constituiu-se de 1.125 crianças e adolescentes de ambos os sexos, com idade de 7 a 14 anos.

Foi detectada a prevalência de hipertensão de 4,8% (IC95%: 3,55-6,05), sendo mais pronunciada entre os estudantes do sexo feminino (sexo feminino: 7%; sexo masculino 2,6%) e entre aqueles com idade de 10 a 14 anos (10 a 14 anos: 5,6%; 7 a 9 anos: 2,7%). Detectou-se prevalência de pré-hipertensão de 9,3% (IC95%: 7,6-11,0), sendo mais pronunciada entre os do sexo feminino (sexo feminino: 10,1%; sexo masculino 8,6%) e entre aqueles com idade de 10 a 14 anos (10 a 14 anos: 9,9%; 7 a 9 anos: 7,7%). Evidenciou-se, ainda, que a ocorrência de sobrepeso/obesidade foi identificada em 12,6% dos participantes; 8,7% apresentaram circunferência da cintura acima do percentil 80; e 35,7% eram fisicamente inativos (Tabela 2).

 

 

O índice de confiança da análise fatorial foi verificado por meio do coeficiente KMO (0,789), do teste de esfericidade de Bartlett (c²(1225) = 1586,496; p < 0,001) e do determinante da matriz de correlação (0,351). Esses valores indicaram que as correlações entre os itens eram suficientes e adequadas para o processamento da análise fatorial. Desta análise, foram extraídos três padrões que representaram 44,53% da variância total. Os padrões alimentares extraídos foram classificados como: padrão 1 - alimentos protetores: pão, grupo dos cereais, peixe e verduras/frutas; padrão 2 - alimentos de risco: pastelaria (salgadinhos e salgados fritos), açúcares/doces (açúcar branco, sorvete, geladinho, achocolatado); padrão 3 - alimentos de risco: óleos e café (Tabela 3). Os índices referentes à consistência interna (a > 0,60) garantiram aceitável nível de precisão de medida para os três padrões (Tabela 3), assegurando a consistência interna para as dimensões do questionário utilizado.

 

 

Observou-se, por meio de análise univariada (Tabela 4), associação positiva e estatisticamente significante entre pré-hipertensos e aqueles com sobrepeso/obesidade (OR: 3,20; IC95%: 1,811-5,656) e com a circunferência da cintura acima do percentil 80 (OR: 2,84; IC95%: 1,038-5,543). Verificou-se, igualmente, associação positiva e estatisticamente significante entre hipertensão e sexo feminino (OR: 2,47; IC95%: 1,287-4,773), a idade de 10-14 anos (OR: 2,53; IC95%: 1,111-5,791), os portadores de sobrepeso/obesidade (OR: 2,99; IC95%: 1,510-5,921) e elevada circunferência da cintura (OR: 3,56; IC95%: 1,694-7,507). Não houve associação para as demais variáveis estudadas.

Os fatores associados à pré-hipertensão e hipertensão estão apresentados na Tabela 5 (modelo final). Observou-se que a pré-hipertensão esteve associada somente ao sobrepeso/obesidade (OR: 3,13; IC95%: 1,759-5,579). Já a hipertensão foi associada ao sexo feminino (OR: 2,49; IC95%: 1,245-4,989), ao sobrepeso/obesidade (OR: 3,02; IC95%: 1,455-6,284) e ao padrão alimentar de risco (OR: 1,93; IC%: 1,045-3,569).

 

Discussão

A prevalência de 4,8% de hipertensão encontrada entre as crianças e adolescentes matriculados na rede pública de Ensino Fundamental da cidade do Salvador é compatível com aquelas encontradas por Oliveira et al. 11 (3,6%) em Feira de Santana, também no Estado da Bahia; por Rosa et al. 8 (4,6%) em Niterói, Rio de Janeiro; por Monego & Jardim 39 (5%) em Goiânia, Goiás. Por outro lado, é maior que as identificadas por Borges et al. 39 (2,3%) em Cuiabá, Mato Grosso; Rezende et al. 7 (2,5%) em Barbacena, Minas Gerais; e menor do que aquelas encontradas por Xavier et al. 40 (13,5%), em Uberaba, Minas Gerais; Gomes & Alves 9 (17,3%) em Recife, Pernambuco; e por Araújo et al. 10 (44,7%) em Fortaleza, Ceará. Em relação à pré-hipertensão, observou-se, no presente estudo, prevalência de 9,6%. Esse valor foi menor do que o revelado por Rosa et al. 8 (8,6%), porém maior do que aquele encontrado por Borges et al. 39 (3,8%). Deve-se ressaltar que ainda são escassos os estudos nacionais em que a pré-hipertensão é avaliada, apesar de ser conhecido o fato de que esta condição na infância está relacionada com o surgimento da hipertensão na vida adulta 5.

A metodologia adotada para o diagnóstico de hipertensão arterial em cada estudo pode justificar a variabilidade observada. Fatores como a faixa etária estudada, número de visitas realizadas, número de aferições de pressão arterial em cada visita e o intervalo entre as aferições contribuem de forma importante para a variação de prevalências 14,41. É importante observar a falta de similaridade entre as metodologias utilizadas no diagnóstico de hipertensão em crianças e adolescentes, o que dificulta a comparação dos resultados dos estudos e pode implicar superestimação ou subestimação da prevalência.

Os resultados encontrados no estudo em questão mostraram que a hipertensão arterial esteve associada ao sexo feminino (OR: 2,49; IC95%: 1,245-4,990). Nur et al. 42 e Gomes & Alves 9, em seus estudos com crianças e adolescentes, observaram prevalências maiores de hipertensão entre aqueles indivíduos do sexo masculino. Borges et al. 39 e Ferreira & Aydos 43 encontraram maiores prevalências entre os do sexo feminino. Portanto, os resultados dos estudos disponíveis não são consensuais para a distribuição do evento segundo o sexo.

A associação entre níveis pressóricos elevados e o estado antropométrico foi observada para o excesso de peso, que imprimiu chance 3,13 vezes maior de os participantes apresentarem pré-hipertensão arterial (OR: 3,13; IC95%: 1,759-5,579) e chance 3,02 vezes maior de eles apresentarem hipertensão arterial (OR: 3,02; IC95%: 1,455-6,284), quando comparados com os eutróficos. Essa associação é também relatada em inúmeros estudos epidemiológicos, nacionais e internacionais, tanto em adultos, quanto em crianças e adolescentes, confirmando uma unanimidade científica: a certeza de que o excesso de peso impacta negativamente os níveis pressóricos elevados 5,11,12,42,43,44,45,46.

Neste estudo, em análise univariada, verificou-se que circunferência da cintura está associada a hipertensão arterial (OR: 3,56; IC95%: 1,694-7,507) e pré-hipertensão (OR: 2,84; IC95%: 1,038-5,543). Entretanto, para análise do modelo ajustado, em razão da forte associação entre as variáveis circunferência da cintura e IMC (p < 0,001), optou-se pela entrada da variável IMC, já que grande parte dos estudos relatam a sua utilização 42,47. Há que se registrar, contudo, que, quando a circunferência da cintura foi utilizada em substituição ao IMC no modelo multivariado, observou-se associação positiva e estatisticamente significante entre a circunferência da cintura e pré-hipertensão (OR: 2,45; IC95%: 1,278-4,707) e entre a mesma variável e hipertensão arterial (OR: 3,40; IC95%: 1,484-7,823). Estudos mostram que a gordura localizada na região abdominal é um determinante de risco cardiovascular em crianças e adolescentes, sendo mais importante que o percentual de gordura corpórea 48. Em estudo com adolescentes de 12 a 17 anos, Rosa et al. 49 observaram associação entre a hipertensão e a medida elevada de circunferência da cintura. Resultados semelhantes foram observados nos estudos de Guimarães et al. 50, Mariath & Grillo 51 e Souza et al. 52, envolvendo crianças e/ou adolescentes. No entanto, os mecanismos fisiopatológicos que favorecem o desenvolvimento de hipertensão na obesidade são complexos e multifatoriais. Dentre as alterações, destacam-se as hemodinâmicas sistêmicas e renais, resistência à insulina com hiperinsulinemia compensatória, ativação do sistema nervoso simpático e do sistema renina-angiotensina, além de efeitos da leptina plasmática 53,54,55.

O uso de análise fatorial com o método de extração dos componentes principais no QFA tem sido utilizado em diversos estudos para determinar os padrões alimentares 56,57,58,59. Dos três padrões identificados entre as crianças e adolescentes, um foi considerado saudável e dois potencialmente associados aos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. Destes dois, um abrange os alimentos pertencentes ao grupo das pastelarias (salgadinhos e salgados fritos - coxinhas, pastéis, quibes etc.) e ao dos açúcares/doces (açúcar branco, sorvete, geladinho, achocolatado); o outro é representado pelos óleos e café. Esse padrão de consumo reflete as modificações do estilo de vida vivenciado por crianças e adolescentes e pode ser explicado pela transição nutricional identificada na população brasileira nos últimos anos 16. Essas mudanças têm favorecido o aumento do consumo de alimentos industrializados, a alimentação fora de casa e a substituição das refeições tradicionais pelos lanches, levando ao consumo excessivo de sal, produtos gordurosos, açúcares simples, doces e bebidas açucaradas, além da diminuição do consumo de frutas, verduras e cereais integrais 60,61. Assim, o segundo padrão, constituído por alimentos de risco, imprimiu chance 1,93 vez maior de as crianças e adolescentes apresentarem hipertensão arterial (OR: 1,93: IC95%: 1,042-3,569), quando comparada com a chance dos eutróficos.

Inexistem na literatura estudos que avaliem a relação entre hipertensão arterial e padrão alimentar em população infantil e em adolescente, utilizando a análise fatorial para identificar o perfil de consumo alimentar. Todavia, vários são aqueles que se utilizaram desta técnica de análise para investigar a associação de padrões dietéticos com fatores de risco para doenças cardiovasculares em adultos 33,59.

Com base na constatação do ritmo crescente das doenças crônicas não transmissíveis na infância e na adolescência, a OMS vem propondo, desde 2004, a adoção da Estratégia Global em Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde, que tem como objetivo reduzir os fatores de risco para as doenças crônicas não transmissíveis associadas a uma alimentação pouco saudável e aos baixos níveis de atividade física 20. Estudos recentes têm construído evidências de que mudanças positivas nos fatores modificáveis, em especial no padrão alimentar e no nível da atividade física dos indivíduos, respondem, em parte, pela redução da carga das doenças crônicas não transmissíveis para a população em geral 62.

Diante disso, o sistema de saúde tem se organizado na tentativa de viabilizar intervenções voltadas para a promoção de um estilo de vida saudável, utilizando a escola como um dos espaços estratégicos para o diagnóstico, assim como para o incentivo à formação de hábitos alimentares saudáveis e à prática de atividades físicas regulares. Trata-se de uma iniciativa que foi adotada pelo Ministério da Saúde do Brasil, constituindo uma das diretrizes da Política Nacional de Alimentação e Nutrição do país 63, recentemente contemplada como uma das diretrizes do Pacto pela Vida, em Defesa do SUS e de Gestão 64. No entanto, embora as evidências indiquem que a adoção de estilo de vida saudável constitua a base fundamental para a prevenção e o tratamento dos fatores de risco para as doenças crônicas não transmissíveis, o desafio atual se constitui na execução de estratégias eficazes, duradouras e viáveis no campo da saúde pública que conduzam à adoção do estilo de vida saudável em crianças e adolescentes 62.

É importante destacar as limitações deste estudo, impostas principalmente pelo seu desenho. Assim, salienta-se o fato de este ser um estudo transversal, o que limita a interpretação dos resultados, na medida em que, nesse tipo de estudo, não é possível estabelecer relações causais por não se contemplar a sequência temporal entre a exposição e o efeito. Por outro lado, os resultados encontrados são compatíveis com os registros da literatura consultada; dentre eles, alguns de intervenção, de que a melhoria dos hábitos alimentares e controle de peso constituem-se em importantes componentes na prevenção da hipertensão, entre outros fatores de risco associados às doenças cardiovasculares 65.

Portanto, a despeito das limitações desta investigação, verificou-se que a prevalência de pré-hipertensão e hipertensão em crianças e adolescentes é maior entre aqueles com excesso de peso, do sexo feminino e com consumo alimentar inadequado. A detecção precoce dessas alterações (fatores modificáveis) pode favorecer a adoção de políticas e ações de controle dos fatores de risco associados a essa enfermidade. Sendo assim, é possível que o espaço escolar seja o ambiente favorecedor de ações de promoção de estilo de vida saudável, como alimentação adequada e atividade física, evitando que milhares de jovens desenvolvam prematuramente, em especial, doença arterial coronariana e vascular encefálica.

 

Colaboradores

S. L. Pinto participou da concepção do estudo, coleta e análise dos dados, interpretação dos resultados e redação do manuscrito. R. C. R. Silva participou da concepção do estudo, coleta e análise dos dados, interpretação dos resultados e redação do manuscrito. S. E. Priore participou da interpretação dos resultados e redação do manuscrito. A. M. O. Assis participou da concepção da interpretação dos resultados e redação do manuscrito. E. J. Pinto participou da análise dos dados, interpretação dos resultados e redação do manuscrito.

 

Agradecimentos

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia.

 

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Correspondência:
R. C. R. Silva
Escola de Nutrição, Universidade Federal da Bahia.
Rua Araújo Pinho 32, Salvador, BA
40150-260, Brasil.
rcrsilva@ufba.br

Recebido em 26/Jun/2010
Versão final reapresentada em 16/Nov/2010
Aprovado em 28/Mar/2011