SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.28 número7Diretriz para análises de impacto orçamentário de tecnologias em saúde no Brasil índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Cadernos de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.28 no.7 Rio de Janeiro jul. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012000700001 

EDITORIAL

 

Risco cardiovascular na adolescência

 

 

Katia Vergetti BlochI; Maria Cristina KuschnirII; Moyses SzkloIII

IInstituto de Estudos em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. kbloch@globo.com
IINúcleo de Estudos da Saúde do Adolescente, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. Instituto Nacional de Cardiologia, Rio de Janeiro, Brasil. cristina.kuschnir@gmail.com
IIIInstituto de Estudos em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. mszklo@jhsph.edu

 

 

Recentemente, os jornais noticiaram um importante diagnóstico de saúde: "quase metade da população brasileira está acima do peso". A notícia foi baseada nos dados do VIGITEL, pesquisa realizada por telefone, e mostra que entre 2006 e 2011 o percentual de obesos subiu de 11,4% para 15,8%, e aponta ainda que o problema do excesso de peso começa cedo. Entre os 18 e 24 anos, 29,4% dos homens e 25,4% das mulheres já estão acima do peso ideal.

A resistência insulínica e mesmo o diabetes tipo II têm sido relatados em menores de 18 anos. A hipertensão arterial primária torna-se cada vez mais frequente, refletindo o aumento do excesso de peso. Outras consequências da obesidade em adolescentes também são observadas, tais como: distúrbios respiratórios como asma e apneia do sono; acometimento articular, principalmente joelhos e quadril; e até transtornos mentais. Sabemos ainda que a inserção desses jovens no mercado de trabalho é mais difícil.

O Ministério da Saúde tem investido em promoção de hábitos saudáveis visando à prevenção de doenças crônicas e melhoria da qualidade de vida do brasileiro. A redução do consumo de sal e o bem-sucedido programa antitabagista são alguns exemplos dessas iniciativas. Um dos objetivos do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis, lançado em 2011, é parar o aumento da proporção de adultos acima do peso ideal. Uma das estratégias utilizadas é o Programa Academia da Saúde, que visa a aumentar a prática da atividade física da população. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) e o Programa Saúde na Escola (PSE) são iniciativas voltadas especificamente para as populações mais jovens.

O Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde definiu como uma das prioridades da pesquisa em saúde conhecer o perfil de risco cardiovascular e metabólico dos adolescentes brasileiros. Por meio de edital lançado em 2008, em parceria com a FINEP e o CNPq, foi aprovado financiamento para o Estudo de Risco Cardiovascular em Adolescentes (ERICA). Essa pesquisa vem sendo planejada há três anos e o seu estudo piloto está em curso em cinco cidades. O piloto avaliará os protocolos de aplicação dos instrumentos e da logística dessa complexa pesquisa. O objetivo principal do ERICA é estimar a prevalência de obesidade, resistência insulínica, diabetes tipo II, hipertensão arterial, dislipidemia e tabagismo, em uma amostra de 75 mil adolescentes de 12 a 17 anos, que frequenta escolas públicas e privadas de cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes.

Espera-se que os resultados do ERICA possam desenhar o mosaico da distribuição de fatores de risco cardiovascular, e de alguns fatores a eles relacionados, permitindo comparações regionais e o levantamento de hipóteses sobre determinantes do estado de saúde atual dos adolescentes. Embora o conhecimento existente já permita o delineamento de estratégias de prevenção e promoção de saúde, como as que têm sido conduzidas pelo Ministério da Saúde, a obtenção de informações mais detalhadas de curvas de peso, estatura, circunferência da cintura e pressão arterial poderá subsidiar políticas de saúde e servir como referência para futuras pesquisas na área de doenças não transmissíveis.

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons