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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.29 no.8 Rio de Janeiro Aug. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00175912 

ARTIGO ARTICLE

 

Distância percebida até as instalações de lazer e sua associação com a prática de atividade física e de exercícios em adolescentes de Curitiba, Paraná, Brasil

 

Perceived distance to recreational facilities and the association with physical activity and exercise among adolescents in Curitiba, Paraná State, Brazil

 

La percepción de la distancia a las instalaciones de ocio y su relación con la actividad física y el ejercicio en los adolescentes de Curitiba, Paraná, Brasil

 

 

Alex Vieira LimaI,II; Rogério César FerminoI; Marcelo Ponestki OliveiraI; Ciro Romelio Rodriguez AñezIII; Rodrigo Siqueira ReisI,II

IPontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, Brasil
IIUniversidade Federal do Paraná, Curitiba, Brasil
IIIUniversidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, Brasil

Correspondence

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi verificar a associação entre a distância percebida até instalações de lazer (parques, praças, academias, ginásios e ciclovias) com a prática de atividade física e de exercícios em adolescentes de Curitiba, Paraná, Brasil. Estudo transversal realizado com amostra representativa de 1.474 adolescentes (14-18 anos), alunos da rede pública de ensino. Foi verificada associação inversa entre a distância > 31 minutos até academias e ginásios com a prática de atividade física nos meninos (RP = 0,78; IC95%: 0,69-0,88 e RP = 0,79; IC95%: 0,66-0,95, respectivamente). O número de instalações próximas da residência associou-se positivamente com a prática de atividade física nos meninos (RP = 1,18; IC95%: 1,04-1,34). Para as meninas, a distância > 31 minutos até um ginásio apresentou associação inversa com a prática de exercícios de força (RP = 0,93; IC95%: 0,87-0,99). Esses achados sugerem que a distância e a quantidade de instalações de lazer no bairro podem afetar o padrão de atividade física de adolescentes, sendo essa relação diferente entre os sexos.

Atividade Motora; Adolescente; Áreas Verdes; Meio Ambiente e Saúde Pública


ABSTRACT

The aim of this study was to verify the association between perceived distance to recreational facilities (parks, gyms, sports courts, and bike lanes) for physical activity and exercise among adolescents in Curitiba, Paraná State, Brazil. A cross-sectional study was conducted with a representative sample of 1,474 adolescents (14-18 years) enrolled in public schools. There was an inverse association between distance (> 31 minutes) to gyms and sports courts and physical activity among boys (PR = 0.78; 95%CI: 0.69-0.88 and PR = 0.79; 95%CI: 0.66-0.95, respectively). The number of facilities near home was positively associated with physical activity in boys (PR = 1.18; 95%CI: 1.04-1.34). Among girls, distance (> 31 minutes) to sports courts was inversely associated with strength training (PR = 0.93; 95%CI: 0.87-0.99). The findings suggest that distance from home and number of recreational facilities in the neighborhood may affect patterns of physical activity among adolescents and that the association differs between boys and girls.

Motor Activity; Adolescent; Green Areas; Environment and Public Health


RESUMEN

El objetivo de este estudio fue investigar la asociación entre la distancia percibida a instalaciones recreativas (parques, gimnasios, gimnasios y carriles-bici) para la práctica de actividad física y el ejercicio en los adolescentes de Curitiba, Paraná, Brasil. Es un estudio transversal con una muestra representativa de 1.474 adolescentes (14-18 años), estudiantes de escuelas públicas. Se observó una asociación inversa entre la distancia > 31 minutos hasta los gimnasios y centros de acondicionamiento físico con la práctica de la actividad física de los niños (RP = 0,78; IC95%: 0,69-0,88 y RP = 0,79; IC95%: 0,66-0,95, respectivamente). El número de lugares cerca de la residencia se asoció positivamente con la práctica de la actividad física de los niños (RP = 1,18; IC95%: 1,04-1,34). Para las niñas, la distancia > 31 minutos a un gimnasio se asoció inversamente con el ejercicio del poder (RP = 0,93; IC95%: 0,87-0,99). Estos hallazgos sugieren que la distancia y la cantidad de instalaciones de ocio en la zona puede afectar el patrón de actividad física de los adolescentes, diferenciándose esta relación entre sexos.

Actividad Motora; Adolescente; Áreas Verdes; Medio Ambiente y Salud Pública


 

 

Introdução

Os adolescentes têm adotado um estilo de vida fisicamente inativo, o que tem favorecido o aumento de diversas doenças crônicas não transmissíveis na idade adulta 1. A prática regular de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e exercícios de força e alongamento nessa faixa etária podem proporcionar benefícios para a saúde dos jovens, bem como a diminuição de fatores de risco para doenças cardiovasculares, além da melhora da saúde osteomioarticular e mental 2,3. Ainda, pesquisas mostram que adolescentes fisicamente ativos tendem a se tornar adultos igualmente ativos 4,5. No entanto, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mostraram que mais da metade dos adolescentes brasileiros (57%) não atinge as recomendações mínimas de prática de atividade física para a saúde 6.

Evidências apontam que fatores individuais, interpessoais e ambientais estão associados com a prática de atividade física na adolescência 7,8,9. Dentre esses aspectos, acredita-se que as características do ambiente físico possam favorecer a prática de atividade física, com maior impacto para a saúde pública devido ao seu potencial em atingir um maior número de indivíduos 9,10. Aspectos como maior acessibilidade e menor percepção de distância até as instalações de lazer, maior densidade residencial, uso misto do solo, percepção de segurança e conectividade entre as ruas são atributos do ambiente, os quais apresentam consistente associação com a prática de atividade física de adolescentes 9,10. No entanto, essas evidências são limitadas a países de renda elevada, o que pode não representar as características de países de renda média como o Brasil 11.

No contexto brasileiro, estudos analisaram algumas características do ambiente como as barreiras percebidas para a prática de atividade física em adolescentes 12,13, porém não tiveram, como principal variável de exposição, os aspectos do ambiente como acesso, disponibilidade ou distância até as instalações de lazer. Por exemplo, Farias Júnior et al. 14 não observaram associação entre a percepção do ambiente com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa em adolescentes de João Pessoa, Paraíba. No entanto, Reis et al. 15 verificaram, em adolescentes de Curitiba, Paraná, que a percepção de proximidade até os parques está positivamente associada com prática de atividade física nesses locais. Porém, esse estudo 15 incluiu apenas características e prática de atividade física relacionadas aos parques da cidade. Estudos realizados em Curitiba, com emprego de medidas objetivas e subjetivas do ambiente, mostraram que maior acessibilidade até parques, ciclovias, pistas de caminhada e instalações de lazer no bairro estão associadas com a prática de atividade física em adultos 16,17. Assim, acredita-se que a menor distância até diferentes espaços e estruturas recreativas possam favorecer a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e de exercícios de força e alongamento em adolescentes, o que pode ser um importante aspecto na compreensão da associação entre ambiente e atividade física 10. Evidências sugerem que a prática de atividade física de lazer em adolescentes pode ser influenciada pela proximidade, disponibilidade e maior acesso a estruturas recreativas e equipamentos para a prática de atividade física no bairro 10. A distância percebida é conceitualmente entendida como a percepção (portanto é uma medida subjetiva) do indivíduo sobre o tempo despendido de deslocamento até algum local para a prática de atividade física próximo de sua residência 18. Estudos realizados em outros países mostraram associação positiva entre a proximidade até esses locais com a prática de atividade física em adolescentes 19,20.

Contudo, são inexistentes evidências sobre a associação entre a distância percebida até diferentes instalações de lazer com a prática de atividade física e de exercícios em adolescentes brasileiros. Ampliar essa compreensão é importante para a elaboração de estratégias e políticas de promoção da atividade física a partir das mudanças no ambiente 21. Assim, o objetivo deste estudo foi verificar a associação entre a distância percebida e o número de instalações de lazer no bairro com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e de exercícios em adolescentes de Curitiba.

Materiais e métodos

As informações utilizadas na presente pesquisa foram extraídas do banco de dados do projeto Determinantes da Atividade Física e Obesidade em Escolares do Ensino Médio da Rede Pública da Cidade de Curitiba, Paraná, Brasil. Em 2006, foi realizado um estudo transversal com amostra representativa de adolescentes que frequentavam o Ensino Médio, no período diurno, em escolas da rede pública de ensino de Curitiba 22. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED), no ano de estudo, a população matriculada era de 42.563 escolares (SEED em números: relatório estatístico de alunos matriculados. http://wwwe.pr.gov.br/escolas/numeros, acessado em 21/Set/2010).

Participantes

O cálculo amostral foi realizado considerando um erro de três pontos percentuais, prevalência estimada de 50% de inatividade física, efeito de deli-neamento de 1,5, excesso de 10% para perdas e recusas e intervalo de 95% de confiança (IC95%) 22. Com base nesses dados, o tamanho da amostra foi estimado em 1.609 escolares 22. Para a estimativa do efeito do desenho, empregaram-se valores recomendados na literatura para pesquisas com estratégias de amostragens semelhantes às do presente estudo 23.

A amostra foi selecionada, de maneira proporcional, por conglomerados, em dois estágios, considerando-se o número de alunos matriculados em cada uma das nove regionais da cidade. No primeiro estágio, foram sorteadas 18 escolas, a partir de uma relação fornecida pela SEED, de modo que a proporcionalidade fosse observada para cada regional. No segundo estágio, foram sorteadas 62 turmas, nas escolas previamente selecionadas, de maneira a atender a proporcionalidade entre a primeira, segunda e terceira séries do Ensino Médio, em cada uma das nove regionais.

Coleta de dados

A coleta de dados foi realizada de maneira coordenada, em sala de aula, com questionário padronizado, por dois entrevistadores previamente treinados. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (76/2006), e os procedimentos seguiram as recomendações do Sistema Nacional de Ética em Pesquisa.

Variáveis dependentes

Prática de atividade física de lazer

A prática de atividade física, em uma semana habitual, foi avaliada com a seguinte questão 24: "Considerando uma semana normal, em quantos dias você realizou atividades físicas por pelo me-nos 60 minutos por dia?". Os adolescentes foram orientados a considerar atividade física de lazer (sem considerar as aulas de Educação Física) como qualquer atividade de intensidade moderada a vigorosa (natação, jogos, dança, esportes, corridas, ginástica de academia etc.) que aumentasse a frequência cardíaca e respiratória 25. As opções de resposta variaram de zero a sete dias por semana. Para efeito de análise, os participantes foram classificados como fisicamente ativos, segundo recomendações atuais de prática de atividade física para adolescentes 24, de acordo com dois diferentes critérios: (a) praticar atividade física de intensidade moderada a vigorosa em pelo menos um dia na semana (> 1 vez/semana, atividade física de intensidade moderada a vigorosa, > 60 min/ dia); e (b) praticar atividade física de intensidade moderada a vigorosa em pelo menos cinco dias na semana (> 5 vezes/semana, atividade física de intensidade moderada a vigorosa, > 60 min/dia) 24.

Prática de exercícios de força

A prática de exercícios de força foi avaliada com a seguinte questão: "Durante a última semana, em quantos dias você realizou exercícios de força (musculação, abdominais ou flexões)?". A variável foi categorizada de acordo com as recomendações que sugerem, como adequada para a saúde osteomioarticular, a frequência semanal de prática igual ou superior a três vezes por semana (> 3 vezes/ semana) 26,27.

Prática de exercícios de alongamento

A prática de exercícios de alongamento foi avaliada com a seguinte questão: "Na semana passada, em quantos dias você realizou exercícios de alongamento?". Sendo posteriormente categorizada segundo as evidências que recomendam a prática igual ou superior a três vezes por semana (> 3 vezes/semana) 26,27.

Variáveis independentes

Distância percebida até as instalações de lazer

A distância percebida até as instalações de lazer foi avaliada com uma questão previamente validada e utilizada em estudos similares 28,29,30. Os adolescentes referiram o tempo, em minutos, que gastariam caminhando das suas residências até cada um dos seguintes locais mais próximos: parques, praças, academias de ginástica ou musculação, ginásios ou quadras para esportes e ciclovias ou pistas para caminhada. As opções de resposta apresentavam seis categorias: "1-5 min", "6-10 min", "11-20 min", "21-30 min", "+31 min" e "não sei". As duas últimas categorias foram posteriormente agrupadas na análise. Essa classificação tem sido empregada em estudos similares, nos quais, a opção de resposta "não sei" é agrupada com a maior categoria de tempo (+31 min) 30.

Número de instalações próximas da residência

Evidências sugerem que a quantidade de atributos positivos do bairro está associada com a prática de atividade física em adultos 31, assim como o número de instalações de lazer próximas da residência pode favorecer a prática de atividade física em adultos 17 e adolescentes 32. Por essa razão, optouse por criar uma variável que representa o número de instalações de lazer presentes em uma distância de até 10 minutos de caminhada da residência, a qual foi categorizada em três níveis: 0, entre 1-2 e > 3 instalações.

Covariáveis

Faixa etária

A faixa etária foi obtida com uma questão relacionada à idade, e os adolescentes foram classificados em cinco categorias: 14, 15, 16, 17 e 18 anos.

Índice de massa corporal

O índice de massa corporal (IMC) foi obtido pela razão entre a massa corporal (kg), dividida pela estatura elevada ao quadrado (m2), a partir de medidas autorreferidas 33. Para a classificação do IMC, foram empregados os pontos de corte sugeridos na literatura 34, e os adolescentes foram classificados como "normal" (baixo peso e peso normal) ou "excesso de peso" (sobrepeso e/ou obesidade).

Nível econômico

Para a classificação do nível econômico, foi utilizada a metodologia proposta pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Critério de Classificação Econômica Brasil. http://www.abep.org, acessado em 20/Fev/2008), que avalia a presença de utensílios domésticos e a escolaridade do responsável financeiro pelo domicílio. Os adolescentes foram categorizados em três níveis: "A" (A1+A2 - maior renda), "B" (B1+B2) e "C" (C+D+E).

Percepção de saúde

A percepção de saúde foi avaliada com a questão 35 "De modo geral, você diria que a sua saúde é": as opções de resposta apresentavam escala tipo Likert de quatro pontos ("ruim", "regular", "boa" e "excelente"). As respostas "ruim" e "regular", assim como as opções "boa" e "excelente", foram agrupadas nas análises para caracterizar as categorias de percepção de saúde negativa e positiva, respectivamente.

Análise dos dados

Entre os 1.518 adolescentes entrevistados, 44 não apresentavam dados completos nas variáveis utilizadas neste estudo e foram excluídos das análises, restando 1.474 participantes. Os dados foram analisados pela frequência absoluta e relativa, comparando- se as proporções de prática de atividade física e de exercícios de força e alongamento entre as categorias de distância percebida até as instalações de lazer. A regressão de Poisson foi utilizada para analisar a associação entre as variáveis. Após a elaboração do modelo bruto, todas as variáveis independentes e as covariáveis foram inseridas no mesmo nível de análise pelo método de entrada forçada para a elaboração do modelo múltiplo. As análises foram realizadas no programa Stata 11 (Stata Corp., College Station, Estados Unidos), e o processo de amostragem por conglomerados foi considerado recorrendo-se ao comando svy do software. As análises foram estratificadas por sexo, e o nível de significância, mantido em 5%.

 

Resultados

A amostra analítica foi constituída por 1.474 adolescentes (59% do sexo feminino), e o percentual de recusas para a participação na pesquisa foi inferior a 5% (n = 79). Cerca de um terço dos adolescentes (33%) encontrava-se na faixa etária de 16 anos, a maioria apresentou IMC normal (88,1%), nível econômico intermediário (B - 62,6%) e percepção positiva de saúde (86,4%). Essas variáveis diferiram entre os sexos (p < 0,05), e ainda a maior faixa etária, o excesso de peso, a renda mais elevada e a percepção positiva de saúde foram associados com o sexo masculino (Tabela 1). Aproximadamente, seis a cada dez adolescentes praticavam atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana (57,9%), enquanto que 14,3% praticavam atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 5 vezes/semana. Os meninos foram fisicamente mais ativos em ambas as categorias analisadas (atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana: 75% vs. 46,2%; atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 5 vezes/semana: 21,7% vs. 9,2%; p < 0,001). A prática recomendada de exercícios de força e alongamento também foi reportada com maior frequência pelos meninos (40,3% vs. 17,2% e 57,2% vs. 45,8%, respectivamente; p < 0,001). As praças foram as instalações reportadas como mais próximas da residência (< 5 min: 33,6%), enquanto os parques foram os locais mais distantes (> 31 min: 50,5%). As meninas perceberam maior distância até as instalações de lazer (p < 0,05). Aproximadamente, quatro a cada dez adolescentes reportaram a presença de uma ou duas instalações próximas da residência, e as meninas relataram inexistência de instalações mais frequentemente do que os meninos (21,4% vs. 13,3%; p < 0,001). Os resultados relativos a essas variáveis estão descritos, por sexo, na Tabela 1.

A Tabela 2 apresenta os resultados da análise bivariada. Para as meninas, as distâncias de 6-10 minutos e > 31 minutos até uma praça foram inversamente associadas com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana (RP = 0,80; IC95%: 0,69-0,93 e RP = 0,77; IC95%: 0,59-0,99, respectivamente). Entre os meninos, a distância > 31 minutos até uma academia de ginástica foi inversamente associada com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana (RP = 0,76; IC95%: 0,660,88), a distância de 21-30min até um ginásio apresentou associação positiva com a prática de exercício de alongamento (RP = 1,08; IC95%: 1,0-1,16), enquanto a distância > 31 min foi inversamente associada com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana (RP = 0,77; IC95%: 0,64-0,91). Também, a distância de 11-20 min até uma ciclovia ou pista para caminhada foi inversamente associada com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 5 vez/semana (RP = 0,51; IC95%: 0,27-0,97) e de exercícios de força (RP = 0,89; IC95%: 0,80-0,99). Por fim, a presença de três ou mais instalações de lazer próximas da residência associou-se positivamente com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana (RP = 1,20; IC95%: 1,05-1,36).

Os resultados da análise multivariável são apresentados na Tabela 3. Para as meninas, a percepção de distância entre 6-10 min até uma praça permaneceu inversamente associada com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana (RP = 0,77; IC95%: 0,670,88). Para os meninos, a distância > 31 min até uma academia de ginástica ou musculação (RP = 0,78; IC95%: 0,69-0,88) e ginásio ou quadras para esportes (RP = 0,79; IC95%: 0,66-0,95) manteve-se inversamente associada com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana. Também para as meninas, a distância > 31 min até um ginásio apresentou associação inversa com a prática de exercícios de força (RP = 0,93; IC95%: 0,87-0,99). A distância percebida de 11-20 min até uma ciclovia ou pistas para caminhada manteve a associação inversa com a prática de exercícios de força para os meninos (RP = 0,88; IC95%: 0,80-0,96). Por fim, a presença de três ou mais instalações de lazer próximas da residência manteve-se positivamente associada com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana para os meninos (RP = 1,18; IC95%: 1,04-1,34).

Foi verificada tendência de associação positiva entre o número de instalações de lazer próximas da residência com a frequência de prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e de exercícios de força (Figura 1).

 

Discussão

Este é o primeiro estudo que analisa a associação entre a distância percebida até as instalações de lazer com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e de exercícios de força e alongamento em amostra representativa de adolescentes brasileiros. As evidências são consistentes e demonstram que a maior proximidade e o acesso a diferentes espaços e estruturas recreativas para prática de atividade física estão positivamente associados com a prática de atividade física em adolescentes de países de renda elevada 9,10,15,30,32,36. Ao contrário do esperado, não foi verificada associação positiva entre a proximidade da residência até parques, praças, academias, ginásios e ciclovias com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e de exercícios na maior parte das análises realizadas.

No presente estudo, apenas os meninos que relataram residir a uma distância superior a 31 min até academias de ginástica ou ginásios apresentaram menor probabilidade de praticar atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana. Esse resultado pode ser explicado pelo elevado tempo para se deslocar até esses locais ser percebido como barreira e dificultar o engajamento nas atividades. De fato, as principais barreiras para a prática de atividade física relatadas por adolescentes de Curitiba incluem a percepção de distância até os locais, dificuldade de acesso e não conhecer os locais, além da falta de segurança no bairro 12,13. De maneira similar ao verificado no presente estudo, em pesquisas conduzidas no Brasil (Curitiba) 15, na Holanda (Roterdã) 19, em Portugal (Porto) 37 e na Nova Zelândia (Auckland) 20, os autores encontraram associação positiva entre presença e proximidade de instalações de lazer (parques, quadras, academias e ciclovias) com a prática de atividade física de adolescentes. Contudo, esses resultados são distintos aos encontrados em João Pessoa, onde a percepção de presença de locais para a prática de atividade física no bairro não se associou com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa 14. Essa parcial inconsistência pode ser explicada por diferenças metodológicas na medida do ambiente entre as pesquisas (distâncias até os locais vs. presença de locais).

O número de instalações de lazer próximas da residência foi positivamente associada com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana entre os meninos. Esses resultados são similares aos encontrados em pesquisas conduzidas nos Estados Unidos 32,38, em Portugal 39, na Austrália 40 e na China 41. De fato, a maior densidade e variedade de instalações de lazer próximas da residência podem favorecer a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa. Evidências apontam que os adolescentes praticam atividade física de intensidade moderada a vigorosa, principalmente, nos finais de semana 42, e que as atividades mais comuns são modalidades esportivas como futebol, vôlei, basquete, handebol, entre outros 43. Algumas das instalações de lazer avaliadas no presente estudo (parques, praças, ginásios e quadras) apresentam diversas estruturas para a prática das modalidades supracitadas 44, as quais poderiam facilitar a realização das atividades durante o tempo de lazer, como os finais de semana.

Entre as meninas, a menor distância percebida até as praças foi inversamente associada com a prática de atividade física de intensidade moderada a vigorosa > 1 vez/semana. As meninas percebem um maior número de barreiras para a prática de atividade física, as quais estão relacionadas com aspectos motivacionais (baixa autoeficácia, preguiça, preferência por outras atividades) e sociais (apoio social em geral, ocupação, falta de tempo) 12,13. A elevada permanência em atividades domésticas, além da falta de apoio social da família para a prática de atividade física em locais próximos à residência podem dificultar o envolvimento em atividade física 43. Adicionalmente, a percepção de insegurança no bairro e a dificuldade de acesso até os locais, entre outros, estão inversamente associadas com a prática de atividade física em parques de Curitiba 15,45. É possível que essas características dificultem a prática de atividade física, independente da proximidade das instalações de lazer presentes no bairro.

Os resultados sobre a associação entre a distância percebida e a disponibilidade de instalações de lazer com a prática exercícios de força e alongamento foram inconsistentes. Por exemplo, enquanto, entre os meninos, verificou-se associação inversa entre a percepção de distância de 11-20 min até uma ciclovia com a prática de exercícios de força; entre as meninas, essa associação foi observada com a distância percebida > 31 min até um ginásio. A inexistência de evidências que tenham analisado essa associação limita a comparação dos resultados. Porém, aspectos como a presença e a qualidade dos equipamentos nesses locais não foram avaliadas, e essas características poderiam explicar a associação entre proximidade dos locais com a realização de exercícios 15. Além disso, alguns locais analisados podem não oferecer estruturas adequadas para a prática de atividades físicas preferidas pelos adolescentes. Por exemplo, em Curitiba, alguns parques e praças contam com aparelhos para a prática de exercícios de força e alongamento 15, porém a literatura reporta que os adolescentes preferem atividades físicas menos estruturadas (esportes em geral) 46.

Algumas limitações devem ser consideradas ao interpretar os resultados. O delineamento transversal empregado não permite determinar a direção das associações. Porém, foram analisados desfechos múltiplos de atividade física, e os principais fatores de confusão foram controlados. As instalações de lazer analisadas não contemplam todas as possibilidades de espaços e estruturas para a prática de atividade física dos adolescentes. A faixa etária dos adolescentes foi limitada entre 14 a 18 anos de idade, matriculados na rede pública de Curitiba, o que limita a extrapolação dos resultados para escolares que estudam em escolas privadas. Por outro lado, os procedimentos utilizados para a seleção da amostra possibilitaram a redução dos vieses de seleção, e o tamanho amostral foi suficiente para detectar os efeitos nas análises multivariadas.

 

Conclusão

A percepção de longas distâncias até as instalações de lazer foi inversamente associada com a prática de atividade física em meninos, enquanto que o número de instalações apresentou associação positiva para esse desfecho. Para as meninas, a maior distância até as instalações foi inversamente associada com a prática de exercícios de força. A distância e a quantidade de instalações de lazer podem afetar o padrão de prática de atividade física e de exercícios em adolescentes, mas esse comportamento difere entre os sexos. Diminuir as distâncias e aumentar o número de instalações de lazer facilitaria o comportamento ativo dos adolescentes. Esses achados possibilitam que os gestores públicos elaborem intervenções baseadas em modificações do ambiente construído, o que inclui a construção e a manutenção de instalações de lazer para a promoção da atividade física na população. Sugere-se que futuros estudos avaliem os efeitos das modificações ambientais na comunidade, as quais devem facilitar o acesso a diversas estruturas, sobre o nível de atividade física de adolescentes.

 

Colaboradores

A. V. Lima participou da concepção do estudo, revisão da literatura, análise dos dados e redação inicial do manuscrito. R. C. Fermino colaborou na concepção inicial do estudo, revisão da literatura, análise dos dados, redação e revisão crítica do manuscrito em todas as suas etapas. M. P. Oliveira contribuiu na concepção do artigo. C. R. Rodriguez Añez e R. S. Reis coordenaram a coleta de dados e participaram da revisão crítica do texto.

 

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Correspondence:
A. V. Lima
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Rua Imaculada Conceição 1155
Curitiba, PR 80215-901, Brasil
alexvieira@hotmail.com

Recebido em 10/Dez/2012
Versão final reapresentada em 06/Mar/2013
Aprovado em 21/Mar/2013

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