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Cadernos de Saúde Pública

versão On-line ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.30 no.4 Rio de Janeiro abr. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00088813 

ARTIGO

Satisfação com saúde bucal de idosos brasileiros: um estudo de gênero com modelo hierárquico

Oral health satisfaction among Brazilian elderly: a gender study using a hierarchical model

Satisfacción con la salud bucal en adultos mayores brasileños: un estudio de género con el modelo jerárquico

Ana Cristina Viana Campos1 

Andréa Maria Duarte Vargas1 

Efigênia Ferreira e Ferreira1 

1Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil.

RESUMO

Os objetivos do presente estudo foram identificar as diferenças de gênero em relação aos fatores associados à satisfação com saúde bucal de idosos e estimar a prevalência de edentulismo por gênero e faixa etária. Foram incluídos 2.052 idosos com 60 anos e mais de idade, residentes em Sete Lagoas, Minas Gerais, Brasil. A regressão de Poisson foi utilizada para estimar a prevalência de edentulismo. A associação entre satisfação bucal e as variáveis independentes foi realizada por meio da regressão ordinal com modelo hierárquico multidimensional. A prevalência de edentulismo nos gêneros masculino e feminino foi de 63% e 68,8%, respectivamente. A maioria dos idosos do gênero masculino (63%) e feminino (57%) estava satisfeita com a saúde bucal. O modelo final ajustado, para ambos os gêneros, foi formado por variáveis referentes ao ambiente externo, comportamentos de saúde e condições de saúde bucal. Conclui-se que a satisfação com a saúde bucal é influenciada fortemente pelas condições de saúde bucal e por comportamentos de saúde, e que os fatores associados são diferentes para cada gênero.

Palavras-Chave: Saúde Bucal; Idoso; Autoimagem

ABSTRACT

The objectives of this study were to identify gender differences in relation to factors associated with oral health satisfaction among the elderly and to estimate the prevalence of edentulism by gender and age. The study included 2,052 elderly (≥ 60 years) residing in Sete Lagoas, Minas Gerais State, Brazil. Poisson regression was used to estimate prevalence of edentulism. The association between oral health satisfaction and independent variables was estimated using ordinal regression with a hierarchical multidimensional model. Prevalence rates for edentulism in males and females were 63% and 68.8%, respectively. Most elderly males (63%) and females (57%) were satisfied with their oral health. The final adjusted model for both genders consisted of variables related to environmental characteristics, health behaviors, and oral health conditions. The study concludes that oral satisfaction is heavily influenced by oral health status and health behaviors, while the associated factors differ by gender.

Key words: Oral Health; Aged; Self Concept

Key words: Salud Bucal; Anciano; Autoimagen

RESUMEN

Los objetivos de este estudio fueron identificar las diferencias de género, en relación con factores asociados a la satisfacción con la salud bucal de ancianos, con el fin de estimar la prevalencia de edentulismo por género y edad. Se incluyó a 2.052 personas mayores de 60 años y más que residen en Sete Lagoas, Minas Gerais, Brasil. La regresión de Poisson se utilizó para estimar la prevalencia de edentulismo. La asociación entre la satisfacción bucal y las variables independientes se realizó mediante el modelo de regresión ordinal multidimensional jerárquico. La prevalencia de edentulismo en hombres y mujeres era de un 63% y un 68,8%, respectivamente. La mayoría de los hombres de edad avanzada (63%) y mujeres (57%) estaban satisfechos con su salud bucal. El modelo ajustado final, para ambos sexos, fue desarrollado por variables relacionadas con el ambiente externo, las conductas de salud y las condiciones de salud bucal. Se concluye que la satisfacción con la salud bucal está fuertemente influenciada por el estado de salud oral y las conductas de salud, asimismo, los factores asociados son diferentes para cada género.

Introdução

O último levantamento epidemiológico realizado pelo Ministério da Saúde em 2010 indica um panorama ainda crítico para os idosos brasileiros, com elevada perda dentária e edentulismo 1. Um estudo de revisão sistemática sobre a saúde bucal desse grupo citado revelou uma prevalência de edentulismo média de 60,13% e elevado uso de próteses nas diferentes populações e contextos abordados 2.

Diante desse quadro, o desenvolvimento de ações sociais de prevenção, diagnóstico e intervenção é cada vez mais necessário 3. Apesar dos resultados positivos da Política Nacional de Saúde Bucal – Brasil Sorridente – junto à Estratégia Saúde da Família, o uso dos serviços odontológicos é muito baixo entre idosos e pouco se sabe em que medida está relacionado à percepção da necessidade de tratamento odontológico e à autopercepção da saúde bucal 4.

A obtenção de dados epidemiológicos por meio de índices e indicadores quantitativos é importante, mas leva em conta apenas a visão do profissional 5. Considerando-se que o comportamento dos indivíduos é condicionado por suas percepções e pela importância dada a elas, a avaliação da autopercepção das condições de saúde bucal representa um ganho substancial para o planejamento dos serviços de saúde nessa área 6.

A utilização dos modelos sociológicos de interação entre variáveis subjetivas e objetivas para o estudo de percepção e autoavaliação da saúde bucal da população idosa vem ganhando repercussão internacional 7,8,9. Esses modelos levam em consideração as características individuais, ambientais, sociocomportamentais e culturais, as condições clínicas e também a experiência subjetiva dos indivíduos sobre o seu bem-estar funcional, social e psicológico, refletindo a natureza multidimensional da autoavaliação da saúde bucal 10,11,12.

Concomitantemente, estudos nacionais têm evidenciado que o envelhecimento é diferente para homens e mulheres 13. Em relação à saúde bucal, a maioria dos trabalhos aborda apenas o perfil epidemiológico bucal 14, com amostras não comparáveis entre os gêneros 15,16, e foi realizada com idosos institucionalizados 17.

Portanto, os objetivos do presente estudo foram identificar as diferenças de gênero em relação aos fatores associados à satisfação com saúde bucal de idosos e estimar a prevalência de edentulismo por gênero e faixa etária.

Métodos

Desenho do estudo e participantes

Este trabalho é parte de um estudo longitudinal realizado no Município de Sete Lagoas, Minas Gerais, Brasil, com uma população residente de 214.152 habitantes, sendo que 10,16% têm a idade igual ou superior a 60 anos 18. O município é dividido em 17 regiões administrativas (criadas para substituir os limites dos 183 bairros existentes) 19, três áreas urbanas isoladas, um distrito fora da sede e área rural.

O cálculo amostral foi realizado para comparação entre gêneros considerando-se a prevalência de capacidade funcional para atividades instrumentais nos gêneros masculino (86,6%) e feminino (72,9%) 20. O erro estimado foi de até cinco pontos porcentuais, poder de teste de 80%, com intervalos de 95% de confiança (IC95%), considerando um efeito de delineamento de dois. Foi utilizado um adicional de 20% para perdas e recusas. Em seguida, a amostra de cada grupo (homens e mulheres) foi estratificada por faixa etária em relação à população e corrigida pela probabilidade do risco de morrer, resultando em 1.146 idosos.

Os critérios de exclusão adotados foram: indivíduos residentes em instituição de longa permanência no período da coleta de dados, os portadores de deficiências visual e/ou auditiva graves e não corrigidas, aqueles com deficiência cognitiva que impede o entendimento e execução da entrevista e do exame clínico, e os que se recusaram a assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

A técnica de amostragem foi probabilística por conglomerados sob o critério de partilha proporcional ao tamanho em dois estágios: setores censitários e domicílios, que foram sorteados proporcionalmente ao número de domicílios permanentes particulares ocupados por estrato (área urbana, zona rural, distrito).

A coleta de dados foi realizada no domicílio e foram consideradas perdas de entrevista/exame os casos em que o idoso não foi localizado após três tentativas, incluindo o fim de semana. O projeto foi divulgado junto às autoridades municipais, meios de comunicação e por folder próprio.

O exame epidemiológico foi feito sob iluminação natural, espelho bucal plano e uma espátula de madeira. O índice CPOD (dentes permanentes cariados, perdidos e restaurados) foi utilizado para estimar o edentulismo, segundo critérios preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) 21, mas adaptados. O número de dentes perdidos foi apurado e a variável foi dicotomizada em: ausência de todos os dentes e presença de um ou mais dentes.

Foi realizada também uma avaliação clínica sobre uso e necessidade de próteses superior e inferior. Para avaliar uma prótese em usos consideraram-se retenção, estabilidade, e reciprocidade e estética. Os possíveis códigos indicavam o tipo de prótese (parcial removível, parcial fixa, total) e a região (superior, inferior). Neste trabalho, as variáveis foram agrupadas seguindo recomendações da OMS, para medir o “agravamento” do edentulismo 21.

O questionário estruturado continha 50 perguntas semelhantes às da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2011, incluindo questões sobre estilo de vida e acesso e utilização de serviços de saúde bucal. Para as variáveis relacionadas à saúde bucal utilizaram-se perguntas selecionadas do SBBrasil 2010. O método teste/reteste foi empregado para verificar a confiabilidade e o desempenho dos questionários e testes nesta amostra. A fidedignidade foi avaliada pela correlação de Spearman para teste de associação simples entre as variáveis do instrumento, e pela correlação partial rank de Kendall para avaliar a interferência ou não de um fator externo comum a todos os sujeitos. Obtiveram-se coeficientes de correlações superiores a 0,80 (p < 0,001).

O projeto piloto foi conduzido anteriormente à coleta de dados com 107 idosos (10% da amostra total) em um município vizinho, sendo que as entrevistas foram realizadas em duplicata para verificação das concordâncias inter e intraexaminadores, utilizando-se o coeficiente kappa. Obteve-se 92% de concordância interexaminadores e 98,5% para intraexaminadores, seguindo os parâmetros adotados pela OMS 21.

A coleta de dados foi realizada entre os meses de janeiro e julho de 2012, por uma equipe formada por três examinadores e três anotadores treinados e calibrados. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (COEP-UFMG), CAAE-0413.0.203.000-11.

Satisfação com a saúde bucal

Para a variável dependente – satisfação com a saúde bucal (“Com relação aos seus dentes/boca o(a) senhor(a) estava...”) – as respostas foram agregadas em três categorias: “insatisfeito” (união de muito insatisfeito a insatisfeito), “nem insatisfeito nem satisfeito” e “satisfeito” (união de muito satisfeito a satisfeito), o que permitiu não perder o caráter ordinal entre as categorias da variável.

Modelo teórico conceitual

O presente estudo utilizou o modelo comportamental em saúde 22 adaptado por Martins et al. 23 para investigar os fatores associados ao grau de satisfação bucal em idosos. As variáveis mais distais são as características demográficas. O modelo comportamental expandido conceitua os comportamentos de saúde, as características do ambiente externo e recursos socioeconômicos como variáveis intermediárias, que por sua vez influenciam os resultados de saúde bucal (avaliada, percebida, satisfação do indivíduo).

As variáveis independentes foram agrupadas em seis níveis hierárquicos distintos entre distal, intermediário e proximal em direção ao desfecho (Figura 1). As variáveis distais, localizadas no primeiro nível de análise, foram denominadas características individuais: faixa etária (60-64 anos, 65-69, 70-74, 75-79 anos, 80 anos e mais); cor da pele autorrelatada (branca, preta, amarela, parda, indígena. O ambiente externo foi avaliado pela localização do domicílio (urbana, rural, distrito); se o idoso morava sozinho (sim, não); tempo de moradia no domicílio (≤ 10 anos, 11-24, 25-37, 38 anos e mais); condição de propriedade do domicilio (próprio, alugado, de parentes, outro); tipo de construção (alvenaria, outro); abastecimento de água (rede geral canalizada, poço ou nascente); presença de sanitário no domicílio (sim, não); rede de esgoto domiciliar (rede geral canalizada, fossa); coleta de lixo (serviço de limpeza público, outro); energia elétrica no domicilio (sim, não). A disponibilidade de recursos foi medida por meio do nível de escolaridade (analfabeto, 1o grau, 2o grau, graduado); renda mensal do idoso (≤ R$ 622,00, R$ 622,00-820,00, > R$ 820,00); aposentado (sim, não); estado civil (casado, solteiro, viúvo, separado); participação em grupo para terceira idade (sim, não). O quarto nível reuniu as variáveis sobre os comportamentos de saúde: fuma (sim, não); ingere bebidas alcoólicas (sim, não); possui algum problema para dormir (sim, não); pratica atividade física (sim, não); teve perda de apetite nos últimos seis meses (sim, não); possui algum problema para mastigar ou deglutir os alimentos (sim, não); número de refeições diárias (uma, duas, três, quatro ou mais); ingestão diária de líquido (uma, duas, três, quatro ou mais); autoavaliação do peso (abaixo do peso, peso normal, acima do peso). As variáveis sobre o uso de serviços odontológicos estavam no penúltimo nível de análise: visita frequente ao dentista (sim, não); plano odontológico (sim, não); tipo de serviços de saúde bucal (público, particular, plano/convênio, outro); consulta ao dentista nos últimos seis meses (sim, não); motivo de consulta ao dentista (dor, prevenção, tratamento, não consultou). Finalmente, no nível proximal ficaram as condições de saúde bucal: edentulismo (sim, não); autoavaliação da necessidade de usar/trocar prótese (sim, não); avaliação clínica do uso e necessidade de prótese superior (não usa e não necessita, não usa e necessita, usa e não necessita, usa e necessita); avaliação clínica do uso e necessidade de prótese inferior (não usa e não necessita, não usa e necessita, usa e não necessita, usa e necessita).

Figura 1 Modelo hierárquico para análise de dados adaptado por Martins et al. 23

Análise dos dados

Inicialmente, realizou-se uma análise descritiva da amostra, estratificada por gênero. A análise de regressão de Poisson foi utilizada para estimar a prevalência de edentulismo por gênero e faixa etária. A satisfação bucal e a necessidade subjetiva de prótese para cada grupo (homens, mulheres e total) foram comparadas em relação ao edentulismo. Os resultados foram expressos como odds ratio (OR) e IC95%.

Neste trabalho, optou-se por aplicar o modelo PLUM (polytomous universal model) que incorpora a natureza ordinal da variável dependente na análise. Sendo assim, foi realizada uma regressão logística com o modelo OR proporcional e função Logit. Recomenda-se executar uma análise univariada para seleção dos efeitos principais e incluir no modelo apenas as variáveis significativamente associadas ao desfecho com um nível de significância prefixado. Em seguida, as probabilidades entre as categorias da variável dependente são comparadas por meio do cálculo da OR bruta e ajustada 24. Para identificar os fatores associados à satisfação com saúde bucal, realizou-se uma análise univariada para cada variável independente e, posteriormente, em cada bloco de associação. Dentro de cada nível hierárquico, as variáveis com p < 0,20 foram testadas em modelos múltiplos. Ao final, as variáveis com p < 0,05 permaneceram no modelo final de cada nível e foram consideradas fatores de ajuste para os blocos subsequentes. Para estimar as probabilidades do ponto de corte da variável dependente, o modelo construído apresenta limiares (thresholds) para as categorias inferiores (insatisfeito, nem insatisfeito nem satisfeito) em relação à de maior ordem (satisfeito). Para além dessa utilização, o seu interesse é reduzido 24.

Considerando-se que a depressão e a ansiedade afetam a autoavaliação/percepção de saúde na população idosa 25, foi realizado um ajuste no modelo final levando-se em conta a presença de depressão medida pela Escala Geriátrica de Depressão, versão curta com 15 itens (GDS-15) 26.

Todas as análises foram realizadas para homens e mulheres separadamente. Os testes de homogeneidade dos declives e de multicolinearidade foram realizados com ajuste de Pearson para analisar a validade do modelo construído. Para verificar a possível interferência do número reduzido de algumas observações, utilizou-se a análise dos resíduos para dados ordinais proposta por McCullagh 27. Todos esses testes evidenciaram que o modelo tinha todos os pressupostos satisfeitos. O efeito do desenho amostral complexo foi considerado em todas as análises realizadas, utilizando-se o software estatístico SPSS versão 18.0 (IBM SPSS, IBM Corp., Armonk, Estados Unidos).

Resultados

Dentre os domicílios sorteados para obter a amostra, 27 idosos haviam mudado de endereço, 38 não foram localizados e 35 faleceram no período da coleta de dados, totalizando uma perda de 4,8%. Entre os idosos encontrados nos domicílios houve 5,8% de recusa e 1,2% de perda por outros motivos. Dos idosos entrevistados, 25 entrevistas foram realizadas com o cuidador devido a dificuldades físicas e/ou mentais, não tendo sido, por este motivo, incluídas nesta análise. Portanto, a amostra do presente estudo foi constituída por 2.052 indivíduos.

Em relação à satisfação com a saúde bucal, 25,9% dos idosos estavam insatisfeitos, 14,7% nem insatisfeitos nem satisfeitos e 59,4% satisfeitos. No grupo satisfeito com a saúde bucal (1.219 idosos), a maioria era do sexo feminino (57,3%), tinha menos de 70 anos de idade (65,7%), edêntula (70,9%) e achava que não era necessário trocar/usar prótese (72,8%) (Tabela 1).

Tabela 1 Descrição dos idosos por gênero em relação à satisfação com a saúde bucal, segundo características individuais, ambiente externo, disponibilidade de recursos, comportamentos de saúde, uso de serviços odontológicos e condições de saúde bucal. Sete Lagoas, Minas Gerais, Brasil, 2012. 

Variáveis/Categorias Masculino (N = 826) Feminino (N = 1.226)
  Insatisfeito (n = 184) Nem insatisfeito nem satisfeito (n = 122) Satisfeito (n = 520) Insatisfeito (n = 347) Nem insatisfeito nem satisfeito (n = 180) Satisfeito (n = 699)
  n % n % n % n % n % n %
Características individuais                        
 Faixa etária (anos)                        
  60-64 60 27,1 39 17,6 122 55,3 97 31,3 53 17,1 160 51,6
  65-69 49 25,4 30 15,5 114 59,1 94 32,5 45 15,6 150 51,9
  70-74 32 18,7 26 15,2 113 66,1 71 29,2 30 12,3 142 58,5
  75-79 20 17,1 11 9,4 86 73,5 46 24,1 27 14,1 118 61,8
  80 e mais 23 18,5 16 14,9 85 66,6 39 20,2 26 13,0 132 66,8
 Cor da pele autorrelatada                        
  Branca 51 17,1 40 13,4 207 69,5 110 26,1 55 13,1 255 60,8
  Preta 36 29,0 14 11,3 74 59,7 55 32,5 28 16,6 86 50,9
  Amarela 87 23,5 64 17,3 220 59,2 160 28,5 91 15,6 325 55,9
  Parda 1 12,5 1 12,5 6 75,0 9 47,4 1 5,3 9 47,3
  Indígena 6 33,3 2 11,1 10 55,6 3 13,0 4 17,4 16 69,6
Ambiente externo                        
 Localização do domicílio                        
  Urbana 174 24,0 95 13,1 455 62,9 316 29,0 154 14,1 619 56,9
  Rural 7 8,9 26 32,9 46 58,2 18 16,8 22 20,6 67 62,6
  Distrito 3 13,0 1 4,3 19 82,7 13 43,3 4 13,3 13 43,3
 Mora sozinho                        
  Sim 24 30,4 10 12,7 45 56,9 58 29,3 27 13,6 113 57,1
  Não 158 21,2 112 15,0 475 63,8 287 28,0 152 14,8 586 57,2
 Tempo moradia (anos)                        
  ≤ 10 62 28,7 33 15,3 123 56,0 85 27,9 49 16,1 171 56,0
  11-24 50 23,1 30 13,9 136 63,0 93 30,9 48 15,9 160 53,2
  25-37 43 21,9 27 13,8 126 64,3 99 31,8 50 15,9 164 52,2
  38 e mais 29 14,6 32 16,2 137 69,2 70 22,4 35 11,2 207 66,3
 Domicilio                        
  Próprio 156 21,1 112 15,2 471 63,7 308 28,2 155 14,2 631 57,6
  Alugado 13 39,4 3 9,1 17 51,5 25 37,3 10 14,9 32 47,8
  De parentes 8 22,2 3 8,3 25 69,5 12 20,1 14 24,6 31 54,5
  Outro 7 38,9 4 22,2 7 38,9 2 25,0 1 12,5 5 62,5
 Construção do domicílio                        
  Alvenaria (tijolo) 184 22,3 122 14,8 520 62,9 347 28,4 179 14,6 696 57,0
  Outro 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 1 25,0 3 75,0
 Abastecimento de água                        
  Rede geral canalizada 180 22,3 116 14,4 510 63,3 344 28,4 177 14,7 683 56,9
  Poço ou nascente 4 20,0 6 30,0 10 50,0 3 13,6 3 13,6 16 72,8
 Sanitário no domicílio                        
  Sim 183 22,4 122 14,9 513 62,7 347 28,4 180 14,7 695 56,9
  Não 1 12,5 0 0,0 07 87,5 0 0,0 0 0,0 4 100,0
 Esgoto                        
  Rede geral canalizada 175 23,0 100 13,1 480 63,9 328 28,3 160 13,8 670 57,7
  Fossa 9 13,8 22 33,8 34 52,4 19 27,9 20 29,4 29 42,6
 Coleta de lixo                        
  Serviço de limpeza 179 22,2 119 14,9 502 62,9 343 28,6 175 14,6 682 56,8
  Outro 5 19,2 3 11,5 18 69,3 4 15,4 5 19,2 17 65,4
 Energia elétrica                        
  Sim 166 22,6 114 15,5 454 61,9 319 29,2 170 15,5 605 55,3
  Não 18 19,1 9 9,6 67 71,3 28 21,2 10 7,6 94 71,2
Disponibilidade de recursos                        
 Escolaridade                        
  Analfabeto 53 22,1 32 13,3 155 64,6 92 27,1 51 15,0 196 57,9
  1o grau 113 22,6 79 15,8 308 61,6 231 29,5 109 13,9 442 56,6
  2o grau 13 20,6 10 15,9 40 63,5 18 26,9 13 19,4 36 53,7
  Graduado 5 21,7 1 4,3 17 74,0 6 15,8 7 18,4 25 65,8
 Renda mensal (R$)                        
≤ 622,00 115 23,5 75 15,3 300 61,2 243 27,7 137 15,6 497 56,4
622,00-820,00 21 28,0 14 18,7 40 53,3 31 30,1 14 13,6 58 56,3
> 820,00 49 18,1 37 13,7 185 68,2 73 29,7 29 11,8 144 58,9
 Estado civil                        
  Casado 119 19,4 95 15,6 401 65,0 130 27,7 66 14,1 273 58,2
  Solteiro 14 22,2 12 19,0 34 58,8 42 30,0 31 22,1 67 47,9
  Viúvo 34 36,6 12 12,9 47 50,5 148 28,5 67 12,9 304 58,6
  Separado 17 28,8 4 6,8 38 64,4 25 26,3 16 16,8 54 57,0
 Aposentado                        
  Sim 148 21,2 104 14,6 456 64,2 222 27,1 126 15,4 471 57,5
  Não 36 28,3 22 17,3 69 54,4 125 30,7 54 13,3 228 56,0
 Grupo da terceira idade                        
  Sim 6 14,6 6 14,6 29 70,8 38 32,8 20 17,2 58 50,0
  Não 179 22,7 116 14,8 496 62,5 309 27,6 160 14,4 641 57,7
Comportamentos de saúde                        
 Fuma                        
  Sim 40 28,0 25 17,5 78 54,5 30 36,6 8 9,8 44 53,6
  Não 144 21,1 97 14,8 442 64,1 317 27,7 172 15,0 655 57,3
 Ingere bebidas alcoólicas                        
  Sim 61 23,7 36 14,0 160 62,3 37 29,1 21 16,5 68 54,4
  Não 123 21,6 86 15,1 360 63,3 310 28,2 159 14,5 631 57,3
 Problema para dormir                        
  Sim 67 26,0 42 16,3 149 57,7 179 34,3 82 15,7 261 50,0
  Não 117 20,6 80 14,1 371 65,3 168 23,9 98 13,9 438 62,2
 Prática de atividade física                        
  Sim 42 19,4 33 15,3 141 65,3 97 29,5 45 13,7 187 56,8
  Não 142 23,3 89 14,6 379 62,1 250 27,9 135 15,1 512 57,0
 Perda de apetite                        
  Sim 56 31,3 28 15,6 95 53,1 142 36,4 61 15,6 187 48,0
  Não 128 19,8 94 14,5 425 65,7 205 24,5 119 14,2 512 61,3
 Problema para mastigar ou deglutir                        
  Sim 28 37,8 18 24,3 28 37,9 94 50,8 21 11,4 70 37,8
  Não 156 20,7 104 13,8 492 65,5 253 24,3 159 15,3 629 60,4
 Refeições por dia                        
  1 7 24,1 3 10,3 19 65,6 26 48,1 6 11,1 22 40,8
  2 56 28,0 22 11,0 122 61,0 61 29,3 25 12,0 122 58,7
  3 57 19,9 43 15,0 187 65,1 102 24,0 60 14,1 263 61,9
  4 ou mais 64 20,8 53 17,2 191 62,0 156 29,2 89 16,7 289 54,1
 Copos de líquido por dia                        
  1 9 26,5 4 11,8 21 61,7 18 34,6 3 5,8 31 59,6
  2 18 23,7 13 17,1 45 59,2 33 27,5 18 15,0 69 57,5
  3 26 19,0 19 13,9 92 67,1 53 23,8 36 16,1 135 60,1
  4 ou mais 131 22,6 86 14,9 362 62,5 242 29,3 123 14,9 462 55,8
 Autoavaliação do peso                        
  Abaixo do peso 20 24,1 16 19,3 47 56,6 40 32,2 24 19,4 60 48,4
  No peso normal 117 20,2 81 14,0 381 65,8 175 24,2 101 14,0 447 61,8
  Acima do peso 47 28,8 25 15,3 91 55,9 132 34,9 55 14,6 191 50,5
  Uso de serviços odontológicos                        
 Visita frequente ao dentista                        
  Sim 24 16,8 22 15,4 97 67,8 75 30,2 33 13,3 140 56,5
  Não 160 23,4 100 14,6 423 62,0 272 27,8 147 15,0 559 57,2
 Plano odontológico                        
  Sim 13 16,9 17 21,1 47 62,0 33 22,8 19 13,3 93 63,9
  Não 171 22,8 105 14,4 473 62,0 316 29,0 161 14,9 606 56,1
 Serviços de saúde bucal                        
  Público 84 29,3 54 18,8 149 51,9 139 34,1 71 17,4 198 48,5
  Particular 79 21,0 45 12,1 248 66,9 151 26,9 76 13,5 335 59,6
  Plano/Convênio 5 10,6 12 25,5 30 63,9 21 23,9 15 17,0 52 59,1
  Outro 17 14,0 11 9,3 93 76,7 36 21,4 18 10,7 114 67,9
 Consulta dentista 6 meses                        
  Sim 42 22,8 27 14,7 115 62,5 99 30,9 44 13,8 177 55,3
  Não 142 22,1 95 14,8 408 63,1 248 27,4 136 15,0 522 57,6
 Motivo da consulta ao dentista                        
  Dor 35 42,7 14 17,1 33 40,2 44 38,3 16 13,5 55 48,2
  Prevenção 15 20,3 6 8,1 53 71,6 23 22,1 17 16,3 64 61,6
  Tratamento 84 18,7 58 12,9 307 68,4 202 27,7 96 13,2 430 59,1
  Não consultou 50 22,6 44 19,5 127 57,9 78 28,0 51 18,3 150 53,7
  Condições de saúde bucal                        
 Edentulismo                        
  Sim 100 19,2 70 13,5 350 67,3 211 25,0 119 14,1 513 60,9
  Não 83 27,2 52 17,0 170 55,9 136 35,6 61 16,0 185 48,4
 Necessidade subjetiva de usar prótese                        
  Sim 124 44,4 43 15,4 112 40,2 246 48,1 77 15,1 188 36,8
  Não 60 11,0 79 14,4 408 74,6 101 14,1 103 14,4 511 71,5
 Uso e necessidade de prótese superior                        
  Não usa e não necessita 10 13,0 12 15,6 55 71,4 23 25,8 17 19,1 49 55,1
  Não usa e necessita 87 38,2 33 14,5 108 47,3 92 38,3 37 15,4 111 46,3
  Usa e não necessita 35 10,9 45 14,1 240 75,0 79 15,7 62 12,4 361 71,9
  Usa e necessita 50 25,1 32 16,1 117 58,8 153 39,0 64 16,3 175 44,7
 Uso e necessidade de prótese inferior                        
  Não usa e não necessita 14 12,6 20 18,0 77 69,4 38 25,9 26 17,7 83 56,4
  Não usa e necessita 104 34,0 47 15,4 155 50,6 147 38,1 63 16,3 176 45,6
  Usa e não necessita 21 8,5 33 13,4 192 78,1 50 13,0 45 11,7 291 75,3
  Usa e necessita 44 27,2 22 13,6 96 59,2 112 36,6 46 15,0 148 48,4

Na análise por gênero, observou-se que a maioria dos idosos dos sexos masculino (63%) e feminino (57%) estava satisfeita com a saúde bucal. Em relação à faixa etária, os idosos mais velhos estavam mais satisfeitos para ambos os gêneros (Tabela 1).

A prevalência de edentulismo nos gêneros masculino e feminino foi de 63% e 68,8%, respectivamente, sendo que houve diferença entre eles apenas na faixa etária de 65-69 anos (RP = 1,13; p = 0,026). Evidenciou-se ainda um crescimento dessa prevalência devido ao aumento da idade, sendo 85,5% entre as mulheres e 66,1% para os homens com 80 anos e mais de idade. De acordo com o modelo de Poisson, não houve diferença de prevalência de edentulismo estatisticamente significante entre as faixas etárias para o gênero masculino. No gênero feminino, a prevalência de edentulismo nas faixas etárias 60-64 anos e 65-69 é 1,20 e 1,23 maior, respectivamente, quando em comparação com as idosas com 80 anos ou mais (Tabela 2).

Tabela 2 Análise do modelo de regressão de Poisson para a prevalência de edentulismo em idosos segundo gênero e faixa etária. Sete Lagoas, Minas Gerais, Brasil, 2012. 

Variáveis Edentulismo RP IC95% Valor de p
Sim Não Total Início Final
n % n % n %
Masculino
 Faixa etária (anos)
  60-64 109 49,3 112 50,7 221 100,0 0,98 0,80 1,20 0,839
  65-69 116 60,1 77 39,9 193 100,0 0,95 0,82 1,11 0,522
  70-74 120 70,6 50 29,4 170 100,0 0,99 0,85 1,17 0,929
  75-79 93 79,5 24 20,5 117 100,0 0,87 0,74 1,02 0,090
  80 e mais 82 66,1 42 33,9 124 100,0 1,00
Feminino
 Faixa etária (anos)
  60-64 173 56,0 136 44,0 309 100,0 1,19 1,07 1,33 0,009
  65-69 185 64,0 104 36,0 289 100,0 1,19 1,04 1,35 0,003
  70-74 175 72,0 68 28,0 243 100,0 1,23 1,07 1,41 0,917
  75-79 145 75,9 46 24,1 191 100,0 1,01 0,88 1,15 0,138
  80 e mais 165 85,5 28 14,5 193 100,0 1,00
Total
 Faixa etária (anos)
  60-64 282 53,2 248 46,8 530 100,0 1,10 * 0,97 1,26 0,133
  65-69 301 62,4 181 37,6 482 100,0 1,13 * 1,01 1,26 0,026
  70-74 295 71,4 118 28,6 413 100,0 1,00 * 0,90 1,11 0,976
  75-79 238 77,3 70 22,7 308 100,0 1,04 * 0,93 1,17 0,517
  80 e mais 247 77,9 70 22,1 317 100,0 1,00

Na análise univariada, a satisfação com a saúde bucal estabeleceu uma relação direta estatisticamente significante com a faixa etária dos idosos em ambos os gêneros, sendo que quanto mais velho o idoso mais satisfeito ele estava com a saúde bucal. Para o gênero masculino, a maioria das variáveis referentes ao ambiente externo, disponibilidade de recursos e uso serviços odontológicos não esteve associada à satisfação com a saúde bucal. Na análise por nível, verifica-se que para ambos os gêneros todas as variáveis referentes às condições de saúde bucal foram significantemente associadas ao desfecho (resultados não apresentados).

As Tabelas 3 e 4 revelaram que o modelo, para ambos os gêneros, foi formado por variáveis referentes a características individuais, ambiente externo, comportamentos de saúde e condições de saúde bucal. Para o gênero feminino, a variável sobre plano odontológico também permaneceu associada ao desfecho. A chance de o idoso edêntulo estar satisfeito com a saúde bucal é de 60% (p = 0,003) para homens e 55% (p < 0,001) para mulheres quando comparados com os idosos dentados. A autoavaliação de necessidade de prótese permaneceu inversamente associada ao desfecho para homens (OR = 5,08; p = 0,001) e mulheres (OR = 4,66; p < 0,001). Os idosos do gênero masculino que não usam e necessitam de algum tipo de prótese tiveram 2,54 mais chances de estar menos satisfeitos com a saúde bucal quando comparados àqueles que usam e necessitam trocar as próteses (p < 0,001).

Os limiares que separam a categoria “insatisfeito” da “nem satisfeito nem insatisfeito” foram 2,4 e 2,2 vezes maiores em relação à categoria “satisfeito” para os gêneros masculino e feminino, respectivamente (Tabelas 3 e 4).

Após o ajuste pela variável depressão, a faixa etária e a presença de sanitário no domicílio foram excluídas no modelo final para o gênero masculino (Tabela 3). Em relação ao gênero feminino, cor da pele autorrelatada, autoavaliação do peso e número de refeições por dia não se mantiveram associadas ao desfecho no modelo ajustado (Tabela 4).

Tabela 3 Modelo de regressão ordinal final para a satisfação com a saúde bucal para o gênero masculino segundo características individuais, ambiente externo, disponibilidade de recursos, comportamentos de saúde, uso de serviços odontológicos e condições de saúde bucal. Sete Lagoas, Minas Gerais, Brasil, 2012. 

Variáveis Modelo bruto Modelo ajustado *
  OR IC95% Valor de p OR IC95% Valor de p
Limiares do modelo ordinal            
 Insatisfeito 9,80 1,09-10,76 < 0,001 7,31 1,89-28,23 0,004
 Nem insatisfeito nem satisfeito 3,89 1,44-4,51 0,003 3,05 0,79-11,72 0,010
Características individuais            
 Faixa etária (anos)            
  60-64 1,87 1,13-3,12 0,016 1,43 0,88-2,33 0,150
  65-69 1,64 0,98-2,76 0,061 1,30 0,79-2,14 0,302
  70-74 1,33 0,78-2,28 0,301 1,03 0,61-1,73 0,912
  75-79 1,08 0,59-1,97 0,808 1,24 0,69-2,22 0,471
  80 e mais 1,00   . 1,00    
Ambiente externo            
 Localização do domicílio            
  Urbana 4,99 1,22-20,41 0,025 4,24 1,10-16,31 0,036
  Rural 2,76 0,76-9,99 0,122 2,48 0,72-8,51 0,150
  Distrito 1,00     1,00    
 Sanitário no domicílio            
  Sim 7,68 0,86-68,13 0,067      
  Não 1,00          
 Esgoto            
  Rede geral canalizada 0,19 0,08-0,51 0,001 0,28 0,12-0,68 0,005
  Fossa 1,00   . 1,00    
  Comportamentos de saúde            
 Perda de apetite            
  Sim 1,94 1,33-2,84 0,001 1,92 1,33-2,79 0,001
  Não 1,00   . 1,00    
 Problema para mastigar ou deglutir            
  Sim 2,13 1,28-3,57 0,004 2,11 1,27-3,50 0,004
  Não 1,00   . 1,00    
Condições de saúde bucal            
 Edentulismo            
  Sim 0,60 0,42-0,84 0,003 0,57 0,42-0,79 0,001
  Não 1,00     1,00    
 Necessidade subjetiva de usar prótese            
  Sim 5,08 3,58-7,21 < 0,001 5,36 3,93-7,32 < 0,001
  Não 1,00          
 Uso e necessidade de prótese superior            
  Não usa e não necessita 0,81 0,41-1,60 0,542 0,78 0,41-1,48 0,444
  Não usa e necessita 2,54 1,67-3,87 < 0,001 1,94 1,27-2,96 0,002
  Usa e não necessita 0,93 0,60-1,44 0,754 0,77 0,47-1,26 0,305
  Usa e necessita 1,00     1,00    

Tabela 4 Modelo de regressão ordinal final para a satisfação com a saúde bucal para o gênero feminino segundo características individuais, ambiente externo, disponibilidade de recursos, comportamentos de saúde, uso de serviços odontológicos e condições de saúde bucal. Sete Lagoas, Minas Gerais, Brasil, 2012. 

Variáveis Modelo bruto Modelo ajustado *
  OR IC95% Valor de p OR IC95% Valor de p
Limiares do modelo ordinal            
 Insatisfeito 3,81 1,19-12,16 0,024 3,57 1,07-11,95 0,039
 Nem insatisfeito nem satisfeito 1,70 0,54-5,42 0,367 1,61 0,48-5,37 0,438
Características individuais            
 Cor da pele auto relatada            
  Branca 1,67 0,61-4,54 0,318 1,28 0,64-2,56 0,493
  Preta 2,06 0,74-5,78 0,168 1,69 0,83-3,46 0,151
  Amarela 1,70 0,63-4,60 0,296 1,38 0,70-2,76 0,354
  Parda 5,19 1,32-20,32 0,018 1,91 0,69-5,31 0,216
  Indígena 1,00     1,00    
Ambiente externo            
 Tempo de moradia (anos)            
  ≤ 10 1,34 0,95-1,90 0,097 1,39 1,07-1,82 0,015
  11-24 1,79 1,27-2,52 0,001 1,49 1,14-1,95 0,003
  25-37 1,66 1,19-2,34 0,003 1,54 1,18-2,02 0,002
  38 e mais 1,00     1,00    
 Esgoto            
  Rede geral canalizada 0,53 0,32-0,88 0,014 0,58 0,40-0,83 0,004
  Fossa 1,00     1,00    
Comportamentos de saúde            
 Problema para mastigar ou deglutir            
  Sim 2,02 1,46-2,82 < 0,001 2,20 1,68-2,89 < 0,001
  Não 1,00     1,00    
 Refeições por dia            
  1 1,80 0,99-3,27 0,056 0,72 0,44-1,15 0,171
  2 0,91 0,65-1,28 0,602 1,07 0,83-1,38 0,612
  3 0,74 0,57-0,98 0,034 1,23 0,99-1,52 0,062
  4 ou mais 1,00     1,00    
 Autoavaliação do peso            
  Abaixo do peso 1,17 0,76-1,81 0,479      
  No peso normal 0,77 0,59-1,00 0,051      
  Acima do peso 1,00          
Uso de serviços odontológicos            
 Plano odontológico            
  Sim 0,55 0,38-0,81 0,003 1,40 1,03-1,91 0,031
  Não 1,00     1,00    
Condições de saúde bucal            
 Edentulismo            
  Sim 0,48 0,37-0,62 < 0,001 0,54 0,44-0,66 < 0,001
  Não 1,00     1,00    
 Necessidade subjetiva de usar prótese            
  Sim 4,66 3,64-5,98 < 0,001 4,79 3,95-5,80 < 0,001
  Não 1,00     1,00    

Discussão

Devido à sua importância para avaliar os aspectos subjetivos de saúde bucal, a autoavaliação deste quesito é uma medida importante em estudos de base populacional 28. No Brasil, a satisfação ganhou destaque no projeto SBBrasil 2010, sendo este o principal motivo para usarmos esta variável no presente estudo 1.

Os resultados mais importantes deste trabalho referem à análise da associação estatisticamente significante entre gênero e satisfação com a saúde bucal (p = 0,007), sendo que as mulheres estavam menos satisfeitas quando comparadas aos homens. Esses resultados corroboram os dados da Pesquisa Mundial de Saúde 16. Bulgarelli & Manço 29 relataram maior satisfação com a saúde bucal entre os idosos mais velhos, mas sem associação significante com o gênero.

Por outro lado, a maioria dos idosos de ambos os gêneros estava satisfeita com a própria saúde bucal, ainda que as condições clínicas observadas tenham mostrado precariedade, com alta prevalência de perda dentária e necessidade de tratamento odontológico restaurador e/ou reabilitador. Identificou-se um estudo que avaliou a satisfação com saúde bucal na população idosa brasileira, mostrando que 61,5% dos idosos estavam satisfeitos e/ou muito satisfeitos em relação à própria saúde bucal 29.

Outros estudos têm mostrado boa autopercepção 3,5,6 e autoavaliação positiva da saúde bucal em idosos 9,10 associadas a condições de saúde bucal precárias. Esses resultados indicam que o idoso percebe sua saúde bucal de maneira peculiar, refletindo atitude de resignação culturalmente difundida 12, especialmente quando comparados aos adultos 11.

Na análise univariada, os idosos com menos de 70 anos estavam menos satisfeitos com a saúde bucal quando comparados aos octogenários. Entretanto, essa associação apenas foi mantida para os idosos com 60-64 anos do gênero masculino no modelo não ajustado. Os resultados em relação à idade são controversos. Alguns trabalhos relataram que os idosos têm uma avaliação melhor do que os mais jovens 11, outros observaram uma relação inversa 25 e alguns não encontraram nenhuma associação significativa 10,12. Para Bulgarelli & Manço 29, os mais idosos aceitam mais facilmente os problemas da cavidade bucal como inevitáveis e, neste contexto antagônico, relatam maior satisfação com a saúde bucal.

Neste estudo as mulheres pardas tiveram uma menor satisfação com a saúde bucal na análise por nível, mas não no modelo final ajustado. De acordo com Martins et al. 10, a autoavaliação da saúde bucal é mais positiva entre os indivíduos brancos, resultados que devem ser levados em consideração no planejamento das ações em saúde.

Em relação às condições de moradia, os idosos do gênero masculino residentes na área urbana estavam menos satisfeitos quando comparados àqueles que vivem no distrito. Uma possível explicação para esses achados é que o meio social interfere de forma diferenciada na maneira pela qual os indivíduos pensam, sentem e agem a respeito de sua saúde 12. Martins et al. 23 encontraram associação negativa entre residir no meio rural e autopercepção boa de saúde bucal de idosos.

A falta de saneamento básico estava ligada a piores condições de saúde geral, porém este é um dos poucos estudos que investigou a relação entre condições e moradia e satisfação com saúde bucal.

O acesso à rede de esgoto se manteve associada à satisfação com saúde bucal de maneira inversa para ambos os gêneros. Os idosos que não tinham rede canalizada de esgoto têm 72% e 42% mais chances de relatarem menor satisfação com a saúde bucal para os gêneros masculino e feminino, respectivamente. Uma possível explicação para esses achados pode estar relacionada às diferenças estatisticamente significantes entre localização do domicílio (urbana, rural, distrito) e as condições de moradia (resultados não apresentados). O sanitário da maioria dos domicílios na área rural do município estava ligado à fossa (60,9%), em 50% estava localizado fora do domicílio e a fonte de água vem de poço ou nascente. Levando-se em conta que outras variáveis sobre saneamento coletadas no presente estudo (abastecimento de água, presença de sanitário e energia elétrica no domicílio, coleta de lixo) não foram associadas ao desfecho, não é possível garantir uma relação precisa entre rede de esgoto e satisfação com a saúde bucal desses idosos.

No presente estudo, somente no modelo final ajustado para o gênero feminino o tempo de moradia se manteve associado ao desfecho. Um trabalho realizado em Campinas mostrou que o idoso que mora sozinho avalia sua saúde geral mais positivamente em relação aos que moram acompanhados 30.

O perfil socioeconômico da grande maioria dos idosos brasileiros, em especial na zona rural, é marcado por condições de moradia e saneamento sanitário precárias, baixo nível de renda e de escolaridade, e atividade remunerada em idades avançadas 31,32. Além disso, sabe-se que um maior nível de escolaridade e renda favorece maior busca por informações de saúde e uma autoavaliação mais positiva da saúde 16,28. Nesse contexto, esperava-se que as variáveis de disponibilidade de recursos estivessem associadas ao desfecho no modelo final. Apenas na análise univariada houve associação significantemente inversa entre renda e satisfação com a saúde bucal para os homens.

Os aspectos mais importantes que compõem o conceito de percepção da saúde perpassam a compreensão dos comportamentos de saúde e qualidade de vida relacionada à saúde 12. Apesar disso, as variáveis que dizem respeito aos comportamentos de saúde como tabagismo, alcoolismo, atividade física e sono, não contribuíram para explicar a variabilidade do grau de satisfação bucal entre os idosos do presente estudo. Na análise por nível, observou-se que os homens fumantes tinham 1,6 mais chance (p = 0,014) de estarem menos satisfeitos com a própria saúde bucal.

Os idosos que relataram problemas para mastigar os alimentos tiveram 2,11 e 2,02 mais chances de estar menos satisfeitos com a saúde bucal para os gêneros masculino e feminino, respectivamente. No modelo ajustado masculino, a perda de apetite nos últimos seis meses também se manteve associada à menor satisfação com a saúde bucal. Para o gênero feminino, o maior número de refeições foi fator preditor de maior satisfação com a saúde. Entretanto, quando a variável depressão foi inserida no modelo, essa associação não foi estatisticamente significante.

Segundo Lima et al. 33, os idosos se adaptam durante o processo de mastigação a fim de manter sua dieta o mais próximo possível da realizada quando jovem. Por outro lado, a perda dentária e o uso de próteses influenciam diretamente a capacidade mastigatória, a percepção do sabor e a textura dos alimentos, podendo resultar em menor ingestão de nutrientes, prejudicando o estado nutricional do idoso 34.

Para o presente estudo as questões relacionadas à alimentação e à mastigação foram importantes na avaliação da satisfação com a saúde bucal. Em um trabalho realizado na Índia, cerca de 30% dos idosos acharam que não houve mudanças na dieta por causa da perda dentária 35.

Outro achado interessante deste estudo refere-se à autoavaliação do peso corporal entre os idosos. Para ambos os gêneros, os idosos com peso normal avaliaram mais positivamente a sua saúde bucal em relação aos obesos. Entretanto, essa associação não foi suficientemente forte para ser mantida no modelo ajustado. A obesidade é um problema nutricional complexo que pode causar graves prejuízos à qualidade de vida 3 e merece uma atenção melhor por parte do profissional de saúde e da equipe interdisciplinar para se obter ações coletivas eficientes.

O uso dos serviços odontológicos é um importante preditor para uma autoavaliação positiva da saúde bucal 16,29. Neste estudo, as variáveis sobre acesso e uso dos serviços odontológicos não estiveram associadas ao desfecho, com exceção do plano odontológico para o gênero feminino.

No último nível da análise aparecem as condições de saúde bucal, tanto as medidas objetivas (edentulismo, avaliação clínica do uso e necessidade de prótese) e a autoavaliação da necessidade de prótese. No estudo de Atchison et al. 28, quanto maior o número de dentes permanentes presentes mais positivamente o idoso avalia a sua saúde bucal. Na presente pesquisa verificou-se que a satisfação com a saúde bucal esteve significativa e negativamente associada com o edentulismo, em todos os modelos da análise. No modelo ajustado, os idosos edêntulos dos gêneros masculino e feminino tinham 57% e 56%, respectivamente, mais chances de estarem satisfeitos quando comparados aos não edêntulos. Enquanto 47,7% dos idosos insatisfeitos não usavam nenhuma prótese e tinham necessidade, 39,7% dos satisfeitos usavam prótese e não necessitavam de substituição.

Em três estudos brasileiros 6,10,29 os idosos desdentados avaliaram positivamente a saúde bucal, possivelmente por se verem livres de um ciclo de péssimas condições bucais (dentes cariados, dor de dente). Alguns trabalhos tentaram entender essa inversão de gradiente de associação de diversas maneiras, sendo que a maioria dos autores relata que essa associação é fraca 9,10,12,15. Outra possível explicação seria assumir que diferentes contextos podem influenciar a direção de associação entre percepção da saúde bucal e condições objetivas de saúde. Entretanto, falta maior poder de comparabilidade entre os estudos nacionais em relação ao grupo de pesquisadores que trabalha esse tema há muitos anos.

A avaliação da necessidade de prótese é um assunto controverso, pois os julgamentos do profissional e do idoso são, muitas vezes, completamente divergentes. Os idosos que necessitavam usar/trocar prótese estavam menos satisfeitos com a própria saúde bucal. Apesar disso, a maioria dos idosos desta investigação que não usava nenhum tipo de prótese e necessitava não percebeu a necessidade de usá-la. Ariga et al. 35 mostraram que dos 70,3% dos idosos que tinham necessidade de usar prótese apenas 14,4% perceberam a necessidade de substituir dentes perdidos. Percebe-se que os idosos têm percepções diferentes relacionadas à condição de saúde bucal e à necessidade de tratamento odontológico 4.

Por último, destaca-se que a avaliação clínica do uso e necessidade de prótese em idosos é diferente entre as arcadas superior e inferior, especialmente em relação ao uso de prótese total 36. Neste estudo, somente um pequeno porcentual dos idosos não necessitava nem usava qualquer tipo de prótese inferior (12,6%) ou superior (8,1%).

Considerando-se o impacto da saúde bucal na saúde geral e no bem-estar do idoso, outro objetivo da presente investigação foi avaliar a prevalência de edentulismo em relação ao gênero e faixa etária. A perda dentária não pode ser mais considerada uma consequência normal do envelhecimento. Trata-se de um processo cumulativo de exposição à cárie, doença periodontal, periapical ou trauma, que acarreta problemas na mastigação, satisfação com a aparência dos dentes, autopercepção de saúde ruim e necessidade de reabilitação protética 5,15.

A prevalência de edentulismo deste estudo foi elevada (66,4%), sendo maior ainda entre as mulheres (p = 0,004), resultado semelhante a outras investigações 14,23. De acordo com a literatura, com o aumento da idade tem-se a redução do número de dentes, aumento do índice CPO e do percentual de dentes perdidos por cárie 37. Neste estudo, a razão de prevalência de edentulismo foi estatisticamente maior apenas para as idosas mais jovens, revelando muito mais uma particularidade do gênero feminino do que diferenças reais entre as cinco faixas etárias do envelhecimento. Esses resultados refletem a situação nacional 5, mas devem ser interpretados com cautela, uma vez que a maioria dos idosos deste e de diversos estudos é de mulheres. O tamanho, as estratificações e correções da amostra minimizam esses efeitos, possibilitando as comparações realizadas neste trabalho.

Em relação à utilização do modelo multidimensional por meio da regressão logística ordinal pode-se afirmar que foi possível identificar os fatores determinantes para satisfação com a saúde bucal, seguindo os níveis hierárquicos teóricos de determinação de maneira independente.

Para a variável dependente que apresenta três categorias de respostas, o modelo apresenta dois limiares (thresholds). É interessante observar que o ponto de corte entre a categoria do meio (nem insatisfeito nem satisfeito) e a superior (satisfeito) para o modelo feminino não foi significante (p = 0,367), mesmo após o ajuste do modelo (p = 0,438). Possivelmente isso indica que as idosas desses dois grupos podem ter percepções semelhantes de respostas em relação às variáveis independentes do modelo, mas não há uma base teórica concreta para garantir esta interpretação.

A taxa de resposta do presente trabalho pode ser considerada alta (98,8%), sendo este um dos poucos estudos domiciliares com idosos que obteve amostra probabilística suficiente para realizar aferições e comparações por gênero. De modo geral, o perfil epidemiológico da saúde bucal de idosos no Brasil tem sido avaliado por meio de pesquisas com amostras não probabilísticas, tais como usuários de centros de saúde e centros de convivência 2, idosos institucionalizados 17 e usando resultados referentes aos inquéritos epidemiológicos do Ministério da Saúde 11. Entretanto, faz-se necessário especificar que os resultados encontrados são válidos e representativos para a população do município que vive em comunidade, sem déficits cognitivos e/ou físicos importantes.

Finalmente, é importante discutir algumas limitações do trabalho. Este estudo, em que a maioria dos idosos era composta por edêntulos, pode ter tido influência nos resultados encontrados quando comparado à satisfação com a saúde bucal em outra faixa etária. Esses resultados fazem parte da linha base do projeto sobre envelhecimento ativo. Por isso, ainda não é possível determinar se existe uma relação temporal entre a satisfação com a saúde bucal e as demais variáveis analisadas. Além disso, a incorporação de outras variáveis e o geoprocessamento dos dados poderão ajudar a ampliar a discussão levantada neste trabalho.

Destaca-se ainda que a medida da satisfação com a saúde bucal é influenciada diretamente pela memória do entrevistado, pelas suas características físicas e psicológicas, e também pelos aspectos contextuais e culturais de cada grupo populacional. Portanto, quantificar o que é subjetivo é sempre limitado, pois envolve valores e sentimentos que podem mudar ao longo da vida e até mesmo em um curto espaço de tempo 10.

Em suma, o processo que relaciona a autopercepção às variáveis objetivas e subjetivas de saúde é dinâmico. Sendo assim, as ações integradas de promoção da saúde e do bem-estar que abordam, simultaneamente, os principais fatores determinantes da autopercepção da saúde poderão contribuir significativamente para a qualidade de vida dos idosos 8,23.

Conclusão

Conclui-se que a satisfação com a saúde bucal dos idosos deste estudo é diferente entre os gêneros e influenciada fortemente pelas condições de saúde bucal e comportamentos de saúde.

Para o gênero feminino, a prevalência de edentulismo foi maior nas faixas etárias inferiores a 70 anos. Entre os homens, não observou- se diferenças significantes entre as prevalências por faixa etária. Quando comparou-se homens e mulheres, verificamos uma razão de prevalência maior na faixa etária entre 65 e 69 anos.

As discussões de gênero no envelhecimento apresentadas neste estudo precisam ser aprofundadas em relação às condições e percepção da saúde bucal, pois existem particularidades de cada grupo que podem passar despercebidas nas análises rotineiras.

Agradecimentos

A. C. V. Campos recebeu auxílio para a realização da pesquisa mediante bolsa concedida pelo CNPq, na modalidade doutorado no país (no141307/2011-0) e o projeto foi financiado pelo CNPq (no14/2011, protocolo 1829669704655455).

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Recebido: 18 de Abril de 2013; Revisado: 27 de Agosto de 2013; Aceito: 04 de Outubro de 2013

Correspondência A. C. V. Campos Universidade Federal de Minas Gerais. Rua Oswaldo Cruz 167, Sete Lagoas, MG 35700-195, Brasil. campos.acv@gmail.com

Colaboradores

A. C. V. Campos realizou a coleta dos dados, análise estatística e redação do artigo. A. M. D. Vargas realizou a revisão crítica e intelectual do conteúdo. E. F. Ferreira participou da concepção do projeto e interpretação dos dados. Todos os autores aprovaram a versão final do artigo.

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