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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311XOn-line version ISSN 1678-4464

Cad. Saúde Pública vol.35  supl.1 Rio de Janeiro  2019  Epub Apr 15, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311x00108618 

QUESTÕES METODOLÓGICAS

Hipóteses, delineamento e instrumentos do Estudo Educatel, Brasil, 2015/2016

Hipótesis, lineamiento e instrumentos del Estudio Educatel, Brasil, 2015/2016

Ada Ávila Assunção1 
http://orcid.org/0000-0003-2123-0422

Adriane Mesquita de Medeiros1 
http://orcid.org/0000-0002-2817-2555

Rafael Moreira Claro2 
http://orcid.org/0000-0001-9690-575X

Marcel de Toledo Vieira3 
http://orcid.org/0000-0002-0456-380X

Emanuella Gomes Maia2 
http://orcid.org/0000-0001-6655-0230

Juliana Mara Andrade1 
http://orcid.org/0000-0002-7480-519X

1 Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil.

2 Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil.

3 Instituto de Ciências Exatas, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Brasil.

RESUMO

O Estudo Educatel 2015/2016 foi delineado para avaliar a saúde e as condições do trabalho realizado nas escolas, de uma amostra representativa dos 2.220.000 professores que atuavam na Educação Básica no Brasil. O objetivo do artigo foi descrever as bases e o delineamento da pesquisa telefônica, que utilizou questionário composto por 54 perguntas curtas e simples, a maioria composta de respostas preestabelecidas (questões fechadas), versando sobre morbidades, acidentes, absenteísmo, frequência dos comportamentos saudáveis, ambiente físico e psicossocial, e características do emprego. Na etapa piloto, o questionário multitemático foi avaliado a fim de verificar os efeitos da terminologia usada, o formato das questões e das alternativas de resposta, a organização interna das perguntas, a produção das respostas e a duração da entrevista. O treinamento dos entrevistadores, o acompanhamento e a escuta das chamadas em tempo real buscaram identificar problemas de comunicação. Os professores foram entrevistados na escola, após contato prévio com o assistente escolar para agendamento. Para interpretar os resultados, alerta-se sobre as vantagens e riscos de vieses relacionados à modalidade de entrevista por telefone. Os resultados sobre o perfil dos professores, adoecimento e ambiente escolar fornecerão insumos para a elaboração de ações intersetoriais para melhorar a saúde do grupo alvo que, de acordo com as concepções que foram aqui apresentadas, estaria relacionada aos indicadores educacionais brasileiros.

Palavras-chave: Métodos; Inquéritos Epidemiológicos; Professores Escolares; Saúde do Trabalhador

RESUMEN

El Estudio Educatel 2015/2016 fue diseñado para evaluar la salud y las condiciones del trabajo realizado en las escuelas, de una muestra representativa de los 2.220.000 profesores que actuaban en la Educación Básica en Brasil. El objetivo del artículo fue describir las bases y el lineamiento de la encuesta telefónica, que utilizó un cuestionario compuesto por 54 preguntas cortas y simples, la mayoría compuesta de respuestas preestablecidas (cuestiones cerradas), que versaban sobre morbilidades, accidentes, absentismo, frecuencia de comportamientos saludables, ambiente físico y psicosocial, y características del empleo. En la etapa piloto, el cuestionario multitemático se evaluó a fin de verificar los efectos de la terminología usada, el formato de las cuestiones y de las alternativas de respuesta, la organización interna de las preguntas, la producción de las respuestas y la duración de la entrevista. El entrenamiento de los entrevistadores, el seguimiento y la escucha de las llamadas en tiempo real procuraron identificar problemas de comunicación. Los profesores fueron entrevistados en la escuela, tras un contacto previo con el asistente escolar para fijar citas. Con el fin de interpretar los resultados, se alerta sobre las ventajas y riesgos de sesgos relacionados con la modalidad de entrevista por teléfono. Los resultados sobre el perfil de los profesores, enfermedad y ambiente escolar proporcionarán insumos para la elaboración de acciones intersectoriales, con el objeto de mejorar la salud del grupo objetivo que, de acuerdo con las concepciones que fueron aquí presentadas, estaría relacionada con los indicadores educacionales brasileños.

Palabras-clave: Métodos; Encuestas Epidemiológicas; Maestros; Salud Laboral

Introdução

Inquérito é uma atividade embasada em conceitos que é desenvolvida por meio de recursos metodológicos planejados para a coleta e análise de dados de uma dada população. Os procedimentos de um inquérito são bem definidos e seguidos de um exercício de processamento, tratamento e compilação dos dados 1.

Os inquéritos de saúde têm sido realizados nos países industrializados desde a década de 1960 como recursos válidos para a formulação e avaliação de políticas públicas. Geralmente, são desenvolvidos quando se reconhece a necessidade de informação ou quando não existem dados ou, ainda que disponíveis, mas insuficientes para se definir o panorama sanitário da população ou de grupos específicos, com vistas a dimensionar o acesso a serviços ou a identificar riscos para prováveis morbidades 2.

Os inquéritos ocupacionais, por sua vez, investigam grupos - frações da população geral - que apresentam em comum o fato de se vincularem ao mesmo emprego sob condições laborais particulares. Esse tipo de estudo é muito utilizado na área da saúde do trabalhador, dada a vantagem de examinar simultaneamente a situação de saúde e as condições de trabalho possivelmente associadas aos fenômenos de interesse 3. Em síntese, a estratégia de conduzir inquéritos em grupos ocupacionais permite examinar a hipótese sobre a contribuição das condições laborais acerca da saúde dos adultos trabalhadores 4,5.

Os resultados dos inquéritos são descritivos, mas permitem obter resultados analíticos produzidos por meio de ajustes de modelos estatísticos 6. Dessa feita, é possível avaliar associações entre as características dos respondentes (idade do professor, por exemplo), contexto (características da escola e a região na qual está inserida) e os desfechos em foco (problemas de voz etc.). Não se referem nem a medições objetivas no ambiente físico (poeira e ruído), nem a aferições de dados vitais ou aproximações objetivas dos comportamentos dos indivíduos (verificação nos domicílios do trabalhador da duração e horários para dormir), embora tais medidas sejam viáveis como atestam os inquéritos recentes 7,8.

O Estudo Educatel - pesquisa telefônica sobre a saúde, condições laborais e faltas ao trabalho nas escolas da Educação Básica no Brasil - faz parte das ações desenvolvidas no bojo do debate e da construção do Sistema Nacional de Educação (SNE). Prevalência de adoecimento e suas consequências sobre o bem-estar e assiduidade dos professores contrariam direções amplamente aceitas no que diz respeito à relevância da valorização destes profissionais para os objetivos educacionais, conforme indicado nas metas 15, 16, 17 e 18 do Plano Nacional de Educação 9. Essas metas são consideradas estratégicas para alcançar as demais 10. A valorização está relacionada tanto às condições de produção do ensinar na sala de aula quanto às interfaces com as dimensões externas ao trabalho escolar propriamente dito: formação, carreira, políticas de remuneração, reconhecimento social 11. Nesse âmbito, dois componentes, a jornada e salário dos professores, tópicos da agenda sindical pela saúde 12, são comumente mencionados pelos especialistas em educação 10,13.

A maioria dos municípios não assegura tempo na jornada formal para o professor realizar atividades extraclasse, tampouco garante a dedicação exclusiva a uma unidade educacional, ambas as condições previstas nas normativas legais 14. Entre 1981 e 2009, aumentou em quase quatro horas a média trabalhada por semana pelo professor que respondeu ao IBGE sobre a jornada no emprego principal. Ao longo do período analisado, 10 a 20% dos respondentes informaram ter mais de um emprego, com aumento de 5% deste contingente nos últimos anos 13. Segundo a pesquisa de Oliveira & Vieira 15, três quartos dos entrevistados em sete estados da federação costumam levar tarefas para casa. Entre eles, mais da metade não era remunerada por esse tempo extraclasse. Em 2016, dez estados e mais da metade dos municípios 16 não conseguiram cumprir a lei que regulamenta o piso salarial profissional nacional 17. Os professores recebem menos salários se comparados aos rendimentos de outros profissionais com semelhante escolaridade. Essa situação provavelmente explique a dupla ocupação identificada em 18% da categoria em todo o Brasil 18.

Pode-se conjecturar sobre a relação de tais dados com os indicadores de saúde dos professores e com as questões da qualidade do ensino 19. Em primeiro lugar, como o professor conseguiria estudar, acompanhar a dinâmica na esfera cultural e científica, enfim, atualizar-se, quando a sua jornada efetiva é prolongada? Ademais, é possível que essas características do emprego na Educação Básica sejam limites para o acesso dos professores a serviços de saúde, práticas de lazer e transporte de qualidade 20,21. Essas condições são estressantes, reduzem a qualidade de vida, geram efeitos que resultam em adoecimento 22. Em segundo lugar, como avançar, então, para expandir a jornada dos alunos na escola, induzir maior fixação do professor nesta unidade e abrir novas oportunidades de aprendizagem para os educandos, se os professores estiverem desanimados, com problemas de saúde e enfrentando dilemas financeiros em suas vidas?

Na tentativa de fornecer insumos para operacionalizar as metas de valorização dos professores, o Educatel 2015/2016 foi delineado para mensurar diretamente a prevalência de morbidades e acidentes, absenteísmo e seus motivos; além de conhecer o estatuto do emprego, frequência e regularidade dos comportamentos saudáveis de uma amostra representativa dos 2.220.000 professores que atuavam na educação infantil, nos ensinos fundamental e médio, ou em modalidades especiais; níveis estes que, no conjunto, conformam a Educação Básica no Brasil. O presente artigo descreve as bases e as técnicas que foram utilizadas no primeiro estudo representativo dos professores em escala nacional.

Delineamento da pesquisa

Etapa preliminar à coleta

Desde 2001, os pesquisadores se dedicam ao estudo da saúde dos professores da Educação Básica. Além de estudos qualitativos (clínicos e ergonômicos), em 2004, realizou-se um inquérito nas escolas municipais de Belo Horizonte, Minas Gerais, de cuja experiência estão as principais referências adotadas no Educatel 23.

Os primeiros resultados da análise dos microdados disponíveis no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) 24, que abrangem o universo dos professores, evidenciaram diferenças quando comparadas as escolas segundo grandes regiões e áreas censitárias. Os parâmetros para o plano de amostragem foram, então, elaborados de maneira a retratar essa diversidade: os sujeitos em relação às suas próprias características, às de seu emprego e às da escola de atuação, no tocante à localização geográfica, modalidade de ensino, ambientes físico e psicossocial. Considerado relevante, incorporou-se o evento absenteísmo doença como desfecho principal tanto no planejamento amostral quanto na eleição das dimensões do estudo. Mais detalhes foram publicados em outro artigo 25.

Um inquérito na modalidade “face a face” seria inviável, porque é caro, haja vista o objetivo de obter informações em escala nacional. Para se alcançar uma taxa de resposta compatível com a desejada representatividade, decidiu-se, pois, pela entrevista com o auxílio de um questionário aplicado via telefone, assistida por computador, uma vez reconhecida a rapidez na obtenção e processamento de dados desta modalidade de inquérito 26. A entrevista telefônica é uma modalidade valiosa para superar os custos e as dificuldades do deslocamento do entrevistador 27. A consistência dessa estratégia foi anteriormente comprovada, pois identificou-se similaridade dos resultados quando comparada a entrevista por telefone com a entrevista face a face 28. A mais recente e robusta experiência brasileira - o VIGITEL 29 - foi corroborada por resultados que identificaram semelhança da prevalência das doenças crônicas quando compararam inquérito domiciliar com inquérito telefônico 26.

Sobre o local para a entrevista, está reconhecida a vantagem de abordar o trabalhador durante a jornada profissional, quando se facilita reavivar a memória quanto aos aspectos do ambiente físico e demais características neste âmbito 30. Por essa razão, buscou-se localizar na fonte do INEP 24 o telefone da escola onde trabalhava o professor sorteado para responder ao questionário.

Se barreiras de custo e agilidade são ultrapassadas na modalidade entrevista ao telefone, as desvantagens são conhecidas. Por telefone, o pesquisador se depara com os constrangimentos do entrevistado diante do conteúdo de algumas questões. Quando as questões são sensíveis, sabe-se que são menos constrangedoras se utilizado o questionário autoaplicado, se comparado, nesta ordem, ao questionário aplicado pelo entrevistador ao telefone e ao entrevistador em situação de face a face com o participante. Trata-se do efeito modalidade. Por um lado, na entrevista face a face, quando se encontram presencialmente entrevistador e participante, são menores as chances de equívocos ou de desistência do sujeito que consentiu em participar. Nessa modalidade, é possível registrar as comunicações não verbais, que são úteis para ampliar a compreensão do que se passa com o participante quando interage com o conteúdo das perguntas.

Por fim, vale ressaltar que a operacionalização da pesquisa foi possível graças à autorização do INEP 24 em acessar as informações disponíveis no cadastro nacional.

O processo de construção do questionário

Os conceitos que nortearam o delineamento da pesquisa foram reproduzidos em elementos testáveis empiricamente por meio de um questionário construído em respeito às particularidades da pesquisa por telefone 31.

O período de construção do questionário foi longo, pois transcorreu pari passu ao desenvolvimento do marco teórico e exploração do campo para caracterizar a população e o cenário de atuação dos professores, planejar a amostra e reunir subsídios para hipóteses baseadas na noção do processo saúde/doença como convém ao objeto na área de saúde do trabalhador.

No Educatel, os vieses de seleção e de aferição foram minimizados, a fim de garantir a consistência das interpretações e a credibilidade da pesquisa. Para neutralizar o viés de seleção, adotou-se um plano amostral complexo a fim de obter estimativas com medidas de precisão que foram preestabelecidas. Finalizada a coleta, foram identificadas as frequências de participação (de elegíveis) por macrorregiões, situação da escola (rural ou urbana), faixa de idade, sexo, dependência administrativa da escola e vínculo de trabalho. Pesos amostrais, ajustes para não resposta e procedimentos de estimação foram adotados. Mais informações estão detalhadas em outro artigo 25.

A construção do questionário foi cuidadosa, como se verá adiante, e os entrevistadores foram adequadamente treinados para evitar o viés de aferição, que é esperado em inquéritos epidemiológicos, independentemente da modalidade da entrevista (ao telefone ou o contato face a face). A definição das variáveis e o formato das mensurações foram objetos de estudo cauteloso da literatura para identificar formatos validados e amplamente empregados, conforme será detalhado. Além desses cuidados, as perguntas sobre ambiente de trabalho ou sobre comportamentos, comumente criticados em sociedade (dificuldade para faltar quando doente, por exemplo) foram elaboradas em consonância com indicações consistentes na literatura. O Quadro 1 expõe as referências para cada escala ou pergunta sensível empregada.

Quadro 1 Blocos temáticos, variáveis incluídas e fonte ou escala de referência, desenvolvidos no Estudo Educatel, 2015. 

Blocos temáticos Variáveis Referência para a pergunta ou para a escala
Carga geral de trabalho Visou a conhecer a função, o percurso e a atuação do professor: tempo de docência, número de escolas nas quais atua, duração da jornada de trabalho e outros vínculos. Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 44
Condições psicossociais do trabalho Apoio social Íntegra da dimensão utilizada na JSS 36
Autonomia Adaptação de perguntas da TALIS 35
Investigou as dimensões demanda e controle Adaptações da JSS 36
Recompensa Adaptações da escala esforço-recompensa 45
Absenteísmo Inclui perguntas sobre frequência do absenteísmo, motivos, duração, acidente no trabalho Sobre a frequência do absenteísmo, traduziu-se a questão extraída do Questionnaire for Fourth European Survey on Working Conditions (2005) 37
Morbidades e assistência em saúde Interrogadas por questões utilizadas em diferentes inquéritos com professores no Brasil 46,47
Condições do ambiente de trabalho Tem como objetivo conhecer a exposição ao ruído Questões extraídas na íntegra do Questionnaire for Fourth European Survey on Working Conditions (2005) 37
Conhecer a exposição à indisciplina TALIS 35
Conhecer a exposição à violência física e verbal praticada por aluno Questões elaboradas e validadas no Educatel
Saúde e estilo de vida Aborda atividade física, autopercepção de saúde, exame médico periódico VIGITEL 29
Sono Adaptada do GHQ-12 48
Uso de medicamentos Adaptado 49
Tabagismo Extraído 50
Problema de voz Adaptada do protocolo V-RQOL 51
Características demográficas e socioeconômicas Contempla meio de transporte e tempo de deslocamento para o trabalho VIGITEL 29
Trabalho doméstico Questão da PNAD 2008 52
Raça, estado civil, salário, número de filhos no total e o número de filhos menores de 10 anos As duas primeiras foram extraídas do Censo Demográfico de 2010 do IBGE 53. As demais foram criadas para os fins do Educatel

GHQ-12: General Health Questionnaire; IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; JSS: Job Stress Scale; PNAD: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios; TALIS: Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem ; VIGITEL: Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico; V-RQOL: Voice-Related Quality of Life.

As perguntas formuladas para se obter do professor informações sobre a sua situação de saúde e acerca das condições de trabalho visaram a produzir dados inéditos para cobrir lacunas neste âmbito. Reconhecendo que a pergunta constrói o objeto e as respostas dependem do seu formato 32, testes e retestes foram realizados para evitar os efeitos do viés de aferição 33. Questões de caráter essencialmente psicológico nem sempre são encaradas com naturalidade pelo respondente, além de requisitarem mais concentração do sujeito 33. Por essa razão, algumas perguntas e opções de respostas foram adaptadas. A aprovação do questionário dependeu da validação dessas questões e respostas que foram adaptadas para os fins da pesquisa.

No processo de construção do questionário, foram apreciadas as escalas reconhecidas e já validadas para eventos multidimensionais (violência, apoio social, autonomia). A adaptação transcultural foi um critério para adotar tanto escalas quanto perguntas-chave elaboradas e consolidadas fora do Brasil e em outro idioma 34. Além disso, examinou-se a adequação e a suficiência da trajetória psicométrica.

A exposição dos professores a conflitos interpessoais no desenrolar de suas atividades na escola 15,22,35, inclusive com os próprios alunos, justificou a incorporação de duas questões específicas: “Nos últimos 12 meses, você sofreu violência VERBAL praticada por alunos?” e “Nos últimos 12 meses, você sofreu violência FÍSICA praticada por alunos?”. As opções de resposta foram: “nunca”, “uma vez”, “duas ou mais vezes”. As duas perguntas foram elaboradas e validadas no Educatel.

A dimensão apoio social foi investigada por meio de questões atinentes que constam da Job Stress Scale (JSS) porque é uma escala adaptada e validada no Brasil 36. As categorias de respostas para essas questões são “discorda totalmente”, “discorda”, “concorda”, “concorda totalmente”. A fim de facilitar a entrevista ao telefone, que prescinde de outras formas de comunicação entre entrevistador e entrevistado, expressões faciais, por exemplo, as respostas do JSS foram adaptadas para “frequentemente”, “às vezes”, “raramente”, “nunca ou quase nunca”. Não foram identificadas negativas ou tentativas de respostas evasivas ou verbalizações similares que denotassem constrangimentos do entrevistado.

Quanto à autonomia, foi reproduzida a pergunta utilizada anteriormente 35 (Quadro 1): Esta escola dá oportunidade para o pessoal participar ativamente das decisões que são tomadas? (“frequentemente”, “às vezes”, “raramente”, “nunca” ou “quase nunca”).

A escala da atividade física adotada no VIGITEL 29 foi utilizada integralmente. Desfechos centrais na investigação foram definidos com a mesma estratégia usada para as escalas, seja reproduzindo consensos para o formato e conteúdo da pergunta, como no caso do absenteísmo 37, seja adaptando o formato à modalidade de escolha (Quadro 1). Adaptações linguísticas às especificidades locorregionais não foram realizadas, tendo em vista a homogeneidade do universo quanto à escolaridade.

Testar o questionário multitemático teve o intuito de verificar os efeitos da terminologia usada, o formato das questões (aberta ou fechada) e das alternativas de resposta, a organização interna das questões no instrumento, a produção das respostas e a duração da entrevista. Essa etapa contou com a participação de nove voluntários, incluindo acadêmicos dos cursos de Medicina e de Enfermagem que exerciam a profissão de professor da Educação Básica. A adequação do questionário foi confirmada após a avaliação de cada uma das questões quanto à compreensão do enunciado e quanto ao seu objetivo. Durante a etapa piloto, especial atenção foi dada aos eventuais impasses do entrevistado quando indagado sobre um evento específico. Relatos de esquecimento ou lembrança incerta, dúvidas nas questões ou nas opções de resposta, além de manifestações de constrangimento, conforme descrito, foram tomados em consideração para ajustar a estrutura e conteúdo do instrumento testado.

Quanto ao viés de memória, é possível minimizar a sua interferência quando as perguntas dizem respeito a períodos mais recentes para o evento que se interroga. Entretanto, em alguns casos, manteve-se o período de 12 meses para perguntar, por exemplo, sobre faltas ao trabalho por problemas de saúde. A justificativa para adotar nessas e noutras situações períodos mais longos está amparada na necessidade de seguir consensos, a fim de assegurar comparação dos resultados com os de outros autores.

A validade das respostas foi verificada por meio de testes para aferir a consistência interna. Buscou-se, por exemplo, identificar incoerência entre a resposta sobre o motivo das faltas e relatos dos sintomas relacionados àquele motivo. Em seguida, nova avaliação do questionário foi realizada com outros participantes. Estrutura, conteúdo e bases do questionário foram objeto do manual explicativo do Educatel 38.

Depois de semanas de trabalho, aprovou-se o questionário composto por 54 perguntas curtas e simples, a maioria composta de respostas preestabelecidas (questões fechadas). Informações relevantes, como sexo, idade (data de nascimento), vínculo empregatício, zona de residência, escolaridade do professor, foram obtidas do Censo Escolar de 2014 24, de maneira a poupar tempo na entrevista. Da referida fonte foram extraídos os seguintes dados atinentes à escola: local de funcionamento, etapa de ensino, rede administrativa, tamanho da escola segundo o número de professores, área censitária, acesso ao abastecimento de água, disponibilidade de água filtrada, abastecimento de energia elétrica, esgoto sanitário, destinação do lixo, equipamentos e dependências da escola.

A entrevista ao telefone

As entrevistas telefônicas foram feitas entre outubro de 2015 e março de 2016. A equipe responsável contou com 30 entrevistadores, dois supervisores e um supervisor geral. Todos receberam treinamento prévio e foram acompanhados pelos coordenadores da pesquisa. O entrevistado tem menos paciência para responder às perguntas ao telefone se comparada à entrevista face a face. Para evitar o efeito indesejável, que pode interferir na qualidade da informação, optou-se por uma entrevista curta. A equipe trabalhou com o teto de 8 minutos. Isso provocou prejuízos porque foram suprimidas algumas perguntas de escalas já validadas (Quadro 1), conforme mencionado.

O professor foi inicialmente contatado por meio de ligação para o telefone fixo da escola onde atuava. Após confirmar com o assistente escolar que o professor trabalhava na unidade escolar (condição de elegibilidade), a entrevista tinha início, caso o professor pudesse/concordasse em responder. Intervenções foram realizadas para ajustar a abordagem do assistente escolar que atendia a primeira ligação em busca do professor sorteado, para com ele agendar a entrevista propriamente dita ou entrevistar naquele instante se assim fosse viabilizado. Se o professor estivesse ausente da escola ou impedido de dedicar seu tempo à entrevista no momento da chamada, tentou-se obter outro número de telefone ou estabelecer outro horário de acordo com sua conveniência e conforto. Em caso de impedimentos, novos contatos foram feitos em dias da semana e horários distintos até que a entrevista fosse efetivamente realizada ou que a recusa em participar do estudo fosse declarada. O número de tentativas variou de uma, no caso de êxito à primeira tentativa de iniciar e finalizar a entrevista, a quinze, nos casos em que a entrevista não era iniciada ou era interrompida. Ao primeiro contato, o respondente tomava conhecimento do site da pesquisa para acessar um vídeo de 3 minutos de duração para esclarecer os objetivos, os cuidados éticos e a responsabilidade institucional 39. Caso fosse de interesse, ao respondente era facultado receber o respectivo vídeo via aplicativo WhatsApp.

A entrada de dados foi feita em tempo real graças ao sistema informatizado. Ou seja, as perguntas foram lidas da tela de um computador por um aplicador que, direta e imediatamente, registrava as respostas em meio digital. A ferramenta construída especialmente para esse fim viabilizou o agendamento das entrevistas, o salto automático de questões não aplicáveis em face de respostas anteriores e a crítica imediata de respostas não válidas, além de ter propiciado a alimentação direta e contínua no banco de dados do sistema. Foram supervisionadas 20% das entrevistas, selecionadas ao acaso. Adicionalmente, foram também auditadas 10% das chamadas não convertidas em entrevistas. O supervisor monitorava a qualidade das entrevistas ao escutar as gravações e identificar tendências, lapsos etc., os quais, quando identificados, foram reparados imediatamente na intenção de diminuir o viés de aferição. A seleção e o treinamento dos entrevistadores antes do início da coleta reforçaram a importância da empatia, da habilidade de escuta, da capacidade de direcionar as dúvidas do entrevistado sem gerar insegurança e da transmissão dos objetivos da pesquisa 40.

Considerações finais

Avanços na área da saúde do trabalhador dependem da confirmação ou refutação empírica de hipóteses plausíveis. Apesar dos limites, o inquérito telefônico é um meio para se saber como os sujeitos percebem a situação em que se encontram para trabalhar, de maneira a permitir aos pesquisadores a produção de hipóteses sobre os fenômenos de interesse. Além disso, resultados dessa natureza são potentes para orientar as medidas de transformação dos ambientes laborais, calcadas em construtos sociais e comunitários menos frágeis do que aqueles gerados em planilhas aplicadas de forma isolada.

O autorrelato sobre ambiente físico, por exemplo, ou sobre as reações do sujeito (satisfação, por exemplo) diante das circunstâncias laborais foi criticado nos anos 1990. Mas é preciso admitir que outras técnicas (medidas diretas da intensidade sonora no ambiente, por exemplo) sejam passíveis de distorções 41, haja vista a variabilidade da dose de exposição aos agentes específicos ao longo do dia, da semana e do mês, além de problemas sazonais que podem influenciar na concentração de um agente no microambiente em estações do ano mais secas ou mais quentes que outras. Contudo, o referido limite é compensado pela vantagem que se obtém ao se levar em conta a autopercepção sobre os fatos relacionados à sua saúde, de acordo com as ideias que o próprio sujeito guarda sobre ela. A isso se denomina representação, que está relacionada às construções do indivíduo, inserido em um determinado meio social, cuja situação de saúde não está desconectada dessas ideias.

Por fim, a zona de localização do sujeito sorteado pode não ser coberta pela rede de telefonia, conforme já mencionado e tratado por pesquisadores que lidam com tal estratégia 42. Procedimentos estatísticos de ajuste pós-estratificação permitem amenizar os efeitos do viés de cobertura da rede de telefonia 43. Os esclarecimentos nesse âmbito foram publicados em outro artigo 25.

Atenção aos consensos na elaboração de perguntas e emprego de escalas validadas e adaptadas na construção do instrumento 3,4,5, além da modalidade do tipo entrevista por telefone, conformaram as bases do Estudo Educatel. Em que pese os limites de um inquérito para identificar as relações entre saúde e trabalho, os resultados do estudo que analisou uma amostra probabilística e representativa da população dos professores em escala nacional 25 serão úteis para alimentar programas setoriais no contexto da implantação do Plano Nacional de Educação 9. Essa estratégia, inspirada nos inquéritos nacionais que abordam doenças crônicas não transmissíveis, foi inovadora no campo da saúde do trabalhador.

Agradecimentos

À Secretaria de Articulação de Sistemas de Ensino do Ministério da Educação, ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

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Recebido: 07 de Junho de 2018; Revisado: 01 de Setembro de 2018; Aceito: 27 de Setembro de 2018

Correspondência A. A. Assunção Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais. Av. Alfredo Balena 190, Belo Horizonte, MG 30310-450, Brasil. adavila@medicina.ufmg.br

Colaboradores

A. A. Assunção estudou a literatura, estruturou e redigiu o artigo. A. M. Medeiros revisou a literatura e participou da redação do artigo. R. M. Claro e M. T. Vieira colaboraram na redação do artigo. E. G. Maia colaborou na análise dos dados e participou da redação do artigo. J. M. Andrade colaborou na análise e interpretação dos dados e revisou a literatura.

Informações adicionais

ORCID: Ada Ávila Assunção (0000-0003-2123-0422); Adriane Mesquita de Medeiros (0000-0002-2817-2555); Rafael Moreira Claro (0000-0001-9690-575X); Marcel de Toledo Vieira (0000-0002-0456-380X)); Emanuella Gomes Maia (0000-0001-6655-0230); Juliana Mara Andrade (0000-0002-7480-519X).

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