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Acta Botanica Brasilica

Print version ISSN 0102-3306On-line version ISSN 1677-941X

Acta Bot. Bras. vol.17 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-33062003000400009 

Recursos medicinais de espécies do Cerrado de Mato Grosso: um estudo bibliográfico1

 

Medicinal plants resources in the Cerrado of Mato Grosso State, Brazil: a review

 

 

Germano Guarim NetoI; Ronan Gil de MoraisII

IDepartamento de Botânica e Ecologia, Instituto de Biociências, Universidade Federal de Mato Grosso, CEP 78060-900, Cuiabá, MT, Brasil (gguarim@terra.com.br)
IIMestrando em Saúde e Ambiente, Área de concentração Etnobotânica, PPG / Instituto de Saúde Coletiva - Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil, Bolsista CAPES

 

 


RESUMO

A flora do Cerrado é de enorme riqueza, mas somente 1,5% de sua extensão é protegida por lei. Em vista disto, é preciso valorizar os recursos que ela oferece e que estão sob forte pressão de extinção, como as espécies medicinais. Assim, o presente estudo faz uma revisão bibliográfica aprofundada de trabalhos que indiquem as informações das espécies medicinais do cerrado mato-grossense, com intuito de se estabelecer uma base de dados regionais e, conseqüentemente, iniciar uma discussão em nível nacional. A revisão da flora medicinal constatou o total de 509 espécies, distribuídas em 297 gêneros e 96 famílias. As famílias com maior número de espécies foram Asteraceae e Fabaceae (7% das espécies) e os gêneros foram Hyptis e Tabebuia (oito espécies). As espécies com maior número de citações bibliográficas foram Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville e Anemopaegma arvense (Vell.) Stelf. O predomínio foi de espécies arbóreas (31%). Os valores relatados superaram, em muito, estimativas anteriores e, em vista das áreas que ainda não foram cobertas por pesquisas mato-grossenses, acredita-se que o presente resultado poderá ser significativamente ampliado no futuro.

Palavras-chave: Cerrado, plantas medicinais, Mato Grosso, Etnobotânica


ABSTRACT

The Cerrado flora has an enormous richness, but only 1,5% of its area is protected by law. Therefore, it is necessary to take care of the resources it offers which are under heavy risks of extinction, like the medicinal species. Thus, the present study is a review of the information on medicinal species of Mato Grosso, Brazil, aiming to establish a regional data base and consequently start a discussion at national level. A review of the medicinal flora has shown a total of 509 species, belonging to 297 genera and 96 families. The families with the greatest number of species were Asteraceae and Fabaceae (with 7% of the species) and the genera were Hyptis and Tabebuia (eight species). The species with the greatest number of citations were Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville and Anemopaegma arvense (Vell.) Stelf. The preponderance was of arboreal species (31%). The reported values greatly overcome the previous estimates and, considering the areas which have not been covered by regional research in Mato Grosso, it is believed that the present results could be much amplified in the near future.

Key words: Cerrado, medicinal plants, Mato Grosso, Ethnobotany


 

 

Introdução

O Brasil possui cinco áreas de grande abundância de plantas nativas, estando entre elas o bioma Cerrado. Como acrescentam Ribeiro & Walter (1998), este é o segundo maior em área do país, ocupando 23% do território nacional (dois milhões de km2), estando localizado basicamente no planalto central e sendo considerado um complexo vegetacional de grande heterogeneidade fitofisionômica. Para Proença et al. (2000), o Cerrado é o mais brasileiro dos biomas sul-americanos, pois, excetuando-se algumas pequenas áreas na Bolívia e no Paraguai, ele está totalmente inserido no território nacional.

Este bioma é apontado como grande detentor de diversidade biológica, sendo a formação savânica com maior diversidade vegetal do mundo, especialmente quando se consideram as espécies lenhosas. Mendonça et al. (1998) fizeram extensa compilação referente à diversidade do Cerrado brasileiro, sendo apontados, no total, 6.671 táxons nativos, distribuídos em 170 famílias e 1.140 gêneros. Nesse trabalho ainda são relatados 11 táxons novos, conseqüentes às excursões realizadas para tal pesquisa. Porém, os autores acrescentam que a flora do bioma Cerrado ainda é pouco conhecida.

Ainda há carência de estudos voltados para a identificação de plantas úteis do Cerrado, principalmente quando comparada à diversidade e à área ocupada. O desconhecimento de sua riqueza e possibilidades se agrava quando Ratter et al. (1997) estimam que cerca de 40% do bioma já tenha sido devastado e quando Kaplan et al. (1994) afirmam que o Cerrado possui somente 1,5% de sua extensão protegida por lei, sendo atualmente a vegetação em maior risco no país. É preciso considerar que os recursos naturais oferecidos por ele, uma vez extintos, estarão indisponíveis às futuras gerações. Entre estes, pode-se considerar o recurso terapêutico oferecido pelas plantas medicinais.

Nos últimos vinte anos no Brasil, país com a maior diversidade vegetal do mundo (Plotkin 1991; Brasil 1998), o número de informações sobre plantas medicinais tem crescido apenas 8% anualmente (Brito & Brito 1993). Isso mostra que em um país biologicamente tão rico, mas com ecossistemas tão ameaçados, pesquisas com plantas medicinais devem ser incentivadas. Afinal, elas poderiam levar à reorganização das estruturas de uso dos recursos naturais (em vista da necessidade de sua extração estar associada aos planos de manejo) e à elevação do PIB, visto que há grande tendência mundial de aumento na utilização de fitoterápicos.

Gottlieb & Borin (1994) relatam que há possivelmente mais espécies vegetais (diversidade específica) em áreas amostrais de Floresta Amazônica que nas de Cerrado de mesmo tamanho, salientando porém que a diversidade taxonômica é certamente muito maior no último. Esta diversidade é relativa aos táxons mais elevados (gênero, família e ordem), mostrando a importância do Cerrado para pesquisas com plantas medicinais. Isto porque, quanto maior for a diversidade taxonômica em níveis superiores, maior é o distanciamento filogenético entre as espécies e maior é a diferença e diversidade química entre elas. Por isso, a gama e o potencial de compostos bioativos produzidos pelas espécies do Cerrado seriam maiores que as da Floresta Amazônica. Isto se evidencia quando Kaplan et al. (1994) afirmam que, utilizando-se o mesmo método de extração fitoquímica, há diferenças muito contrastantes, visto que as espécies de Mata Atlântica apresentam pequeno número de compostos em grandes quantidades e as de Cerrado, grande número de compostos estreitamente relacionado, mas em quantidades tão pequenas que só poderiam ser identificados por análise espectral. Por essas características o bioma Cerrado deveria ser considerado área prioritária de pesquisas com plantas medicinais e conservação de recursos naturais.

Em Mato Grosso, diversos trabalhos com plantas medicinais estão disponíveis à comunidade científica (Berg 1980; Guarim Neto 1987, 1996; Jorge et al. 1998; dentre outros). Porém, em todos eles, as plantas medicinais do Cerrado são discutidas junto com espécies de outros ambientes (Pantanal, Floresta Amazônica ou exóticos) e por isso não se tem um número exato de quantas são as ocorrentes no Cerrado de Mato Grosso.

Deste modo, o presente estudo tem por objetivo compilar as espécies medicinais citadas na literatura com ocorrência no Cerrado mato-grossense, estimando-se e comparando-se a quantidade e a diversidade taxonômica de espécies medicinais ao nível estadual. Procura-se também estabelecer uma base mais concreta ao se discutir o número de espécies medicinais do Cerrado, partindo-se da caracterização de valores regionais.

 

Material e métodos

O presente trabalho foi realizado a partir de revisão bibliográfica referente a trabalhos que indicassem o uso de plantas medicinais do Cerrado mato-grossense. Foram compilados trabalhos etnobotânicos, etnoecológicos, taxonômicos e florísticos que indicassem ou citassem plantas medicinais de Cerrado. Procurou-se a maior profundidade de dados, o que levou à consulta de artigos, teses, dissertações e monografias (de conclusão de graduação e especialização). A inclusão de dados de monografias, dissertações e teses fez-se necessária posto que fornecem elementos importantes para a flora medicinal do Cerrado do Estado de Mato Grosso, e não poderiam ser relevadas, encontrando-se disponíveis na Biblioteca da Universidade Federal de Mato Grosso. Os trabalhos sobre as espécies medicinais foram restringidos aos relatados para o Estado de Mato Grosso. As espécies ruderais encontradas em áreas de cerrado também foram consideradas. Para revisão dos nomes científicos, sinonímias e hábitos das espécies encontradas foram considerados Dubs (1998), Mendonça et al. (1998) e, em alguns casos, a edição recente do Index Kewensis e revisões taxonômicas.

 

Resultados e discussão

Quando se analisa a relação de autores consultados por década (Quadro 1), constata-se que o início das pesquisas com plantas medicinais em Mato Grosso se deu praticamente na década de 80 (com média de um trabalho/ano). Antes disso pode-se salientar o trabalho inicial de naturalistas (Hoehne, Langsdorff, D´ Alincourt, Martius) e o trabalho de Amann (1969), que, por não citar os nomes científicos das plantas indicadas, não foi considerado na presente revisão. Pode-se constatar crescimento bastante acentuado das pesquisas com plantas medicinais na década de 90 (média de quatro trabalhos/ano), principalmente na segunda metade da década (com aproximadamente 74% dos trabalhos), e a possibilidade de que o período posterior siga a mesma tendência (2,5 trabalhos/ano).

 

 

As espécies do Cerrado mato-grossense compiladas e os autores consultados foram reunidos na Tab. 1, que mostra ainda os nomes vernaculares e hábitos das plantas indicadas com potencial terapêutico.

 















 

Na presente compilação foi encontrado o total de 509 espécies, distribuídas em 297 gêneros e 96 famílias botânicas, o que resulta em uma média de cinco espécies/família. O número de espécies relatadas como medicinais para Mato Grosso representa aproximadamente 8% da compilação florística de Mendonça et al. (1998). Mesmo se forem retiradas as famílias criptogâmicas, o número de famílias com espécies medicinais no Cerrado de Mato Grosso representa aproximadamente 56% do total de famílias da lista fanerogâmica do bioma (Mendonça et al. 1998).

Somente 67 táxons foram identificados ao nível de gênero (p. ex.: Ocotea sp. - canela). Se eles fossem desconsiderados, ainda assim, o valor resultaria em 442 espécies potenciais.

O número total de espécies supera em muito o relatado por Dias (1996), que estimou haver mais de 100 espécies medicinais em todo o bioma Cerrado. Supera também o valor apresentado por Vieira & Martins (2000) para todo o bioma que em uma revisão sobre plantas medicinais do cerrado, considerando alguns autores de diferentes estados, compilaram 82 famílias botânicas contendo 270 espécies com indicação medicinal.

Desconsiderando-se as plantas identificadas ao nível de gênero, o presente trabalho indica mais 291 espécies não relatadas por Vieira & Martins (2000), o que faz com que o número estimado de espécies vegetais medicinais do bioma Cerrado, até o presente, se eleve para 561.

Assim, pode-se considerar que este bioma tenha muito mais que 600 espécies medicinais, visto o alto grau de endemismo que cada região possui em relação a certas espécies do cerrado (Pagano et al. 1989; Batalha et al. 1997). Dessa forma, cada Estado apresentará uma flora medicinal com espécies comuns a outros e com espécies particulares.

Entre as espécies com maior número de citações bibliográficas estão Stryphnodendron adstringens (30 autores), Anemopaegma arvense (26), Senna occidentalis (26), Cochlospermum regium (23), Bidens pilosa (22), Chenopodium ambrosioides (21), Hymenaea stigonocarpa (21), Macrosiphonia velame (21), Scoparia dulcis (21), Simaba ferruginea (21), Tabebuia aurea (21), Brosimum gaudichaudii (20) e Guazuma ulmifolia (20); as demais têm menos de 20 citações.

Bragança (1996) relatou 54 espécies utilizadas popularmente para tratamento do diabetes mellitus, porém entre elas não estavam algumas espécies de Cerrado citadas em Mato Grosso para essa finalidade. Entre elas estão Acosmium subelegans, Anacardium humile, Annona dioica, Aspidosperma polyneuron, Bauhinia nitida, B. rufa, Bowdichia virgilioides, Caesalpinia ferrea, Heteropterys aphrodisiaca, Jacaranda decurrens, Oxalis hirsutissima, Pterodon pubescens, Senna occidentalis, Simaba ferruginea, Solanum lycocarpum, Tabebuia heptaphylla e Vatairea macrocarpa. Assim, o número de espécies brasileiras potencialmente úteis no tratamento desse problema sobe para 71 e fica a sugestão de que estas aqui listadas sejam estudadas química e farmacologicamente com tal finalidade, visto que são indicações de uso popular.

Entre os gêneros com maior número de espécies estão Hyptis e Tabebuia (com oito espécies), seguidos de Bauhinia e Jacaranda (sete espécies) e Gomphrena (seis espécies).

Entre os grupos relatados estão famílias criptogâmicas e fanerogâmicas. Entre as criptogâmicas estão Equisetaceae, Pteridaceae e Schizaeaceae. Porém, a grande maioria é de fanerógamas, com predominância elevada de angiospermas (92 famílias) e uma família de gimnosperma (Cycadaceae).

As famílias com maior número de espécies medicinais são Asteraceae (7%), Fabaceae (7%), Caesalpiniaceae (5%), Bignoniaceae (4,9%), Mimosaceae (3,5%), Rubiaceae (3,1%), Euphorbiaceae (2,9%), Sapindaceae (2,5%), Sterculiaceae (2,3%), Malpighiaceae (2,1%), Arecaceae (1,9%), Lamiaceae (1,9%), Moraceae (1,9%), Poaceae (1,9%) e Vochysiaceae (1,9%). As demais famílias possuem cada uma menos de dez espécies.

Se Mimosaceae, Fabaceae e Caesalpiniaceae fossem consideradas sub-famílias de Leguminosae, esta representaria 15,5% do número de espécies botânicas citadas. Esta é a família com maior número de espécies em todo o bioma Cerrado (Mendonça et al. 1998). Assim, quanto maior o número de espécies de uma família, maior é a probabilidade de que venha a ser utilizada por populações humanas que façam uso dos recursos da flora nativa. A quantidade e a distribuição dos indivíduos também são dados muito importantes a serem levados em consideração, como se percebe no estudo de Guarim Neto et al. (1994). Ao nível nacional, outros trabalhos têm encontrado Leguminosae como família representativa (Pagano et al. 1989; Batalha et al. 1997). Acredita-se que mais trabalhos, tanto fitossociológicos quanto químicos e/ou farmacológicos, com plantas medicinais desta família, poderão mostrar porque Leguminosae é bastante utilizada em áreas de Cerrado.

O predomínio de hábito entre as espécies foi arbóreo (31%), seguido de herbáceo (24%), arbustivo (17%), subarbustivo (12%), trepadeira (9%), palmeira (2%), epifítico (1,5%), e cactáceo (0,5%), porém não foi informado o hábito de 3% das espécies.

Quando se constata a quantidade de espécies com potencial medicinal na flora do Cerrado mato-grossense, perguntas vêm à mente: por que grande parte desta diversidade é trocada (destruída) em favor de espécies exóticas? Por que algumas pessoas (principalmente os grandes proprietários rurais) ainda consideram a vegetação do Cerrado pobre e sem recursos de interesse? Este bioma tem possibilidades de aproveitamento sustentável e a atual forma de manejo e aproveitamento do Cerrado em Mato Grosso, na maioria das vezes imediatista, pode levar à extinção de muitas espécies que não podem ser encontradas em outras áreas.

Em Mato Grosso, muitas localidades e municípios ainda não foram áreas de estudo de plantas medicinais, o que poderá aumentar a quantidade de dados da compilação regional. É perceptível também que a maioria dos trabalhos consultados obteve os dados por meio de informantes, o que mostra o alto grau de sabedoria acumulado (empírica e historicamente) nas comunidades tradicionais e camadas menos abastadas em suas relações com o ambiente e no estabelecimento das suas representações saúde/doença.

A quantidade de espécies medicinais em todo o bioma Cerrado é seguramente maior do que até o presente momento estabelecida, mas somente ao se compilar a flora medicinal do Cerrado em cada Estado (GO, MG, SP e demais) de forma aprofundada é que se poderá avaliá-la como um todo. A revisão com base em alguns autores de cada Estado não mostra e nem mostrará a real quantidade e diversidade de espécies medicinais do bioma de uma forma geral. Em vista disso, sugere-se que sejam feitas revisões bibliográficas aprofundadas em cada estado da área de abrangência do Cerrado.

Mesmo com uma extensa revisão da literatura sobre plantas medicinais do Cerrado brasileiro, muitas plantas ainda estariam fora dos olhares da ciência. Se já é grande o número de espécies citadas como medicinais, maior ainda deve ser a relação de plantas que não foram listadas, mas que têm possibilidades de uso pela humanidade. Outras espécies reconhecidamente terapêuticas correm o risco de desaparecer ou tiveram suas populações drasticamente reduzidas, como já vem sendo relatado para a poaia - Psychotria ipecacuanha (Facchim & Guarim 1995) e arnica - Brickelia brasiliensis (Jorge et al. 1998), entre outras. Para que isto seja contornado, planos de manejo devem ser estabelecidos dentro das perspectivas abordadas por Shiki et al. (1997).

Estudos químicos e farmacológicos devem ser feitos para comprovação laboratorial dos efeitos medicinais e/ou toxicológicos das espécies do Cerrado. Estes tipos de trabalhos vêm sendo feitos (Tonello 1993; Lima 1997; Canepelle 1998; Lima 1999; Solon 1999; Tamashiro Filho 1999; Santos 2000), contudo, a destruição do bioma Cerrado caminha a passos largos e rápidos. E, por fim, os produtos desenvolvidos devem ser levados ao mercado para que toda a população se beneficie das vantagens (menor custo de aquisição, poucas contra-indicações e efeitos colaterais, dentre outras) dos remédios produzidos à base de plantas.

Já se caminha no terceiro milênio e, entretanto, ainda há grande necessidade de investimentos em pesquisa, educação ambiental e programas de conservação de áreas intactas ou de recomposição de áreas degradadas. Essa necessidade é dependente e deveria estar associada a uma mudança da postura econômica e política que marcaria a distinção entre o modelo vigente e um modelo adequado de utilização sustentável dos Cerrados brasileiros.

 

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Recebido em 06/05/2002
Aceito em 24/05/2003

 

 

1 Parte revisada e ampliada do trabalho vencedor do Prêmio Jovem Pesquisador "Prof. Severino Márcio Pereira Meirelles"; UFMT (PIBIC - 2000 - Roman Gil de Morais). Apoio: CNPq e FAPEMAT

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