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Acta Botanica Brasilica

Print version ISSN 0102-3306

Acta Bot. Bras. vol.19 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-33062005000400002 

Anatomia e uso da madeira de duas variedades de Sclerolobium paniculatum Vog. do sul do Maranhão, Brasil1

 

Wood anatomy and use of two varieties of Sclerolobium paniculatum Vog. in the south of Maranhão State, Brazil

 

 

Iran Paz Pires; Carmen Regina Marcati2

Faculdade de Ciências Agronômicas, Departamento de Recursos Naturais - Ciências Florestais, Universidade Estadual Paulista, Campus de Botucatu, C. Postal 237, CEP 18603-970, Botucatu, SP, Brasil

 

 


RESUMO

O presente estudo traz informações sobre a utilização da madeira de duas variedades de Sclerolobium paniculatum (var. subvelutinum e rubiginosum) em propriedades rurais do sul do Maranhão, a análise anatômica do lenho e a correlação destas características com o uso da madeira. Foram realizadas entrevistas com 17 agricultores residentes na zona rural dessa região, com a finalidade de se conhecer a utilização destas variedades nas propriedades rurais. As variedades subvelutinum Benth. e rubiginosum (Mart. ex Tul. ) Benth. são conhecidas na região como cachamorra-preta e cachamorra-branca, respectivamente, sendo a primeira mais utilizada na confecção de cercados. Para o estudo anatômico do lenho, foram coletados discos à altura do peito de três indivíduos de cada variedade e, destes, obtidas amostras do cerne, na região de transição com o alburno. As amostras foram processadas de acordo com a metodologia usual para anatomia de madeira. Houve diferença estatística significativa (p<0,05) para seis parâmetros anatômicos entre as duas variedades. A utilização diferencial das variedades pode ser decorrente, principalmente, das características das fibras e dos elementos de vasos. Sugere-se que sejam realizados estudos que abordem variações climáticas e características do solo para melhor entendimento das diferenças anatômicas quantitativas encontradas no lenho das variedades.

Palavras-chave: anatomia da madeira, Sclerolobium paniculatum var. rubiginosum, Sclerolobium paniculatum var. subvelutinum, uso da madeira


ABSTRACT

This work presents information about the use of wood of Sclerolobium paniculatum (var. subvelutinum and rubiginosum) at rural properties in the south of the state of Maranhão, Brazil, about the woods' anatomy and about the correlation between certain anatomical characteristics and the wood's practical use. Interviews were made with 17 farmers from this region in order to know how they use the two varieties in their properties. Regionally, the subvelutinum Benth. and rubiginosum (Mart. ex Tul. ) Benth. varieties are known as "cachamorra-preta" and "cachamorra-branca", respectively and the former is the most frequently applied, especially as fences. For the wood anatomy analyses, discs at the breast height were collected from three specimens of each variety. Next, samples were obtained from the discs core, and usual wood anatomy methodology was applied. The two varieties were statistically different (p<0,05) for six anatomical parameters. Fiber and vessel elements characteristics seem to be the most important features to explain the different use of the two varieties. It is suggested that more studies should be performed on climate variations and soil characteristics to get a better understanding about the causes of the wood anatomy quantitative differences found in this study.

Key words: wood anatomy, Sclerolobium paniculatum var. rubiginosum, Sclerolobium paniculatum var. subvelutinum, wood use


 

 

Introdução

Pertencente a família Leguminosae-Cesalpinioideae, Sclerolobium paniculatum var. rubiginosum (Mart. ex Tul.) Benth e S. paniculatum Vog. var. subvelutinum Benth. constituem um par vicariante e têm se mostrado particularmente abundantes na região dos cerrados, principalmente nos estados do Maranhão e do Piauí onde há áreas com grande densidade destas variedades (B.A.S. Pereira, dados não publicados; Almeida et al. 1998; Carvalho 1994). As regiões dos cerrados são caracterizadas por apresentarem marcada pluviosidade sazonal, com invernos frios e secos (Franco 2002).

Sclerolobium paniculatum é espécie pioneira, colonizadora de terrenos marginais e margens de estradas, que freqüentemente inicia a sucessão secundária em áreas abertas pela germinação intensa de suas sementes no solo. Tem se destacado pelo rápido crescimento e sua madeira é amplamente utilizada por comunidades rurais do Centro-Oeste e Nordeste, na confecção de mourões, esteios, embalagens e caibros, na construção civil, além de fonte para a produção de lenha e carvão vegetal, sendo inclusive indicada para plantios energéticos (Diniz 1982; Dias et al. 1992; Carvalho 1994; Lorenzi 1998; Franke 1999).

Observações preliminares apontam para a ampla utilização da madeira de S. paniculatum var. subvelutinum e S. paniculatum var. rubiginosum por comunidades rurais do sul do Maranhão (Pires, comunicação pessoal). Segundo o mesmo autor, os agricultores as diferenciam através da coloração da casca, branca a acinzentada, sendo mais escura na variedade subvelutinum. Apesar da grande utilização dessa madeira em propriedades rurais, seus estudos anatômicos têm sido limitados somente ao gênero sem indicação das espécies estudadas, com ocorrência no Pará (SUDAM 1981; Mainieri et al. 1983), e às variedades subvelutinum e rubiginosum com ocorrência no Distrito Federal (B.A.S. Pereira, dados não publicados).

Considerando a importância da madeira de S. paniculatum variedades subvelutinum e rubiginosum para as comunidades rurais do sul do Maranhão, buscou-se conhecer o seu uso nessas comunidades e estudar as características anatômicas e a densidade dessas madeiras na tentativa de correlacionar essas características com o seu uso.

 

Material e métodos

As plantas estudadas foram coletadas em área de cerrado localizado na Fazenda Ipanema situada cerca de 60 km da sede do município de Riachão, Estado do Maranhão. O município de Riachão tem como coordenadas geográficas 7º22'30''S e 46º37'30''W. Ocupa área de 6.373,153 km2, limita-se a oeste com o município de Carolina, a leste com o município de Balsas, a norte com o município de Feira Nova do Maranhão e Nova Colinas, e a sul com o município de Campos Lindo, este no Estado de Tocantins.

O clima da região caracteriza-se como tropical quente de seca atenuada (4 cth), em que a média do mês mais quente é 28,3 ºC e a média mensal mais fria é 26,1 ºC, sendo a média anual de 26,5 ºC (Diniz 1982).

A região apresenta três meses mais chuvosos (janeiro a março) e cinco meses secos, não apresentando altitude superior à 200 m, com formação geológica Pedra do Fogo (permiano inferior). Apresenta solos do tipo Latossolo Vermelho Amarelo e areias quartzosas vermelhas e amarelas (Diniz 1982).

Com a finalidade de se conhecer a utilização das variedades nas propriedades rurais, foram realizadas entrevistas com os agricultores da zona rural de Riachão-MA. Foram entrevistados todos os agricultores que residem em diferentes fazendas num raio de 20 km, onde ocorre a espécie em estudo. Ao todo, foram entrevistadas 17 pessoas, as quais responderam questões relacionadas ao conhecimento e ao uso das variedades em sua propriedade (Tab. 1).

 

 

Para os estudos de densidade básica e anatomia do lenho, foram retirados discos a 1,30 m do solo, de três espécimes de S. paniculatum var. subvelutinum (Fig. 1) e de S. paniculatum var. rubiginosum (Fig. 2), que estavam sendo abatidas. Os discos, com 6 cm de espessura, foram retirados de indivíduos adultos, distantes 20-50 m entre si. Foram obtidos a altura e o diâmetro à altura do peito (DAP) de dez árvores de cada variedade (Tab. 2) com auxílio de hipsômetro e suta, respectivamente, e as médias dos dados das duas variedades foram comparadas pelo teste de F ao nível de probabilidade de 5%.

 


 

 

 

Ramos e folhas das árvores amostradas foram coletados. O material foi identificado no Laboratório de Anatomia Vegetal da Universidade de Brasília (UnB) pelo professor Dr. José Elias de Paula e colaboradores, a partir das exsicatas confeccionadas. As exsicatas e parte dos discos representativos das duas variedades encontram-se depositados no Herbário e na Xiloteca (BOTw 1315, 1316, 1317 para S. paniculatum var. rubiginosum e BOTw 1318, 1319, 1320 para S. paniculatum var. subvelutinum) do Departamento de Recursos Naturais - Ciências Florestais da Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Botucatu, Estado de São Paulo.

A determinação da densidade básica seguiu as recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (1940), com a averiguação do volume da madeira saturada pelo método hidrostático, utilizando-se água em lugar do mercúrio. O número pequeno de amostras da madeira de cada variedade para a análise de densidade básica (n = 3) impossibilitou a realização de análise estatística para essa variável.

Dos discos, foram obtidas amostras do cerne de 1,5 cm3, na região de transição para o alburno. Para as análises microscópicas, as amostras foram amolecidas por meio de cozimento e seccionadas em micrótomo de deslize para a obtenção dos cortes histológicos, que foram corados com safranina 1% em etanol 50% e coloração com azul de astra 0,5%, juntamente com os corantes fucsina básica 5% e acridinorange 1% (Gerlach 1984; Roeser 1972; Kropp 1972). A fixação dos corantes foi feita com acetato de butila e as lâminas histológicas foram montadas permanentemente em Bálsamo do Canadá. A dissociação das células seguiu a metodologia de Franklin (1945).

Três espécimes de cada variedade foram analisados quanto à anatomia do lenho. Para as análises qualitativa e quantitativa foram seguidas as orientações propostas pelo IAWA Committee (1989). As análises quantitativas foram realizadas com as mensurações das seguintes variáveis: fibras (comprimento, diâmetro, diâmetro do lume), vasos (comprimento, diâmetro, freqüência, diâmetro das pontoações intervasculares), raios (freqüência/mm, altura em µm, largura em µm). As análises foram realizadas com o auxílio de microscópio de luz e ocular micrométrica. Os valores foram convertidos em micrômetros, empregando-se um fator de conversão. Os valores para os diversos parâmetros foram assim relacionados: (mínimo-) média (-máximo).

Foram realizadas 30 medições para cada característica anatômica e as médias dos dados das duas variedades foram comparadas pelo teste F, ao nível de probabilidade de 5%.

 

Resultados

Entrevista com os agricultores da região - Entre os agricultores há diversidade de denominações para o tipo de vegetação de ocorrência das variedades, a saber: capão, carrasco, cerrados, chapada argilosa, chapada arenosa, mas há uma predominância de chapada para S. paniculatum var. subvelutinum e capão para a S. paniculatum var. rubiginosum.

A partir dessas entrevistas, observou-se que todos conhecem S. paniculatum var. subvelutinum como cachamorra-preta e S. paniculatum var. rubiginosum como cachamorra-branca, em alusão às cores acinzentada e branca, respectivamente, características da sua casca.

Os agricultores utilizam, juntamente com a cachamorra-preta e a cachamorra-branca, outras espécies da região, sendo as mais citadas: capitão-do-campo, candeia, aroeira, pequi, birro, angico, jatobá, sucupira-amarela, barbatimão, pau d'arco, araçá e bacuri. Quando comparado o crescimento das duas variedades de Sclerolobium no campo com as demais espécies, 100% dos entrevistados consideram que as variedades de cachamorra-preta e cachamorra-branca são de crescimento mais rápido.

Dentre os agricultores, 77% utilizam com mais freqüência a cachamorra-preta, entretanto as duas variedades são bastante consumidas nas propriedades rurais. A cachamorra-preta, identificada pelos agricultores como sendo a mais pesada e com maior resitência às pragas é utilizada para estacas, mourões e cercados (Fig. 3). Dos agricultores entrevistados, 70% utilizam a madeira de cachamorra-branca como peças longas, pois esta variedade, segundo os mesmos, cresce mais em altura no campo quando comparada com a cachamorra-preta. O diâmetro e a altura das espécies estão identificados na Tab. 2.

Segundo os agricultores, a durabilidade natural da madeira de cachamorra-preta sem tratamento chega a 10 anos na propriedade, enquanto que a da cachamorra-branca chega a, no máximo, 6 anos. Além da durabilidade natural, todos eles avaliaram a cachamorra-preta como a mais resistente ao corte com machado e a mais importante para utilização geral nas propriedades.

No que diz respeito à freqüência de árvores rachadas, tombadas ou quebradas no campo, 71% dos agricultores entrevistados citaram como sendo mais freqüente a cachamorra-branca.

Densidade básica e anatomia da madeira das duas variedades - A Tab. 3 apresenta os dados quantitativos da densidade básica e das características anatômicas da madeira das duas variedades.

 

 

Qualitativamente, as espécies S. paniculatum var. subvelutinum e S. paniculatum var. rubiginosum não variam quanto à anatomia da madeira (Fig. 4-9).

 



 

O lenho das duas variedades caracteriza-se por apresentar: Camadas de crescimento - irregularmente demarcadas por zonas fibrosas (Fig. 4); Vasos - porosidade difusa (Fig. 4, 5), vasos solitários predominantes (43 e 36% em S. paniculatum var. subvelutinum e S. paniculatum var. rubiginosum, respectivamente), múltiplos de dois (20 e 19%, respectivamente), de três (20 e 21%, respectivamente), quatro (10 e 8%, respectivamente), cinco (2 e 5%, respectivamente) e seis (5 e 11%, respectivamente), elementos de vasos sem apêndices (Fig. 10) e com apêndices, que se apresentam em uma (Fig. 11) ou em ambas as extremidades (Fig. 12, 13), placa de perfuração simples (Fig. 10-13), pontoações intervasculares alternas (Fig. 14) e guarnecidas (Fig. 15), pontoações radiovasculares com aréolas distintas e semelhantes às intervasculares em tamanho e forma; Fibras - com pontoações simples (Fig. 6, 7, 16, 17), Parênquima axial - paratraqueal vasicêntrico escasso (Fig. 4, 5) com duas a cinco células por série (Fig. 16, 17); Raios - exclusivamente unisseriados (99%) (Fig. 6, 7, 16, 17) e homogêneos formados por células procumbentes (Fig. 8, 9).

 


 

 


 

Análise estatística das características anatômicas quantitativas - A análise estatística para os dez parâmetros entre as duas variedades de S. paniculatum está apresentada na Tab. 3. Entre as duas variedades, foram encontradas diferenças significativas (p<0,05) para seis parâmetros a saber: freqüência e diâmetro de vasos; freqüência e largura dos raios; diâmetro e espessura da parede das fibras.

 

Discussão

A diversidade de denominações para o tipo de vegetação de ocorrência das variedades dadas pelos agricultores da região caracteriza fitofisionomias correspondentes ao cerrado, sendo que os tipos chapada para S. paniculatum var. subvelutinum e capão para S. paniculatum var. rubiginosum sugerem que as variedades ocorram em planície de vegetação rasa e em porção de vegetação isolada no meio do campo (manchas), respectivamente (Pires, comunicação pessoal). Estes dados estão de acordo com a literatura para a ocorrência das variedades (Ribeiro & Walter 1998).

Neste trabalho pôde-se observar que os agricultores entrevistados conhecem as espécies pelo nome comum cachamorra, entretanto, na literatura, apenas Carvalho (1994) se refere ao nome cachamorra para o gênero Sclerolobium e este nome, segundo o autor, é usado apenas no Estado do Piauí. A espécie S. paniculatum também é conhecida por outros nomes comuns, dependendo da região em que ocorre: pau-pombo (PI, MA), arapacu, cangalheiro (MG), carvão-de-ferreiro (PA, BA, MG), carvoeiro (DF, GO, MG), carvoeiro-do-cerrado (DF), passariúva (SP), táxi-branco-de-terra-firme (AM, PA), taxirana (RO), veludo (BA) (Carvalho 1994; Paula & Alves 1997).

Com base no levantamento realizado conclui-se que as madeiras das duas variedades estudadas são muito utilizadas em comunidades rurais do sul do Maranhão, sendo a variedade subvelutinum a preferida entre os agricultores. A cachamorra-preta é mais utilizada para estacas, mourões e cercados, e a cachamorra-branca para lenha, carvão, cabo de ferramentas e peças longas. Esta afirmação está de acordo com o citado por B.A.S. Pereira (dados não publicados), Dias et al. (1992), Carvalho (1994), Lorenzi (1998). Apesar dos entrevistados terem informado que a cachamorra-branca cresce mais em altura no campo quando comparada com a cachamorra-preta e que por esse motivo a madeira dessa variedade é utilizada para obtenção de peças longas, não houve diferença significativa (p<0,05) entre os valores de altura para as duas variedades. Também não houve diferença significativa (p<0,05) para o diâmetro das árvores entre as duas variedades.

Não foram encontradas informações na literatura quanto à durabilidade natural e a resistência mecânica da madeira das variedades estudadas, entretanto a maior densidade da madeira da cachamorra-preta, obtida no estudo, poderia estar relacionada com as melhores propriedades indicadas pelos agricultores da região.

As duas variedades apresentam camadas de crescimento irregularmente demarcadas por zonas fibrosas e porosidade difusa, informações já citadas por B.A.S. Pereira (dados não publicados) com as mesmas variedades ocorrentes no Distrito Federal, e por SUDAM (1981), Mainieri et al. (1983) e Mainieri & Chimelo (1989) para o gênero Sclerolobium. A porosidade difusa da madeira é situação comum entre as dicotiledôneas brasileiras (Alves & Angyalossy-Alfonso 2000).

As diferenças anatômicas do lenho das variedades estão relacionadas apenas à variação da freqüência e diâmetro dos vasos, freqüência e largura dos raios e diâmetro e espessura da parede das fibras. A freqüência dos vasos foi comparativamente maior na variedade rubiginosum enquanto que os demais parâmetros foram maiores na variedade subvelutinum.

Neste estudo observou-se que houve diferença quanto à percentagem, freqüência, diâmetro e comprimento de vasos da madeira das variedades subvelutinum e rubiginosum quando comparadas com os resultados obtidos por B.A.S. Pereira (dados não publicados) para as mesmas variedades que ocorrem no Distrito Federal. As madeiras destas variedades, ocorrentes no Distrito Federal (B.A.S. Pereira, dados não publicados), apresentaram maior percentagem de vasos solitários e maior freqüência de vasos (65 e 62% e 5,79 e 6,49 vasos/mm2 para as variedades subvelutinum e rubiginosum, respectivamente) e vasos de menor diâmetro e mais curtos (157 e 249 µm e 172 e 275 µm para a madeira das variedades subvelutinum e rubiginosum, respectivamente), quando comparados com os valores obtidos neste estudo para as madeiras das variedades ocorrentes no sul do Maranhão. A falta de informações sobre os fatores edáficos e climáticos da região de estudo não permite discussão abrangente quanto às variações quantitativas observadas.

A presença de placas de perfuração simples e de pontoações guarnecidas são características da família Leguminosae, entretanto, Alves & Angyalossy-Alfonso (2000) constataram fortes indicações da existência de relação entre pontoações guarnecidas e ambientes secos. As guarnições teriam papel importante na prevenção de embolias, aumentando a aderência das moléculas de água à parede das células (Carlquist 1982; 1983; 1988). A presença das pontoações guarnecidas nos vasos da madeira das variedades estudadas pode estar associada às condições secas do cerrado, uma vez que o cerrado é caracterizado por uma sazonalidade pluvial forte com invernos frios e secos, e apresenta solo compacto e seco nos primeiros metros de profundidade (Ferri 1979; Rizzini 1997; Franco 2002; Oliveira & Marquis 2002).

Parênquima axial vasicêntrico e raios unisseriados e homocelulares são característicos do gênero Sclerolobium (SUDAM 1981; Mainieri et al. 1983; Mainieri & Chimelo 1989; B.A.S. Pereira, dados não publicados). Entretanto, os dados de percentagem de raios unisseriados obtidos por B.A.S. Pereira (dados não publicados) para as variedades subvelutinum e rubiginosum ocorrentes no Distrito Federal, 69% e 80%, respectivamente, são menores em relação aos aqui apresentados (99%).

Apesar das fibras das duas variedades serem classificadas como finas a espessas segundo a classificação do IAWA Committee (1989), a madeira da variedade subvelutinum apresenta maior espessura da parede das fibras quando comparada com a madeira da variedade rubiginosum. A espessura da parede das fibras, a freqüência e diâmetro dos vasos, a quantidade de tecido parenquimático, além de outros fatores podem afetar a densidade da madeira e, conseqüentemente, sua durabilidade natural (Kollmann & Coté 1968; Panshin & De Zeeuw 1980; Zobel & Buijtenen 1989).

Sugere-se que estudos onde sejam incluídas análises das características edáficas e variações climáticas do local de ocorrência das variedades sejam realizados, uma vez que as variedades estudadas podem ocorrer em ambientes diferentes das áreas de cerrado.

 

Agradecimentos

À UNESP, pela concessão da Bolsa do Programa de Apoio ao Estudante (PAE); à Dra. Vera T.R. Coradin e José A.A. Camargos do IBAMA, Brasília, pelo auxílio nas técnicas em anatomia da madeira; ao professor José Elias de Paula e colaboradores, do Departamento de Botânica da Universidade de Brasília, pela identificação das variedades; ao Genivaldo P. Gomes, pela ajuda na coleta do material de campo; a todos os agricultores que responderam ao questionário proposto.

 

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Recebido em 13/04/2004. Aceito em 01/03/2005

 

 

1 Trabalho de Iniciação Científica do primeiro Autor
2 Autor para correspondência: carmen@fca.unesp.br