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Acta Botanica Brasilica

Print version ISSN 0102-3306On-line version ISSN 1677-941X

Acta Bot. Bras. vol.21 no.3 São Paulo July/Sept. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-33062007000300015 

Orchidaceae do Parque Estadual de Ibitipoca, MG, Brasil1

 

Orchidaceae of Ibitipoca State Park, Minas Gerais State, Brazil

 

 

Luiz Menini NetoI, 2; Ruy José Válka AlvesII; Fábio de BarrosIII; Rafaela Campostrini ForzzaIV

IUniversidade Federal de Juiz de Fora, Departamento de Botânica, ICB, Bairro Martelos, 36036-330 Juiz de Fora, MG, Brasil
IIMuseu Nacional, Departamento de Botânica, 20940-040 Rio de Janeiro, RJ, Brasil
IIIInstituto de Botânica, C. Postal 3005, 01061-970 São Paulo, SP, Brasil
IVJardim Botânico do Rio de Janeiro, Rua Pacheco Leão 915, 22460-030 Rio de Janeiro, RJ, Brasil

 

 


RESUMO

O Parque Estadual de Ibitipoca (PEIB) está situado no sudeste do estado de Minas Gerais, entre os municípios de Santa Rita de Ibitipoca e Lima Duarte, a 21º40'-21º44'S e 43º52'-43º55'W. Apresenta em sua área um mosaico de formações vegetais, das quais o campo rupestre ocupa a maior extensão, sendo também encontradas em seus domínios diversas formações florestais. O presente trabalho teve como objetivo o levantamento das espécies de Orchidaceae ocorrentes no PEIB. Foram registrados 118 táxons distribuídos em 47 gêneros. Os gêneros mais numerosos são Pleurothallis sensu lato (13 spp.), Oncidium (12 spp. e um possível híbrido), Epidendrum (10 spp.) e Maxillaria (9 spp.). O estudo da distribuição geográfica dos táxons revelou quatro novos registros para a flora de Minas Gerais e ampliou o conhecimento sobre a distribuição de muitas espécies. Uma comparação com as espécies de orquídeas ocorrentes em outras áreas de campo rupestre conhecidas até o momento demonstra que o PEIB, embora com área relativamente pequena, é uma das regiões com maior número de espécies.

Palavras-chave: campo rupestre, Floresta Ombrófila Densa, floresta nebular, biogeografia


ABSTRACT

Ibitipoca State Park (PEIB) is located in southeastern Minas Gerais, in Santa Rita de Ibitipoca and Lima Duarte municipalities (21º40'-21º44'S; 43º52'-43º55'W). It has a variety of vegetation types, with a predominance of "campo rupestre" (rocky grasslands) mixed with forests. This work aimed to survey Orchidaceae species growing at PEIB. One-hundred-and-eighteen taxa belonging to 47 genera were found. The largest genera are Pleurothallis sensu lato (13 spp.), Oncidium (12 spp. and one probable hybrid), Epidendrum (10 spp.), and Maxillaria (9 spp.). Four species are new records for the flora of Minas Gerais state. Compared to other areas of "campos rupestres", PEIB is one of the most species-rich sites, in spite of having a relatively small area.

Key words: "campo rupestre", Atlantic rain forest, cloud forest, biogeography


 

 

Introdução

O Parque Estadual de Ibitipoca (PEIB) está situado no sudeste do Estado de Minas Gerais, entre os municípios de Santa Rita de Ibitipoca e Lima Duarte. Apresenta em sua área um mosaico de formações vegetais, das quais o campo rupestre ocupa a maior extensão. É a menor unidade de conservação do estado que tem o campo rupestre como sua principal formação, sendo também uma das unidades de conservação mais visitadas no Brasil (Salimena-Pires 1997; Rodela 1998; Vitta 2002). Na segunda edição do Atlas para a conservação da biodiversidade no estado de Minas Gerais, a Serra de Ibitipoca figura entre as áreas prioritárias para a conservação da flora no Estado, citada na categoria de importância biológica especial, o nível mais alto adotado (Drummond et al. 2005).

Desde o século XIX há relatos de vários naturalistas que percorreram a Serra de Ibitipoca, como Auguste de Saint-Hilaire (Saint-Hilaire 1822), Carl August Wilhelm Schwacke, em 1896 (Urban 1906) e Álvaro Astolfo da Silveira, no ano de 1912 (Silveira 1928). Geraldo Mendes Magalhães coletou, na Serra de Ibitipoca, material que viria a ser parte de uma listagem preparada por Ferreira & Magalhães (1977), a primeira realizada para a área, contendo 48 espécies distribuídas em 15 famílias. No fim da década de 1960, o Padre Leopoldo Krieger, então professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), iniciou seus estudos sobre a flora de Ibitipoca, coletando ao longo das décadas seguintes e formando a coleção base para a Flora da Serra de Ibitipoca no herbário CESJ (Salimena-Pires 1997). Desde então, alguns trabalhos que enfocam a Flora do PEIB foram realizados, apresentando listas de espécies ou tratamentos taxonômicos para algumas famílias (Forzza et al. 1994; Andrade & Sousa 1995; M.A. Fontes, dados não publicados; Rodela 1998; Carvalho et al. 2000; Menini Neto & Forzza 2002).

A família Orchidaceae possui aproximadamente 20.000 espécies distribuídas por todo o planeta (Dressler 1993), apresentando alta diversidade no Neotrópico (Christenson 2004). O Brasil abriga cerca de 2.400 espécies (Barros 1996), distribuídas pelos vários ecossistemas, não sendo diferente nos campos rupestres, de modo que muitas vezes figura entre as famílias de maior diversidade (Harley & Simmons 1986; Giulietti et al. 1987; Peron 1989; Alves 1991; Pirani et al. 1994; 2003; Stannard 1995; Zappi et al. 2003). Os campos rupestres e florestas nebulares são reconhecidos por sua grande riqueza de espécies e alto número de endemismos (Gentry 1992; Giulietti et al. 2000), demonstrando a importância dos estudos florísticos no PEIB, em virtude da grande área ocupada por estes dois tipos vegetacionais.

O conhecimento da biodiversidade dos ecossistemas, através de levantamentos florísticos, constitui importante embasamento para a conservação, bem como para uma potencial exploração racional dos recursos e das áreas naturais ainda existentes. Com esse enfoque, o objetivo deste trabalho foi inventariar as espécies de Orchidaceae ocorrentes no Parque Estadual de Ibitipoca, de maneira a ampliar o conhecimento florístico para auxiliar na realização do plano de manejo do Parque. Da mesma forma, o presente estudo é uma contribuição para o conhecimento da Flora de Minas Gerais e da distribuição geográfica das espécies lá ocorrentes.

 

Material e métodos

Área de estudo – O PEIB está situado no sudeste do Estado de Minas Gerais, entre os municípios de Santa Rita de Ibitipoca e Lima Duarte, a 21º40'-21º44'S e 43º52'-43º55'W (Fig. 1). Inicialmente abrangia uma área de 1.488 ha. da Serra de Ibitipoca, ampliada para 1.923,5 ha. no ano de 2004, em novas medições nas quais foram inseridos os paredões de seu entorno (Fig. 4). A área do PEIB é protegida pelo estado desde 1965, sob responsabilidade do Instituto Estadual de Florestas (IEF), tendo-se tornado Parque Estadual em quatro de julho de 1973, pela lei nº 6126 daquele ano (Instituto Estadual de Florestas & Brandt Meio Ambiente 1994).

 

 

 




 

A Serra de Ibitipoca faz parte do Complexo da Mantiqueira, cujo relevo caracteriza-se por escarpas altas ou colinas com altitudes variáveis entre 1.200 e 1.800 m (CETEC 1983). A área do PEIB apresenta altitudes destacadas de seu entorno, no qual predominam colinas mais baixas (Rodela 1998). Possui cotas altimétricas médias de 1.500 a 1.600 m, sendo o ponto mais baixo em torno de 1.200 m de altitude e o ponto culminante, a Lombada ou Pico do Ibitipoca (Fig. 3), na vertente oeste atinge 1.784 m de altitude. Na vertente leste, localiza-se o segundo ponto mais alto do Parque, o Pico do Pião (Fig. 2), com 1.721 m de altitude (Corrêa Neto 1997; Salimena-Pires 1997; Rodela 1998).

O relevo do Parque é bastante escarpado, com paredões e grutas por toda a área. Destacam-se, no relevo, duas cuestas, uma a leste (onde se encontra o Pico do Pião) e outra a oeste (onde se encontra a Lombada), inclinadas para o interior do vale, onde correm o rio do Salto e o córrego da Mata (Corrêa Neto 1997), que se aprofunda para o sul, em direção à queda da cachoeira dos Macacos.

O clima da região é classificado como Cwb (classificação de Köppen): mesotérmico úmido, com verões amenos e invernos secos. A precipitação anual média é de 1.532 mm e a temperatura média de 18,9 ºC (CETEC 1983).

As formações vegetacionais do PEIB apresentam-se como um mosaico de vegetações (Fig. 2-8), havendo várias propostas de denominação de seus tipos. Andrade & Sousa (1995) dividiram o Parque em quatro formações básicas: campo graminoso, campos rupestres (Fig. 5), campo com arbustos e arvoretas (com predominância da Asteraceae conhecida como candeia – Vanillosmopsis erythropappa Schult. Bip.) e capões de mata. Salimena-Pires (1997) diferenciou seis tipos vegetacionais: campos rupestres (senso estrito), campo rupestre arborizado (Fig. 6), campo gramíneo-lenhoso, mata de galeria, Floresta Estacional Semidecidual Montana e brejo estacional. Rodela (1998) apresentou uma divisão em sete tipos vegetacionais no Parque: remanescentes de Floresta Estacional Semidecidual Montana, Floresta Ombrófila Densa Altimontana, mata ciliar (Fig. 7) e capão de mata, cerrado de altitude, campo rupestre, campo herbáceo-graminoso e campo encharcável. As florestas do interior do PEIB foram estudadas por M.A. Fontes (dados não publicados), demonstrando que devem ser classificadas como Florestas Ombrófilas Densas ou nebulares; esse autor reconheceu duas fisionomias distintas: 1) mata alta, onde se destacam duas áreas denominadas "Mata Grande" e "Matinha", com cerca de 94 e 30 ha, respectivamente, perfazendo mais de 30% da cobertura total de florestas do PEIB, com árvores de até 25 m, e 2) mata baixa, onde há predominância de "candeia", com árvores alcançando até 12 m.

Confecção da lista de espécies – Foram realizadas coletas bimestrais durante dois anos, entre os meses de outubro/2003 e outubro/2005. As áreas do Parque foram percorridas de forma aleatória, buscando-se cobrir a maior extensão possível em cada expedição. Os espécimes coletados foram incorporados ao herbário CESJ, com duplicatas nos herbários R e RB. As espécies foram identificadas através de consultas às obras de Rodrigues (1877; 1882), Cogniaux (18931896; 1898-1902; 1904-1906), Hoehne (1940; 1942; 1945; 1949; 1953), Pabst & Dungs (1975; 1977), Sprunger et al. (1996), além das descrições originais dos táxons e comparação com coleções de vários herbários. Além dos espécimes coletados no período acima citado, a listagem foi elaborada a partir de todos os espécimes coletados no Parque, depositados nos seguintes herbários: BHCB, CESJ, HB, MBM, OUPR, RB, SP, SPF, VIC (acrônimos segundo Holmgren et al. 1990). As informações sobre forma de vida e ambiente foram retiradas das etiquetas dos espécimes ou observadas durante os trabalhos de campo.

 

Resultados e discussão

No Parque Estadual do Ibitipoca foram registrados 118 táxons pertencentes a Orchidaceae, distribuídos em 47 gêneros. O gênero que apresenta o maior número de táxons é Pleurothallis sensu lato (13 spp.), seguido por Oncidium (12 spp. e um possível híbrido natural), Epidendrum (10 spp.), Maxillaria (9 spp.), Bulbophyllum (5 spp.), Habenaria (5 spp.), Octomeria (5 spp.) e Stelis (5 spp.). Este número representa um acréscimo considerável em relação às listagens apresentadas por Forzza et al. (1994), Andrade & Sousa (1995) e Menini Neto & Forzza (2002) (Tab. 1).

 

 

As orquídeas ocorrem no PEIB como epífitas (65 spp. – ~55%), rupícolas (36 spp. – ~30%) ou terrestres (42 spp. – ~35%), distribuindo-se pelos vários ambientes e formações vegetacionais. Muitas espécies podem apresentar mais de um tipo de preferência por substrato (Tab. 2) mas, de modo geral, as epífitas são encontradas no interior das matas nebulares e ciliares, havendo poucas epífitas nas áreas campestres ou na transição entre as duas formações; as rupícolas ocorrem, em sua maioria, nas áreas campestres do PEIB; já as terrestres apresentam certo equilíbrio numérico entre as áreas de campo e de mata. Deve ser destacado o alto número de espécies epífitas em comparação às terrestres ou rupícolas, fato curioso em se tratando de uma área cuja principal formação vegetacional é o campo rupestre. Isso se dá em conseqüência da presença de áreas relativamente grandes de florestas existentes no interior do Parque, que proporcionam ambiente mais úmido, propício ao desenvolvimento de epífitas (Fig. 8).

 

 

A análise de material dos herbários e da literatura revelou algumas espécies raras ou pouco coletadas, tanto na região quanto em outros Estados, como: Lankesterella gnomus, Oncidium divaricatum, O. truncatum, Pleurothallis cryptophoranthoides, P. malachantha, P. quartzicola, Pogoniopsis schenckii, Polystachya hoehneana, Ponthieva pubescens e Stelis parvula. É possível que estas espécies sejam realmente raras ou estejam ameaçadas em virtude da destruição de seus habitats. Por outro lado, a lacuna de conhecimento e registro destas espécies pode ser devida ao esforço de coleta insuficiente. Desse modo, mais estudos são necessários para se determinar a real situação de conservação destes táxons.

Novas ocorrências para Minas Gerais, através de material coletado no PEIB foram citadas na listagem preparada por Andrade & Sousa (1995), embora não tenham sido destacadas por aqueles autores no referido trabalho. São elas: Pleurothallis cryptophoranthoides, P. heterophylla e P. malachantha. Deve-se destacar a ocorrência de Stelis parvula, uma espécie anteriormente citada para o México e América Central (http://www.kew.org/ monocotChecklist), (World Checklist of Monocots 2004) e para o Pico das Almas, Bahia (Toscano-de-Brito 1995). A espécie é aqui registrada para Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Uma comparação do número de espécies de Orchidaceae encontradas no PEIB com o de outras áreas já inventariadas, demonstra que no PEIB há uma grande concentração de espécies em uma área relativamente pequena, compatível com outras áreas da Floresta Atlântica, região reconhecidamente rica em espécies de orquídeas (Tab. 3).

 

 

Alguns padrões de distribuição das espécies registradas no PEIB puderam ser verificados com base na literatura (Pabst & Dungs 1975; 1977; Sprunger et al. 1996; World Checklist of Monocots 2004; Toscano de Brito & Cribb 2005) e no material examinado nos herbários visitados:

1) espécies de ampla distribuição ao longo da região neotropical: Cyclopogon lineatus, Epidendrum difforme, E. ramosum, E. rigidum, E. secundum, Galeandra beyrichii, Isochilus linearis, Malaxis excavata, Octomeria grandiflora, Prosthechea vespa, Prescottia stachyodes, Sacoila lanceolata, Scaphyglottis modesta e Stelis aprica;

2) espécies com distribuição ampla, mas descontínua, na América do Sul: Elleanthus brasiliensis, Epidendrum armeniacum, E. dendrobioides, Habenaria parviflora, Maxillaria notylioglossa, M. ochroleuca, Stelis intermedia e S. papaquerensis;

3) espécies distribuídas predominantemente no domínio da Floresta Atlântica e nos Andes: Epidendrum armeniacum, Masdevallia infracta, Pleurothallis rubens, P. saundersiana, P. tricarinata e Ponthieva pubescens;

4) espécies distribuídas pelos estados das regiões Sudeste e Sul do Brasil e Argentina: Aspidogyne bidentifera, Cattleya loddigesii, Cranichis candida, Gomesa recurva, Isabelia virginalis, Maxillaria rupestris, Oncidium longipes, O. varicosum e Stigmatosema polyaden;

5) espécies distribuídas pelos estados das regiões Sudeste e Sul e Bahia: Bifrenaria aureofulva, Dichaea cogniauxiana, Grobya amherstiae, Maxillaria gracilis, Oncidium hookeri, Pleurothallis heterophylla e Zygopetalum mackayi;

6) espécies com distribuição predominante no domínio da Floresta Atlântica nas regiões Sudeste e Sul do Brasil: Aspidogyne commelinoides, Bifrenaria harrisoniae, B. vitellina, Bulbophyllum glutinosum, B. luederwaldtii, Cattleya loddigesii, Centroglossa macroceras, Epidendrum parahybunense, Eurystyles cogniauxii, Gomesa glaziovii, Habenaria rolfeana, Maxillaria acicularis, M. brasiliensis, M. madida, Octomeria alpina, O. diaphana, O. wawrae, Oncidium truncatum, Pleurothallis cryptophoranthoides, P. hypnicola, P. luteola, P. malachantha, P. marginalis, P. quartzicola, Promenaea xanthina, Prosthechea allemanoides, Polystachya hoehneana, Stelis megantha, Thysanoglossa organensis e Zygopetalum triste;

7) espécies exclusivas dos campos rupestres do estado de Minas Gerais: Hoffmannseggella caulescens, H. crispata, Pleurothallis modestissima (Cadeia do Espinhaço e campos rupestres do sul e sudeste do estado), P. johannensis (apenas nos campos do sul e sudeste de MG).

Conservação – O Parque Estadual de Ibitipoca é muito visitado por turistas ao longo de todo o ano. Estima-se que o número de visitantes alcance os 40.000 por ano (Menini Neto & Forzza 2002). Tal visitação muitas vezes coloca em risco populações de espécies com alto potencial ornamental. Além da pressão de coleta ilegal exercida por parte dos turistas, a criação de trilhas sem a orientação dos funcionários, bem como a erosão de trilhas já existentes, pode atingir diretamente as populações de algumas espécies.

Dentre as espécies registradas no Parque, seis figuram na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção da Flora de Minas Gerais (Mendonça & Lins 2000), sendo apresentadas com status variados: Bulbophyllum warmingianum, Cattleya bicolor, C. loddigesii, Hadrolaelia coccinea (citada como Sophronitis coccinea), Oncidium warmingii e Zygopetalum triste. Destas, apenas B. warmingianum e O. warmingii apresentam populações grandes e largamente distribuídas pela área do Parque. As espécies de Cattleya são conhecidas apenas de uma coleta cada, sendo muito raras no local. Hadrolaelia coccinea, segundo informações de funcionários e guias do Parque, é a espécie que mais sofreu com a coleta predatória exercida pelos visitantes, tendo seu número reduzido visivelmente nos últimos anos, em virtude de seu alto potencial ornamental e pequeno tamanho, o que facilita sua retirada do local. Zygopetalum triste ainda apresenta algumas pequenas populações na parte alta do Parque (acima dos 1.500 m de altitude).

 

Agradecimentos

Ao IEF-MG, em especial à administração e aos funcionários do Parque por todo apoio e incentivo para o desenvolvimento deste trabalho; à FAPERJ pela bolsa concedida ao primeiro autor (processo E-26/151779/2003); ao Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas (Botânica) do Museu Nacional/UFRJ; ao CNPq, pela Bolsa de Produtividade em Pesquisa recebida pelo terceiro autor (processo 303962/20046); ao Dr. Jefferson Prado pelo auxílio na revisão do abstract.

 

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Recebido em 10/04/2006. Aceito em 17/01/2007

 

 

1 Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro Autor. Programa de pós-graduação em Ciências Biológicas (Botânica) do Museu Nacional/UFRJ
2 Autor para correspondência: menini_neto@hotmail.com

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