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Acta Botanica Brasilica

Print version ISSN 0102-3306On-line version ISSN 1677-941X

Acta Bot. Bras. vol.22 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-33062008000100024 

Caracterização florística de comunidades vegetais de restinga em Bertioga, SP, Brasil

 

Floristic characterization of "restinga" plant communities at Bertioga, São Paulo State, Brazil

 

 

Suzana Ehlin MartinsI, 1; Lucia RossiI; Paulo de Salles Penteado SampaioII; Mara Angelina Galvão MagentaII

IInstituto de Botânica, C. Postal 3005, 01061-970 São Paulo, SP, Brasil
IIUniversidade Santa Cecília, C. Postal 734, 11045-907 Santos, SP, Brasil

 

 


RESUMO

O município de Bertioga, no litoral central do Estado de São Paulo, apresenta grandes extensões de restingas ainda preservadas, com reduzido número de coletas de material botânico. A rápida devastação desse tipo de ambiente, por pressão de empreendedores do ramo imobiliário e outras intervenções antrópicas, torna urgente a compilação de dados que subsidiem estratégias conservacionistas. Nesse aspecto, é aqui apresentada a caracterização florística das comunidades vegetais da região que abrange as restingas de Itaguaré, São Lourenço e Guaratuba, situada entre 23º44'-23º46'S e 45º55'-46º02'W. A classificação das comunidades vegetais seguiu, sempre que possível, os critérios estabelecidos pela Resolução CONAMA n. 7/96, legislação ambiental federal, que aprova diretrizes para análise dos estágios de sucessão de vegetação de restinga para o Estado de São Paulo. Foram reconhecidas as comunidades vegetais de Praia e Dunas (33 espécies), Escrube (101), Floresta Alta de Restinga (301), Floresta Alta de Restinga Úmida (434) e Vegetação Entre Cordões (45). Foram registradas 611 espécies, representando 351 gêneros distribuídos em 106 famílias, das quais as de maior riqueza específica são: Orchidaceae (47 espécies), Myrtaceae (39), Bromeliaceae (36), Asteraceae (35), Rubiaceae (34), Fabaceae (32), Cyperaceae (23), Melastomataceae (19), Poaceae (19) e Solanaceae (15).

Palavras-chave: restinga, florística, comunidades vegetais, Bertioga


ABSTRACT

The municipality of Bertioga, located on the central coast of São Paulo state, still has large areas of preserved 'restingas', where few botanical collections have been made. The rapidly growing devastation of this type of environment due to real-estate development and other human interventions makes urgent the need for data that support conservation strategies. For this reason, we characterize floristically the plant communities of the 'restingas' of Itaguaré, São Lourenço and Guaratuba (23º44'-23º46'S; 45º55'-46º02'W). Community classification followed, as closely as possible, the criteria established by Resolution n. 7/96 of the National Environment Council (CONAMA). The plant communities found were Beaches and Dunes (33 species), Scrub (101), Tall Restinga Forest (301), Tall Wet Restinga Forest (434) and Swale Vegetation (45). One-hundred-six families, 351 genera, 611 species were recorded, the most species-rich being: Orchidaceae (47 species), Myrtaceae (39), Bromeliaceae (36), Asteraceae (35), Rubiaceae (34), Fabaceae (32), Cyperaceae (23), Melastomataceae (19), Poaceae (19) and Solanaceae (15).

Key words: restinga, flora, plant communities, Bertioga


 

 

Introdução

O termo restinga possui diversos significados na literatura brasileira, que já foram bem explorados por Suguio & Tessler (1984) e Suguio & Martin (1990). Uma das formas de emprego do termo é no sentido botânico, segundo o qual ele representa o conjunto das comunidades vegetais fisionomicamente distintas, sob influência marinha e flúvio-marinha, ocorrendo sobre os depósitos arenosos costeiros (Araújo & Henriques 1984; Cerqueira 2000).

No litoral Sudeste do Brasil, as escarpas de rochas do Complexo Cristalino Pré-Cambriano da Serra do Mar alcançam o mar em diversos locais. Assim, a costa sudeste é freqüentemente recortada, apresentando-se repleta de pequenas enseadas, com costões rochosos e praias estreitas (Araújo 1987; Suguio & Tessler 1984). As planícies arenosas apresentam grande variedade de comunidades e espécies vegetais devido à diversidade de sua topografia e das condições ambientais que ali vicejam, incluindo influências marinhas e continentais (Araújo 1984). Com relação ao Estado de São Paulo, Souza et al. (1997) apresentaram um estudo no qual classificaram o litoral em sete setores, determinados pelas correlações entre as variações geológicas e geomorfológicas, e as diferenças fisionômicas da vegetação das planícies costeiras.

As classificações das fisionomias vegetais das restingas são, diversas vezes, muito simples e pouco precisas, outras conflitantes ou redundantes, provavelmente devido à falta de conhecimento de sua composição florística. Estudos recentes, propondo classificações para as diversas fisionomias, foram efetuados por Henriques et al. (1986), no Rio de Janeiro, Waechter (1990), no Rio Grande do Sul, e Pereira (1990), no Espírito Santo. Na classificação de Veloso et al. (1991) as diversas fisionomias de restinga estão englobadas na unidade "Formações Pioneiras com Influência Marinha". Recentemente, Silva & Britez (2005) propuseram uma classificação fisionômica com base em critérios bastante objetivos e considerando a necessidade de se uniformizar a nomenclatura adotada, fortemente influenciada por abordagens regionais. No Estado de São Paulo foi estabelecida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA (1996) uma classificação que serve de embasamento legal para fins de controle ambiental e avaliação de impactos ao meio ambiente.

Diferentemente do litoral dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que possuem diversos levantamentos de flora em restinga (Pereira & Araújo 2000), as comunidades vegetais deste ambiente, no Estado de São Paulo, ainda não foram completamente estudadas. Os levantamentos florísticos e fitossociológicos existentes foram efetuados principalmente em unidades de conservação, e concentram-se no litoral sul, nos municípios de Peruíbe, Ilha Comprida, Iguape e Cananéia (De Grande & Lopes 1981; Kirizawa et al. 1992; Sugiyama & Mantovani 1993; Sugiyama 1998a, 1998b; Carvalhaes & Mantovani 1998; Sztutman & Rodrigues 2002; Souza & Capellari Jr. 2004) e norte, nos municípios de Caraguatatuba e Ubatuba (Furlan et al. 1990; Mantovani 1992; Garcia & Monteiro 1993; Ribeiro & Monteiro 1993; Romero & Monteiro 1993; Cesar & Monteiro 1995; M.A. Assis, dados não publicados). Para o litoral central, as informações são ainda mais escassas, restringindo-se a descrições florísticas genéricas (Andrade & Lamberti 1965), inventários florestais (França & Rolim 2000) e estudos em fragmentos florestais (Girardi 2005; Guedes et al. 2006).

Lacerda & Esteves (2000) consideram que as restingas, devido ao longo tempo de ocupação, encontram-se, de alguma maneira, alteradas, total ou parcialmente degradadas, tornando-se difícil, segundo Araújo (1984), identificar a vegetação primitiva destas planícies arenosas do litoral brasileiro. A Região Metropolitana da Baixada Santista não é diferente e vem apresentando uma acelerada urbanização, influenciada por atividades turísticas, portuárias e industriais, que colocam em risco a sobrevivência das florestas de restinga e dos morros isolados, na planície litorânea. Da totalidade das florestas de restinga originalmente existente nesta região restam, com estrutura fisionômica e composição florística preservadas, aproximadamente 22% (90 km2). Deste total, 88 km2 situam-se em mancha praticamente contínua na porção setentrional da Planície de Bertioga. O restante, que corresponde a 323 km2 (78%), está alterado por desmatamentos, extração de areia, influência da poluição industrial; sendo 162 km2 ocupados por estruturas urbanas, industriais e rurais (Silva et al. 1993).

Este levantamento visa contribuir para o conhecimento da região costeira do Estado, cobrindo a lacuna existente entre os litorais sul e norte e atender à demanda de informações que possam subsidiar estudos de impacto ambiental, projetos de manejo e conservação de áreas protegidas e a recuperação de áreas degradadas.

 

Material e métodos

O estudo foi realizado na região norte do município de Bertioga-SP, nas localidades denominadas Itaguaré, São Lourenço e Guaratuba, compreendidas entre as coordenadas geográficas 23º44' - 23º46'S e 45º55' - 46º02'W.

Pelo sistema de Köppen, o clima da região pertence ao tipo "Af", tropical úmido ou super úmido, com chuvas distribuídas durante todo o ano (Setzer 1966). Segundo os dados climatológicos da estação meteorológica do DAEE, em Bertioga (23º45,6'S, 46º04,2'W), obtidos entre 1941 e 1970, a temperatura média anual é de 24,8 ºC, com média mensal mais baixa de 20,7 ºC em julho e mais elevada de 28,3 ºC, em fevereiro. É uma das mais úmidas regiões do Brasil, com precipitação média de 3.200 mm anuais, com menor pluviosidade média em julho (111 mm) e maior em fevereiro (410 mm). No ano ocorre excedente hídrico de 1.796 mm, não se observando períodos com déficit hídrico (Sentelhas et al. 1999).

Na região de estudo, as áreas de vegetação amostradas foram selecionadas por meio de consultas cartográficas, fotos aéreas e imagens de satélite, de forma a contemplar todas as fisionomias vegetais em bom estado de preservação e com condições de acesso para a coleta de material botânico. A vegetação desta região abrange o gradiente fisionômico e florístico desde as comunidades herbáceas de praia até as formações florestais de restinga, situadas próximas ao sopé da Serra do Mar.

Neste estudo, as formações vegetais foram analisadas, sempre que possível, segundo os critérios da Resolução CONAMA n. 7, de 23 de junho de 1996, utilizada oficialmente no Estado de São Paulo. Nesta Resolução, as classes são divididas em: Vegetação de Praias e Dunas, Vegetação Sobre Cordões Arenosos (Escrube, Floresta Baixa de Restinga, Floresta Alta de Restinga) e Vegetação Associada às Depressões (Entre Cordões Arenosos, Brejo de Restinga, Floresta Paludosa, Floresta Paludosa sobre Substrato Turfoso).

A região de Bertioga é representada por planícies costeiras de menor porte, com presença esparsa de restos de terraços marinhos pleistocênicos e sistemas fluviais atuais transversais e paralelos à linha de costa, estes últimos instalados sobre pequenas lagunas holocênicas colmatadas. A Vegetação de Praias é restrita a poucas áreas sem erosão praial. As fisionomias de Dunas, Brejo de Restinga e Floresta Paludosa ocorrem em áreas reduzidas, estando as duas últimas associadas a paleolagunas. A Floresta Baixa de Restinga desenvolve-se em faixa estreita paralela ao mar e às áreas ocupadas por vegetação entre cordões (Souza et al. 1997).

Embora represente o trecho mais bem preservado do litoral central de São Paulo, ainda assim apresenta alterações por intervenções antrópicas antigas, como o resquício da antiga estrada que ligava Bertioga a São Sebastião, atualmente com vegetação em regeneração, ou mais recentes, como os alagamentos provocados pela construção da rodovia Manoel Hipólito do Rego (Rio-Santos), na década de 1970, que alterou o fluxo das águas superficiais e subsuperficiais, além da extração de palmito (Euterpe edulis) e caxeta (Tabebuia cassinoides).

A área da praia de Itaguaré foi escolhida por abrigar uma das mais preservadas comunidades vegetais de restinga do litoral central do Estado de São Paulo, com exceção da porção sul, próxima à praia, que sofreu desmatamentos, para a implantação de condomínios residenciais e algumas alterações pontuais, como trilhas antigas e novas, essas últimas abertas para a prática de motociclismo. As áreas de Guaratuba e São Lourenço situadas, respectivamente, ao norte e ao sul de Itaguaré, encontram-se urbanizadas nos trechos próximos à praia; porém ocorrem áreas bastante preservadas em direção à Serra do Mar.

As coletas de material botânico constituídas exclusivamente por fanerógamas, foram efetuadas de agosto/1998 a abril/2002, percorrendo-se os caminhos e trilhas existentes, de modo a abranger a maior área possível e amostrar todas as fisionomias encontradas, com exceção de Florestas Paludosas e Brejos de Restinga, restritas a pequenas áreas da planície de inundação do rio Itaguaré com limitações de acesso e percorridas esporadicamente. As áreas degradadas por ação antrópica também tiveram a vegetação amostrada. As exsicatas estão depositadas no Herbário da Universidade Santa Cecília, com duplicatas no Herbário do Instituto de Botânica de São Paulo (SP).

A identificação das espécies foi realizada através de literatura específica, consulta a especialistas e comparação com material depositado no Herbário do Instituto de Botânica de São Paulo (SP). A listagem dos táxons foi organizada em ordem alfabética de família, gênero e espécie. Foi utilizado o sistema de classificação do APG II (2003).

Para cada espécie, foi indicada a forma biológica, classificada em arbórea (incluindo árvores, arvoretas e palmeiras), arbustiva (incluindo arbustos e subarbustos), herbácea (incluindo terrestres, saprófitas e aquáticas), epífita (incluindo hemi-epífita), liana (incluindo herbáceas e lenhosas) e hemiparasita. As ocorrências de espécies e formas biológicas foram comparadas com as de outros levantamentos em restinga do litoral Sul-Sudeste. Para avaliação de similaridade florística e freqüência dessas formas, foram considerados dois trabalhos com metodologia similar a este: S.M. Silva, dados não publicados, na Ilha do Mel, PR, e M.A. Assis, dados não publicados, em Picinguaba, SP.

Para a caracterização das diferentes fisionomias vegetais foram observados tipo de substrato, presença e altura da camada de serapilheira, altura dos estratos e suas principais espécies.

 

Resultados e discussão

Riqueza em espécies e formas de vida – Para o conjunto de locais estudados nas diferentes fitofisionomias da região de Bertioga, foi amostrado um total de 611 espécies pertencentes a 351 gêneros e 106 famílias. Na Tab. 1 são apresentadas todas as espécies amostradas, com a indicação da fisionomia de ocorrência e a forma biológica observada. A Tab. 2 apresenta o número de espécies e a freqüência das formas biológicas das fanerógamas encontradas na vegetação de restinga em Bertioga e em restingas situadas ao sul (Ilha do Mel) e ao norte (Picinguaba) da área de estudo.

 









 

 

 

As dez famílias mais importantes, com relação ao número de espécies, são: Orchidaceae, Myrtaceae, Bromeliaceae, Rubiaceae, Asteraceae, Fabaceae, Cyperaceae, Melastomataceae, Poaceae e Solanaceae. Esta composição é bastante similar às apontadas por Pereira & Araújo (2000), na comparação entre as restingas dos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Da mesma forma que nos estudos citados, a somatória das espécies destas famílias totaliza cerca de 50% do total das presentes nas áreas estudadas. Entre os gêneros, destacam-se Eugenia com 17 espécies, Mikania com 12 e Vriesea com 10.

Em relação às formas biológicas, em Bertioga houve predomínio das arbóreas com 195 espécies. Myrtaceae, com 39 espécies, destaca-se como a família de maior riqueza específica (20% das arbóreas). Apesar do predomínio de arbóreas, estas representam apenas cerca de 30% das espécies da flora das restingas citadas na Tab. 1. Em levantamentos de Floresta Ombrófila Densa, as árvores representam cerca de 50% do total de fanerógamas (Lima & Guedes-Bruni 1994; Ivanauskas 2001). Tais resultados refletem a formação de mosaicos de vegetação que apresentam um gradiente entre formações campestres e florestais, que em geral são menos densas, aumentando a disponibilidade de luz nos estratos inferiores e favorecendo o epifitismo.

Como espécies arbóreas comuns nas restingas do Estado de São Paulo, destacam-se Amaioua intermedia, Andira fraxinifolia, Calophyllum brasiliense, Clusia criuva, Eugenia stigmatosa, Guapira opposita, Ilex theezans, Ilex dumosa, Maytenus robusta, Myrcia multiflora, Nectandra oppositifolia, Ocotea pulchella, Pera glabrata, Psidium cattleyanum, Tabebuia cassinoides e Tapirira guianensis. Estes táxons ocorrem em mais de 75% dos levantamentos consultados (De Grande & Lopes 1981; Mantovani 1992; Sugiyama 1998a; Carvalhaes & Mantovani 1998; Guedes et al. 2006; M.A. Assis, dados não publicados, e o presente estudo). A maioria deles apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo em vários ecossistemas do Estado de São Paulo, com exceção de Tabebuia cassinoides e Eugenia stigmatosa que são restritas à restinga e à Floresta Ombrófila Densa.

As herbáceas estão representadas por 181 espécies (27% do total), com destaque para Cyperaceae (23 espécies) e Poaceae (19), ocorrendo principalmente em Praia e Dunas, Escrube e em áreas degradadas ou em regeneração. No estrato herbáceo das formações florestais, as famílias com maior riqueza em espécies são: Orchidaceae (12), Rubiaceae (10), Bromeliaceae (nove) e Acanthaceae (oito).

As seguintes herbáceas podem ser consideradas raras no Estado de São Paulo: Plantago catharinea e Portulaca striata, ocorrentes na fisionomia de Praia e Dunas, e Schultesia gracilis, em terrenos arenosos de locais degradados. Duas espécies representaram o primeiro registro para o Estado: Tonina fluviatilis e Syngonanthus chrysanthus (Eriocaulaceae), a primeira ocorrendo em beira de trilhas, e a segunda sobre terrenos alterados, com solos residuais sujeitos ao encharcamento.

As epífitas somam 96 espécies, representando 15% da flora analisada, e apresentam Orchidaceae (35), Bromeliaceae (34) e Araceae (11) como as famílias com maior riqueza. Muitas epífitas podem também apresentar hábito terrestre.

Considerando a elevada umidade da região e a menor densidade do dossel das fisionomias florestais, já era esperada uma elevada riqueza em epífitas. A mesma tendência é observada na Ilha do Mel e em Picinguaba. Nestes locais, embora a precipitação anual seja um pouco inferior, o ambiente é úmido durante todo o ano e a proporção de epífitas é praticamente a mesma que a observada em Bertioga (Tab. 1). Em proporção um pouco menor, o favorecimento ao desenvolvimento dessas plantas foi observado em levantamentos efetuados em Floresta Ombrófila Densa (Ivanauskas 2001; Groppo 2005; Garcia 2005). Vale lembrar que em regiões com períodos de estiagem bem definidos, como em Floresta Estacional Semidecidual e Cerrados, a proporção de epífitas chega a menos de 1% (Mantovani & Martins 1993; Batalha et al. 1997; Stranguetti & Taroda-Ranga 1998).

Entre os 96 representantes de lianas, as famílias com maior número de espécies são: Asteraceae, com 15 espécies e Malpighiaceae e Fabaceae, com nove espécies cada. As lianas representam para a flora desta região 15% das espécies, valor próximo ao de outros levantamentos efetuados em restinga e em Floresta Ombrófila Densa, enquanto que na Floresta Estacional Semidecidual, estas contribuem com cerca de 40% das espécies (P.S.P. Sampaio, dados não publicados). Como lianas características de restinga, destacam-se Bomarea edulis, Calopogonium mucunoides, Centrosema virginianum, Dioscorea monadelpha, Elachyptera micrantha, Ipomoea phyllomega, Ipomoea tiliacea, Jacquemontia blanchetii, Matelea denticulata, Mikania argyreiae, Mikania involucrata, Oxypetalum alpinum, Oxypetalum banksii, Piptocarpha leprosa, Stigmaphyllon arenicola e Stigmaphyllon ciliatum.

As plantas de hábito arbustivo totalizaram 89 espécies, correspondendo a cerca de 13% do número total de espécies, sendo Rubiaceae (14 espécies) e Melastomataceae (10) as famílias mais representativas.

Aspectos das comunidades vegetais de restinga – A variação na vegetação de restinga, refletida nas diversas fitofisionomias estudadas, está intimamente relacionada à variação dos fatores abióticos presentes neste ecossistema - tipo de substrato (arenoso, orgânico), níveis de nutrientes e salinidade, profundidade do lençol freático, proximidade da praia ou de manguezais, regime hídrico, entre outros (Henriques et al. 1986; Silva & Britez 2005).

A classificação adotada na Resolução CONAMA 07/96, no entanto, não abrange todas as fisionomias encontradas na região de Bertioga, ocorrendo diferenças no padrão florístico (espécies predominantes), na caracterização do substrato (presença de turfa, espessura da camada de serapilheira) e regime de inundação. Essas diferenças foram verificadas no Escrube, com uma espessura maior da camada de serapilheira; na Floresta Alta de Restinga, com pequenas diferenças na composição florística e também na espessura da camada de serapilheira. Na fisionomia de Vegetação Entre Cordões, houve correspondência apenas na composição florística. Em Bertioga, existe uma formação florestal que não se enquadra em nenhuma classe estabelecida pelo CONAMA, diferindo da Floresta Paludosa sobre Substrato Turfoso, pelo regime de inundação, que aqui é temporário, e pela ausência de turfeiras. Para esta formação foi então adotada a denominação preliminar de Floresta Alta de Restinga Úmida, proposta por Souza (2006).

Praias e dunas – As praias e dunas são ocupadas por vegetação herbácea a subarbustiva, numa estreita faixa paralela ao mar, em substrato arenoso, com serapilheira inexistente ou inconspícua. Nas praias, nas porções mais elevadas, as plantas crescem sobre substrato móvel e freqüentemente atingido pelas marés de sizígia, compostas principalmente por espécies herbáceas reptantes, rizomatosas e cespitosas, de 40 cm de altura. Nesta fisionomia foram amostradas, na praia de Itaguaré, 33 espécies, das quais se destacam, como exclusivas: Acicarpha spathulata, Ambrosia elatior, Blutaparon portulacoides, Cenchrus echinatus, Chloris retusa, Ipomoea imperati, Ipomoea pescaprae, Sporobulus virginicus e Stenotaphrum secundatum.

A vegetação da anteduna, ocorrendo sobre terraços não atingidos pelas marés, é mais fechada e composta por espécies herbáceas a subarbustivas, com até 60 cm de altura. Em Bertioga foram encontradas, como plantas características desta fisionomia, as seguintes espécies: Cenchrus echinatus, Centrosema virginianum, Chloris retusa, Desmodium incanum, Diodella radula, Polygala cyparissias, Richardia brasiliensis, Sebastiania corniculata, Sphagneticola trilobata, Sporobulus virginicus, Stigmaphyllon arenicola e Stylosanthes viscosa.

Escrube – Formação arbustiva fechada, bastante densa, com altura de 1 a 4 metros, modelada pelo vento e exposta à salinidade proveniente de borrifos marinhos, ocupando o primeiro cordão arenoso. A camada de serapilheira é relativamente espessa (cerca de 4 cm), porém a camada orgânica do substrato é muito fina (menos que 0,5 cm de espessura). Esta descrição corresponde a área de Escrube encontrada na região da praia de Itaguaré, onde foram identificadas 101 espécies. Na região mais próxima à praia, a vegetação é composta por espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas nanificadas, com predominância de Ananas fritzmuelleri, Bromelia antiacantha, Cordia curassavica, Dalbergia ecastaphyllum, Epidendrum fulgens, Guapira opposita, Heteropterys aenea, Heteropterys intermedia, Lantana undulata, Mikania micrantha, Paullinia micrantha, Psidium cattleyanum, Quesnelia arvensis, Schinus terebinthifolius, Smilax elastica, Sophora tomentosa, Tetracera sellowiana e Tibouchina clavata. Em direção ao interior, a vegetação torna-se mais alta, com espécies arbustivas e pequenas árvores, como Eugenia speciosa, Guapira opposita, Maytenus littoralis, Psidium cattleyanum, Schinus terebinthifolius e Tocoyena bullata.

Floresta Alta de Restinga – Ocupa grande parte da área de estudo, situando-se na praia de Itaguaré e na porção interior de Guaratuba. Foi caracterizada como uma formação florestal predominantemente arbórea com dossel fechado, sobre substrato arenoso escuro devido à presença de matéria orgânica até cerca 45 cm de profundidade. Apresenta uma camada delgada de serapilheira (menos que 1 cm de espessura), recobrindo uma trama de raízes superficiais com cerca de 10 cm de espessura. O terreno, embora geralmente não inundável, apresenta depressões inundáveis durante o período chuvoso. O dossel tem 15 a 18 m de altura, com árvores emergentes que podem atingir até 25 m. Os estratos são bem definidos e possuem grande quantidade e riqueza de epífitas, representadas principalmente por orquidáceas, bromeliáceas e aráceas. A Floresta Alta de Restinga apresenta grande riqueza florística, totalizando 301 espécies, das quais as formas biológicas predominantes em número de espécies são as arbóreas, com 40% do total, herbáceas com 20% e epífitas 19%. O dossel é formado principalmente por Heisteria silvianii, Humiriastrum dentatum, Licania nitida, Maprounea guianensis, Nectandra oppositifolia, Ocotea aciphylla, Ocotea teleiandra, Schefflera angustissima, Sloanea guianensis e Xylopia brasiliensis. Entre as emergentes, destacam-se Manilkara subsericea, Balizia pedicellaris, Syagrus pseudococos e Eriotheca pentaphylla. No estrato médio são muito freqüentes as mirtáceas, tais como Eugenia oblongata, Eugenia riedeliana, Eugenia sulcata e Eugenia velutiflora. Também podem ser citadas Garcinia gardneriana, Guapira opposita, Guapira nitida, Guatteria hilariana e Podocarpus sellowii, entre outras. O estrato herbáceo é composto principalmente por bromeliáceas, formando um mosaico de manchas uniespecíficas, constituídas por Ananas fritzmuelleri, Nidularium innocentii e Quesnelia arvensis.

Floresta Alta de Restinga Úmida – Esta fisionomia, situada sobre paleolagunas colmatadas que se estendem em praticamente toda região existente entre a rodovia SP-55 e o sopé da Serra do Mar é a mais extensa entre as estudadas aqui. Foi caracterizada como uma formação florestal com fisionomias bastante diversificadas, relacionadas principalmente à oscilação do lençol freático ao longo do ano. O substrato é variável, com uma camada superficial de matéria orgânica humificada, variando de cerca de 20 cm a mais de 1 metro de profundidade, podendo ocorrer lentes de material argiloso. O solo é inundável na época de chuvas, e mantém o lençol freático praticamente aflorante, em geral a cerca de 15-30 cm de profundidade, mesmo nos períodos mais secos. A camada de serapilheira é fina (menos de 1 cm de espessura). A trama de raízes superficiais é densa, com 5-8 cm de espessura. Muitos indivíduos arbóreos apresentam raízes tabulares e o sistema radicular superficial. Nas áreas inundadas durante períodos mais curtos (somente na estação chuvosa), a floresta possui dossel de fechado a aberto e altura em torno de 15 a 17 metros, com emergentes de até 27 m. Em alguns trechos a estratificação é pouco definida. Nesta categoria fisionômica foram encontradas 434 espécies, sendo 37% arbóreas, 22% herbáceas, 17% epífitas e 17% lianas. É a formação de maior riqueza em espécies entre as fisionomias estudadas em Bertioga. A composição do dossel é variável, muitas vezes havendo dominância de uma ou outra espécie. Entre as mais características deste estrato, destacam-se: Alchornea triplinervia, Balizia pedicellaris, Calophyllum brasiliense, Eriotheca pentaphylla, Eugenia sulcata, Manilkara subsericea, Marlierea cf. parviflora, Nectandra oppositifolia, Schefflera angustissima, Sloanea guianensis, Tabebuia cassinoides e Tabebuia umbellata. Como componente do subdossel, são encontradas Amaioua intermedia, Calyptranthes concinna, Diospyros brasiliensis, Euterpe edulis, Garcinia gardneriana, Gomidesia shaueriana, Guapira opposita, Eugenia neolanceolata, Eugenia riedeliana, Marlierea obscura, Marlierea tomentosa, Myrcia acuminatissima e diversas outras mirtáceas. As emergentes, com alturas entre 19 e 23 m (às vezes chegando aos 27 m), são representadas por Balizia pedicellaris, Calophyllum brasiliense, Eriotheca pentaphylla, Manilkara subsericea e Tapirira guianensis. No sub-bosque, dominam Bactris setosa, Endlicheria paniculata, Euterpe edulis, Guarea macrophylla, Ixora burchelliana, Miconia fasciculata, Mollinedia schottiana, Psychotria carthagenensis, entre outras rubiáceas. O solo, em alguns trechos menos inundáveis, encontra-se recoberto principalmente por bromeliáceas (Nidularium innocentii, Nidularium procerum), marantáceas (Calathea communis), rubiáceas e pteridófitas. As epífitas ocorrem em grande quantidade de indivíduos e são representadas por bromeliáceas (Aechmea, Nidularium, Tillandsia, Vriesea), gesneriáceas (Codonanthe, Nematanthus), orquidáceas, aráceas e ciclantáceas (Thoracocarpus bissectus). Dentre as lianas, são comuns Forsteronia leptocarpa, Mucuna urens e Parabignonia unguiculata. Nos trechos onde a água permanece aflorante por períodos mais longos do ano, tais como as beiras de córregos e depressões do terreno, a vegetação florestal é baixa, com altura em torno dos 6 metros, apresentando indivíduos bastante ramificados, dossel aberto, estratos pouco definidos e presença de espécies arbóreas higrófilas, tais como Coussapoa microcarpa, Eugenia monosperma, Garcinia gardneriana, Inga edulis, Maytenus littoralis, Randia armata e Tocoyena bullata.

Vegetação Entre Cordões – É uma fisionomia herbáceo-arbustiva aberta, localizada sobre substrato arenoso consolidado, inundável. Naturalmente, ocorreriam nos Entre Cordões arenosos e em áreas originadas de assoreamento de antigas lagoas, lagunas e braços de rio ou pelo afloramento de lençol freático. Na região de estudo, no entanto, foi encontrada somente nos locais onde houve extração de areia dos cordões arenosos, desenvolvendo-se sobre a piçarra remanescente, que é bastante impermeável. Sua inclusão nesta classe da Resolução CONAMA, deveuse exclusivamente às semelhanças na composição florística. Nestes locais degradados existe uma comunidade vegetal bastante peculiar, composta principalmente por Drosera capillaris, Eleocharis filiculmis, Eleocharis geniculata, Eleocharis nana, Fimbristylis miliacea, Syngonanthus chrysanthus, Tibouchina clavata, Tibouchina urvilleana, Xyris jupicai e Xyris savanensis, Pequenas árvores também podem ser encontradas, tais como Ilex pseudobuxus, Myrcia palustris, Rapanea ferruginea e Tocoyena bullata. Nas épocas chuvosas, pode ficar coberta por uma lâmina d'água, com o desenvolvimento de plantas aquáticas, como Nymphoides indica e Utricularia gibba. Estas comunidades, de ocorrência muito restrita, apresentam reduzida riqueza florística, totalizando 45 espécies, com predomínio de plantas herbáceas (77% das espécies); tal fato reflete as condições edáficas, que condicionam uma vegetação especializada, tolerante à inundação e à compactação e pobreza do substrato.

Outras fisionomias – Além das fisionomias já descritas, ocorrem ainda o Brejo de Restinga, a Floresta Paludosa (caxetal) e a Floresta Baixa de Restinga, as quais são bastante restritas e pouco desenvolvidas nesta região, apresentando-se associadas às demais fisionomias. Por restrições quanto ao acesso, as duas primeiras foram pouco amostradas, não permitindo uma descrição mais pormenorizada. O Brejo de Restinga é uma formação herbácea, do tipo graminóide, que ocorre em áreas próximas aos rios, muitas vezes ocupando meandros abandonados; com lençol freático aflorante praticamente o ano todo, é composto predominantemente por um número restrito de espécies tolerantes ao encharcamento do solo, com predominância de representantes da família Cyperaceae, tais como Cyperus ligularis e Rhynchospora corymbosa. A Floresta Paludosa é uma formação arbórea aberta, permanentemente inundada, conhecida como caxetal, com árvores de até 8 metros de altura, sem estratificação. Apresenta como espécie dominante Tabebuia cassinoides, restringindo-se a pequenos trechos situados à margem do rio Itaguaré.

A Floresta Baixa de Restinga é pouco significativa, ocupando uma faixa estreita que representa uma transição entre o Escrube e a Floresta Alta de Restinga, sendo de difícil reconhecimento em campo.

Considerações sobre a conservação das restingas em Bertioga – Os ecossistemas de restinga são ambientes complexos e ao mesmo tempo frágeis, refletindo de forma direta os condicionantes edáficos, podendo ser profundamente afetados pelo desmatamento e pela alteração do regime hídrico do solo. Os solos arenosos da restinga são, em geral, altamente lixiviados, com baixa capacidade de retenção de cátions, pobres em nutrientes e com predominância de alumínio na fase trocável do solo. Considerando que nos solos arenosos das restingas: 1) o principal reservatório de nutrientes são as próprias plantas; 2) o folhedo acumulado é importante mecanismo e o principal responsável pela retenção de nutrientes no solo; 3) o crescimento superficial das raízes também ajuda a manter os nutrientes por mais tempo no solo (Hay & Lacerda 1984), além de aumentar a eficiência da absorção desses nutrientes na interface serapilheira-solo, a retirada da vegetação e, principalmente, da serapilheira e da camada superficial do solo pode resultar num expressivo atraso do processo sucessional nas restingas, podendo ser considerado uma condição irreversível em curto e médio prazos.

Na região estudada, há áreas ocupadas originalmente por floresta, em que o desmatamento ocorreu há mais de 30 anos e que permanecem com uma vegetação herbácea, apesar de estarem cercados por matas preservadas que garantiriam o constante aporte de propágulos.

Locais onde intervenções viárias e aterros provocaram o represamento das águas podem rapidamente perder a cobertura original, transformando-se em brejos antrópicos com a predominância de Hedychium coronarium e Typha dominguensis, espécies invasoras dos ambientes palustres, que impedem ou retardam a regeneração da vegetação nativa.

As grandes áreas de restingas ainda intactas em Bertioga encontram-se fora de unidades de conservação e, em sua maioria, estão ameaçadas pelo avanço de áreas urbanas e empreendimentos imobiliários. A conservação destes ecossistemas e dos gradientes ecológicos entre as praias e a Serra do Mar é necessária para garantir a conservação dos recursos genéticos da flora local.

Foram amostradas na região estudada espécies com poucos materiais representativos nos herbários ou com distribuição geográfica restrita, algumas delas consideradas por taxonomistas como registros importantes para a espécie no Estado. Destacam-se, entre as arbóreas, Coccoloba fastigiata, Diospyros brasiliensis, Eugenia copacabanensis, Eugenia crassiflora, Eugenia disperma, Eugenia velutiflora, Guapira nitida, Huberia ovalifolia, Inga praegnans, Ladenbergia hexandra, Licania nitida, Mollinedia oligantha, Myrcia macrocarpa, Myrcia palustris, Ocotea lobbii, Styrax glaber, Tetraplandra riedelii e Tocoyena bullata. Como lianas raras foram registradas Aegiphila fluminensis, Dalbergia sampaioana, Jobinia connivens, Mikania eriostrepta, Mikania hastato-cordata, Mikania ternata, Tetracera sellowiana e Wilbrandia ebracteata. Dentre os arbustos, apenas Croton sphaerogynus, Dendropanax exilis e Rudgea coronata subsp. coronata podem ser consideradas de ocorrência restrita no Estado. Entre herbáceas podem ser consideradas raras: Plantago catharinea e Portulaca striata, ambas ocorrentes na fisionomia de Praia e Dunas, além de duas espécies que representaram o primeiro registro para o Estado: Tonina fluviatilis e Syngonanthus chrysanthus, a primeira ocorrendo em beira de trilhas, e a segunda sobre terrenos alterados, com solos residuais sujeitos ao encharcamento.

Algumas das espécies estão citadas na lista das espécies ameaçadas de extinção do Estado de São Paulo (SMA 2004): Croton sphaerogynus (em perigo) e Billbergia pyramidalis, Eugenia copacabanensis, Eugenia disperma, Eugenia velutiflora, Euterpe edulis, Ladenbergia hexandra, Plantago catharinea e Portulaca striata (vulneráveis).

A presença destas espécies faz das restingas de Bertioga uma região prioritária para a preservação da flora, requerendo medidas especiais de conservação de forma a impedir que o acelerado processo de destruição de seus hábitats, devido à expansão dos desmatamentos para ocupação imobiliária, venha comprometer as populações autóctones destas espécies.

 

Agradecimentos

Aos especialistas, pelo auxílio na identificação de espécies: Acanthaceae: Cíntia Kameyama; Alstroemeriaceae: Marta Assis; Amaryllidaceae: Julie Dutihl; Annonaceae: Renato Mello-Silva; Apocynaceae: Alessandro Rapini, Tatiana Konno; Aquifoliaceae: Milton Groppo; Araceae: Eduardo Gonçalves, Eduardo Catharino, Marcus Nadruz, Livia Temponi; Araliaceae: Pedro Fiaschi; Arecaceae: Amauri Marcato; Asteraceae: João Semir, Roberto Esteves, Mara Ritter; Begoniaceae: Sandra Jules Gomes da Silva, Eliane Jacques; Bignoniaceae: Marta Assis; Bromeliaceae: Maria das Graças Lapa Wanderley, João Vicente Coffani-Nunes, Bianca Moreira, Suzana Proença, Viviane Oliveira, Andrea Costa; Cactaceae: Daniela Zappi, Eduardo Catharino; Fabaceae: Haroldo Lima; Celastraceae: Rita Carvalho-Okano; Chrysobalanaceae: Ghillean Prance; Convolvulaceae: Rosângela Simão-Bianchini; Combretaceae: Iracema Loiola; Cyperaceae: Marccus Alves, Ana Paula Prata, Celi Muniz, Ana Cláudia Araújo; Dioscoreaceae: Mizué Kirizawa; Eriocaulaceae: Ana Maria Giulietti, Daniela Zappi, Lara Parra; Euphorbiaceae, Gentianaceae e Phyllanthaceae: Inês Cordeiro; Gesneriaceae: Alain Chautems; Heliconiaceae: Eduardo Catharino; Iridaceae: Lindolpho Capellari Jr.; Juncaceae: Marccus Alves; Lamiaceae: Raymond Harley; Lauraceae: João Batista Baitello, Sueli Nicolau; Loganiaceae: Daniela Zappi; Malpighiaceae: André Amorim, Maria Cândida Mamede, Alessandro Rapini; Malvaceae: Gerleni Esteves; Marantaceae: Silvana Vieira, Rafaela Forzza; Melastomataceae: José Fernando Baugratz, Maria Leonor Souza, Silvia Chiea; Meliaceae: João Aurélio Pastore; Moraceae e Urticaceae: Sérgio Romaniuc Neto; Myrtaceae: Maria Lúcia Kawasaki, Marcos Sobral, Osni Aguiar; Nyctaginaceae: Antonio Furlan; Onagraceae: Marilia Duarte; Orchidaceae: Fábio Barros, Eduardo Catharino; Plantaginaceae e Scrophulariaceae: Vinícius Castro Souza; Poaceae: Ana Zanin, Carlos Garcia; Portulacaceae: Antonio Furlan; Rubiaceae: Elisete Anunciação, Cristina Bestetti Costa, Daniela Zappi; Rutaceae: José Rubens Pirani; Santalaceae, Marie Sugiyama; Sapindaceae: Genise Somner; Sapotaceae: Maria Margarida Fiúza de Melo; Solanaceae: João Renato Stehmann; Styracaceae: Reinaldo Monteiro; Xyridaceae: Maria das Graças Lapa Wanderley. Aos biólogos, por participação nas coletas: Ana Girardi, Alexandra Boldrin, André Rovai, Bruno Kamada, Caroline Parreira, Daniela Guedes, Elisabeth Lima, Elisabete Lopes, Márcio Subtil, Marie Sugiyama, Matheus Rotundo, Rafael Louzada, Raquel Gonçalves, Zélia Mello. À geóloga Célia Gouveia Souza, pelos esclarecimentos sobre aspectos geológicos da região; ao biólogo Bolívar Barbante e ao Eduardo Lustosa, pela sugestão das áreas de estudo; ao Sr. Manoel Pinto, pela autorização dos trabalhos de campo em sua propriedade.

 

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Recebido em 25/10/2006. Aceito em 4/06/2007

 

 

1 Autor para correspondência: suzanamartins@uol.com.br

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