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Acta Botanica Brasilica

Print version ISSN 0102-3306

Acta Bot. Bras. vol.25 no.1 Feira de Santana Jan./Mar. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-33062011000100010 

ARTIGOS ARTICLES

 

Flora ficológica da região sublitorânea rasa de costões rochosos do Núcleo Picinguaba, Parque Estadual da Serra do Mar, Ubatuba, São Paulo1

 

Phycological flora from the shallow sublittoral zone of the rocky shores of Serra do Mar State Park, Ubatuba, São Paulo

 

 

Gisa Eneida Marques Machado; Cristina Aparecida Gomes Nassar; Maria Teresa Menezes de Széchy2

Universidade Federal do Rio de Janeiro, Centro de Ciências da Saúde, Instituto de Biologia, Departamento de Botânica, Laboratório Integrado de Ficologia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

 

 


RESUMO

Em unidades de conservação da zona costeira, o conhecimento das macroalgas marinhas é essencial para monitoramento e manejo. Para o Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), Ubatuba, norte do Estado de São Paulo, estudos pretéritos realizados na Enseada da Fazenda listam espécies de macroalgas, coletadas em costões rochosos e manguezais. O presente estudo visou complementar o levantamento taxonômico da flora ficológica marinha do Núcleo Picinguaba, avaliando também a adequação da metodologia para amostragens de suas comunidades de costões rochosos. Foram selecionados 13 pontos de coleta, entre a Ponta da Almada e a Ponta do Cambury, área de maior interferência antropogênica na zona costeira do PESM. No verão de 2007, foram efetuadas coletas de macroalgas, desde a franja da região sublitorânea até o limite do substrato rochoso com a areia. Para uniformizar o esforço amostral, estas buscas foram efetuadas, em cada ponto de coleta, pelo mesmo especialista, durante uma hora de mergulho em apnéia, em uma extensão horizontal do costão rochoso de cerca de 20 m. Foram identificados 128 táxons de categoria infragenérica (80 Rhodophyta, 22 Ochrophyta e 26 Chlorophyta). Callithamniella flexilis Baardseth, Cryptonemia seminervis (C. Agardh) J. Agardh, Cladophora pseudorupestris C. Hoek e Cladophora cf. pygmaea Reinke são ocorrências novas para o litoral do Estado de São Paulo, tendo sido descritas e ilustradas. Foram acrescentadas 64 espécies de macroalgas para os costões rochosos do PESM. O esforço amostral foi considerado adequado, resultando na identificação de número de espécies de macroalgas similar ao de outros estudos realizados no litoral norte do estado de São Paulo e no extremo sul do estado do Rio de Janeiro. Para o monitoramento da zona costeira desta unidade de conservação, recomenda-se o levantamento taxonômico das macroalgas dos costões rochosos de modo continuado, durante o período de verão de anos sucessivos, seguindo a mesma metodologia aqui descrita.

Palavras-chave: macroalgas, levantamento florístico, unidade de conservação, costões rochosos


ABSTRACT

Greater knowledge of the macroalgae from rocky shores is essential to monitor and manage marine coastal conservation units. Previous surveys of the coastal zone of the Picinguaba unit in the Serra do Mar State Park (PESM), Ubatuba, northern São Paulo state, list macroalgal species from the rocky shores and the mangroves of Fazenda Inlet. The present study aimed to improve the taxonomic survey of seaweeds from the Picinguaba unit and to evaluate the suitability of sampling methodology for rocky shore communities in this conservation unit. Thirteen sampling stations, situated between Almada and Cambury Headlands, were studied in summer 2007; this part of the PESM coastal zone is subject to anthropogenic interference. We carefully searched for macroalgae in different rocky habitats, from the sublittoral fringe towards the sand domain. Aiming to standardize sampling effort at each station, the same specialist searched for macroalgae over a 20 m horizontal extension of the rocky shore, for one hour, by apnea diving. 128 infrageneric taxa were identified (80 Rhodophyta, 22 Ochrophyta and 26 Chlorophyta). Callithamniella flexilis Baardseth, Cryptonemia seminervis (C. Agardh) J. Agardh, Cladophora pseudorupestris C. Hoek and Cladophora cf. pygmaea Reinke are new records for the coast of São Paulo state. These species are described and illustrated here. Sixty four species are new occurrences for the rocky shores of PESM. Taking into account other studies, carried out on the northern São Paulo coast and on the southernmost Rio de Janeiro coast, the sampling effort of the present study can be considered suitable for taxonomic surveys, because it produced a comparable number of macroalgal species. In conclusion, for monitoring purposes of the Picinguaba coastal environment, we recommend sampling rocky shore macroalgae yearly, in the summer, using the methodology described in this paper.

Key words: macroalgae, floristic survey, conservation unit, rocky shores


 

 

Introdução

O conhecimento da diversidade biológica é fundamental para o planejamento e a implementação de medidas visando à conservação de diferentes ecossistemas (Brasil 1994).

No Brasil, apesar da existência de um número crescente de estudos desenvolvidos em unidades de conservação que abrangem a zona costeira, tais estudos não mostram uma padronização em termos metodológicos. Em relação às macroalgas, a maioria dos estudos segue abordagem florística, ou seja, corresponde a levantamentos taxonômicos. Em muitos casos, estes levantamentos taxonômicos baseiam-se em material coletado em apenas uma época do ano, restringindo-se a uma ou poucas visitas, particularmente no caso de unidades de conservação de difícil acesso, como o Arquipélago de Fernando de Noronha (Eston et al. 1986; Széchy et al. 1989; Pereira et al. 1996), Atol das Rocas (Oliveira Filho & Ugadim 1976), Ilha de Trindade (Nassar 1994; Yoneshigue-Valentin et al. 2005), Laje de Santos (Amado Filho et al. 2006) e Arquipélago do Arvoredo (Horta et al. 2008). Em outros casos, existem levantamentos taxonômicos baseados em coletas em diferentes épocas do ano, como os realizados para os Arquipélagos de São Pedro e São Paulo (Burgos et al. 2009), Fernando de Noronha (Pedrini et al. 1992) e Três Ilhas (Nassar et al. 2001). Estudos continuados, por mais de um ano, no entanto, não são conhecidos, exceto para a Ilha Grande (Falcão et al. 1992).

A escassez de dados sobre as comunidades de costões rochosos em unidades de conservação da zona costeira do Brasil, e a falta de conhecimento sobre suas alterações, em decorrência das atividades humanas, justificam a necessidade imediata de estudos de caráter mais abrangente e integrado. Neste contexto, é fundamental o conhecimento sobre as macroalgas, principais produtores primários dos costões rochosos (Barnes & Hughes 1999). Segundo Phillips (1998), é importante que os ficólogos iniciem ou reformulem programas de pesquisa de modo a fornecer base aos debates sobre a biodiversidade e a conservação das macroalgas marinhas. A falta de conhecimento detalhado sobre a taxonomia das macroalgas, bem como sobre variações espaciais e temporais nas comunidades marinhas bentônicas, é a maior barreira ao desenvolvimento de estratégias eficientes para sua conservação.

Estudos de comunidades marinhas bentônicas com enfoque nas macroalgas vêm sendo empregados como subsídio para avaliação ambiental (Wilkinson et al. 2007). Com esta finalidade, levantamentos taxonômicos de macroalgas vêm sendo usados para comparações entre locais e épocas, quanto à composição e riqueza de espécies, tanto no Brasil (Taouil & Yoneshigue-Valentin 2002; Oliveira & Qi 2003; Széchy & Nassar 2005) como em outros países (Ceceri et al. 1991; Hardy et al. 1993; Pinedo et al. 2007).

Um dos objetivos do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) é direcionar esforços para promover a conservação da biodiversidade inserida em sua área geográfica, atendendo aos artigos seis e sete do texto assinado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Para atingir esse objetivo, é necessário adaptar estratégias, planos ou programas, visando identificar os componentes da diversidade biológica importantes para sua conservação e sua utilização sustentável (Brasil 1994).

A grande dificuldade de acesso à zona costeira do PESM contribui para a escassez de estudos existentes nesta região, existindo na literatura apenas duas publicações que tratam das macroalgas marinhas. Machado & Nassar (2007), com base em coletas nas quatro estações no ano de 2004, em dois manguezais da Enseada da Fazenda, fornecem listagem com 16 espécies de macroalgas. Machado et al. (2007), com base em uma coleta no verão de 2006, em costões rochosos desta mesma enseada, listam 78 espécies de macroalgas, sendo 45 Rhodophyta, 11 Ochrophyta e 22 Chlorophyta.

O presente trabalho teve como objetivo complementar o levantamento taxonômico da flora ficológica de costões rochosos do Núcleo Picinguaba, PESM, e também avaliar a adequação de metodologia para amostragens em comunidades de costões rochosos, nesta unidade de conservação.

 

Material e métodos

O Núcleo Picinguaba, um dos oito núcleos administrativos que compõem o PESM, localiza-se ao norte do município de Ubatuba, estado de São Paulo. Sua orla, com uma extensão de aproximadamente 20 km de costões rochosos e praias, apresenta vilas com diferentes suportes para acolhimento turístico, atividades pesqueiras e de lazer náutico. A constante exposição dos biomas costeiros a atividades recreativas é uma fonte potencial de interferências (Underwood & Kennely 1990; Pedrini et al. 2007).

Foram selecionados 13 pontos, no trecho da orla do Núcleo Picinguaba compreendido entre as coordenadas 23°22'21"S - 44°53'26"O (limite ao sul) e 23°22'40"S- 44°47'06"O (limite ao norte): Ponta da Almada (23°22'03''S e 44°54'24''O), Brava da Almada (22°36'33''S e 43°59'33''O), Saco da Taquara (23°22'25''S e 44°55'75''O), Vila Picinguaba-interno (23°34'30''S e 44°55'40''O), Vila Picinguaba-médio (23°35'15''S e 44°56'35''O), Vila Picinguaba-externo (23°35'41''S e 44°57'37''O), Ponta da Cabeçuda (23°32'35''S e 45°02'55''O), Praia das Couves (23°29'07''S e 44°48'01''O), Praia da Grosa (23°26'23''S e 44°53'28''O), Cambury (23°30'10''S e 44°48'01''O), Saquinho da Ribeira-interno (23°31'32''S e 44°47'03''O), Saquinho da Ribeira-médio (23°29'16''S e 44°48'01''O) e Saquinho da Ribeira-externo (23°32'35''S e 44°48'54''O). As coordenadas geográficas foram obtidas por meio de GPS - marca Carmim, no momento das coletas.

Os pontos de coleta da Vila Picinguaba (interno, médio e externo) se mostraram protegidos do embate de ondas, enquanto os do Saquinho da Ribeira (interno, médio e externo) moderadamente expostos, e os demais, expostos ao embate de ondas, em maior ou menor intensidade. Os costões rochosos dos pontos da Vila Picinguaba (interno, médio e externo) apresentaram interferências diretas em função de atividades antropogênicas, como construções de muros e rampas, assim como despejo de efluentes domésticos, enquanto os costões rochosos dos demais pontos de coleta não apresentaram tais alterações.

As coletas foram realizadas no período de 06 a 14 de janeiro de 2007, quando cada ponto de coleta foi visitado uma vez. O verão foi escolhido por ser a estação do ano com condições seguras de trabalho no mar, por períodos mais prolongados, já que a maior parte da linha de costa do Núcleo Picinguaba é exposta diretamente ao embate das ondas (Mahiques et al. 1999).

Em cada ponto de coleta, foi delimitada, no costão rochoso, uma área com extensão horizontal de 20 m, e extensão vertical abrangendo desde o limite superior da região sublitorânea até o limite do substrato rochoso com a areia, a 6 m de profundidade, no máximo. O limite superior da região sublitorânea foi definido pelo limite inferior de distribuição da faixa de cracas e/ou pelo limite superior de distribuição de Sargassum e ouriços-do-mar (Stephenson & Stephenson 1949).

Buscas minuciosas de macroalgas foram efetuadas por um especialista em Ficologia Marinha, na extensão delimitada de 20 m de cada ponto de coleta, durante uma hora, através de mergulhos em apnéia. Com auxílio de espátula, foram raspadas algas epilíticas, de talos eretos ou decumbentes, algas epífitas e epizóicas. Atenção especial foi dada à coleta de almofadas de algas. Macroalgas incrustantes na rocha não foram coletadas. Com o objetivo de coletar o maior número possível de espécies, diferentes microhabitats foram vasculhados, como fendas nas rochas, locais sombreados e expostos à luz, recobertos ou não por sedimentos. O material coletado foi fixado em solução de formaldeido (4%).

Todo material coletado passou, inicialmente, por rigorosa triagem a olho nu, quando os exemplares foram identificados em nível de gênero, sempre que possível, ou de categoria taxonômica superior. Epífitas e exemplares emaranhados em almofadas de outras macroalgas foram triados sob microscópio estereoscópico. Quando necessários, cortes histológicos foram feitos à mão-livre, com auxílio de lâminas de aço. Em alguns casos, os cortes foram corados com solução aquosa de azul de anilina (0,5%), acidificada com solução aquosa de ácido clorídrico (1%). Os táxons que corresponderam a citações novas para o estado de São Paulo foram descritos e fotografados, com câmara digital Olympus D540, acoplada a microscópio óptico Nikon E200.

Características morfológicas de valor diagnóstico foram avaliadas com base em dez medições por indivíduo (valores mínimo, médio e máximo). Nos casos de pouca quantidade de material coletado, foram considerados apenas os valores mínimo e máximo.

A identificação do material foi realizada em nível de espécie, sempre que possível. Seguiu-se a chave artificial de identificação de Joly (1965), complementada com estudos atuais pertinentes aos grupos: Gelidiales (Fernandes & Guimarães 1998), Corallinales (C.W. do N. Moura - dados não publicados sobre Coralináceas com genículo do litoral do Brasil), Cryptonemiales (S.M.P.B. de Guimarães - dados não publicados sobre para as Cryptonemiales do litoral do Estado do Espírito Santo), e Laurencia (V. Cassano - dados não publicados sobre taxonomia e filogenia do complexo Laurencia no Brasil). Adotou-se Wynne (2005) para a revisão nomenclatural.

As frequências dos táxons na área de estudo, em valores percentuais, foram obtidas pela fórmula: (número de pontos de coleta em que a espécie ocorreu x 100) / 13.

Parte do material coletado foi herborizada e depositada no Herbário do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (RFA). Não foram incluídos os exemplares microscópicos, fragmentados ou em pouca quantidade, que, após processo de identificação, não apresentaram condições de herborização.

 

Resultados e discussão

Foram identificados 128 táxons de categoria infragenérica: 80 espécies do filo Rhodophyta, 22 espécies do filo Ochrophyta (Classe Phaeophyceae) e 26 espécies do filo Chlorophyta. Alguns representantes da família Gelidiaceae não puderam ser identificados em nível genérico, por não mostrarem estruturas de reprodução (Tab. 1).

As espécies mais frequentes na área de estudo foram dos filos Rhodophyta e Ochrophyta (Tab. 1): Asparagopsis taxiformis, Gelidiopsis variabilis, Colpomenia sinuosa (100%), Hypnea musciformis, Hypnea spinella, Laurencia dendroidea, Stylonema alsidii (92%), Champia cf. taironensis, Jania adhaerens, Dictyota cervicornis, Dictyopteris delicatula (85%) e Amphiroa rigida, Chondracanthus acicularis, Wrangelia argus e Hincksia mitchelliae (77%). Gelidiopsis variabilis, Hypnea musciformis e Hypnea spinella também foram citadas para outras localidades do litoral dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, como espécies de alta frequência (Falcão et al. 1992; Széchy & Paula 2000; Széchy & Nassar 2005).

A ordem Ceramiales foi a mais representativa em termos de número de espécies, correspondendo a cerca de 30% do total de espécies encontradas. Esta característica da flora ficológica marinha é similar ao encontrado para outras localidades da região sudeste do Brasil (Joly 1965; Pedrini et al. 1994; Creed & Yoneshigue-Valentin 1997; Gestinari et al. 1998; Széchy & Nassar 2005; Amado Filho et al. 2006; Figueiredo & Tâmega 2007), ou seja, para a mesma região biogeográfica (Horta et al. 2001).

Foram acrescentadas 64 espécies de macroalgas à lista preliminar fornecida por Machado et al. (2007), para costões rochosos da Enseada da Fazenda. Por outro lado, 15 espécies citadas por Machado et al. (2007) não foram encontradas neste estudo; destas, a maioria correspondeu a espécies de pequenas dimensões, como Antithamnionella breviramosa (Dawson) Wollaston in Womersley & Bailey e Acetabularia calyculus J.V. Lamour. in Quoy & Gaimard, ou a grupos com problemas taxonômicos, como Champia vieillardii Kütz. e Dasya brasiliensis E.C. Oliveira & Y. Braga. Champia vieillardii se aproxima de outras espécies do gênero, como Champia taironensis Bula-Meyer e Champia compressa Harv., quanto à morfologia externa, especialmente devido ao talo achatado; a diferenciação entre estas espécies necessita de cortes histológicos na região do diafragma, para visualização do número de células no sentido anticlinal (Bula-Meyer 1997). Os exemplares do gênero Dasya C. Agardh, coletados em pouca quantidade, não foram identificados em nível específico, em concordância com Guimarães (2006), que ressalta a necessidade de aprofundamento no estudo deste táxon. O fato de não terem sido encontradas, neste estudo, Gayralia oxysperma (Kütz.) K.L. Vinogr. ex Scagel et al. e Porphyra acanthophora E.C. Oliveira & Coll. está provavelmente relacionado à restrição das coletas à região sublitorânea. Representantes do gênero Porphyra C. Agardh, em sua fase macroscópica, crescem na região entre marés, na faixa de Chthamalus Ranzani, 1817 e Littorina Ferrussac, 1822, em áreas expostas ao embate das ondas, especialmente do fim do outono até a primavera, sendo praticamente inexistentes durante o verão (Joly 1965). Dichotomaria obtusata (J. Ellis & Sol.) Lamarck, Heterosiphonia crispella (C. Agardh) M.J. Wynne e Caulerpa cupressoides (H. West in Vahl) C. Agardh, citadas por Machado et al. (2007), não parecem ser espécies freqüentes na área, não tendo sido coletadas neste estudo.

A coleta, nos costões rochosos do PESM, de Gelidiella ligulata, Neosiphonia sphaerocarpa, Peyssonnelia inamoena, Cladophora corallicola e Cladophora rupestris, pouco citadas para o litoral brasileiro,confirma a ocorrência destas espécies no litoral do estado de São Paulo, corroborando estudos recentes de outros autores (A.P. Pereira - dados não publicados sobre a comunidade marinha bentônica de substrato consolidado do infralitoral da enseada das Palmas, Parque Estadual da Ilha Anchieta, e A.C.S.P. Coto - dados não publicados sobre a biodiversidade de clorófitas marinhas bentônicas do litoral do Estado de São Paulo).

O ponto Saquinho da Ribeira interno apresentou o maior número de táxons (61 espécies), enquanto o ponto Cambury, o menor (27 espécies). O menor número de espécies de macroalgas eretas no ponto Cambury, que é diretamente exposto ao embate das ondas, coincidiu com alta densidade de ouriços-do-mar - Echinometra lucunter (Lamarck, 1816), que são reconhecidos na literatura como um agente de distúrbio natural nestes ambientes, pela pressão de herbivoria (Steneck & Dethier 1994).

Callithamniella flexilis, Cryptonemia seminervis, Cladophora pseudorupestris e Cladophora cf. pygmaea não foram registradas anteriormente para o estado de São Paulo.

RHODOPHYTA

Callithamniella flexilis Baardseth, Results of the Norwegian Scientific Expedition to Tristan da Cunha 1937-1938, 9: 88-89, fig. 46. 1941.

Fig. 1 a-b

Talo de cor vermelha a rósea, translúcido, de hábito filamentoso, com 2 mm de altura. Filamentos unisseriados sem corticação, constituindo eixos prostrados e eixos eretos. Eixos prostrados com células medindo (72) 89 (118) µm de comprimento e (22) 30 (32) µm de largura. Dos eixos prostrados, se desenvolvem eixos eretos de dois tipos: não ramificados e ramificados. Eixos eretos não ramificados se diferenciam a partir de cada célula do eixo prostrado; possuem célula basal esférica, medindo 15-22 µm de diâmetro, células da porção inferior com (27) 33 (36) µm de comprimento e (15) 19 (24) µm de largura, e células das porções superiores diminuindo gradativamente de comprimento em direção ao ápice. Da célula basal esférica do eixo ereto não ramificado, diferencia-se um rizóide unicelular. Os eixos eretos ramificados, com células gradativamente menores da porção inferior em direção à porção superior (células da porção mediana com 16-19 µm de comprimento e 13-16 µm de largura), mostram um ramo curto (râmulo) por célula. Râmulos geralmente simples, com disposição alterna-espiralada, formando dupla hélice; células medindo 12-18 µm de comprimento e 15-33 µm de largura; maiores dimensões notadas nas células da região mediana; células basais esféricas e nitidamente menores. Células apicais em forma de sino. Não foram verificadas estruturas de reprodução.

Material examinado: Brasil. São Paulo: Ubatuba, Enseada do Cambury, Saquinho da Ribeira (médio), PESM, Machado et al. 14/I/2007, 33792 (RFA).

Referida anteriormente apenas para o norte do estado do Rio do Janeiro (Yoneshigue et al. 2008).

Encontrada em local moderadamente exposto ao embate das ondas; epífita em Gelidiopsis variabilis e Neosiphonia sp.

Táxon identificado com base em Y. Yoneshigue (dados não publicados sobre as algas marinhas da região de Cabo Frio, Rio de Janeiro, Brasil).

Cryptonemia seminervis (C. Agardh) J. Agardh, Caroli Ad. Agardh Icones algarum ineditae. Fasculi qui exstant duo: 1-6, pls I-XX. 1846.

Fig. 2 a-b

Talo de cor vermelha clara, opaco, ereto, formando tufo com até 6,5 cm de altura, fixo ao substrato por pequeno apressório em forma de disco. Do apressório, diferencia-se estipe cilíndrico, curto e rígido, seguido de porção achatada em forma de fita, de consistência firme. Fita pouco ou não ramificada, com 1,0-2,0 cm de largura, margens sem espinhos, onduladas, ápice arredondado, nervura saliente, evidenciada da porção basal até cerca de 2/3 da fita. Ramificação irregular, concentrada na região basal da fita. Presença de proliferações nas margens das fitas. Em corte transversal na região mediana do talo, córtex formado por 2-3 camadas de células quadráticas a arredondadas; medula formada por filamentos compactados de modo irregular, com células ganglionares; espessura, fora da nervura, de aproximadamente 70 µm. Não foram verificadas estruturas de reprodução.

Material examinado: Brasil. São Paulo: Ubatuba, Picinguaba, Ponta da Cabeçuda, PESM, Machado et al. 7/I/2007, 33721 (RFA); ibid. Enseada do Cambury, Praia das Couves, PESM, Machado et al. 7/I/2007, 34015 (RFA).

Referida anteriormente para os estados da Bahia (Lyra et al. 2007), Espírito Santo (S.M.P.B. de Guimarães - dados não publicados sobre as Cryptonemiales do litoral do Estado do Espírito Santo) e Pernambuco (Pereira et al. 2002). Também citada para o litoral dos Estados do Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Espírito Santos e Rio de Janeiro, como Cryptonemia luxurians, segundo E.C. Oliveira Filho (dados não publicados sobre as algas marinhas bentônicas do Brasil).

Encontrada em local exposto ao embate das ondas; epilítica.

Táxon identificado com base em S.M.P.B. de Guimarães (dados não publicados sobre para as Cryptonemiales do litoral do Estado do Espírito Santo).

CHLOROPHYTA

Cladophora pseudorupestris C. Hoek, A taxonomic revision of the American species of Cladophora (Chlorophyceae) in the North Atlantic Ocean and their geographic distribution, Tweede Reeks 78: 91-93. 1982.

Fig. 3 a-b

Talo de cor verde escura, ereto, de consistência rígida, hábito filamentoso, em tufo, com 6,5 cm de altura. Filamentos unisseriados ramificados, sem corticação. Rizóides não evidenciados no material coletado. Filamentos eretos com ramificação pseudodicotômica a pseudotricotômica, em ângulo agudo. Ramos do mesmo comprimento ou mais longos que os eixos principais. Células do eixo principal medindo (720) 952 (1120) µm de comprimento e (70) 88 (100) µm de largura, bastante alongadas e com paredes espessas. Células basais fusionadas com células adjacentes, pela extremidade inferior. Ramos terminais delicados, inseridos em ângulos inferiores a 30°, com células medindo (80) 196 (310) µm de comprimento e (35) 40 (65) µm de largura. Células apicais medindo (100) 164 (265) µm de comprimento e (28) 32 (40) µm de largura, com extremidade arredondada.

Material examinado: Brasil. São Paulo: Ubatuba, Enseada do Cambury, Praia das Couves, PESM, Machado et al. 7/I/2007, 33830 (RFA).

Encontrada em local exposto ao embate de ondas; epífita em Sargassum vulgare. Até o momento, não foram encontrados registros de sua ocorrência para o litoral do Brasil.

Táxon identificado com base em van den Hoek (1982).

Cladophora cf. pygmaea Reinke, Berichte der deutsche botanischen Gesellschaft 6: 240-241.1888.

Fig. 4 a-b

Talo de cor verde escura, ereto, de consistência rígida, hábito filamentoso, em tufo, com 3 mm de altura. Filamentos unisseriados ramificados, sem corticação. Rizóides ramificados, originados na porção basal dos filamentos eretos. Filamentos eretos com ramificação pseudodicotômica, principalmente na porção inferior, sem eixo principal evidente. Células das porções inferiores dos filamentos medindo (60) 80 (100) µm de comprimento e (22) 28 (32) µm de largura, alongadas e com paredes espessas. Porção superior dos filamentos com ramificação irregular; nos ápices, presença de ramos curtos, de 1-3 células. Células apicais curtas, medindo (16) 18 (32) µm de comprimento e (15) 20 (25) µm de largura, com a extremidade arredondada e intumescida.

Material examinado: Brasil. São Paulo: Ubatuba, Enseada do Cambury, Saquinho da Ribeira (interno), PESM, Machado et al. 14/I/2007, 33829 (RFA).

Encontrada em local moderadamente exposto ao embate das ondas; epífita em Amphiroa beauvoisii. Wilce (1970) e Irvine et al. (1975) citam Cladophora pygmaea apenas para a região sublitorânea, crescendo sobre algas crostosas. Não foram encontradas publicações citando a ocorrência desta espécie para o litoral do Brasil.

Táxon identificado com base em van den Hoek (1982).

O material do PESM aproxima-se morfologicamente de Cladophora pygmaea descrita para regiões temperadas frias da Europa e da América do Norte (Wilce 1970; Irvine et al. 1975; van den Hoek 1982), pelas seguintes características: pequena dimensão do tufo, ausência de eixo principal evidente, presença de ramos curtos irregularmente dispostos e célula apical intumescida. No entanto, há discordância quanto ao modo de fixação ao substrato e quanto às medidas das células (Tab. 2), o que justifica a identificação do material do PESM com ressalvas (cf.). van den Hoek (1982) ressalta a presença de apressório discóide, na extremidade de célula basal alongada, como uma característica desta espécie. Wynne (2005) não inclui esta espécie na listagem de macroalgas da parte oeste do Oceano Atlântico tropical e subtropical.

O número de espécies de macroalgas listadas neste estudo, para a região sublitorânea rasa de costões rochosos do Núcleo Picinguaba, é comparável ao de outras unidades de conservação do litoral brasileiro, mesmo considerando diferenças no esforço amostral, ou seja, diferenças no número de pontos de coleta e no número de visitas para coletas. Apesar de ser reconhecidamente recomendável o levantamento florístico de uma área a partir de visitas em diferentes épocas do ano, de modo a possibilitar a coleta de espécies menos frequentes e com ciclos de vida e requisitos ambientais diferentes, a literatura para o litoral brasileiro indica que o incremento do número de espécies em função do aumento de épocas de coleta nem sempre é relevante frente às dificuldades logísticas e custos operacionais para o trabalho de campo, especialmente em áreas de difícil acesso e de alto grau de exposição às ondas, como no Núcleo Picinguaba. Por exemplo, listagens com número de espécies de macroalgas não inferior a 120, como a deste estudo, são fornecidas tanto por Horta et al. (2008), com base em coletas em apenas uma época do ano, em nove pontos do Arquipélago do Arvoredo, como por Pedrini et al. (1992), com base em coletas em três épocas do ano, em oito pontos do Arquipélago de Fernando de Noronha, e por Falcão et al. (1992), com coletas nas quatro estações do ano, por mais de um ano, em dez pontos da Ilha Grande.

É importante ressaltar que, na avaliação dos resultados pertinentes a levantamentos florísticos, além do esforço amostral, conforme definido acima, resultante do número de pontos de coleta e do número de visitas a estes pontos de coleta, também devem ser levados em consideração a área total percorrida, o tempo despendido, as condições do mar durante as coletas, os tipos de ambientes amostrados e a região biogeográfica do estudo. A experiência da equipe envolvida nas coletas e na identificação do material também pode influenciar na representatividade do levantamento florístico.

A metodologia de amostragem empregada neste estudo mostrou-se adequada para levantamento taxonômico de macroalgas marinhas bentônicas em unidades de conservação de difícil acesso. Os pontos principais desta metodologia são: a padronização da área amostrada e do tempo de coleta por ponto, bem como a triagem minuciosa de espécies epífitas e emaranhadas em almofadas. Para o monitoramento da zona costeira do Núcleo Picinguaba, recomenda-se o levantamento taxonômico das macroalgas dos costões rochosos de modo continuado, durante o período de verão de anos sucessivos, seguindo a mesma metodologia aqui descrita.

 

Agradecimentos

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, pela bolsa de mestrado concedida à primeira autora; ao Instituto Florestal, Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, pela autorização de coleta (Processo 40.978/2004) e à administração do Núcleo Picinguaba, pelo apoio logístico. A Dra Mutue Toyota Fujii (Laurencia), Dra Silvia Maria Pita de Beauclair Guimarães (Amphiroa e Peyssonnelia), Dra Lísia Mônica de Souza Gestinari (Cladophora) e Dr. Joel Campos de Paula (Dictyota), pela confirmação da identificação de espécies dos gêneros indicados.

 

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Recebido em 17/04/2009.
Aceito em 6/12/2010

 

 

1 Parte da dissertação de Mestrado da primeira Autora
2 Autor para correspondência: mtmszechy@gmail.com

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