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Acta Botanica Brasilica

Print version ISSN 0102-3306

Acta Bot. Bras. vol.26 no.1 Feira de Santana Jan./Mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-33062012000100018 

ARTIGOS ARTICLES

 

Florística dos campos de murundus do Pantanal do Araguaia, Mato Grosso, Brasil

 

Floristics of floodplain 'murundus' of the Pantanal of Araguaia, Mato Grosso, Brazil

 

 

Beatriz Schwantes MarimonI, II, VI; Ben Hur Marimon-JuniorI, II; Henrique Augusto MewsII, III; Halina Soares JancoskiIII; Daniel David FranczakIV; Herson Souza LimaV; Eddie LenzaI, II; Amintas Nazareth RosseteI; Micheli Cristina MorescoI

IUniversidade do Estado de Mato Grosso, Departamento de Ciências Biológicas, Nova Xavantina, MT, Brasil
IIUniversidade do Estado de Mato Grosso, Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação, Nova Xavantina, MT, Brasil
IIIUniversidade de Brasília, Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais, Brasília, DF, Brasil
IVUniversidade de Brasília, Programa de Pós-Graduação em Botânica, Brasília, DF, Brasil
VSecretaria de Estado do Meio Ambiente, Coordenadoria de Unidades de Conservação, Cuiabá, MT, Brasil
VIAutor para correspondência: biamarimon@hotmail.com

 

 


RESUMO

O presente estudo teve como objetivo determinar e comparar a riqueza e a composição de espécies de angiospermas entre campos de murundus (CM) do Parque Estadual do Araguaia (PEA), em uma das maiores planícies de inundação do Brasil. O PEA localiza-se em Novo Santo Antônio, Mato Grosso, sendo delimitado a leste pelo Rio Araguaia e a oeste pelo Rio das Mortes. Foram realizadas coletas intensivas da flora em 11 hectares, e áreas adjacentes, de CM distribuídos ao longo do PEA. Estudos do meio físico foram realizados através de descrições in situ. Os solos são do tipo Plintossolo, hidromórficos minerais, profundos, imperfeitamente a mal drenados, com baixa permeabilidade. No total foram coletadas 318 espécies, 193 gêneros e 66 famílias. Nos CM os valores variaram de 51 a 135 espécies, 42 a 107 gêneros e 27 a 52 famílias. Erythroxylum suberosum foi considerada uma espécie típica de CM brasileiros, Curatella americana típica de CM de Mato Grosso e Byrsonima cydoniifolia típica do PEA. O padrão físico e de distribuição espacial dos murundus pode ser um reflexo do pulso de inundação sazonal, visto que a composição florística dos campos de murundus variou entre as áreas de influência dos rios que delimitam o parque. Este foi o maior levantamento florístico já realizado em CM, permitindo relevante ampliação do conhecimento e registro de espécies típicas do Bioma Cerrado e que ocorrem nessa fitofisionomia.

Palavras-chave: Planície de Inundação do Araguaia, inundação, campo graminoso, Erythroxylum suberosum


ABSTRACT

This study aimed to compare angiosperm species richness and composition between floodplain 'murundus' (FM) of Araguaia State Park (ASP) in one of Brazil´s largest floodplains. ASP is located in Novo Santo Antônio, Mato Grosso state, and is bordered on the east by the Araguaia River, and on the west by Das Mortes River. Intensive floristic inventories were made on 11 hectares, and adjacent areas, of FM distributed over ASP. Environmental studies were performed by in situ descriptions. The soils are deep, mineral hydromorphic plinthosols, imperfectly to poorly drained, with low permeability. A total of 318 species, 193 genera and 66 families were collected, and FM values ranged from 51 to 135 species, 42 to 107 genera and 27 to 52 families. Erythroxylum suberosum is a typical species of Brazilian FM, Curatella americana typical of Mato Grosso FM and Byrsonima cydoniifolia typical of the ASP. The physical and spatial distribution pattern of the "murundus" (earthmounds) may reflect the seasonal flood pulse, since the floristic composition of the FM varied between the areas under the influence of the rivers that border the park. This was the largest floristic inventory ever undertaken in FM, with a significant increase in our knowledge and recording of typical species of the Cerrado Biome which occur in this phytophysiognomy.

Key words: Araguaia Floodplain, flooding, grassland, Erythroxylum suberosum


 

 

Introdução

O Bioma Cerrado é composto por uma matriz predominante de vegetação savânica em que ocorrem outras formações vegetais, totalizando 11 diferentes fitofisionomias (Ribeiro & Walter 2008) que abrigam uma das maiores biodiversidades do planeta (Klink & Machado 2005). No entanto, restam apenas cerca de 40% dos 2.000.000 km2 da cobertura original da vegetação do Cerrado, em virtude de alterações provocadas por atividades agropastoris (Sano et al. 2008) e nenhum outro bioma no mundo tem sido ou foi destruído tão rápida e intensamente na história humana (Latrubesse et al. 2009).

Na região nordeste de Mato Grosso e sudoeste de Tocantins, a extensa planície de inundação do Rio Araguaia não passou ilesa por este cenário de antropização, pois está localizada no 'arco do desmatamento' (Fearnside 2005). De acordo com Martini (2006; 2009) esta planície inundável pode ser considerada a maior área contínua brasileira que sofre inundação durante o período chuvoso e Junk (1997) a descreveu como uma planície caracterizada por um pulso de inundação monomodal, previsível e de baixa amplitude.

A combinação do mosaico espaço-temporal de pulsos de inundação (Junk et al. 1989, Alsdorf et al. 2007) e das características físicas e topográficas da planície de inundação do Rio Araguaia resultou em padrões únicos de distribuição da vegetação (Hamilton 2002), como os campos de murundus. Esta fitofisionomia singular, também denominada de Parque de Cerrado por Ribeiro & Walter (2008), constitui uma paisagem típica de áreas inundáveis planas do Brasil Central, na qual incontáveis montes de terra (murundus) cobertos por vegetação lenhosa típica de cerrado distribuem-se sobre um campo graminoso (Oliveira-Filho 1992a). De acordo com o referido autor, os murundus ocorrem em áreas sazonalmente inundáveis e, sob tais circunstâncias, funcionariam como verdadeiras ilhas durante a época das chuvas, protegendo a vegetação e a fauna de cerrado (e.g.: artrópodes e herpetofauna) contra alagamentos e a saturação hídrica do solo.

Duas hipóteses principais foram elaboradas para explicar a possível origem dos murundus. A primeira está ligada a fatores abióticos, especialmente relacionados a processos de dinâmica superficial da água, a partir dos quais os murundus seriam formações residuais produzidas por erosão diferencial (Araújo-Neto et al. 1986, Furley 1986, Silva et al. 2010) e a segunda hipótese relaciona-se a fatores bióticos, segundo a qual os murundus seriam formados a partir da atividade de sucessivas gerações de colônias de térmitas em um processo de construção e degradação dos ninhos (Mathews 1977, Prance & Schaller 1982, Oliveira-Filho 1992a,b). Oliveira-Filho & Furley (1990) sugeriram que a origem desta paisagem envolve fenômenos mais diversificados e propuseram uma classificação que considera tanto os fatores bióticos quanto os abióticos na formação dos murundus. Entretanto, como salientado por Ponce & Cunha (1993), parece não haver dúvidas de que, qualquer irregularidade no terreno, independentemente de sua origem, pode determinar uma diferença na elevação e proporcionar um ambiente mais adequado para que espécies de plantas do cerrado invadam um campo úmido.

A planície do Rio Araguaia, ou Pantanal do Araguaia, que representa a área com a mais extensa e ampla ocorrência de campos de murundus em todo o planeta (Oliveira-Filho & Furley 1990; Marimon et al. 2008a) foi classificada por diversos especialistas como área de importância biológica extremamente alta, com a recomendação de ações voltadas para o manejo sustentado e a criação de unidades de conservação (MMA 1999). Além disso, Oliveira-Filho (1992a) observou que os campos de murundus constituem a paisagem mais curiosa e ampla do Brasil Central e, apesar disto, ainda há poucos estudos sobre os mesmos.

Esta é a primeira vez que a composição florística desta fitofisionomia é tão amplamente descrita, abordando todas as espécies de angiospermas que ocorrem sobre os murundus e na matriz do campo graminoso em uma extensa área de amostragem. Neste sentido, visando ampliar o conhecimento sobre a flora dos campos de murundus de uma das maiores planícies de inundação do Brasil, o presente estudo teve como objetivo determinar e comparar algumas características ambientais, a composição e a riqueza das espécies de ervas, subarbustos, arbustos, árvores, lianas e palmeiras de 11 áreas de campos de murundus do Parque Estadual do Araguaia, na região nordeste de Mato Grosso.

 

Material e métodos

O estudo foi realizado no Parque Estadual do Araguaia (PEA), com área de 223.169,5 hectares, localizado no município de Novo Santo Antônio, nordeste de Mato Grosso. O PEA, criado em 2001, limita-se a oeste pelo Rio das Mortes e a leste pelo Rio Araguaia, apresentando formato triangular e alongado, sendo limitado ao norte pela confluência dos dois rios. Em uma linha reta, de norte a sul, o PEA abrange 96 km, sendo que o trecho mais largo, na porção sul, não ultrapassa 40 km de um rio a outro (Marimon et al. 2008a).

O clima da região, segundo a classificação de Köppen, é do tipo Aw, com condições tropicais continentais, sempre quente e com período seco entre maio e setembro e chuvoso de outubro a abril (Cochrane et al. 1985). De acordo com Marimon et al. (2008a) o PEA está situado no Bioma Cerrado e sua paisagem é caracterizada por extensas áreas de campos de murundus, localmente denominados de 'varjão', além de manchas de campo limpo, cerrado típico, cerradão e florestas inundáveis.

Os sedimentos presentes no PEA são denominados de Formação Araguaia (Barbosa et al. 1966) e pertencem à Idade Terciária. Esta cobertura é composta por sedimentos areno-argilosos, mal consolidados, de coloração variada, muitas vezes laterizados, recobrindo as rochas mais antigas da região. Os solos são hidromórficos minerais, profundos, imperfeitamente a mal drenados, com baixa permeabilidade. Regionalmente ocorrem basicamente duas associações de solos, relacionadas com o relevo, associadas às calhas dos principais rios (Rio Araguaia e Rio das Mortes) ocorrem os Gleissolos e Neossolos e na planície de inundação ocorrem os Plintossolos e Argissolos (SEPLAN 2001). De acordo com Marimon et al. (2008a), os solos dos campos de murundus do PEA são distróficos e forte a moderadamente ácidos.

Os campos de murundus do PEA estão amplamente distribuídos em toda a planície de inundação dos rios Araguaia e das Mortes, em uma área caracterizada por um relevo plano, entrecortado por elevações onde ocorrem cerrado típico e cerradão. Em áreas permanentemente úmidas de afundamentos do relevo, como dolinas, antigos meandros de rios ou cursos de drenagem do terreno, ocorrem as florestas inundáveis localmente denominadas de impucas (Marimon et al. 2008a). No período das chuvas, as áreas de campo limpo (vegetação graminosa e herbácea) localizadas na porção mais baixa e plana do terreno são cobertas por uma lâmina de água de altura variável (0,1 a 0,7m) que quase nunca encobre os murundus mais elevados, sobre os quais se mantém a vegetação lenhosa de cerrado típico (Marimon et al. 2008a).

Foram demarcados 11 hectares de campos de murundus distribuídos ao longo do PEA de modo a abranger porções próximas aos rios que o delimitam e áreas ao norte e ao sul. Cada hectare (100 x 100 m) foi dividido em 16 parcelas contíguas de 25 x 25 m de modo a facilitar e otimizar as coletas. Foram realizadas coletas intensivas de todas as espécies de angiospermas localizadas sobre os murundus e no campo limpo de cada hectare amostrado. Cada murundu, de um total de 373 amostrados, foi cuidadosamente inspecionado e no campo limpo adotou-se um sistema de varredura, de modo a abranger todas as parcelas. As coletas contaram sempre com equipes de no mínimo três pessoas inspecionando os murundus ou efetuando a varredura do campo limpo. Também foram efetuadas coletas aleatórias em áreas próximas, abrangendo um raio de até 300 m além das áreas demarcadas. Nas coletas aleatórias, que ocorreram todas as vezes em que cada hectare foi visitado, foram enfatizados apenas os indivíduos em estágio reprodutivo. No decorrer de dois anos (maio/2005 a maio/2007) foram efetuadas visitas e coletas durante os meses nos quais o PEA não se encontrava alagado (maio a novembro) e permitia o acesso de veículos 4x4. Deste modo, cada hectare demarcado (e imediações) foi amostrado no mínimo duas vezes no período seco e duas no início ou final do período chuvoso.

As coletas botânicas foram prensadas no local e levadas a uma estufa de campo para secagem. O material coletado foi processado de acordo com a metodologia proposta por Mori et al. (1989) e a identificação foi realizada com o uso de bibliografias especializadas, comparações em herbários e colaboração de especialistas. Posteriormente, as coletas foram incorporadas ao Herbário NX, Campus de Nova Xavantina, Universidade do Estado de Mato Grosso. O sistema de classificação botânica adotado foi o APG III (2009) e a revisão dos nomes dos táxons seguiu a indicação de Forzza et al. (2010). As espécies foram classificadas quanto ao hábito, seguindo o que foi proposto por Pivello et al. (2006).

Para avaliar a similaridade florística entre os 11 hectares (excluindo-se as coletas aleatórias) de campos de murundus do PEA foi utilizado o coeficiente de Distância Euclidiana Simples e uma análise de agrupamento a partir do Método de Ward (Kent & Coker 1992), sendo gerado um dendrograma cujos valores da abscissa expressam a similaridade florística entre as áreas indicadas na ordenada. Para tanto foi utilizado o software PC-Ord v. 3.17 (McCune & Meffort 1997).

Em cada área amostrada foi avaliado o nível de antropização, sendo considerado alto quando havia evidentes sinais de pastoreio pelo gado (pisoteio e solo exposto), passagem de fogo no ano anterior (carbonização de cascas e troncos) e estradas ou trilhas nas proximidades. A antropização média foi considerada a partir de sinais menos evidentes de pastoreio e queimadas e quando as estradas ou trilhas encontravam-se mais distantes. A antropização foi baixa quando não havia sinais de pastoreio e fogo e a área era de difícil acesso. No presente estudo foram amostradas apenas áreas de médio e baixo nível de antropização.

Para cada murundu foram medidos o comprimento, a largura e a altura, sendo que a área foi calculada de acordo com a fórmula proposta por Oliveira-Filho (1992a). A distância até o murundu mais próximo foi medida a partir do ponto central de cada murundu. Também foram contados os ninhos epígeos de cupins (cupinzeiros) localizados sobre os murundus. O número médio de cupinzeiros por murundu, as alturas e áreas dos murundus e as distâncias médias entre os murundus foram comparados entre os hectares a partir do teste não-paramétrico de Kruskal-Wallis utilizando-se o software SYSTAT v. 7 (SPSS 1997).

 

Resultados

Dentre as 11 áreas de campos de murundus (CM) amostradas no Parque Estadual do Araguaia (PEA), cinco encontravam-se geograficamente mais próximas ao Rio Araguaia e seis mais próximas do Rio das Mortes, com altitudes que variaram entre 194,6 a 222,6 m e nível de antropização de baixo a médio (Tab. 1). Em geral, as alturas e áreas médias dos 373 murundus avaliados, as distâncias entre eles e o número de cupinzeiros posicionados sobre os murundus foram superiores nas áreas geograficamente mais próximas ao Rio Araguaia (Tab. 1). Por outro lado, o percentual de área ocupada pelos murundus, a densidade de árvores e arbustos na porção inundável (campo limpo) e o número de murundus por hectare foram superiores nas áreas amostradas nas proximidades do Rio das Mortes (Tab. 1).

O dendrograma, gerado a partir da análise de similaridade florística (Fig. 1), resultou em dois grupos distintos, um formado pelos CM amostrados nas proximidades do Rio das Mortes e outro com os CM amostrados nas proximidades do Rio Araguaia.

 

 

Em toda a área amostral foram coletadas 318 espécies, 193 gêneros e 66 famílias botânicas. Nos CM os valores variaram de 51 a 135 espécies, 42 a 107 gêneros e 27 a 52 famílias, sendo que, de forma geral, os menores valores de riqueza e da relação nº de espécies/nº de famílias foram registrados para os CM próximos ao Rio Araguaia e os maiores para os CM próximos ao Rio das Mortes (Tab. 2).

Dentre os táxons identificados até o nível de espécie no presente estudo, 90% também aparecem na lista elaborada por Mendonça et al. (2008) para o Bioma Cerrado. Entretanto, das 232 espécies listadas pelos referidos autores, apenas 18 são citadas como de ocorrência em campos de murundus, sendo que as demais ocorrem em cerrado stricto sensu, áreas úmidas e/ou savanas amazônicas. Entre todas as árvores, arbustos e palmeiras identificados ao nível de espécie no presente estudo, 68% foram registradas por Mendonça et al. (2008) como de ocorrência em cerrado stricto sensu. Analisando-se as espécies registradas no MOBOT (2010), no NYBG (2010), na lista de espécies para Mato Grosso elaborada por Dubs (1998) e na plataforma que congrega dados de seis herbários da região Centro Oeste (Florescer 2010), apenas 21 foram registradas para campos de murundus. Das espécies amostradas e identificadas nos campos de murundus do PEA, 47 foram registradas por Forzza et al. (2010) como endêmicas do Brasil (três com ocorrência exclusiva em Mato Grosso), 42 como não ocorrendo em Mato Grosso e 13 não ocorrendo no Bioma Cerrado (Tab. 3).

Cerca de 70% dos gêneros registrados nos CM do PEA foram representados por uma única espécie e a proporção de gêneros monoespecíficos em cada CM variou de 75,3 a 92,3% (Tab. 2). Os gêneros que apresentaram maior número de espécies no presente estudo foram Paspalum (12 espécies), Byrsonima (7), Aristida (7) e Eugenia, Polygala, Rhynchospora e Xyris (6 cada), os quais representaram 16% das espécies amostradas. Dentre as famílias botânicas registradas no PEA, 29% foram representadas por apenas uma espécie, variando de 38,1 a 69,4% para cada CM (Tab. 2). As famílias com maior riqueza de espécies foram Poaceae (46 espécies), Fabaceae (34), Rubiaceae (14), Cyperaceae (12), Malpighiaceae (11) e Asteraceae (11), sendo que as duas primeiras só não apresentaram o maior número de espécies em um dos CM amostrados (Tab. 3).

Considerando-se o hábito das 318 espécies amostradas, os maiores valores foram registrados para ervas (55,7% das espécies) e árvores (19,8%) e os menores para lianas (3,5%) e palmeiras (0,9%), sendo que este mesmo padrão se repetiu para os CM analisados individualmente (Tab. 2).

Curatella americana, Andira cujabensis, Myrcia guianensis, Erythroxylum suberosum, Byrsonima cydoniifolia, Heteropterys byrsonimiifolia e Casearia sylvestris ocorreram em todos os CM amostrados no PEA, outras sete espécies ocorreram em 10 CM e 49 ocorreram em pelo menos seis (Tab. 3). Nenhuma espécie de erva ou subarbusto ocorreu em todos os CM, mas Borreria latifolia (erva) e Sabicea brasiliensis (sub-arbusto) ocorreram em 10. Por outro lado, 47% das espécies de ervas e 36% de subarbustos ocorreram em apenas um CM.

 

Discussão

Diferenças físicas e espaciais registradas nos murundus avaliados no PEA permitem sugerir uma variação de acordo com a localização geográfica das áreas amostradas. De acordo com Marimon et al. (2008a), a região de abrangência do Rio Araguaia, no período chuvoso, normalmente é a primeira a sofrer alagamento em função do extravasamento do rio e, consequentemente, no período mais seco (junho a setembro) permanece úmida por mais tempo. Por outro lado, os CM localizados nas proximidades do Rio das Mortes sofrem menor alagamento e somente ficam cobertos por uma lâmina d´água no auge das chuvas. Neste caso, sugere-se que o padrão físico-espacial dos murundus amostrados no PEA, como densidade, altura, distância e distribuição, pode ser um reflexo do regime de inundação sazonal na área, visto que o padrão esperado para locais de inundação mais intensa, como foi registrado na região de abrangência do Rio Araguaia, é de murundus mais altos, em menor número por hectare, maior distância entre eles e menor número de arbustos e árvores localizados na área efetivamente alagada (campo limpo).

A separação de dois grupos florísticos nos CM do PEA também pode estar associada às diferenças do pulso de inundação regulado pelos rios que delimitam o parque. Os CM do grupo 'Rio das Mortes', além da proximidade geográfica, também podem estar associados à menor inundação, que ficou refletida na maior riqueza de espécies e na presença de indivíduos arbustivo-arbóreos no campo limpo que inunda no período chuvoso. No grupo 'Rio Araguaia' os CM apresentaram menor riqueza florística, além de menor percentual de área ocupada por murundus. Os menores valores de riqueza e da relação nº de espécies/nº de famílias registrados nos CM geograficamente mais próximos do Rio Araguaia também podem confirmar que a maior intensidade e período de inundação e o estresse hídrico provocado pelo alagamento estariam limitando o número de espécies por família, atuando como um filtro ambiental (Cianciaruso & Batalha 2009) e restringindo a ocorrência daquelas que não toleram esta condição sazonal (Amorim & Batalha 2006). Da mesma forma, Pinder & Rosso (1998) registraram para 10 diferentes fitofisionomias maior riqueza de espécies em áreas com menor saturação de água no solo. Assim, tal como observado por Hamilton (2002), no Pantanal mato-grossense, o regime hídrico do Pantanal do Araguaia também pode estar determinando a vegetação que ocupa estes campos de murundus.

A elevada riqueza de espécies, considerando-se todos os campos de murundus amostrados no PEA, deve-se, possivelmente, à heterogeneidade ambiental em escala local (murundu que não alaga x campo que alaga) e regional, como a variação no pulso de inundação dos rios que delimitam o parque. Tal como no presente estudo, Oliveira-Filho (1992b) e Araújo-Neto et al. (1986) observaram que em campos de murundus a ocorrência de um gradiente de umidade em uma escala micro e macrotopográfica pode ser determinante para o zoneamento de diferentes comunidades vegetais.

Considerando-se o levantamento realizado por Marimon et al. (2008b), em outra área de campo de murundus no PEA, há um acréscimo de quatro espécies de árvores (Myrcia camapuanensis N. Silveira, Byrsonima verbascifolia (L.) DC., Dalbergia miscolobium Benth. e Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne), perfazendo um total de 322 espécies e 195 gêneros amostrados em campos de murundus no PEA. Considerando-se que menos de 7% das espécies listadas no presente estudo foram citadas como de ocorrência em campos de murundus em outros estudos e/ou herbários e considerando-se que os estudos nesta fitofisionomia são ainda restritos, o presente trabalho amplia consideravelmente as informações sobre a área e os ambientes de ocorrência destas espécies, além de fornecer informações sobre espécies endêmicas e novos registros sobre a ocorrência de espécies em Mato Grosso e no Bioma Cerrado.

Os elevados números de gêneros com apenas uma espécie registrados nos CM do PEA também podem ser indicativos de elevada biodiversidade da região. Dentre os gêneros de maior riqueza nos CM do PEA, alguns também se destacaram em áreas úmidas do Brasil, como Rhynchospora, Paspalum e Polygala (Araújo et al. 2002, Tannus & Assis 2004, Rebellato & Cunha 2005, Munhoz & Felfili 2007) e outros, como Eugenia, podem ser comuns em áreas de cerrado stricto sensu (Weiser & Godoy 2001) não sujeitas ao alagamento, reforçando as condições ambientais heterogêneas encontradas nos CM amostrados, com áreas mais secas (sobre os murundus) e áreas mais úmidas (campo).

A família com maior riqueza de espécies nos CM do PEA (Poaceae) vem sendo citada como importante no Bioma Cerrado desde os trabalhos clássicos de Goodland (1969) e Warming (1973) até os mais atuais, como de Mantovani & Martins (1993), Rebellato & Cunha (2005) e Munhoz & Felfili (2007). Além desta, Fabaceae, Rubiaceae e Asteraceae também se destacam entre as famílias com maior número de espécies do Bioma Cerrado (Mendonça et al. 2008) e Cyperaceae em áreas úmidas (Tannus & Assis 2004; Rebellato & Cunha 2005).

Dentre as 46 espécies de Poaceae registradas no presente estudo, 13 foram citadas por Filgueiras & Fagg (2008) com potencial de uso na recuperação de áreas degradadas, sendo que 11 apresentariam crescimento rápido. Dentre as espécies de Poaceae mencionadas por Allem & Valls (1987) e Pott (1982) como de potencial forrageiro nativo do Pantanal mato-grossense, 21 também foram registradas no presente estudo, com destaque para Mesosetum loliiforme e Paspalum almum. Estes aspectos destacam o PEA como uma importante área para a realização de estudos sobre o potencial forrageiro de espécies nativas de Poaceae. Neste caso, a presença controlada do gado pode ser importante para o manejo de gramíneas, pois diminui o acúmulo de biomassa seca e consequentemente o risco de incêndios, especialmente nos períodos de seca severa (Pozer & Nogueira 2004).

Apesar de Malpighiaceae ser registrada em trabalhos realizados no Cerrado, esta família normalmente não está posicionada entre as cinco de maior riqueza (Balduino et al. 2005, Mendonça et al. 2008). No presente estudo, o destaque de Malpighiaceae, particularmente em função do gênero Byrsonima (o segundo em número de espécies e ocorrendo em todos os CM do PEA), pode representar uma importante característica para os campos de murundus, principalmente pelo fato do referido gênero apresentar frutos zoocóricos importantes para a fauna local (Weiser & Godoy 2001, Marimon et al. 2008a), visto que extensas áreas do PEA, sujeitas ao alagamento no período chuvoso, apresentam formações monodominantes de Byrsonima cydoniifolia (os muricizais). De acordo com Marimon & Lima (2001) e Marimon et al. (2008a), os solos dos muricizais são do tipo Gleissolo e o alagamento pode atingir até 1,5 m acima da superfície na época das chuvas. Os referidos autores mencionam ainda que em locais onde ocorre pastoreio excessivo pelo gado bovino ou onde há registros de passagem frequente do fogo os muricizais podem aumentar sua área de ocorrência de forma descontrolada.

O componente herbáceo-subarbustivo prevaleceu sobre o arbustivo-arbóreo na proporção de aproximadamente 3:1, confirmando a importância deste estrato na estrutura vertical dos CM do PEA. Mendonça et al. (2008), encontraram para o Bioma Cerrado uma proporção de 5,6:1 na predominância de espécies herbáceas sobre as arbustivo-arbóreas. Tannus & Assis (2004), em campo sujo e campo úmido, registraram 3,6:1 e Felfili et al. (1994), em áreas de cerrado do Brasil Central, registraram a proporção de 3:1, em um padrão similar ao observado nos CM do PEA. A flora herbácea é ainda pouco estudada em todo o Bioma Cerrado (Munhoz & Felfili 2007), sendo essencial a inclusão deste componente nos levantamentos em campos de murundus.

Cerca de 20% do total das espécies amostradas no PEA podem ser categorizadas como sendo de ampla distribuição, por ocorrer em mais da metade dos CM amostrados. Por outro lado, 39% das espécies ocorreram em apenas um CM, confirmando que as áreas podem apresentar características ambientais distintas que determinam a ocorrência das espécies em alguns locais e a ausência em outros. Este aspecto reforça a necessidade de selecionar grandes áreas de unidades de conservação para representar satisfatoriamente esta fitofisionomia, o mosaico vegetacional, a diversidade de paisagens e a geodiversidade da região.

Comparando-se as 63 espécies com ampla distribuição nos CM do PEA com aquelas amostradas em outras seis áreas de campos de murundus brasileiros (Araújo-Neto et al. 1986, Oliveira-Filho 1992b, Resende et al. 2004, Barbosa et al. 2005, Bordignon et al. 2007, Marimon et al. 2008b), observa-se que apenas Erythroxylum suberosum ocorreu em todas as áreas e que Byrsonima coccolobifolia, Bowdichia virgilioides e Casearia sylvestris ocorreram no PEA e em cinco das seis áreas amostradas no Brasil. Assim, estas quatro espécies podem ser consideradas típicas de campos de murundus brasileiros, sendo ainda apontadas por Ratter et al. (2003) e Forzza et al. (2010) como de ampla ocorrência em fitofisionomias e regiões ocupadas pelo Bioma Cerrado. Sugerimos que a ampla distribuição das referidas espécies pode estar relacionada a uma plasticidade ambiental, pois além de estarem distribuídas em Plintossolos hidromórficos em baixas altitudes (presente estudo), ocorrem também em solos Litólicos ou rochosos em baixas (Maracahipes et al. 2011) e elevadas altitudes (Felfili & Fagg 2007), bem como em Latossolos ou Cambissolos, não alagáveis e em distintas altitudes (Felfili & Silva Júnior 1993, Marimon-Junior & Haridasan 2005, Nunes et al. 2002).

Dentre as espécies que ocorreram em todos os CM amostrados no PEA e em outras áreas de campos de murundus de Mato Grosso (Oliveira-Filho 1992b, Bordignon et al. 2007, Marimon et al. 2008b), Curatella americana foi considerada por Ratter et al. (1973; 2003), Prance & Schaller (1982), Oliveira-Filho (1992b), Oliveira-Filho et al. (1989) e Ponce & Cunha (1993) como de ampla distribuição, tolerante à saturação hídrica sazonal do solo e ecologicamente dominante sobre murundus. Assim, a tolerância desta espécie às áreas sujeitas a inundação pode explicar sua ampla ocorrência nos campos sazonalmente alagados do PEA. Outra espécie bastante representativa dos CM do PEA foi Byrsonima cydoniifolia, pois apresentou ampla distribuição no parque e não foi registrada em outros levantamentos realizados em campos de murundus no Brasil.

Uma das espécies de erva registrada em 10 dos 11 CM amostrados no PEA, Borreria latifolia, foi citada por Pott et al. (2006) como de ampla ocorrência em áreas sujeitas à inundação sazonal, tanto no Pantanal quanto no Cerrado, o que pode explicar sua ampla distribuição no PEA. Entretanto, o elevado número de espécies de ervas que ocorreram em apenas um CM pode refletir uma elevada heterogeneidade ambiental que estaria limitando a distribuição destas espécies, tal como observado por Cianciaruso & Batalha (2009), em áreas alagáveis do Cerrado. Assim, os padrões de ocorrência e distribuição espacial das espécies abustivo-arbóreas parecem ser distintos daqueles observados para as espécies herbáceo-subarbustivas.

Este foi o maior levantamento florístico já realizado em campos de murundus, permitindo uma importante ampliação do conhecimento e representando um aumento de mais de 900% no registro de espécies do Cerrado que ocorrem nesta fitofisionomia. Observou-se que a maioria das espécies lenhosas amostradas sobre os murundus no PEA são típicas de formações savânicas do bioma. Entre elas, sugerimos que Erythroxylum suberosum seja considerada uma espécie típica de campos de murundus brasileiros, Curatella americana típica de campos de murundus de Mato Grosso e Byrsonima cydoniifolia típica dos campos de murundus do Parque Estadual do Araguaia, localizado na planície de ocorrência da maior área contínua deste tipo de vegetação no Brasil. O padrão físico-topográfico e de distribuição dos murundus pode ser um reflexo do pulso de inundação sazonal, visto que a composição florística dos campos de murundus variou entre as áreas de abrangência dos rios que delimitam o parque. Finalmente, se por um lado o alagamento seleciona espécies mais tolerantes a ambientes inundáveis, reduzindo a riqueza local (diversidade alfa), por outro lado, a heterogeneidade ambiental em escala local (microrelevo e solos) e regional (cotas altimétricas e níveis de inundação) pode promover o aumento da diversidade beta e consequentemente justifica a elevada riqueza florística (diversidade gama) observada nos campos de murundus estudados.

 

Agradecimentos

Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT, Proc. 0650/2006) pelo financiamento da pesquisa, à Secretaria do Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT) por autorizar o desenvolvimento deste estudo e disponibilizar o uso da sede do Parque Estadual do Araguaia para o alojamento dos pesquisadores e ao CNPq pela concessão de uma bolsa de Iniciação Científica. Os autores agradecem ainda aos 26 taxonomistas e especialistas brasileiros e estrangeiros que foram essenciais para garantir qualidade ao trabalho.

 

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Recebido em 11/11/2010
Aceito em 6/02/2012