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Revista Brasileira de Ortopedia

versión impresa ISSN 0102-3616

Rev. bras. ortop. vol.45 no.3 São Paulo mayo/jun. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-36162010000300001 

EDITORIAL

 

O autor

 

 

Ter uma ideia ou opinião na medicina é algo comum e frequente; discuti-la publicamente exige algum embasamento e responsabilidade; publicá-la exige persistência, técnica, dedicação, conhecimento e disciplina.

O autor deve reunir todas as características descritas e ainda ter alta dose de compreensão para aceitar as eventuais correções dos editores e as regras de editoração das revistas.

Este exercício de cidadania médica, que é redigir e publicar um trabalho científico, é, em parte, recompensado pela divulgação de seu trabalho e pela pontuação em sua carreira acadêmica.

A divulgação no meio profissional pela publicação é a forma mais correta e lícita de propaganda e tem um retorno que é medido pelo respeito, qualidade muito valorizada na área médica. A pontuação no meio acadêmico é feita através das avaliações dos órgãos federais de controle da produção científica, fato que já discutimos mais de uma vez em editoriais como este. No meio acadêmico o respeito pelo autor é tão grande que esta qualidade é a principal moeda de troca na análise de qualquer concurso na vida universitária. Vale mais uma publicação em revista de boa qualidade do que organizar um livro, por exemplo.

Porque esta obvia manifestação de respeito e apreço à figura do autor?

Porque em algumas situações esta importante qualidade que um médico tem é banalizada, pelo número exagerado de autores relacionados em trabalhos científicos.

Na RBO nós não temos um limite claro para número de autores por trabalho, e na maioria das vezes recebemos trabalhos com até quatro ou cinco autores. Imaginamos que o primeiro autor tenha sido o principal, o segundo o auxiliar mais atuante, o ultimo o mentor e o terceiro ou o terceiro e quarto auxiliares em áreas acessórias do tema ou aluno em processo de iniciação científica. Por exemplo, um trabalho sobre tumor ósseo, teria o primeiro autor como aquele que organizou os casos, levantou todos os prontuários, montou todas as tabelas, discutiu a análise estatística e redigiu o trabalho com o auxílio do segundo sob a orientação do último, o terceiro ou o terceiro e quarto se houver, foram o radiologista e/ou o anatomopatologista.

Outros colaboradores que eventualmente tenham participado do trabalho fornecendo alguma referência bibliográfica, indicando um ou outro caso para a casuística ou oferecendo alguma documentação científica podem ser considerados e receber um agradecimento no final do trabalho, após as conclusões. Não são autores, pois não participaram da estruturação do trabalho e, portanto, não podem ser relacionados. Os autores de um trabalho podem não ter participado da execução de nenhum dos atos que são analisados para a confecção do texto; ser autor de uma publicação é um ato intelectual e não físico. Excelentes trabalhos são publicados a partir de revisões sistemáticas, nas quais não há nenhum envolvimento dos autores com os textos considerados.

Na RBO quando recebemos um trabalho com mais de cinco autores temos dificuldade em compreender, especialmente quando se trata de trabalho sobre relato de caso ou análise de uma técnica específica.

Colocar seis ou sete autores em um trabalho que não é um consenso ou uma pesquisa clínica aberta multicêntrica sugere certo protecionismo ou mesmo um favorecimento, que não deve ocorrer nesta atividade.

Algumas revistas citam os seis primeiros autores e colocam os outros sobre a denominação et al, que significa e outros. A citação nos sistemas de busca eletrônica ou em outros trabalhos será sempre baseada no primeiro autor. Na verdade não há uma hierarquia de valores segundo a ordem de citação, e em algumas situações um nome em qualquer posição do rol de autores confere confiabilidade e respeito ao texto, mas há um consenso de que os autores citados têm que ter relação direta com o trabalho.

A RBO manterá a sua atitude de respeitar todos os autores relatados, mas sugere neste editorial que esta atitude seja bastante consciente, para evitar a desvalorização e a banalização desta importante figura da educação médica continuada e da editoração científica - o autor.

 

Gilberto Luis Camanho