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Revista Brasileira de Ortopedia

Print version ISSN 0102-3616

Rev. bras. ortop. vol.46 no.3 São Paulo  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-36162011000300020 

IN MEMORIAM

 

Lídio Toledo levantou vários "canecos"

 

 

 

 

Lídio Toledo 1933 - 2011.

O carioca "da gema" Lídio Toledo formou-se em 1959 pela Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (UERJ). Buscou conhecimentos ortopédicos em vários locais, dentre eles no serviço de José Luiz Bado, em Montevidéu, e no serviço do prof. Watanabe, em Kioto, ocasião em que aprendeu a então moderna técnica artroscópica, trazendo ao Brasil o clássico "Watanabe 21", sendo pioneiro desta técnica no Rio de Janeiro ainda nos anos 1970. Trabalhou praticamente durante toda a sua vida profissional no Hospital Municipal Miguel Couto. Lecionou nos cursos de Medicina e de Educação Física da UFRJ. Nos períodos de lazer, optava por um bate-papo descontraído com amigos na praia.

Lídio Toledo foi sinônimo de "médico da seleção brasileira" ao longo de quase 30 anos e inaugurou uma fase mais especializada de atendimento ao atleta depois de a Seleção ter clínico-geral e até dentista como responsável pelo departamento médico. Participou de seis Copas (1970, 1974, 1978, 1990, 1994, e 1998). Levantou, portanto, dois "canecos" como médico da Seleção canarinho, em 1970 e em 1994. Inúmeras histórias povoam a lembrança de quem acompanhou a sua saga ao lado da mais famosa seleção de futebol do mundo. Manteve o lateral Branco no elenco em 1994 apesar das dores nas costas - ele se tornaria um dos heróis do tetra, com um inesquecível gol de falta. Porém, cortou Romário às vésperas da Copa da França em 1998 por causa de uma lesão na panturrilha - claro que ele atraiu a ira da imprensa e da legião de fãs do ídolo. Todos se lembram do melancólico final do Mundial da França, quando ele liberou Ronaldo para jogar logo após a conhecida e ainda controversa convulsão cerebral.

Lídio Toledo dedicou 40 anos ao departamento médico do Botafogo, seu time do coração. Lá, tratou e se tornou amigo de ídolos como Garrincha, Zagalo, Paulo César Caju, Manga e outros.

Com uma vida profissional intensamente dedicada ao esporte, Lídio Toledo deixou um verdadeiro acervo de taças, medalhas, diplomas, flâmulas, abrigos esportivos, fotos, cartas etc. Sem dúvida, um rico material para ser catalogado e conhecido pelos entusiastas do "esporte das multidões".

A partir de 1999, Toledo passou a ter cadeira permanente no Comitê de Medicina Desportiva da FIFA, frequentando reuniões semestrais em Zurique desde então.

Seus três filhos são médicos ortopedistas. São eles: Luiz Fernando, ainda em residência médica, Lúcio Toledo e Lídio Toledo Filho, que no Congresso ISAKOS 2011, recentemente realizado no Rio de Janeiro, foi premiado como um dos "Top-10 Eletronic Poster" pelo inédito trabalho "The first 80 arthroscopic cases of a wheelchair surgeon after spinal cord injury caused by a gunshot".

Aos 78 anos de idade, Lídio Toledo era uma "lenda viva" do mais popular esporte da humanidade - o futebol. Sim, ele levantou vários "canecos".

Requiescat in pace, Dr. Lídio.

Osvandré Lech