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Revista Brasileira de Ortopedia

Print version ISSN 0102-3616

Rev. bras. ortop. vol.47 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-36162012000100001 

ARTIGO DE ATUALIZAÇÃO

 

Atualização no diagnóstico e tratamento das lesões condrais do joelho

 

 

Marcantonio Machado da Cunha Cavalcanti FilhoI; Daniel DocaII; Moisés CohenIII; Mário FerrettiIV

IEstagiário do Programa Locomotor do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) – São Paulo, SP, Brasil
IIMédico Assistente do Centro de Traumatologia do Esporte (CETE) do Departamento de Ortopedia e Traumatologia (DOT) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)  São Paulo, SP, Brasil
IIIProfessor Adjunto, Livre-Docente e Chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia (DOT) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – São Paulo, SP, Brasil
IVProfessor Adjunto do Departamento de Ortopedia e Traumatologia (DOT) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Médico Coordenador do Programa Locomotor do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) – São Paulo, SP, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

O tratamento das lesões condrais no joelho ainda permanece um desafio para o cirurgião ortopédico, principalmente pelas próprias características da cartilagem, que promovem um baixo potencial de regeneração. As lesões condrais podem ser causadas por estímulos metabólicos, genéticos, vasculares e traumáticos e são classificadas de acordo com o tamanho e espessura da cartilagem acometida. O diagnóstico clínico pode ser difícil, principalmente pela sintomatologia insidiosa, sendo necessário o uso de exames complementares, em especial, a ressonância magnética. O tratamento dessas lesões é, em geral, iniciado de forma conservadora, ficando o tratamento cirúrgico reservado para pacientes com fragmentos condrais destacados, com bloqueio do arco de movimento, ou pacientes refratários ao tratamento clínico. As técnicas cirúrgicas mais usadas para o tratamento dos defeitos de espessura parcial são o desbridamento e a ablação por radiofrequência. Essas técnicas têm o objetivo de melhorar os sintomas, já que não restauram a estrutura e a função normal da cartilagem. Para os defeitos de espessura total (lesão osteocondral), os tratamentos disponíveis são a abrasão, drilling, microfratura, transplante osteocondral autólogo e alógeno e técnicas biológicas como o uso de transplante autólogo de condrócitos, técnica da cartilagem picada (minced cartilage) e o transplante de células-tronco.

Descritores – Doenças das Cartilagens; Joelho; Artroscopia; Cartilagem Articular


 

 

INTRODUÇÃO

O joelho é uma articulação diartrodial, formada por duas superfícies articulares: tibiofemoral e patelofemoral. O compartimento medial e o lateral tibiofemoral, junto com a articulação patelofemoral, formam os três compartimentos do joelho, sendo estes revestidos por cartilagem articular hialina(1).

A cartilagem articular hialina é uma variedade de tecido conjuntivo denso, constituído por células, água e matriz. Apresenta-se como um tecido bem estruturado, elástico e com uma superfície lisa de cor branca. As principais funções da cartilagem articular são a proteção do osso subcondral, o deslizamento sem atrito das superfícies em contato e a absorção de impacto(2-5).

A cartilagem hialina é composta principalmente por condrócitos envolvidos por uma matriz extracelular (MEC)(3-6). A MEC é sintetizada e secretada pelos condrócitos, composta principalmente por fibras colágenas tipo II, proteoglicanos e água(4,6). Morfologicamente, a cartilagem hialina apresenta quatro camadas: superficial, intermediária, profunda e calcificada(3). As propriedades biomecânicas da cartilagem articular são largamente dependentes da composição e da integridade da matriz extracelular. A cartilagem articular é um tecido hipocelular, avascular, aneural e alinfático, o que diminui a possibilidade de regeneração tecidual(3,6).

Lesões condrais são lesões provocadas por degradação da cartilagem articular, em resposta a estímulos metabólicos, genéticos, vasculares e traumáticos, podendo ocorrer devido a um único episódio de excesso de carga na articulação do joelho ou através de vários episódios cíclicos e de pequena magnitude. Essas lesões são subdivididas de acordo com a espessura acometida, que vão desde microlesão, lesão condral, até lesão osteocondral envolvendo todas as camadas da cartilagem articular, atingindo o osso subcondral(7).

A lesão osteocondral em pacientes que apresentam cartilagem saudável geralmente tem origem traumática. Apesar de algumas lesões condrais serem assintomáticas, pode evoluir com degeneração da cartilagem e osteoartrose(8).

Classificação das lesões condrais

Defeitos da cartilagem articular se diferenciam em duas categorias: defeitos de espessura parcial e defeitos de espessura total (defeito osteocondral)(5).

Em 1961, Outerbridge(9) classificou as alterações macroscópicas da cartilagem articular em quatro graus. Grau I – amolecimento da cartilagem; grau II – fragmentação e fissura em área de meia polegada de diâmetro ou menos (1,5cm de diâmetro ou menos); grau III – esse processo cresce e envolve área superior a meia polegada de diâmetro (1,5cm de diâmetro ou superior); grau IV – lesão que compromete toda a espessura da cartilagem com exposição do osso subcondral.

O sistema ICRS (International Cartilage Repair Society) de avaliação da reparação da cartilagem foi desenvolvido a partir da obra de Brittberg et al(10) O sistema de pontuação para avaliar macroscopicamente o reparo de defeitos da cartilagem foi descrito por Peterson et al(11) com uma descrição mais abrangente. Esta classificação foi adotada e simplificada pela ICRS e vem sendo utilizada na avaliação do grau de lesão condral(12) (Tabela 1).

 

 

Epidemiologia

A real incidência das lesões osteocondrais em humanos é desconhecida em função de grande parte delas serem assintomáticas. Na tentativa de estimar essas lesões, dois grandes estudos foram realizados retrospectivamente(13,14).

No estudo de Curl et al(13), observou-se que 41% dos pacientes com lesão condral detectada durante a artroscopia tinham fragmentação e fissura em uma área superior a meia polegada de diâmetro (lesões condrais Outerbridge grau III) e 19,2% tiveram erosão da cartilagem envolvendo osso subcondral (lesões condrais Outerbridge grau IV). De acordo com esse estudo, 20% das lesões condrais classificadas como grau IV estão localizados no côndilo femoral medial, e 72% dos casos de lesão condral grau IV são encontrados em pacientes acima de 40 anos.

No estudo de Widuchowski et al(14) foi encontrado algum tipo de lesão condral em 60% dos joelhos operados, dos quais 67% foram classificados como lesão osteocondral ou lesão condral, 29% como osteoartrite, 2% como osteocondrite dissecante e 1% como outros tipos. Lesões não isoladas da cartilagem ocorreram em 70% dos casos e lesões isoladas responderam por 30%. A superfície articular da patela com 36% e o côndilo femoral medial com 34% foram as localizações mais frequentes. A lesão classificada como grau 2 segundo Outerbridge foi a mais frequente, ocorrendo em 42% dos casos. A lesão mais comum associada à lesão condral foi a ruptura do menisco medial com 42%, seguida da lesão do ligamento cruzado anterior com 36%.

 

DIAGNÓSTICO

Clínico – Pode ser difícil, pois a sintomatologia é pobre. As queixas mais frequentes são: dor, derrame articular, bloqueio e crepitação. Geralmente os sintomas são insidiosos, com dor difusa ou específica na interlinha articular e na região anterior do joelho(7). Alguns testes provocativos podem ser feitos para o diagnóstico da lesão, como o teste de Wilson, que identifica osteocondrite dissecante no côndilo medial(15).

Radiológico (Rx) – Pode ser importante na exclusão de outras patologias e lesões associadas como lesões degenerativas (presença de osteófitos, cistos, escleroses subcondrais e redução do espaço articular)(16) e fraturas, além de possibilitar a visualização de uma lesão condral completa com um fragmento solto na cavidade articular, patologia conhecida como osteocondrite dissecante.

Tomografia e artrotomografia – Basicamente as mesmas indicações de diagnóstico que a radiografia, sendo que a injeção de contraste intra-articular (artrotomografia) demonstra diretamente a presença de lesões condrais. Com o advento da ressonância nuclear magnética, este exame não é considerado padrão ouro, além de possuir riscos da injeção de contraste na articulação(17).

Ressonância nuclear magnética (RNM) – A ressonância magnética, com seu excelente contraste de partes moles, é a melhor técnica de imagem disponível para estudo das lesões de cartilagem(18). Permite uma avaliação morfológica da superfície, da espessura, do volume e do osso subcondral (Figura 1).

Artroscopia – É o exame padrão ouro das patologias intra-articulares do joelho(19). Possibilita classificar, localizar e palpar as lesões através da utilização de instrumental (Figura 2).

Tratamento conservador

Os procedimentos conservadores são geralmente a primeira abordagem para tratar os sintomas das lesões no joelho e estes incluem fisioterapia, perda de peso e medicações sistêmicas para o alívio da dor(20). A fisioterapia mantém a amplitude de movimento, favorecendo a nutrição da cartilagem e fortalecendo o membroafetado(21). Medicamentos têm sido utilizados para alívio da dor, incluindo analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINE).

 

TRATAMENTOS CIRÚRGICOS

Defeitos parciais

Técnicas não reparativas e não restaurativas cirúrgicas, como o desbridamento e a radiofrequência, podem ser realizadas. Estas visam promover uma superfície mais regular(22). Estes procedimentos são feitos artroscopicamente, para minimizar a dor e melhorar a mobilidade, mas não restauram completamente a estrutura e as funções de cartilagem(23).

Desbridamento

O desbridamento era comumente usado no tratamento da osteoartrose, porém pode também tratar defeitos condrais exclusivos. O procedimento de desbridamento foi estabelecido por Magnuson em 1941 apud Day(24). O desbridamento, usado para lesões condrais parciais, envolve a remoção de fragmentos, por exemplo, flaps instáveis condrais, osteófitos, excesso de sinóvia, meniscos degenerados e ligamentos rompidos(22). É realizado geralmente com o shaver; no entanto, outros métodos, como eletrocautério, laser e radiofrequência podem também ser utilizados(25). A técnica destina-se a eliminar os sintomas, promovendo alívio da dor e melhora das funções. No entanto, o retorno dos sintomas é esperado(22).

Radiofrequência

Uma alternativa utilizada para o tratamento das lesões condrais parciais é a radiofrequência, que se tornou bastante popular pela facilidade de se usar artroscopicamente e pela eficácia para regularizar as lesões condrais parciais. No entanto, a alta temperatura intra-articular associada a este método pode ter potencial de destruir parcialmente ou completamente a cartilagem articular(25). Temperatura acima de 50°C foi definida como um limiar crítico para a morte dos condrócitos(26). A ocorrência de necrose associada com o uso da radiofrequência depende da quantidade e do tempo da aplicação da energia(27); a técnica ideal de uso deste dispositivo visa utilizá-lo como um pincel, no qual o aparelho é mantido em movimento contínuo. Usando este tipo de aplicação, com dois diferentes tipos de radiofrequência, Amiel et al(28) demostraram que os condrócitos permaneceram intactos e ativos a uma profundidade de 100-200µm subjacente ao local do tratamento. Nos últimos anos, radiofrequências com indicadores de temperaturas têm sido desenvolvidas, para que a temperatura possa ser monitorada durante a artroscopia(29).

Spahn et al(30) fizeram um estudo randomizado, controlado e prospectivo, comparando o uso de radiofrequência e o desbridamento mecânico nas lesões condrais do joelho e concluíram que todos os pacientes foram beneficiados por ambos os tratamentos, embora os pacientes tratados com a radiofrequência tivessem resultados superiores aos pacientes tratados por desbridamento mecânicos no primeiro ano de seguimento. Os resultados foram determinados por meio de diversos escores como o Tegner, escala visual analógica e pelo KOOS.

Defeitos totais da cartilagem – defeitos osteocondrais

Abrasão

É uma técnica artroscópica de desbridamento mecânico com aparelho motorizado tipo shaver. Primeiramente, foi descrita como paliativa na tentativa de evitar uma artroplastia total do joelho em pacientes com osteoartrose. Acredita-se que a estimulação do osso subcondral possa liberar células mesenquimais da medula óssea, promovendo a formação de um novo tecido(31).

Drilling

Esta técnica foi desenvolvida por Pridie(32), com o pressuposto de que a geração de inúmeros orifícios na placa subcondral iria promover a formação de fibrocartilagem.

É uma técnica artroscópica que consiste na estimulação da medula óssea através de perfurações ósseas de aproximadamente 2,0-2,5mm de diâmetro com um fio de Kirschner. Os resultados clínicos não são diferentes daqueles da técnica de abrasão(32).

Microfratura

É também uma técnica artroscópica de estimulação da medula óssea, através de perfuração óssea, utilizando ferramentas específicas com a ponta em forma de cone pontiagudo (Steadman Awl). Esse procedimento foi desenvolvido para regenerar o defeito condral. Na microfratura, primeiro o defeito osteocondral é curetado cautelosamente para retirar o restante da camada calcificada da cartilagem e depois regularizado para um defeito uniforme. Em seguida, são feitas perfurações ósseas com a ferramenta de ponta cônica, iniciando-se na periferia da lesão para o centro, respeitando um espaço entre as perfurações de 3 a 5mm. É importante dizer que, na microfratura, as perfurações penetram aproximadamente 3mm(33). A intenção dessa técnica é promover a formação de um coágulo de células mesenquimais provenientes da medula óssea, que será responsável por formar um reparo fibrocartilaginoso(33).

Os resultados clínicos da microfratura são largamente dependentes da idade do paciente e do tamanho do defeito da cartilagem. Em pacientes jovens, ativos, a microfratura é recomendada e tem melhores resultados a longo prazo em defeitos menores que 2,5cm2(34). Tem sido relatado que o procedimento da microfratura resultou em alívio da dor em 75% dos pacientes em longo tempo de follow-up(34). Em contrapartida, outros estudos demonstraram que a melhora clínica começa a diminuir em cerca de dois anos de pós-operatório, principalmente em pacientes mais velhos(35).

Devido à fácil técnica cirúrgica, o baixo custo e os bons resultados, a microfratura tem sido amplamente usada(33). A melhor indicação é para defeitos menores que 2cm2, porém, melhora da sintomatologia também pode ser alcançada em defeitos de até 4cm2. Melhores prognósticos são encontrados em pacientes jovens com defeitos nos côndilos femorais. Prognósticos menos promissores são encontrados em pacientes com longo tempo de lesão e alto índice de massa corpórea.

Mosaicoplastia

Transplante autólogo osteocondral, ou mosaicoplastia, é uma técnica em que um ou múltiplos cilindros osteocondrais são retirados de uma área sem descarga de peso para a área do defeito osteocondral (área com descarga de peso)(36).

A mosaicoplastia é um procedimento artroscópico, primeiramente descrito por Hangody e Kárpáti(37), que consiste em três etapas(38). A primeira etapa é a preparação do leito receptor, que envolve a remoção de fragmentos de cartilagem residual do leito condral até o osso subcondral seguido pela criação de túneis cilíndricos de 15mm de profundidade, espaçados por 1mm de distância entre eles. O diâmetro do leito receptor deve ser 0,1mm menor que o diâmetro do enxerto doador para promover um encaixe tipo press-fit, sendo o orifício confeccionado de forma perpendicular à cartilagem articular(37). A segunda etapa é a colheita do enxerto na forma cilíndrica, tendo 10-15mm de comprimento. A última etapa é a inserção do plug osteocondral no local receptor. Tem sido demostrado que diferentes tamanhos de enxerto (5,5 a 10mm) podem ser utilizados na mosaicoplastia(37). O melhor cenário é a possibilidade de usar apenas um cilindro que preencha totalmente o defeito osteocondral.

A mosaicoplastia visa aproveitar a boa cicatrização osso-osso para facilitar a cicatrização da cartilagem. A indicação para defeitos osteocondrais de 1 a 4cm2 é sugerida pelo autor idealizador da técnica(39). Porém, quanto maior o defeito, maior é a área retirada do sítio doador, o que limita a indicação para defeitos maiores. Apesar dos bons resultados mostrados por Hangody e Füles(36) em pacientes acima de 50 anos, a taxa de sucesso diminui significantemente em pacientes mais velhos. Outra limitação desta técnica é que entre os cilindros osteocondrais transferidos ficam áreas vazias sem reparo cartilaginoso, podendo causar morbidade no sítio doador(40).

Outra questão levantada é a viabilidade dos condrócitos de uma área de não carga que são transferidos para uma área de carga, em que se observa uma alteração da estrutura da cartilagem, perda da viabilidade e subsequente degeneração da cartilagem articular(41).

A geometria da cartilagem no defeito osteocondral nem sempre é a mesma da do sítio doador. Obter a geometria ideal da região afetada em defeitos maiores torna-se um desafio ao cirurgião, principalmente quando o procedimento é feito de maneira artroscópica(42).

Gudas et al(43) realizaram um estudo prospectivo comparando a mosaicoplastia e a microfratura em 70 pacientes. Os pacientes foram avaliados pela ICRS score, HSS score, artroscopicamente, histologicamente, com ressonância nuclear magnética e com radiografias. Concluíram que houve melhora estatisticamente significante nos escores da ICRS e HSS nos pacientes submetidos a mosaicoplastia em relação ao grupo da microfratura, 12 meses após o procedimento cirúrgico, tendo ocorrido deteriorização no grupo de microfratura ao final do follow-up (Figura 3).

 

 

Transplante alógeno osteocondral

O enxerto osteocondral alógeno de cadáveres também é uma opção de tratamento para os defeitos osteocondrais, sendo semelhante à técnica de mosaicoplastia, porém é utilizado em defeitos maiores, apresentando a vantagem que pode ser feito com apenas um único cilindro osteocondral. As desvantagens de um transplante alógeno incluem rejeição imunológica, falha da incorporação óssea e a não viabilidade dos condrócitos(44).

McCulloch et al(45) publicaram uma série de 25 casos de pacientes com lesão osteocondral submetidos ao transplante osteocondral alógeno, com um follow-up de dois anos. Foi encontrada melhora estatisticamente significante nos escores de Lysholm, IKDC, KOOS, dentre outros escores, e 84% dos pacientes estavam satisfeitos com os resultados e acreditavam que o joelho operado tinha funcionalidade de 79% quando comparado com o joelho não operado. Radiograficamente, 88% dos enxertos foram incorporados integralmente ao osso receptor.

LaPrade et al(46) publicaram um estudo prospectivo com 23 pacientes com lesão osteocondral no côndilo femoral submetido a transplante osteocondral alógeno, com um follow-up de três anos. Os pacientes foram avaliados pelo escore de Cincinnati no pré e no pós-operatório e concluíram que houve uma melhora significativa deste escore. Os transplantes osteocondrais alógenos armazenados sob refrigeração entre 15 e 28 dias proporcionaram melhora clínica e funcional significativa após um seguimento médio de três anos, tendo resultados semelhantes aos relatos históricos do enxerto osteocondral alógeno fresco.

Transplante autólogo de condrócitos (tac) – primeira geração

Desde 1994, quando Brittberg et al(47) publicaram o primeiro artigo sobre a implantação de condrócitos para tratamento de defeitos osteocondrais, muito tem se desenvolvido nessa área. O transplante autólogo de condrócitos (TAC) para defeitos osteocondrais é realizado em dois tempos cirúrgicos. O primeiro tempo consiste de uma biópsia da cartilagem de uma área saudável, feita por via artroscópica. Deste fragmento de cartilagem cultivam-se os condrócitos em laboratório e, após a expansão do número de células, faz-se uma segunda cirurgia aberta para implantação desses condrócitos. A região do defeito é preparada, as bordas são regularizadas e os condrócitos são mantidos no local por uma camada de periósteo suturada aos bordos da lesão(47).

São indicações para TAC: lesões maiores que 2cm2 e menores que 12cm2, e pacientes que continuam com dor, após uma mosaicoplastia ou microfratura. Uma taxa de 92% de bons e excelentes resultados é encontrada em lesões isoladas, 67% em lesões múltiplas, 89% na osteocondrite dissecante, 65% na patela, e 75% em lesões associadas com reconstrução do ligamento cruzado anterior(48). Algumas limitações evitam o uso amplo dessa técnica cirúrgica: dois tempos cirúrgicos, hipertrofia da membrana de periósteo (sintomático em 13% dos pacientes) e o alto custo.

Knutsen et al(49) publicaram um estudo com 80 pacientes portadores de defeito único na cartilagem do côndilo femoral, sintomáticos, sendo divididos em dois grupos: 40 pacientes submetidos ao TAC e 40 pacientes submetidos a microfratura foram avaliados pelos escores da ICRS, Lysholm, SF-36 e Tegner, além da avaliação radiográfica feita por Kellgren e Lawrence. Concluíram que entre dois e cinco anos ambos os grupos tiveram uma melhora significante quando comparados ao estado pré-operatório. Os dois métodos forneceram resultados satisfatórios em 77% dos pacientes em cinco anos. Não houve diferença significativa nos resultados clínicos e radiográficos e não houve correlação entre os achados histológicos e os resultados clínicos. Um terço dos pacientes apresentou os primeiros sinais radiográficos de osteoartrose cinco anos após a cirurgia.

Transplante autólogo de condrócitos (TAC) – segunda e terceira gerações

A segunda geração do TAC traz vantagens em relação à primeira, uma vez que não há a necessidade do uso do periósteo. Isto evita a necessidade de uma incisão extra, feita para a extração deste, além de evitar uma possível hipertrofia do periósteo.

Além disso, a segunda geração do TAC utiliza matriz na qual os condrócitos são cultivados, matriz esta que possui características semelhantes às da matriz extracelular da cartilagem. As matrizes disponíveis em uso na Europa são: 1) MACI (Genzyme Biosurgery, Cambridge, Estados Unidos), que possui colágeno suíno tipo I/III e os condrócitos são cultivados três a quatro dias antes da implementação; 2) Chondro-Gide (Geistlich Biomaterials, Suíça) semelhante ao MACI; 3) Hyalograft C (Fidia Advanced Biopolymers, Abano Terme, Itália) que é uma matriz tridimensional de ácido hialurônico que permite o crescimento de condrócitos. As características dessas matrizes permitem que a cirurgia seja feita por artroscopia, evitando a artrotomia da articulação.

Saris et al(50,51) publicaram um estudo randomizado comparando o transplante autólogo de condrócito do tipo ChondroCelect (TiGenix NV, Leuven, Bélgica) (57 pacientes) com a microfratura (61 pacientes), com um follow-up de 36 meses. Os resultados foram avaliados pelo KOOS e pela ressonância nuclear magnética e concluíram que o tratamento das lesões condrais realizado por transplante autólogo de condrócitos obteve um resultado significativamente melhor após 36 meses quando comparado com a microfratura.

Basad et al(52) publicaram um estudo randomizado comparando transplante autólogo de condrócito tipo MACI (40 pacientes) e microfratura (20 pacientes). Os pacientes tratados com o MACI obtiveram melhora significante quando comparados aos submetidos à microfratura. A técnica feita por MACI representa um avanço significativo em comparação com a primeira geração de transplante autólogo de condrócito por sua simplicidade cirúrgica, segurança e reprodutividade.

Uso de célula-tronco no tratamento de lesão condral do joelho

Em 2007, Kuroda et al(53) publicaram um relato de caso no qual um judoca de 31 anos com lesão osteocondral no côndilo femoral medial classificada na ICRS grau IV, foi tratado através do uso de células da medula óssea. Foi encontrado na artroscopia, após sete meses do procedimento, defeito recoberto por tecido liso, histologicamente preenchido por tecido de cartilagem tipo hialino, que se corou positivamente com safranin-O. Os sintomas melhoraram significativamente um ano após a cirurgia.

Wakitani et al(54) publicaram um artigo demonstrando a segurança do transplante autólogo das células da medula óssea no tratamento do defeito osteocondral com 11 anos e cinco meses de follow-up. Não foi observada presença de tumor ou infecção neste seguimento e o transplante autólogo das células da medula óssea foi considerado um procedimento seguro. O transplante de célula-tronco foi usado ou com uma matriz ou com flat de periósteo.

Transplante de célula-tronco – one-step

Giannini et al(55) publicaram o primeiro artigo sobre o transplante de célula-tronco em um único procedimento (one-step) para o tratamento de lesões condrais; neste caso, lesão condral talar. Neste procedimento foram aspiradas células da medula óssea, e o material centrifugado para separar células vermelhas e plasma das células nucleares. Através deste processo é possível obter células nucleares como células-tronco, monócitos, linfócitos e outras células residentes na medula óssea. Foram usados colágeno em pó e membrana de ácido hialurônico como scaffolds para suportar as células nucleares. Foram também realizados testes pré-clínicos in vitro para verificar a capacidade das células derivadas da medula óssea em diferenciar-se na linhagem condrogênica e osteogênica. Com essa técnica foram avaliados 48 pacientes, com follow-up de dois anos, tendo melhora significativa dos escores funcionais. A histologia no pós-operatório mostrou tecido regenerado em vários graus de remodelação, embora nenhum destes pacientes submetidos ao exame histológico tenha apresentado cartilagem inteiramente hialina.

Com esse pensamento, Gobbi et al(56) publicaram o primeiro transplante de célula-tronco, com a técnica em um único procedimento cirúrgico no joelho, com dois anos de follow-up. O procedimento consistiu em uso de células da medula óssea juntamente com scaffolds de colágeno tipos I e III. Os pacientes apresentaram melhora significativa em todos os escores por eles avaliados, e nos testes histológicos foram encontrados tecidos semelhantes à cartilagem hialina. Nenhuma reação adversa ou complicações pós-operatórias foram encontradas.

Cartilagem picada (minced cartilage)

O princípio da técnica minced cartilage é o de conseguir cartilagem do tipo hialina através da reparação das lesões condrais, com a utilização de "fragmentos picados" de cartilagem hialina de uma área não lesada e de não carga, muitas vezes autólogas, complementadas com o scaffold. Uma pequena quantidade de cartilagem picada cria condrócitos suficientes para tratar defeitos relativamente grandes. Especificamente, esta técnica requer apenas um décimo da quantidade de cartilagem que originalmente preenchia o defeito(57).

A técnica que usa cartilagem picada (minced cartilage) é atrativa, pois é realizada em um único estágio, utiliza tecido condral natural e a cartilagem picada pode ser aplicada por técnicas artroscópicas. Estudos em animais e modelos pré-clínicos têm demostrado cartilagem hialina após reparação. O scaffold e cola de fibrina têm-se mostrado importantes para a viabilidade deste tecido. Dados clínicos adicionais e de ciência básica são necessários sobre a técnica da cartilagem picada (minced cartilage)(57).

Critérios para escolha da técnica cirúrgica

Jones e Peterson(58) recomendam que, para lesões entre 1 e 2,5cm2, a microfratura é uma boa opção de tratamento, assim como a mosaicoplastia, desde que o enxerto fique paralelo à superfície articular. Acredita-se que a microfratura pode ser usada em pacientes menos ativos; já em casos de pacientes mais ativos, a mosaicoplastia pode oferecer um melhor reparo cartilaginoso. Já em lesões maiores que 2cm2, o TAC é o procedimento mais indicado(58). Em lesões maiores que 4cm2, o transplante alógeno osteocondral é uma boa opção(58).

Uma revisão sistemática feita por Farr et al(59), com 77 artigos, traz algumas recomendações e estratégias para a reparação da cartilagem articular, de acordo com as evidências atuais (Tabela 2).

 

 

Bekkers et al(60), revisando um total de quatro estudos randomizados e controlados, concluíram que o tamanho das lesões, o nível de atividade e a idade são os parâmetros que mais influenciam para o resultado da cirurgia de reparação da cartilagem articular. As lesões maiores que 2,5cm2 devem ser tratadas com técnicas sofisticadas, como a implantação de condrócitos autólogos ou transplante autólogo osteocondral, enquanto que a microfratura é uma boa opção de tratamento para lesões menores que 2,5cm2. Pacientes ativos apresentam melhores resultados após o implante de condrócitos autólogos ou transplante autólogo osteocondral quando comparado com a microfratura. Os pacientes mais jovens (< 30 anos) parecem se beneficiar mais, independentemente da cirurgia de reparação da cartilagem, quando comparados com pacientes maiores de 30 anos de idade.

 

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Correspondência:
Mário Ferretti
Rua Borges Lagoa, 783, 5º andar, Vila Clementino – 04038-032 – São Paulo, SP.
E-mail: ferretti@einstein.br
Trabalho realizado no Departamento de Ortopedia e Traumatologia (DOT) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

Trabalho recebido para publicação: 04/08/2011, aceito para publicação: 24/09/2011.