SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.47 issue1Bilateral luxatio erecta, a case reportIn memoriam author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

  • Have no similar articlesSimilars in SciELO

Share


Revista Brasileira de Ortopedia

Print version ISSN 0102-3616

Rev. bras. ortop. vol.47 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-36162012000100020 

RELATO DE CASO

 

Lipossarcoma de joelho em um atleta de tênis: relato de caso

 

 

Jorge Sayum FilhoI; Jorge SayumII; Rogério Teixeira de CarvalhoI; Emerson GarmsI; Leonardo Addeo RamosI; Marcelo Mitsura MatsudaI; Benno EjnismanIII; Moisés CohenIV

IMédico Assistente do Centro de Traumatologia do Esporte (CETE) do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp – São Paulo, SP, Brasil
IIMédico Chefe do Departamento de Ortopedia do Hospital e Maternidade Assunção (HMA) – São Bernardo do Campo, SP, Brasil
IIIDoutor; Chefe do Grupo de Ombro do Centro de Traumatologia do Esporte (CETE) do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp – São Paulo, SP, Brasil
IVProfessor Livre-Docente; Professor Adjunto e Chefe do Centro de Traumatologia do Esporte (CETE) do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp – São Paulo, SP, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

O lipossarcoma é uma neoplasia rara, originária de células mesenquimais primitivas e, entre os sarcomas, é o tipo histológico mais frequente. Os autores relatam o caso de um lipossarcoma localizado em região de joelho e coxa posterior distal direita de um paciente de 40 anos, jogador de tênis.

Descritores – Lipossarcoma; Neoplasias Ósseas; Joelho; Atletas


 

 

RELATO DE CASO

Paciente do sexo masculino, 40 anos, branco, jogador amador de tênis, deu entrada no Ambulatório de Ortopedia e Traumatologia do Hospital e Maternidade Assunção, em São Bernardo do Campo, São Paulo, apresentando tumoração em membro inferior direito, com início há aproximadamente um ano e evolução gradativa. Negava outros sintomas como dor, febre, náuseas ou emagrecimento.

Ao exame físico apresentava bom estado geral, eutrófico, anictérico, acianótico e afebril. Ao exame ortopédico apresentava tumoração na face posterior de joelho e coxa distal direita, de consistência fibroelástica, sem diferença de temperatura e indolor.

Foram solicitadas radiografias do joelho, que apresentaram aumento de partes moles, e ultrassonografia, que mostrou uma massa de 15 x 20cm de aspecto sólido. Com isso, foram solicitadas tomografia e ressonância para melhor estudo da tumoração. Naquele momento, suspeitou-se que o diagnóstico poderia ser de lipossarcoma e, assim, foram solicitados os exames de imagem para estadiamento (radiografias de pulmão, cintilografia óssea, pet scan, tomografia de tórax, abdômen, pelve, crânio), que foram normais (Figuras 1 a 3).

 

 

 

 

 

 

Com isso, foi realizado tratamento cirúrgico (excisão radical do tumor), no qual foi retirado um tumor de 20x18cm e enviado para análise anatomopatológica (Figuras 4 e 5).

 

 

 

 

O diagnóstico anatomopatológico foi de lipossarcoma mixoide, com margens livres. O oncologista que acompanhava o caso com a ortopedia orientou a radioterapia adjuvante que foi realizada (Figura 6).

 

 

Após dois anos de pós-operatório o paciente está assintomático (e sem recidiva ou metástase) e continua a praticar tênis.

 

DISCUSSÃO

Os sarcomas são tumores raros e originam-se de células mesenquimais primitivas, perfazendo um total de 0,1 a 0,2% de todas as neoplasias em adultos(1-3).

O lipossarcoma é um tumor maligno de tecido adiposo. Ocorre com maior frequência entre a quinta e a sexta década de vida (rara a sua ocorrência em crianças) e acomete mais homens do que mulheres(2,4).

O lipossarcoma é o segundo ou terceiro tipo histológico mais frequente entre os sarcomas de partes moles, representando 8 a 17% desses sarcomas na maioria das séries. São classificados em: bem diferenciados, mixoide, de células redondas, desdiferenciado (pleomórfico) e de formas mistas. Os bem diferenciados apresentam baixo grau de malignidade e raramente apresentam metástases. Os pouco diferenciados são, com frequência, de comportamento agressivo, podendo apresentar recorrência e metástases na maioria dos casos. Por esta razão, a determinação do subtipo histológico e o grau de diferenciação são importantes para um tratamento correto(4-6).

Esta patologia se origina de células mesenquimais primitivas, ao invés de células adiposas maduras, e a presença de adipócitos não é pré-requisito para o seu desenvolvimento(4,7).

Geralmente, têm como característica um crescimento lento e indolor. Os sítios de acometimento mais frequentes são os membros e o retroperitônio (são quase sempre encontrados em estruturas profundas e se originam de planos fasciais intermusculares)(3,8,9).

O quadro clínico desta doença geralmente é de um paciente assintomático, mas pode ocorrer dor, fadiga, perda de peso, náuseas, vômitos e aumento de veias varicozas(10-12).

Esta enfermidade pode metastatizar, e acomete com maior frequência os pulmões e o fígado. Os exames de imagem complementares são: tomografia computadorizada, ressonância magnética (RNM) e angiografia, mas o diagnóstico é realizado apenas pela anatomia patológica(10,13).

O tratamento é cirúrgico e pode ou não ser complementado por radioterapia e quimioterapia. Este tumor possui um prognóstico de 88 a 100% em cinco anos nos bem diferenciados e de 50% nos indiferenciados(2,5,9).

O tipo mixoide é o mais comum, observado em 45 a 55% de todos os lipossarcomas. É composto de três tipos de tecidos principais: lipoblastos, delicado padrão capilar plexiforme e matriz mixoide (contendo abundante glicosaminoglicanos não-sulfatados)(2,11).

A recorrência é comum nos lipossarcomas de todos os tipos. Geralmente torna-se aparente a partir de seis meses pós-cirúrgicos, mas pode ocorrer cinco, 10 ou 30 anos após. A frequência de metástases está diretamente relacionada ao grau de diferenciação histológica. Para o tipo mixoide e os bem diferenciados, a incidência de metástase é mais baixa que aqueles pleomórficos e desdiferenciados. Aproximadamente 10% dos pacientes com lipossarcoma de membro inferior desenvolvem uma segunda lesão no retroperitônio, que surge dois ou mais anos da lesão primária. Os fatores que aumentaram o risco de recorrência local foram: idade superior a 50 anos, doença recorrente no momento da apresentação, margem histológica primária positiva e tumores primários de nervos periféricos. A excisão radical do tumor continua sendo o tratamento de escolha do lipossarcoma profundo(1,2).

A radioterapia pós-operatória é um adjuvante valioso ao tratamento cirúrgico, especialmente para o tipo mixoide(6).

Por tudo isso, foi apresentado o caso de um jogador de tênis amador com diagnóstico de lipossarcoma de joelho que foi tratado de acordo com a literatura.

 

REFERÊNCIAS

1. Lewis JJ, Brennan MF. Soft tissue sarcomas. Curr Probl Surg. 1996;33(10):817-72.         [ Links ]

2. Spillane AJ, Fisher C, Thomas JM. Myxoid liposarcoma--the frequency and the natural history of nonpulmonary soft tissue metastases. Ann Surg Oncol. 1999;6(4):389-94.         [ Links ]

3. Blair SL, Lewis JJ, Leung D, Woodruff J, Brennan MF. Multifocal extremity sarcoma: an uncommon and controversial entity. Ann Surg Oncol. 1998J;5(1):37-40.         [ Links ]

4. Pearlstone DB, Pisters PW, Bold RJ, Feig BW, Hunt KK, Yasko AW, et al. Patterns of recurrence in extremity liposarcoma: implications for staging and follow-up. Cancer. 1999;85(1):85-92.         [ Links ]

5. Brooks AD, Heslin MJ, Leung DH, Lewis JJ, Brennan MF. Superficial extremity soft tissue sarcoma: an analysis of prognostic factors. Ann Surg Oncol. 1998;5(1):41-7.         [ Links ]

6. Enzinger FM, Winslow DJ. Liposarcoma. A study of 103 cases. Virchows Arch Pathol Anat Physiol Klin Med. 1962;335:367-88.         [ Links ]

7. Kulaylat MN, King B, Karakousis CP. Posterior compartment resection of the thigh for soft-tissue sarcomas. J Surg Oncol. 1999;71(4):243-5.         [ Links ]

8. Beitler AL, Virgo KS, Johnson FE, Gibbs JF, Kraybill WG. Current follow-up strategies after potentially curative resection of extremity sarcomas: results of a survey of the members of the society of surgical oncology. Cancer. 2000;88(4):777-85.         [ Links ]

9. Saenz NC, Heslin MJ, Adsay V, Lewis JJ, Leung DH, LaQuaglia MP, et al. Neovascularity and clinical outcome in high-grade extremity soft tissue sarcomas. Ann Surg Oncol. 1998;5(1):48-53.         [ Links ]

10. Bautista N, Su W, O'Connell TX. Retroperitoneal soft-tissue sarcomas: prognosis and treatment of primary and recurrent disease. Am Surg. 2000;66(9):832-6.         [ Links ]

11. Bradley JC, Caplan R. Giant retroperitoneal sarcoma: a case report and review of the management of retroperitoneal sarcomas. Am Surg. 2002;68(1):52-6.         [ Links ]

12. Lopes A. Sarcomas de partes moles. São Paulo: Medsi; 1999.         [ Links ]

13. Yol S, Tavli S, Tavli L, Belviranli M, Yosunkaya A. Retroperitoneal and scrotal giant liposarcoma: report of a case. Surg Today. 1998;28(3):339-42.         [ Links ]

 

 

Correspondência:
Rua França Pinto, 186, ap. 61, Vila Mariana – 04016-001 – São Paulo, SP.
E-mail: jorgesayumfilho@hotmail.com

Trabalho realizado no Centro de Traumatologia do Esporte (CETE) do Departamento de Ortopedia e Traumatologia (DOT) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Trabalho recebido para publicação: 16/04/2010, aceito para publicação: 20/07/2010.