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Revista Brasileira de Ortopedia

Print version ISSN 0102-3616

Rev. bras. ortop. vol.48 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2013

http://dx.doi.org/10.1016/j.rboe.2012.08.009 

Artigos Originais

É seguro o corte femoral distal em artroplastia total do joelho com 5° a 6° de valgo empiricamente na população geriátrica brasileira?

Fernando Cury Rezendea  * 

Márcio de Castro Ferreirab 

Pedro Debieuxc 

Carlos Eduardo da Silveira Franciozid 

Marcus Vinicius Malheiros Luzoe 

Mário Carneirof 

aMédico ortopedista residente do Grupo do Joelho do Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), São Paulo, SP, Brasil

bMédico ortopedista do Centro de Ortopedia e Reabilitação do Esporte do Hospital do Coração de São Paulo (HCor), São Paulo, SP, Brasil

cMédico assistente do Grupo do Joelho do Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Unifesp, São Paulo, SP, Brasil

dDoutor pelo Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Unifesp, e médico assistente do Grupo do Joelho do Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Unifesp, São Paulo, SP, Brasil

eDoutor; Professor afiliado do Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Unifesp, e médico assistente do Grupo do Joelho Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Unifesp, São Paulo, SP, Brasil

fDoutor; Professor afiliado do Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Unifesp, e chefe do Grupo de Joelho do Departamento de Ortopedia e Traumatologia, Unifesp, São Paulo, SP, Brasil


RESUMO

OBJETIVO:

Determinar se existe um ângulo seguro para o corte femoral distal, para que o membro resulte alinhado após uma artroplastia total de joelho (ATJ), na população geriátrica brasileira com gonartrose.

MÉTODO:

Foram feitas radiografias panorâmicas de 99 membros inferiores em 66 pacientes consecutivos (54 mulheres e 12 homens) portadores de gonartrose do joelho. O ângulo do corte femoral distal foi determinado pelo encontro entre o eixo mecânico femoral (EMF) e o eixo anatômico femoral (EAF). Foram calculados os valores da média, o desvio padrão e a mediana do ângulo do corte femoral distal desses pacientes diferenciados por sexo e lado. O valor médio do ângulo de corte do fêmur distal ideal aqui obtido foi comparado com o valor médio de 5,7 obtido em estudo prévio semelhante a esse feito com populações europeias de pacientes osteoartríticos submetidos a ATJ.

RESULTADOS:

A média do ângulo formado pelos EAF × EMF, considerado o ângulo do corte femoral distal em uma ATJ, do grupo estudado foi de 6,05 (variação de 3° a 9°). A distribuição desse ângulo entre os sexos evidenciou uma média discretamente superior entre os homens (6,17°) em comparação com as mulheres (6,02°), porém sem significância estatística (p = 0,726). Não houve diferença estatística (p = 0,052) entre o valor médio obtido na amostra atual (6,05 - DP 1,27) com o valor médio obtido na literatura (5,7°). Entretanto, se considerarmos aceitável um erro de 3° no plano coronal, 19,7% da população operada se encontrariam fora dessa faixa aceitável se optarmos pelo corte femoral empírico de acordo com o instrumental.

CONCLUSÃO:

O corte femoral distal na ATJ em 5° ou 6° de valgo não é completamente seguro para a população geriátrica brasileira.

Palavras-Chave: Articulação do joelho; Artroplastia do joelho; Osteoartrite; Radiografia panorâmica

ABSTRACT

OBJECTIVE:

The purpose of this study is to determine if there is a safe distal femoral resection angle to restore the normal axial alignment of the limb in total knee arthroplasty (TKA) in the Brazilian geriatric population with knee arthrosis.

METHOD:

This study analyzed 99 pre-operative hip-knee-ankle radiographs of osteoarthritic knees of 66 patients (54 women, 12 men) with knee osteoarthritis. The distal femoral cut angle was determined based on the femoral mechanical-anatomical angle (FMA). Mean, median and standard deviation measurements of the distal femoral cut angle were calculated, differentiated by gender and side. The mean result of the distal femoral resection angle was compared to 5.7°, the mean average angle of previous and similar study based on European population of patients with knee arthrosis.

RESULTS:

The mean average of the distal femoral resection angle of the study was 6.05 (range 3-9°). The distribution of this angle between genders showed a slight superior average of the male population (6.17°) compared to the female (6.02°), but with no statistically significant difference (p = 0.726). There was no statistically significant difference (p = 0.052) between the mean average of this study (6.05°) compared to the mean average of the literature (5.7°). However, considering 3° as the limit of acceptable error in the coronal plane, this empirical femoral resection angle would not be appropriated for 19.7% of the population.

CONCLUSION:

The distal femoral resection angle of 5-6° is not completely safe for the Brazilian geriatric population.

Key words: Knee joint; Arthroplasty knee replacement; Ostearthritis; Panoramic radiography

Introdução

O incremento geopolítico observado em países em desenvolvimento, notoriamente o Brasil, na última década vem acarretando a típica e inevitável inversão da pirâmide etária, o que estabelece um número não apenas grande, porém crescente de idosos, que já atingem 15 milhões neste país.1 Infelizmente não existem dados nacionais sobre o número de artroplastias/ano, porém o aumento de suas indicações, associado ao da longevidade, faz supor uma necessidade crescente desse procedimento.

É consensual na literatura que a durabilidade de uma prótese de joelho é dependente do eixo axial resultante do membro operado,2 já que para a realização do procedimento usa-se como princípio elementar a distribuição de carga igualitária nos compartimentos fêmoro-tibiais medial e lateral.3 - 5 Dessa maneira, considera-se um membro alinhado quando o eixo mecânico do membro inferior (linha do centro da cabeça femoral ao centro do tornozelo4 , 6 - 9 - Linha de Maquet10 ) cruza o centro do joelho e é aceito como limite de erro uma variação angular de 3° de varo ou valgo.11 , 12 A conquista desse resultado depende da realização dos cortes ósseos perpendiculares ao eixo mecânico desejado, associada à equalização ligamentar médio-lateral.

Nesse contexto, tanto a cirurgia assistida por navegação quanto os métodos clássicos que usam guias intra ou extramedulares se mostraram eficazes para obtenção de um membro alinhado. A primeira tem se mostrado efetiva para a conquista de bons resultados,13 mas é limitada pelo alto custo e pela longa curva de aprendizado. O método clássico, que usa um guia intramedular para o fêmur e um extramedular para a tíbia, massificado em nosso meio, apresenta resultados notadamente satisfatórios, facilmente incrementados pelo planejamento dos cortes ósseos pré-operatório.12 Assim, radiografias panorâmicas dos membros inferiores devem ser obtidas no pré-operatório14 , 15 e o ângulo do corte femoral distal é determinado pelo encontro dos eixos mecânico e anatômico do fêmur.3 , 4 Certas vezes, contudo, essa mensuração é negligenciada,16 quer seja para análise pré-operatória ou pela avaliação pós-operatória, por causa do custo ou da dificuldade de se encontrarem centros radiológicos que façam esse tipo de imagem.

Uma vez que o cirurgião opte por substituir programação cirúrgica por valores empiricamente pré-estabelecidos na literatura, ele deve conhecer profundamente as características epidemiológicas prevalentes em seu meio, já que os dados disponíveis na literatura médica são baseados em ângulos médios de populações americanas e europeias previamente estudadas,6 , 17 , 18 que podem não representar a anatomia individual de cada paciente, ou mesmo da população média brasileira, por causa do alto índice de miscigenação desse povo.19

Este trabalho objetiva determinar se existe um ângulo seguro para o corte femoral distal, para que o membro resulte alinhado após uma artroplastia total de joelho (ATJ), na população geriátrica brasileira com gonartrose.

Material e método

De junho de 2008 a janeiro de 2009 foram obtidas radiografias panorâmicas de 99 membros inferiores em 66 pacientes consecutivos (54 mulheres e 12 homens), com mais de 60 anos, todos portadores de gonartrose do joelho com falência do tratamento conservador (medicamentoso e fisioterápico) e indicação cirúrgica de artroplastia de substituição, conforme os critérios de inclusão e exclusão vistos na tabela 1. A razão para exclusão dos pacientes incapazes de ortostase ou com deformidades rígidas em flexão foi a impossibilidade de fazer as radiografias panorâmicas segundo o padrão estabelecido pelo estudo.

Tabela 1  Critérios de inclusão e exclusão do estudo 

Critérios de inclusão Critérios de exclusão
Diagnóstico radiográfico de osteoartrose primária Osteoartrite secundária
6 meses de tratamento conservador Presença de prótese ipsilateral de joelho
> 18 anos Presença de prótese ipsilateral de quadril
Incapacidade de ortostase
Deformidade fixa em flexão > 10 graus

Todos os pacientes foram submetidos pré-operatoriamente a radiografias panorâmicas dos membros inferiores feitas no mesmo centro radiológico, na projeção ântero-posterior, em posição ortostática, com os pés unidos nos pacientes com deformidade em varo, ou joelhos unidos em caso de valgo, em extensão máxima dos joelhos e em rotação neutra dos membros inferiores, assegurada pelo posicionamento da patela para frente na direção da ampola de raios X.20

O ângulo do corte femoral distal foi determinado pelo encontro entre o eixo mecânico femoral3 , 4 (EMF) e o eixo anatômico femoral (EAF) (fig. 1). O EAF foi definido pela linha que cruza o centro do istmo femoral, já que de acordo com a literatura esse é o ponto que permite menor variação de erro angular,21 , 22 e o centro do entalhe intercondilar. O eixo mecânico femoral, por sua vez, consiste na linha que cruza o centro da cabeça femoral, proximalmente, e o centro do entalhe intercondilar, distalmente.

Figura 1  Ampliação do fêmur em radiografia panorâmica dos membros inferiores que mostra o ângulo do corte femoral distal determinado pelo encontro entre o eixo mecânico femoral (EMF) e o eixo anatômico femoral (EAF). 

Os eixos foram traçados com régua e os ângulos aferidos com transferidor, ambos instrumentos da marca DesetecR graduados em 0,1 mm e 0,5°. Todas as aferições e mensurações foram feitas por um mesmo avaliador externo e com o mesmo material.15 , 17 , 23

Para cálculo da amostra foi usado um intervalo de confiança de 95%, com precisão de 0,3. Para fins de cálculo estatístico foi usado o teste t de Student não pareado. Assim, o valor médio do ângulo de corte do fêmur distal ideal aqui obtido foi comparado com o valor médio de 5,7 obtido em estudo prévio semelhante a este, porém feito com populações europeias de pacientes osteoartríticos submetidos a ATJ.18 Foram obtidos ainda os valores da média, desvio padrão e mediana do ângulo entre EAF e EMF (ângulo do corte femoral distal na ATJ), diferenciados por sexo, lado e total, conforme a tabela 2.

Tabela 2  Valores da média, desvio padrão e mediana do ângulo entre EAF e EMF (ângulo do corte femoral distal na ATJ), diferenciados por sexo, lado e seu total 

Direito
Feminino 5,99 1,24 6 3 9 41 0,588
Masculino 5,71 1,11 6 3,5 7 7
Total 5,95 1,22 6 3 9 48
Esquerdo
Feminino 6,13 1,42 6 3,5 9 39 0,932
Masculino 6,17 1,11 6 5 8,5 12
Total 6,14 1,35 6 3,5 9 51
Média de ambos os lados
Feminino 6,02 1,29 6,1 3 9 54 0,726
Masculino 6,17 1,2 5,9 4 9 12
Total 6,05 1,27 6 3 9 66

Resultados

Foram incluídos neste estudo 99 joelhos de 66 pacientes, sendo 48 joelhos direitos e 51 joelhos esquerdos, após aplicados os critérios de inclusão e exclusão (tabela 1).

A média do ângulo formado pelos EAF × EMF, considerado o ângulo do corte femoral distal em uma ATJ, do grupo estudado foi de 6,05 (variação de 3° a 9°) (fig. 2).

Figura 2  Histograma que mostra a distribuição do ângulo de corte femoral distal do estudo. 

A distribuição desse ângulo entre os sexos evidenciou uma média discretamente superior entre os homens (6,17°) em comparação com as mulheres (6,02°), porém sem significância estatística (fig. 3) (p = 0,726).

Figura 3  Histograma que mostra a distribuição do ângulo de corte femoral distal entre os sexos feminino e masculino. 

Quando se compara o valor médio obtido na amostra atual (6,05 - DP 1,27) com o valor médio obtido na literatura (5,7°) tem-se que não há diferença estatística entre os dois valores (p = 0,052).

Discussão

A clássica teoria do equilíbrio dos gaps de Insall3 , 4 considera fundamental para a longevidade de uma prótese de joelho a obtenção do alinhamento mecânico pós-operatório. Sob essa ótica, radiografias panorâmicas se tornam imperativas em um planejamento cirúrgico e consistem no meio mais eficaz para determinação não apenas dos eixos mecânicos femoral, tibial e do membro, mas também dos efeitos do apoio neles, o que agrega precisão aos resultados,15 , 24 em contraposição à teoria de McGregory et al.,12 defensores de planejamento apenas com filmes curtos em joelhos com pouca deformidade e planejamento baseado nos eixos anatômicos.

A despeito de toda teoria, é tão notório quanto questionável o fato de que o planejamento pré-operatório vem sendo substituído por cortes ósseos no fêmur distal em angulações medidas empiricamente com base nos dados preestabelecidos pela literatura internacional, o que o torna exceção em nosso meio,16 seja pela dificuldade de se obterem centros radiológicos aptos para esse procedimento, seja pelo inevitável custo adicional. Kapandji25 e Maquet26 definiram o ângulo médio entre o EAF e o EMF como sendo de 6° de valgo; Moreland et al.,2 em oposição, chegaram a um valor de 4° de valgo; Insall e Easley,27 por sua vez, descrevem a mesma aferição como sendo em 7° de valgo e chegam ao valor empírico do "intervalo de confiança" para esse corte: 4° a 7° de valgo, sempre em relação ao EAF. Neste trabalho, entretanto, para comparação estatística do valor médio do ângulo de corte do fêmur distal foi usado o valor de 5,7° de valgo com base no trabalho de Deakin et al.,18 mais recente e com metodologia e epidemiologia mais apropriadas.

A primeira conclusão deste artigo é que não existe significância estatística entre o ângulo formado pelo EAF e EMF quando comparamos uma população nacional (6,05) com populações estrangeiras (5,7). Menos perceptível e ainda mais importante é o fato de que se optarmos pelo corte femoral empírico de acordo com o instrumental, estaríamos deixando 19,7% da população operada com alinhamento insuficiente do membro inferior, mesmo se considerarmos aceitável um erro de 3° no plano coronal.11 , 12 Esse dado converge com o encontrado na literatura, em que o corte femoral empírico de 6° de valgo seria reprodutível apenas do varo moderado ao valgo leve (ângulo fêmorotibial de 8° de varo a 1° de valgo), o que sugere um ângulo de corte femoral distal > 6° de valgo para deformidades em varo graves (AFT > 8° varo) e < 6° de valgo para o valgo moderado a grave (AFT > 1° valgo).18

Quando se analisa a questão do gênero, observa-se que não há diferença estatística dentro da população aqui estudada, algo coerente com o encontrado na população geral,8 , 28 porém divergente do encontrado na população osteoartrítica do Reino Unido,18 na qual a média do ângulo foi maior em indivíduos do sexo masculino. De fato, apesar da irrelevância estatística, o valor médio absoluto do ângulo no sexo masculino foi substancialmente superior (6,17 contra 6,02), o que sugere que um possível incremento da população estudada, limitação mais importante deste estudo, possa acarretar significância estatística.

Tendo em vista o discutido, pode-se afirmar, com semelhante grau de exatidão, tanto que a opção pelo corte femoral empírico em 6° de valgo é adequada à população brasileira quanto que se o cirurgião não quiser excluir uma minoria relevante da população da possibilidade de obter bons resultados em termos de alinhamento, ele deve programar essa etapa do procedimento de maneira individualizada. Obviamente, o ângulo do corte femoral é apenas um fator dos diversos que levam ao alinhamento adequado, que se somarão a outros tantos na obtenção de um bom resultado. Um erro no ponto de entrada da haste guia no intercôndilo, por exemplo, ou mesmo a colocação de uma haste curta em relação ao planejado, pode alterar o valor resultante do ângulo femoral distal obtido, visto que para o ângulo aferido e o feito serem o mesmo, precisa-se usar o mesmo eixo anatômico, com seus pontos proximal e distal iguais ao planejado, algo nem sempre fácil de se obter no intraoperatório. Reed e Gollish,29 por meio de uma fórmula matemática e baseados na divergência da introdução da haste femoral guia em relação ao eixo anatômico tanto no ponto de entrada intercondilar quanto na extremidade medular, demonstraram o erro potencial no corte femoral distal e concluíram que não apenas o planejamento pré-operatório radiográfico deve ser feito, mas em casos de canais medulares largos, radiografias intraoperatórias ainda devem ser obtidas.

Conclusão

Não houve diferença estatística significativa entre a média do ângulo formado pelo EMF x EAF entre homens e mulheres na população brasileira. Da mesma maneira, não houve diferença estatística entre a média do valor desse ângulo da população brasileira estudada em comparação com a população europeia de estudos prévios. A média brasileira do ângulo encontrada foi de 6,05°. O corte femoral distal na ATJ em 5° ou 6° de valgo não é completamente seguro para a população geriátrica brasileira.

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Recebido: 15 de Junho de 2012; Aceito: 03 de Agosto de 2012

Autor para correspondência: Avenida Onze de Junho, 582, Vila Clementino São Paulo, CEP 04038-032, SP, Brasil Tel.: +11 2924-6217; fax: +11 2924-6217. E-mail: rezendefernando@hotmail.com (F.C. Rezende).

Conflitos de interesse: Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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