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Psicologia: Teoria e Pesquisa

Print version ISSN 0102-3772On-line version ISSN 1806-3446

Psic.: Teor. e Pesq. vol.16 no.2 Brasília May/Aug. 2000

https://doi.org/10.1590/S0102-37722000000200010 

Inventário dos Esquemas de Gênero do Autoconceito (IEGA)

Adriana Giavoni1 e
Álvaro Tamayo
Universidade de Brasília

 

 

RESUMO - Este trabalho apresenta a construção e validação do Inventário dos Esquemas de Gênero do Autoconceito (IEGA). Este instrumento avalia dois componentes do autoconceito - os esquemas masculino e feminino. Na etapa de construção foram levantadas e analisadas estatisticamente, características designadas à masculinidade e à feminilidade. Na etapa de validação, estas características passaram a compor as escalas masculina e feminina do IEGA. Em ambas as etapas, as amostras utilizadas foram compostas por estudantes universitários. Para a validade de construto foram realizadas análises fatoriais para ambas as escalas e análises da consistência interna dos fatores. Através do método Principal Axis Factoring (PAF) e rotações oblíquas, as escalas masculina e feminina apresentaram estruturas multidimensionais. Devidamente validado, o IEGA pode ser utilizado para avaliar os esquemas masculino e feminino do autoconceito.

Palavras-chave: autoconceito; esquema masculino; esquema feminino.

Gender Schemas of Self-Concept Inventory (IEGA)

ABSTRACT - The purpose of this article was the construction and validation of Gender Schemas of Self-Concept Inventory (IEGA). This instrument evaluates two components of the self-concept - masculine schema and feminine schema. In the construction phase, the characteristics of the masculinity and femininity were explored and statistically analyzed. In the validation phase, two scales were composed by these characteristics - the masculine scale and the feminine scale of the IEGA. In both phases, the samples used were composed by university students. For the construction validity, factors analysis were performed for both scales and coefficient alpha was computed for all factors. The results of factors analysis using Principal Axis Factoring and oblique rotation showed that both scales were multidimensional. Properly validated, IEGA could be used in the evaluation of the masculine and feminine schemas of the self-concept.

Key words: self-concept; masculine schema; feminine schema.

 

 

Partindo das construções sociais de masculinidade e feminilidade, este estudo teve como objetivo elaborar e validar um instrumento psicométrico que permitisse avaliar os esquemas de gênero do autoconceito. Os conceitos de masculinidade e feminilidade são construtos sociais utilizados em psicologia desde o início do século. Na década de 30, começaram a surgir os primeiros instrumentos psicométricos que visavam avaliar estes conceitos. Entretanto, estes instrumentos psicométricos partiam de uma concepção unidimensional da masculinidade e da feminilidade (Terman & Miles, 1936; Strong, 1936). Nesta concepção unidimensional, os conceitos de masculinidade e de feminilidade formavam pólos opostos de um único contínuum. Em termo psicométrico, esta concepção bipolar proporcionava ao indivíduo um único escore final, cuja classificação seria masculino ou feminino. A origem desta concepção unidimensional está centralizada no próprio dimorfismo biológico que difere homens de mulheres. O critério da complementaridade dos sexos na função reprodutora, utilizado para explicar o significado da diferenciação biológica entre os sexos, se aplica ante qualquer diferença comportamental, atitudinal ou de funcionamento psíquico (Barberá, 1998, p.53).

Na década de 70, surgem os primeiros estudos criticando a concepção unidimensional da masculinidade e da feminilidade (Block, 1973; Constantinople, 1973). Através de seus estudos, Constantinople (1973) afirma que, apesar de serem elaborados a partir de uma concepção unidimensional, estes instrumentos apresentavam estruturas multidimensionais. Estas criticas permitiram o surgimento de uma nova concepção dos conceitos de masculinidade e feminilidade - a bidimensionalidade. Por bidimensional, entende-se que a masculinidade e a feminilidade sejam dimensões ortogonais e, portanto, independentes entre si. A nível psicométrico, isto significa dizer que cada indivíduo obteria dois escores finais - um para a masculinidade e outro para a feminilidade (Bem, 1975, 1974; Spence, Helmreich & Stapp, 1975).

Esta nova concepção rompe com a relação entre os componentes biológicos do sexo e os componentes psicológicos da identidade de gênero. O paralelismo entre dualismo sexual e de gênero se rompem, de maneira que os traços de masculinidade e feminilidade, enquanto manifestações de gênero, não ficam limitados, nem circunscritos ao fato de ser homem ou mulher (Barberá, 1998, p.56-57).

Com a introdução de sofisticados programas computacionais, as técnicas psicométricas sofreram um grande avanço. Pode-se, então, analisar a dimensionalidade destes instrumentos psicométricos. A análise fatorial foi uma das técnicas estatísticas utilizadas para avaliar a dimensionalidade. Através da análise fatorial observou-se que tanto as escalas ditas "unidimensionais" quanto as escalas "bidimensionais" apresentavam estruturas multidimensionais (Antill & Russell, 1982; Feather, 1978; Gaa, Liberman & Edwards, 1979; Gaudreau, 1977; Lorr & Diorio, 1978; Pedhazur & Tetenbaum, 1979). Estudos mais recentes vem corroborando esta perspectiva multidimensional da masculinidade e da feminilidade (Archer, 1989; Aubé & Koestner, 1992; Bernard, 1981; Deaux, 1984; Koestner & Aubé, 1995).

Paralelo aos estudos psicométricos relativos à masculinidade e à feminilidade, alguns autores (Bem, 1981, 1979; Markus, 1977), buscando explicar o processo de tipificação sexual, postularam a existência de esquemas cognitivos relacionados ao gênero. Conceito utilizado pela psicologia cognitiva, o esquema cognitivo é definido como um

construto normalmente utilizado para explicar a organização complexa de conhecimentos[...] Um esquema é um agrupamento estruturado de conceitos, normalmente ele envolve conhecimentos genéricos e poderá ser utilizado para representar eventos, seqüências de eventos, preceitos, situações, relações e até mesmo objetos" (Eysenck & Keane, 1994, p.245).

Por serem estruturas organizadoras do conhecimento, os esquemas tendem a ser maleáveis e a assumir diferentes formas. Formados por uma associação de variáveis, os esquemas podem ser decompostos em componentes e estes, por sua vez, decompostos em subesquemas (Eysenck & Keane, 1990/1994).

Uma vez estruturado, o esquema funciona como uma lente que filtra as informações, retendo, estruturando e organizando aqueles estímulos que sejam consistentes à estrutura do esquema. O resultado desta organização é um padrão perceptível, o qual será utilizado como base para futuros julgamentos, decisões, inferências ou predições sobre o self (Markus, 1977, p.64).

Aplicados à psicologia do gênero, os esquemas permitiram abordar o processo de tipificação sexual desde uma nova perspectiva ¾ os esquemas de gênero. Esta perspectiva explora como se forma e como se representa mentalmente o gênero (Barberá, 1998, p.121). Dentre as teorias que utilizam a noção de esquemas de gênero (Bem, 1981, 1979; Markus, 1977) para explicar o processo de tipificação sexual, a teoria do auto-esquema (Markus, 1977) postula que alguns indivíduos utilizam em suas autodescrições, características que compõem os conceitos de masculinidade e feminilidade. Para estes indivíduos, estas características são partes constitutivas do self e, portanto, relevantes em suas autodescrições.

Para a teoria do auto-esquema, as características consideradas relevantes e utilizadas nas autodescrições, são esquemas cognitivos que formam o autoconceito. Segundo esta teoria, o autoconceito é constituído por um conjunto de esquemas cognitivos, denominados de auto-esquemas. Estes auto-esquemas são construções que resumem nossas experiências passadas e que permitem aos indivíduos compreenderem suas próprias experiências sociais e a organizar a ampla variedade de informações que possuem sobre si mesmos (Markus, Crane, Bernstein & Siladi, 1982, p.38). Quando estimulados, os auto-esquemas relacionados com o gênero tendem a se agrupar formando unidades de funcionamento específicas - os esquemas de gênero. Considerados como partes constitutivas do autoconceito, os esquemas de gênero são ativados quando em presença de estímulos relacionados ao gênero. Quando estimulados, indivíduos com auto-esquemas relacionados à masculinidade, agrupam estes auto-esquemas formando uma rede de associações cognitivas - o esquema masculino. Processo semelhante ocorre em indivíduos portadores de auto-esquemas relacionados à feminilidade. Quando estimulados, estes auto-esquemas agrupam-se formando o esquema feminino. Isto não significa dizer que os indivíduos esquemáticos masculinos e os esquemáticos femininos não possuam conhecimentos relativos à feminilidade e à masculinidade, respectivamente. Mas, sim, que os conhecimentos que possuem não são relevantes em suas autodescrições. De acordo com a teoria do auto-esquema, pode-se encontrar desde indivíduos aesquemáticos em relação ao gênero à indivíduos esquemáticos, portadores dos dois esquemas (Crane & Markus, 1982; Markus e cols., 1982).

Alicerçado sobre a teoria do auto-esquema e, portanto, compartilhando a noção de esquemas de gênero, este estudo teve como objetivo construir e validar um instrumento psicométrico que permitisse avaliar os esquemas masculino e feminino do autoconceito. Na literatura, não foram encontrados instrumentos psicométricos que avaliassem os esquemas de gênero do autoconceito, podendo-se considerar este estudo como uma contribuição exploratória à este tema.

 

Método

A metodologia utilizada para a construção e validação do instrumento psicométrico denominado de Inventário dos Esquemas de Gênero do Autoconceito (IEGA) será apresentada em duas etapas:

Construção do Inventário dos Esquemas de Gênero do Autoconceito (IEGA)

A construção do IEGA foi realizada em três fases distintas: levantamento das características que compõem os conceitos de masculinidade e feminilidade; elaboração de um questionário composto por itens que definem a masculinidade e a feminilidade e elaboração do Inventário dos Esquemas de Gênero do Autoconceito (IEGA).

Levantamento das características que compõem os conceitos de masculinidade e feminilidade

Este levantamento foi realizado através de dois procedimentos básicos:

a) Levantamento via universitários: participaram desta etapa 219 estudantes universitários, de ambos os sexos, com faixa etária média de 19,34 anos (DP = 4,59 anos), sendo 122 do sexo masculino. Através de um questionário, solicitava-se ao respondente que descrevesse, de acordo com a cultura brasileira, cinco adjetivos ou frases pertinentes à masculinidade e cinco adjetivos ou frases pertinentes à feminilidade.

As áreas escolhidas para a aplicação dos questionários foram sorteadas. Participaram desta etapa, as seguintes áreas: Química, Psicologia, Odontologia, Ciências da Computação, Engenharia Florestal, Educação Física e Comunicação Social. As aplicações dos questionários foram realizadas através de professores de disciplinas oferecidas por estas áreas. Os professores foram instruídos pessoalmente de como deveriam aplicar os questionários. Além disso, os envelopes que continham os questionários possuíam instruções para a aplicação. A devolução dos envelopes foi efetuada através das secretarias dos departamentos.

Ao todo foram obtidos 106 adjetivos e 13 frases que definem a masculinidade e 102 adjetivos e 10 frases que definem a feminilidade. Devido ao elevado número de características obtidas para a masculinidade e para a feminilidade, apresentar-se-á aquelas que obtiveram as maiores freqüências: a) Masculinidade: racional, machista, musculoso, atlético, agressivo, teimoso, materialista, objetivo, egoísta, insensível, imaturo, corajoso, amigo, autoritário, leal, grosseiro, individualista, desleixado, infiel, independente, ousado, firme, impaciente, irritado, persistente, assertivo, intolerante, violento, arrogante, impulsivo, fraco emocionalmente, mais ligado aos prazeres, afirma-se sexualmente por quantidade, inteligente ao lidar com a razão, maior capacidade para as ciências exatas; b) Feminilidade: sensível, delicada, vaidosa, emotiva, sensual, frágil, intuitiva, ciumenta, responsável, fofoqueira, compreensiva, maternal, invejosa, ingênua, romântica, indecisa, chantagista, dependente, detalhista, vingativa, amorosa, insegura, passiva, íntegra, traiçoeira, dócil, cuidadosa, elegante, interesseira, forte emocionalmente, inteligente ao lidar com o sentimento, instinto maternal, apego à imagem, mais ligada à família, menor capacidade para as ciências exatas.

b) Levantamento via semântica: este levantamento foi realizado com base em um estudo pormenorizado dos adjetivos utilizados na língua Portuguesa que delineiam diferentes aspectos da masculinidade e da feminilidade. O procedimento utilizado foi o levantamento palavra por palavra, através de dicionários da língua Portuguesa, iniciando-se pela primeira letra do alfabeto até a última letra do mesmo. Este levantamento permitiu, principalmente, realizar uma avaliação preliminar sobre os sinônimos e antônimos das características designadas anteriormente à masculinidade e à feminilidade.

Elaboração de um questionário composto por itens que definem a masculinidade e a feminilidade.

As características levantadas para a masculinidade e a feminilidade passaram a compor um novo questionário. Composto por 294 itens, este questionário dispunha aleatoriamente os adjetivos e frases adquiridos na etapa anterior. Elaborado em duas versões que diferiam quanto às suas instruções, uma das versões solicitava ao respondente que utilizando uma escala de sete pontos, indicasse o quanto cada item se aplicava à masculinidade; enquanto a outra versão solicitava ao respondente que utilizando uma escala de sete pontos, indicasse o quanto cada item se aplicava à feminilidade. Assim, por exemplo, na versão que solicitava ao respondente avaliar o quanto cada item se aplicava à masculinidade, a ancoragem caminhava do escore 1, indicando que o item "não se aplicava a masculinidade" até o escore 7, indicando que o item "aplicava-se totalmente a masculinidade".

Estas duas versões do questionário foram aplicadas a 321 estudantes universitários, com idade média de 22,9 anos (DP = 4,33 anos), sendo 168 do sexo masculino. Estes estudantes eram de diferentes áreas acadêmicas, as quais foram selecionadas através de sorteios. Participaram desta etapa as seguintes áreas: Artes Visuais, Música, Lingüística, Línguas Clássicas e Vernácula, Jornalismo, Engenharia Elétrica, Mineralogia e Petrologia, Ciências da Computação, Engenharia Agronômica, Engenharia Florestal, Pediatria, Odontologia, Psicologia Escolar e Desenvolvimento, Psicologia Social e do Trabalho, Ciências Fisiológicas e Educação Física. As aplicações foram realizadas após contato com os professores de cada área e agendamento do dia de aplicação. As duas versões do questionário foram colocadas alternadamente nos envelopes e entregues aleatoriamente nas turmas, assegurando que tanto homens quanto mulheres respondessem às duas versões. O objetivo desta etapa foi definir, estatisticamente, quais características eram consideradas como típicas da masculinidade e quais características eram consideradas como típicas da feminilidade, julgadas tanto por homens quanto por mulheres da cultura brasileira.

Da amostra total, 26,9% dos homens e 25,3% das mulheres responderam à versão aplicável à masculinidade e 25,6% dos homens e 22,2% das mulheres responderam à versão correspondente à feminilidade. Através do teste t (Independent Sample T Test) foram realizadas uma série de análises sobre estes dados. Estas análises permitiram avaliar: a) os itens julgados por ambos os sexos pertinentes à masculinidade; b) os itens julgados por ambos os sexos pertinentes à feminilidade; c) os itens julgados pelos homens pertinentes à masculinidade; d) os itens julgados pelas mulheres pertinentes à masculinidade; e) os itens julgados pelos homens pertinentes à feminilidade; e f) os itens julgados pelas mulheres pertinentes à feminilidade. Foram considerados como itens pertinentes à masculinidade aqueles que obtiveram elevados índices de significância (p < 0,001) e que, além disso, foram julgados como masculinos tanto pela amostra total de homens e mulheres quanto pelas amostras individuais de homens e de mulheres. Critérios semelhantes foram utilizados para identificar os itens pertinentes à feminilidade. Uma vez identificados estatisticamente os itens pertinentes à masculinidade e à feminilidade, agruparam-se aqueles itens considerados sinônimos. Para tanto, utilizou-se do levantamento via semântica, descrito anteriormente. Um único item foi escolhido como representante de cada agrupamento. Para esta escolha foram levados em consideração os seguintes critérios: a) o índice de significância do item (p < 0,001) e b) a compreensão semântica do item. Após estas análises foram identificados 64 itens (54 adjetivos e 10 frases) como pertinentes à masculinidade e 72 itens (64 adjetivos e 8 frases) como pertinentes à feminilidade.

Elaboração do Inventário dos Esquemas de Gênero do Autoconceito (IEGA).

Os 136 itens identificados anteriormente para a masculinidade (n = 64) e para a feminilidade (n = 72), passaram a compor, respectivamente, as escalas masculina e feminina do Inventário dos Esquemas de Gênero do Autoconceito (IEGA). Este instrumento solicitava ao respondente que, utilizando uma escala de cinco pontos, indicasse o seu grau de identificação com cada item. A ancoragem da escala caminhava do escore 0, indicando ausência de identificação até o escore 4, indicando uma total identificação com o item.

No intuito de verificar se os itens e as instruções do IEGA eram compreensíveis à sua população alvo, este foi aplicado a uma amostra de doze estudantes universitários. Utilizando índice de concordância de 80% entre os estudantes, foram retirados 10 itens (7 adjetivos e 3 frases) da escala masculina e 9 itens (4 adjetivos e 5 frases) da escala feminina. Ao final da análise semântica, o IEGA passou a conter 117 itens subdivididos em duas escalas: escala masculina (54 itens) e escala feminina (63 itens).

Validação do Inventário dos Esquemas de Gênero do Autoconceito (IEGA)

O IEGA foi aplicado a uma amostra de estudantes universitários composta por 1.175 sujeitos, solteiros (88,2%), com faixa etária média de 22 anos (DP = 5,11 anos), sendo 592 do sexo masculino.

Os questionários foram aplicados na sala de exposições da Biblioteca Central da Universidade de Brasília. Esta sala foi reservada exclusivamente para a aplicação dos questionários. Para manter uma certa aleatoriedade na composição da amostra, à cada três sujeitos que entravam na biblioteca, o terceiro era convidado a responder o questionário. Aceitando o convite, o sujeito era acompanhado até a sala de exposições por uma monitora, a qual entregava-lhe o questionário e encaminhava-o para uma das mesas disponíveis no local. Após estes procedimentos, o sujeito iniciava o preenchimento do questionário e ao finalizá-lo, depositava-o em uma caixa própria para a devolução dos questionários. A sala de exposições era fiscalizada por uma monitora que assegurava o silêncio e indicava o local de devolução dos questionários. Participaram desta etapa, cinco monitoras e um dos pesquisadores.

 

Resultados

Uma análise preliminar foi realizada sobre os dados obtidos na amostra masculina. Em todas as variáveis, os casos faltosos (missing values) foram inferiores a 5%. Estes casos faltosos foram substituídos pelas médias obtidas para cada variável. O estudo da normalidade apresentou 35 variáveis com elevada assimetria e curtose, dentre estas, 27 eram da escala masculina e 8 da escala feminina. Foram realizadas transformações do tipo raiz quadrada sobre estas variáveis. (Tabachnick & Fidell, 1996).

Um dos critérios para a análise da linearidade é a avaliação de pares de variáveis, através dos gráficos de dispersão. De acordo com Tabachnick e Fidell (1996), a combinação par-a-par de todas as 117 variáveis presentes no instrumento, resultaria em um número elevado de combinações, tornando impraticável este método de avaliação. Optou-se, portanto, em analisar apenas a linearidade daquelas variáveis que apresentassem desvios de normalidade. Para tanto, utilizou-se como critério de avaliação que cada par de variáveis fosse constituído por uma variável com bons índices de normalidade e outra variável com elevada assimetria e curtose. Foram analisados 30 pares de variáveis. Não foram encontradas tendências à linearidade ou à curvilinearidade nas variáveis analisadas.

Para avaliar os casos de outliers multivariados, optou-se por analisar, separadamente, as escalas masculina e feminina que compõem o instrumento. Isto porque, estas escalas foram analisadas e utilizadas individualmente. Assim, os casos de outliers multivariados que possam existir frente aos itens de uma das escalas, podem não ser os mesmos casos frente aos itens da outra escala. Utilizando a distância Mahalanobis como critério de avaliação dos casos de outliers multivariados (Tabachnick & Fidell, 1996), foram encontrados, para a escala masculina (c2 (55) = 93,134; a = 0,001) um total de 37 casos. Optou-se por retirar estes casos, restando 1.138 sujeitos na composição final da amostra, do quais 566 eram do sexo masculino. Para a escala feminina (c2 (65) = 105,962; a = 0,001), foram encontrados 78 casos de outliers multivariados. Estes casos foram retirados da amostra, restando um total de 1.097 sujeitos, sendo 545 do sexo masculino.

Em uma avaliação preliminar, foram realizadas duas Análises dos Componentes Principais e duas Análises Fatoriais, para cada escala. Na primeira análise foram utilizadas as variáveis sem estarem transformadas e, na segunda análise, as variáveis com desvio de normalidade foram substituídas por suas versões transformadas. Ao se utilizar as variáveis transformadas, não foram encontradas diferenças nas estruturas fatoriais e na variância total explicada por cada escala. Optou-se, portanto, pela utilização destas variáveis sem suas respectivas transformações.

A Análise dos Componentes Principais foi realizada para as escalas masculina e feminina, separadamente. A escala feminina apresentou os seguintes resultados: a) Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) = 0,90; b) Bartlett's Test of Sphericity (1953) = 23031,007, p < 0,001; c) número de componentes (eigenvalue >1,5) = 7; e, d) variância total explicada pelos sete componentes = 40,64%. A escala masculina apresentou os seguintes resultados: a) Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) = 0,89; b) Bartlett´s Test of Sphericity (1378) = 15506,428, p < 0,001; c) número de componentes (eigenvalue > 1,5) = 6; e, d) variância total explicada pelos seis componentes = 38,07%.

O gráfico scree plot foi utilizado como sinalizador na opção do número de fatores a serem extraídos. Para a escala feminina, o gráfico definiu a extração de cinco fatores, os quais explicavam 35,52% da variância total. Para a escala masculina, o gráfico definiu a extração de quatro fatores, os quais explicavam 32,23% da variância total. As extrações fatoriais de ambas as escalas foram realizadas através do método Principal Axis Factoring (PAF), com rotação oblíqua do tipo Oblimin e cargas fatoriais iguais ou superiores a 0,35. Para avaliar os índices de consistência interna dos fatores utilizou-se o alfa de Cronbach.

a) Escala Feminina: A tabela 1 apresenta os cinco fatores extraídos para a escala feminina. Nesta tabela foram inseridos os itens que compõem cada fator e suas respectivas cargas fatoriais.

 

 

Os termos utilizados para designar cada fator seguiram um dos seguintes critérios: a) denominar o fator com o item que apresenta a maior carga fatorial ou b) denominar o fator segundo a sua característica geral. Os fatores extraídos para a escala feminina foram denominados de: Tolerância (Fator 1); Insegurança (Fator 2); Sensualidade (Fator 3); Emotividade (Fator 4) e Responsabilidade (Fator 5). Estes fatores explicavam, respectivamente, 16,26%; 7,64%; 5,25%; 3,21% e 3,17% da variância total e apresentaram os seguintes índices de consistência interna: Tolerância (a = 0,73); Insegurança (a = 0,79); Sensualidade (a = 0,79); Emotividade (a = 0,85) e Responsabilidade (a = 0,82).

Considerando correlações entre os fatores iguais ou superiores a 0,32, como ideais (Tabachnick & Fidell, 1996), observou-se, na Matriz de Correlações entre os Fatores, que os fatores Tolerância x Emotividade (r = -0,36), Tolerância x Responsabilidade (r = 0,41) e Emotividade x Responsabilidade (r = -0,36) estavam correlacionados formando um fator de segunda ordem. Este fator de segunda ordem, denominado Sensibilidade, explica 26,22% da variância total e apresentou índice de consistência interna igual a a = 0,89. A tabela 2 apresenta o fator de segunda ordem extraído para a escala feminina. Nesta tabela foram inseridos os itens que compõem o fator e suas respectivas cargas fatoriais.

 

 

b) Escala Masculina: A tabela 3 apresenta os quatro fatores extraídos para a escala masculina. Nesta tabela foram inseridos os itens que compõem cada fator e suas respectivas cargas fatoriais.

 

 

As denominações dos fatores da escala masculina seguiram os mesmos critérios expostos anteriormente. Os fatores extraídos para a escala masculina foram denominados de: Negligência (Fator 1); Racionalidade (Fator 2); Ousadia (Fator 3); e Agressividade (Fator 4). Estes fatores explicavam, respectivamente, 15,38%; 8,62%; 4,69% e 3,55% da variância total e apresentaram os seguintes índices de consistência interna: Negligência (a = 0,82); Racionalidade (a = 0,72); Ousadia (a = 0,66) e Agressividade (a = 0,77).

Considerando correlações entre os fatores iguais ou superiores a 0,32, como ideais, pôde-se observar, na Matriz de Correlações entre os Fatores, que os fatores Negligência x Agressividade (r = -0,38), estavam correlacionados formando um fator de segunda ordem. Este fator de segunda ordem, denominado Indiferença, explica 22,69% da variância total e apresentou índice de consistência interna igual a a = 0,87. A tabela 4 apresenta o fator de segunda ordem extraído para a escala masculina. Nesta tabela foram inseridos os itens que compõem o fator e suas respectivas cargas fatoriais.

 

 

Os fatores extraídos para a escala feminina, representam aspectos da subjetividade social (feminilidade) que estão estruturados na subjetividade individual (autoconceito), compondo o esquema feminino. Poder-se-ia, portanto, considerar que os fatores da escala feminina representam os seguintes aspectos da feminilidade, estruturados no self:

Fator Tolerância: como característica geral, este fator focaliza a disponibilidade do self de aceitar opiniões, comportamentos e atitudes divergentes das suas. Particularmente, avalia a capacidade do self de compreender e se interessar por questões pertinentes ao(s) outros, aceitar condições imprevistas, compartilhar e atender às necessidades do(s) outro(s) e conciliar pontos-de-vista divergentes.

Fator Insegurança: como característica geral, este fator focaliza a insegurança e a dependência do self, em relação às opiniões e expectativas dos outros. Particularmente, avalia o medo à rejeição resultando em timidez e introversão, a dependência e subordinação às opiniões dos outros e a inveja como resultante do sentimento de inferioridade.

Fator Sensualidade: como característica geral, este fator focaliza a auto-imagem e sua influência na interação com os outros. Particularmente, avalia aspectos somáticos, sensoriais e estéticos do self, traduzidos na preocupação com a imagem e a aparência física, no poder de sedução, capacidade de envolver o(s) outro(s) e necessidade de causar boa impressão.

Fator Emotividade: como característica geral, este fator focaliza aspectos afetivos do self. Particularmente, avalia o compartilhamento e comprometimento afetivo do self, a livre expressão das emoções e dos sentimentos, bem como, a delicadeza do sentir, refletidos no comportamento e atitudes diárias.

Fator Responsabilidade: como característica geral, este fator focaliza os princípios e valores que regem a conduta do self. Particularmente, avalia valores individuais condizentes com as normas sociais, cumprimentos de deveres e responsabilidades individuais. O respeito pelos espaços e limites do(s) outro(s), a integridade de caráter, a moralidade, integridade, lealdade e fidelidade como princípios norteadores da vida.

Fator Sensibilidade: este fator reúne, em si, os fatores Tolerância, Emotividade e Responsabilidade, focalizando um aspecto subjacente a estes fatores. Este aspecto subjacente, elo dos dois fatores, é a sensibilidade do self que procura traduzir, em comportamentos, os seus princípios e valores pessoais. Ajustamento às normas sociais, preocupação com o bem-estar alheio, livre expressão das emoções e sentimentos, compartilhamento e comprometimento afetivos e cumprimento dos deveres e compromissos diários são alguns dos aspectos avaliados por este fator.

Os quatro fatores extraídos para a escala masculina representam aspectos da subjetividade social (masculinidade) que estão estruturados na subjetividade individual (autoconceito), compondo o esquema masculino. Poder-se-ia, portanto, considerar que os fatores da escala masculina representam os seguintes aspectos da masculinidade, estruturados no self:

Fator Negligência: como característica geral este fator focaliza aspectos de irresponsabilidade, negligência e despreocupação em relação à vida e aos compromissos sociais. Particularmente, avalia o desleixo com a aparência e com a imagem, desorganização, esquecimento e descumprimento de deveres e responsabilidades, desinteresse e apatia pela vida, transferência de deveres e responsabilidades pessoais para o(s) outro(s) e desinteresse por assuntos e interesses do(s) outro(s).

Fator Racionalidade: a característica geral deste fator enfoca a razão, enquanto instrumento que permite ao self explorar e compreender o seu ambiente, conhecer e relacionar objetos e/ou idéias, medir e calcular, refletir, deduzir, considerar, discorrer e expressar-se. Particularmente, o fator avalia comportamentos derivados do uso da razão, tais como: expor os pensamentos de forma clara e lógica, ser realista, gostar de refletir, ser objetivo, mantendo um certo distanciamento emocional.

Fator Ousadia: como característica geral, este fator focaliza o grau de arrojamento do self, que busca no novo e no inusitado, a satisfação de seus objetivos, metas e o prazer individual. Particularmente, avalia comportamentos relacionados à ousadia de submeter-se a novos desafios, à coragem e determinação de lutar pelos desejos e ideais, a capacidade de adaptar-se às situações e a busca do prazer individual.

Fator Agressividade: como característica geral, este fator focaliza o eu como centro de todo o interesse; um amor tão exclusivo a si que acaba por implicar na subordinação dos interesses dos outros ao seu próprio. Particularmente, avalia aspectos que envolvem a incapacidade de aceitar condições, opiniões, comportamentos e atitudes divergentes daquelas esperadas pelo indivíduo, gostar de exercer o controle sobre os outros e de dar a última palavra.

Fator Indiferença: este fator reúne em si características dos fatores Negligência e Agressividade, focalizando aspectos que definem o eu como centro de todo o interesse. A incapacidade do self de aceitar condições, opiniões, comportamentos e atitudes divergentes daquelas esperadas pelo indivíduo, desinteresse pelo(s) outro(s) e assuntos que lhes dizem respeito, transferência de deveres e obrigações para o(s) outro(s), apatia em relação à vida e negligência com respeito a assuntos importantes são alguns aspectos que avaliados por este fator.

 

Conclusão

A metodologia utilizada para a construção do IEGA, bem como, o tratamento estatístico aplicado às escalas masculina e feminina, garantem a validade de construto do mesmo (Pasquali, 1996). Sendo a validade de construto uma maneira direta de verificar a hipótese da legitimidade da representação comportamental dos traços latentes (Pasquali, 1996, p.94), pode-se afirmar que o IEGA avalia os esquemas masculino e feminino do autoconceito. O instrumento e a tabela de correção encontram-se nos anexos 1 e 2, respectivamente.

O esquema masculino, constituído por características autodescritivas provenientes do conceito de masculinidade, é composto por quatro fatores principais (Negligência, Racionalidade, Ousadia e Agressividade) e por um fator de segunda ordem (Indiferença). O esquema feminino, constituído por características autodescritivas provenientes do conceito de feminilidade, é composto por cinco fatores principais (Tolerância, Insegurança, Sensualidade, Emotividade e Responsabilidade) e por um fator de segunda ordem (Sensibilidade). Observa-se, portanto, que assim como os construtos sociais de masculinidade e feminilidade, os esquemas masculino e feminino são constituídos por estruturas multidimensionais.

Enquanto instrumento que avalia os esquemas masculino e feminino do autoconceito, o IEGA abre perspectiva para novos estudos. Entretanto, por ser um estudo exploratório, observa-se que o instrumento apresentou alguns problemas metodológicos e amostrais. Dentre estes, pode-se citar: a) a homogeneidade da amostra, constituída em sua totalidade por estudantes universitários; b) as escalas masculina e feminina são compostas por adjetivos, os quais aumentam a variabilidade das respostas; b) alguns fatores apresentaram índices de consistência interna abaixo dos padrões psicométricos (a = 0,80) e c) o percentual de variância explicado por cada escala é baixo (35,3% para a escala feminina e 32,24% para a escala masculina). Este dado, entretanto, não invalida o instrumento, uma vez que a variância não explicada é considerada irrelevante ao conteúdo que o teste mede (como, erros de medida e peculiaridades específicas dos itens) (Pasquali, 1999, p.61).

Os problemas supracitados induzem à realização de novos estudos. Considerando as estruturas fatoriais obtidas para as escalas masculina e feminina, sugere-se a reformulação do instrumento a fim de aprimorar a avaliação do construto que o IEGA se propõe a medir, ou seja, a mensuração dos esquemas masculino e feminino do autoconceito. Para tanto, propõe-se: a) a inclusão de itens condizentes com a característica do fator, naqueles fatores que apresentaram baixos índices de consistência interna, visando melhorar a precisão do instrumento; b) a substituição dos adjetivos por frases operacionais, afim de diminuir a variabilidade das respostas e c) a aplicação e validação do instrumento em amostras que difiram quanto à escolaridade, nível sócio-econômico e cultural. Esta diversidade amostral permitirá avaliar se as estruturas fatoriais dos esquemas masculino e feminino diferem, ou não, em função das características da amostra.

A perspectiva dicotômica dos conceitos de masculinidade e feminilidade somada à influência destes conceitos sobre a formação da identidade de gênero e do autoconceito, permitem postular que, possivelmente, as estruturas fatoriais dos esquemas masculino e feminino devam diferir em função do sexo. Além disso, como os esquemas cognitivos moldam, filtram e guiam as percepções dos indivíduos, pode-se postular que a presença destes esquemas de gênero no autoconceito influenciarão as percepções que o indivíduo possui sobre si e sobre o(s) outro(s). Como a presença destes dois esquemas de gênero no autoconceito rompe com a perspectiva dicotômica da masculinidade e da feminilidade, pode-se postular, ainda, que ao serem tratados conjuntamente, como um par, a interação entre estas estruturas cognitivas acabará por influenciar as percepções, julgamentos, decisões e inferências que o indivíduo realiza sobre si mesmo e sobre o(s) outro(s). Estas são algumas questões a serem abordadas em estudos futuros.

 

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Recebido em 19.07.1999
Primeira decisão editorial em 31.07.2000
Versão final em 10.10.2000
Aceito em 06.12.2000

 

 

1 Endereço: SHIS QL 18 Conjunto 06 Casa 15 - Lago Sul, Brasília, DF, Brasil. CEP.: 71.650-065. E-mail: giavoni@tba.com.br.

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