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Psicologia: Teoria e Pesquisa

versão impressa ISSN 0102-3772versão On-line ISSN 1806-3446

Psic.: Teor. e Pesq. v.23 n.spe Brasília  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722007000500023 

Professora Emérita Thereza Pontual de Lemos Mettel

 

 

 

Proposta de Concessão do Título de Professor Emérito, pela Universidade de Brasília, à Profa. Dra. Thereza Pontual de Lemos Mettel1

A presente proposta fundamenta-se em todo um admirável conjunto de contribuições efetivas à Psicologia brasileira prestadas pela Dra. Thereza Pontual de Lemos Mettel. Suas contribuições à Psicologia não se restringem, em absoluto, às áreas de Psicologia do Desenvolvimento Humano e/ou Psicologia Escolar. Como será evidenciado pelos dados e argumentos apresentados nesta proposta, a Dra. Thereza Mettel em muito colaborou com o desenvolvimento da própria ciência psicológica no Brasil. Isto se deu em quatro instâncias essenciais ao desenvolvimento da Psicologia enquanto ciência e profissão:

1) primeiramente, colaborou com substancial e efetiva participação na introdução e consolidação, no país, da pesquisa científica nas áreas de Psicologia Clínica, Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano;

2) teve papel essencial na formação de alto nível de docentes, pesquisadores e psicólogos;

3) através de sua incansável atuação, contribuiu diretamente para a estruturação e o funcionamento do Conselho Federal de Psicologia e Conselhos Regionais de Psicologia, colaborando de forma fundamental na organização e consolidação da profissão de psicólogo no país;

4) colaborou, com trabalho intensivo, na organização e desenvolvimento do ensino de pós-graduação e pesquisa científica na área da Psicologia no país, atuando como consultora em órgãos de fomento e, em especial, tendo papel de grande destaque na fundação da ANPEPP (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia).

É com base nesta valiosa e inestimável contribuição à Psicologia que hoje propomos, de forma unânime, que a trajetória da Profa. Dra. Thereza Pontual de Lemos Mettel seja contemplada com formal homenagem por parte da Universidade de Brasília. Homenagem esta que venha representar o reconhecimento deste Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento (PED) e agradecimento por toda uma vida dedicada à ciência, à profissão e, muito especialmente, à formação de novos profissionais e pesquisadores no âmbito da Psicologia.

Os Primeiros Passos

Graduada em Letras Clássicas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), em 1950, a Dra. Thereza já demonstrava sério interesse pela Psicologia. Nem a formação, nem a profissão, encontravam-se, à época, disponíveis para os interessados nas questões afetas à Psicologia. As questões psicológicas eram do domínio, quase exclusivo, dos médicos. Educadores e assistentes sociais lidavam com problemas e dificuldades de pessoas e famílias como lhes era possível, sendo o papel de terapeuta exercido, freqüentemente, por padres católicos, outros religiosos e/ou por médicos da família.

Nessa época, Thereza ensinava Língua Portuguesa no Colégio Jacobina, e logo em seguida, deu continuidade a seus estudos relacionados a questões psicológicas formando-se no curso de Especialização em Orientação Educacional, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Realizou, então, vários cursos de Especialização (ISOP-RJ, Sedes Sapientiae-SP, Centro de Orientação Juvenil-RJ) e Aperfeiçoamento, todos selecionados por contemplar conteúdos voltados à formação de profissionais que pudessem atuar na área da Psicologia. A Psicologia como ciência e profissão, porém, ainda não havia sido formalmente reconhecida e regulamentada no Brasil.

Sempre motivada a dedicar-se à Psicologia, a oportunidade para prosseguir sua formação surgiu com a concessão de uma bolsa de estudos da Fundação Fulbright, obtida em 1958, para realizar, nos Estados Unidos da América, um Curso de Especialização em Aconselhamento Psicológico (Guidance), na Universidade de Wisconsin. Após essa Especialização, a Dra. Thereza deu continuidade à sua formação com o Mestrado (finalizado em 1959) e Doutorado (título obtido em junho de 1963), ambos realizados na Universidade de Wisconsin. Durante esse período, para se manter nos Estados Unidos da América como estudante, conseguiu também uma bolsa de estudos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Nesta etapa fundamental de sua formação, Thereza teve o privilégio de ser orientada, no Doutorado, pelo eminente psicólogo, teórico e pesquisador da Psicologia, Dr. Carl Rogers, fundador da Terapia Centrada na Pessoa e figura de destaque da Psicologia Humanista, em nível internacional. A Dra. Thereza atuou como pesquisadora (Research Assistant) no grupo de estudo da esquizofrenia, liderado pelo Dr. Carl Rogers. Com o Dr. Rogers, Dra. Thereza afirma ter aprendido muito. Não apenas em nível teórico, mas, especialmente, aprendido a trabalhar na Psicologia de forma científica, coletando e sistematizando dados, buscando o necessário rigor metodológico típico das disciplinas verdadeiramente científicas. Toda essa rica experiência, e tudo que aprendeu na época, nos cursos, disciplinas, trabalhos de pesquisa em colaboração e convivência com grandes nomes da Psicologia científica, enfim, toda a vasta experiência que teve nas áreas de pesquisa, atuação terapêutica e docente nos EUA, Thereza pode trazer para o Brasil, como detalharemos a seguir.

De volta ao Brasil

Em 1963, a Dra. Thereza Mettel decidiu retornar ao Brasil. Muito lhe estimulava a idéia de contribuir para a consolidação da Psicologia no país. Em agosto de 1963 retornou ao Rio de Janeiro e iniciou um trabalho docente, em tempo parcial, na PUC-RJ. Ao final de 1963, foi convidada pelo Dr. Lucien Lison para colaborar na criação do primeiro curso de graduação em Psicologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, SP. Àquela época, a Faculdade ainda não havia sido incorporada à Universidade de São Paulo (USP). E foi assim que a Dra. Thereza liderou a organização do curso e coordenou os dois primeiros vestibulares para acesso ao curso de graduação em Psicologia na cidade de Ribeirão Preto. Do início de 1964 até agosto de 1965, ficou em Ribeirão Preto para trabalhar na implantação do referido curso. Antes de voltar aos EUA, foi convidada pela Dra. Carolina Bori (Doutora Honoris Causa da Universidade de Brasília) para trabalhar na UnB e aqui implantar um Centro de Atendimento Psicológico a Estudantes, o que fez antes de retornar aos EUA, por razões de ordem pessoal.

Continuidade de sua Qualificação Acadêmica

Em 1965, a Dra. Thereza retornou à Universidade de Wisconsin e trabalhou por três anos no Counseling Center daquela Universidade. Além de atuar como terapeuta, trabalhava como docente supervisionando estagiários na área de Psicologia Clínica. Durante o período de um ano (entre 1967-1968), teve a oportunidade de realizar um curso de Especialização com o Dr. O. Lovaas. Durante esta etapa de sua formação, desenvolveu competências e habilidades que lhe permitiram, no futuro, introduzir e formar terapeutas e pesquisadores no âmbito da Análise Comportamental Aplicada. Ou seja, neste período ampliou sua qualificação e experiência como terapeuta, tornando-se, também, uma expert em Terapia Comportamental. Foi neste período que Thereza se dedicou ao estudo, pesquisa e atuação clínica com crianças autistas, no Children's Treatment Center, localizado em Madison, Wisconsin. Sua qualificação como profissional, docente e pesquisadora, pois, enriqueceu-se de forma muito significativa nesta etapa de sua vida.

Trajetória acadêmica no Brasil: de 1968 até os dias de hoje

Em agosto de 1968, a Dra. Thereza Mettel voltou a Ribeirão Preto. Desta vez, foi convidada a trabalhar no Departamento de Neuropsiquiatria e Psicologia Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP). Lá, trabalhou como docente do curso de medicina, ministrando disciplinas de formação psicológica aos futuros médicos. Além disso, atuava como Chefe do Ambulatório de Psicologia Infantil, onde participou intensamente da construção de uma equipe interdisciplinar para o tratamento das crianças.

Durante o período de 1969 a 1974, em que trabalhou como docente da Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão Preto, Thereza foi também credenciada como Professora Orientadora do Departamento de Psicologia Experimental da USP, em São Paulo, tendo orientado duas dissertações de Mestrado e participado de várias bancas de Doutorado. Além disso, atuava como Professora Participante do Departamento de Psicologia Experimental, dando aulas aos alunos de pós-graduação vinculados a este Departamento. Permaneceu como Professora orientadora, credenciada deste Programa de Pós-Graduação (USP-SP) até o ano de 1992. Ao todo, a Dra. Thereza orientou 17 dissertações de Mestrado (duas na USP, quatro na PUC-RJ e 11 na UnB) e três teses de Doutorado (USP).

De março de 1974 a julho de 1975, Thereza trabalhou como professora visitante, em tempo integral, na PUC-RJ. Para complementar o salário, atuava como psicoterapeuta em clínica particular. Em agosto de 1975, convidada pelo Dr. João Cláudio Todorov, foi contratada pela Universidade de Brasília, onde ficou até aposentar-se em 1994. Na UnB, além da orientação dos alunos de pós-graduação, acompanhou e orientou vários alunos de graduação em atividades de pesquisa e participou ativamente da oferta de Estágio Supervisionado para alunos em final do curso de Graduação em Psicologia.

Em 1977, Thereza realizou um novo pós-doutorado, financiado pela Royal Society, desta vez na Inglaterra, junto ao renomado professor da área da Psicologia do Desenvolvimento, Dr. Kevin Connolly. Foi durante este período que consolidou sua formação em Etologia Humana, sendo colega do Dr. Peter Smith, quem, no ano seguinte, convidou para oferecer uma disciplina no curso de Mestrado em Psicologia da UnB. Thereza Mettel e João Cláudio Todorov foram, portanto, os primeiros docentes a formalizar convite a professores estrangeiros para ministrar disciplinas durante um semestre letivo regular do curso de Pós-Graduação em Psicologia, respectivamente, Dr. Peter Smith e Dr. J. Millenson.

Em 1884, a Dra. Thereza Mettel realizou mais um estágio de pós-doutoramento, que incluiu a visita a Laboratórios em três universidades diferentes: Universidade de Minessotta (Institute of Child Development), Universidade de Kansas, em Lawrence, e na Universidade de Wisconsin, quando teve a oportunidade de discutir os trabalhos que vinha realizando no Brasil com seus colegas norte-americanos.

Principais contribuições à Psicologia no país

Como pioneira da Psicologia no Brasil, a Dra. Thereza teve uma formação acadêmica privilegiada. Segundo ela mesma reconhece, a oportunidade de trabalhar diretamente sob a supervisão de Carl Rogers foi para ela uma experiência inestimável. Aprendeu a pesquisar de forma rigorosa e sistemática, coletando e analisando dados numa época em que, mesmo nos Estados Unidos da América, gravar entrevistas e analisá-las era considerado inadequado. Foi preciso que Carl Rogers, quando trabalhava na Universidade de Chicago, convencesse seus colegas da necessidade da utilização de métodos e técnicas científicos para se estudar e conhecer o comportamento humano. Além da formação em pesquisa, Dra. Thereza muito aprendeu com seu mestre sobre a importância da construção da qualidade da relação terapêutica: observou, vivenciou e praticou o estabelecimento da empatia com os pacientes, a qual ia se desenvolvendo na medida em que o terapeuta valorizava cada indivíduo, cada pessoa em sua singularidade como ser humano. Ao fazer isto, buscava encontrar formas de comunicação com o outro, baseadas no respeito e na construção de uma sintonia em nível da linguagem verbal e emocional, presentes no contexto de interação. Essa experiência, associada à sua formação em Terapia Comportamental, realizada com um dos mais importantes nomes da época, Dr. Lovaas, permitiu que a Dra. Thereza desenvolvesse competências e habilidades muito especiais na área clínica, as quais, posteriormente, transmitiu e desenvolveu em seus alunos – estagiários, mestrandos e doutorandos – no Brasil. Muitos de seus ex-alunos são, hoje, psicólogos e pesquisadores de alto nível, atuantes em renomadas instituições de ensino e pesquisa do Brasil.

Em termos de projetos de pesquisa na UnB e na PUC-RJ, a Dra. Thereza desenvolveu trabalhos pioneiros com o apoio do CNPq em várias áreas, como por exemplo, estudos sobre a comunicação mãe-bebê. Em Brasília, levou seus alunos de Graduação e Pós-graduação a atuar em áreas de carência socioeconômica e cultural, onde projetos do tipo pesquisa-ação, voltados para a orientação de mães (em suas próprias residências) e estimulação das crianças, foram desenvolvidos. Além disso, seus alunos de Estágio Supervisionado desenvolviam atividades em hospitais públicos e Centros de Saúde da periferia da cidade de Brasília, onde se integravam a trabalhos comunitários. Dedicou-se, também, à coordenação de projetos relacionados à educação infantil, projetos direcionados ao estudo das atividades lúdicas entre crianças e a análise de possíveis diferenças de gênero no comportamento de crianças de 0 a 6 anos de idade.

No desenvolvimento de projetos de pesquisa, na área da Psicologia do Desenvolvimento Humano, a Dra. Thereza foi pioneira no país. As possibilidades tecnológicas eram limitadíssimas, assim como os recursos para a aquisição de equipamentos, na época, considerados sofisticados, tais como filmadoras e transcribers. E foi assim que, em Brasília, adquiriu, com recursos pessoais, uma filmadora 16mm e uma máquina de projeção, que utilizava em suas aulas e pesquisas. Em 1986, precisou da colaboração de seu irmão, que possuía um equipamento de gravação de vídeo (o qual pesava entre 4 e 5Kg), para que a tese de uma aluna de Doutorado fosse realizada de acordo com a metodologia observacional adequada aos objetivos de seu projeto de pesquisa. Dra. Thereza nos relata que quando, certa vez, levou suas fitas a um Laboratório de Espectografia, na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), o pesquisador lhe informou ser impossível realizar este trabalho, tendo em vista que as gravações haviam sido feitas em gravador não profissional, à época, único recurso à sua disposição na Universidade.

Um aspecto muito importante do conjunto de contribuições da Professora refere-se à sua experiência de trabalho em equipes interdisciplinares. Durante sua permanência na Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, Dra. Thereza investiu na organização de uma equipe desta natureza para a realização do trabalho clínico junto às crianças, o qual se consolidou e resultou em grande sucesso em tratamentos médicos de diversas especialidades. Em Brasília, desde meados da década de 1970, trabalhou com médicos, enfermeiros e paramédicos para o cuidado e assistência humanizada à criança hospitalizada (ainda hoje, objeto de interesse da Organização Mundial de Saúde), tendo um papel importante na introdução de uma política de tratamento hospitalar que incluía o acompanhamento e a participação ativa das mães e outros agentes cuidadores, no cuidado à saúde de crianças. Realizou uma pesquisa no Hospital de Sobradinho, na época Hospital Escola da UnB, e no Hospital Distrital de Brasília (hoje, Hospital de Base do Distrito Federal), cujos resultados apontaram para uma significativa melhora das condições de saúde das crianças e redução do tempo de internação, quando suas mães permaneciam ao lado de seus filhos. Tais resultados contribuíram para o incentivo à adoção de políticas de humanização em hospitais da rede pública de saúde do Distrito Federal e demais Unidades da Federação.

O trabalho realizado pela Dra. Thereza Mettel em um contexto bem diferente, mas de vital importância, precisa ser, também, destacado. Ela participou da constituição da primeira plenária do Conselho Regional de Psicologia (CRP-05), do Rio de Janeiro em 1974, e veio a presidir a terceira Plenária do CRP-01 (com sede no Distrito Federal), de 1981 a 1983. Como presidente do CRP-01, teve papel fundamental na organização desta categoria profissional, trabalhando intensamente para a rejeição do projeto de lei Julianeli, encaminhado ao Congresso Nacional. Este projeto prejudicava os psicólogos porque subordinava totalmente a atuação profissional de psicólogos aos médicos, destituindo a categoria de sua devida e necessária autonomia. Antes disso, atuando no Sindicato dos Psicólogos do Distrito Federal, também trabalhou para a inserção formal e reconhecimento de psicólogos na Rede Pública Hospitalar do Distrito Federal.

Certamente, embora ainda longe das condições ideais, o reconhecimento de trabalhos realizados por psicólogos na Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal (antiga Fundação Hospitalar do Distrito Federal) deve-se, em parte substancial, ao trabalho pioneiro da Profa. Thereza Mettel, que participou, ainda, no final da década de 1970, da elaboração do primeiro documento da rede pública de saúde do Distrito Federal sobre o papel do psicólogo na área da saúde.

A Profa. Dra. Thereza Mettel foi, assim, concomitantemente com sua inestimável contribuição acadêmica, uma profissional extraordinariamente ativa na defesa da profissão e no estabelecimento de políticas que promovessem e regularizassem a Psicologia no país.

A Dra.Thereza participou ativamente da fundação da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP). Colaborou na elaboração do Estatuto desta Entidade, foi vice-presidente no biênio 1988-1990, e presidente em 1990-1992. Teve papel de destaque na estruturação, funcionamento e consolidação da entidade. Um dos pontos importantes reivindicados durante sua gestão foi a inserção da Psicologia na área de Ciências Humanas, o que foi conquistado. Além disso, junto com as Dras. Maria Angela Guimarães Feitosa e Maria Amélia Matos e o Dr. Jairo Eduardo Borges-Andrade, elaborou um conjunto de subsídios para o processo de avaliação sistemática de programas de Pós-graduação em Psicologia pela CAPES, durante sua gestão na ANPEPP.

A Dra.Thereza foi Chefe do então Departamento de Psicologia, vinculado ao Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília, entre dezembro de 1976 e fevereiro de 1979, e foi diretora do Instituto de Ciências Biológicas da UnB por um período de quatro anos (1981 a 1985). Em 1987, participou da criação do Instituto de Psicologia da UnB e foi uma das fundadoras do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento (PED), ao qual ficou vinculada até sua aposentadoria em 1994. Em resumo, sua atuação em diferentes níveis da administração da Universidade (cargos de chefia, coordenação, representação e comissões diversas) foi, igualmente, intensa.

No currículo da Dra. Thereza, encontramos 46 publicações, orientadas pelo parâmetro da originalidade e da qualidade dos conteúdos apresentados. Ela teve intensa participação na organização e promoção de periódicos científicos nacionais, em especial da Revista do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (Psicologia: Teoria e Pesquisa, classificada, atualmente, no sistema QUALIS-CAPES como Nível A e circulação internacional), da qual participou como Editora no período de 1989 a 1991. Foi também membro fundador da Revista do Conselho Federal de Psicologia (Psicologia: Ciência e Profissão), participando da elaboração das diretrizes e política de publicação desta Revista.

A Profa. Thereza atuou de forma ativa na organização da Sociedade Brasileira de Psicologia (antiga Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto), da qual foi membro fundador e conselheira, sendo atualmente sócia honorária. Também foi membro ativo e conselheira da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na atualidade, Dra. Thereza compõe o quadro de Presidentes de honra da Sociedade Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento (SBPD).

Ao longo de sua trajetória profissional, a Dra. Thereza proferiu muitas conferências e participou de um grande número de Congressos nacionais e internacionais. Foi consultora de vários órgãos do governo e participou de um grande número de bancas de concurso público e de defesa de dissertações de mestrado e teses de doutorado. Lembramos que a Dra. Thereza, após 1992, participou de muitas outras atividades acadêmicas. Sendo assim, não especificamos aqui o número exato dessas participações em vista da não atualização do seu currículo, uma vez que a Dra. Thereza Mettel se aposentou pela Universidade de Brasília em agosto de 1994.

A Dra. Thereza foi agraciada com duas distinções: a medalha "Centenário da Psicologia Científica", concedida pelo Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região (Estado de São Paulo), em agosto de 1979; e a medalha do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), concedia em reconhecimento ao seu trabalho, em novembro de 1981.

 

Considerações Finais

Segundo suas próprias palavras, a Dra. Thereza Mettel viveu o que considera a "fase heróica" da Psicologia no Brasil, quando todas as batalhas precisavam ser travadas e vencidas. Considerando os argumentos acima apresentados, gostaríamos, finalmente, de salientar aquelas contribuições da Dra. Thereza Mettel que, a nosso ver, são particularmente relevantes:

1) o seu papel pioneiro, junto com outros dedicados colegas, na organização dos cursos de Psicologia no Brasil, especialmente contribuindo para a consolidação de uma abordagem científica no contexto da clínica psicológica e da Psicologia do Desenvolvimento Humano; nos contextos em que atuou, promoveu a utilização de métodos e técnicas de coleta de dados, sistematização e análise de dados, próprias da investigação, e hoje consagrados pela Psicologia científica;

2) o seu papel na introdução e desenvolvimento da Terapia Comportamental (Análise Comportamental Aplicada), e no desenvolvimento da área de Psicologia da Saúde no Brasil. Em ambas as áreas, a Dra. Thereza conferiu às atividades qualidades especiais, fruto de sua experiência terapêutica considerada como um todo;

3) o seu papel, em conjunto com a Profa. Dra. Maria Clotilde Rossetti-Ferreira da USP – Ribeirão Preto, na introdução e consolidação dos estudos e pesquisas em Etologia Humana no Brasil. Este conhecimento lhe permitiu introduzir disciplinas de metodologia observacional de comportamento em vários currículos de graduação e pós-graduação no país, disciplina, hoje, considerada fundamental à formação de psicólogos e pesquisadores do comportamento;

4) a sua inestimável participação, como professora e orientadora, no processo de formação e qualificação de toda uma geração de pesquisadores e profissionais ativos e de alto nível, hoje responsáveis pela formação das novas gerações; e

5) a sua fundamental e intensa participação na organização política da profissão de psicólogo no Brasil, bem como na estruturação e organização da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP). A ANPEPP, hoje, é importante fórum para a articulação de pesquisadores e instrumento básico para a definição de políticas de incentivo e promoção da formação de profissionais e pesquisadores, com o nível de excelência, exigido pela comunidade científica internacional.

Ao finalizar este documento, gostaríamos de deixar registrado o nosso mais profundo agradecimento a Profa. Dra. Thereza Pontual de Lemos Mettel, por seus conhecimentos e competências que, de forma tão dedicada e generosa, compartilhou com todos os seus ex-alunos e colegas. Agradecer pela seriedade, capacidade de planejamento, motivação e realização concreta de objetivos, por sua imensa dedicação à vida acadêmica e à profissão de psicólogo.

Em especial, agradecemos à Dra. Thereza por sua sensibilidade e sabedoria, que se estende do conhecimento amplo e profundo em nível teórico, à pratica de uma convivência alegre, inspiradora e otimista, que sempre primou pela ética mais responsável e transparente, pela dignidade, pela tolerância, e pela aceitação e estímulo à diversidade pessoal e intelectual, ambas tão necessárias à construção do saber científico, e à formação integral dos seres humanos.

 

 

1 Texto produzido pelos professores do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento da UnB como parte do processo de outorga de título de Professora Emérita à Professora Thereza Pontual de Lemos Mettel. A editora agradece pela cessão deste texto para publicação.

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