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Psicologia: Teoria e Pesquisa

Print version ISSN 0102-3772

Psic.: Teor. e Pesq. vol.26 no.3 Brasília July/Sept. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722010000300020 

Sobre as traduções da obra de Wilhelm Reich para o português

 

About the translations of Wilhelm Reich's work to portuguese

 

 

Sara Q. Matthiesen1

Universidade Estadual Paulista

 

 


RESUMO

O aumento dos textos traduzidos e da investigação acadêmica no campo reichiano realça a necessidade de se estar atento à qualidade das traduções dos textos de Reich para o português. Utilizando a palavra Trieb como exemplo, o objetivo deste artigo foi identificar quais os termos utilizados nas traduções dessa palavra para o português. Os resultados demonstraram, a exemplo do que acontece nas traduções da obra freudiana, que os termos mais comuns são: pulsão, instinto e impulso. Tal variação de termos reforça a necessidade de se cotejar diferentes traduções de um mesmo texto, de se confrontar os textos traduzidos com os textos originais e de se ater ao devido uso de termos específicos, contribuindo para que se leia, da melhor forma possível, as ideias originais de Reich em português.

Palavras-chave: Wilhelm Reich; tradução; obra reichiana.


ABSTRACT

The increase of translated texts and academic research into the reichian field enhances the need to be attentive to the translation quality of Reich's texts to Portuguese. Taking the word Trieb as an example, the aim of this article was to identify the terms that were used to translate such word to Portuguese. The results demonstrated, as it occurs in the translations of Freud's work, that the most common terms are: pulsation, instinct and impulse. Such variation of terms reinforces the necessity to analyze different translations of the same article, to compare translated texts with original texts and to bind to the rightful use of specific terms, helping one to read, in the best possible way, Reich's original ideas in Portuguese.

Keywords: Wilhelm Reich; translation; reichian work.


 

 

Os problemas de tradução, recorrentes na obra de autores consagrados da Psicologia, têm sido objeto de interesse de pesquisadores da área, a exemplo de Hanns (2003), responsável pela coordenação de uma nova tradução brasileira da obra freudiana que procura, entre outras coisas, "o restauro de redes semântico-conceituais que se perdem nas traduções" (p. 2).

No caso da obra de Wilhem Reich, apesar das constantes críticas informalmente formuladas aos problemas nas traduções, são poucos os que formalizaram os cuidados necessários quando da leitura dos textos reichianos em português. Das poucas referências existentes, vale destacar Albertini (1994) que, ao se referir ao restrito número de traduções para o português em relação ao volume da obra de Reich, menciona, assim como Rego (1995), a má qualidade de algumas delas. Também Matthiesen (2005, 2007) adverte o leitor para as diferenças terminológicas nas traduções para o português de termos presentes em textos de Reich, também analisados por Bedani (2007), alertando-nos para as interpretações errôneas que podem ocorrer a partir de traduções problemáticas.

Se esses são exemplos de estudiosos reichianos preocupados com as consequências de traduções discutíveis para a compreensão do pensamento reichiano no Brasil, a atual editora WMF Martins Fontes também não se eximiu da responsabilidade de ater-se à qualidade das traduções dos textos de Reich para o português. Nesse trajeto, além de impulsionar a publicação de traduções de livros de Reich nos últimos anos – como foi o caso de "Psicologia de massas do fascismo" (s.d.) "O assassinato de Cristo" (1982), "O éter, Deus e o diabo" (2003), "Biopatia do câncer" (2009a) e "O caráter impulsivo" (2009b) –, publicou, inclusive, edições revisadas de livros tais como a "Análise do caráter" (1995) e "Escute, Zé Ninguém!" (1998) – antes, "Escuta, Zé Ninguém!" (1972).

Matthiesen (2007) destaca que um dos aspectos que contribuiu para a má qualidade de algumas das traduções da obra reichiana para o português foi o fato de alguns textos terem sido traduzidos com base no original em alemão, idioma que reserva particularidades que nem sempre encontram sinônimos na língua portuguesa. Há de se pensar, portanto, se as traduções que ocorreram do original alemão para o português são mais questionáveis do que as que ocorreram do original em inglês. Afinal, após ter vários de seus textos traduzidos para o inglês por colaboradores como Alexander S. Neill, na Inglaterra e Theodore P. Wolfe, nos Estados Unidos da América, Reich passou a escrever nesse idioma, escolhendo, ele próprio, os termos que melhor refletiam suas ideias.

Em vista disso, observa-se, ainda, que a elevação no número de traduções dos textos de Reich para o português e a crescente investigação acadêmica no campo reichiano, evidenciada pelo aumento das dissertações de mestrado e teses de doutorado nos últimos anos,2 realçam a importância de um olhar criterioso sobre a qualidade das traduções dos textos de Reich para o português. Assim, utilizando a palavra Trieb como exemplo, o objetivo deste artigo foi identificar, a partir do confronto de diferentes textos de Reich, quais os termos mais frequentes nas traduções para o português. Não à toa – e reforçando o caráter teórico dessa pesquisa –, procedemos com o cotejamento de diferentes traduções, em especial, para o português e de textos escritos originariamente por Reich, a fim de alertarmos os leitores sobre as variações de termos que podem permear a obra reichiana.

 

Mesmos Termos, Mesmos Erros

Como na obra de Freud, as traduções da obra de Reich enfrentam problemas quanto aos significados atribuídos à palavra alemã Trieb, dos quais os mais comuns são: pulsão, instinto e impulso. Não obstante, tal diversificação não nos deixa seguros quanto à utilização de qualquer um desses termos, sobretudo por parte dos diferentes tradutores, reforçando dificuldades comuns às apontadas por Souza (1998) na compreensão do vocabulário freudiano e suas versões.

Considerando ser praticamente inevitável a inserção nessa que é uma antiga discussão do universo freudiano, observamos que Trieb, de raiz germânica, conserva, como apontado por Laplanche e Pontalis (1992), "sempre a nuança de impulsão (treiben=impelir)", além de sublinhar "o caráter irreprimível da pressão mais do que a fixidez da meta e do objeto" (p. 394). Instinkt, por sua vez, quando utilizado por Freud, por exemplo, "qualifica um comportamento animal fixado por hereditariedade, característico da espécie, pré-formado no seu desenvolvimento e adaptado ao seu objeto" (Laplanche & Pontalis, 1992, p. 394). Apesar da polêmica em relação a outros autores, Laplanche e Pontalis enfatizam que ao se utilizar "instinto" para se traduzir Trieb, falseia-se "o uso da noção em Freud" (p. 394), já que:

A escolha do termo instinto como equivalente inglês ou francês de Trieb não só é uma inexatidão de tradução, como ameaça introduzir uma confusão entre a teoria freudiana das pulsões e as concepções psicológicas do instinto animal, e apagar a originalidade da concepção freudiana, particularmente a tese do caráter relativamente indeterminado do impulso motivante e as noções de contingência do objeto e da variabilidade das metas. (p. 242)

Confrontadas as edições inglesa e francesa das obras de Freud, identificou-se que a edição inglesa utiliza, para traduzir Trieb, a palavra Instinct, enquanto que a edição francesa utiliza Pulsion (Souza, 1998). Dada a polêmica existente em relação à utilização desses termos, o editor inglês James Strachey3 defende sua opção de traduzir Trieb por Instinct, baseando-se no argumento de que a palavra drive não é a mais correta, por um motivo básico: na língua inglesa não é utilizada nesse sentido. Basta verificar que não é encontrada nem no grande dicionário Oxford, nem nos compêndios de Psicologia em língua inglesa. Referindo-se aos críticos que apontam ser a tradução de Trieb por drive a melhor alternativa, Strachey (1970) argumenta que, talvez, "a maioria deles, na realidade, esteja influenciada por uma familiaridade inata ou precoce com o idioma alemão" (p. 34). De qualquer forma, enfatiza ele:

Não é da competência do tradutor tentar classificar e fazer distinção entre os diferentes usos que Freud fazia da palavra. Essa tarefa seguramente pode ser delegada ao leitor, desde que a mesma palavra inglesa seja invariavelmente usada para o original alemão. (Strachey, 1970, p. 34)

Deixando clara sua posição, Strachey (1970) prossegue: "Parece-me que a única coisa racional a fazer em tal caso é escolher uma palavra obviamente vaga e indeterminada e ater-se a ela. Daí minha escolha de instinct"(p. 34). Entretanto, adverte Strachey, o próprio Freud teria, "numa meia dúzia de casos", utilizado a palavra alemã instinkt "no sentido de instinto nos animais" (p. 35), ainda que sempre tenha chamado a atenção para esse fato em notas de rodapé.

Souza (1998), por sua vez, discorda dessa posição, afirmando ser "tarefa do tradutor" reproduzir "não o mesmo significado, mas a mesma designação e o mesmo sentido com os meios (isto é, com os significados, propriamente) de uma outra língua" (p. 258). Assim, o mesmo autor assinala que ao invés de questionar: "Como se traduz este significado desta língua?", o tradutor deveria preocupar-se em questionar "Como se denomina a mesma coisa em outra língua, na mesma situação?" (p. 258).

Apesar das observações de Strachey (1970), não é difícil observar nos textos de Reich traduzidos para o português a partir do inglês, a presença marcante da palavra drive, a qual, muitas vezes, é traduzida como "pulsão". Assim, quando traduzidos para o português, termos como drive denial e drive gratification,4 presentes, por exemplo, em Reich (1925/1975a, p. 278), aparecem como "frustração da pulsão" e "satisfação da pulsão" (Reich 1925/2009c, p. 49), ainda que no vocabulário reichiano comumente utilizado no Brasil, a exemplo de Albertini (1994), Rego (2005) e Matthiesen (2005), o mais comum seja a utilização de "frustração pulsional". Bedani (2007), entretanto, defende que "impulso" é o termo mais adequado para se traduzir Trieb na obra reichiana, já que esse é "mais sintonizado com a perspectiva científico-natural que o autor desejou imprimir às suas pesquisas, desde o início da década de 1920" (p. 116-117). Apesar disso, reconhece que, em função da consagração do termo "pulsão" para se traduzir Trieb nos textos de Freud, esse deveria ser mantido nas traduções dos textos de Reich, a fim de se evitar "complicações terminológicas e conceituais" (p. 117). No segundo caso, o mais usual para a tradução de drive gratification tem sido "satisfação pulsional" ou "satisfação da pulsão", a exemplo do que faz a tradutora de "O caráter impulsivo" de Reich (1925/2009b). Vale observar que essa tradução para o português ocorreu a partir do texto em inglês The impulsive character (Reich, 1925/1975a) que, por sua vez, é uma tradução do original escrito por Reich em alemão Der trieb hafte Charakter, publicado em 1925, pela Internationaler Psychoanalytischer Verlag, em Viena.

Além disso, cabe destacarmos que o original alemão, ao ser traduzido para o inglês como The impulsive character, respeitou o sentido do vocábulo alemão Trieb, que significa, entre outras coisas, "impulso, ímpeto, propulsão", também observado por Bedani (2007). Isso nos alerta para a indicação de Souza (1998), que diz: "O fato é que Trieb cobre os sentidos — ou partes dos sentidos — de 'instinto', 'impulso' e 'ímpeto' (e, por isso, uma sugestão sensata seria talvez utilizar uma das três palavras, segundo o contexto, incluindo o original entre colchetes)" (p. 255). Essa, sem sombra de dúvida, é uma medida acertada quando da utilização de todo e qualquer conceito escrito originariamente por Reich em alemão. Aliás, é isso que procuram fazer alguns estudiosos de Reich no Brasil, a exemplo de Matthiesen (2005), que alerta os interessados para os cuidados necessários na leitura de textos traduzidos para o português; de Bedani (2007), ao inserir aspas na palavra "pulsão", exceto em citações textuais de outros autores; e Rego (1995), ao observar que na revisão técnica da tradução para o português de "Análise do caráter" (Reich, 1933/1995), optou-se por acrescentar, sempre que aparecesse a palavra Trieb, "a palavra alemã correspondente entre parênteses e em itálico" (p. 43).

Ainda que a ampla difusão do "Vocabulário da Psicanálise", de Laplanche e Pontalis (1992), tenha contribuído para a utilização de "pulsão" para traduzir Trieb, inclusive por outras línguas neolatinas, segundo autores como Souza (1998), essa tradução não corresponde, com exatidão, àquilo que alguns textos, como os de Freud, intencionavam. Talvez, "o conceito de instinto vigente já na época de Freud não fosse tão limitado como crêem Laplanche e Pontalis", enfatiza Souza (1998, p. 247). Embora reconheça que tal aspecto mereça maiores investigações, continua ele:

A discussão precedente talvez leve à conclusão de que proponho sem reservas o recurso a 'instinto' para verter Trieb. Na verdade, há algumas reservas a fazer. Tanto no caso de 'instinto' como no de 'pulsão' existem ganhos e perdas. Apenas afirmo que neste as perdas são maiores que os ganhos, e naquele os ganhos ainda superam as perdas. (Souza, 1998, p. 254)

Se isso tem sido exaustivamente debatido em relação às traduções dos textos de Freud, no caso das traduções dos textos de Reich, um exame minucioso dos originais poderia clarear essa questão. Entretanto, considerando ser nosso objetivo apenas alertar os leitores reichianos para a necessidade de estarem atentos à qualidade das traduções, nos resta registrar mais alguns exemplos que evidenciam a variação de termos presentes nas traduções dos textos de Reich para o português.

Na tradução de Eltern als Erzieher5 para o português, que ocorreu com base na versão espanhola do original em alemão, são comuns os termos: "inibições dos instintos", "manifestações instintivas", "restrições dos instintos", "impulso instintivo", "instintos da criança", "instintos" (Reich, 1926/1975b, p. 58-60; ver também Reich, 1975a; Reich, s.d.),6 os quais realçam a opção do tradutor por "instinto" e seus derivados. Já na tradução do alemão para o inglês (ver Reich, 1926/1994), observa-se que os referidos termos foram traduzidos como: drive inhibitions, drive manifestations, drive restrictions; primitive impulse, child's demands, instincts, respectivamente. Isso, certamente, revela a necessidade de confronto com o original alemão, de 1926, a fim de se constatar quais os termos que, de fato, foram utilizados por Reich.7 Entretanto, na recente tradução do inglês para o português, de Reich (1927/2009), a opção dos tradutores por "impulso" para traduzir instincts, thrust e urge, de acordo com o seu emprego pelo tradutor desse texto do alemão para o inglês (consultar Reich, 1927/1994), reforça a sugestão dada por Bedani (2007) quanto à utilização do referido termo.

Outro exemplo, é o do livro de Reich (1933/1979) "Análise do caráter", cujos problemas de tradução do original alemão para o português foram tantos que, em 1995, a atual editora WMF Martins Fontes lançou uma nova edição com revisão técnica especializada de Ricardo Amaral Rego, a partir do inglês.8 Todavia, dado que a maior parte da tradução desse livro para o português ocorreu a partir do original alemão Charakteranalyse, cabe tecer algumas considerações, sobretudo se lembrarmos as restrições de Souza (1998) quanto à utilização da palavra "pulsão" para traduzir Trieb. De acordo com Rego (1995), Trieb foi traduzido por "pulsão", tendo em vista que Antrieb seria "impulso" e Instinkt seria "instinto", obedecendo-se essa orientação para a tradução em português. Todavia, em inglês a palavra Trieb foi traduzida como "instinct, drive, impulse e, às vezes, até por libido", observa Rego (1995, p. 42) ao justificar sua opção por "pulsão", atendendo às orientações de Laplanche & Pontalis (1992). Aos mais desavisados vale o alerta de que a leitura do livro "Análise do caráter" (1933/1995), que é um dos mais importantes livros de Reich, deve ocorrer sempre a partir da 2ª edição, de 1995.

Se esses são alguns exemplos das diferenças terminológicas nas traduções da obra de Reich para o português, outros vários poderão ser apontados por aqueles que se dedicam ao estudo da obra reichiana. Isso, certamente, contribuirá para uma melhor compreensão do pensamento desse autor que tanto nos ajuda a refletir sobre questões contemporâneas nos mais diferentes campos do conhecimento.

 

Considerações Finais

Evidenciar as diferenças terminológicas nas traduções da obra de Reich para o português parece mesmo ser um desafio para os estudiosos da área, sobretudo quando se tem em mãos os textos originais que propiciam confrontar "a forma com que Reich realmente disse isso ou aquilo" e "a forma com que o tradutor faz com que Reich diga isso ou aquilo" (Matthiesen, 2007, p. 32).

Apesar da palavra "pulsão" não ser de uso coloquial em português, como o seria "instinto" ou "impulso", consideramos que a opção pela tradução de Trieb por "pulsão" atende às necessidades dos textos de Reich que foram aqui mencionados, basicamente por dois motivos. Primeiro porque "pulsão" é mais compatível com o jargão psicanalítico atual, como bem apontaram Rego (1995) e Hanns (1996), além de ser consagrada "para o bem ou para o mal", como fez questão de registrar Bedani (2007, p. 117), inclusive no universo reichiano brasileiro. Segundo, os textos reichianos que se pautam na utilização desse termo estão, muitas vezes, centrados no "período psicanalítico" de Reich (Matthiesen, 2005), quando este fazia uso de termos utilizados também por Freud. Isso, inevitavelmente, se reflete nas traduções dos textos de Reich que fazem uso da terminologia psicanalítica. Entretanto, seria injusto desconsiderar os apontamentos de Bedani (2007) acerca da utilização do termo "impulso" para se traduzir Trieb, afinal o sentido de movimento inerente a inúmeros conceitos reichianos fazem dessa possibilidade de tradução algo extremamente adequado, como o demonstram os tradutores de Reich (1927/2009c).

Isso, certamente, confirma nossa certeza de termos apenas iniciado uma discussão que merece ser aprofundada por outros interessados, já que nosso intuito foi evidenciar a necessidade de se estar atento à qualidade das traduções dos textos de Reich para o português. Não por outro motivo, cotejar diferentes edições de um mesmo texto, localizar os originais e ater-se ao devido uso de termos específicos podem, e muito, contribuir para que se leia, da melhor forma possível, suas ideias originais em português.

Para além disso, sugere Souza (1998) àqueles que se dedicam à arte da tradução, é sempre bom: "manter a uniformidade, mas sem descuidar do contexto" (p. 268); "evitar a excessiva literalidade, que pode chegar à servilidade" (p. 268) e "ter cuidado com a excessiva liberdade" (p. 269), o que, também, pode ser útil quando da tradução de textos de Reich para o português. Assim, prezar por traduções de qualidade, sem que haja necessidade de se recorrer às versões em espanhol ou inglês, como sempre foi muito comum por parte dos estudiosos que prezam por uma melhor compreensão do texto reichiano, certamente contribuirá para a difusão de suas ideias, mesmo porque a dificuldade de acesso aos originais, em especial, de seus primeiros textos em alemão, são bem evidentes.

 

Referências

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Recebido em 03.09.08
Primeira decisão editorial em 05.01.10
Versão final em 10.08.10
Aceito em 30.06.10

 

 

1 Endereço para correspondência: Avenida 24A, 1515, Bairro Bela Vista. Rio Claro, SP. CEP 13506-900. Fone: (19) 35264348. Fax: (19) 35264321. E-mail: saraqm@rc.unesp.br.
2 Atualizando os dados presentes em Matthiesen (2007), vale observar que, entre 1979 e 2008, foram encontradas 60 dissertações de mestra-do e 21 teses de doutorado, todas voltadas, ainda que com níveis de aprofundamento distintos, à investigação do pensamento reichiano.
3 Responsável pela tradução, comentários e notas da tradução do original alemão para o inglês das Obras Completas de Sigmund Freud, base para a tradução do inglês para o português, da Imago Editora.
4 Em alemão, os termos encontrados foram Trieb versagung e Trieb befriedigung, respectivamente (ver Reich, 1925/1997).
5 Publicado originalmente como: Reich, W. (1926). Eltern als Erzieher Teil I: Der Erziehungszwang und seine Ursachen. Zeitschrift für psychoanalytische Pädogogik, 1, 65-74. A tradução para o português ocorreu sobre a versão espanhola inserida em: Reich, W., & Schmidt, (1973). Psicoanálisis y educación, Vol. 2. Barcelona: Anagrama.
6 Também é interessante observar as diferenças terminológicas existentes nas diferentes traduções desse texto, em particular do subtítulo Der Erziehungszwang und seine Ursachen, traduzido ora por "a compulsão a educar e suas causas" (ver Reich, 1925/1975b), ora por "a coacção a educar e as suas causas" (1926/s.d.), cujos significados das palavras por nós destacadas expressam, em português, sentidos bastante diferentes, capazes, portanto, de comprometerem a ideia original do autor.
7 A dificuldade na localização desse original, em particular, reforça uma das dificuldades que permeiam a investigação no universo reichiano que, diferentemente do freudiano, não oferece um acesso imediato a exemplo do proporcionado pela consulta às "Obras completas de Sigmund Freud", traduzida, inclusive, para o português.
8 Rego (1995) ressalta que o fato da revisão técnica ter ocorrido a partir do inglês, não a comprometeu, já que parte do livro foi escrito originariamente, por Reich, nesse idioma.