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Psicologia: Teoria e Pesquisa

versão impressa ISSN 0102-3772

Psic.: Teor. e Pesq. vol.29 no.4 Brasília out./dez. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722013000400008 

Uso de álcool e expectativas do beber entre universitários: uma análise das diferenças entre os sexos

 

Alcohol use and drinking expectations among college students: an analysis of sex differences

 

 

Alexandre Fachini; Erikson Felipe Furtado

Universidade de São Paulo

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O estudo analisou comparativamente o consumo de álcool e expectativas do beber de homens e mulheres, verificando a relação entre as variáveis. Contou-se com uma amostra de 238 universitários, que responderam aos instrumentos AUDIT e AEQ-A. Homens apresentaram prevalência significativamente maior de uso de álcool no ano, uso problemático e binge. Expectativas de transformações globais positivas e de melhora no desempenho sexual foram maiores entre os homens. Houve correlação positiva entre expectativas e a gravidade de problemas associados ao consumo de álcool para ambos os sexos, no entanto, essa relação foi significativa apenas para os homens. Resultados indicam que diferenças das expectativas do beber entre os sexos podem ter um importante papel em ações de prevenção mais precisas e eficazes sobre o uso de álcool de homens e mulheres.

Palavras-chave: álcool, expectativas, universitários, abuso de drogas, prevenção


ABSTRACT

Alcohol use and drinking expectations of men and women were compared, verifying the relationship between variables. A sample of 238 college students responded to the AUDIT and AEQ-A. Men showed significantly higher prevalence of yearly alcohol use, problematic use and binge drinking. Expectations of global positive changes and sexual enhancement were greater among men. A positive correlation was found between expectations and severity of problems associated with alcohol consumption for both sexes, however, this relationship was significant only for men. Results indicated that differences of drinking expectations between the sexes may have an important role in more precise and effective preventive actions on alcohol use of men and women.

Keywords: alcohol, expectations, college students, alcohol abuse, prevention


 

 

As diferenças do uso de álcool entre homens e mulheres são um tópico de constante interesse na literatura científica (Wilsnack & Wilsnack, 1997). Através da revisão de estudos psicológicos e sociais, Holmila e Raitasalo (2005) identificaram diferentes necessidades, razões e motivações para o uso de álcool entre os sexos. Nesse sentido, a compreensão dessas diferenças e de fatores subjacentes ao consumo de álcool realizado por homens e mulheres podem contribuir para a elaboração de ações preventivas mais específicas e eficazes sobre o consumo de álcool em função do sexo.

Segundo um levantamento de abrangência nacional realizado no Brasil entre universidades públicas e privadas, 77,3% dos homens e 66,6% das mulheres relataram ter consumido álcool nos últimos 12 meses (SENAD, 2010). Outros estudos brasileiros desenvolvidos em universidades públicas do estado de São Paulo encontraram prevalências um pouco superiores para o mesmo padrão de consumo, que variaram entre 75% e 88% (Kerr-Corrêa, Andrade, Bassit, & Boccuto, 1999; Oliveira et al., 2009; Silva, Malbergier, Stempliuk, & Andrade, 2006, Stempliuk, Barroso, Andrade, Nicastri, & Malbergier, 2005). Além disso, tem sido observado um aumento do consumo de álcool na última década entre estudantes universitários, o que pode refletir as atitudes e opiniões favoráveis do uso experimental e regular do álcool (Wagner, Barroso, Stempliuk, & Andrade, 2010).

É importante destacar que os estudos têm observado uma prevalência maior para o sexo masculino. Geralmente, homens apresentam maior frequência de diferentes padrões de uso de álcool - especialmente de consumo abusivo - e de problemas decorrentes do uso da droga (Johnston, O´Malley, Bachman, & Schulenberg, 2009; Kerr-Corrêa, Igami, Hiroce & Tucci, 2007). Assim, a variável sexo tem sido indicada como um fator frequentemente associado ao uso de álcool e às consequências desse consumo.

O estudo dessas diferenças do consumo de álcool entre homens e mulheres na população universitária recebe um contorno especial devido à importância do papel que as expectativas associadas ao álcool podem assumir na transição para os padrões de comportamento de beber na vida adulta. Segundo Del Boca, Darkes, Goldman e Smith (2002), expectativas são um "processo que ocorre no sistema nervoso e que usa resíduos neuropsicológicos e cognitivos de experiências anteriores para direcionar o comportamento futuro" (p. 926). Trata-se, em resumo, da antecipação de uma consequência que está associada a um determinado evento. Por exemplo, expectativa de que o álcool reduzirá a tensão ou facilitará interações sociais contribui para um conjunto de crenças e ideias favoráveis ao consumo de álcool para se alcançar tais expectativas ou consequências associadas ao beber.

Estudos identificaram uma associação entre expectativas positivas e um maior consumo de álcool tanto entre adolescentes (Araújo & Gomes, 1998; Ronzani, Paiva, Cotta, & Bastos, 2009) quanto em universitários (Oliveira et al., 2007; Amaral, Lourenço, & Ronzani, 2006). Entre estudantes universitários, expectativas parecem ainda predizer o comportamento do beber de forma mais efetiva do que variáveis sociodemográficas, que reconhecidamente apresentam um substancial poder preditivo (Brown, 1985). Além disso, segundo Carey (1995), expectativas estão fortemente associadas com a quantidade do uso de álcool mais do que com a frequência de consumo na população de jovens universitários. Esse aspecto pode ter implicações importantes para o desenvolvimento de padrões de uso problemático e binge drinking (cinco ou mais doses em uma única ocasião), aumentando a exposição desses jovens a problemas decorrentes do uso de álcool. Nesse sentido, Peuker, Fogaça e Bizarro (2006) constataram em uma amostra de 165 universitários, que 44% eram consumidores de risco e 48% possuíam expectativas positivas, identificando uma correlação importante entre as variáveis, porém sem discriminar diferenças entre homens e mulheres.

Estudos da literatura têm indicado resultados divergentes no que se refere a diferenças de sexo sobre o uso de álcool e expectativas. Segundo alguns estudos, homens e mulheres não diferem quanto às expectativas do uso de álcool (Borjesson & Dunn, 2001; Carey, 1995; Rauch & Bryant, 2000; Read, Wood, Lejuez, Palfai, & Slack, 2004). Entretanto, outros estudos observaram diferenças de sexo sobre expectativas. Enquanto alguns autores mostraram expectativas positivas mais associadas às mulheres (Edgar & Knight, 1994; Lundahl, Davis, Adesso, & Lucas, 1997), outros mostraram que homens relataram mais expectativas positivas (Wall, Thrussell, & Lalonde, 2003; Zamboanga, 2005).

O estudo das diferenças das expectativas do uso de álcool entre homens e mulheres tem implicações potencialmente importantes para intervenções preventivas. Intervenções elaboradas com o objetivo de influenciar o uso de álcool através da modificação de crenças sobre a droga têm mostrado resultados interessantes na mudança de expectativas do álcool e na diminuição do consumo de álcool em jovens usuários da droga (Darkes & Goldman, 1993, 1998). Entretanto, evidências mais recentes indicam que essas intervenções podem ser mais efetivas para homens do que para mulheres (Corbin, Mcnair, & Carter, 2001; Dunn, Lau, & Cruz, 2000; Wiers et al., 2003).

Esses resultados apontam para a necessidade de se avaliar mais detalhadamente a influência das expectativas do uso de álcool sobre o comportamento do beber de homens e de mulheres. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi verificar diferenças de sexo sobre o uso de álcool em uma amostra de universitários, 1) identificando prevalências de uso no ano, uso problemático e binge drinking, bem como de verificar comparativamente 2) expectativas relacionadas aos efeitos da droga observadas entre homens e mulheres e 3) a correlação entre as variáveis estudadas (uso de álcool e expectativas).

 

Método

Delineamento

Trata-se de um estudo transversal de abordagem quantitativa de coleta e tratamento dos dados, que utilizou uma amostra de conveniência, não probabilística, de estudantes universitários.

Participantes

Os participantes foram 238 estudantes (105 homens) matriculados nos diferentes períodos dos cursos de Medicina e Fisioterapia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP). A seleção dos participantes foi definida de forma intencional, a partir do universo amostral (N=508) do projeto temático intitulado Med-Álcool ("Estudo sobre os fatores associados ao uso de álcool e substâncias psicoativas entre estudantes de graduação da área da saúde"), composto por estudantes de todos os cursos da FMRP-USP. A delimitação dessa amostra seguiu três critérios de inclusão que se sustentam nos objetivos deste estudo.

Inicialmente, buscou-se atingir um equilíbrio de participantes do sexo masculino e feminino, com a finalidade de se obter dois grupos de tamanho aproximado em função da variável sexo. Nesse sentido, o cálculo amostral realizado através do programa estatístico EpiDat 3.1 revelou o tamanho mínimo do grupo de homens e mulheres para estudo. Assim, tendo a estimativa de uma diferença mínima entre médias, clinicamente relevante, de pelo menos 0,4 e tendo como base um nível de confiança de 95% e potência de 85%, obteve-se o tamanho mínimo de 99 indivíduos em cada grupo. O segundo critério de inclusão, considerado de especial relevância para preservar a homogeneidade da amostra no que se refere ao controle da variável curso, foi selecionar estudantes apenas dos cursos de Medicina e Fisioterapia. Assim, foram excluídos os cursos de Terapia Ocupacional, Nutrição e Fonoaudiologia por serem compostos quase que exclusivamente por mulheres e o curso de Informática Biomédica devido à pequena participação na amostra do estudo. Finalmente, o terceiro aspecto observado na composição amostral foi o ano de ingresso na universidade, que teve a finalidade de manter certa consistência quanto ao tempo de experiência acadêmica entre os estudantes, e quase 70% dos participantes ingressaram nos últimos três anos.

Instrumentos

Foram utilizados um questionário autoaplicável, que continha um roteiro estruturado de informações sociodemográficas, e os instrumentos AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test) e AEQ-A (Alcohol Expectancy Questionnaire - Adolescent Form).

Questionário sociodemográfico: tinha a finalidade de caracterizar a amostra do estudo e consistia em um conjunto de perguntas elaboradas pelos autores sobre sexo, data de nascimento (idade), moradia, estado civil, renda familiar e religião.

AUDIT (Babor, Higgin-Biddle, Saunders, & Monteiro, 2003): é um instrumento composto por 10 questões, desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e foi utilizado para caracterizar o uso de álcool dos estudantes (uso no ano, uso problemático e binge drinking). O padrão de uso problemático foi caracterizado por um escore superior a sete pontos no instrumento e o padrão binge correspondeu a um consumo de cinco ou mais doses em uma única ocasião. A tradução brasileira utilizada neste estudo foi feita a partir da última versão publicada no manual de utilização do AUDIT, editada pela OMS e publicada no Brasil em 2003, e que apresenta uma sensibilidade de 90% e uma especificidade de 80% (Babor et al., 2003).

AEQ-A (Christiansen, Goldman, & Inn, 1982): foi utilizado para avaliar sete escalas de expectativas associadas ao beber: transformações globais positivas, relações sociais, aprimoramento de habilidades cognitivas e motoras, sexualidade, prejuízo cognitivo-comportamental, excitabilidade e relaxamento e redução de tensão. A versão utilizada do questionário foi traduzida e adaptada para o português em estudo ainda não publicado por Caliento e Furtado (2006). A consistência interna do instrumento para a amostra deste estudo foi considerada adequada segundo o coeficiente alfa de Cronbach de 0,91 (Hora, Monteiro, & Arica, 2010).

Procedimento

A coleta de dados contou com a colaboração de uma equipe treinada para administrar os questionários. Após uma breve explicação sobre os objetivos do estudo e considerações éticas (processo HCRP nº 10275), os questionários e Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foram distribuídos aos participantes presentes em sala de aula para serem preenchidos e entregues posteriormente. Foram feitos os esclarecimentos necessários para a participação dos estudantes, assinatura do TCLE, preenchimento e devolução dos questionários. Foi agendada uma segunda visita para recolhimento dos questionários a serem depositados em urnas lacradas. Para os alunos que não entregaram os questionários, foram colocadas urnas lacradas em locais acessíveis e do conhecimento dos estudantes onde poderia ser feita a devolução do material.

Análise estatística

As análises descritivas e inferenciais foram realizadas de maneira comparativa entre o grupo de homens e mulheres. Foram utilizadas estatísticas descritivas (frequência simples, frequência relativa, médias e desvio-padrão) para caracterizar a amostra segundo o curso (medicina e fisioterapia) e as variáveis sociodemográficas definidas (idade, moradia, estado civil, renda familiar e religião). Essa mesma estratégia estatística foi adotada para apresentar os dados extraídos dos instrumentos AUDIT e AEQ-A. Em seguida, verificou-se, através do teste de Kolmogorov-Smirnov, a aplicabilidade para as análises inferenciais de estatísticas não-paramétricas pela rejeição da hipótese nula (H0: amostra segue uma distribuição normal). Assim, para a análise das variáveis sociodemográficas e das variáveis dependentes (uso de álcool e expectativas) em relação à variável independente (sexo) foi utilizado o teste qui-quadrado na análise da diferença de proporções entre o grupo de homens e mulheres, respeitando-se as propriedades de número mínimo de observações por célula no teste. Para a avaliação da diferença de médias entre os sexos foi utilizado o teste de Mann-Whitney. Para a análise de correlação entre as variáveis foi utilizado o teste de correlação de Spearman. O intervalo de confiança adotado para as análises inferenciais foi de 95% (p<0,05).

 

Resultados

Caracterização da amostra

A amostra foi composta por 238 universitários (44% homens) dos cursos de medicina e fisioterapia da FMRP. Os estudantes apresentaram uma média de idade de 23,4 anos (DP=1,6) e, na sua maioria, caracterizaram-se por serem solteiros (97,9%), não residirem com os pais ou familiares (69,6%), por possuírem uma renda superior a três mil reais (60,7%) e por não serem praticantes de alguma religião (51,1%). Não foram observadas diferenças estatísticas entre o grupo de homens e de mulheres no que se refere às variáveis sociodemográficas, conforme indicou o teste qui-quadrado.

Uso de álcool e sexo

O uso de álcool nos últimos 12 meses (uso no ano) apresentou uma prevalência de 92,1% (n=93) entre os homens e de 81,2% (n=104) entre as mulheres (Figura 1). Assim, o uso de álcool no último ano foi significativamente mais frequente para o sexo masculino (X2 =5,5; p=0,02).

O escore total do instrumento AUDIT apresentou uma pontuação média de 5,5 (DP=4,4) entre os homens e de 4,2 (DP=4,1) entre as mulheres, indicando uma diferença significativa (Z=-2,4; p=0,01). Considerando-se o ponto de corte do instrumento AUDIT maior ou igual a oito, foram rastreados 30 (30,6%) estudantes do sexo masculino e 18 (14,6%) do sexo feminino (Figura 1). Isso indica que o padrão de uso problemático de álcool foi significativamente mais frequente para o sexo masculino (X2 =8,2; p<0,01). Homens apresentaram, portanto, um risco relativo 2,5 vezes maior em relação às mulheres para um padrão de uso problemático.

De forma semelhante, 43 (42,6%) homens e 32 (24,8%) mulheres relataram um padrão de uso do tipo binge, indicando diferença significativa entre os sexos (X2 =8,1; p<0,01). É possível observar um elevado padrão de binge independente do sexo, revelando um consumo abusivo de álcool pelos estudantes, ainda que mais frequente entre os homens (Figura 1).

 

Tabela 1

 

Expectativas do uso de álcool e sexo

A medida da expectativa do uso de álcool pelo instrumento AEQ-A apresentou um escore total médio de 54,6 (DP=10,6) entre os homens e de 50,9 (DP=13,5) entre as mulheres, num total de 90 pontos possíveis. Embora não tenha ocorrido diferença de sexo na avaliação de um conjunto de expectativas associadas ao beber, a análise isolada das sete escalas de expectativas avaliadas pelo AEQ-A, apresentou algumas diferenças significativas na pontuação média de homens e mulheres (Tabela 2). Homens apresentaram maior expectativa de que o consumo de álcool promova transformações globais positivas (Z=-2,1; p=0,03) e de que proporcione melhora no desempenho sexual (Z=-2,7; p<0,01) em comparação com o grupo de mulheres.

As demais escalas avaliadas pelo instrumento não apresentaram diferenças de sexo.

Correlação entre as variáveis do estudo

A correlação entre o escore total do AUDIT e do AEQ-A foi significativa para os homens (r=0,276; p=0,009), mas não para as mulheres (r=0,123; p=0,19). Entretanto, a relação entre os escores foi considerada fraca para ambos os sexos. Apesar da fraca correlação entre as variáveis, os dados indicam que na medida em que aumentam as expectativas associadas aos efeitos do álcool aumenta a gravidade de problemas relacionados à droga, porém de forma significativa apenas entre os homens. Por sua vez, a medida de quantidade e frequência do uso de álcool, definida pelo escore total do AUDIT C, não apresentou correlação com as expectativas do beber tanto para homens (r=0,048; p=0,65) quanto para mulheres (r=0,068; p=0,47).

 

Discussão

Uso de álcool e diferenças de sexo

A comparação com as prevalências do uso de álcool por adolescentes escolares (Galduróz, Noto, Fonseca, & Carlini, 2005) e pela população geral (Mendoza-Sassi & Béria, 2003) no Brasil revelaram um maior consumo de álcool entre os estudantes universitários do presente estudo, independente do sexo. Essa comparação confirma que o consumo de álcool é mais frequente na faixa etária de 18-26 anos e, mais ainda, quando se agrega à variável idade a condição de estudante universitário (Dawson, Grant, Stinson, & Chou, 2004).

A despeito disso, é possível afirmar que a prevalência do uso de álcool no último ano foi elevada entre os estudantes, especialmente para o sexo masculino. Nesse sentido, a prevalência de 92,1% do uso de álcool no ano observada entre os homens foi superior ao mesmo padrão de uso entre estudantes do sexo masculino de outras universidades públicas paulistas, conforme revelaram estudos anteriores, cujas prevalências variaram entre 82% e 88% (Kerr-Corrêa, et al., 1999; Oliveira et al., 2009; Silva et al., 2006; Stempliuk et al., 2005) e ainda maior em comparação com a prevalência de 77,3% de universitários de todo o Brasil (SENAD, 2010). Por outro lado, a prevalência de 81,2% do uso de álcool no ano entre o grupo de mulheres do presente estudo permaneceu dentro da margem de prevalência de 75% à 84% do uso de álcool no ano descrita naqueles estudos anteriores para o sexo feminino, porém superior à prevalência de 68% em comparação com as universitárias de todo o Brasil (SENAD, 2010).

O consumo de álcool no ano entre os homens deste estudo foi significativamente maior em comparação com o grupo de mulheres. No entanto, essa diferença de sexo sobre o uso de álcool no ano não foi observada em estudos semelhantes com estudantes de diferentes áreas (Stempliuk et al., 2005), estudantes de medicina (Kerr-Corrêa et al., 1999; Oliveira et al., 2009) ou da área de ciências biológicas (Silva et al., 2006). É importante ressaltar que esses estudos utilizaram um questionário mais antigo proposto pela OMS para avaliar o uso de diversas substâncias psicoativas (Smartet al., 1980). No presente estudo foi utilizado o instrumento AUDIT, mais recente e de aplicação mais rápida que o anterior, igualmente proposto pela OMS, porém, para rastrear especificamente o uso de álcool e problemas decorrentes do uso da droga (Babor et al., 2003).

Poucos estudos investigaram o uso de álcool em universitários utilizando o AUDIT, especialmente discriminando o uso de álcool entre homens e mulheres, uma vez que nenhum dos estudos encontrados teve esse objetivo. Ainda assim, quando possível, foram observadas diferenças no que se refere ao uso de álcool entre os sexos em comparação com o grupo de homens e de mulheres do presente estudo.

A média do escore total do AUDIT de homens e de mulheres - 5,5 e 4,2, respectivamente - foi menor do que a média de 7,2 observada na amostra total de estudantes universitários da área da saúde em um estudo realizado no Rio Grande do Sul (Peuker et al., 2006). Embora não tenham apresentado a média do escore total do AUDIT de homens e de mulheres, mas apenas da amostra total, Peuker et al. (2006) afirmaram não ter encontrado nenhuma diferença de sexo. No entanto, a diferença significativa da média do escore total do AUDIT de homens e de mulheres observada neste estudo confirma um uso de álcool significativamente maior para o sexo masculino. Por sua vez, essa diferença parece ser creditada à versão diferente do instrumento utilizada nos estudos.

Corroborando essa análise, 30,6% dos homens e 14,6% das mulheres fizeram um uso problemático de álcool no presente estudo, enquanto Peuker et al. (2006) encontraram uma prevalência de 53,1% e 35,7%, respectivamente, para homens e mulheres, para o mesmo padrão de risco de uso da droga. É possível verificar em ambos os estudos uma frequência maior de uso problemático entre os homens. Em outro estudo realizado com uma amostra de universitários essencialmente feminina (97%), o uso problemático de álcool foi de 20,5% (Pillon & Corradi-Webster, 2006), portanto mais próxima da prevalência apresentada pelas mulheres neste estudo (14,6%).

Outro aspecto importante sobre o comportamento do uso de álcool se refere ao padrão de uso do tipo binge, que corresponde a um consumo igual ou superior a cinco doses de álcool em uma única ocasião. Esse padrão de beber excessivo observado entre os homens do estudo (42,6%) foi superior aos estudantes universitários de levantamento nacional, cuja prevalência foi de 31,3% (SENAD, 2010). Entretanto, as mulheres apresentaram uma prevalência de binge muito próxima entre o nosso estudo e o realizado pela SENAD (2010), ou seja, 24,8% e 20,3%.

Por sua vez, ao compararmos nossos resultados com o de estudos internacionais, resguardadas algumas diferenças metodológicas, identificamos mais semelhanças do que diferenças sobre os diferentes padrões de consumo de álcool entre os sexos. Wechsler et al. (2002), por exemplo, encontraram uma prevalência de binge drinking de 41% entre as mulheres, porém utilizando um ponto de corte de quatro ou mais doses, ou seja, inferior ao ponto de corte utilizado neste estudo e nos estudos nacionais apresentados nesta discussão. No entanto, a prevalência de binge entre universitários americanos do sexo masculino revelada por Wechsler et al. (2002) foi de 49%. Essa frequência é bastante próxima da prevalência 42,6% de binge observada entre os homens do presente estudo, utilizando como ponto de corte cinco ou mais doses em uma única ocasião, assim como em nosso estudo, foi utilizado para ambos os sexos.

Nesse sentido, a elevada prevalência de binge drinking observada para o sexo masculino merece especial atenção. Quase metade dos homens relataram ter feito um uso igual ou superior a cinco doses de álcool em uma única ocasião, o que corresponde a praticamente o dobro das mulheres. Ainda assim, é importante ressaltar que o binge é um padrão de uso que exige cuidados especiais e urgentes, independente da prevalência maior para um ou outro sexo especificamente. Perkins (2002) identificou dados empíricos em seu estudo de revisão que sustentam uma diversidade de consequências sobre o abuso de álcool em estudantes universitários, especialmente entre os homens. Dentre essas consequências - para ambos os sexos - é possível observar prejuízos no desempenho acadêmico, perda de memória (blackouts), relações sexuais sem proteção, maior exposição a danos físicos, envolvimento em brigas e atividades criminosas.

De uma maneira geral, considerando as diferenças metodológicas observadas entre os estudos, as prevalências de diferentes padrões do uso de álcool entre os homens apresentaram certa semelhança àquelas observadas na literatura internacional e uma tendência a serem superiores em comparação com a literatura nacional, especialmente no caso do padrão de binge drinking. Por outro lado, a mesma comparação entre as mulheres indicou bastante semelhança com os estudos nacionais no que se refere às prevalências de uso no ano e binge drinking.

Expectativas do uso de álcool e diferenças de sexo

Expectativas se correlacionaram positivamente com a gravidade de problemas do consumo de álcool para o grupo de homens e mulheres, porém foi significativa apenas para o sexo masculino. Entretanto, essa correlação foi considerada fraca (Dancey & Reidy, 2006), para ambos os sexos. Ainda assim, a significância estatística observada para o grupo de homens confirma um maior conjunto de expectativas relacionadas aos efeitos do uso de álcool em comparação com as mulheres, indicando que homens apresentaram maior correlação com o aumento da medida de problemas do beber. Ao contrário, Peuker et al. (2006), utilizando o Inventário de Expectativas e Crenças Pessoais sobre o uso de Álcool (IECPA), identificaram que, apesar da maior frequência de expectativas positivas observada para o sexo masculino, não houve diferença de sexo sobre as expectativas do uso de álcool e também não discriminaram maior associação entre expectativas e beber problemático para homens ou mulheres.

De forma congruente, em estudo recente de revisão sistemática sobre o tema, Fachini e Furtado (2012) enfatizaram que os únicos estudos encontrados no trabalho de revisão, no período de 2000 a 2011, que tinham como objetivo central avaliar diferenças de sexo sobre expectativas do uso de álcool, não encontraram diferenças significativas entre homens e mulheres. As poucas diferenças só se tornaram evidentes quando controlada a variável padrão de consumo (frequência e quantidade). Nesse caso, as diferenças entre homens e mulheres observadas nos estudos selecionados naquele trabalho de revisão sugerem que expectativas relacionadas ao uso de álcool parecem ser uma consequência não do sexo em si, mas do controle do beber (Connor, Young, Willians & Ricciardelli, 2000; Rauch & Bryant, 2000) . Assim, as diferenças de expectativas entre os sexos teriam como justificativa o padrão do consumo de álcool de homens e de mulheres. Entretanto, não foi observada correlação entre expectativas do beber e a medida de quantidade e frequência utilizada neste estudo, independente do sexo. Dessa forma, o uso de álcool significativamente maior para o sexo masculino, observado neste estudo, seja melhor explicado pela significância da correlação existente entre as expectativas associadas ao consumo de álcool e a intensidade de problemas do beber, ao invés da quantidade e frequência de uso do álcool

Provavelmente essa correlação justificaria o conjunto de expectativas relacionadas ao uso de álcool significativamente maior entre os homens. Nesse sentido, das sete escalas de expectativas avaliadas pelo AEQ-A, homens apresentaram uma expectativa significativamente maior de que o álcool promove transformações globais positivas e de que melhora o desempenho sexual. De fato, Fachini e Furtado (2012) apontaram que as expectativas mais frequentemente observadas nos estudos para o sexo masculino, em comparação com o sexo feminino, são as expectativas de melhora no desempenho sexual. É possível que existam argumentos culturais no processo de desenvolvimento de expectativas que favoreçam essa associação mais comum entre os homens (Holmila & Raitasalo, 2005).

É importante salientar ainda que, diferentemente do IECPA que avalia apenas expectativas positivas, o instrumento AEQ-A avalia também expectativas negativas relacionadas aos efeitos do álcool (escalas III e V). De um total de 10 pontos possíveis na escala de "Habilidades cognitivas e motoras" (escala III), os homens atingiram um escore médio de 0,8 pontos e as mulheres de 0,6 pontos. Esse baixo escore observado na escala III, cuja pontuação mais alta indica maior expectativa de que o álcool produzirá uma melhora nas habilidades cognitivas e motoras, pode indicar que os estudantes tenham conhecimento acerca dos prejuízos decorrentes do uso de álcool.

De forma semelhante, na escala de "Prejuízo Cognitivo-comportamental" (escala V) os homens atingiram um escore médio de 20,6 pontos e as mulheres de 20,1 pontos, num total de 24 pontos possíveis. Esse elevado escore na escala V, cuja pontuação mais alta indica maior expectativa de que o álcool deteriore as funções cognitivas e o comportamento, também pode indicar um repertório de conhecimentos e informações dos estudantes sobre os prejuízos do uso de álcool ou até mesmo um resultado de experiências anteriores, diretas ou indiretas, decorrentes do uso de álcool. Entretanto, a aquisição desses conhecimentos, informações ou vivências de efeitos prejudiciais do álcool não resultaram em um menor consumo tanto por homens quanto por mulheres. Isso pode sugerir que os jovens busquem atender às expectativas positivas relacionadas aos efeitos do uso de álcool, como de transformações globais positivas, de facilitação nas interações sociais ou de melhora no desempenho sexual, ainda que reconheçam possíveis prejuízos do padrão de consumo realizado. Dessa forma, pode-se avaliar esse comportamento com uma lógica de "custo-benefício" por parte dos estudantes. Nesse sentido, essa compreensão também justificaria as diferenças observadas de expectativas de transformações globais positivas e de melhora no desempenho sexual entre homens e mulheres.

 

Conclusões

O uso de álcool foi elevado entre os universitários, especialmente para o sexo masculino. Assim, homens representaram um grupo de maior risco em comparação com as mulheres para diferentes padrões do uso de álcool (uso no ano, uso problemático e binge drinking). Nesse sentido, seria de se esperar que expectativas sobre o uso de álcool pudessem ser mais significativas entre os homens. De fato isso foi observado neste estudo, mais especificamente se considerarmos as expectativas de transformações globais positivas e de melhora no desempenho sexual. Por sua vez, a fraca correlação entre expectativas e o consumo de álcool sugere que outros fatores estejam presentes de forma mais significativa sobre o comportamento do beber de homens e mulheres. Entretanto, esse dado pode revelar uma limitação decorrente da amostra (tamanho ou até mesmo a presença de outliers no grupo de mulheres), o que poderia ser avaliado em futuras pesquisas com amostras mais amplas e representativas dos estudantes universitários.

Além disso, a ausência de diferenças entre os sexos sobre o uso de álcool observada nos estudos nacionais, diferentemente do presente estudo, sugere que as prevalências apresentadas pelos homens de nosso estudo configuram um dado preocupante, especialmente do padrão de binge drinking. Assim, é importante acompanhar a evolução desse processo para se antecipar as suas consequências e até mesmo a sua consolidação em um padrão de beber excessivo. Dessa forma, o conjunto desses dados mostram a necessidade de ações urgentes para reduzir a possível perspectiva de que estudos posteriores rastreiem um número cada vez mais elevado de casos de abuso de álcool, especialmente na população masculina. Por sua vez, futuras pesquisas poderiam avaliar as motivações presentes no universo amostral estudado com o objetivo de ampliar a compreensão das motivações do beber com o intuito de subsidiar ações de prevenção. Nesse sentido, os resultados sobre as diferenças de sexo observadas podem indicar um importante papel dessas evidências na elaboração de estratégias de prevenção ou até mesmo de intervenção mais específicas sobre o comportamento do uso de álcool de homens e de mulheres.

 

Referências

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Endereço correspondência:
Alexandre Fachini
Rua Humaitá, 430, Jardim Ártico
Araraquara/SP, CEP 14800-220
E-mail: alexandre.fachini@gmail.com

Recebido em 11.02.2012
Primeira decisão editorial em 11.06.2013
Versão final em 07.08.2013
Aceito em 14.11.2013
Apoio: FAPESP

 

 

ERRATA

No artigo "Uso de Álcool e Expectativas do Beber entre Universitários: Uma Análise das Diferenças entre os Sexos" publicado no volume 29, número 4, de Psicologia: Teoria e Pesquisa, nas páginas 421-428 onde se lê:

"Alexandre Fachin"

Leia-se: "Alexandre Fachini

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