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Psicologia: Teoria e Pesquisa

versão impressa ISSN 0102-3772versão On-line ISSN 1806-3446

Psic.: Teor. e Pesq. vol.33  Brasília  2017  Epub 12-Mar-2018

https://doi.org/10.1590/0102.3772e33425 

Psicologia Clínica e Cultura

Super-heróis como Recursos para Promoção de Resiliência em Crianças e Adolescentes

Superheroes as Resources to Promote Resilience in Children and Adolescents

Gelson Vanderlei Weschenfelder1  1 

Chris Fradkin2  3 

Maria Angela Mattar Yunes4  5 

1Universidade La Salle

2Centro Universitário La Salle

3University of California

4Universidade Salgado de Oliveira

5Universidade La Salle


RESUMO

Pesquisas indicam que crianças e adolescentes em situação de risco psicossocial podem estar mais vulneráveis a apresentar comportamentos com consequências negativas na vida adulta. Este estudo integra um levantamento analítico das relações entre adversidades da vida ficcional de personagens super-heróis, em fases pré-super-potência e adversidades citadas na vida real de crianças desfavorecidas psicossocialmente. Analisou-se uma amostra de 20 super-heróis de maior visibilidade na cultura pop e conduziu-se uma indexação detalhada. Verificou-se que todos os super-heróis passaram por adversidades similares aos grupos de crianças em risco, tais quais: o abandono da família, violência doméstica e bullying. Esse recurso ainda inexplorado apresenta potencial para ser desenvolvido em intervenções psicoeducacionais e subsidiar políticas públicas para a promoção de resiliência nessa população.

Palavras-chave: resiliência; empoderamento; histórias em quadrinhos; crianças; adolescentes

ABSTRACT

Studies indicate that children and adolescents at psychosocial risk can be more vulnerable for behavioral problems and their negative consequences during adult years. This study examined associations between the fictional adversities of popular comic superheroes, in their pre-super-powered stage and the studied real-life adversities of disadvantaged children. I examined a sample of 20 most influential comic superheroes was assembled and an detailed indexing was conducted. It was found that all the most relevant superheroes, in terms of pop culture visibility had a high commonality of shared adversities (e.g., abandonment by family, domestic violence and bullying) with several subgroups of disadvantaged children. This untapped resource has potential for developing psychoeducational interventions, as well as informing public policies that promote resilience among this at-risk population.

Keywords: resilience; empowerment; superheroes; children; adolescents

Para a maioria das pessoas, as histórias em quadrinhos (HQs) de super-heróis se restringem ao entretenimento do grande público, principalmente do público infanto-juvenil. Ao longo dos anos, tais personagens ultrapassaram as páginas das HQs e invadiram o cinema, as séries de TV e outras animações. Segundo William Irwin (2005), "um dos mais notáveis desenvolvimentos na cultura pop da atualidade é o forte ressurgimento do super-herói como ícone cultural e de entretenimento" (p. 9). Entretanto, essas HQs não são tão inocentes como aparentam, pois levam mais do que entretenimento ao leitor. Além de diversão, essas histórias introduzem e abordam de forma vívida algumas questões de suma importância enfrentadas no cotidiano de pessoas "comuns". São temas ligados à superação de adversidades, construção de identidade pessoal, elementos de ética, moral, justiça, enfrentamento de medos, de situações de violência, entre outros (Weschenfelder, 2011).

É inegável o crescente número de pessoas que vivem em condições desfavoráveis no Brasil e no mundo, independentemente de idade, geografia ou densidade populacional. Por isso, muitos profissionais da área da saúde, educação, psicologia e ciências afins vêm buscando estudar recursos e possibilidades de investimentos em pesquisas que tragam conhecimento acerca de intervenções psicoeducacionais positivas. Segundo Yunes, Silveira, Juliano, Pietro e Garcia (2013), intervenções positivas buscam auxiliar e apoiar a procura da felicidade e do alívio de sintomas de depressão em nível de prevenção, ou seja, planejar e "intervir antes que as patologias apareçam, quando o indivíduo, grupo ou comunidade ainda estão sãos" (p. 231).

Um grupo em particular que merece a atenção de investigadores refere-se às crianças e jovens, os quais, pelas peculiaridades dessas fases de desenvolvimento, estão expostos a condições com possibilidades de resultarem em comportamentos, padrões de conduta e rotinas que, por vezes, perduram durante a fase adulta (Windle et al., 2004; World Health Organization, 2004). Reiterando essa preocupação, no Brasil, o estudo mais recente do governo (janeiro a julho/2015) revelou um total de 66.518 denúncias de violações de direitos humanos. Destas, 42.114 são relacionadas às violações dos direitos de crianças e adolescentes. Assim sendo, em 63,2% dos casos, os alvos das violações são as crianças e adolescentes que, sem sombra de dúvida, constituem um segmento fragilizado da população brasileira. Segundo o estudo da Secretaria dos Direitos Humanos, esses abusos registrados contra crianças e adolescentes estão mais concentrados em episódios de negligência (definida como a ausência ou ineficiência no cuidado) (76,35%), seguida de violência psicológica (47,76%), violência física (42,66%) e violência sexual (21,90%). Estudos indicam que crianças que sofreram abandono ou negligência dos pais, abusos e outros tipos de violências e/ou privações apresentam taxas mais elevadas de comportamentos de risco na fase adulta (Cole, 2014; Juffer & Van Ijzendoorn, 2005). Sem a intervenção adequada, os resultados, como baixa autoestima, tendências suicidas, uso de substâncias e comportamento sexual de risco, entre outros, podem agravar-se ao longo da adolescência e perdurar na idade adulta (Zappe & Dell'Aglio, 2016).

Em resposta a isso, vários profissionais da área de Saúde, Educação e Psicologia buscam soluções para as ameaças à saúde mental de crianças e adolescentes em situação de risco. Nesse sentido, projetos de intervenção com foco na promoção de resiliência devem ser priorizados como possibilidade de prevenção.

Super-heróis, Entretenimento e a Vida Real

O gênero superaventura das HQs foi criado em meados da década de 1930 e, desde então, proporciona entretenimento, aventura e emoção a jovens e adultos de todo mundo (Johnson, 2012). Originalmente divulgado em quadrinhos, no final dos anos 1940, os personagens da Editora DC Comics, como Superman, Batman e Capitão Marvel (1938-1940), juntamente com a Editora Marvel Comics, com o Capitão América, Hulk, Homem-Aranha e Homem de Ferro (1940-1963), retratam episódios de aventura sobrenatural para várias gerações de crianças e jovens. Com o advento do cinema, alguns desses super-heróis das HQs foram adaptados para a tela, ganhando grande destaque principalmente nas bilheterias com as superproduções e mobilizando a criação de um novo gênero cinematográfico. Assim, os super-heróis ganharam novos holofotes e tornaram-se expressivos destaques da cultura pop mundial.

Por outro lado, na vida real, o confronto com situações de risco faz parte do dia a dia de grande parcela da população brasileira e mundial. Adversidades são eventos ou circunstâncias que podem ter um impacto negativo muitas vezes imensurável sobre crianças e adolescentes (Assis, Pesce & Avancini, 2006; Schmidt, 2003). Pesquisadores renomados na área tratam dessa dimensão como fatores ou mecanismos de risco (Rutter, 1987). Para a criança em situação de risco, as dificuldades podem se expressar em contextos proximais por vivências de abuso físico ou sexual, abandono da família, bullying ou negligência física e/ou emocional. No macrocontexto, as situações de risco incluem a escassez de recursos (financeiros, educacionais, emocionais, sociais) e de redes de apoio e proteção que podem, direta ou indiretamente, ameaçar a segurança e o bem-estar da criança e de sua família (Juliano & Yunes, 2014). Além disso, estudos clássicos demostram que o acúmulo de adversidades (mas não a presença de um único fator de adversidade ou de risco) está associado a taxas mais elevadas de comportamento desajustado e dificuldades psicossociais na infância (Rutter, 1979). Os resultados dessas condições se expressam por taxas mais elevadas de sexo desprotegido, abuso de drogas, evasão escolar e agressão em crianças que vivem em desvantagem socioeconômica, quando comparadas aos seus pares mais socialmente favorecidos (Keyes, Malone, Sharma, Iacono, & Mcgue, 2013; Lehmann, Havik, Havik, & Heiervang, 2013; Reiss, 2013; Shin, 2005; Thompson & Auslander, 2011).

Super-heróis, Resiliência e Proteção ao Desenvolvimento na Infância e Adolescência: Uma Relação Possível?

Os pacientes de uma oncologia pediátrica de um hospital no Brasil, o Hospital A. C. Camargo Center, em São Paulo, receberam uma "superajuda" no tratamento do câncer infantil, nomeada Super Fórmula. Na tentativa de reforçar a esperança das crianças e alimentar a sua vontade de lutar contra o câncer (Wilson, 2013), a ala da oncologia pediátrica do hospital A.C. Camargo Center foi transformada em Sala da Justiça, alusão ao local da equipe de super-heróis nas HQs publicadas e promovidas pela DC Comics. Heróis como Batman, Aquaman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, entre outros da Liga da Justiça, fazem muito sucesso e são amplamente aceitos pelas crianças. A ala hospitalar foi toda redecorada: a sala de brinquedos transformou-se em Sala da Justiça e, nas portas e corredores, foram postos adesivos com a fachada apresentando uma entrada exclusiva para os pequenos heróis (A.C. Camargo Center, 2014).

Esse é um exemplo do projeto lançado em 2013, que contempla diversas ações, criadas pela agência JWT, cujo objetivo é tornar mais leve o tratamento do câncer infantil. Além da nova ambientação dos espaços, os recipientes usados na quimioterapia foram remodelados e ganharam uma nova roupagem, envoltos por cápsulas baseadas nos logos dos uniformes dos super-heróis.

Poder-se-ia afirmar que utilizar os super-heróis nesse projeto teve como objetivo implícito de "promover expressões de resiliência" em crianças que sofrem com a doença, trazendo os personagens como modelos de enfrentamento vitorioso da dor e do sofrimento. O uso dos super-heróis nos medicamentos traça paralelos entre as batalhas dos personagens contra o mal e a batalha da própria criança contra o câncer. Essa abordagem aplica de forma positiva a sugestão ou a ideia de "invencibilidade", na medida em que a criança pode se inspirar no modelo do super-herói e na sua superpotência. O resultado esperado é o empoderamento psicológico dessa criança e a ideia de que, assim como o super-herói, ela também é dotada de poderes para enfrentar o desafio da batalha contra sua doença.

Embora não haja um estudo comprobatório dos resultados do projeto mencionado anteriormente, a ideia nos remete às polêmicas discussões da resiliência sob a perspectiva de um fenômeno humano. Apesar das controvérsias acerca das definições do construto, há relativo consenso sobre definições de resiliência como um conjunto de processos de vida que possibilita o enfrentamento de situações de sofrimento com consequente fortalecimento, transformação pessoal/coletiva/cultural e superação das adversidades (Yunes, 2015). Entretanto, isso não significa que essas pessoas ou grupos passam por sofrimentos de forma passiva e inabalável. Ao contrário, uma das mais relevantes contribuições dos trabalhos sobre resiliência é a de "trazer luz às metamorfoses pessoais e sociais que resultam em vida saudável e acima das expectativas em situações de extrema adversidade" (Yunes, 2015, p. 93).

No caso das crianças expostas a situações de risco, por questões de saúde ou desfavorecimento social e econômico, os estresses e adversidades podem ocorrer na forma de escassez de recursos materiais e sociais por pobreza, privação social e desatenção de políticas públicas de proteção às populações vulneráveis. Dentro desse grupo, cabe enfatizar que construir elementos de resiliência pode advir de relações positivas e significativas, de apoio interpessoal e/ou de um sistema institucional/escolar eficiente imersos em uma rede social de proteção na comunidade (Juliano & Yunes, 2014; Masten, 2014).

Portanto, apesar de a resiliência já ter sido considerada uma manifestação de traço, característica ou atributo do indivíduo, atualmente é definida como um ou mais processos de desenvolvimento (Masten, 2014; Rutter, 2012; Yunes, 2015) que se expressam nas interações de pessoas, contextos, grupos e comunidades por meio de uma multiplicidade de formas individuais e/ou coletivas. Alguns cientistas enfatizam esse aspecto valendo-se da noção de capital social e seu papel nesses processos de enfrentamento de dificuldades (Zhang, DeBlois, Deniger & Kamanzi, 2008), ou utilizando termos como tutores de resiliência (Cyrulnik, 2009). Outros abordam a noção de ambientes interativos (Shand, 2014) ou de mesossistemas de proteção (Garbarino & Abramovitz, 1992) e bons-tratos (Barudy & Dartagnan, 2007), nos quais todos se afetam e são afetados positivamente.

Super-Heróis e o Paralelo com a Vida Real

Conforme já referido, o termo crianças em situações de risco vem sendo aplicado a crianças e adolescentes que vivem em situação de pobreza e/ou sofrem privação, negligência e/ou diferentes formas de abuso e violência. Para efeitos deste artigo, a noção também inclui crianças órfãs e vulneráveis (COV) de todas as faixas socioeconômicas que igualmente sofrem privações desde estágios prematuros na infância, tais como a ausência de amor, proteção, apoio e orientação de adultos significativos (pais ou responsáveis, cuidadores, educadores sociais, professores, etc.). Pesquisas reiteram que as crianças em situações de risco são as que apresentam maiores probabilidades de externar problemas comportamentais e psicossociais (Juffer & Van Ijzendoorn, 2005; Lehmann et al., 2013; Reiss, 2013; Shin, 2005), embora se reconheça que não há linearidade nessa afirmação. Assim, este artigo busca investigar a relação entre as adversidades vividas por esse grupo de risco e as histórias de vida ficcional dos super-heróis dos quadrinhos com suas adaptações para o cinema. A hipótese a ser pesquisada é de que há semelhanças a serem descobertas entre a vida dos super-heróis e a vida real de crianças e adolescentes que vivenciam diferentes condições de risco. Tais similitudes podem ser de grande valor como recurso para a criação e desenho de programas de educação ligados à área da saúde, ensino, assistência social e planejamento de políticas públicas.

Conforme demonstrado anteriormente, a área da saúde vem utilizando essas concepções para trabalhar com o bem-estar de crianças em situação de fragilidade física e emocional e emprega o símbolo dos super-heróis como uma ferramenta de empoderamento para incentivar o enfrentamento do sofrimento causado por doenças graves. De uma certa forma, isso demonstra que os personagens podem ser projetados como modelos de superação, e as crianças inspiram-se nos mesmos para superar suas doenças (A. C. Camargo, 2014; Wilson, 2013).

Reafirma-se que não há literatura científica a respeito dos resultados do projeto citado anteriormente ou outras propostas afins. Tampouco constam, no meio acadêmico, estudos com o objetivo de realizar paralelos entre as adversidades da vida real de crianças e jovens desfavorecidos (por exemplo, por abandono, abuso, etc.) e as histórias de vida ficcionais vividas pelos super-heróis, especialmente no estágio anterior à transformação desses personagens heroicos representadas por suas "capas e/ou máscaras e fantasias" (Fradkin, Weschenfelder & Yunes, 2016). Esses últimos transparecem ser o sinal simbólico de força e coragem para combater o crime e o mal (Weschenfelder, 2011). Tal fato levou-nos a questionar e investigar quais seriam as implicações clínicas, sociais, educacionais e políticas dessas semelhanças para a construção de programas de apoio e promoção de resiliência em diferentes ambientes educativos.

Método

Os grupos comparados para possibilitar as reflexões desta pesquisa foram definidos conforme critérios a seguir.

  1. Crianças e adolescentes em situação de risco: a expressão refere-se às crianças e adolescentes que vivem situação de pobreza socioeconômica e/ou são vítimas de diferentes expressões de abuso e violência em seus ambientes de convivência. Para os objetivos deste artigo, o termo inclui também crianças e adolescentes órfãs ou abandonadas;

  2. Super-heróis na fase Pré-capa/Pré-máscara: a expressão refere-se aos personagens das duas principais e mais reconhecidas editoras - Editora DC Comics ( Ex.: Superman, Batman, Capitão Marvel, entre outros) e Editora Marvel Comics (Ex.: Capitão América, Hulk, Homem-Aranha e Homem de Ferro, entre outros). A expressão Pré-Capa/Pré-Máscara foi criada pelos autores desta pesquisa para referenciar o período da vida com momentos difíceis do personagem ficcional, durante os quais os super-heróis não desempenham funções heroicas. Os dados para comparação foram obtidos a partir da história do surgimento de cada personagem nos quadrinhos e de enciclopédias das Editoras DC Comics e Marvel Comics (Beatty, Greenburger, Teitelbaum, & Wallace, 2009; Forbeck, 2015). Esse estágio constitui-se no foco de análise deste estudo, conforme a Figura 1.

Figura 1 Estágios de desenvolvimento de um super-herói (Ex: Homem-Aranha). nasc = nascimento 

Procedimentos e Análises

Conduziu-se uma indexação detalhada de super-heróis a partir do site de pesquisa de popularidade dos personagens IGB Brasil (www.ign.com) e dos lucros financeiros de bilheteria dos filmes adaptados para o cinema Box Office Mojo (www.boxofficemojo.com). Tais critérios constituíram-se em parâmetros de influência. Desse modo, constuiu-se uma tabela de prevalência de popularidade e lucros dos filmes acerca das produções cinematográficas citadas na Tabela 1. O processo de sistematização dos dados da tabela resultou numa compilação de 20 super-heróis considerados relevantes em termos de visibilidade da cultura pop, por meio dos critérios de popularidade e de "resistência" ao longo do tempo. Na mesma tabela, realizou-se um levantamento analítico das adversidades da fase da vida Pré-capa/Pré-Máscara dos personagens super-heróis. Conforme apresentado a seguir, essa amostra oferece a base para o corpo analítico e reflexivo deste artigo.

Tabela 1 Demografia dos super-heróis 

Personagem Adversidade (Idade) Filmes Lançados
Surgimento Editora # Ano(s) Faturamento (US$)*
Homem-Aranha Órfão (6)
Tio assassinado (15)
Bullied (6)
Limitações econômicas (6)
1962 Marvel 5 2002-2014 $3.956.858.019
Batman Órfão (11)
Família assassinada (11)
1939 DC 7 1989-2012 $3.640.124.460
Homem de Ferro Órfão (21)
Pai assassinado (21)
Seqüestrado (23)
1963 Marvel 4 2008-2013 $2.679.317.397
Superman Órfão (0)
Abandonado (0)
1938 DC 6 1978-2013 $1.543.162.077
Capitão América Bullied (6)
Infância frágil e doente (0)
Limitações econômicas (0)
1941 Marvel 3 2011-2014 $1.339.423.196
Thor Exilado (17)
Memória apagada (17)
1962 Marvel 3 2011-2013 $1.119.586.743
Wolverine Órfão (8)
Pai assassinado (8)
Usado como cobaia em experimento (~25)
Amnésia (~25)
1974 Marvel 7 2000-2014 $1.037.418.854
Hulk Abandonado (8)
Mãe assassinada (8)
Acidente com radiação em laboratório (26)
1962 Marvel 3 2003-2012 $763.557.890
Motoqueiro Fantasma Órfão (13) 1972 Marvel 2 2008-2012 $361.302.323
Charles Xavier Pai assassinado (5)
Mãe estuprada pelo padrasto (9)
Paralítico (25)
1963 Marvel 5 2000-2014 $308.485.098
Viúva Negra Abandonado (3) 1964 Marvel 3 2010-2014 $302.375.422
Gavião Arqueiro Pais assassinados (8)
Órfão (8)
1964 Marvel 2 2011-2012 $254.769.850
Lanterna Verde Órfão (8) 1940 DC 1 2011 $219.851.172
Demolidor Órfão (18)
Cegueira (11)
1964 Marvel 1 2003 $179.179.718
Mercúrio Órfão (0)
Abandonado (1)
Fugitivo (17)
1964 Marvel 1 2007 $106.577.957
Mulher Gato Órfão (2)
Ladra (10)
1940 DC 1 2004 $82.102.379
Justiceiro Família assassinada (30) 1974 Marvel 2 2004-2008 $64.800.141
Surfista Prateado Órfão (14)
Fugitivo (18)
1966 Marvel 1 2007 $57.809.553
Falcão Família assassinada (19)
Criminoso (20)
1969 Marvel 1 2014 $47.605.572
Rorschach Abandonado (0)
Bullied (6)
Mãe prostituta (0)
1986 DC 1 2009 $30.876.497

Nota. Faturamento (US$)*, ganhos brutos mundiais em US$ incluindo ganhos proporcionais dos seguintes filmes conjuntos de super-heróis, divididos entre os principais personagens: X-Men (2000), X-Men 2 (2003), X-Men: O Confronto Final (2006), Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007), Watchmen (2009), Homem de Ferro 2 (2010), Thor (2011), X-Men: First Class (2011), Vingadores (2012), X-Men: Dias de Futuro Esquecido (2014), Capitão América: O Soldado Invernal (2014).

As prevalências de adversidades vividas pelos personagens foram calculadas para a amostra de super-heróis selecionada nesse trabalho. Foram consideradas adversidades os episódios de dificuldades e sofrimentos na fase Pré-capa/Pré-máscara de estágios de desenvolvimento que antecederam a vida adulta dos super-heróis. Empregou-se a ponderação de porcentagens nos cálculos de frequência das adversidades e os resultados comparados com situações de risco psicossocial efetivamente vividos por crianças e adolescentes. As compatibilidades foram analisadas e estão apresentadas a seguir nos resultados.

Resultados

A Tabela 1 demonstra que os super-heróis viveram diferentes adversidades na fase denominada Pré-Capa/Pré-Máscara de suas vidas. Esses estressores incluem experiências negativas, como orfandade (Homem-Aranha, Superman, Batman), abandono pela família (Hulk, Superman, Viúva Negra), assassinato de parentes (Homem-Aranha, Batman), limitações econômicas (Capitão América, Homem-Aranha), sequestro (Homem de Ferro) e Bullying (Homem-Aranha, Capitão América), para citar apenas alguns. Portanto, a análise da referida tabela evidencia que muitos dos super-heróis foram submetidos a múltiplas adversidades com grande similitude às lutas e sofrimentos de crianças e adolescentes de diferentes culturas (Garbarino & Abramovitz, 1992; Rutter, 1979, 2012).

Quanto ao cálculo das prevalências ponderadas das adversidades vividas na infância e adolescência pelos super-heróis na fase Pré-Capa/Pré-Máscara (Figura 2), evidencia-se que, dos 20 super-heróis apresentados na Tabela 1, 80% são órfãos, 86% foram abandonados pelos cuidadores, 49% tiveram pelo menos um dos pais assassinados, 15% foram sequestrados, 29% sofreram bullying e 29% passaram com pobreza ou limitações socioeconômicas. Foram detectadas ainda adversidades isoladas: ser portador de deficiências como cegueira (1%), ser cobaia humana em experiências científicas (6%), ter a mãe estuprada pelo padrasto (1%) e ter atividade no crime (2%). Além de essas adversidades isoladas serem consideráveis e agravantes, ressalta-se o estresse cumulativo de múltiplas adversidades, já mencionado anteriormente (Masten, 2014; Rutter, 1979), que ocorreu com frequência na amostra de super-heróis examinados (por exemplo, Homem-Aranha, Batman, Homem de Ferro). Isso quer dizer que os personagens sofriam não apenas com uma situação de risco, mas com mais de uma ao mesmo tempo. Portanto, é notório que a natureza das adversidades dos super-heróis na fase Pré-Capa/Pré-Máscara, apresentadas nas Tabela 1 e Figura 2, compartilham afinidades com um subgrupo de crianças desfavorecidas socialmente e em situação de risco: as crianças órfãs e abandonadas.

Figura 2 Prevalências de adversidades vividas pela amostra de 20 superheróis 

Dentro desse subgrupo, encontram-se diversas variações que, no entanto, levam crianças e adolescentes para situação de institucionalização ou acolhimento, trazendo consequências no desenvolvimento. No contexto deste trabalho, a categoria de crianças institucionalizadas refere-se a crianças que vivem em instituições de acolhimento, separadas de seus responsáveis (Siqueira & Dell'Áglio, 2006). Frequentemente, essas crianças e adolescentes já experimentaram o abandono e/ou em muitos casos a perda de um responsável legal (Taussig, 2002). Além disso, muitos são conduzidos a instituições devido a constatações de abusos ou negligências por parte de seu responsável. Algumas vezes, essas experiências resultam em problemas comportamentais e psicossociais. Em um estudo brasileiro sobre a saúde psicossocial de crianças institucionalizadas, Wathier e Dell'Aglio (2007) encontraram uma maior frequência de eventos de vida negativos relatados pelas crianças institucionalizadas do que pelos seus pares não institucionalizados. Os referidos autores, ao associarem os escores significativamente mais elevados do Inventário de Depressão Infantil, constataram que as crianças institucionalizadas são mais vulneráveis à depressão do que os seus pares não institucionalizados. Tais descobertas são significativas na amostra como um todo e para os quatro subgrupos com base no gênero (masculino e feminino) e idade (7 a 11 e 12 a17).

Na literatura, a categoria de Crianças Órfãs e Vulneráveis (COV) descreve crianças, como, por exemplo, da África subsaariana, que ficaram órfãs devido à epidemia da AIDS (Skinner et al., 2004). Além da perda dos pais, muitas dessas crianças são vítimas da "pobreza, da fome, da falta de acesso aos serviços, roupa ou abrigo inadequado, superlotação, responsáveis deficientes" (Skinner et al., 2006, p. 619). Muitas ainda são vítimas da "deficiência, da experiência direta de violência física ou sexual, ou doenças crônicas graves" (Skinner et al., 2006, p. 619). Para os autores do presente texto, a orfandade transcende a presença ou não de cuidadores, mas se vincula à presença ou não de elementos de proteção para uma infância e adolescência saudável, com os recursos materiais e psicológicos necessários.

O argumento que se busca nesse diálogo com a ficção é que a natureza das adversidades dos personagens heroicos no estágio de vida Pré-Capa/Pré-Máscara, apresentadas nas Tabela 1 e na Figura 2, parecem estar altamente sintônicas com aquelas experimentadas por crianças e adolescentes em situação de acolhimento, por serem órfãos, abandonados ou abusados de alguma maneira em seus direitos fundamentais, os quais, no Brasil, são expressamente reconhecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

No entanto, é uma condição com possibilidade de se aplicar mais fortemente para o subgrupo de crianças carentes por orfandade ou abandono das famílias. Em relação à sobreposição entre as adversidades vividas por crianças desfavorecidas e as adversidades vividas pelos super-heróis na fase de desenvolvimento denominada por nós, autores, como Pré-Capa/Pré-Máscara, os resultados sugerem que condicionalmente essa sobreposição existe. É condicional posto que a sobreposição mais pronunciada nas adversidades estaria entre o subgrupo de crianças em situação de risco que são órfãs ou abandonadas por suas famílias. Ao que tudo indica, esse é um recurso ainda inexplorado por muitas áreas de conhecimento.

Discussão

Como destacado anteriormente, não há estudos sobre a relação da vida ficcional dos super-heróis e as reais adversidades sofridas por crianças e adolescentes. Pouco se enfatiza essa fase que antecede os acontecimentos e os feitos super-heroicos, mas que revelam a vida complicada de tais personagens. O termo Pré-Capa/Pré-Máscara refere-se ao estágio de desenvolvimento do personagem antes da sua estreia como um super-herói fantasiado. Em muitos personagens, nessa fase, acontece algo que os possibilita futuramente uma transformação, dando um salto de positividade no seu desenvolvimento pessoal. Em muitas histórias, os personagens sofreram alguma adversidade, seja na infância ou juventude. De acordo com o desenrolar das histórias, essas adversidades parecem fazer com que os personagens desenvolvam-se diferentemente após o trauma sofrido. Nesse aspecto, Boris Cyrulnik (2009) afirma que "O trauma torna-se então um novo organizador do eu em torno do qual os esforços e os sonhos constroem uma curiosa mentalidade... Nota-se o surgimento de um estranho valor, uma coragem mordida que dá sentido ao sofrimento e o transcende, tamanha a necessidade de o ferido pensar em dias melhores" (p. 34). Essa dimensão teórica possibilita considerar que o personagem super-herói pode ser um modelo ou "tutor" de resiliência, pois ele transforma-se e torna-se habilidoso para superar as suas adversidades, transcendendo-as. Esse processo é fundamental para a construção e desenvolvimento dos personagens. Joseph Campbell (2008) refere-se a momentos de iniciação, enquanto Rutter (1987) nomeia o ponto de virada para as metamorfoses positivas que ocorrem na sequência. Independentemente de termos ou nomenclaturas, há um momento monumental para os super-heróis das HQs, que também pode vir a ser para a criança em situação de risco, tornando-se, assim, um marco de desenvolvimento positivo.

O referido recurso parece apresentar potencial para capacitação e construção de expressões de resiliência. Para os clínicos que trabalham com crianças órfãs, abandonadas, desprovidas de atenção psicossocial e/ou em situação de acolhimento institucional, a história comum existente entre Homem-Aranha e a vida da criança em risco pode ser utilizada para informar à criança que ela não é a única e tão somente uma vítima, gerando capital social. Por exemplo, o Homem-Aranha lutou com os mesmos problemas de muitas crianças que vivem em instituições de acolhimento (ausência dos pais, bullying). Para crianças com tais vivências, esse conhecimento pode reduzir a sensação de isolamento e impotência e criar um sentido de terreno comum, associado ainda a um sentimento de desejo de fazer parte de uma comunidade de "fortes" e "vencedores". Os personagens das HQs podem, assim, vir a ser modelos inspiradores de superação e "tutores" de resiliência.

Ademais, para os educadores e agentes sociais, o conhecimento da história comum que existe entre os super-heróis e as crianças menos favorecidas socialmente pode ser tecido por lições para informar e criar um diálogo sobre diversidade, tolerância e fraternidade. Quanto aos contextos de aplicação da ideia Pré-Capa/Pré-Máscara, ressalta-se que é necessário prosseguir com estudos empíricos para quantificar e qualificar o potencial dos achados de adversidades comuns entre crianças desfavorecidas socialmente e os super-heróis em seu estágio Pré-Capa/Pré-Máscara. O objetivo de tal estudo, além de quantificar o potencial das descobertas neste trabalho, seria estudar um cenário de base interventiva para a construção de resiliência nesse grupo de risco.

Para o clínico ou cuidador profissional, promoção de resiliência deve significar trabalhar para o momento de empoderamento, como na vida dos super-heróis. A Figura 1 (Fradkin, Weschenfelder & Yunes, 2016) ilustra que esse momento marca o fim da fase Pré-Capa/Pré-Máscara. Conforme a metáfora utilizada por Campbell, seria o estágio no qual o profissional oferece simbolicamente a "capa" para a criança ou adolescente e facilita o seu "voo" pelos caminhos de sua própria vida com seus planos futuros (Campbell, 2012). Para Superman, é o momento em que Clark Kent veste seu traje e sua capa e emerge da cabine telefônica superempoderado. Para a borboleta, é o momento em que ela sai da crisálida, abre suas asas e voa pela primeira vez. No mundo de seres humanos, sabe-se que tais momentos são relacionais, ou seja, é importante a presença de um outro significativo, um "tutor" ou mentor, que, neste caso, pode ser um profissional ou um trabalhador da saúde ou da educação (Yunes et al., 2013).

Considerações Finais

As políticas sociais de atendimento infanto-juvenil, promoção de desenvolvimento saudável, além de educação de qualidade para melhores condições de vida e de convivência social, ainda estão em estágios rudimentares no Brasil. Possibilitar que crianças e adolescentes em situações de risco psicossocial tenham oportunidades justas de expressão de seus talentos e capacidades de criação é a meta que se pretende alcançar num país que luta por igualdade social. É importante que pesquisadores, profissionais da área da saúde, pais e educadores se esforcem para oferecer às crianças todas condições possíveis e necessárias para uma vida comunitária digna e respeitosa. Porém, os recursos sociais, na maioria das vezes, são disponibilizados de forma pouco igualitária e justa. Algumas crianças crescem em famílias estáveis e amorosas, enquanto outras nunca puderam sentir a presença de alguém que, como diria Bronfenbrenner, fosse "louco por ela" (Bronfenbrenner, 1991). Essas crianças, muitas vezes, lutam nas ruas por condições mínimas de subsistência. Para pesquisadores da área da saúde e da educação, essas crianças podem estar em situações caracterizadas por riscos, pelo "simples" fato de não terem proximidade com pessoas que as compreendam como "seres em desenvolvimento e pessoas-em-contextos" (Bronfenbrenner, 1991).

Os recursos inexplorados das adversidades comuns entre super-heróis no estágio Pré-Capa/Pré-Máscara e as vidas das crianças em situações de risco ou desfavorecidas socialmente merecem considerações cautelosas da comunidade científica. Para muitos cientistas e profissionais de saúde, a noção de empregar ícones da cultura pop como os personagens dos quadrinhos em pesquisas pode ser considerado um assunto pouco acadêmico. Ademais, os resultados podem parecer incongruentes com ideais e rigores de investigações científicas mais conservadoras. Ressalta-se, entretanto, que a motivação geradora deste artigo foi considerar a dura realidade das crianças e adolescentes e pensar em possibilidades de construir intervenções positivas que possam amenizar o imensurável sofrimento humano na infância e adolescência, dois períodos de desenvolvimento cruciais para resultados efetivos de bem-estar e qualidade de vida na fase adulta.

Na verdade, as similaridades compartilhadas por esses dois grupos, super-heróis na fase Pré-Capa/Pré-Máscara e os riscos vivos por crianças e adolescentes menos favorecidos socialmente, podem ser a chave ou o motor de desenvolvimento para o empoderamento de pessoas que vivem uma multiplicidade de sofrimentos, como já tem sido demostrado em algumas experiências isoladas referidas anteriormente (A. C. Camargo Center, 2014).

Em conclusão, as bases das reflexões aqui apresentadas indicam caminhos para desdobramentos e para futuras propostas de investigações e/ou intervenções com foco nuclear na etapa que antecede os "superpoderes dos super-heróis", aqui nomeada Pré-Capa/Pré-Máscara. A partir das análises realizadas, acredita-se que essa fase e os decorrentes pontos de virada (Rutter, 1987) dos super-heróis podem ser acionados como exemplos de metamorfose pessoal. Para tanto, deve haver investimento psicoeducacional em programas sociais de promoção de desenvolvimento positivo de crianças e adolescentes. Não há duvidas de que esse é um assunto que atraiu e ainda atrai a atenção de diferentes gerações em todas as partes do mundo.

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Recebido: 14 de Dezembro de 2015; Revisado: 12 de Agosto de 2016; Aceito: 25 de Outubro de 2016

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