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DELTA: Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada

Print version ISSN 0102-4450

DELTA vol.27 no.2 São Paulo  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-44502011000200012 

NOTAS SOBRE LIVROS BOOKNOTES

 

 

Por/by: Francisco Gomes de Matos

Professor Emérito, UFPE e Presidente do Conselho, Associação Brasil América, Recife, Brazil, E-mail: fcgm@hotlink.com.br

 

 

Davies, Mark & Dee Gardner.  2010. A Frequency Dictionary of Contemporary American English. Word sketches, collocates, and thematic lists. Oxford and New York: Routledge.  x + 351 pp. ISBN 978-0-415-39063-4.

O conceito-termo frequency está cada vez mais presente em gramáticas descritivas e/ou pedagógicas do inglês. Veja-se, por exemplo, Longman Student Grammar of Spoken and Written English (2002) onde há uma seção Interpretations of frequency: context and discourse (3-4). Cf. também Cambridge Grammar of English. A Comprehensive Guide (2006). Ali encontramos uma seção Information on Frequency (12). O que dizer da ocorrência de frequency em dicionários para usuários não nativos de inglês? Ao que saiba, foi Harper Collins o primeiro a explicitar o grau de ocorrência das palavras: a mais frequente identificada por três diamantezinhos; em seguida, as frequentes (dois diamantezinhos) e as menos freqüentes (um diamantezinho). A tradição de quantificar a frequência de uso de palavras da língua inglesa é um dos aspectos admiráveis da história do ensino desse idioma e das pesquisas lexicais nele centradas.
No início da segunda década deste século surge uma continuação ainda mais extraordinária que a referida tradição: um dicionário de frequência de uso de palavras, suas coocorrências, os colocados, a tradução corrente entre especialistas e os usuários de Linguística de corpus no Brasil do termo original collocates, e de listas temáticas. Os autores são professores-pesquisadores do Departamento de Linguística e Língua inglesa de Brigham Young University, Provo, Utah.
Este volume integra a coleção Routledge Frequency Dictionaries, sob a direção de Paul Rayson (Lancaster University) e Mark Davies. Além desta fonte, centrada no inglês americano, há dicionários de frequência para o alemão, árabe, chinês, espanhol, francês e português. (O primeiro é o Collins Cobuilt do pioneiríssimo grupo de Birmingham liderado por John Sinclair).

Como está organizado o DFCAE? Thematic Vocabulary Lists (1 p.), Series Preface (2 p.), Acknowledgements (1 p.), Abbreviations (1 p.), Introduction (8 p.), Frequency Index (272 p.), Alphabetical Index (34 p.), Part of Speech Index (34p.). A parte introdutória é muito elucidativa. Para quem ainda não fez uma iniciação à Linguística de Corpus, as 12 seções da Introduction constituem um convite atraente para fazê-lo. Davies e Gardner apresentam sua criação lexicográfica por meio dos seguintes tópicos: The value of this frequency dictionary of English, What is in this dictionary? Comparison to other frequency dictionaries of English, The Corpus, Annotating and organizing the data from the corpus, Frequency and dispersion, The final calculation, Collocates, The main frequency index, Thematic vocabulary (call-out boxes), Alphabetical and Part of speech indexes, Electronic version (www. americancorpus.org/dictionary), Delimitations and Notes. Seguem-se 14 References (inclui obras pioneiras, publicadas em 1944, 1945 e 1953).

Como este DFCAE é um livro para auto-aprendizagem, logo testei minha intuição de nonnative user of English, sobre adjetivos que imagino serem de elevada frequência em inglês, principalmente sobre verbos compostos que representam emoções (que preposições seriam mais produtivas na composição desses phrasal verbs); fiz o mesmo com profissões com alta frequência de uso e com sobre profissões também com alta frequência e com as palavras que mais frequentemente ocorrem com PEACE, PEACEFUL.

Esses testes de intuição lexical deram bons frutos e trouxeram algumas surpresas. Assim, na lista dos 100 phrasal verbs mais frequentes, aprendi que UP aparece em 28 verbos e OUT em 19. Na lista de emoções, aprendi que três emoções negativas estão entre as 5.000 palavras mais frequentes (neste Corpus): angry, furious, hostile.  Fiquei sabendo que, entre as emoções positivas, incluem-se os adjetivos appreciative, delighted, glad, happy, hopeful, pleased. Uma surpresa: na lista de substantivos referente ao corpo, surpreendentemente, não estava incluída heart.

Ao testar minha intuição quanto à colocabilidade de dignity, aprendi que seus collocates (colocados) substantivos são: sense, right, person, honor, freedom, death, worth, grace, value, being.

Poderia continuar, mas paro por aqui.  Que os usuários deste utilíssimo dicionário descubram quanto poderão aprender sobre as 5.000 palavras mais frequentes do inglês americano. Os autores e a editora devem ser felicitados por esse avanço na fascinante, linguoculturalmente reveladora - e provocadora - Linguística de Corpus centrada em uma das variedades nacionais do inglês.