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Educação em Revista

Print version ISSN 0102-4698

Educ. rev.  no.46 Belo Horizonte Dec. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-46982007000200001 

Editorial

 

 

É com alegria que comunicamos aos leitores e colaboradores de Educação em Revista que, a partir deste número 46, a revista estará disponí-vel também na Scielo (www.scielo.br). A Scielo é uma biblioteca eletrônica que proporciona acesso aos textos completos dos artigos publicados nos periódicos indexados na base. O acesso aos artigos pode ser feito através dos índices de cada periódico ou por preenchimento de formulários de busca. Ao ingressar na Scielo, Educação em Revista torna-se acessível a outro universo de leitores, aumentando significativamente a circulação da Revista e a visibilidade dos artigos publicados. Temos certeza de que o ingresso na Scielo significa o reconhecimento da qualidade de Educação em Revista, que foi atestada também na recente avaliação dos periódicos realizada pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) e pela Capes. Esses bons resultados de Educação em Revista vêm no momento em que o Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFMG tem sua excelência reconhecida na avaliação trienal da Capes. Com este número celebramos esse triplo êxito da Faculdade de Educação da UFMG.

O artigo que abre este número é um importante estudo sociológico em que Annette Lareau, da Universidade de Maryland, EUA, analisa as influências das famílias na educação de seus filhos e os mecanismos pelos quais os pais de classes diferentes transmitem vantagens para os filhos em famílias negras e brancas. Ela mostra como o "cultivo orquestrado" encoraja nas crianças um sentimento emergente de direito e como as diferenças na vida familiar não recaem apenas nas vantagens que os pais obtêm para os filhos, mas também nas habilidades transmitidas a eles. Além de instigante, esse trabalho apresenta conceitos que podem ser úteis a outros estudos comparativos sobre raça e classe, bem como para avaliações da influência da estrutura familiar na forma como a vida diária é moldada.

No trabalho intitulado "A presença de Aristóteles no livro Como pensamos, de John Dewey", membros do grupo de pesquisa Retórica e Argumentação na Pedagogia da USP de Ribeirão Preto/SP, sob a coordenação de Marcus Vinicius da Cunha, procuram compreender os mecanismos de "apropriação" e "recontextualização" presentes na elaboração de discursos pedagógicos. Para tanto, analisam como a concepção deweyana de conhecimento e ciência retoma e adapta formulações e argumentos aristotélicos.

O terceiro artigo, de autoria de Maurício Miranda Sarmet e Júlia Issy Abrahão, investiga o impacto do uso de ferramentas informatizadas na atividade dos tutores de cursos via Internet. Trata-se de um estudo de caso sobre o trabalho de mediação de uma equipe de tutores de cursos a distância. O exame das interações e estratégias utilizadas na navegação e na resolução de dificuldades concretas revela interessantes aspectos que favorecem a compreensão dos processos pedagógicos que se valem de novas tecnologias.

Em "Movimentos sociais e experiência geracional: a vivência da infância no movimento dos trabalhadores sem terra", Luciana Oliveira Correia, Maria Amélia Gomes de Castro Giovanetti e Maria Cristina Soares de Gouvêa apresentam os resultados de uma pesquisa etnográfica desenvolvida com crianças moradoras de um acampamento do MST, no estado de Minas Gerais. O estudo mostra a construção de identidade de novos atores sociais através da recepção de produções adultas e de práticas culturais singulares.

Na discussão da democratização do acesso à educação superior no Brasil, uma das questões que se coloca é a compreensão das variáveis socioeconômicas que interferem no processo de seleção. O quinto artigo deste número, de autoria de Cristiane B. Lopes, Raphael L. F. Ribeiro, Mariana G. Carvalho, Glaura C. Franco, Rosângela Loschi e Mauro M. Braga, é um estudo detalhado do perfil de vestibulandos da UFMG que busca identificar as características associadas à aprovação de candidatos de escolas públicas e privadas.

Neste número, Educação em Revista dá continuidade à publicação de dossiês temáticos colocando em foco um tema que tem tido presença marcante nas teorizações sociais e culturais contemporâneas. Para a organização do dossiê "Gênero, Sexualidade e Educação", foram convidadas as professoras Dagmar Estermann Meyer e Guacira Lopes Louro, criadoras do GEERGE/UFRGS (Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero), um dos primeiros grupos de estudos e pesquisas sobre relações de gênero no campo educacional do Brasil.

Com esse dossiê, Educação em Revista traz aos seus leitores e às suas leitoras um conjunto de artigos de pesquisadoras de diferentes instituições brasileiras que têm trabalhado no campo da educação com as questões de gênero e sexualidade. Evidenciando a pluralidade temática e teórico-metodológica que acompanha a produção de conhecimento nessa área, o dossiê, certamente, traz uma importante contribuição para ampliar e aprofundar o debate nos campos dos Estudos de Gênero e Sexualidade no Brasil, assim como para mostrar aos/às diferentes pesquisadores/as em educação o quão crucial a discussão dessas temáticas tornou-se para o campo educacional.

As análises contemporâneas sobre as relações de gênero e sobre a sexualidade instigam-nos a ver o mundo, as coisas do mundo e os sujeitos como sendo montados, moldados, produzidos "peça por peça", nas mais diferentes instâncias, instituições, espaços e sempre em jogos de poder. Mostram-nos que diferentes relações de poder sustentam posições de sujeitos, divulgadas em diferentes discursos, que somos constantemente convocados/as a ocupar. É para essa dimensão social e cultural da nossa constituição como homens e mulheres e das formas como experi-mentamos e vivemos nossa sexualidade que os estudos e pesquisas sobre gênero e sexualidade têm se voltado. Os oito artigos que compõem o dossiê aqui apresentado mostram de forma convincente e exemplar essa feitura, essa fabricação e essa produção do sujeito em suas marcações de gênero e sexualidade. Tomando diferentes "pedagogias" como objeto de análise, os estudos apresentados no dossiê entendem que "o educativo vai muito além da escola", e mostram como diferentes práticas e artefatos estão envolvidos na educação, formação e produção de formas de ser masculino e feminino assim como de formas de se vivenciar a sexualidade.

Os temas gênero e sexualidade estão mais do que nunca e de diferentes formas presentes na educação: são temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais; são recorrentemente apontados nas discussões sobre a diversidade cultural e sobre o multiculturalismo; aparecem constantemente nas salas de aulas e em outros espaços da escola. Contudo, as questões relacionadas ao gênero e à sexualidade estão também entre aquelas sobre as quais professores e professoras mais expressam dificuldades de tratamento nas escolas e mais desejam ter informações. Assim, com este número, Educação em Revista coloca à disposição dos seus leitores e das suas leitoras uma boa mostra da multiplicidade de tratamento dessa temática, na esperança de contribuir para o debate sobre Gênero, Sexualidade e Educação. Agradecemos às professoras Dagmar Estermann Meyer e Guacira Lopes Louro por terem aceitado nosso convite para a coordenação do Dossiê e por tê-lo feito com competência, compromisso e entusiasmo.

 

Os Editores