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Educação em Revista

Print version ISSN 0102-4698

Educ. rev. vol.26 no.3 Belo Horizonte Dec. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-46982010000300003 

ARTIGOS

 

As pesquisas sobre professores iniciantes: algumas aproximações

 

Researches about inexperienced teachers: some approaches

 

 

Silmara de Oliveira Gomes PapiI; Pura Lúcia Oliver MartinsII

IProfessora Assistente do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG-PR); Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). E-mail: silmarapapi@terra.com.br
IIDoutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP); Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação - Mestrado e Doutorado - da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Bolsista Produtividade e Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). E-mail: pura.oliver@pucpr.br

Contato

 

 


RESUMO

O presente texto tem como foco as investigações sobre professores iniciantes e faz um balanço do tema a partir de pesquisas realizadas no Brasil, tendo em vista a atual tendência dos estudos sobre essa etapa do desenvolvimento profissional do professor. Para tanto, são analisados os trabalhos apresentados nas reuniões da ANPEd, nos anos de 2005, 2006 e 2007, e as pesquisas disponíveis no banco de teses da CAPES - 2000 a 2007 (mestrado e doutorado). Também é analisada a pesquisa de Brzezinski (2006), em que foi apresentado o estado do conhecimento sobre a formação de profissionais da educação. O estudo evidencia que a maioria das pesquisas analisa o professor, focando sua prática pedagógica, a construção de sua identidade, a socialização profissional e as dificuldades encontradas. Demonstra também a quase inexistência de ações de formação para esses professores e a necessidade das pesquisas brasileiras se dedicarem mais ao tema, que é pouco explorado, se considerada a relevância dessa etapa profissional.

Palavras-chave: Professor Iniciante; Formação de Professores; Desenvolvimento Profissional.


ABSTRACT

The following text focuses on the investigation into "Inexperienced Teachers" and ponders on the theme based on researches conducted in Brazil, regarding current trends about this stage of the teacher's professional development. In order to accomplish this objective, we analyzed the work presented at the ANPEd meetings in the years of 2005, 2006 and 2007 and the researches available at the CAPES Thesis Bank from 2000 to 2007 (for mastering and doctorate degrees). The research carried out by Brzezinski (2006) was also taken as an object of analysis In this research, the state of knowledge on the development of professionals working with education was presented. The study reveals that most of the researchers analyzed the teachers, focusing on their pedagogic practice, identity construction, and professional socialization, as well as on the difficulties found. It also demonstrates the nearly inexistence of development actions for those teachers and the need for further research by Brazilian specialists, since this issue has been poorly explored considering its relevance.

Keywords: Inexperienced Teacher; Teacher Training; Professional Development.


 

 

INTRODUÇÃO

O conceito de formação pode ser analisado a partir de diferentes perspectivas, dependendo da área que o toma como objeto de estudo. Segundo o que se encontra em Houaiss e Villar (2009), formação significa o conjunto dos cursos concluídos ou graus alcançados por alguém, podendo ainda significar a maneira como uma pessoa é criada ou educada. Entretanto, mesmo considerando-se tais possibilidades, quando se trata de compreender o significado da palavra formação na perspectiva da formação de professores, alguns componentes lhe são constitutivos e precisam permear as análises que o envolvem.

Primeiramente, ressalta-se a necessidade de se compreender que a palavra formação tem significado próprio, não podendo ser confundida com outros termos que lhe são correlatos. Além disso, é preciso considerar que o conceito de formação possui uma dimensão que é pessoal e se relaciona ao desenvolvimento humano, o que impossibilita sua vinculação restrita ao âmbito da técnica. Finalmente, é importante que seja levada em conta a responsabilidade que tem o indivíduo pela própria formação, que precisa, assim, ser buscada e facilitada por ele de forma ativa (MARCELO GARCÍA, 1999).

Entretanto, compreender que o professor precisa responsabilizar-se, em certa medida, pela própria formação não significa que ele deva isolar-se dos colegas de profissão, pois, para um processo de formação e, em especial, para a formação de professores, é reconhecida a importância da existência de determinadas características pessoais e de contextos profissionais que favoreçam sua operacionalização. Dessa forma, além de implicar uma postura pessoal de disponibilização e abertura por parte do professor, isso pode ocorrer na medida em que os contextos profissionais também sejam capazes de estimular e valorizar diferentes iniciativas de formação, organizando, inclusive, espaços e tempos específicos para sua realização.

Por tais considerações, entende-se que as pesquisas voltadas à formação de professores, devido à amplitude da área e às possibilidades de definição desse termo, podem estar relacionadas a aspectos diferenciados, como: formação inicial e continuada, formação do professor em início de carreira, aprendizagem dos alunos, capacidade de ensinar do professor, desenvolvimento profissional docente, trabalho colegiado, condições de trabalho na escola, entre outros aspectos que caracterizam a complexidade da profissão docente e da formação de seu profissional.

Segundo dados apresentados em pesquisa desenvolvida por André e colaboradores (2006), em linhas gerais, os estudos que se dedicam à área da formação de professores têm sido realizados em maior quantidade, se comparados ao número de pesquisas efetivadas em momentos anteriores.

A autora destaca um estudo comparativo de dissertações e teses, defendidas de 1992 a 2002, em que demonstrou que o interesse dos pósgraduandos pela formação docente passou de 6% a 25%, respectivamente. Ressalta ainda que, em certa medida, esse aumento pode ser atribuído à possibilidade de articulação entre a formação de professores e outros temas correlatos, podendo ser derivado da centralidade que ocupa o professor nas atuais discussões sobre educação. André alerta, também, para uma mudança nos conteúdos privilegiados nas pesquisas sobre formação de professores, afirmando que:

Se em 1992 45,7% das pesquisas investigavam a formação inicial, 25,7% a formação continuada e 20% o tema da identidade e profissionalização docente, em 2002 esse quadro se altera substantivamente. Apenas 24% das pesquisas tratam dos cursos de formação inicial, enquanto 37,6% investigam o tema identidade e profissionalização docente e 25% a formação continuada. A mudança foi, sobretudo, de foco: os cursos e programas de formação ficaram em segundo plano e quem ganhou destaque foi o professor: suas opiniões, representações, saberes e práticas, assim como o processo de constituição de sua identidade profissional (ANDRÉ, 2006, p. 21).

O aumento do interesse pelas pesquisas na área da formação de professores e a variedade de investigações efetivadas podem ser compreendidos como a expressão desse momento histórico, pois se entende que as percepções sobre novas demandas e necessidades se constituem no campo da ação humana ou da prática social dos sujeitos.

Partindo-se do entendimento de que a teoria é a expressão da prática (MARTINS, 2004), considera-se que tais percepções são historicamente constituídas a partir das relações sociais estabelecidas por seus sujeitos mediante as instituições em que se inserem, para fazer frente às contradições inerentes à realidade vivida.

Dessa forma, a centralidade dos estudos voltados ao professor no contexto investigativo da área de formação de professores expressa esse momento, em que as políticas de formação implementadas, especialmente a partir da década de 1990, apontam para o redimensionamento dessa formação, tendo em vista atender aos pressupostos da reforma do Estado. Essa reforma, ainda em curso, busca minimizar seu papel em relação às políticas sociais e privilegiar o processo de reestruturação produtiva para atender à lógica do capital, conforme analisam Malanchen e Vieira (2006).

Os novos encaminhamentos para a formação de professores - pautados nos preceitos de flexibilidade e eficiência e articulados à reforma do Estado e da educação - seguem a orientação de documentos vindos de organismos internacionais como o Banco Mundial, a Unesco e o Banco Interamericano de Desenvolvimento e visam a organizá-la, levando em conta a adequação do trabalho docente às exigências profissionais decorrentes das mudanças tecnológicas e do mundo do trabalho.

Como assevera Scheibe (2004, p. 181), "compreende-se assim a emergência do professor como grande responsável pela construção da nova ordem [...]" ou sua centralidade nesse processo, parecendo lógico, nessa linha de entendimento, que ele seja investigado sob diferentes enfoques.

Diante desse quadro, e levando-se em consideração as várias possibilidades de apropriação da temática formação de professores, procura-se analisar, no presente trabalho, pesquisas que se dedicam ao estudo do professor iniciante, pois se entende que é necessário - a partir de um balanço conciso que aponte indicativos sobre o que representam as pesquisas existentes nessa área, no âmbito da educação - examinar as tendências dessas pesquisas, em relação ao seu foco de estudo. Para tanto, parte-se de uma contextualização que mostra, em sentido amplo, que a formação do professor em início de carreira, se comparada à formação dos demais professores, tem sido considerada de maneira diferenciada em alguns países da Europa. Em seguida, abordam-se estudos sobre o professor iniciante na realidade brasileira.

Para o desenvolvimento deste estudo toma-se como corpus de análise os trabalhos apresentados nas reuniões da ANPEd nos anos de 2005, 2006 e 2007, as pesquisas constantes no banco de teses da CAPES (2000 a 2007), a pesquisa de Brzezinski (2006) denominada "Estado do Conhecimento sobre Formação de Profissionais da Educação" e os dados apontados pela pesquisa realizada por Mariano (2005; 2006).

 

O foco no desenvolvimento profissional do professor iniciante: uma tendência nacional e internacional em crescimento

No processo de aprender a ensinar, conforme apontam os estudos de Feiman (apud MARCELO GARCÍA, 1999), existem quatro fases diferenciadas pelas quais passa o professor. A primeira fase, denominada de pré-treino, inclui as experiências que os futuros professores tiveram enquanto alunos e que podem influenciá-los inconscientemente durante o exercício da profissão. A segunda, chamada de formação inicial, refere-se à etapa de preparação formal para ser professor e se dá em instituição específica. A terceira, denominada Iniciação - objeto do presente estudo por tratar-se da fase em que se encontra o professor iniciante - diz respeito aos primeiros anos de exercício profissional, os quais se configuram como uma etapa ímpar e marcante na vida do professor. A última fase descrita por Feiman, a formação permanente, relaciona-se ao período que inclui as atividades de formação planificadas pelas instituições e pelos próprios professores ao longo da carreira, a fim de permitir que o desenvolvimento profissional seja um processo constante.

Embora se considere que possam estar inter-relacionadas, tais fases são apontadas como momentos diferenciados da profissão. Além disso, enquanto objeto de investigação na área de formação de professores, elas têm sido privilegiadas em maior ou menor quantidade, dependendo do momento histórico em que se encontra a pesquisa educacional brasileira. Isso porque, na mesma medida em que as pesquisas costumam acompanhar o movimento que se constitui em torno de diferentes temáticas a serem investigadas, também influenciam a determinação do encaminhamento desse processo.

A fase de iniciação, em especial, tem sido privilegiada, na medida em que se percebe a necessidade constante da melhoria nos processos educativos, pois esse período se inscreve como tempo/espaço privilegiado para a constituição da docência. Os primeiros anos de exercício profissional são basilares para a configuração das ações profissionais futuras e para a própria permanência na profissão. Podem tornar-se um período mais fácil ou mais difícil, dependendo das condições encontradas pelos professores no local de trabalho, das relações mais ou menos favoráveis que estabelecem com outros colegas, bem como da formação que vivenciam e do apoio que recebem nessa etapa do desenvolvimento profissional.

É no período de iniciação profissional que o professor se defrontará com a realidade que está posta e com contradições que nem sempre estará apto a superar. Seus conhecimentos profissionais são colocados em xeque e a postura que assume pode ir desde uma adaptação e reprodução muitas vezes pouco crítica ao contexto escolar e à prática nele existente, a uma postura inovadora e autônoma, ciente das possibilidades, dos desafios e dos conhecimentos profissionais que sustentam sua ação pedagógica. Quando se fala sobre o período de iniciação profissional há, portanto, uma aproximação tanto de fatores pessoais quanto de fatores e aspectos profissionais, estruturais e organizacionais com os quais se defronta o professor.

Em âmbito internacional e mais especificamente em relação à Europa, cujos pesquisadores têm influenciado significativamente os estudos brasileiros sobre a formação de professores, parece haver uma tendência crescente em se voltar maior atenção ao professor iniciante, embora nem todos os países ainda se dediquem, concreta e especificamente, a esse período.

Observa-se, no entanto, que alguns documentos privilegiam essa perspectiva, como é o caso de uma publicação1 realizada pela rede Eurydice2 (2002, p. 117), que, além de ressaltar a relevância do apoio ao professor iniciante para facilitar a entrada na profissão, ainda apresenta um panorama de algumas Medidas de Apoio aos Novos Professores, desenvolvidas por diferentes países da União Europeia. De acordo com o que se observa no documento, considera-se que os professores iniciantes:

[...] podem encontrar durante seu primeiro ano de serviço dificuldades específicas como principiantes em um entorno laboral relativamente desconhecido. Apesar de ter entrado em contato direto com a profissão através de práticas em centros escolares, será a primeira vez que enfrentam a realidade diária de uma atividade laboral na qualidade de professores plenamente qualificados. Estas circunstâncias motivam a existência de medidas de apoio oferecidas por pessoal capacitado com experiência para ajudar aos docentes a superar as dificuldades que podem encontrar como principiantes na profissão (tradução das autoras).

Na referida publicação, ressalta-se que países como Áustria, Finlândia, Inglaterra, Espanha, Bélgica, País de Gales, Estônia, Hungria, Chipre, Grécia, Itália, Irlanda do Norte, Polônia, em que pesem as diferenças entre as medidas propostas em relação ao tempo e ao conteúdo proposto, oferecem apoio diferenciado ao professor iniciante.

As medidas de apoio variam de país a país e, conforme o que apresenta o documento produzido pela rede Eurydice (2002, p. 117), dizem respeito a medidas formais de introdução, voltadas para "[...] a orientação e o assessoramento oferecidos [...], para que possam adaptarse gradualmente e de forma eficaz à vida laboral" (tradução das autoras).

Nesse documento, também se destaca que, na Alemanha, em Luxemburgo e em Portugal, os debates nessa linha de formação se iniciaram. Em Portugal (Lisboa), especificamente em setembro de 2007, realizou-se uma conferência que tratou do "Desenvolvimento profissional de professores para a qualidade e para a equidade da aprendizagem ao longo da vida", uma iniciativa da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia junto ao Ministério da Educação do país e à Comissão Europeia.

Nessa conferência, entre outros documentos, distribuiu-se um intitulado Política de Formação de Professores em Portugal que aponta, entre outros aspectos, para a importância de se legislar em favor de uma acolhida diferenciada ao professor iniciante. No referido documento, faz-se referência ao que se denomina período de indução:

II. Período de indução
'Todos os professores participam num programa de integração na profissão eficaz ao longo dos três primeiros anos em funções/ no exercício da profissão' (p. 13).

Na recente reforma da regulação do acesso à docência em escolas públicas (2007) ficou exarado que no ano probatório, já referido, o professor é apoiado, no plano didáctico, pedagógico e científico, por um professor já titular que, preferencialmente, possua formação especializada na área de organização e desenvolvimento curricular ou de supervisão pedagógica e formação de formadores. Ainda que não o designe como tal, pode considerar-se que esta reforma consagra o período de indução para desenvolvimento profissional dos novos professores. (PORTUGAL, 2007, p. 14)

Ainda que o documento esteja sujeito à regulamentação, é possível observar que possibilidades já são vislumbradas na realidade portuguesa, tendo em vista que o apoio didático aos professores em início de carreira é apontado no quadro das demandas por uma educação de qualidade.

Na realidade brasileira, as discussões sobre o período de iniciação profissional do professor têm sido alvo de abordagens diferenciadas. Observa-se, por exemplo, algumas aproximações da temática quando se discute sobre o projeto referente à Residência Pedagógica, através do Projeto de Lei n. 227, datado de 2007, de autoria do Senador Marco Maciel. A proposta de uma Residência Pedagógica enquanto política pública inspira-se na Residência Médica, conforme se pode constatar no texto do Projeto de Lei apresentado ao Congresso Nacional:

A "residência médica" inspira o presente projeto de lei. Sabemos da importância na formação dos médicos dos dois, ou mais anos, de residência, ou seja, do período imediatamente seguinte ao da diplomação, de intensa prática junto a profissionais já experientes, em hospitais e outras instituições de saúde, quando não somente são testados os conhecimentos adquiridos como se assimilam novas habilidades exigidas pelos problemas do cotidiano e pelos avanços contínuos da ciência (SENADO FEDERAL, 2007, p. 2).

A relação de proximidade entre esse Projeto e a formação específica para o professor iniciante se dá na medida em que ele prevê um período de formação, na escola, ulterior à Formação Inicial, a ser regulamentado pelos Conselhos de Educação e pelos Sistemas de Ensino. Esse período tem a perspectiva de melhorar a prática pedagógica do professor, ainda que se detenha apenas àqueles que pretendem dedicar-se aos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, tendo em vista a necessidade apontada no projeto, de avanços na qualidade do processo educacional.

Pela sua aproximação com a concepção da residência médica, o Projeto da Residência Pedagógica prevê o acompanhamento do professor iniciante por um professor experiente, que possivelmente irá orientar seu trabalho sem ser introduzido apenas nas mesmas propostas de formação continuada destinada aos demais professores, como um professor que tem as mesmas características que eles.

Além desse Projeto de Lei, que, de certa forma, toma como centro a formação específica do professor iniciante, vê-se que há uma tendência crescente dos estudos voltados a essa etapa profissional, pois diferentes pesquisas têm sido realizadas, embora seja relevante salientar que elas ainda não acontecem em grande quantidade em relação às pesquisas em educação, em sentido amplo.

Como foi evidenciado por Lima (2004), as pesquisas que têm como foco os professores iniciantes no Brasil têm sido pouco privilegiadas. Mariano (2005) corrobora essa afirmação (2005), ao analisar as pesquisas apresentadas nos encontros da ANPEd e nos Endipes sobre a aprendizagem profissional do professor iniciante (período de análise: 1995 a 2004) e afirmar que a temática corresponde a 0,5 % dos estudos realizados na área da educação, revelando a demanda por mais investigações na área.

 

As tendências das pesquisas sobre professores iniciantes

Sem a intenção de se elaborar uma pesquisa do tipo estado da arte3 ou estado do conhecimento sobre o tema professores iniciantes, o que demandaria uma investigação longa e minuciosa que extrapolaria as limitações do presente trabalho, para se examinar as tendências das pesquisas consultadas, em relação ao seu foco de estudo, procedeu-se ao seguinte encaminhamento metodológico:

a) levantamento, por meio dos títulos disponíveis na página on-line da ANPEd, das pesquisas sobre o tema professores iniciantes apresentadas na 28ª, 29ª e 30ª reuniões, nos GTs 4, 8 e 14;

b) leitura dos textos das pesquisas selecionadas nos GTs 4, 8 e 14, disponibilizados na página on-line da ANPEd;

c) análise dos resultados dos trabalhos de Mariano (2005; 2006) disponibilizados na página on-line da ANPEd;

d) pesquisa sobre o tema professores iniciantes no banco de teses da CAPES, por meio da busca de palavras exatas, nos anos de 2000 a 20074 trabalhos de mestrado e doutorado;

e) análise da investigação denominada Estado do Conhecimento sobre Formação de Profissionais da Educação (1997-2002) (BRZEZINSKI, 2006), bem como leitura dos títulos de pesquisas apresentados pela autora e dos resumos dos trabalhos cujos títulos foram selecionados.

No que diz respeito ao levantamento das pesquisas apresentadas (incluindo trabalhos e pôsteres) na 28ª, 29ª e 30ª reuniões da ANPEd, em 2005, 2006 e 2007, e tomadas como referência especificamente as que foram divulgadas nos grupos de trabalho GT 4 (Didática), GT 8 (Formação de Professores) e GT 14 (Sociologia da Educação), grupos escolhidos por sua proximidade com a temática, foi possível observar que, de um total de 236 trabalhos apresentados nos três grupos, apenas 14 dizem respeito ao tema professores iniciantes.

O critério para a seleção dos trabalhos foi a presença de palavras, nos títulos, que estivessem relacionadas a expressões como: professor iniciante, socialização profissional, aprendizagem da docência, iniciação profissional, anos iniciais de exercício da profissão, desenvolvimento profissional no início da carreira. O número de trabalhos encontrados, 14, corresponde a 5,93% do total dos três grupos, sendo que seis desses trabalhos foram apresentados em 2005, quatro foram apresentados em 2006 e outros quatro em 2007, o que, em certa medida, reforça as conclusões anteriormente apresentadas sobre os estudos efetivados por Lima (2004) e Mariano (2005) nessa área.

No tocante ao teor das pesquisas, a maioria dos trabalhos enfatiza, de forma descritiva e analítica, os processos de constituição da prática do professor iniciante, seus saberes, socialização profissional, pontuando, inclusive, dificuldades e possibilidades utilizadas pelos professores para resolvê-las. Entretanto, duas pesquisas relacionam-se ao desenvolvimento de propostas específicas para facilitar a inserção profissional do professor iniciante, diferenciando-se das demais.

Em sentido amplo, os 14 trabalhos, explorando níveis diferenciados da educação básica e a educação superior, assim se apresentam:

• 01 pesquisa analisa os processos formativos com a utilização de casos de ensino como instrumentos de pesquisa;

• 01 pesquisa busca compreender como os professores iniciantes enfrentam as situações difíceis encontradas;

• 01 pesquisa investiga a construção da profissionalidade docente;

• 01 pesquisa preocupa-se com a prática de uma professora doutora que atua no ensino fundamental;

• 01 pesquisa focaliza a identificação dos dilemas enfrentados e a possibilidade de eles se converterem em saberes docentes;

• 03 pesquisas investigam as práticas de socialização desenvolvidas pelo professor;

• 01 pesquisa analisa o processo de construção do habitus profissional;

• 01 pesquisa analisa o ciclo de vida profissional de docentes, na perspectiva da pedagogia que os norteia;

• 02 pesquisas realizam um levantamento sobre os trabalhos acerca do período de iniciação profissional do professor (tratando-se da mesma pesquisa, em dois momentos diferentes: 2005 e 2006);

• 01 pesquisa busca a compreensão dos saberes que fundamentam a prática docente do professor iniciante através do acompanhamento em um Programa de Educação Continuada e da proposição de projetos de ação/formação;

• 01 pesquisa ressalta contribuições e desafios de um Programa de Iniciação à Docência para um professor de Educação Física.

Quanto aos dados evidenciados por Mariano5 (2006), trabalho que, inclusive, compõe o grupo anterior, verifica-se que:

• 06 estudos analisaram a socialização profissional dos professores em início de carreira, buscando compreendê-la;

• 04 pesquisas focaram a atenção em impressões, dilemas, percepções dos professores no período de iniciação profissional;

• 03 estudos visaram ao conhecimento das contribuições formativas para os professores, de algumas abordagens de pesquisa, como coaching, casos de ensino, etc;

• 03 pesquisas analisaram como se dá o processo de construção dos saberes docentes;

• 03 trabalhos investigaram os recursos teóricos e práticos utilizados pelo professor em sua prática pedagógica;

• as demais temáticas abordadas no conjunto das pesquisas, aproximadamente cinco trabalhos, segundo o autor, fizeram referência à relação entre a formação inicial e o início da docência, a programas de iniciação profissional, à organização do trabalho pedagógico e às influências do âmbito pessoal e profissional na constituição da prática docente.

Comparando-se os resultados obtidos por Mariano (2006) ao levantamento posterior que foi realizado para a efetivação do presente estudo - junto aos trabalhos da ANPEd nos anos de 2005 a 2008 -, observase que os resultados são similares, pois são tênues as alterações em relação ao foco de estudo das pesquisas encontradas, evidenciando a centralidade recorrente que ocupam os temas apontados, para os pesquisadores da área de formação de professores.

O outro levantamento realizado para a composição do presente trabalho, a partir da consulta ao banco de teses da Capes6 (anos de 2000 a 2007) nos Programas de doutorado e mestrado e a partir da pesquisa pelas palavras exatas professores iniciantes, iniciação profissional e iniciação à docência7, seguida da leitura e da seleção dos títulos pertinentes e da leitura dos resumos, quando necessário, propiciou a percepção dos dados apresentados a seguir.

 

 

O total de pesquisas encontrado nos oito anos pesquisados, a partir das palavras exatas citadas anteriormente, envolve uma série de 54 pesquisas. Seus títulos referem-se a aspectos amplos e que podem ser organizados, em linhas gerais, em torno de três grupos:

a) um grupo que analisa diferentes questões relacionadas à prática pedagógica do professor iniciante e à iniciação em outras áreas profissionais;

b) um grupo que faz referência mais especificamente à formação inicial;

c) um grupo que tem caráter de maior proposição em relação à formação do professor em período de iniciação.

No primeiro grupo, que apresenta diferentes questões relacionadas à prática pedagógica do professor iniciante e à iniciação em outras áreas profissionais, foram encontradas pesquisas sobre o professor iniciante em EaD; o professor iniciante e a temática ambiental; a construção de saberes pelo professor iniciante no ensino superior; o trabalho do professor iniciante e o trabalho com o texto; o professor iniciante nas áreas de educação física, do futebol e da ginástica artística; o professor iniciante e o ensino da língua inglesa; estudos de como foi o processo de começar a ensinar a partir de histórias de professores; o professor iniciante em Geografia; os professores iniciantes formados em Pedagogia; as representações do professor iniciante sobre a indisciplina; o processo de socialização profissional; professores iniciantes em informática; dilemas de professores iniciantes; opiniões dos professores de matemática sobre a sua área de ensino; processos de construção da docência; inserção do recém-formado no trabalho da área da Enfermagem; iniciação profissional da enfermeira por meio do Programa Trainee; o estágio probatório e o professor em início de carreira.

No segundo grupo, em que se faz especificamente referência à formação inicial, encontram-se títulos de trabalhos que tratam do estágio na licenciatura em Química, do papel da formação inicial em música e da formação inicial em Física. No terceiro grupo, aquele em que as pesquisas demonstram ter, por seus títulos, um caráter de maior proposição em relação à formação do professor em período de iniciação na docência, verifica-se a existência de três trabalhos: um cujo título trata da formação de professores-mentores com o auxílio da informática; outro que faz referência a um programa de iniciação à docência para um professor de Educação Física (o mesmo citado na pesquisa realizada na página da ANPEd - 2005 a 2007); e um último que apresenta os casos de ensino como possibilidade formativa do professor iniciante.

Tais dados, em certa medida, reiteram os anteriores e permitem inferir que a existência de pesquisas nas quais se realiza algum tipo de intervenção com o professor iniciante, bem como de pesquisas que investiguem professores iniciantes relacionados ao sucesso escolar, ou considerados bem-sucedidos, mostram-se quase como silêncios no campo investigativo da educação, abrindo perspectivas para o desenvolvimento de novos trabalhos.

Ainda em relação ao mapeamento dos trabalhos sobre o tema professores iniciantes, a leitura da pesquisa de Brzezinski (2006), que desenvolveu o estado do conhecimento em forma de levantamento e análise de conteúdo das dissertações de mestrado e teses de doutorado defendidas nos Programas de Pós-Graduação do Brasil - programas credenciados pela Capes/MEC -, no período de 1997-2002, demonstra que não há referência específica da autora a esse tema, embora, para efeito do presente trabalho, não se tenha procedido à leitura de todos os resumos das pesquisas selecionadas pela autora, mas tão somente de 17 deles.

Segundo Brzezinski (2006), no que diz respeito à pesquisa que realizou, houve certa dificuldade para se distinguir as categorias formação inicial e continuada, principalmente pela adoção do conceito de desenvolvimento profissional nas discussões atuais. Nesse sentido, afirma a autora:

Na produção acadêmica examinada e na concepção vigente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), acentua-se a unidade do processo de desenvolvimento profissional do professor. Sendo assim, formação inicial e formação continuada são consideradas etapas que se sucedem em um continuum (desenvolvimento profissional) e em um processo de configuração de identidades docentes (BRZEZINSKI, 2006, p. 18).

A partir da abordagem de Marcelo García (1999), o período de iniciação deve ser compreendido como período de ligação entre a formação inicial e o desenvolvimento profissional durante a carreira docente, embora faça parte dele. O autor ainda ressalta que, devido à necessidade de considerá-lo como uma etapa que possui características próprias, esse período precisa também ser analisado de forma singular.

Diante desse entendimento, vê-se que, na pesquisa feita por Brzezinski (2006), a partir das diferentes categorias e subcategorias apresentadas e, em especial, nas categorias Políticas e propostas de formação de professores, Formação continuada, Trabalho docente, Identidade e profissionalização docente, não há referência ao período de início da carreira, demonstrando-se a possível fragilidade no tratamento do tema pelos pesquisadores brasileiros.

Entretanto, mesmo Brzezinski não tendo se dedicado especificamente ao período de iniciação profissional ou aos professores iniciantes, ao serem analisados os 742 títulos apresentados pela autora (a qual procedeu a uma definição de amostras de Programas a serem pesquisados), encontraram-se 17 trabalhos que poderiam tratar da formação desses professores. Após a leitura dos 17 resumos (disponíveis no banco de teses da Capes), concluiu-se que seis deles fazem referência especificamente a essa etapa, como mostra o quadro a seguir.

 

 

As pesquisas sobre professores iniciantes encontradas nos trabalhos selecionados por Brzezinski (2006) têm como foco de estudo a construção dos saberes docentes a partir da experiência vivenciada por eles, a preocupação com as dificuldades enfrentadas pelos professores iniciantes, a análise do estágio probatório e a aprendizagem da docência a partir da prática profissional. Entre essas pesquisas, uma está presente entre os trabalhos encontrados na página da ANPEd (2005 a 2007).

Tais dados podem ser indicativos de que o estudo do desenvolvimento profissional de professores iniciantes, embora seja um tema complexo e de grande relevância para a área de formação de professores, continua sendo - pelo número de pesquisas encontradas - pouco pesquisado no Brasil. Além disso, vale ressaltar que um estudo a partir de pesquisas sobre professores iniciantes, apresentado por Papi e Martins (2009), evidencia que não há, entre a maioria dos trabalhos analisados pelas autoras, preocupação com a abordagem de pesquisa crítico-dialética. Tal fato sinaliza para a importância de que os professores em início de carreira sejam considerados como parte de um contexto mais amplo, que influencia o seu desenvolvimento profissional, o que pode ser facilitado com a utilização dessa abordagem de pesquisa.

 

Considerações finais

Os resultados das pesquisas a que se teve acesso demonstram que existe na realidade brasileira uma preocupação, ainda insipiente, com os professores iniciantes na profissão. Seus focos de estudo voltam-se principalmente para os processos constitutivos da prática do professor iniciante, seus saberes, socialização profissional, a construção de sua identidade, as dificuldades e os dilemas encontrados, evidenciando a centralidade do professor nesse processo.

Além disso, diante dos dados aqui levantados, verifica-se que as pesquisas sobre professores iniciantes, embora tenham se iniciado há algum tempo no Brasil, não foram capazes, ainda, de fomentar a formação específica e diferenciada para os professores nessa condição, mesmo que alguns trabalhos apontem tal necessidade e relevância.

A formação do professor iniciante parece se inscrever como alternativa possível para minimizar as dificuldades por ele enfrentadas quanto aos conflitos na relação com os alunos (CORSI, 2005; MARIANO, 2005), ao domínio do conteúdo (CORSI, 2005; MARIANO, 2005; NONO; MIZUKAMI, 2006), ao desejo de desistência da carreira desencadeado pelas adversidades vivenciadas (NONO; MIZUKAMI, 2006), à falta de apoio nas escolas (CORSI, 2005), entre outros aspectos que resultam em tensões.

Assim, a importância de que o professor iniciante seja considerado de maneira diferenciada em relação aos demais professores parece ser uma conclusão efetiva, tanto no Brasil quanto fora dele. Há que se considerar, entretanto, que o atendimento a essa necessidade parece não ter sido ainda levado em consideração pela grande maioria das instituições escolares de educação básica e pelas instituições de educação superior. Essas últimas, em especial, podem se constituir como incentivadoras e fomentadoras da formação desses professores, na medida em que realizem parcerias com as escolas de educação básica e que, inclusive, não desconsiderem a formação de seus próprios professores, que, em muitos casos, são, também eles, iniciantes na profissão.

Vislumbra-se, portanto, a necessidade e a importância de se contribuir mais efetivamente para o desenvolvimento profissional docente por meio de políticas voltadas ao professor iniciante, seja na rede pública seja na rede privada de ensino. Esse é um desafio que ainda se faz necessário superar e ao qual, acredita-se, vale a pena que se dedique atenção especial.

 

Referências

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Notas

1 O documento de que trata o texto é uma publicação intitulada Temas clave de la educación en la Europa, que trata, no capítulo 6, das Medidas de Apoyo a los nuevos profesores.

2 Eurydice é uma rede institucional que recolhe, analisa e divulga informações sobre políticas e sistemas educativos na Europa. Foi criada em 1980, pela Comissão Europeia, para facilitar a cooperação através da melhor compreensão das políticas e dos sistemas educativos dos EstadosMembros. Disponível em: <http://www.eurydice.org>. Acesso em: 3 nov. 07.

3 Segundo Romanowski e Ens (2006), as pesquisas denominadas estado da arte buscam sistematizar o que foi produzido numa determinada área de conhecimento, para o que se faz necessário um processo de estudo rigoroso, capaz de buscar em resumos de teses e dissertações - além de verificar em eventos relevantes da área pesquisada e em publi cações de periódicos - os diferentes resultados, metodologias, aportes teóricos, contri buições e lacunas que ensejem novas pesquisas.

4 Disponível em: <http://www.anped.org.br>. Acesso em 10 e 11 jul. 2007; 18 maio 2008.

5 Analisou 24 estudos (incluindo trabalhos, pôsteres, trocas de experiência, painéis) apre sentados nos encontros da ANPEd e nos Endipes sobre a aprendizagem profissional do professor iniciante (período de análise: 1995 a 2004).

6 Acesso ao banco de teses durante os meses de setembro e outubro de 2007 e em 9 e de março de 2008.

7 Pesquisou-se também a expressão exata "formação de professores iniciantes", para a qual foram obtidos três resultados, todos encontrados nas pesquisas das palavras já citadas.

 

 

Contato:
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Programa de PósGraduação em Educação
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Recebimento: 06/08/2008
Aprovação: 16/08/2010

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