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Educação em Revista

versão impressa ISSN 0102-4698

Educ. rev. vol.30 no.4 Belo Horizonte out./dez. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-46982014000400001 

EDITORIAL

 

 

Encerramos o ano de 2014 com a publicação deste número quatro de Educação em Revista. No contexto de um ano eleitoral, dilemas, desafios e propostas para a educação nacional foram temas de um grande debate na sociedade brasileira. Soma-se a isso a realização da Segunda Conferência Nacional de Educação - CONAE, em novembro, que deliberou sobre o Plano Nacional de Educação - PNE (2010-2020), definindo propostas e responsabilidades na articulação do Sistema Nacional de Educação. Renova-se, assim, a esperança de que esse debate promova avanços nas políticas para a educação brasileira.

É com tal espírito que Educação em Revista apresenta novas produções sobre a pesquisa em educação, que abarcam o trabalho docente, os saberes e a formação docente, entre outros temas igualmente relevantes.

Neste número, um primeiro grupo de textos é composto por quatro artigos que abordam o trabalho docente. O texto de Kelly Ambrosio Silveira, Sônia Regina Fiorim Enumo, Kely Maria Pereira de Paula e Elisa Pozzatto Batista, Estresse e enfrentamento em professores: uma análise da literatura, discute as pesquisas sobre a saúde dos professores, seus resultados e suas metodologias, tendo como recorte as estratégias de enfrentamento do estresse entre esses atores. As autoras se debruçaram sobre a produção de artigos publicados entre 2006 e 2011 em bases internacionais do Portal Periódicos/CAPES. Em seguida, o texto Quem ainda quer ser professor? A opção pela profissão docente por egressos do curso de História da UFMG, de Marina Alves Amorim, aborda as trajetórias profissionais de professores da educação egressos de uma turma do Curso de Licenciatura em História da UFMG após dez anos de sua conclusão. A atuação profissional de docentes também é investigada por Mónica Baptista, João Pedro da Ponte, Isabel Velez e Estela Costa no artigo Aprendizagens profissionais de professores dos primeiros anos participantes num estudo de aula. Neste caso, os autores se voltaram para os estudos de aulas como um processo colaborativo de formação docente, o qual pressupõe processos coletivos de reflexão sobre a prática docente. Por fim, fechando o primeiro bloco, Lídia Campos Gomes Boy e Adriana Maria Cancella Duarte nos oferecem o texto A dimensão coletiva do trabalho docente: Uma experiência em duas escolas municipais de Belo Horizonte, trazendo resultados de uma pesquisa sobre o trabalho coletivo entre docentes de duas escolas públicas. Os dados indicam diferentes concepções e formas de colaboração, ao mesmo tempo em que constatam uma escassez cada vez maior de práticas coletivas entre os docentes.

O texto de Marise Nogueira Ramos, O estudo de saberes profissionais na perspectiva etnográfica: contribuições teórico-metodológicas, faz a transição entre o primeiro e o terceiro agrupamento de artigos. Trata-se de uma discussão teórico-metodológica sobre as contribuições da etnografia para o estudo dos saberes profissionais, defendendo-se a reconstrução da relação das singularidades e das particularidades dos grupos profissionais com a totalidade social.

O terceiro bloco abrange produções que se voltam para discussões sobre teorias pedagógicas e concepções de ensino e avaliação escolar. Inicia-se com o texto de Nabil Araújo, Por uma pedagogia literária do "como se": em torno de uma experiência pedagógica na graduação em Letras da UFMG. Nesse trabalho, o autor toma como objeto a prática pedagógica em uma experiência de formação de licenciados em Letras buscando compreender processos de leitura e avaliação escolar de textos literários. Na mesma trilha da reflexão sobre as práticas pedagógicas, o artigo seguinte, Avaliação na Educação Física escolar: construindo possibilidades para a atuação profissional, de Wagner dos Santos, Lyvia Rostoldo Macedo, Juliana Martins Cassani Matos, André da Silva Mello e Omar Schneider, traz os resultados de uma pesquisa colaborativa com uma professora e seus alunos de educação física de uma escola pública. Adotando a pesquisa-ação como perspectiva metodológica, o estudo desenvolveu vários instrumentos de avaliação do desempenho escolar e permitiu traçar possíveis alternativas para um processo avaliativo que reconheça os sentidos e os saberes construídos pelos alunos. Por fim, Giseli Barreto da Cruz e Marli Eliza Dalmazo Afonso de André, autoras do texto Ensino de Didática: um estudo sobre concepções e práticas de professores formadores, abordam os resultados de uma pesquisa com professores da disciplina Didática de três universidades sobre os seus diferentes perfis profissionais, suas concepções e práticas pedagógicas.

Os artigos que se seguem trazem temas diversos, não incorporados em um agrupamento específico. O primeiro deles, Nota sobre o acolhimento, de Flávia Naethe Motta, traz os resultados de uma pesquisa realizada com crianças da Educação Infantil buscando compreender o seu processo de ingresso no ensino formal e suas transições nessa etapa da vida e de sua escolarização.

O próximo artigo, de Artur José Renda Vitorino, Recensões sobre educação e democracia ética na obra de Mário Vieira de Mello, é um ensaio que contrapõe asnoções de democracia ética e de democracia igualitária: aquela, associada à dimensão da cultura; e esta, às estruturas de poder da sociedade e do Estado.

O número se encerra com uma dupla de textos que abordam jovens de diferentes pertencimentos e suas relações com a escola e a educação. Letramento, identidade e cotidiano entre jovens Xacriabá, de Carlos Henrique de Souza Gerken, Tamiris Amanda Rezende, Daniel dos Santos Oliveira e Ildete Freitas Oliveira, trata dos diferentes modos de apropriação da escrita por jovens indígenas do ensino médio e sua relação com a cultura escrita no contexto escolar, sendo esta um importante instrumento para a afirmação de sua identidade. Fazendo par com esse texto, Alessandro Augusto de Azevedo, em Itinerância Severina de jovens e adultos do campo: exclusão do direito à escola em memórias e projetos de futuro, traz à cena o olhar de jovens e adultos de um assentamento da reforma agrária sobre suas memórias e representações em relação à escola, marcadas por narrativas de desencontros entre esses sujeitos e os processos de escolarização.

Esperamos que este número possa ser mais uma contribuição ao debate educacional avivado pelo contexto das novas administrações e representações parlamentares estaduais e federais que serão iniciadas em 2015. Temos a convicção de que os resultados de pesquisas e ensaios acadêmicos difundidos em Educação em Revista, bem como em vários periódicos da área, podem ser instrumento para subsidiar tal debate e oferecer caminhos para a construção da escola pública e democrática em território nacional.

 

Geraldo Leão
Andrea Moreno
Danusa Munford
Júnia Sales Pereira
Maria Teresa Gonzaga Alves
Maria Zélia Versiani Machado
Raquel Martins de Assis
Sérgio Dias Cirino
Teresinha Fumi Kawazaki
Vanessa Ferraz Almeida Neves

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