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Lua Nova: Revista de Cultura e Política

versão impressa ISSN 0102-6445

Lua Nova vol.2 no.3 São Paulo dez. 1985

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-64451985000400001 

Excesso de seriedade...

 

 

O Brasil não é um país sério, disse, certa vez, o general De Gaulle. Foi durante uma visita não tão diplomática que o general fez ao país nos anos 60. Feriu os brios nacionalistas e não poucos brasileiros protestaram na ocasião contra a manifestação de eurocentrismo do mandatário francês.

É provável que os reclamantes tivessem razão quanto ao eurocentrismo. Já quanto à tese de que somos um país sério, hesito bastante em concordar. Sabem por quê? Porque o Brasil da "Nova República" é um exemplo vivo de falta de seriedade. Detalhes?

O caso da Constituinte. Depois de idas e vindas e, principalmente, muitas críticas à Aliança Democrática por querer aprovar a versão do "Congresso Constituinte" do presidente Sarney, os parlamentares brasileiros se puseram a ouvir a sociedade civil para chegar a uma fórmula que expressasse a aspiração popular.

Quando escrevo estas notas, a questão ainda não está definida, mas tudo indica que, ao contrário do que desejavam amplos setores da sociedade, como a OAB, a CNBB, a CUT, a ANDES, o PT, e muitos outros, prevalecerá uma solução corporativista. Ou seja, uma solução que assegure as garantias e, mesmo, muitos privilégios dos próprios parlamentares na futura Constituinte. Ao invés da questão ser tratada com a importância que tem — da elaboração das regras do jogo que irão vigir daqui para frente na sociedade — ela é, uma vez mais, instrumentalizada para que a chamada "classe política" garanta as suas condições "ótimas" de continuidade onde está.

É a isso que se chama representação?

 

O Editor